OS GRANDES NO REINO DE DEUS Mc 9,30-37

Postado por: Padre Bantu Mendonça K. Sayla

setembro 20th, 2009

O que Jesus revelava era um paradoxo, dos inúmeros de sua pregação. O senso comum recusa suas palavras, enquanto sustenta a escalada de privilégios na sociedade. Para Jesus, o justo é aquele que incomoda o injusto, porque vai denunciar o seu agir contrário a legalidade. O justo ao denunciar os atos errados do injusto, acaba por ocasionar sua ira, pois ele não se considera errado, mas sim esperto. Jesus identificava a acolhida de Deus aos empobrecidos, despojados de dignidade, fracos, com o acolhimento que devemos dar às crianças. Aqueles que não têm direitos, dignidade, cidadania, nem quem olhe por eles. Os últimos na escala social, os desprezados, “improdutivos”, eram levados em conta, na chegada do Reino de Deus. O fenômeno da padronização de consumidores, na sociedade recente, repercute de forma decisiva sobre os empobrecidos e os “sem nome” na lista da família dos poderosos.

O vestuário, a utilização dos meios de transporte, o lazer, a proteção e seguridade social, a habitação, a escola, o sistema de saúde, demonstram o quão distantes estão os empobrecidos dos recursos disponíveis e da distribuição dos bens sociais. Temos aqui uma democracia eleitoral, mas falta democracia, como dizia um dos candidatos à presidência da nação; falta democracia participativa na distribuição dos bens sociais; falta democracia na distribuição do trabalho e da produção; falta democratizar as riquezas que certamente existem, neste país. A rigor, ainda vivemos sob conceitos da democracia dos filósofos da antiguidade, na Grécia antiga: democracia só para as elites dominantes e os bem-postos da sociedade.

Os “pequenos” são vítimas das desigualdades sociais, por afinidade. O Evangelho, porém, faz gerar novos símbolos que se contraporão às formas de linguagem e aos modelos que sustentam a sociedade consumista, juntamente com os valores desumanos a que se recorrem para justificar a competição desigual e a ganância galopante. Estas têm se transformado em virtudes… Assim é a pedagogia da ganância.

A cobiça pelo dinheiro, prestígio e mando, pode levar a um caminho sem volta, e nos afastar do Cristianismo de maneira irreversível, adverte São Tiago. Uma explicação simples e eficaz da causa dos conflitos na comunidade cristã encontra-se na ambição ou ganância. Com efeito, ninguém rouba, mata ou arruína a vida alheia se não estiver movido por algum tipo de ambição. Lembrando que São Tiago dirige-se a cristãos da comunidade de Jerusalém. Os de fora, pagãos, não merecem sua atenção. O apóstolo detecta crimes cometidos no seio da comunidade, sem excluir até mesmo a existência de assassinatos: “sois assassinos e invejosos” (4,2). Não é uma metáfora. Os cristãos praticavam coisas condenáveis, adverte. Isso depois de enumerar a maledicência, a rivalidade, a disputa de poder dentro da comunidade. O desejo de ser mais forte que os demais, de se ter mais poder econômico, de se assegurarem privilégios e poder de mando, são manifestações da ambição e ganância. O problema de tais condutas, inspiradas e patrocinadas pela sociedade, é que  o ideal de vida, inclusive o de pessoas cristãs, é contaminado pelo desejo e luta pela posse e acumulação de bens. E não se trata aqui somente de dinheiro e bens imóveis ou financeiros.

No movimento de Jesus os discípulos  são envolvidos com questões de suma importância. Trata-se do escândalo da negação de legitimidade para ambiciosos de poder, na comunidade eclesial e fora dela. A discussão dos discípulos, concentrados não em seu ensinamento, mas na repartição dos cargos burocráticos de um hipotético governo, como um exemplo da vida diária. Está na pauta, é parte dos ensinamentos de Jesus. Os discípulos devem superar o medo cultural que os invade e que impede de dirigirem-se a ele com mais confiança, sem obediência hierárquica.

Jesus lança mão de uma estratégia pedagógica muito engenhosa: a “criança” era uma das criaturas mais insignificantes da cultura israelita. Por sua fragilidade física ainda em formação, e idade, a criança não estava em condições de participar da guerra, da política nem da vida religiosa. Jesus coloca um desses pequenos para o meio deles e lhes mostra como o presente e o futuro da comunidade está dependendo das pessoas mais esquecidas e mais simples. Somente assim há de se reverter o sistema de valores. E só dessa maneira a comunidade se tornará uma alternativa diante do “mundo” que só valoriza as pessoas endinheiradas, bem-postas, ou os que têm poder político ou poder econômico. A novidade de Jesus consiste em tornar grande o pequeno. Ao dar valor aos que fazem os trabalhos mais humildes e às pessoas tidas culturalmente, dentro da sociedade, como insignificantes zeros à esquerda, ele aponta para a igualdade de direitos e a dignidade de todos.

Marcos reúne numa só instrução uma série de sentenças de Jesus, conservadas e transmitidas pelas gerações e tradições primitivas da Igreja. O centro da ação de Jesus é uma casa em Cafarnaum, lugar transformado em escola de apóstolos. Predomina a instrução sobre a humildade. Melhor: o pequeno é “grande” diante de Deus. Os socialmente humildes, sem poder econômico, sem-terra, sem-emprego, sem-teto, sem-defesa nas causas levadas aos tribunais, sem nada que os destaque e espelhe dignidade devida e concedida por direito, ocupam lugar central no Reino de Deus. Os oprimidos e esquecidos pela sociedade merecerão a atenção graciosa de Deus.

Pois bem, meu irmão, minha irmã, escute as palavras do nosso Senhor. Ele nos adverte: Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos.

Senhor Jesus, tira do meu coração todo ideal humano de grandeza, e faz-me compreender que ela consiste em fazer-me servidor.




8 Responses to “OS GRANDES NO REINO DE DEUS Mc 9,30-37”

  1. comentário de: thiago canet Says:

    eu só fico triste porque está reflexão é muito tendênciosa.
    trás muito uma menstalidade comunista…
    diz, inclusive, que jesus não quer que haja hierarquia, que elenã gosta disso…

    não se trata disso. jesus fz isto para provar que seu reino não é deste mundo, queele não vei implantar justiça e paz neste unda, não veio para fazer “liberdade, fraternidade e igualdade” nesa terra,mas seu reino é dos céus.
    um contraponto seria o simples fato de Jesus colocar Pedro(por sua própria vontade) como lider, chefe entre os apóstolos.

  2. comentário de: sergio Says:

    Bom dia a todos,
    Sensacional, Jesus é o Senhor do mundo.
    Um abraço,
    Sergio.

  3. comentário de: Emerson S. Félix Says:

    A Paz de Jesus e o Amor de Maria.

    ” O HOMEM SÓ É GRANDE , DE JOELHOS NO CHÃO!”

    Certa vez estava na fila da confissão e, reparei que na minha frente estava um a senhora chorando muito. Me sentido um que até incomodado, por imaginar o quanto deveria estar sofrendo aquela alma e, talvez imaginando que ela deveria estar indo mais se aconselhar com o padre. Resolvi orar em silêncio e pedir a ajuda de Deus, sê deveria ir ou não falar algumas palavras de consolo aquela senhora, na qual passei do pedido a Deus , a pratica de tentar amenizar aquela dor da qual desconhecia.
    Mas o que deveria falar aquela senhora?
    Não sei se ela estaria chorando por remorso de algum pecado grave cometido, ou seria talvez por algum sofrimento que estria passando por aquele tempo, mas tinha que arriscar.
    Aproximei-me e disse: Bom dia? Eu não conheço a senhora e também não sei qual é a situação que a senhora esta passando, mas gostaria de fazer-lhe uma pergunta?
    Ela meio que sem graça e no meio de tantas lágrimas me disse, pois não!
    Então perguntei: Em todo tempo de sua caminhada cristã, o que a senhora é em Jesus, “folhas ou frutos”. Pois ele mesmo disse que ele era a videira e o Pai o agricultor e, nós os ramos (João cap. 15 vers 1s.)
    Então ela parou de chorar, e por alguns instantes pensou, e logo em seguida respondeu: Não sei o que Deus esta querendo em dizer, mas acho que ainda continuo sendo folha em minha vida!.
    Então lhe respondi: Não minha irmã, todos nós somos e precisamos nos convencer que somos frutos de Deus neste mundo; pois eu lhe pergunto: A onde é feito o vinho, e como é feito de inicio?
    Então ela me respondeu: è feito no lagar, e é pisoteado para se ter o suco da uva.
    Então lhe disse: É isso mesmo, só basta agora entender esse processo em nossa vida , através dos sofrimentos que muitas teremos , que suportar neste mundo.
    Pois estamos no lagar desta vida, e Deus permite que sejamos esmagados pelos sofrimentos, para sermos um dia, um bom vinho no Reino dos Céus.
    Após essas palavras, ela deu um belo sorriso, então continuei dizendo: Agora a senhora vá até o vinhateiro que é o sacerdote, e faz a sua confissão e, em seguida estarei esperando a senhora para lhe dar mais algumas palavras de Amor, por parte de Deus.
    Ela fez a sua confissão, enquanto eu a esperava no primeiro banco da Igreja , de frente a um grande crucifixo pendurado.
    Após a confissão ela me procurou, sentou-se ao meu lado e com a Palavra de Deus aberta lhe disse: Olha minha senhora vou fazer-lhe outra pergunta?
    A senhora quer um dia ser ressuscitada por Jesus?
    Ela me disse: É claro que sim!
    Então olhe para esse crucifixo na tua frente e passe por ele por primeiro; pois esse é nosso mal de cristãos, queremos todos ser ressuscitados, mas não queremos ser crucificados antes.
    Ela deu um grande sorriso, a orientei mais um pouco e partiu logo em seguida.
    Muito tempo depois a encontrei durante uma Missa, em uma outra Igreja. Então ela me disse: Você esta lembrado de mim?
    Sim! Respondi.
    Ela então continuou; naquele dia estava desesperada por tantas situações e decisões, que deveria de tomar naquela semana, e peço perdão, por não ter te contado. Mas graças a Deus, Ele te usou para me dizer o quanto estava vivendo sem esperança e, que o caminho da minha vida ainda seria Ele.
    Pois bem, consegui passar por todas as situações e o meu maior medo, se tornou em fonte de alegria e, o resultado de um destes sofrimentos esta bem aqui do lado; pois estou trabalhando na mesma área, com pessoas que me trazem confiança e ao lado dessa Igreja, onde nos encontramos e, todos os dias posso vir a Missa, durante o meu almoço.
    Fiquei muito feliz por ela, e também o quanto pode voltar a enxergar o Senhor Jesus; pois ela acabou entendendo, que não existe ressurreição, sem passar pela cruz primeiro e, que a alegria do vinho só teremos definitivamente no céu.
    Agora o porquê desta história?
    Porque é a palavra do Evangelho de hoje, onde todos os discípulos queriam abraçar algo ainda não merecido, e também gratuito, que é o Reino dos céus, mas não querendo passar pela cruz e, segundo os propósitos de Salvação de Deus, na pessoa de Jesus.
    E o que dizer sobre, quem é o primeiro e último, sobre quem é maior e quem é menor, quem são os chamados e quem são os escolhidos?
    Em resumo podemos analisar este nosso jeito de sermos muitas vezes, através de uma frase colocada por uma pequena e grande Santa. “ Santa Teresinha do Menino Jesus”.

    “Só há um lugar onde ninguém terá inveja de mim! O último lugar; pois todos querem ser o primeiro.”

    Que grande sabedoria e também que grande verdade, porque quem quer ser o último em mundo tão concorrido?Quantas vezes preferimos ser servidos, ao invés de servir?
    E quantas e quantas vezes, queremos sempre estar por cima da carne seca, como nos diz o ditado popular.
    O certo é que deveríamos aprender um pouco mais, com um homem que foi um Arauto do Evangelho, o Apostolo Paulo, onde ele nos diz em ( I Corintios cap.15 vers 8s – “ Pois eu sou o menor dos apóstolos, nem mereço o nome de apostolo, pois eu persegui a Igreja de Deus.”)
    E também quando nos diz em ( I Timoteo cap.1 vers15s- “ Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro.”)
    Ou seja, o sentido de grandeza e lugar de Paulo, nos revela o quanto era dotado de humildade e sabedoria divina e, o quanto ainda se faz necessário, termos que passar pela porta estreita da fé, que nos conduzira ao lugar merecido, após as tribulações momentâneas vividas neste mundo.
    Em contra partida, nos diz também a primeira leitura tirada do Livro da Sabedoria, que os justos são provados pelos maus; mas fica sempre uma pergunta dentro de nós: Quem são os maus e os injustos? Acaso será que muitas vezes não estamos englobados neles?
    É necessário também abalizarmos o que nos Paulo aos ( Romanos.cap.3 vers23s-“ Todos pecaram , e estão privados da glória de Deus.”) e também o que diz o autor do ( Eclesiastes cap. 7 vers.20- “ Não há nenhum justo sobre a terra, que faça o bem sem jamais pecar.”) .
    Verificamos que a distância e os projetos que por muitas vezes criamos , em relação ao nosso próximo, nos faz também sermos justos e ingratos com Deus; pois qual de nós não experimenta aquilo que o Apostolo fala aos (Romanos cap.7 vers 19s- “ O bem que quero fazer não consigo e, o mal que não quero acabo por fazer.” ) ou seja, é uma luta constante entre a nossa natureza carnal e, o espírito que se opõem a tudo isso.
    Mas em suma por desconhecermos o nosso comportamento e também o do próximo, devemos ter a humildade de pedir a oração e, também o dom da fé , coisas essas que não se encaixa nos pedidos negados por Deus, na Carta escrita por São Tiago.
    Pois acredito que quando se pede a Deus a maturidade da fé e, após um dom de amor misturado a oração e louvor, em sua glória; já nos é dado mais que suficiente.
    Que o bom Deus então nos acolha em sua Majestade infinita , e que a exemplo daquela senhora que precisava apenas de uma palavra de orientação e, direção espiritual, sejamos também nós a cada dia abertos ao serviço dos irmãos, principalmente os mais próximos de nós, como nos diz São Paulo(I Timoteo cap.5 vers8s- “ Quem cuida dos seus e, principalmente, dos de sua casa renegou a fé e é pior que um infiel.” ) que são os nossos familiares e, também entender que entre o primeiro e o último lugar no Reino dos Céus,e o maior e o menor; o ponto comum é que todos tem lugar, graças a Jesus, ´so basta fazer a nossa parte através de um instrumento que é a nossa garantia: A esperança confiante mergulhada em Jesus, carregando e aceitando as cruzes de cada dia.

    Que a paz esteja em cada coração, no dia de hoje.
    E lembremo-nos, que somos os mensageiros e não a mensagem.!

    Bendito seja Deus o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém

    Paz e Bem .

  4. comentário de: Humberto ALmeida Says:

    Querido Padre Bantu, Nesse domingo, dia do SENHOR, como é bom poder ler palavras tão bonitas, Que DEUS te abençoe, te proteja, que você possa sempre escrever para nós, evangelizando corações!
    Fique com DEUS.
    Humberto – Salvador – Bahia

  5. comentário de: jane Says:

    Parabéns pela homília, ela nós leva a refletir o quanto a nossa sociedade está longe dos ideais do REINO DE DEUS. E parafraseando o MESTRE DOS MESTRES”Pai pedoai-nos porque nós não sabemos o que fazemos”. Ou melhor até sabemos, mas nos omitimos.

  6. comentário de: cecilia belo Says:

    o conteúdo da homilia de hoje está totalmente inserido no contexto sócio-político em que vivemos hoje em dia,
    a valorização do ter em detrimento do ser, a busca desenfreada pelos bens materiais e a exclusão pela sociedade e governantes dos pobres e abandonados.
    Nos valemos das suas palavras Pe. para enxegarmos as desigualdades e buscarmos uma sociedade mais justa e mais fraterna.

  7. comentário de: Jeferson R. Nunes da Silva Says:

    Boa noite a todos que estão lendo este meu comentário , e tambem ao senhor Pe. Bantu. Rezem para que abandonemos nossas “grandezas” para sermos acolhido por DEUS EM SEU Reino. Fiquem com Deus e o Amor de Maria Nossa Mãe.

    JefersonR. Nunes da Silva Cambuí-MG

  8. comentário de: Fique por dentro Deus » Blog Archive » Homilia Diária » OS GRANDES NO REINO DE DEUS Mc 9,30-37 Says:

    [...] que não têm direitos, dignidade, cidadania, nem quem olhe por eles. … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

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