Série Apóstolos: Os apóstolos, testemunhas e enviados de Cristo, Bento XVI

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 4:45 pm on Sunday, September 7, 2008

Os apóstolos, testemunhas e enviados de Cristo
22 de março de 2006

Queridos irmãos e irmãs:

A Carta aos Efésios apresenta-nos a Igreja como uma construção edificada «sobre o alicerce dos apóstolos e profetas, tendo como pedra angular o próprio Jesus Cristo» (2, 29). No Apocalipse, o papel dos apóstolos, e mais especificamente dos Doze, esclarece-se na perspectiva escatológica da Jerusalém celeste, apresentada como uma cidade cuja muralha «assenta sobre doze pedras, que têm os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro» (21, 14). Os Evangelhos coincidem na afirmação de que o chamamento dos apóstolos marcou os primeiros passos do ministério de Jesus, após o baptismo recebido do Batista nas águas do Jordão.

Segundo a narração de Marcos (1, 16-20) e de Mateus (4, 18-22), o cenário da chamada dos primeiros apóstolos é o lago da Galiléia. Jesus tinha apenas começado a pregação do Reino de Deus, quando o seu olhar se dirigiu a dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João. São pescadores, empenhados no seu trabalho quotidiano. Lançam as redes, reparam-nas. Mas uma outra pesca os espera. Jesus chama-os com decisão e eles seguem-no com prontidão: a partir de agora serão «pescadores de homens» (Cf. Marcos 1, 17; Mateus 4, 19). Lucas, apesar de seguir a mesma tradição, tem uma narração mais elaborada (5, 1-11). Mostra o caminho de fé dos primeiros discípulos, precisando que o convite a segui-Lo lhes chega depois de terem escutado a primeira pregação de Jesus, e depois de terem experimentado os primeiros sinais prodigiosos realizados por Ele. Em particular, a pesca milagrosa constitui o contexto imediato e oferece o símbolo da missão de pescadores de homens que lhes é confiado. O destino destes «chamados», a partir de agora, ficará intimamente ligado ao de Jesus. O apóstolo é um enviado, mas antes ainda é um «especialista» em Jesus.

Justamente este aspecto é posto em evidência pelo evangelista João depois do primeiro encontro de Jesus com os futuros apóstolos. Aqui o cenário é diferente. O encontro acontece nas margens do Jordão. A presença dos futuros discípulos, vindo também eles, como Jesus, da Galiléia para viver a experiência do batismo ministrado por João, deixa entender o seu mundo espiritual. Eram homens à espera do Reino de Deus, desejosos de conhecer o Messias, cuja vinda era anunciada como eminente. Basta que João Batista assinale Jesus como o Cordeiro de Deus (Cf. João 1, 36), para que surja neles o desejo de um encontro pessoal com o Mestre. O diálogo de Jesus com os seus primeiros dois futuros apóstolos é muito expressivo. À pergunta: «Que buscais?», eles respondem com outra pergunta: «Rabbi –que quer dizer “Mestre” — onde moras?». A resposta de Jesus é um convite «Vinde e vede» (Cf. João 1, 38-39). Vinde para poder ver. A aventura dos apóstolos começa assim, como um encontro de pessoas que se abrem reciprocamente. Para os discípulos começa um conhecimento direto do Mestre. Vêem onde vive e começam a conhecê-lo. Não terão de ser arautos de uma idéia, mas testemunhas de uma pessoa. Antes de serem enviados a evangelizar, terão de «estar» com Jesus (Cf. Marcos 3, 14), estabelecendo com ele uma relação pessoal. Com este fundamento, a evangelização não é mais que um anúncio do que se experimentou e um convite a entrar no mistério da comunhão com Cristo (Cf. 1 João 13).

A quem serão enviados os apóstolos? No Evangelho, Jesus parece restringir a Israel a sua missão: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mateus 15, 24). Do mesmo modo parece circunscrever a missão confiada aos Doze: «A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios nem entreis nas cidades dos samaritanos; Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mateus 10, 5). Uma certa crítica moderna de inspiração racionalista tinha visto nestas expressões a falta de uma consciência universalista do Nazareno. Na realidade, isto compreende-se à luz da sua relação especial com Israel, comunidade da Aliança, na continuidade da história da salvação. Segundo a espera messiânica, as promessas divinas, feitas imediatamente a Israel, chegariam ao seu cumprimento quando o próprio Deus, através de seu Eleito, tivesse reunido o seu povo como faz um pastor com seu rebanho: «Eu salvarei as minhas ovelhas e não estarão mais expostas ao perigo… Eu suscitarei para elas um pastor que as apascentará, David meu servo: ele as apascentará e será seu pastor. Eu, o Senhor, serei o seu Deus, e meu o servo David será príncipe no meio deles» (Ezequiel 34, 22-24). Jesus é o pastor escatológico que reúne as ovelhas perdidas da casa de Israel e as procura, porque as conhece e ama (Cf. Lucas 15, 4-7 e Mateus 18, 12-14; Cf. também a figura do bom pastor em João 10, 11 e seguintes). Através desta «reunião» anuncia-se o Reino de Deus a todos os povos: «A minha glória manifestou-se entre as nações, e todas as nações verão o juízo que vou executar e a mão que porei sobre elas» (Ezequiel 39, 21).

E Jesus segue precisamente este perfil profético. O primeiro passo é a «reunião» do povo de Israel, para que, assim, todos os povos chamados a reunir-se na comunhão com o Senhor possam ver e crer. Deste modo, os doze, chamados a participar da própria missão de Jesus, cooperam com o Pastor dos últimos tempos, dirigindo-se também eles, antes de tudo, às ovelhas perdidas da casa de Israel, ou seja, ao povo da promessa, cuja reunião é o sinal de salvação para todos os povos, o inicio da universalização da Aliança. Longe de contradizer a abertura universalista da ação messiânica do Nazareno, o ter restringido, ao início, a sua missão e a dos doze a Israel torna-se um sinal profético mais eficaz. Após a paixão e a ressurreição de Cristo, este sinal será esclarecido: o caráter universal da missão dos apóstolos ficará explícito. Cristo enviará os apóstolos «por todo o mundo» (Marcos 16, 15), a «todos os povos» (Mateus 28, 19; Lucas 24, 47, «até os confins da terra» (Atos 1, 8). E esta missão continua. Continua sempre o mandamento do Senhor de reunir os povos na unidade do seu amor. Esta é a nossa esperança e este é também o nosso mandamento: contribuir para essa universalidade, para essa verdadeira unidade na riqueza das culturas, em comunhão com o nosso verdadeiro Senhor Jesus Cristo.

Série Apóstolos: Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja, Bento XVI

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 6:04 pm on Tuesday, September 2, 2008

Nada melhor aprender do próprio papa Bento XVI sobre o que a Palavra de Deus nos ensina sobre os doze apóstolos, aqueles que em nome de Cristo edificaram sua Igreja.

Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja
15 de março de 2006

Queridos irmãos e irmãs

Depois das catequeses sobre os salmos e os cânticos das Laudes e Vésperas, quero dedicar os próximos encontros de quarta-feira ao mistério da relação entre Cristo e a Igreja, considerando-o a partir da experiência dos apóstolos, à luz da tarefa que lhes foi confiada. A Igreja foi constituída sobre o alicerce dos apóstolos como comunidade de fé, de esperança e de caridade. Através dos apóstolos, remontamos ao próprio Jesus. A Igreja começou a constituir-se quando alguns pescadores da Galiléia encontrando Jesus, se deixaram conquistar pelo seu olhar e pela sua voz, pelo seu convite cálido e forte: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens» (Marcos 1, 17; Mateus 4, 19).

O meu querido predecessor, João Paulo II, propôs à Igreja, no início do terceiro milênio, a contemplação do rosto de Cristo (Cf. «Novo millennio ineunte», 16 seguintes). Seguindo nessa direção, nas catequeses que hoje começo, quero mostrar precisamente que a luz desse Rosto se reflete no rosto da Igreja (Cf. «Lumen gentium», 1), apesar dos limites e das sombras da nossa humanidade frágil e pecadora. Depois de Maria, reflexo puro da luz de Cristo, os apóstolos, com a sua palavra e testemunho, entregam-nos a verdade de Cristo. A sua missão não é isolada, insere-se no mistério de comunhão que envolve todo o Povo de Deus e se realiza por etapas, da antiga à nova Aliança.

Neste sentido, há que notar que se transforma totalmente a mensagem de Jesus se ela é separada do contexto da fé e da esperança do povo eleito: como o Baptista, o seu imediato precursor, Jesus dirige-se antes de tudo a Israel (Cf. Mateus 15, 24), para «reuni-lo» no tempo escatológico que com Ele chegou. E, tal como a pregação de João, também a pregação de Jesus é ao mesmo tempo um chamamento à graça e um sinal de contradição e de julgamento para todo o povo de Deus. Portanto, desde o primeiro momento da sua actividade salvadora, Jesus de Nazaré tende a reunir, a purificar o Povo de Deus. Ainda que a sua pregação seja sempre um chamamento à conversão pessoal, na realidade tende continuamente a constituir o Povo de Deus que Ele veio reunir e a salvar.

Por este motivo, é unilateral e carece de fundamento a interpretação individualista proposta pela teologia liberal do anúncio do Reino feito por Cristo. Esta interpretação foi resumida, no ano de 1900, pelo grande teólogo liberal Adolf von Harnack nas suas conferências sobre «O que é o cristianismo?»: «O reino de Deus chega na medida em que chega a homens concretos, encontra eco nas suas almas e estes O acolhem. O reino de Deus é o senhorio de Deus, ou seja, o senhorio do Deus santo nos diferentes corações» (Terceira Conferência, 100s).
Este individualismo da teologia liberal é acentuado particularmente na modernidade. Na perspectiva da tradição bíblica e no horizonte do judaísmo, no qual a obra de Jesus se situa apesar de toda a sua novidade, fica claro que toda a missão do Filho feito carne tem uma finalidade comunicativa: veio precisamente para unir a humanidade dispersa, veio precisamente para reunir o Povo de Deus.

Um sinal evidente da intenção do Nazareno de reunir a comunidade da Aliança para manifestar nela o cumprimento das promessas feitas aos Padres, que sempre falam de convocação, de unificação, de unidade, é a “escolha” dos Doze. Escutemos o Evangelho da “eleição” dos Doze. Volto a ler agora a passagem central: «Subiu ao monte e chamou os que ele quis; e foram até ele. Escolheu doze, para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar com poder de expulsar os demónios. Escolheu os Doze…» (Marcos 3, 13-16; Cf. Mateus 10, 1-4; Lucas 6, 12-16). No lugar da revelação, o «monte», Jesus, com uma iniciativa que manifesta absoluta consciência e determinação, designa os Doze para que sejam com Ele testemunhas e arautos da chegada do Reino de Deus. Sobre o caráter histórico desta chamada não existem dúvidas, não só pela antiguidade e multiplicidade de testemunhos, mas também pelo simples fato de que aparece o nome de Judas, o apóstolo traidor, apesar das dificuldades que esta presença podia implicar para a comunidade nascente. O número Doze, que evidentemente faz referência às doze tribos de Israel, revela o significado da ação profético-simbólica implícita na nova iniciativa de voltar a fundar o povo santo. Após o ocaso do sistema das doze tribos, Israel tinha esperança na sua reconstituição como sinal da chegada do tempo escatológico (pode ler-se a conclusão do livro de Ezequiel: 37, 15-19; 39, 23-29; 40-48). Elegendo os Doze, introduzindo-os numa comunhão de vida com Ele e fazendo-os partícipes da sua própria missão de anúncio do Reino, com palavras e obras (Cf. Marcos 6, 7-13; Mateus 10, 5-8; Lucas 9, 1-6; Lucas 6, 13), Jesus quer dizer que chegou o tempo definitivo no qual reconstituiu o povo de Deus, o povo das doze tribos, que se converte agora num povo universal, a sua Igreja.

Com a sua própria existência, os Doze - vindos de origens diferentes - convertem-se no chamamento de todo o Israel à conversão, a deixar-se reunir na nova Aliança, cumprimento pleno e perfeito da antiga. Ao ter-lhes confiado a tarefa de celebrar o seu memorial na Ceia, antes da Paixão, Jesus mostrou que queria transferir para toda a comunidade na pessoa dos seus líderes o mandato de ser, na história, sinal e instrumento da reunião escatológica começada por Ele. Em certo sentido, podemos dizer que precisamente a Última Ceia é o ato de fundação da Igreja, pois Ele entrega-se a si mesmo e cria deste modo uma nova comunidade, uma comunidade unida na comunhão com Ele mesmo. Nesta perspectiva, compreende-se que o Ressuscitado lhes tenha conferido - com a efusão do Espírito - o poder de perdoar os pecados (Cf. João 20, 23). Os doze apóstolos são, deste modo, o sinal mais evidente da vontade de Jesus sobre a existência e a missão Igreja, a garantia de que entre Cristo e a Igreja não há contradição: são inseparáveis, apesar dos pecados dos homens que formam a Igreja. E, portanto, não pode conciliar-se com as intenções de Cristo um slogan que há alguns anos estava na moda: «Jesus sim, Igreja não». O Jesus individualista é um Jesus fantasia. Não podemos encontrar Jesus sem a realidade que Ele criou e na qual se comunica.

Entre o Filho de Deus feito carne e sua Igreja existe uma continuidade profunda, inseparável e misteriosa, em virtude da qual Cristo se faz presente, hoje, no seu povo. Cristo é, sempre, nosso contemporâneo; contemporâneo na Igreja constituída sobre o fundamento dos apóstolos, Ele está vivo na sucessão dos apóstolos. E esta Sua presença na comunidade, na qual Ele sempre se nos dá, é o motivo de nossa alegria. Sim, Cristo está conosco, o Reino de Deus vem até nós.

Como Jesus aprendeu a ler e a escrever?

Filed under: A vida no tempo de Jesus — Leandro at 11:15 am on Tuesday, August 26, 2008

Jesus, como filho de José e Maria, provavelmente foi educado como qualquer criança de seu tempo. Para compreender melhor como nosso Senhor viveu essa fase de sua vida, segue uma pequena pesquisa sobre como as crianças de seu tempo eram educadas.

As escolas judias para crianças eram poucas naquele tempo, por isso seguindo o antigo costume dessa região, o pai de família era quem ensinava os filhos a ler e escrever. O objetivo era bem preciso: consistia em uma educação religiosa, para conhecer a Torá, a Palavra de Deus, para assim terem uma vida segundo a vontade de Deus.

Essa educação consistia em aprender a ler e a escrever em hebraico. Lembrando que a língua falada era o aramaico e em várias cidades romanas, o grego. Nas escolas o ensino era dirigido, em geral, somente aos meninos, os quais começavam a aprender a lei escrita aos cinco anos, aos dez aprendiam a lei oral e comentários de sábios sobre diversas passagens bíblicas. A educação das meninas era feita pelos pais em casa.

Sala dedicada ao ensino das crianças em Cafarnaum

Como a finalidade dos estudos era estritamente religiosa, geralmente se construía ao lado da Sinagoga, lugar de culto dos judeus, uma sala onde onde os alunos se sentavam aos pés do mestre. Exemplo disso vemos nos Atos dos Apóstolos quando Paulo disse que foi educado “na escola de Gamaliel” (cf. At 22,3). Segundo o costume daquele tempo, os alunos se sentavam e escutavam atentamente o mestre, pois deveriam guardar tudo à memória. Não se anotava o que o mestre dizia nem em argila, ou outro tipo de material típico daquele período.

A primeira fase de aprendizado se encerrava quando o menino completava doze anos, essa idade é muito importante inclusive em nossos dias para a religião judaica, pois marca o início da maturidade social da criança. Essa data é marcada por uma especial celebração familiar, onde se agradece pelo dom da Torá, e onde o pai da criança entrega a Deus a responsabilidade de responder diante dele pelos pecados do filho.

Para quem aspirava tornar-se escriba ou doutor da lei, o estudos continuavam em geral até os dezoito anos completos.

Bibliografia: M. F. Vamosh, “Educação”, in A vida diária no tempo de Jesus, Braga 2003, 57.

Lc 6,17-19: Jesus socorre as necessidades de todos

Filed under: A Biblia no meu dia a dia — Leandro at 1:59 pm on Thursday, August 7, 2008

Jesus gostava de alguns lugares específicos para estar com o povo que o seguia. Sendo assim, várias passagens do evangelho aconteceram no mesmo local, interessante é que o ambiente nos ajuda a compreender o signicado geral de cada um desses momentos, os quais se completam. Acho que você só vai entender o que quero dizer se continuar a leitura deste artigo.

A passagem de hoje é: Lc 6,17-19

Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judéia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-lo e ser curadas das suas enfermidades.E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.Todo o povo procurava tocá-lo, pois saía dele uma força que os curava a todos.

Jesus desceu com eles, os doze apóstolos que acabara de escolher (cf. Lc 6,12-16), e parou em um lugar plano. Segundo a tradição local, esse lugar é onde está a Igreja do Primado de Pedro, onde Jesus após a ressurreição apareceu aos discípulos e perguntou a Pedro se ele o amava por três vezes (Jo 21), neste mesmo local é onde Jesus multiplicou os cinco pães e dois peixes (Mt 14,13-21) , e pronunciou o discurso das Bem-Aventuranças (Lc 6,20-23).

Havia ali, “um numeroso grupo de discípulos e imensa multidão de pessoas”, dentre essas haviam judeus e provavelmente também pagãos, pois viviam em Tiro e Sidônia, uma região localizada fora do território de Israel.

Estavam ali reunidos primeiro os doze apóstolos, depois os discípulos e uma imensa multidão de judeus e pagãos. O motivo de estarem ali era “para ouví-lo e serem curados de suas doenças”. A palavra utilizada, “doenças”, foi utilizada para traduzir um termo em grego que significa: enfermidade, loucura, sofrimento moral, defeito e vício e não somente doenças físicas.

“E toda a multidão procurava tocá-lo, porque dele saía uma força que a todos curava” (Lc 6,19).

É interessante notar que foi neste local que Jesus curou o coração de Pedro que o negara, mostrando-lhe seu amor e confiança dizendo lhe: “apascenta as minhas ovelhas”. Aqui também ele reavivou o coração desanimado dos apóstolos que “voltaram a pescar” (cf. Jo 21,3) , ou seja voltaram a mesma vida que tinham antes de terem conhecido Jesus. Como disse antes, neste local aconteceu o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes.

Jesus demonstra que ele não faz acepção de pessoas, porque ao seu redor está todos os tipos de gente. Ele “cura a todos”, nesse contexto quer dizer que ele vem ao encontro das necessidades mais íntimas daqueles que o procuram.

Foi nesse mesmo local que ele ficou “tomado de compaixão” (Mt 14,14) pela multidão e “curou os seus doentes” (Mt 14,14).

A mensagem central desse brano é: Jesus socorre as necessidades interiores de todos os que o procuram: dá o pão para os que estão com fome, a cura para os enfermos, a palavra para todos, e também a Igreja para continuar sua missão.

O que essa palavra diz para você?

O Segredo da Montanha Sagrada

Filed under: A Biblia no meu dia a dia — Leandro at 10:51 am on Tuesday, July 1, 2008

Convido a você para tocar na experiência de fé vivida por grandes homens de Deus em dois montes sagrados – um é o Sinai, localizado no Egito; outro é o Tabor, no norte de Israel. No primeiro, Moisés recebe as Tábuas da Lei e fala em nome de Deus; no segundo o Pai diz a Pedro, a Tiago e a João: “Este é o meu Filho amado, escutai-o”.

Monte Sinai - EgitoO que Deus quer falar conosco? Estamos tratando aqui com o que há de mais importante para nossa fé. Agora vamos ver dois acontecimentos: um do Antigo Testamento e outro do Novo Testamento, ambos se esclarecem:

“No terceiro mês depois da saída do país do Egito, naquele dia, os filhos de Israel chegaram ao deserto do Sinai. Partiram de Rafidim e chegaram ao deserto do Sinai, e acamparam no deserto. Israel acampou lá, diante da montanha. Então Moisés subiu a Deus. E da montanha o Senhor o chamou, e lhe disse: ‘Assim dirás à casa de Jacó e declararás aos filhos de Israel: ‘Vós mesmos vistes o que eu fiz aos egípcios, e como vos carreguei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. Agora, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade peculiar entre todos os povos, porque toda a terra é minha. Vos sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Estas palavras dirás aos filhos de Israel” (Ex 19,1-6).

Monte Sinai - Egito“O Senhor disse a Moisés:‘Eis que virei a ti na escuridão de uma nuvem, para que o povo ouça quando eu falar contigo, e para que também creiam sempre em ti” (Ex 19,9).

Coloquei em negrito alguns trechos para que você perceba as principais semelhanças com a narrativa da Transfiguração de Jesus:
“E dizia-lhes: Em verdade vos digo: dos que aqui se acham, alguns há que não experimentarão a morte, enquanto não virem chegar o Reino de Deus com poder. Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o” (Mc 9,1-7).

Monte Tabor - IsraelO Tabor é, portanto, o novo Sinai, mas a grande novidade é que além de Jesus ser o “novo Moisés”, Ele é a própria voz que o Pai nos ordena escutar. Dessa forma, a nova lei é uma Pessoa. A voz a ser escutada são as palavras e as atitudes d’Ele. Há também algo novo presente no mistério da Transfiguração: segundo a Tradição cristã da Terra Santa, o Monte Tabor é também o local onde aconteceu o último mandamento de Jesus:

“Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado. Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda. Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,16-20).

Observe que tremenda responsabilidade está sobre todos os cristãos: somos todos profetas, pois a nós cabe a missão de anunciar ao povo, como Moisés, os ensinamentos de Deus. A nós cabe ser a voz de Jesus, ou seja, os representantes d’Ele, sendo uma voz viva,
personificada, para que o mundo O conheça.

O que Deus está falando com você por meio de tudo que leu?

um abraço!
em Jesus

Quando nasceu São Paulo?

Filed under: Curiosidades — Leandro at 3:44 pm on Tuesday, May 20, 2008

Encontramos duas indicações cronológicas nos textos bíblicos. A primeira é da carta à Filemon que diz: “eu, este ancião (presbútes) Paulo, e agora prisioneiro por causa de Cristo Jesus” (Fm 9); e a segunda o livro dos Atos 7, 58: “as testemunhas haviam deixado os mantos aos pés de um jovem (neaníou) chamado Saulo”. Segundo as pesquisas, a carta à Filemon foi escrita entre os anos 54-61 e o Apóstolo quando a escreveu já se considerava velho, ancião. Mas qual é a idade aproximada para uma pessoa se considerar ancião?

Segundo a tradição grega, o médico Ippocrate, citando obra De Opificio Mundi de Filon de Alexandria, diz que a idade do homem galga de sete em sete anos:

“ depois do primeiro sopro num período de sete anos nascem os dentes (criança 1-7).
No fim do segundo período de mais sete anos o homem chega à puberdade (pré-adolescente 7-14).
Mais sete anos a barba cresce (adolescente 14-21).
Mais sete anos alcança a plenitude de sua força viril (jovem 21-28).
No quinto período é próprio para o casamento (adulto 28-35).
No sexto período o homem completa seu entendimento (adulto 35-42).
No sétimo é o maior progresso e desenvolvimento das faculdades intelectuais e de raciocínio (adulto 42-49).
No oitavo é a soma da perfeição das faculdades intelectuais e de raciocínio (ancião 49-56).
No nono as paixões tornam-se brandas e suaves por estarem subjugadas (velho 56-63).
No décimo o homem deseja o fim da vida embora seus membros e sentidos orgânicos ainda estejam ilesos, pois a idade muito avançada tende a todos eles enfraquecer e debilitar (velho 63-70).

À esta tradição grega vem confirmar a tradição hebraica ensinada na Mishná (ensinamento e estudos baseado na repetição das tradições encontradas na Lei) e que classifica a idade de 60 anos como ancião:
“aos 5 anos estamos aptos para a Escritura
Aos 10 para a Mishná
Aos 13 para a observância dos mandamentos
Aos 15 para o Talmude
Aos 18 para o casamento
Aos 20 para seguir uma vocação
Aos 30 para o poder
Aos 40 para o discernimento
Aos 50 para o conselho
Aos 60 para ser ancião
Aos 70 para cabelos grisalhos
Aos 80 para força especial
Aos 90 para as costas curvadas
Aos 100 o homem é alguém que já morreu.

Para concluir a datação do nascimento de São Paulo podemos considerar que entre os anos 54-61 (data em que a carta à Filemon foi escrita) Paulo, que era ancião, tinha entre 49 a 56 anos. Então a data do seu nascimento poderia ser entre os anos 5 e 10 d.C. confirmada pelo texto dos Atos. Assim entre 2005 e 2010 poderíamos justificar uma celebração jubilar dos dois mil anos de nascimento do glorioso Apóstolo São Paulo.

Pe Pedro Schiavinato, estudante de Ciências Bíblicas e Arqueologia em Jerusalém.

O sentido bíblico da motivação da conversão

Filed under: A Biblia no meu dia a dia — Leandro at 9:21 am on Sunday, May 4, 2008

Muitas vezes ouvimos pregações sobre conversão, até decoramos o significado da palavra metanóia em grego, como sendo mudança de mentalidade ou de sentimentos. Agora quero lhe trazer talvez uma novidade: a motivação desta conversão de onde vem, como saber se ela é autêntica?

“A metanoia, etim., mudança de sentimentos, designa a renúncia ao pecado, o ‘arrependimento’. Esse pesar que se refere ao passado, vem normalmente acompanhado de uma ‘conversão’ (verbo grego epistrephein), pela qual o homem se volta para Deus e empreende uma vida nova. Esses dois aspectos complementares de um mesmo impulso da alma não se distinguem sempre no vocabulário (cf. At 2,38). Arrependimento e conversão constituem a condição necessária para receber a salvação trazida pelo Reino de Deus. O apelo ao arrependimento, proclamado por João Batista (cf. ainda At 13,24; 19,4) foi retomado por Jesus (Mt 4,17p; Lc 5,32; 13,3.5), pelos seus discípulos (Mc 6,12; Lc 24,47) e por Paulo (At 20,21; 26,20)”. Fonte: Biblia de Jerusalém, comentário de Mt 3,2.

Um versículo importante para entender tudo o que foi escrito acima: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, então, fruto digno de arrependimento e não penseis que basta dizer: ‘Temos por pai a Abraão” (Mt 3,7-9).

Preste atenção aos verbos empregados por João Batista falando aos fariseus e saduceus. Eles embora sendo aparentemente religiosos FUGIAM de Deus, porque não PRODUZIAM frutos de arrependimento. Para eles bastava DIZER: somos filhos de Abraão.

O arrependimento possui em si sentimentos de dor, de pesar pels pecados cometidos. Porém se não vem acompanhado de obras que demonstram a conversão, não serve de nada. Os fariseus não produziam bons frutos.

O Julgamento será pelas obras de amor que deixamos de fazer, muito mais pelos pecados que deixamos de cometer. Não se colocar a serviço dos outros, não ir ao encontro das necessidades dos outros, esse é o grande pecado. Eles pararam nas palavras e esqueceram da caridade.

A pergunta é: Você tem esperado ter sentimentos para se converter? Você tem caído na tentação que não precisa de conversão? Que frutos você sinceramente tem produzido diariamente de amor ativo aos outros?

A motivação da conversão está na vontade por amor a Deus: eu quero e vou dar passos de rompimento com o pecado e vou colocar a serviço minhas qualidades pessoais e materiais pelo bem de todos.

O escândalo dos Juízes na Bíblia

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 5:36 pm on Monday, April 21, 2008

O Livro dos Juízes, da Bíblia, pode causar muitas reações diferentes naqueles que o lêem. Como, por exemplo, Jefté – sendo escolhido por Deus – sacrificou a Ele sua única filha? Ou de onde vinha a força de Sansão? Seria mesmo através de seus cabelos? E por que Deus escolhia os piores para salvar seu povo? Enfim, os Juízes eram homens carismáticos e limitados. É sobre o mistério da força que os movia que desejo me aprofundar com você.

Primeiramente, é importante saber que o termo “juiz”, empregado no original do texto hebraico, quer dizer “aquele que comanda e que está á frente” e não um juiz que determina sentenças. Esses homens eram suscitados e movidos pelo Espírito Santo para libertar Israel de seus inimigos. No entanto, esse povo constantemente se esquecia de Deus e se envolvia com a idolatria e depois clamava ao Senhor para libertá-lo. Com a intervenção divina permaneciam fiéis por um curto espaço de tempo, até que acabavam praticando a idolatria novamente.

Muitas coisas interessantes poderiam ser aprofundadas sobre esse livro. Deixe sua sugestão para um outro tema presente neste livro, escreva-a depois no comentário abaixo.

Vamos ao tema: Qual era o perfil desses homens que comandavam o povo enquanto não havia rei em Israel? Primeiro: eram homens escolhidos por Deus, sem precisar de uma eleição humana na maioria das vezes. Segundo: eram homens combatentes, ou seja, guerreiros. Terceiro e mais importante aspecto: diante dos homens não possuíam destaque: ou eram os menores e os mais insignificantes do povo ou repletos de traumas e fraquezas humanas.

Alguns exemplos: Otoniel, o primeiro juíz mencionado, era o “caçula de Caleb” (cf. Jz 3,9); Aod era “canhoto” (cf. Jz 3,15); Débora era uma mulher (cf. Jz 4-5); Gedeão era desconfiado, medroso, pertencente ao clã mais pobre e também era o caçula de sua família (cf. Jz 6,11-15); para lutar com Gedeão, Deus escolheu os 300 piores homens do povo para trazer por meio deles a vitória a Israel (cf. Jz 7,1-8); Jefté era filho de uma prostituta (cf. Jz 11,1) e Sansão era forte nos músculos e fraco de coração. Vale a pena ler sua história (cf. Jz 13-16).

Deus se utilizou dos miseráveis para manifestar a misericórdia d’Ele ao povo; as misérias dos próprios líderes foi a força escolhida pelo Senhor para libertar o povo d’Ele. A fraqueza humana desses homens deixava claro que somente Deus poderia fazer o que era realizado por meio deles.

É complicado entender os atos errados dos líderes, mas é fácil compreender que Deus não se limita às fraquezas dos homens, porque elas foram escolhidas por Ele, o único perfeito. Um último aspecto: eram ousados, agiam com coragem porque eram fiéis ao que escutavam de Deus como missão para suas vidas. Na união com o Senhor encontravam a força de que precisavam. Não foi isso que Jesus nos ensinou? “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

A experiência de Ouvir a Deus: 1 João 1,1

Filed under: A Biblia no meu dia a dia — Leandro at 6:52 pm on Saturday, February 2, 2008

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida, porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e lhes damos testemunho e vos anunciamos a Vida eterna, que estava voltada para o Pai e vos apareceu, o que vimos e ouvimos vo-lo anunciamos para que estejais também em comunhão conosco”. I Jo 1,1-3

O que era desde o princípio ( no original escrito em grego este princípio também quer dizer origem, fundamento). É como se João dissesse: a base, o fundamento, o essencial que nós apóstolos recebemos eu anuncio para vocês. Como eles receberam?

O primeiro verbo é ouvir, ou seja “o que ouvimos”.  João não colocou por acaso esse verbo em primeiro lugar, porque ouvir a Deus é a primeira necessidade do homem e também seu primeiro mandamento:

“Moisés convocou todo o povo e disse: Ouve, ó Israel, os estatutos e as normas que hoje proclamo aos vossos ouvidos. Vós os aprendereis e cuidareis de pô-los em prática”. (Dt 5,1) Os versículos seguintes de Dt 5 apresentam imediatamente os 10 mandamentos.

A primeira e fundamental experiência com Deus está em ouví-lo. São Paulo na carta aos Romanos demonstra que a fé entra pelos ouvidos. “Como poderiam crer naquele que não ouviram?” (Rm 10,14)

Não é a toa que Jesus dizia: ”quem tem ouvidos para ouvir que ouça”.  Ele dizia isso ao povo que o ouvia e via ao mesmo tempo, ou seja o estar com Jesus tem como consequência, descobrir a Vontade dele para o momento presente. Essa experiência com a presença de Jesus nos remete imediatamente à vivência dos seus mandamentos. Esse é o critério para descobrir se  a experiência feita é de fato real ou não, se na sua raiz está Deus, ou simplesmente uma vontade humana ou até mesmo diabólica.

A audição é um dos orgãos do sentido, João demonstra que a experiência de ouvir a Deus é sensível, ou seja não é abstrata. Portanto é perceptível dentro de nós, mexe com a nossa sensibilidade.

O profeta Oséias falando do desejo de Deus em trazer sua esposa, o povo infiel de Israel, à sua intimidade profetiza: “Por isso, eis que vou, eu mesmo, seduzi-la, conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração” (Os 2,16)

Trazendo para mim e para você que está lendo esta meditação, me vem à mente uma pergunta: O que Deus está falando hoje para mim e para você dentro do nosso coração, um critério para saber se essa experiência é real, é ver se este impulso interior nos leva a viver melhor os mandamentos de Deus.

Como colocar em prática está palavra?

É muito pessoal a resposta. Pessoalmente vou rezar pedindo a Deus a graça de discernir o que Ele está me falando hoje, a graça de não ser surdo à sua voz.

Contemplar o caminho do Natal no deserto de Judá, Nazaré e Belém

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 6:03 pm on Wednesday, December 19, 2007

Nós, da missão Canção Nova na Terra Santa, neste Natal, trazemos para você a graça de experimentar o caminho que Maria, Jesus e José fizeram até Belém. Reviver seus sentimentos, sua esperança, a expectativa que eles mantinham diante do nascimento do Salvador.

A rica espiritualidade desse acontecimento fez com que o deserto da vida de muitos se tornasse um lindo jardim.

José, seus sentimentos, como se comportou ao saber que sua noiva estava grávida, o homem santo escolhido para ser pai do Filho de Deus.

As montanhas de Belém, o caminho percorrido, a casa e a gruta, como eram as condições em que nasceu o Salvador.

Se nascer em você o desejo de vir contemplar estes lugares, entre em contato:

Peregrinação à Terra Santa em 2008

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