A familia está passando por mudanças diversas, dentre as quais se inclui o aumento de separações e divórcios. Diante dessas transformações a Igreja, que defende a indissolubilidade do matrimônio procura apoiar a constituição da Pastoral de Casais em Segunda União. Este trabalho iniciou-se na diocese de Jundiaí -SP e tem como objetivo auxiliar os casais que estão vivendo em segunda união, para descobrir como se deu a primeira união, as causas que levaram a sua ruptura e a avaliar a nova união e as motivações da mesma, inserindo assim esses casais novamente em suas comunidades.
Pesquisas indicam que os principais motivos da separação estão associados ao alcoolismo, à infidelidade conjugal e ao desgaste da dimensão amorosa.
Sendo assim, a segunda união é contraída com a expectativa de formar uma nova família, ter um(a) companheiro(a) e um relacionamento estável. A participação na Pastoral de Casais em Segunda União favorece a integração e convivência social e religiosa dos casais na Igreja e fora dela e ainda possibilita a superação do sentimento de discriminação que sentiam. A função da pastoral nunca foi banalizar o sacramento do matrimônio, nem mesmo incentivar as pessoas a contrairem uma segunda união, até porque o casal precisa ser estavel para fazer parte do mesmo.
Encerramos este artigo com o número 84 da Exortação Apostólica, Familiaris Consortio, de Sua Santidade João Paulo II, que assim se expressa neste assunto:
A Igreja, com efeito, instituída para conduzir à salvação todos os homens e sobretudo os batizados, não pode abandonar aqueles que - unidos já pelo vínculo matrimonial sacramental - procuraram passar a novas núpcias. Por isso, esforçar-se-á infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação.
Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações. Há, na realidade, diferença entre aqueles que sinceramente se esforçaram por salvar o primeiro matrimônio e foram injustamente abandonados e aqueles que por sua grave culpa destruíram um matrimônio canonicamente válido. Há ainda aqueles que contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos, e, às vezes, estão subjetivamente certos em consciência de que o precedente matrimônio irreparavelmente destruído nunca tinha sido válido.
Juntamente com o Sínodo exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.