Como se livrar de uma pessoa impertinente? Evitando-a. Como podemos nos livrar das forças espirituais do mal? Orando contra elas. Nossas orações são como flechas que mantém longe o Inimigo. Ainda que os nossos problemas e as nossas lutas sejam as mais comuns e corriqueiras precisamos aprender a enfrentá-las a partir de Deus e com uma força divina. É o que nos revela o Espírito Santo: “Porque, ainda que vivamos na carne, não militamos segundo a carne. Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações” (II Cor 10, 3-4).
Não devemos fugir da luta. É estupidez virar as costas para um inimigo que não vê a hora de nos apunhalar. Antes, devemos pedir que o Espírito faça conosco o mesmo que fez com Jesus quando o levou ao deserto, para enfrentar e vencer o Tentador que o espreitava (cf. Mt 4,1). Conduzido pelo Espírito, Jesus libertou-se do Maligno, e agora pode também libertar-nos do poder de Satanás. O Espírito Santo que conduziu Jesus na luta e o levou a derrotar o Inimigo é o mesmo que está agora ao nosso lado; pronto, como diz o Salmo, para “adestrar nossas mãos para o combate e nossos dedos para a guerra” (cf. Sl 143, 1).
O meio mais necessário e seguro para ter a vitória nesta luta é recorrer logo a Deus com humildade e confiança. Devemos nos revestir do Espírito e confiar: Deus virá em nosso auxílio. Se clamarmos “Apressai-vos, ó Deus, em me livrar; depressa, Senhor, vinde em meu auxílio” (Sl 69, 2), diz Santo Afonso de Ligório, que bastará essa oração para nos fazer vencer os assaltos de todos os demônios do inferno, porque Deus é infinitamente mais forte que todos eles.
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A evangelização é dom de Deus, mas, como qualquer obra séria na Igreja, exige esforço e sacrifício. Diante de suas exigências, há sempre o risco de respostas extremadas como o comodismo e o ativismo. Há sempre aquelas pessoas que ao perceberem a própria impotência ante a necessidade de evangelizar um mundo secularizado desanimam e caem no comodismo deixando todo o trabalho para os outros. No outro extremo, encontram-se aquelas que se atiram num ativismo desenfreado e estéril que aos poucos lhes vai minando o contato com a fonte da palavra e de sua eficácia. Seja pelo comodismo seja pelo ativismo, esses excessos tendem a encaminhar a ação evangelizadora para o mesmo destino: o fracasso.
A evangelização precisa brotar da oração e dela se alimentar, senão, torna-se vazia. Não que venha a faltar o que dizer; pelo contrário, quanto menos o homem se recolhe na presença de Deus para orar, mais se inclina a falatórios. Sem oração, multiplicam-se os discursos cheios de palavras vazias, pululam as falas estéreis que não atingem o coração de ninguém, não chamam à conversão, não edificam nem o homem nem a comunidade.
Com o excepcional desenvolvimento dos meios de comunicação, o mundo se encontra saturado de palavras vãs. Não precisa que também do seio da Igreja lhe saia mais um discurso estéril que se lhe venha acrescentar. Ao contrário, necessita de um anúncio que rompa a narcose em que se encontra devido à descarga de informações com que é bombardeado. Apenas uma evangelização profética pode devolver ao mundo essa sobriedade e proporcionar-lhe esse despertar para a verdade. A profecia é a alma da evangelização. Ela não é fruto de elaborações humanas, sua inspiração nasce do relacionamento íntimo com Deus na oração.
O que acontece de tão importante na oração a ponto de mudar assim a índole de uma mensagem? Acontece que o ser humano reconhece a primazia de Deus, reconhece sua autoridade e sua força, e colocando-se em oração submete-se ao Espírito Santo. Essa postura lhe permite experimentar que Deus dá sua graça aos humildes. Aliás, Deus só pode revestir de seu poder quem humildemente aceita o seu querer. É na oração que o ser humano se abre à repleção do Espírito.
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