A missão do Interprete de LIBRAS

I Da Ética Profissional

Art. 2º – O Intérprete e Guia-intérprete obriga-se a restrita observância do segredo profissional, não podendo divulgar a quem quer que seja qualquer informação obtida no decorrer de sua atividade profissional salvo no caso de reunião aberta ao público em geral, de implicação em delito previsto em lei, ou que possam gerar graves conseqüências ilícitas para terceiros.

Art. 3º O Intérprete e o Guia-intérprete devem manter uma atitude neutra durante o transcurso da sua interpretação, evitando quaisquer opiniões próprias, a menos que seja solicitado.

Art. 4 º O Interprete e o Guia-intérprete deve interpretar fielmente e com o melhor de sua habilidade, sempre transmitindo o conteúdo, a intenção e o espírito do interlocutor, utilizando-se de todos os recursos de expressões disponíveis.

Art. 5º – O Intérprete e o Guia-intérprete devem reconhecer seu próprio limite e competência, sendo prudente na aceitação de tarefas para as quais se julgar suficientemente qualificados ou não.

Art. 6º – O Intérprete deve ser discreto no uso de sua roupa, para uma atuação. Deve sempre usar roupas lisas (de uma cor só), e que contrastem com sua pele. Da mesma forma, evitar o uso de enfeites e ornatos pessoais (no cabelo, brincos salientes, colares, anéis, relógios, etc.). Ainda, ele deve saber o seu lugar no ambiente em que atuará – qual o melhor lugar para ele se posicionar, sendo confortavelmente visível para o público surdo, sem atrapalhar as pessoas, que não dependem dele. Estas normas gerais de bom senso e de padrão mundial valem também ao Guia-intérprete, sendo que este tem maior liberdade quanto ao vestuário e à posição de atuação.

A função social da nossa profissão é constituída pelo trabalho de cada intérprete e guia-intérprete frente à realidade que encontra em seu cotidiano. Sempre que podemos refletir juntos sobre esta prática, buscando novas maneiras de qualificá-la, ela é transformada.

No entanto, a oração é o principal e mais eficiente método para atingir o coração do surdo, executar o trabalho que a nós foi confiado com qualidade!

 

Fonte:

O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa / Secretaria de Educação Especial; Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos – Brasília: MEC;

SEESP, 2004.

Comissão de Ética APILSBESP. Código de ética do Interprete e Guia-interprete: http://www.apilsbesp.org/

Língua de Sinais: uma Identidade visual

Quando afirmamos que uma pessoa “fala” determinada língua, logo aderimos à tendência de associarmos esta fala com a produção de sons e com a escuta deles. Entretanto, se pensarmos assim, como ficam as pessoas surdas? Podem falar ou não?

Este é um questionamento que, não se reduzindo a meramente pensar formas de comunicação, nos leva a refletir sobre importância de se ter uma língua, falar esta língua e nela ser sujeito social ativo.

A língua, diferente do que muitos pensam, ao invés de ser somente um conjunto de códigos que, aprendidos, tem seu fim na comunicação entre as pessoas que os conhecem e utilizam, é ainda mais a manifestação de um sujeito, de suas idéias, de seus conceitos e de sua história, de suas experiências de vida, intenções e desejos, de sua capacidade de intervir no mundo em que faz parte e absorvê-lo. Enfim, a língua é o sujeito se dizendo, é a manifestação do ser pessoa.

Costurando todas as realidades acima, podemos ir adiante e entender que, sendo tão vasto e rico o espaço que a língua ocupa na vida do ser humano, o Surdo, como toda pessoa, a transborda de forma diferente, de uma maneira que lhe é própria e significativa. E esta forma representa o seu jeito Surdo de ser no mundo e de se construir enquanto sujeito a partir das experiências visuais, forma que também é língua com todos os elementos gramaticais e lingüísticos necessários: a língua de sinais.

“Na verdade, a língua não se transmite, ela dura e perdura sob a forma de um processo evolutivo contínuo. Os indivíduos penetram na corrente da comunicação verbal; ou melhor, somente quando mergulham nesta corrente é que sua consciência desperta e começa a operar.” (Bakhtin, 1990 in GOLDFELD, 1997)

A língua de sinais é estruturada em cada país por meio da cultura surda nacional. Sendo assim, temos a língua de sinais americana, sueca, italiana, e, em nosso caso, a brasileira. Podemos citá-la como Língua de Sinais Brasileira – LSB, pelo fato de ser primeiramente uma língua, como todas as demais, em uma modalidade visual-espacial (Sinais) e que é falada pela comunidade surda brasileira, ou ainda citá-la como Língua Brasileira de Sinais – Libras, como tradicionalmente vem sendo chamada pela comunidade surda brasileira e como foi mencionada na Lei Federal 10.436/2002 que a reconhece oficialmente.

Falar uma língua é expressar uma identidade e afirmar, assim, uma cultura.

Como caminho para afirmação de uma identidade integrada, na medida do possível, como para qualquer ser humano, a língua de sinais se mostra como possibilidade completa e sustentável (Goldfeld, 1997; Moura, 2000 e Quadros, 1997) na qual o surdo se identifica enquanto sujeito ativo com potencial social e político, sujeito “Surdo”, com uma identidade própria, não marcada pela perda, mas pelo potencial. Na língua de sinais desde as mais simples conversas de amigos, suas sutilezas e malicias, discussões filosóficas e emocionais, até os conteúdos intensamente acadêmicos e tecnológicos, podem ser partilhados. Essa partilha natural entre os Surdos cria um laço de sustentação da identidade:

Encontrar um grupo com esses valores (que coloca a vida acima de tudo) é encontrar vida. Num grupo assim, pode-se supor, cada indivíduo reconhece no outro um ser humano e é assim reconhecido por ele … Ter uma identidade humana é ser identificado e identificar-se como humano” (CIAMPA, 1990 in MOURA, 2000)

Ao se encontrarem em uma identidade fortalecida na língua de sinais, os Surdos se manifestam afirmando uma cultura própria, a Cultura Surda, que revela a tomada de posse de responsabilidades e deveres, tornando visível a luta por uma cidadania que respeite as diferenças, tanto as suas como as dos outros.

Portanto, o Surdo “fala”, fala na língua de sinais, e, por este motivo, incentivar a aquisição natural desta língua entre as crianças surdas, seu uso e difusão em todos os espaços sociais, garantir a presença do intérprete de língua de sinais em espaços educacionais, culturais, empresariais, de serviços públicos, incluindo ainda as mídias televisivas, é muito mais que criar um recurso de comunicação, é reconhecer o surdo como cidadão e estabelecer um caminho acessível para a manifestação de uma identidade cultural.

Odirlei Faria

Coordenador dos Intérpretes

Regional Sul 1

Pastoral dos Surdos

Referências

GOLDFELD, Marcia. A Criança Surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. SãoPaulo: Plexus, 1997.

MOURA, Maria Cecília de. O Surdo: caminhos para uma nova identidade. Rio de Janeiro: Editora Revinter, 2000.

QUADROS, Ronice M. de; KARNOPP, Lodenir B. Língua de sinais brasileira: estudos lingüísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

26 de setembro: Dia Nacional do surdo

O Dia Mundial do Surdo é comemorado por membros da comunidade surda de todo o mundo no dia 26 de setembro, com objetivo de relembrar as lutas vividas ao longo dos anos, como por exemplo, a luta em prol do reconhecimento da língua de sinais nos diversos países do mundo.

Origem do DIA DO SURDO

No Brasil, o dia 26 de setembro é sugerido devido ao fato desta data lembrar a inauguração da primeira escola para Surdos no país em 1957, com o nome de Instituto Nacional de Surdos Mudos do Rio de Janeiro, atual INES- Instituto Nacional de Educação de Surdo. E. Huet (1855) Professor Surdo francês fez um programa especial para ensinar os Surdos no Brasil. Este programa consistia em usar o alfabeto manual e a Língua de Sinais da França. Lutou e conseguiu junto ao Imperador Dom Pedro II apoio para fundar a primeira Escola para Surdos no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdos, no dia 26 de setembro de 1857.

O dia 26 de setembro foi oficializado no calendário nacional brasileiro diante Lei 11.976/2008, resultado do projeto de lei 1.791/99 proposto pelo Exmo. Deputado Federal Eduardo Barbosa.

Vamos comemorar mais esta conquista!

Fonte da informação: Karin Strobel. Carta aberta de agradecimento. Disponível em http://www.feneis.org.br/page/imagens/arquivos/Carta_Aberta_de_Agradecimento.pdf. Acessado em 10 set. 2009.

WordPress Themes