Na tarde do dia 26 de novembro 4 surdos das cidades de Cachoeira Paulista e Cruzeiro, São Paulo, receberam os Sacramentos da Primeira Eucaristia e Crisma na Canção Nova.
Renato Adriano, Jéssica Aparecida, Rafael Francisco e Odair Douglas fizeram por 2 anos perseverança e catequese no Instituto Canção Nova com a presença de intérpretes do Mãos que Evangelizam para a tradução em LIBRAS.
“É uma grande graça poder participar da vida desses surdos, vê-los crescer e hoje partilhar desta alegria que é receber os dons do Espirito Santo, foi um momento de muita emoção ver essa vitória de Deus se concretizar”, Lilian Andrade – Coord. Mãos que Evangelizam.
Angélica Satim, intérprete que acompanhou de perto este trabalho, diz: “Estar ali, com eles participando dos encontros de preparação, dos retiros, e ver com o passar do tempo um brilho diferente no olhar de cada um…
A curiosidade e o interesse pelas coisas de Deus… Um carinho despertado pelos sacramentos. Os catequistas super atenciosos, preprando um clima acolhedor e de experiência viva com o nosso Deus e com o Espírito Santo.
É um sentimento de de dever cumprido e ao mesmo tempo um sentimento por mais e mais surdos que ainda precisam se encontrar com Deus e serem inseridos na Sua amada Igreja”.
O grande desafio: compreendê-lo!De fato a evangelização dos surdos tem crescido no Brasil nestes últimos tempos graças à sua inserção na mídia, de maneira muito pontual através da Comunidade Canção Nova. Entretanto, aliada ao grande alcance da tv e às persistentes iniciativas das pastorais locais – nos mais diversos recantos do Brasil – encontramos uma dimensão fundamental, antiga e muito nova, da ordem dada por Jesus: o Éfeta de nossa humanidade.Muitos são os caminhos que trilhamos para levar a boa nova à comunidade surda, dentre os caminhos principais de catequese, romarias, retiros e encontros. Mas, para que estes caminhos nos orientem de fato para a grande liberdade dispensada no Éfeta, somos convidados a ter um olhar mais atento às realidades humanas que circundam nossa evangelização: surdos sofridos, que não sabem ler, compreendem pouquíssimo da língua portuguesa, não raras vezes desconhecem a profundidade da própria língua de sinais, e, como consequencia disso, não conseguem conversar com seus pais, padres e catequistas ouvintes, fogem assim para ruas para buscar preencher a carência de comunicação com alguém que os entenda de alguma forma…crescem, muitas vezes, sem conhecer quem realmente são, sem se deparar com o brilho de ser pessoa, amontoando mágoas, traumas e depressões sem saber que estas coisas tem lugar certo para serem depositadas – o coração de Jesus. O Éfeta passa-se diante dos olhos, mas não conseguem decifrá-lo por causa do véu de uma humanidade ainda não desabrochada.De uma maneira muito direta e consciente, quero partilhar com todos aqueles que se colocam à serviço da evangelização dos surdos uma verdade: em nossas mãos está a possibilidade de Deus devolver à eles o direito de ser pessoa, a clareza do Éfeta!Esta responsabilidade se identifica com realidades concretas com nosso aprofundamento no estudo e conhecimento da cultura surda e da língua de sinais, canal primordial da comunicação da comunidade surda; com nosso aprofundamento nos estudos e na vivência da fé católica, re-significando o conceito de evangelização – de mera comunicação (interpretação) de informações litúrgicas/catequéticas, para uma verdadeira construção da vida por meio de Cristo verbo encarnado; com o nosso acolhimento às realidades sociais, familiares, educacionais e emocionais como fundamentos para a grande construção do filho de Deus.Que Virgem Santíssima nos ajude a darmos passos acertados nesta aventura do evangelho, e que, experimentando a liberdade do Éfeta primeiro em nós, consigamos despertá-la nos surdos a quem o Senhor nos enviar!
No coração de Deus,
Odirlei Roque de Faria
Coord. dos Intérpretes – Pastoral dos Surdos Regional Sul 1 (SP)