Meu Senhor e meu Deus, cheio de amor e bondade, eu aceito perdoar todas as pessoas em minha vida, a começar por mim mesmo, porque sei que o Senhor me perdoou primeiro. E se o Senhor já me perdoou, também eu me perdoo por todos os meus pecados, faltas e falhas, especialmente por esta situação (apresente a Deus o que o incomoda).
Eu me perdoo por não ser perfeito, por não acertar sempre, eu me aceito como sou e decido deixar de me criticar e ser eu mesmo o meu pior inimigo. Porque o Senhor está em mim, sei que posso viver reconciliado comigo mesmo. Liberto-me de tudo o que guardei contra mim mesmo. Liberto-me dessa prisão para ficar em paz comigo mesmo. Hoje, pelo poder do Espírito Santo, eu me perdoo e me reconcilio comigo mesmo.
Senhor, não quero desperdiçar a minha vida amarrado pela falta de perdão. Mas, às vezes, sinto-me fraco para perdoar. Não consigo perdoar com minhas próprias capacidades. Socorre-me com a tua força!
Sei que o Senhor não permitirá que os relacionamentos difíceis da minha vida se tornem ainda piores. Peço, Senhor, que cure as minhas raivas reprimidas, minhas amarguras e ressentimentos.
Eu tomo a firme decisão de viver reconciliado com as pessoas em minha vida.
Eu perdoo todas as pessoas ligadas a mim. Perdoo-as por todo negativismo e desamor que, querendo ou mesmo sem querer, passaram para mim no decorrer de minha vida. Perdoo especialmente esta pessoa (diga a Deus o nome dela) por esta situação (apresente ao Senhor o motivo). Eu a perdoo de todo o meu coração por qualquer tipo de abuso e decepção. Eu a perdoo, agora, por não ter me dado o amor e o respeito profundos, inteiros e suficientes de que eu tanto precisava. Eu a liberto e me reconcilio hoje com ela.
Sobretudo, meu Deus, peço agora a graça de perdoar a pessoa que mais me feriu na vida. Aquela que é mais difícil de perdoar. Quero perdoá-la agora, mesmo que ainda me sinta ferido e com raiva.
Mostra-me, Senhor, entre os meus amigos, na minha família, e naqueles que já exerceram alguma autoridade sobre mim, a quem em meu coração eu ainda preciso dar o meu perdão. Dá-me essa graça!
Abençoa cada uma dessas pessoas neste dia de hoje, Senhor! Que elas possam sentir-se especialmente livres e amadas por ti, neste momento. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Amém!
Como se livrar de uma pessoa impertinente? Evitando-a. Como podemos nos livrar das forças espirituais do mal? Orando contra elas. Nossas orações são como flechas que mantém longe o Inimigo. Ainda que os nossos problemas e as nossas lutas sejam as mais comuns e corriqueiras precisamos aprender a enfrentá-las a partir de Deus e com uma força divina. É o que nos revela o Espírito Santo: “Porque, ainda que vivamos na carne, não militamos segundo a carne. Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações” (II Cor 10, 3-4).
Não devemos fugir da luta. É estupidez virar as costas para um inimigo que não vê a hora de nos apunhalar. Antes, devemos pedir que o Espírito faça conosco o mesmo que fez com Jesus quando o levou ao deserto, para enfrentar e vencer o Tentador que o espreitava (cf. Mt 4,1). Conduzido pelo Espírito, Jesus libertou-se do Maligno, e agora pode também libertar-nos do poder de Satanás. O Espírito Santo que conduziu Jesus na luta e o levou a derrotar o Inimigo é o mesmo que está agora ao nosso lado; pronto, como diz o Salmo, para “adestrar nossas mãos para o combate e nossos dedos para a guerra” (cf. Sl 143, 1).
O meio mais necessário e seguro para ter a vitória nesta luta é recorrer logo a Deus com humildade e confiança. Devemos nos revestir do Espírito e confiar: Deus virá em nosso auxílio. Se clamarmos “Apressai-vos, ó Deus, em me livrar; depressa, Senhor, vinde em meu auxílio” (Sl 69, 2), diz Santo Afonso de Ligório, que bastará essa oração para nos fazer vencer os assaltos de todos os demônios do inferno, porque Deus é infinitamente mais forte que todos eles.
São Paulo é categórico ao afirmar que essas coisas “Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus. Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou” (I Cor 2, 10-12).
Quem quiser compreender melhor a vida, as realidades espirituais e conhecer os dons que Deus lhe concedeu precisa experimentar, como dizia Santo Atanásio, o poder de iluminação do Espírito Santo. Ele concede a todo homem e mulher que se achega a ele uma espécie de claridade para que descubra a verdade.
O Espírito Santo se entrega a cada pessoa que for capaz de recebê-lo. Ele a preenche, envolve-a com seu amor, e a torna espiritual. Assim como um vaso depois de cheio começa a transbordar do mesmo modo a pessoa repleta do Espírito, torna-se espiritual e derrama sobre os outros com quem convive a graça que recebeu de Deus.
O primeiro passo do discernimento é entregar-se aos cuidados de Deus para que ele nos entregue o seu Espírito. Somente pela oração isso é possível. São João da Cruz diz que, nessa hora, o olhar de Deus produz em nós quatro bens, isso é, nos purifica, nos favorece, nos enriquece e nos ilumina. É como o sol que, cobrindo a terra com seus raios, seca, aquece, embeleza e faz brilhar todas as coisas.
Se por causa do pecado, vier a se apagar em nós essa luz de Deus, tudo volta à antiga escuridão e ficamos medrosos e atordoados. É o que acontece à noite, quando falta energia e todas as luzes se apagam. No escuro, nossos olhos ficam cegos, as capacidades diminuem, e já não distinguimos as coisas como deveríamos; arrisca-se a beber veneno, confundindo-o com remédio ou a pisar um diamante como se fosse qualquer pedra sem valor. O mesmo se dá no campo espiritual: é impossível, sem o Espírito Santo, descobrir o que de verdade é bom e digno de ser escolhido.
Sem o Espírito Santo não há discernimento. Nenhum homem caminha com sabedoria se Deus não o conduz. E quando Deus conduz o homem? Quando o homem está repleto de Deus.
Uma lucidez alegre e serena sempre acompanha a vinda do Espírito. Ele chega com coração de mãe para guiar o filho que estava perdido. Ele vem para salvar, para curar e ensinar. Vem para corrigir e fortificar, para enxugar as lágrimas, confortar o coração e derramar luz sobre a mente. Ele faz isso, primeiro em quem o recebe e, depois se vale dessa pessoa para tocar e transformar a outras.
Os mais limpos e belos dias só chegam depois de terem sido lavados e polidos por duras noites de chuva. As tempestades sulcam a terra, ferem-na, reviram-na, lavam e levam tudo o que é velho, sujo e de raízes fracas. Mas onde há tempestade sempre encontraremos vida, àrvores robustas, solo verdejante e ares de limpeza.
As provações são as tempestades do coração. Todas as vezes que nos depararmos com violentas chuvas de aflição, nuvens carregadas de tristeza e ventos de sofrimento, encontraremos corações lavados, polidos e abastecidos com a verde relva da misericórdia de Deus. Depois da tempestade, Deus sempre faz despontar o sol de seu amor; se por um tempo estivemos no escuro não tardará em nos deliciarmos sob o calor de seus raios.
Por isso se aflição for demais e se você descobrir em sua alma um ninho de dor que o angústia, não se desespere; porque o sol não caiu do céu, apenas está escondido atrás de algumas nuvens; estas nuvens vão passar. Acredite: a tempestade não é o fim.
Uma bela surpresa só tem sua graça se for preparada às escondidas, o sol oculto atrás das nuvens prepara, longe dos nossos olhos, um dia ainda mais belo, cheio de fecundo calor, alegre por tantas cores e distintos perfumes.
Se Deus por um momento lhe pareceu oculto aos olhos do coração, não pense que Ele se esqueceu de você; é que Ele também tem suas surpresas. Apressar certos tempos é estragar as mais belas surpresas de Deus. Confie! A resposta de Deus nunca chega tarde demais. Se Ele tem demorado um pouco é para que você o deseje, e desejando-o, ame-o mais.
A espera faz nascer a confiança, a confiança é mãe da amizade e os amigos de Deus nunca perecem.
Deus jamais tirou os olhos de você. Nem tampouco deixou de escutar suas orações. Ele vê seu coração e sabe tudo o que você está passando neste exato momento porque o ama.
O amor tem este poder maravilhoso de trazer à tona os segredos e curar o coração da pessoa amada. Entra nos quartos escuros da alma, não para acusar, mas para dissipar os medos e fechar as feridas interiores. O amor são os olhos de Deus. É com bondade e misericórdia que Ele olha para você. Ele o compreende mesmo que você não fale. E o aceita com amor sem que você precise dar explicações de como tem vivido.
Deus é aquele de quem não precisamos nos esconder. Ele nos aceita com todos os nossos segredos. Acolhe-nos do jeito que somos com nossas qualidades e defeitos, tristezas e alegrias. Você não precisa tentar ser outra pessoa para que Deus o ame. Pois, Ele já o ama e aceita do jeito que você é. Seus olhos se enchem de alegria por sua causa. Ele conhece o seu coração e sabe das coisas que são importantes para você. Ele se interessa pela sua felicidade porque o ama com um amor apaixonado: amor de um Deus Todo Poderoso.
Para demonstrar a força e a grandeza de seu carinho Ele confessa: “Sacrifico riquezas para salvar sua vida, porque você vale muito aos meus olhos. Eu tenho amor por você e me importo com o seu bem” (cf. Is 43, 1-5).
A questão é que quando, na nossa vida, o sofrimento bate, com muita força ou demasiado tempo, nem sempre é fácil perceber esse amor.
As dificuldades mais duras costumam chegar de repente, sem nenhum aviso: o relacionamento que termina sem explicação, a depressão que aparece sorrateira, brigas, enfermidades, a morte de uma pessoa querida. Às vezes, parece que os problemas combinaram de aparecer todos juntos de uma vez. Então, nossas forças se dissipam e, com elas, vão embora a tranqüilidade e a vontade de lutar. Pouco a pouco, vamos nos sentindo esgotados e sozinhos.
Nos momentos de escuridão e amargura podemos pensar: “O Senhor me abandonou, meu Deus me esqueceu!” (Is 49,14); e até mesmo chorar aflitos: “Por que comigo? O que foi que eu fiz para merecer isso? Preciso que diminua meu sofrimento. Meu Deus, preciso de uma saída”.
Deus, que vê o coração. sempre responde quando a oração é sincera: “Pode uma mulher esquecer o seu filhinho? Poderia ela não ter amor pela criancinha que a chama de mãe? Mesmo que isso acontecesse, eu jamais esquecerei você. Pois o tenho sempre diante dos meus olhos” (cf. Is 49,14-16).
Deus ama você como alguém jamais o amou. Ele está aqui ao seu lado neste momento. Jamais o esqueceu. Nunca o abandonou, nem mesmo quando você se afastou dele. Conhece os seus segredos mais íntimos porque o ama. Ele não o julga por causa de seus pecados, mas quer libertá-lo de toda angústia porque deseja o melhor para você.
O olhar de Deus não é como o das pessoas que você conhece (cf. Is 55,8). As pessoas ficam presas às aparências, mas Deus vê além. Seu olhar chega onde ninguém mais consegue enxergar: nas profundezas do coração. É por isso que Ele conhece suas lutas, dores e sofrimentos.
Se você permitir, hoje mesmo, Ele o atenderá e dará a paz que você tanto necessita. Ele vai colocá-lo de pé e lhe dará uma força que você não imaginava ser possível experimentar. Ele mesmo diz: “Eu vi, eu vi a sua aflição, e ouvi o seu clamor. Sim, eu conheço os seus sofrimentos. E desci para libertar você” (cf. Ex 3,7-8) “… pois, eu, o Senhor, ouvi sua oração, e vi suas lágrimas. Por isso, eu o curarei” (II Rs 20,5).
O olhar de Deus cura. E a oração é a hora em que o coração se abre diante dele. Na oração, eu reconheço minhas enfermidades, sofrimentos, pecados. Abro-me, então, ao perdão e posso receber a cura. Posso nascer de novo.
Um homem se torna novo quando aceita que Deus cure seu coração ferido pelo pecado. Uma mulher nova é aquela que se tornou mais madura, mais saudável, mais bonita, mais sábia, mais perfeita.
Dizem que a mulher sempre melhora quando se torna mãe. Contudo, há algo que torna belo, não só as mães, mas a todos: aceitar ser olhado com amor. A pessoa que aceita ser amada fica mais bonita, mais bondosa. Torna-se uma pessoa melhor, uma pessoa nova.
Há quem diga que o amor é cego. Não é verdade. O amor é a única força que nos faz enxergar o que na vida vale a pena. O amor são os olhos de Deus. E esses olhos estão voltados para você: “O Senhor teu Deus está no meio de ti como herói Salvador! Ele anda em transportes de alegria por causa de ti, e te renova seu amor. Ele exulta de alegria a teu respeito como num dia de festa. Suprimirei os que te feriram, tirarei a vergonha que pesa sobre ti. Exterminarei, naquele dia, todos os teus opressores. Salvarei os coxos, recolherei os dispersos, farei deles um objeto de louvor, e de sua vergonha uma glória para toda a terra, no tempo em que eu vos reconduzir, no tempo em que vos recolher, porque farei de vós um objeto de glória e de louvor entre todos os povos da terra, quando eu tiver realizado a vossa restauração sob os vossos olhos, diz o Senhor” (Sf 3,17-20).
A evangelização é dom de Deus, mas, como qualquer obra séria na Igreja, exige esforço e sacrifício. Diante de suas exigências, há sempre o risco de respostas extremadas como o comodismo e o ativismo. Há sempre aquelas pessoas que ao perceberem a própria impotência ante a necessidade de evangelizar um mundo secularizado desanimam e caem no comodismo deixando todo o trabalho para os outros. No outro extremo, encontram-se aquelas que se atiram num ativismo desenfreado e estéril que aos poucos lhes vai minando o contato com a fonte da palavra e de sua eficácia. Seja pelo comodismo seja pelo ativismo, esses excessos tendem a encaminhar a ação evangelizadora para o mesmo destino: o fracasso.
A evangelização precisa brotar da oração e dela se alimentar, senão, torna-se vazia. Não que venha a faltar o que dizer; pelo contrário, quanto menos o homem se recolhe na presença de Deus para orar, mais se inclina a falatórios. Sem oração, multiplicam-se os discursos cheios de palavras vazias, pululam as falas estéreis que não atingem o coração de ninguém, não chamam à conversão, não edificam nem o homem nem a comunidade.
Com o excepcional desenvolvimento dos meios de comunicação, o mundo se encontra saturado de palavras vãs. Não precisa que também do seio da Igreja lhe saia mais um discurso estéril que se lhe venha acrescentar. Ao contrário, necessita de um anúncio que rompa a narcose em que se encontra devido à descarga de informações com que é bombardeado. Apenas uma evangelização profética pode devolver ao mundo essa sobriedade e proporcionar-lhe esse despertar para a verdade. A profecia é a alma da evangelização. Ela não é fruto de elaborações humanas, sua inspiração nasce do relacionamento íntimo com Deus na oração.
O que acontece de tão importante na oração a ponto de mudar assim a índole de uma mensagem? Acontece que o ser humano reconhece a primazia de Deus, reconhece sua autoridade e sua força, e colocando-se em oração submete-se ao Espírito Santo. Essa postura lhe permite experimentar que Deus dá sua graça aos humildes. Aliás, Deus só pode revestir de seu poder quem humildemente aceita o seu querer. É na oração que o ser humano se abre à repleção do Espírito.
“O homem contemplava em silêncio, curioso por saber se o Senhor tinha ou não tornado feliz a sua viagem” (Gn 24,21).
Certamente,você sabe que muita gente estragou parte de sua vida e perdeu oportunidades brilhantes por falar demais. Poderia ter sido diferente… mas, quem revela os seus planos a qualquer um corre o risco de ser passado para trás. Quem revela seus sonhos a um inimigo acaba por ser humilhado. Um aproveitador não hesitará em usar o que você disse contra você mesmo. Por isso, os anos ensinam que há uma sabedoria escondida no silêncio – as grandes mulheres e os grandes homens da humanidade sabem disso. Se você guardar silêncio, será tomado por sábio, já dizia o velho Jó (cf. Jó 13,5).
Existem situações em que a coisa mais inteligente a fazer é calar e esperar. Contudo, para alguns, isso é difícil e, para outros, impossível. Conheço pessoas boas que acreditam não haver mal algum em falar demais, em abrir o seu coração para todos e expor seus pensamentos a qualquer criatura que cruze o seu caminho. Pensam inclusive que isso é uma das boas qualidades que têm, e dizem com certo orgulho: “É… eu sou assim mesmo. Sou um livro aberto. Falo o que penso doa a quem doer”. E a coisa vai muito bem até que começam a experimentar as conseqüências… No exato momento em que a situação vira e tudo começa a dar errado vem a tentação de gritar: “Parece que tudo está contra mim”, “Nada do que faço dá certo” ou ainda “Onde é que está Deus?”. O medo, então, não perde tempo e bate à porta com sua habilidosa capacidade de convencer que tudo está contra nós e que já não existe saída – como um vampiro vai sugando as poucas forças que ainda temos.
A questão é que muito mal seria evitado se houvesse um pouco mais de cuidado no falar - cuidado em não colocar, em mãos adversárias, armas (conhecimento e palavras) que serão usadas contra nós. É não sair falando ao vento de tudo o que se passa no nosso íntimo. Em minha casa, a gente sempre ouvia que “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.
Ser prudente é ter pudor não só com o corpo, mas também com a alma. A pessoa que tem pudor sexual sabe que seu corpo é sagrado e por isso secreto. Quem não pensa no que fala deixa exposto não o corpo, mas a própria alma toda nua. Não sabe guardar em segredo o que é sagrado. E se não guarda o próprio segredo, quem garante que vai guardar o dos outros? “Quem despreza seu próximo demonstra falta de senso; o homem sábio guarda silêncio” (Pr 11,12).
As pessoas mais interessantes, as mais charmosas, trazem um “quê” de mistério. Mesmo quando se mostram não deixam ninguém invadir sua alma. Só aos poucos, amparadas por um silêncio zeloso, é que se dão a conhecer.Nesse mundo do “fica-fica”, a gente precisa aprender de novo a arte de se aproximar, de fazer amizade, de ser romântico e namorar… sobretudo, é preciso aprender a namorar “bonito”, a escolher as palavras, a não se declarar de imediato, a não vulgarizar o que temos de mais belo: nós mesmos.
A pessoa prudente evita tantos sofrimentos! Pode não escapar de todos os males, mas dribla uma boa parte deles. É que a prudência é a sabedoria que revela os erros e os perigos, ao mesmo tempo, é a força que permite evitá-los. E, veja bem: É no silêncio prudente que a sabedoria muitas vezes se esconde.
As pessoas fogem de quem fala demais, mas se aproximam dos que têm sabedoria. Se você quer a atenção e o carinho das pessoas faça como Deus: saiba o momento certo de calar e de falar. Nem mesmo diante da morte Jesus joga palavras fora: “Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe respondeu” (Jo 19, 9). Jesus sabia que há momentos em que a melhor defesa é o silêncio, pois até o inocente parece culpado quando fica se justificando – os nossos amigos não precisam de nossas justificativas para acreditar em nós e os nossos inimigos não irão aceitá-las por melhores que sejam.
Contudo, a melhor coisa de quando nos silenciamos é que podemos escutar a Deus e receber a sua graça: “Ouve em silêncio, e tua modéstia provocará a benevolência (Eclo 32, 9)”. Só quem contempla no silêncio do coração pode perceber onde reside a felicidade.
Quando se pergunta o que é a fé, é necessário considerar a existência de seus vários tipos, por exemplo, a fé-assentimento da inteligência, a fé-confiança, a fé-estabilidade. Mas, no nosso caso, podemos nos ater àquela que nos possibilita aceitar a salvação que Jesus nos deu. Antes de mais nada é importante dizer que a fé é um dom de Deus, um presente para aqueles que lhe abrem o coração.
A fé é a coisa mais simples e evidente do Novo Testamento - é uma pena que muitos só a descobrem no fim de sua vida - no fundo, trata-se simplesmente de dizer um “sim” a Deus. Deus criou o homem livre para que pudesse aceitar livremente a vida e todo o dom que vem d’Ele. Deus esperava que o homem se aceitasse como uma criatura e respondesse com um “sim” ao seu plano de amor, mas ao invés disso, recebeu um “não”, que configura todo pecado - pois, na verdade, o pecado nada mais é do que o “não” da criatura ao criador, um rompimento com o seu Senhor. Porém, Deus, que não encontra limites em seu amor e sua bondade, oferece ao homem uma nova oportunidade, uma nova chance de ser feliz e de se realizar, perguntando-lhe: “Você aceita a salvação que o meu Filho trouxe, aceita ser curado de todos os seus males e libertado de tudo o que o oprime para viver uma vida nova em Jesus?” Ter fé significa dizer-lhe “sim, aceito!”. Quando isso é dito do fundo da alma, com toda sinceridade, nasce uma nova criatura. O homem nasce de novo no exato momento em que Jesus dá a sua vida por ele, e Jesus morre por ele, naquele momento em que ele reconhece a salvação e se torna consciente da vida nova que lhe foi proporcionada pelo sacrifício de Jesus.
A fé se manifesta pelo “sim” livre e consciente que o ser humano dá a Deus como resposta à sua proposta de salvação.
O grupo de oração nasce de uma ordem de Jesus: “Permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto (Lc 24, 49). Deus se compadece ao ver a fragilidade de seu povo e toma a iniciativa em socorrê-lo. Sua ordem é um ato de misericórdia, um socorro prestado ao que desfalece em suas forças.
No momento em que se sentem fracos e abandonados, Jesus os consola com a sua palavra, aquela mesma palavra que ele jamais havia traído, e lhe faz uma promessa acompanhada de uma condição: “virá a força do alto e revestirá a cada um de vocês, mas, para que isso aconteça, permaneçam na cidade, permaneçam ‘juntos/unidos’”. A força do alto não é outra senão o Espírito e assim como o Pai havia ungido Jesus com o “Espírito Santo e com poder” (At 10, 38), dessa mesma forma queria Jesus agora revestir os seus. Em verdade, o Espírito Santo é a única força verdadeira, o único poder real que sustenta o homem de fé.
O cristão, o carismático, aquele que crê, não vive da própria força, não vive de seus recursos naturais. A sua força não está na carne e no sangue, ela também não está nas obras de suas mãos, porque ele sabe que “não é pelo poder nem pela força, mas sim pelo Espírito do Senhor!”(cf Zc 4,6) que as coisas se realizam. São Paulo sabia disso e dizia: “Nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com o poder , com o Espírito Santo e com plena convicção”(1Ts 1,5) - não só com palavra, isso é, não só com a inteligência, com o estudo, com estratégias e esquemas. O poder que convence e que converte, que destrói os corações de pedra, que aniquila toda força que se organiza contra o conhecimento de Deus e é capaz de fazer brotar a Vida Nova, é e sempre será o Espírito Santo - sem Ele, toda palavra é vazia, e a evangelização ineficaz.
Ao prometer a força do alto, Jesus desvela um segredo: é do Espírito Santo que o homem de fé recebe o poder e a eficácia de evangelizar; n’Ele, todo medo pode ser vencido, porque Ele vem em auxílio da nossa fraqueza; aliás, Ele vem atraído pela nossa fraqueza, quando a reconhecemos. O lugar onde o Espírito Santo mais gosta de se derramar é sobre a comunidade reunida. É de Deus a iniciativa de revestir da “força do alto” o seu povo, mas nada teria acontecido se os discípulos não tivessem colaborado, se não obedecessem à ordem do Senhor. Eles cumpriram esta ordem, indo para o Cenáculo e, lá, perseveraram em oração (cf At 1, 12-14).
Todo aquele que quer ser cheio do Espírito Santo, precisa seguir pelo mesmo caminho; e rezar insistentemente ao Pai do céu, para que em nome de Jesus, conceda o Espírito Santo, e então, esperar com uma fé de expectativa que o Espírito Santo venha. Quando alguém, cheio de amor a Deus, chama, invoca, clama, suplica o Espírito Santo e por Ele espera, jamais se decepciona, pois não deixa de ser atendido. Mas é preciso querer realmente que Ele venha e tome parte na vida, que não seja só uma oração da boca para fora. É preciso empenhar o coração.
Atraente e revolucionário, o Second Life chegou pegando pesado, e já está revirando a vida de muita gente.
Quem não ouviu falar, pode ficar descansado porque ainda vai ouvir… e muito. O Second Life era para ser um jogo na internet mas acabou se tornando um mundo paralelo extremamente frequentado e cheio de possibilidades que escapam ao universo real. Nele, você pode ter um carro, uma moto ou mesmo um skate para se deslocar – não que seja necessário, já que lá é possível voar. E mais… no tempo que dura um “clic”, você pode saltar da ensolarada praia de Copacabana para as movimentadas ruas de Paris. Ali, as pessoas se encontram, se relacionam, namoram, até mesmo se casam e, acredite se quiser, vivem lá, no mundo virtual, relacionamentos “aparentemente” estáveis.
Como é que isso acontece? A pessoa ao entrar na dimensão do “Second Life” cria uma personagem, espécie de bonequinho, como num jogo de vídeo game, que irá representá-la – esse outro “eu” fala, dança, anda, viaja, namora, casa e até pode ter filhos com uma outra personagem criada por alguém que também esteja frequentando o mundo da “segunda vida”.
Há muita coisa interessante. Um dos maiores atrativos é a chance que você tem de construir a vida que sempre sonhou, mesmo que seja num mundo virtual. Outra forte atração desse segundo universo é que as pessoas podem ganhar dinheiro de verdade através dele. Há quem compre, venda, produza e desfrute dos produtos ou serviços ali oferecidos. E, pra falar a verdade, criatividade é o que não falta. Quando se trata de ganhar dinheiro, tem gente que tira água da pedra. Apenas, que o second life está longe de ser “pedra dura de tirar água” – a coisa tem sido uma verdadeira fonte de possibilidades rentáveis.
O negócio tem sido tão atraente que há gente passando mais tempo em ares virtuais do que no mundo real. Isso porque quanto mais você se dedica, mais você constrói o seu mundo paralelo: casa, carro, relacionamentos, conhecimentos etc. Há quem vegete diante da “telinha” do computador horas e horas a fio.
Vantagens inegáveis
As vantagens são inegáveis. Você pode participar de aulas, reuniões, discussões ou mesmo tomar um cafezinho com um monte de gente sem sair da frente do seu micro. Basta mandar o seu representante virtual no lugar. Este mundo paralelo tem moeda própria que pode ser convertida em dinheiro verdadeiro e depositado numa conta real. Daí nem preciso dizer que comprar e vender é uma das atividades mais valorizadas nesse espaço alternativo.
Para comprar, alguém vem atender você, ensina a testar o produto, você pode inclusive fazer test-drive e coisas do tipo, apenas que depois de pagar você recebe um similar verdadeiro do produto aonde você mandar entregar. Legal, não é? As possibilidades são ilimitadas. Você pode conhecer pessoas, encontrar amigos, fazer uma reunião virtual da família, montar uma empresa, realizar negócios, confeccionar objetos, conhecer o mundo… e pense: dá até para dançar!
Os perigos
O multiplicar das possibilidades, no entanto, descortina também um mundo de perigos: os mesmos perigos que a internet já oferecia só que com uma overdose a mais de atração. A gente diz “perigo” pela seguinte razão, por mais que o Second Life se aproxime da realidade, ele é e sempre será um mundo virtual. Um mundo que está além das inúmeras exigências e conseqüências de uma vida real. Você poderia dizer: “Bem… mas isso todo mundo sabe”. Certo! Você tem razão. Todo mundo sabe na teoria, mas na prática e pra muita gente a coisa se dá de maneira diferente. Por exemplo, como o relacionamento virtual é um dos fortes componentes deste mundo online, o risco de fugir de relações reais com suas exigências e conseqüências não é pouco. Corrobora essa idéia as incontáveis matérias de televisão, rádio e jornais que expuseram a situação de pessoas que passavam mais tempo navegando na net do que no trabalho, na família ou no tradicional convívio social.
Outra coisa incontestável é que através dos vários conteúdos continuamente dispostos na rede são apresentados como naturais e normais as situações em que o amor é posto de lado para dar espaço a relacionamentos que tratam a pessoa como um objeto de prazer sexual usado conforme a conveniência, a forma mais evidente disso é a pornografia e a prostituição.
Qualquer um, num breve tour pela net, poderá constatar por si próprio inumeráveis situações em que os interesses comerciais e a gana de domínio põem em segundo lugar valores como a ética e a dignidade das pessoas. E é claro que isso tem um impacto sobre a vida, pois os instrumentos da comunicação social, com seu poder de penetração e sugestão, realizam sobre a vida das pessoas, sobretudo em matéria de abordagem sexual, uma contínua e condicionante atividade de informação e de ensino muito mais forte que a família.
À parte os desequilíbrios, é importante ter em conta o número de pessoas que já gasta uma parcela considerável de seu tempo diante de um computador… e façamos isso sem cair na ingenuidade de supor que este novo conceito de relacionamentos proposto pelo Second Life não irá influenciar a vida social concreta, porque vai. Aliás, já está fazendo isso há algum tempo.
O fato é que o virtual já se tornou realidade; e, para desespero dos preocupados e temerosos, não há como voltar atrás. Existe uma indústria global de interesses superdiversificados alimentando e expandindo o chamado “metaverso” (em contraposição a universo) da “segunda vida”, e fortes interesses econômicos garantem vida longa ao Second Life.
E então?
A questão que se impõe aos cristãos é se vamos ou não lançar mão deste meio para levar o Evangelho. Pois a evangelização acontece através do relacionamento entre pessoas – campo que o Second Life privilegia. Além disso, é com as pessoas que nos cercam que aprendemos a ser gente, é por meio delas que tomamos conhecimento de nós mesmos e nos encontramos. Abrir mão de utilizar um meio tão expressivo de relações e comunicação é certamente alienar-se.
A posição da Igreja é muito clara nessa matéria, basta recordar a Carta Encíclica Miranda prorsus (1957), do Papa Pio XII, a Instrução Pastoral sobre os meios de comunicação social Communio et progressio, publicada em 1971, onde se afirma: « A Igreja encara estes meios de comunicação social como “dons de Deus” na medida em que, segundo a intenção providencial, criam laços de solidariedade entre os homens, pondo-se assim ao serviço da Sua vontade salvífica». Este continua a ser o ponto de vista da Igreja acerca dos meios de Comunicação Social e da Internet.
O papa João Paulo II entendia essas oportunidades como uma riqueza de nossa época, encarava o desafio e consciente dos perigos afirmava que uma má abordagem de temas que tocam a vida das pessoas como o são a moral, a religião, a cultura e a família têm a capacidade de causar enormes prejuízos.
Essa é a razão pela qual os comunicadores não podem renunciar a meios tão expressivos para a formação das consciências, bem como não devem jamais desprover a sua mensagem de dois componentes fundamentais: a verdade e o zelo pela dignidade da pessoa humana.
Este é o desafio que não podemos perder de vista quando, como cristãos, nos defrontamos com a vertiginosa proposta do Second Life. É uma ferramenta magnífica, mas apenas uma ferramenta. E uma ferramenta pode ser boa ou má segundo o uso que fazemos dela.
E é justamente ali, onde muitas pessoas estão em busca de uma novidade que as renove, de um relacionamento que lhes faça a diferença e de um sentido para as suas vidas que a Canção Nova precisa estar presente – e já estamos – para proclamar ao mundo que Jesus é o Senhor, e que é nele que está guardada não a “vida segunda”, mas a verdadeira vida e aquela felicidade que não se extingue no log off.
As vantagens existem, os perigos também. Os desafios são inúmeros e passam inevitavelmente pela educação. Pais e responsáveis precisam primeiramente se educar a fim de ensinar aos filhos a usar correta e moderadamente esses meios de informação e relacionamentos, equilibrando-os com outras atividades comunitárias também importantes para a saúde e desenvolvimento sobretudo da criança, do adolescente e do jovem. É preciso se educar primeiro, porque dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única. Já dizia Albert Schweitzer.
Bom… quem sabe essa “segunda vida” não se torne uma oportunidade de conhecer e entrar naquela vida verdadeira e definitiva que não se desliga mais: Jesus.
Imagine que você se encontra diante de uma decisão importante que pode mudar toda a sua vida. Alguém se aproxima e lhe diz: “Não há como fugir. Você precisa escolher. Terá que fazer sua opção”. Você se sente, então, entre a cruz e a espada. E as circunstâncias se agravam ainda mais se a sua decisão envolver outras pessoas.
Em momentos assim escolher pode tornar-se muito difícil, uma verdadeira arte. Seria muito bom se essas escolhas não comportassem uma certa carga de angústia. Mas escolher dói, causa inquietação, medo, insônia, porque escolher significa também abrir mão de algo.
Toda escolha implica também uma renúncia. Ao escolher uma estrada, você desiste de caminhar por todas as outras. Ao escolher uma esposa ou um marido você dispensa todos os outros possíveis candidatos. É a encruzilhada da vida. Mas é isso que torna linda a história, e que a faz única, irrepetível e merecedora do nosso amor.
Porque a gente ama não é uma vida sem erros, mas uma vida de possibilidades e de escolhas. A gente ama ser livres. E, por piores que as opções pareçam, mesmo que a gente se veja sem saída, ainda nos resta escolher o que vamos fazer na situação difícil. Se vamos lutar ou nos entregar. É justamente aqui que jorra uma força, uma energia, um poder – um milagre acontece cada vez que alguém se supera e tira o bem de onde os outros só viam maldades ou não viam nada. O céu faz uma festa quando a gente se recusa a ser escravo da tristeza e da depressão. Deus salta de alegria quando a gente escolhe se levantar mesmo contra as expectativas de todos à nossa volta.
Se alguém diz a uma pessoa de fé que não existem mais saídas, ela dobra os seus joelhos até que uma porta nova se abra. Não faz por pirraça, faz por amor; porque a fé faz brotar o amor. E o amor nos faz enfrentar os problemas – ele mesmo nos dá a vitória sobre os males. Viver assim é perigoso, é subversivo. Viver assim é comprometer-se, é abraçar a cruz de uma vida levada a sério, vivida sem medo até às últimas consequências.
E a morte não tem poder sobre uma vida assim. A dor e o sofrimento jamais terão vitória sobre o amor, porque quando o amor se torna a medida de cada decisão, toda morte termina em ressurreição.
Ao terceiro dia, o corpo de Jesus, qual uma estrela, pulsou no sepulcro; e a morte explodiu na primavera de uma nova vida - se a cruz é sinal de morte e sacrifício, a estrela é sinal de vida e ressurreição. Tudo o que fazemos está compreendido entre “uma estrela e uma cruz” ou se preferir entre “uma cruz e uma estrela”, que é o tempo que passamos sobre essa terra. Que marca a duração da nossa vida.
Por isso se a gente se sentir apertado, constrangido, encurralado pelas escolhas da vida, precisamos lembrar que mais do que entre a “cruz e a espada”, tudo se dá entre a “cruz e a estrela”. Cruz de uma vida sofrida. Estrela da ressurreição prometida. Porque o amor é imortal. Quando a gente tem certeza disso…e pode ter certeza porque é verdade – aí sim…os sacrifícios valem a pena e os sofrimentos já não são insuportáveis.
Mário Quintana entendia que os sofrimentos abraçados com amor fazem parte do caminho e são a cruz que levam à ressurreição, por isso escreveu:
Conta a tradição oriental que, quando três cruzes foram descobertas nas escavações em Jerusalém, Helena, mãe do imperador Constantino, para distinguir a de Jesus Cristo das dos ladrões, mandou buscar o cadáver de um homem e, ao simples contato com o madeiro que sustentou o Salvador do mundo, ele foi milagrosamente ressuscitado. Neste mesmo lugar foi dedicada a basílica da Ressurreição em razão da descoberta.
Por isso agora a estrela brilha sobre a própria cruz: “Fulge o mistério da Cruz” - bradavam os antigos. Tudo isso para dizer que o sofrimento superado no amor é fonte de transformação e de vida, por que o amor tem esse poder de tornar fáceis e leves as coisas mais difíceis: Quem ama – diz um autor medieval -, corre, voa; vive alegre e nada o embaraça. O amor muitas vezes não sabe ter medida, mas vai além de todos os limites. Nada lhe pesa, nada lhe custa; empreende mais do que pode; não se desculpa com a impossibilidade, pois crê que tudo lhe é possível e permitido. Aos que escolheram abraçar a cruz no princípio, certamente, a luz da Estrela os espera no fim.
O Espírito Santo é a força do alto que toma nos braços o homem sem entusiasmo, sem coragem, e o leva a agir. Ele é a força dos fracos, a força de quem não tem força. É Deus que vem ao encontro da pessoa que já não tinha planos nem projetos para o futuro, apenas sonhos frustrados, e inverte a situação. Levanta a pessoa, e a faz agir. Antes, ela desistia de antemão, não acreditava em si mesma, e a vida a arrastava, mas agora, tudo mudou - é a experiência de um nascer de novo.
Quando Jesus falava de nascer de novo e de uma vida nova, fazia questão de enfatizar que ela não poderia ser vivida sem um coração novo. E essa mudança é notável. As pessoas percebem quando alguém foi renovado em seu coração, porque a sua maneira de ver a vida muda, seus pensamentos, seus valores, seus critérios todos mudam. Pois, foi-lhe dada uma nova capacidade para amar e uma liberdade sem medidas. Essa liberdade surge da força que estava guardada no fundo do coração da pessoa desde o dia de seu batismo.
Essa também foi a minha experiência. Na minha família, somos todos muito tímidos, e sempre tivemos grande receio de falar em público. As pessoas que antes me conheciam se admiravam quando me viam à frente de um grupo a testemunhar a minha experiência com Deus. Quanto mais me conheciam mais admirados ficavam. Também eu estava impressionado pelo que se passava comigo. Só que, eu não conseguia resistir; sentia-me “impulsionado sem cessar pelo Espírito de Deus”(GS 41,1), sentia-me impelido, empurrado a falar publicamente o que Jesus estava realizando em minha vida. É obra do Espírito fazer-nos passar de simples ouvintes a testemunhas da Palavra de Deus e, para mim, não restava dúvida de que era Ele quem agia. Eu havia passado a vida inteira calado, sem me expressar diante das pessoas, e agora, em poucas semanas, uma coragem me invadia para proclamar o evangelho abertamente aonde quer que eu fosse, sem nenhum medo nem vergonha.
Mas o Espírito Santo não confere apenas coragem e força, Ele simplesmente abastece todo o coração em suas aspirações mais profundas. É uma experiência de amor que faz a gente amar - que faz a gente entender que há mais alegria em dar do que em receber. Santo Afonso dizia que “quando o amor de Deus se apossa totalmente de alguém - essa mesma pessoa ajudada pela graça - procura por si mesma desfazer-se de todas as coisas que lhe dificultam ser inteiramente de Deus”. A pessoa, então, conhece a Deus e pode, por isso, dizer: “Meus ouvidos tinham escutado falar de ti, mas agora meus olhos te viram” (Jó 42, 5). Jesus se torna o centro de sua vida, porque ela mesma o experimentou e não porque lhe disseram.
A coisa mais importante da vida?
Descobri muito cedo que a coisa mais importante da vida é o amor… e que tudo o que as pessoas desejam é alguém que as ame de uma maneira forte e constante. Com aquele tipo de carinho que dispensa palavras. Que não fica criticando o tempo todo, mas que é um braço estendido na hora em que a gente mais precisa. Encontrar alguém que ama assim é uma alegria e põe a gente feliz, sorrindo pra vida. Há pessoas que têm o dom de levar a beleza por onde elas passam… parece que carregam na boca um pedaço de céu e os seus rostos têm a clareza e o frescor de uma manhã de sol. São frascos de perfume que mesmo quebrados exalam a mais encantadora fragrância: o amor.
Acho bonito quando os sábios dizem que é pela inteligência e o caráter que a pessoa resplandece as qualidades que tem. Só não consigo concordar inteiramente. Não por oposição mas por insuficiência. Porque o caráter e a inteligência podem impressionar, mas é o amor que damos a alguém que nos faz brilhantes e inesquecíveis em sua vida.Não basta ser inteligente… ter caráter não chega; é preciso amar. Porque o amor torna as pessoas indispensáveis. Se eu amo, eu preciso de você… e isso me faz melhor. Se eu amo, passo a gostar mais da sua voz do que da minha… então, calo para você falar, e ao escutar estarei amando. Por isso, se você quiser acender um sorriso, iluminar um coração ou acordar a esperança em alguém, precisa lembrar de uma coisa: as pessoas se alegram com sua inteligência, apreciam o seu caráter, mas precisam de seu amor. O amor tem o poder de transformar todas as coisas e destrancar todas as portas. Só ele faz luzir nossos talentos e resplandecer quem a gente é.
Então, se você calar, cale com amor; se gritar, grite com amor; se corrigir alguém, corrija com amor; se perdoar, perdoe com amor. Se você tiver o amor enraizado em você, diz um antigo profeta, nenhuma coisa senão o amor serão os seus frutos… e todos se aproximarão. E, aos que perguntarem porque nessa ou naquela circunstância agimos assim, como será gostoso responder: É que o amor luzia em mim!
Prefiro me apresentar a partir dos valores em que acredito do que das coisas que faço. Tenho tentado pautar minha vida no amor e isso, certamente fala de quem eu sou mais do que qualquer outra coisa.
Se… e apenas “se” permitirmos, os problemas e as dificuldades poderão abalar a nossa paz e ameaçar-nos com a sombra da derrota. Pedras esperam por você durante todo o trajeto; chute-as para fora do caminho se forem pequenas, sente-se sobre elas e espere, se forem grandes, até que se manifeste o auxílio divino e lhe sejam multiplicadas as forças da alma para removê-las. A tentação não esqueceu você, nem cansou de arquitetar planos e realizar investidas para lhe enganar, seduzir e destruir; ela tenta derrubar-lhe pelo cansaço inaugurando uma armadilha em cada esquina da sua vida. É importante parar um pouco, fazer os cálculos e verificar se você continua operante e em condições de travar combate, se tem forças e se tem as armas corretas consigo; parar e verificar como está a sua fé. A fé é aquela carta na manga… aquela arma secreta que é guardada para o momento chave; qualquer um pode chegar à vitória se souber dispará-la no momento exato. Basta querer e então poderá obter sua vitória, arrancando-a à força das garras da derrota. Não importa o tamanho do problema, nem a força do seu mal, desde que você tenha a coragem de expor seu coração e mantê-lo no alto, bem acima da dúvida, diante dos olhos de Deus, e de uma hora para outra esta situação vai virar. A fé pode mudar tudo em qualquer momento; já que o Senhor é poderoso para transformar a derrota na mais deliciosa e esperada vitória. A fé paralisa a força do inimigo. Quando o diabo encontra uma pessoa que crê, ele dá um passo para trás antes de bater em retirada. Quem crê não recua, avança sempre na certeza de que Deus está no controle de tudo.
Quando Saul viu Davi partir ao encontro do filisteu Golias, disse a Abner, seu general: ” De quem é filho este jovem, Abner?” - ” Por tua vida, ó rei, respondeu Abner, não o sei.” Quando alguém reza e pede a Deus forças para vencer, o Senhor o prepara para a vitória e lhe envia exercícios que o capacitarão para o combate.
A força da carne vem pela atividade dos músculos, a força da alma pela prática da fé exercitada em meio aos sofrimentos. Por isso, quando situações incômodas, duvidosas e até mesmo angustiantes se levantarem à sua frente, como gigantescos combatentes, não se desespere. Deus não nos envia um desafio superior às nossas capacidades, nem permite que sejamos tentados para além das nossas forças. Este gigante que avançou contra você está fadado a tombar debaixo da sua espada. Enfrente-o ou ele o perseguirá e o escravizará sob as cadeias do medo.
O Senhor está preparando os seus guerreiros; é preciso que sejam adestrados nas pequenas lutas para que não esmoreçam nos grandes combates. Então, quando o Senhor, que os preparou em segredo, manifesta-os ao mundo, este se escandaliza por não conhecer suas armas, não entender como lutam e não saber onde estiveram todo este tempo. Os guerreiros de Deus são humildes como as lágrimas que tantas vezes derramaram; pois eles sabem que se a água não descer das montanhas não mata a sede nem gera vida. Se ele se humilhar e suportar com paciência as contrariedades que o envolvem, Deus o exaltará e fará dele um homem extraordinário, conhecido pelas vitórias em suas lutas; e o levantará bem alto como a vela sobre o alqueire para que brilhe a sua luz e se manifeste a grandeza de sua alma. O seu valor será reconhecido, e o longo tempo em que manteve acesa a chama de sua esperança, bem como as inúmeras renúncias feitas em favor do cumprimento da vontade de Deus, serão recompensados. Então o guerreiro verá que nenhuma luta, por menor que tenha sido, foi travada em vão.
Davi era só um menino. Não o conheciam. Ninguém reconheceu como arma os objetos que trazia em suas mãos. No entanto, derrubou sozinho um gigante que um exército inteiro não ousou enfrentar.Talvez você seja só um menino que o mundo não conhece… talvez você não compreenda o treinamento… mas Deus o cumula de força e o mantém adestrado para o combate muito mais do que você imagina. Aceite isso! O que quer vencer precisa descer ao campo de batalha para ser treinado. Ninguém sobe ao pódio do triunfo sem antes ter experimentado a arena da tribulação.