Música de Deus

Por que não posso tocar mais alto?

“Toca um pouco mais baixo, por favor!” Qual músico que não já ouviu isso hein! E se você toca na paróquia, dentro daquela pequena igreja (com todo o respeito) certamente você já ouviu isso. E se você é guitarrista ou baterista (o terror do som alto – com todo o respeito também…rs) aí é que mais certamente você já ouviu isso.

Tirando as brincadeiras, realmente tocar, ou mesmo realizar qualquer atividade com o volume de som muito alto sem protenção faz mal, além de gerar desconforto, irritação, podendo até mesmo gerar dor e mal estar.

O fato é que temos a tendência de aos poucos nos acostumarmos com o volume alto e acabamos “gostando” de tocar com o volume alto, acabamos “mal acostumando”, pois isso nos prejudica, a tocar com o volume alto, isso com o passar do tempo pode provocar uma perca sem retorno da nossa audição, prejudicando nossa arte e nosso trabalho.

Temos a tendência de ao tocar junto querermos ir aumentando o volume para que possamos dar mais destaque naquela frase que fazemos, ou até mesmo nos ouvirmos, o ideal é vencermos a tentação de aumentar o nosso volume e pedir para os outros companheiros equalizarem o volume correto para que todos se ouçam.  Lembrando que: quanto menor o ambiente, menor precisa ser a quantidade de som. Alguns instrumentos já tem um volume de som relativamente alto como a bateria ou uma guitarra ligada em um amplificador, nestes casos é preciso muito cuidado com a força usada neles. Quando se equaliza o som reforçando muito os graves isso poderá fazer com que o baixo pareça estar mais alto que todos, as vozes geralmente ficam um pouco mais altas que os instrumentos, mas é preciso que essa proporção se adequada para não gerar a bola de neve de cada um aumentando o volume. Uma boa dica é no momento da mixagem de som antes de começar seu evento, coloque os instrumentos no volume máximo e confie ao operador de audio mixar cada instrumento no volume necessário para o público.

Lembre-se fazemos arte para que as pessoas curtam o nosso som e na evangelização para que sejam tocadas por Deus, isso precisa ser agradável para elas, portanto, vale a pena a gente ficar atento.

Deus abençoe!

Enilson Martins

Inspiração ou Suor?

Pergunta difícil essa não? de que o músico mais precisa? Muitos se perguntam isso e no conceito da maioria das pessoas o músico “vive” da inspiração. Mas na prática, quem é músico sabe que a coisa não funciona sempre assim.

Quando a gente ouve uma boa música que realmente nos chama a atenção, logo nos perguntamos: “Em que aquele compositor estava se inspirando para ter composto aquela música?” ou “onde aquele arranjador buscou inspiração para criar aquele arranjo?” Boas perguntas, mas que quando o músico está trabalhando nem sempre passam pela cabeça dele. Assim como todas as pessoas temos momentos de inspiração, como naquele dia que acordamos pela manhã e algo muito bom em nossa casa, ou uma boa notícia nos “inspira” a trabalhar melhor, quando acontece uma promoção nos inspiramos a querer trabalhar melhor e render. Com o músico é assim também, mas como todo profissional tem dias que a inspiração “passou longe” e o que fazer neste momento? é aqui que o músico precisa entrar com aquilo que ele traz de bagagem e sua experiência. A criatividade, originalidade, podem e devem ser trabalhadas, quando só criamos ou fazemos nossa arte quando estamos inspirados acabamos acostumando o cérebro a isso a agir por reação. Quando, porém, passamos a nos exercitar em criar coisas novas, ouvir coisas novas, executar coisas novas, como aprender um novo estilo músical, tirar uma música de ouvido, criar um improviso, ou mesmo um novo arranjo para uma determinada música, se faço disso um hábito, acabo treinando o meu cérebro para criar sempre, para ter idéias sempre, mesmo quando não estiver inspirado. No começo a gente “trava”, mas com o tempo a gente sente mais fácil e percebe que a inspiração é um aliado e não uma muleta.

Boas inspirações… bastante trabalho!!!

Abosdagem Naturalista da Música

De acordo com a primeira abordagem, a música existe antes de ser ouvida; ela pode mesmo ter uma existência autônoma na natureza e pela natureza. Os adeptos desse conceito afirmam que, em si mesma, a música não constitui arte, mas criá-la e expressá-la sim. Enquanto ouvir música possa ser um lazer e aprendê-la e entendê-la seja fruto da disciplina, a música em si é um fenômeno natural e universal. A teoria da ressonância natural de Mersenne e Rameau vai neste sentido, pois ao afirmar a natureza matemática das relações harmônicas e sua influência na percepção auditiva da consonância e dissonância, ela estabelece a preponderância do natural sobre a prática formal. Consideram ainda que, por ser um fenômeno natural e intuitivo, os seres humanos podem executar e ouvir a música virtualmente em suas mentes sem mesmo aprendê-la ou compreendê-la. Compor, improvisar e executar são formas de arte que utilizam o fenômeno música.

Sob esse ponto de vista, não há a necessidade de comunicação ou mesmo da percepção para que haja música. Ela decorre de interações físicas e prescinde do humano.

(Fonte: wikipédia)

Figuras de Valor

Estas figuras indicam o tempo que cada nota que nós sinalizamos na pauta irá durar. A medida leva sempre em consideração a pulsação (o tempo marcado pelo metrônomo – ou seja, a velocidade). Esses valores podem ser:

  • Positivo: É o som, a figura.
  • Negativo: é o silêncio, a Pausa.

As figuras e suas respectivas pausa, com o tempo proporcional, são:

QUEM É ARTISTA E QUEM É ARTISTA CRISTÃO?

Por Rodolfo Papa*

ROMA, segunda-feira, 18 de outubro de 2010 (ZENIT.org) – Que quer dizer “ser artista”? Quem é artista? No mundo contemporâneo, surgiu a opinião de que a condição de artista não é uma condição particular, mas que todo mundo é artista, já que não servem talentos nem formação, sendo o único ingrediente necessário a criatividade livre de todo esquema. Nas biografias de muitos artistas do século XX, surgem também hábitos desordenados, atitudes excêntricas, comportamentos autodestrutivos, até o ponto de que parecer que esse tipo de vida fosse um ingrediente necessário para reconhecer o verdadeiro artista, seja um pintor, um escultor, um músico ou um poeta.
Mas além dessas posições, evidentemente pouco consistentes, permanece a pergunta: quem é o artista? A isso podemos acrescentar uma pergunta posterior, fundamental para nossas reflexões: quem é o artista cristão? Na arte cristã, ou na arte que está a serviço da Igreja e que durante séculos tem sido capaz de anunciar Cristo e alçar um hino de louvor a Deus através de inestimáveis obras, há regras ou princípios que identificam a identidade profissional, moral e espiritual do artista?
Podemos encontrar uma ajuda para nossa reflexão no Livro de pintura escrito por Cennino Cennini no final do século XIV. Ele insere a história do nascimento da arte nos acontecimentos da criação narrados no Gênesis e estabelece uma reflexão da prática artística de tipo moral: a arte não se consegue com sede de lucro, nem por vanglória, mas com uma humildade e uma perseverança tais como para suportar todo sacrifício necessário para aprender todas as regras e pôr em prática todos os princípios.
Pode-se encontrar mais ajuda à reflexão no Livro de pintura de Leonardo da Vinci, ou na recopilação póstuma de seus apontamentos e seus estudos realizada pelo aluno Francesco Melzi, da qual temos uma cópia no Codice Urbinate 1270, conservado na Biblioteca Vaticana, de que Carlo Pedretti proporcionou uma edição crítica em 1995. Leonardo indica ao artista um caminho de formação técnica e moral, onde têm uma função fundamental as regras e os princípios levados à prática até se converter em virtude.
As certezas de Cennini e de Leonardo se apoiavam em uma sólida tradição, que não colocava em dúvida a importância das regras de formação. Na antiguidade, podemos encontrar exemplos notáveis disso em Vitruvio e Plinio, mas também em Columela, no que se refere à arte da agricultura. Trata-se de uma tradição que, com inovações e novas perspectivas, chega até o século XX, testificada por inumeráveis tratados.
Desta tradição podemos extrair a importância do binômio arte e normas, e sobretudo podemos compreender quão libertador resulta esse enfoque para a criatividade do artista. Na longa história das artes, as normas têm desempenhado a importante função de formar os artistas, de fazer crescer sem oprimir, de soltar sem atar.
As normas traçam um percurso, fazendo acessível uma técnica que pode se converter na base da ação, nacondição de possibilidade para o crescimento. Hoje, conseguimos entender a importância da técnica e de suas normas apenas em âmbitos muito restritos. Um exemplo é o mundo do esporte: no atletismo, no futebol… a boa execução se alcança porque é também um gesto técnico. De fato, sim uma adequada preparação técnica, não se pode praticar nenhum esporte.
No âmbito das artes, os exemplo se fazem mais difíceis. Na música continua sendo mais evidente a necessidade de possuir a linguagem e sua técnica. No âmbito da pintura, em contrapartida, as regras do mercado tomaram a dianteira, ajudadas pelos críticos que teorizam que a arte não deve ter mais vínculos nem princípios além dos – imperativos, porém não especificados – do próprio mercado. Assim é como a tão reclamada liberdade do artista de toda norma se traduz frequentemente de maneira paradoxal em dependências de todo tipo não-artísticas, como o álcool, as drogas ou outras relações que atingem radicalmente a liberdade da pessoa, ofuscando sua razão. Por outro lado, as teorias artísticas que destacam com obsessiva recorrência que o artista é um ser inadaptado e solitário acabam quase por prescrever o mal-estar psíquico e existencial como um requisito fundamental. Assim, a arte, que deve dar felicidade, converte-se em um labirinto de dor, totalmente atravessado pela ânsia de êxito. Desta maneira, à figura do artista se sobrepõe a do Fausto, disposto a fazer pacto com o Diabo, ou a de Prometeu, que desafia os deuses ao roubar-lhes o fogo.
O centro do percurso criativo do artista, em um contexto assim, é o próprio artista. Em um total egoísmo, a arte expressa o eu do artista e nada mais. Se pensarmos bem, em contrapartida, compreendemos que o artista, para sê-lo, deve possuir as regras de seu ofício, e que o pressuposto para rompê-las e superá-las é conhecê-las com precisão. Ademais, o mal-estar e a perversão não são pedidos ao artista enquanto tal, mas só ao artista tal como é teorizado por alguns críticos e comerciantes contemporâneos.
Se essas observações valem para o artista em geral, ainda mais para o artista cristão. Pode-se falar de Cristo a partir dessas posições teóricas e chegar aos cumes da arte sacra cristã? Pode o artista que trabalha para a Igreja ser identificado com a libertinagem, a ignorância de seu ofício, o narcisismo? Não estamos falando de juízo sobre a vida do artista, porque isso não deveria interessar ao historiador nem ao teórico da arte, mas estamos refletindo precisamente sobre as obras de arte, sobre a possibilidade de que sem uma formação técnica e artística, e sem virtudes cultivadas, se possam produzir obras belas adaptadas à oração e à liturgia. Ademais, acrescentando uma consideração mais importante, e é que para trabalhar para Cristo, em todo âmbito, é necessária uma adesão ao próprio Cristo. Com muita clareza, Joseph Ratzinger explica que a sacralidade da imagem implica a vida interior do artista, seu encontro com o Senhor: “A sacralidade da imagem consiste precisamente no fato de que esta deriva de uma visão interior e assim conduz a uma visão interior. Deve ser fruto de uma contemplação interior, de um encontro crente com a nova realidade do Ressuscitado e, dessa maneira, deve introduzir novamente no olhar interior, no encontro orante com o Senhor” (Joseph Ratzinger, Teologia della liturgia, Libreria Editrice Vaticana, 2010, p. 131). Acrescenta também que “a dimensão eclesial é essencial na arte sacra” (ibid.), destacando que o artista cristão não pode viver fora da Igreja.
Jesus, no Evangelho de Lucas, adverte: “onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração” (Lc 12, 34). Se nosso tesouro não é Cristo, mas nós mesmos, nossos vícios, o êxito, então não se tem o coração apto para a produção de obras de arte sacra. Ainda nos ensina Jesus que “nenhum criado por servir a dois senhores (…). Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13). Portanto, o artista cristão deve fazer a opção radical de pôr Cristo como único Senhor de sua vida e arte. Isso implica também a humildade de uma percurso de formação artística, moral e espiritual, com a convicção de que o trabalho artístico é uma vocação: “Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu. Se alguém tem o dom de falar, fale como se fossem palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, por Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém” (1 P 4, 10-11).
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* Rodolfo Papa é historiador da arte, professor de história das teorias estéticas na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma; presidente da Accademia Urbana delle Arti. Pintor, autor de ciclos pictóricos de arte sacra em várias basílicas e catedrais. Especialista em Leonardo Da Vinci e Caravaggio, é autor de livros e colaborar de revistas. Desde 2000, assina uma coluna de história da arte cristã na Rádio Vaticano.