O que leva um homem a seguir Jesus?

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 9:52 pm on Thursday, August 30, 2007

Olhando os primeiros chamados, podemos nos surpreeder com a resposta que eles deram ao encontro com Jesus. Primeiro parte dele é ele quem escolhe; em seguida vem a parte do homem que o acolhe ou não. A resposta de cada um parte de dentro, de sua liberdade. Portanto, estamos tratando aqui não de um simples artigo informativo, e sim de uma reflexão de algo que acontece no mistério mais profundo do ser humano. Esse questionamento é importante, pois pode ajudá-lo a saber se de fato, está seguindo o Filho de Deus ou não.

A primeira escolhida para seguir Jesus foi sua própria mãe, ela não o viu para crer, nem o tocou nem o sentiu,  o que a levou a crer que seu filho era seu Deus?

Ela estava em sua casa, o anjo Gabriel aparece e lhe diz que ela será a mãe do “Filho do Altíssimo”, do Messias anunciado e esperado pelo povo de Israel. Ela pergunta como será isso e o anjo responde: “O Espírito Santo virá sobre ti, por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus”.

Maria, provavelmente não assimilou todo o conteúdo contido nas palavras do anjo, mas o Espírito Santo, a levou a crer, ela teve sua parte: ela não poderia negar que a experiência celeste que estava tendo era real. Como já acreditava na existência de um único Deus, vendo que Ele mesmo era o autor do que estava acontecendo, se rendeu a Palavra lhe trasmitida e disse sim. Ela começou a conhecer Jesus depois, quando ele começou a se mexer em seu ventre.

A Palavra acolhida gerou a fé em Maria.

Simeão, o “homem justo e piedoso que vivia em Jerusalém e que tomou Jesus em seus braços”, também teve uma experiência: “fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor”. Quando ele, movido pelo Espírito, vê naquele menino, visivelmente igual a qualquer outro, o Messias, ele diz que poderia ir em paz porque viu a Salvação.

Simeão acreditou por meio da oração.

E o primeiro papa, Pedro, como acreditou?

“E ele disse a Simão: ‘Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca’. Simão respondeu: ‘Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes”.

As redes se encheram, “à vista disso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: ‘afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”, assim juntamente com Tiago e João, “reconduzindo os barcos à terra e deixando tudo, eles o seguiram”.

Aparentemente, era um simples homem cheio do Espírito Santo ou um profeta que estava frente a eles, esse milagre não revelava em si mesmo,  que Jesus era o Filho de Deus; embora fosse por meio desse sinal que eles reconheceram a presença de Deus. Algo interior, portanto, os impelia àquele homem, o sinal externo só veio a acrescentar, a confirmar.

Foi o Espírito Santo quem gerou neles esse impulso, eles disseram sim com a vida, deixaram tudo e o seguiram. A fé deles era ainda imperfeita, foi somente com o passar do tempo e principalmente com a morte e com a Ressurreição, que eles chegaram a compreender quem Jesus verdadeiramente era.

Cada encontro com o homem-Jesus, é um encontro com o Deus-homem, esse  é simples, acontece dentro de cada um, mais do que em sinais externos. Vemos isso nas curas e nos milagres de Jesus, “tua fé te salvou” por isso, “levanta e anda”, “veja”, “fale”, “escute”, “ressuscita”. Ele aparece,  vê a necessidade de amor mais profunda de cada um, a preenche, daí a pessoa sentindo-se amada reconhece que só neste homem ela se encontra, se torna feliz. Com isso a “ficha cai” e como o apóstolo Tomé,  se rende reconhecendo-o:  “meu Senhor e meu Deus”.

Comigo aconteceu a mesma coisa:

Estava infeliz, algo me impulcionou a ir a um encontro de oração, eu estava seguindo o protestantismo embora frequentasse a Igreja Católica. É uma longa história, mas o importante é isso: nesse encontro clamei a Jesus que, se ele fosse vivo na eucaristia que eu tivesse um encontro pessoal com Ele, e isso aconteceu! Senti-me profundamente amado, depois no dia-a-dia percebi que ele me amava cuidando de mim nas pequenas coisas.

A partir daí comecei a seguí-lo, mas como seguí-lo se não o vejo? Descobri que um seguimento concreto só pode acontecer na Igreja onde ele está: nos sacramentos, na Palavra, na comunidade. Somente assim, procurando a vontade dele no trabalho, na Igreja, na Palavra e no serviço,  que encontrei meu lugar: serví-lo dentro da Comunidade Canção Nova.

E você, já viveu uma experiência pessoal com Jesus? Caso ainda não, saiba que ele quer mais do que você, basta suplicar e ele responderá! Talvez você esteja na Igreja por costume e não por convicção, isso significa que você nunca o seguiu de verdade. Seguí-lo é deixar o pecado e abraçar a cruz,  pois essa é a escada subida também por ele.

Enfim, o que leva um homem a seguir Jesus?

O Espírito Santo gera o desejo de encontrá-lo, suscita acontecimentos que o faz  conhecê-lo. Daí vem a parte do homem de abrir-se ao encontro e dizer sim: eu o reconheço como meu Deus e quero seguí-lo fazendo a sua vontade.

Depois disso vem a história mais fascinante que se pode contar! A sua história de Salvação pessoal! Tudo porque o amor de Cristo o conquistou e você se deixou conquistar.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

contato: terrasanta@cancaonova.com

Uma presença escondida é descoberta através do Egito

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 11:05 pm on Tuesday, August 7, 2007

“Do Egito chamei o meu filho”. Vemos neste versículo duas afirmativas implícitas: “No Egito, deixei meu filho” e “do Egito saiu o meu filho”. Na história da Salvação, o Egito foi ora lugar de refúgio, ora de libertação, ora fonte de crescimento e ora de rejeição. Aqui apresento em síntese sua relação com o povo de Israel. O ensinamento que podemos extrair daí é muito rico, então tenha paciência, valerá a pena chegar a conclusão deste texto.

 

Durante séculos, o Egito foi uma super-potência econômica, militar e cultural; até hoje são inesquecíveis seus famosos momumentos como as tumbas dos faraós, o papiro e a cultura por eles deixada. Nos períodos de carestia, ou seja de necessidade absoluta, onde nos povos vizinhos não havia nem mesmo alimento, foi a ele que muitos buscaram refúgio para salvaguardar suas vidas. Esse foi o caso de Abraão (Gn 12,10-20), de José e seus irmãos (Gn 37ss) e inclusive da Sagrada Família.

Também, foi  o palco de grandes manifestações de Deus a seu povo; o Êxodo com suas pragas, a morte dos primogênitos e a travessia do Mar Vermelho, são fatos que continuam vivos até hoje na mente e no coração do povo judeu.

Agora vamos nos aprofundar nesses acontecimentos.

Observação importante: Lembre-se que estou vendo com você uma chave de leitura para compreender melhor, o modo como Deus fala a seu povo e o conduz, portanto reler esses textos em seguida com sua Bíblia será muito útil para seu crescimento pessoal e principalmente o ajudará a amar mais a Deus e sua Palavra. Essa é a finalidade!

 Ok, vamos voltar ao essencial.

Primeiramente é importante saber que no Oriente Antigo, o modo de narrar os acontecimentos era diferente daquele que utilizamos hoje, focalizando os acontecimentos em si mesmos, suas datas e personagens. Para eles era necessário focalizar o sentido dos acontecimentos, sua ideologia, sua interpretação. Tudo isso para ilustrar melhor a presença de um personagem ou de uma divindade.

 Com os autores Bíblicos não foi diferente, como pessoas humanas escreveram as passagens com a intenção de demonstrar a presença de Deus em cada fato.

Voltando ao passado, Israel estava situado entre duas grandes civilizações: o Egito ao sul e a Mesopotâmia ao norte. Segundo a cronologia que a Bíblia nos dá, os patriarcas foram para o Egito no século XIX a.C, alí permaneceu por 430 anos (Ex 12,40).

É essencial destacar o fato que os Patriarcas ( Abraão: Gn 12,10; depois José e os outros filhos de Jacó, inclusive Jacó mesmo: Gn 37ss) desceram ao Egito para sobreviver em tempo de carestia. 

Além deles Jeremias e a Sagrada Família buscaram refúgio. Isso comprova que o país não é somente “Terra de Escravidão”, como se pode ver em outras passagens bíblicas.

José, filho de Jacó, vendido como escravo para o Egito, foi colocado como “chefe da casa do Faraó”, e em seguida pelo próprio Faraó, foi “estabelecido sobre todo o país”(Gn 41,40-41) com o objetivo de recolher víveres diante da carestia.

Na XVIII dinastia é atestado que, de fato, um alto funcionário foi “colocado à frente da grande Casa do Senhor das Duas Terras”, com tarefas especiais em certas circunstâncias de emergência.“e o Faraó tirou o anel de sua mão e o colocou na mão de José, e o revestiu com vestes de linho fino e lhe pôs no pescoço o colar de ouro. Ele o fez subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e gritava-se diante dele ‘Abrec’.

Assim foi ele preposto a toda a terra do Egito”. (Gn 41,42-43).

O fundo histórico, no qual é apresentado o modo como eram investidos os altos funcionários, foi escrito segundo uma perspectiva sapiencial, demonstrando que o Deus de Israel guia os acontecimentos humanos, dirigindo os homens e os fatos segundo o seu plano. A história de José é um dos relatos mais claros neste sentido.

Agora vamos avançar 430 anos na história. Um fato importantíssimo aconteceu: o povo estava sendo escravizado e Deus decide libertá-lo, para isso escolhe Moisés.

O primeiro prodígio operado através dele foi o bastão transformado em serpente. Foi encontrado um relato popular neo-egiziano no qual se fala de um crodilo de cera que jogado na água se tornou um animal verdadeiro.

O pedido dos israelitas de ir ao deserto para sacrificar ao Deus deles, encontra paralelos na prática egípcia. Temos diários onde estão narradas diversas permissões concedidas a trabalhadores; entre os motivos assinalados está o de “fazer uma oferta a deus”, ou “ao próprio deus”.

As próprias pragas referem-se a fenômenos naturais característicos do Egito. O relato bíblico enfatiza que essas acontecem exatamente no tempo predito por Moisés, em nome de Javé e em um modo extraordinário. Javé se demonstra assim, senhor do equilíbrio ecológico do país do qual eram responsáveis o rei e os deuses da dinastia.

Olhando séculos depois, vemos o grande rei Salomão empreendendo construções e inclusive organizando seu governo segundo o modelo egípcio. Mais tarde institui escolas, promove a literatura sapiencial, que encontramos na Bíblia, baseando-se também na maneira em que eram treinados os funcionários do faraó.

Esses são alguns exemplos de como a cultura egípcia influenciou o povo de Israel.

Mas onde está a importância de tudo isso? Você pode até se perguntar, o que eu posso aproveitar dessas coisas?

Deus se serve da história para se revelar. Através dos acontecimentos podemos ver seu amor e sua presença no governo das nações e de nossa vida. Ele inseriu o homem no mundo, por isso o produto de sua inteligência, sua criatividade e beleza não devem serem vistos como contrários a Deus.

Pelo contrário, vemos que ele se serviu daquilo que o povos vizinhos de Israel produziram de bom, para formar e conduzir seu povo. Da mesma forma, ele quer que estejamos cada vez mais inseridos no mundo, aproveitando aquilo que existe de bom, de justo, de louvável.

O místico não é aquele que se destaca do mundo, mas que nele com seu criador. Deus se revela nas coisas ordinárias, no trabalho, nos relacionamentos, nos acontecimentos.

Ninguém vê o ar que respira, porém sabe que ele está e que não pode viver sem ele. Da mesma forma, não vemos Deus na história, mas é possível constatar que ele está no meio de nós.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

Nas origens do sacerdócio cristão

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 11:36 pm on Wednesday, August 1, 2007

Para que pensar no sacerdócio do Antigo Testamento? Essa pode ser sua primeira pergunta ao ler o título deste texto. O sacerdócio na Igreja possui bases na cultura judaica, compreender suas origens mais profundas, é descobrir o quanto Deus ama seu povo a ponto de escolher cada batizado como “mediador de salvação em Cristo”, e os ministros ordenados como pontes de Salvação, ou seja, àqueles que ligam o céu nesta terra.

Olhando para as religiões mais antigas encontramos sacerdotes em diversas culturas, como nos povos súmerios onde esses realizavam o culto nús; no Egito, empreendendo tanta influência no povo e na economia do país, a ponto de confrontarem-se inclusive com a soberania do Faraó; em Israel, mantendo no coração do povo o amor e a fidelidade ao Deus único.

O primeiro a exercer oficialmente o ofício sacerdotal em Israel foi Aarão, a ele coube a função de Sumo Sacerdote. Sua descendência formou famílias consagradas por Deus para o serviço do culto, da Lei e da instrução no meio do povo.

Essas eram as funções que eles exerciam: o oráculo, a lei e o culto.

O oráculo era o modo de apresentar a vontade de Deus, a lei era como sistematizar essa vontade para determinado tempo, e  o culto consistia no sacrifício de animais em vista do perdão dos pecados e da adoração a Deus.

Exerciam esse ministério quem era pertencente a tribo de Levi ou aos descendentes de Aarão. Portanto, era de direito hereditário. Com o passar dos séculos, o Sumo Sacerdote passou a ser adquirido sem essa exigência por várias situações sociais, e muitas vezes por questões políticas.

O Sumo Sacerdote era a pessoa mais respeitada no interior da comunidade judaica. Ele era o único que entrava no Santo dos Santos, lugar situado no interior do Templo onde residia a presença de Deus. Ele adentrava nesse local santo uma vez por ano, em ocasião da Festa da Expiação, para oferecer sacrifício pelos seus pecados e pelos pecados de toda a nação.

Os judeus acreditam que é nesta festa que Deus dá seu perdão ao povo de modo especial.

Seja nessa Festa chamada também de Yom Kippur, ou nos sacrificios ordinários, os sacerdotes eram aqueles que levavam o povo à presença de Deus também pelo ensino, sua omissão fez com que Deus se pronunciasse várias vezes através dos profetas contra eles.

“O meu povo se perde por falta de conhecimento”.

Jesus, o Sumo Sacerdote, constituiu o povo de batizados, um povo sacerdotal. Uma vez por todas salvou a humanidade pelo seu sangue, sendo ele mesmo a vítima de expiação pelo mundo inteiro. Agora não é mais por hereditariedade que um se torna sacerdote, mas pela água do Batismo. Por ele o cristão, unido ao único sacrifício de Cristo, torna-se, nele, mediador de Salvação para o mundo inteiro.

Dentro da Igreja, Deus escolheu alguns para o ministério ordenado, constituindo-os pontes do mistério da Salvação, pois é através deles que o único Mediador se torna presente na eucaristia, seu perdão se atualiza no sacramento da reconciliação e sua força no governo da Igreja, no ensino e no serviço da caridade.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

Contato: terrasanta@cancaonova.com