Sepulcro da família de Herodes em Jerusalém

Filed under: Curiosidades — Leandro at 8:49 pm on Sunday, September 7, 2008

Sepulcro da fam�lia de HerodesNa parte norte da cidade de Jerusalém está o sepulcro da família do rei Herodes. Essa sepultura pertence ao tempo de Jesus e se assemelha muito ao sepulcro utilizado para sepultá-lo. 

Os sepulcros possuíam em sua entrada um monumento, chamado Nefesh.  Geralmente tratava-se de uma plataforma, sobre a qual se colocava uma estátua ou outra obra de arte. A presença de uma Nefesh indicava que ali estava sepultado alguém, muito importante.

Esse estilo de sepultura era feita somente por pessoas ricas e influentes na sociedade.

As tumbas eram escavadas na rocha. Dentro havia uma níquia, uma escavação em forma de banco, onde se depositava o corpo, o qual era exposto ao ar para facilitar sua decomposição.

Flávio Josefo , um dos principais escritores do primeiro século, descreve a  tumba da família de Herodes e a localiza ao norte de Jerusalém. 

Sepulcro da fam�lia do rei Herodes em Jerusalém

Série Apóstolos: Os apóstolos, testemunhas e enviados de Cristo, Bento XVI

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 4:45 pm on Sunday, September 7, 2008

Os apóstolos, testemunhas e enviados de Cristo
22 de março de 2006

Queridos irmãos e irmãs:

A Carta aos Efésios apresenta-nos a Igreja como uma construção edificada «sobre o alicerce dos apóstolos e profetas, tendo como pedra angular o próprio Jesus Cristo» (2, 29). No Apocalipse, o papel dos apóstolos, e mais especificamente dos Doze, esclarece-se na perspectiva escatológica da Jerusalém celeste, apresentada como uma cidade cuja muralha «assenta sobre doze pedras, que têm os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro» (21, 14). Os Evangelhos coincidem na afirmação de que o chamamento dos apóstolos marcou os primeiros passos do ministério de Jesus, após o baptismo recebido do Batista nas águas do Jordão.

Segundo a narração de Marcos (1, 16-20) e de Mateus (4, 18-22), o cenário da chamada dos primeiros apóstolos é o lago da Galiléia. Jesus tinha apenas começado a pregação do Reino de Deus, quando o seu olhar se dirigiu a dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João. São pescadores, empenhados no seu trabalho quotidiano. Lançam as redes, reparam-nas. Mas uma outra pesca os espera. Jesus chama-os com decisão e eles seguem-no com prontidão: a partir de agora serão «pescadores de homens» (Cf. Marcos 1, 17; Mateus 4, 19). Lucas, apesar de seguir a mesma tradição, tem uma narração mais elaborada (5, 1-11). Mostra o caminho de fé dos primeiros discípulos, precisando que o convite a segui-Lo lhes chega depois de terem escutado a primeira pregação de Jesus, e depois de terem experimentado os primeiros sinais prodigiosos realizados por Ele. Em particular, a pesca milagrosa constitui o contexto imediato e oferece o símbolo da missão de pescadores de homens que lhes é confiado. O destino destes «chamados», a partir de agora, ficará intimamente ligado ao de Jesus. O apóstolo é um enviado, mas antes ainda é um «especialista» em Jesus.

Justamente este aspecto é posto em evidência pelo evangelista João depois do primeiro encontro de Jesus com os futuros apóstolos. Aqui o cenário é diferente. O encontro acontece nas margens do Jordão. A presença dos futuros discípulos, vindo também eles, como Jesus, da Galiléia para viver a experiência do batismo ministrado por João, deixa entender o seu mundo espiritual. Eram homens à espera do Reino de Deus, desejosos de conhecer o Messias, cuja vinda era anunciada como eminente. Basta que João Batista assinale Jesus como o Cordeiro de Deus (Cf. João 1, 36), para que surja neles o desejo de um encontro pessoal com o Mestre. O diálogo de Jesus com os seus primeiros dois futuros apóstolos é muito expressivo. À pergunta: «Que buscais?», eles respondem com outra pergunta: «Rabbi –que quer dizer “Mestre” — onde moras?». A resposta de Jesus é um convite «Vinde e vede» (Cf. João 1, 38-39). Vinde para poder ver. A aventura dos apóstolos começa assim, como um encontro de pessoas que se abrem reciprocamente. Para os discípulos começa um conhecimento direto do Mestre. Vêem onde vive e começam a conhecê-lo. Não terão de ser arautos de uma idéia, mas testemunhas de uma pessoa. Antes de serem enviados a evangelizar, terão de «estar» com Jesus (Cf. Marcos 3, 14), estabelecendo com ele uma relação pessoal. Com este fundamento, a evangelização não é mais que um anúncio do que se experimentou e um convite a entrar no mistério da comunhão com Cristo (Cf. 1 João 13).

A quem serão enviados os apóstolos? No Evangelho, Jesus parece restringir a Israel a sua missão: «Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mateus 15, 24). Do mesmo modo parece circunscrever a missão confiada aos Doze: «A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios nem entreis nas cidades dos samaritanos; Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel» (Mateus 10, 5). Uma certa crítica moderna de inspiração racionalista tinha visto nestas expressões a falta de uma consciência universalista do Nazareno. Na realidade, isto compreende-se à luz da sua relação especial com Israel, comunidade da Aliança, na continuidade da história da salvação. Segundo a espera messiânica, as promessas divinas, feitas imediatamente a Israel, chegariam ao seu cumprimento quando o próprio Deus, através de seu Eleito, tivesse reunido o seu povo como faz um pastor com seu rebanho: «Eu salvarei as minhas ovelhas e não estarão mais expostas ao perigo… Eu suscitarei para elas um pastor que as apascentará, David meu servo: ele as apascentará e será seu pastor. Eu, o Senhor, serei o seu Deus, e meu o servo David será príncipe no meio deles» (Ezequiel 34, 22-24). Jesus é o pastor escatológico que reúne as ovelhas perdidas da casa de Israel e as procura, porque as conhece e ama (Cf. Lucas 15, 4-7 e Mateus 18, 12-14; Cf. também a figura do bom pastor em João 10, 11 e seguintes). Através desta «reunião» anuncia-se o Reino de Deus a todos os povos: «A minha glória manifestou-se entre as nações, e todas as nações verão o juízo que vou executar e a mão que porei sobre elas» (Ezequiel 39, 21).

E Jesus segue precisamente este perfil profético. O primeiro passo é a «reunião» do povo de Israel, para que, assim, todos os povos chamados a reunir-se na comunhão com o Senhor possam ver e crer. Deste modo, os doze, chamados a participar da própria missão de Jesus, cooperam com o Pastor dos últimos tempos, dirigindo-se também eles, antes de tudo, às ovelhas perdidas da casa de Israel, ou seja, ao povo da promessa, cuja reunião é o sinal de salvação para todos os povos, o inicio da universalização da Aliança. Longe de contradizer a abertura universalista da ação messiânica do Nazareno, o ter restringido, ao início, a sua missão e a dos doze a Israel torna-se um sinal profético mais eficaz. Após a paixão e a ressurreição de Cristo, este sinal será esclarecido: o caráter universal da missão dos apóstolos ficará explícito. Cristo enviará os apóstolos «por todo o mundo» (Marcos 16, 15), a «todos os povos» (Mateus 28, 19; Lucas 24, 47, «até os confins da terra» (Atos 1, 8). E esta missão continua. Continua sempre o mandamento do Senhor de reunir os povos na unidade do seu amor. Esta é a nossa esperança e este é também o nosso mandamento: contribuir para essa universalidade, para essa verdadeira unidade na riqueza das culturas, em comunhão com o nosso verdadeiro Senhor Jesus Cristo.

Série Apóstolos: Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja, Bento XVI

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 6:04 pm on Tuesday, September 2, 2008

Nada melhor aprender do próprio papa Bento XVI sobre o que a Palavra de Deus nos ensina sobre os doze apóstolos, aqueles que em nome de Cristo edificaram sua Igreja.

Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja
15 de março de 2006

Queridos irmãos e irmãs

Depois das catequeses sobre os salmos e os cânticos das Laudes e Vésperas, quero dedicar os próximos encontros de quarta-feira ao mistério da relação entre Cristo e a Igreja, considerando-o a partir da experiência dos apóstolos, à luz da tarefa que lhes foi confiada. A Igreja foi constituída sobre o alicerce dos apóstolos como comunidade de fé, de esperança e de caridade. Através dos apóstolos, remontamos ao próprio Jesus. A Igreja começou a constituir-se quando alguns pescadores da Galiléia encontrando Jesus, se deixaram conquistar pelo seu olhar e pela sua voz, pelo seu convite cálido e forte: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens» (Marcos 1, 17; Mateus 4, 19).

O meu querido predecessor, João Paulo II, propôs à Igreja, no início do terceiro milênio, a contemplação do rosto de Cristo (Cf. «Novo millennio ineunte», 16 seguintes). Seguindo nessa direção, nas catequeses que hoje começo, quero mostrar precisamente que a luz desse Rosto se reflete no rosto da Igreja (Cf. «Lumen gentium», 1), apesar dos limites e das sombras da nossa humanidade frágil e pecadora. Depois de Maria, reflexo puro da luz de Cristo, os apóstolos, com a sua palavra e testemunho, entregam-nos a verdade de Cristo. A sua missão não é isolada, insere-se no mistério de comunhão que envolve todo o Povo de Deus e se realiza por etapas, da antiga à nova Aliança.

Neste sentido, há que notar que se transforma totalmente a mensagem de Jesus se ela é separada do contexto da fé e da esperança do povo eleito: como o Baptista, o seu imediato precursor, Jesus dirige-se antes de tudo a Israel (Cf. Mateus 15, 24), para «reuni-lo» no tempo escatológico que com Ele chegou. E, tal como a pregação de João, também a pregação de Jesus é ao mesmo tempo um chamamento à graça e um sinal de contradição e de julgamento para todo o povo de Deus. Portanto, desde o primeiro momento da sua actividade salvadora, Jesus de Nazaré tende a reunir, a purificar o Povo de Deus. Ainda que a sua pregação seja sempre um chamamento à conversão pessoal, na realidade tende continuamente a constituir o Povo de Deus que Ele veio reunir e a salvar.

Por este motivo, é unilateral e carece de fundamento a interpretação individualista proposta pela teologia liberal do anúncio do Reino feito por Cristo. Esta interpretação foi resumida, no ano de 1900, pelo grande teólogo liberal Adolf von Harnack nas suas conferências sobre «O que é o cristianismo?»: «O reino de Deus chega na medida em que chega a homens concretos, encontra eco nas suas almas e estes O acolhem. O reino de Deus é o senhorio de Deus, ou seja, o senhorio do Deus santo nos diferentes corações» (Terceira Conferência, 100s).
Este individualismo da teologia liberal é acentuado particularmente na modernidade. Na perspectiva da tradição bíblica e no horizonte do judaísmo, no qual a obra de Jesus se situa apesar de toda a sua novidade, fica claro que toda a missão do Filho feito carne tem uma finalidade comunicativa: veio precisamente para unir a humanidade dispersa, veio precisamente para reunir o Povo de Deus.

Um sinal evidente da intenção do Nazareno de reunir a comunidade da Aliança para manifestar nela o cumprimento das promessas feitas aos Padres, que sempre falam de convocação, de unificação, de unidade, é a “escolha” dos Doze. Escutemos o Evangelho da “eleição” dos Doze. Volto a ler agora a passagem central: «Subiu ao monte e chamou os que ele quis; e foram até ele. Escolheu doze, para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar com poder de expulsar os demónios. Escolheu os Doze…» (Marcos 3, 13-16; Cf. Mateus 10, 1-4; Lucas 6, 12-16). No lugar da revelação, o «monte», Jesus, com uma iniciativa que manifesta absoluta consciência e determinação, designa os Doze para que sejam com Ele testemunhas e arautos da chegada do Reino de Deus. Sobre o caráter histórico desta chamada não existem dúvidas, não só pela antiguidade e multiplicidade de testemunhos, mas também pelo simples fato de que aparece o nome de Judas, o apóstolo traidor, apesar das dificuldades que esta presença podia implicar para a comunidade nascente. O número Doze, que evidentemente faz referência às doze tribos de Israel, revela o significado da ação profético-simbólica implícita na nova iniciativa de voltar a fundar o povo santo. Após o ocaso do sistema das doze tribos, Israel tinha esperança na sua reconstituição como sinal da chegada do tempo escatológico (pode ler-se a conclusão do livro de Ezequiel: 37, 15-19; 39, 23-29; 40-48). Elegendo os Doze, introduzindo-os numa comunhão de vida com Ele e fazendo-os partícipes da sua própria missão de anúncio do Reino, com palavras e obras (Cf. Marcos 6, 7-13; Mateus 10, 5-8; Lucas 9, 1-6; Lucas 6, 13), Jesus quer dizer que chegou o tempo definitivo no qual reconstituiu o povo de Deus, o povo das doze tribos, que se converte agora num povo universal, a sua Igreja.

Com a sua própria existência, os Doze - vindos de origens diferentes - convertem-se no chamamento de todo o Israel à conversão, a deixar-se reunir na nova Aliança, cumprimento pleno e perfeito da antiga. Ao ter-lhes confiado a tarefa de celebrar o seu memorial na Ceia, antes da Paixão, Jesus mostrou que queria transferir para toda a comunidade na pessoa dos seus líderes o mandato de ser, na história, sinal e instrumento da reunião escatológica começada por Ele. Em certo sentido, podemos dizer que precisamente a Última Ceia é o ato de fundação da Igreja, pois Ele entrega-se a si mesmo e cria deste modo uma nova comunidade, uma comunidade unida na comunhão com Ele mesmo. Nesta perspectiva, compreende-se que o Ressuscitado lhes tenha conferido - com a efusão do Espírito - o poder de perdoar os pecados (Cf. João 20, 23). Os doze apóstolos são, deste modo, o sinal mais evidente da vontade de Jesus sobre a existência e a missão Igreja, a garantia de que entre Cristo e a Igreja não há contradição: são inseparáveis, apesar dos pecados dos homens que formam a Igreja. E, portanto, não pode conciliar-se com as intenções de Cristo um slogan que há alguns anos estava na moda: «Jesus sim, Igreja não». O Jesus individualista é um Jesus fantasia. Não podemos encontrar Jesus sem a realidade que Ele criou e na qual se comunica.

Entre o Filho de Deus feito carne e sua Igreja existe uma continuidade profunda, inseparável e misteriosa, em virtude da qual Cristo se faz presente, hoje, no seu povo. Cristo é, sempre, nosso contemporâneo; contemporâneo na Igreja constituída sobre o fundamento dos apóstolos, Ele está vivo na sucessão dos apóstolos. E esta Sua presença na comunidade, na qual Ele sempre se nos dá, é o motivo de nossa alegria. Sim, Cristo está conosco, o Reino de Deus vem até nós.