Nas origens do sacerdócio cristão
Para que pensar no sacerdócio do Antigo Testamento? Essa pode ser sua primeira pergunta ao ler o título deste texto. O sacerdócio na Igreja possui bases na cultura judaica, compreender suas origens mais profundas, é descobrir o quanto Deus ama seu povo a ponto de escolher cada batizado como “mediador de salvação em Cristo”, e os ministros ordenados como pontes de Salvação, ou seja, àqueles que ligam o céu nesta terra.
Olhando para as religiões mais antigas encontramos sacerdotes em diversas culturas, como nos povos súmerios onde esses realizavam o culto nús; no Egito, empreendendo tanta influência no povo e na economia do país, a ponto de confrontarem-se inclusive com a soberania do Faraó; em Israel, mantendo no coração do povo o amor e a fidelidade ao Deus único.
O primeiro a exercer oficialmente o ofício sacerdotal em Israel foi Aarão, a ele coube a função de Sumo Sacerdote. Sua descendência formou famílias consagradas por Deus para o serviço do culto, da Lei e da instrução no meio do povo.
Essas eram as funções que eles exerciam: o oráculo, a lei e o culto.
O oráculo era o modo de apresentar a vontade de Deus, a lei era como sistematizar essa vontade para determinado tempo, e o culto consistia no sacrifício de animais em vista do perdão dos pecados e da adoração a Deus.
Exerciam esse ministério quem era pertencente a tribo de Levi ou aos descendentes de Aarão. Portanto, era de direito hereditário. Com o passar dos séculos, o Sumo Sacerdote passou a ser adquirido sem essa exigência por várias situações sociais, e muitas vezes por questões políticas.
O Sumo Sacerdote era a pessoa mais respeitada no interior da comunidade judaica. Ele era o único que entrava no Santo dos Santos, lugar situado no interior do Templo onde residia a presença de Deus. Ele adentrava nesse local santo uma vez por ano, em ocasião da Festa da Expiação, para oferecer sacrifício pelos seus pecados e pelos pecados de toda a nação.
Os judeus acreditam que é nesta festa que Deus dá seu perdão ao povo de modo especial.
Seja nessa Festa chamada também de Yom Kippur, ou nos sacrificios ordinários, os sacerdotes eram aqueles que levavam o povo à presença de Deus também pelo ensino, sua omissão fez com que Deus se pronunciasse várias vezes através dos profetas contra eles.
“O meu povo se perde por falta de conhecimento”.
Jesus, o Sumo Sacerdote, constituiu o povo de batizados, um povo sacerdotal. Uma vez por todas salvou a humanidade pelo seu sangue, sendo ele mesmo a vítima de expiação pelo mundo inteiro. Agora não é mais por hereditariedade que um se torna sacerdote, mas pela água do Batismo. Por ele o cristão, unido ao único sacrifício de Cristo, torna-se, nele, mediador de Salvação para o mundo inteiro.
Dentro da Igreja, Deus escolheu alguns para o ministério ordenado, constituindo-os pontes do mistério da Salvação, pois é através deles que o único Mediador se torna presente na eucaristia, seu perdão se atualiza no sacramento da reconciliação e sua força no governo da Igreja, no ensino e no serviço da caridade.
Leandro César
Canção Nova - Terra Santa
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