O escândalo dos Juízes na Bíblia

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 5:36 pm on Monday, April 21, 2008

O Livro dos Juízes, da Bíblia, pode causar muitas reações diferentes naqueles que o lêem. Como, por exemplo, Jefté – sendo escolhido por Deus – sacrificou a Ele sua única filha? Ou de onde vinha a força de Sansão? Seria mesmo através de seus cabelos? E por que Deus escolhia os piores para salvar seu povo? Enfim, os Juízes eram homens carismáticos e limitados. É sobre o mistério da força que os movia que desejo me aprofundar com você.

Primeiramente, é importante saber que o termo “juiz”, empregado no original do texto hebraico, quer dizer “aquele que comanda e que está á frente” e não um juiz que determina sentenças. Esses homens eram suscitados e movidos pelo Espírito Santo para libertar Israel de seus inimigos. No entanto, esse povo constantemente se esquecia de Deus e se envolvia com a idolatria e depois clamava ao Senhor para libertá-lo. Com a intervenção divina permaneciam fiéis por um curto espaço de tempo, até que acabavam praticando a idolatria novamente.

Muitas coisas interessantes poderiam ser aprofundadas sobre esse livro. Deixe sua sugestão para um outro tema presente neste livro, escreva-a depois no comentário abaixo.

Vamos ao tema: Qual era o perfil desses homens que comandavam o povo enquanto não havia rei em Israel? Primeiro: eram homens escolhidos por Deus, sem precisar de uma eleição humana na maioria das vezes. Segundo: eram homens combatentes, ou seja, guerreiros. Terceiro e mais importante aspecto: diante dos homens não possuíam destaque: ou eram os menores e os mais insignificantes do povo ou repletos de traumas e fraquezas humanas.

Alguns exemplos: Otoniel, o primeiro juíz mencionado, era o “caçula de Caleb” (cf. Jz 3,9); Aod era “canhoto” (cf. Jz 3,15); Débora era uma mulher (cf. Jz 4-5); Gedeão era desconfiado, medroso, pertencente ao clã mais pobre e também era o caçula de sua família (cf. Jz 6,11-15); para lutar com Gedeão, Deus escolheu os 300 piores homens do povo para trazer por meio deles a vitória a Israel (cf. Jz 7,1-8); Jefté era filho de uma prostituta (cf. Jz 11,1) e Sansão era forte nos músculos e fraco de coração. Vale a pena ler sua história (cf. Jz 13-16).

Deus se utilizou dos miseráveis para manifestar a misericórdia d’Ele ao povo; as misérias dos próprios líderes foi a força escolhida pelo Senhor para libertar o povo d’Ele. A fraqueza humana desses homens deixava claro que somente Deus poderia fazer o que era realizado por meio deles.

É complicado entender os atos errados dos líderes, mas é fácil compreender que Deus não se limita às fraquezas dos homens, porque elas foram escolhidas por Ele, o único perfeito. Um último aspecto: eram ousados, agiam com coragem porque eram fiéis ao que escutavam de Deus como missão para suas vidas. Na união com o Senhor encontravam a força de que precisavam. Não foi isso que Jesus nos ensinou? “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

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