Série Apóstolos: Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja, Bento XVI

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 6:04 pm on Tuesday, September 2, 2008

Nada melhor aprender do próprio papa Bento XVI sobre o que a Palavra de Deus nos ensina sobre os doze apóstolos, aqueles que em nome de Cristo edificaram sua Igreja.

Sobre o mistério da relação entre Cristo e a Igreja
15 de março de 2006

Queridos irmãos e irmãs

Depois das catequeses sobre os salmos e os cânticos das Laudes e Vésperas, quero dedicar os próximos encontros de quarta-feira ao mistério da relação entre Cristo e a Igreja, considerando-o a partir da experiência dos apóstolos, à luz da tarefa que lhes foi confiada. A Igreja foi constituída sobre o alicerce dos apóstolos como comunidade de fé, de esperança e de caridade. Através dos apóstolos, remontamos ao próprio Jesus. A Igreja começou a constituir-se quando alguns pescadores da Galiléia encontrando Jesus, se deixaram conquistar pelo seu olhar e pela sua voz, pelo seu convite cálido e forte: «Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens» (Marcos 1, 17; Mateus 4, 19).

O meu querido predecessor, João Paulo II, propôs à Igreja, no início do terceiro milênio, a contemplação do rosto de Cristo (Cf. «Novo millennio ineunte», 16 seguintes). Seguindo nessa direção, nas catequeses que hoje começo, quero mostrar precisamente que a luz desse Rosto se reflete no rosto da Igreja (Cf. «Lumen gentium», 1), apesar dos limites e das sombras da nossa humanidade frágil e pecadora. Depois de Maria, reflexo puro da luz de Cristo, os apóstolos, com a sua palavra e testemunho, entregam-nos a verdade de Cristo. A sua missão não é isolada, insere-se no mistério de comunhão que envolve todo o Povo de Deus e se realiza por etapas, da antiga à nova Aliança.

Neste sentido, há que notar que se transforma totalmente a mensagem de Jesus se ela é separada do contexto da fé e da esperança do povo eleito: como o Baptista, o seu imediato precursor, Jesus dirige-se antes de tudo a Israel (Cf. Mateus 15, 24), para «reuni-lo» no tempo escatológico que com Ele chegou. E, tal como a pregação de João, também a pregação de Jesus é ao mesmo tempo um chamamento à graça e um sinal de contradição e de julgamento para todo o povo de Deus. Portanto, desde o primeiro momento da sua actividade salvadora, Jesus de Nazaré tende a reunir, a purificar o Povo de Deus. Ainda que a sua pregação seja sempre um chamamento à conversão pessoal, na realidade tende continuamente a constituir o Povo de Deus que Ele veio reunir e a salvar.

Por este motivo, é unilateral e carece de fundamento a interpretação individualista proposta pela teologia liberal do anúncio do Reino feito por Cristo. Esta interpretação foi resumida, no ano de 1900, pelo grande teólogo liberal Adolf von Harnack nas suas conferências sobre «O que é o cristianismo?»: «O reino de Deus chega na medida em que chega a homens concretos, encontra eco nas suas almas e estes O acolhem. O reino de Deus é o senhorio de Deus, ou seja, o senhorio do Deus santo nos diferentes corações» (Terceira Conferência, 100s).
Este individualismo da teologia liberal é acentuado particularmente na modernidade. Na perspectiva da tradição bíblica e no horizonte do judaísmo, no qual a obra de Jesus se situa apesar de toda a sua novidade, fica claro que toda a missão do Filho feito carne tem uma finalidade comunicativa: veio precisamente para unir a humanidade dispersa, veio precisamente para reunir o Povo de Deus.

Um sinal evidente da intenção do Nazareno de reunir a comunidade da Aliança para manifestar nela o cumprimento das promessas feitas aos Padres, que sempre falam de convocação, de unificação, de unidade, é a “escolha” dos Doze. Escutemos o Evangelho da “eleição” dos Doze. Volto a ler agora a passagem central: «Subiu ao monte e chamou os que ele quis; e foram até ele. Escolheu doze, para que estivessem com ele, e para enviá-los a pregar com poder de expulsar os demónios. Escolheu os Doze…» (Marcos 3, 13-16; Cf. Mateus 10, 1-4; Lucas 6, 12-16). No lugar da revelação, o «monte», Jesus, com uma iniciativa que manifesta absoluta consciência e determinação, designa os Doze para que sejam com Ele testemunhas e arautos da chegada do Reino de Deus. Sobre o caráter histórico desta chamada não existem dúvidas, não só pela antiguidade e multiplicidade de testemunhos, mas também pelo simples fato de que aparece o nome de Judas, o apóstolo traidor, apesar das dificuldades que esta presença podia implicar para a comunidade nascente. O número Doze, que evidentemente faz referência às doze tribos de Israel, revela o significado da ação profético-simbólica implícita na nova iniciativa de voltar a fundar o povo santo. Após o ocaso do sistema das doze tribos, Israel tinha esperança na sua reconstituição como sinal da chegada do tempo escatológico (pode ler-se a conclusão do livro de Ezequiel: 37, 15-19; 39, 23-29; 40-48). Elegendo os Doze, introduzindo-os numa comunhão de vida com Ele e fazendo-os partícipes da sua própria missão de anúncio do Reino, com palavras e obras (Cf. Marcos 6, 7-13; Mateus 10, 5-8; Lucas 9, 1-6; Lucas 6, 13), Jesus quer dizer que chegou o tempo definitivo no qual reconstituiu o povo de Deus, o povo das doze tribos, que se converte agora num povo universal, a sua Igreja.

Com a sua própria existência, os Doze - vindos de origens diferentes - convertem-se no chamamento de todo o Israel à conversão, a deixar-se reunir na nova Aliança, cumprimento pleno e perfeito da antiga. Ao ter-lhes confiado a tarefa de celebrar o seu memorial na Ceia, antes da Paixão, Jesus mostrou que queria transferir para toda a comunidade na pessoa dos seus líderes o mandato de ser, na história, sinal e instrumento da reunião escatológica começada por Ele. Em certo sentido, podemos dizer que precisamente a Última Ceia é o ato de fundação da Igreja, pois Ele entrega-se a si mesmo e cria deste modo uma nova comunidade, uma comunidade unida na comunhão com Ele mesmo. Nesta perspectiva, compreende-se que o Ressuscitado lhes tenha conferido - com a efusão do Espírito - o poder de perdoar os pecados (Cf. João 20, 23). Os doze apóstolos são, deste modo, o sinal mais evidente da vontade de Jesus sobre a existência e a missão Igreja, a garantia de que entre Cristo e a Igreja não há contradição: são inseparáveis, apesar dos pecados dos homens que formam a Igreja. E, portanto, não pode conciliar-se com as intenções de Cristo um slogan que há alguns anos estava na moda: «Jesus sim, Igreja não». O Jesus individualista é um Jesus fantasia. Não podemos encontrar Jesus sem a realidade que Ele criou e na qual se comunica.

Entre o Filho de Deus feito carne e sua Igreja existe uma continuidade profunda, inseparável e misteriosa, em virtude da qual Cristo se faz presente, hoje, no seu povo. Cristo é, sempre, nosso contemporâneo; contemporâneo na Igreja constituída sobre o fundamento dos apóstolos, Ele está vivo na sucessão dos apóstolos. E esta Sua presença na comunidade, na qual Ele sempre se nos dá, é o motivo de nossa alegria. Sim, Cristo está conosco, o Reino de Deus vem até nós.

O escândalo dos Juízes na Bíblia

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 5:36 pm on Monday, April 21, 2008

O Livro dos Juízes, da Bíblia, pode causar muitas reações diferentes naqueles que o lêem. Como, por exemplo, Jefté – sendo escolhido por Deus – sacrificou a Ele sua única filha? Ou de onde vinha a força de Sansão? Seria mesmo através de seus cabelos? E por que Deus escolhia os piores para salvar seu povo? Enfim, os Juízes eram homens carismáticos e limitados. É sobre o mistério da força que os movia que desejo me aprofundar com você.

Primeiramente, é importante saber que o termo “juiz”, empregado no original do texto hebraico, quer dizer “aquele que comanda e que está á frente” e não um juiz que determina sentenças. Esses homens eram suscitados e movidos pelo Espírito Santo para libertar Israel de seus inimigos. No entanto, esse povo constantemente se esquecia de Deus e se envolvia com a idolatria e depois clamava ao Senhor para libertá-lo. Com a intervenção divina permaneciam fiéis por um curto espaço de tempo, até que acabavam praticando a idolatria novamente.

Muitas coisas interessantes poderiam ser aprofundadas sobre esse livro. Deixe sua sugestão para um outro tema presente neste livro, escreva-a depois no comentário abaixo.

Vamos ao tema: Qual era o perfil desses homens que comandavam o povo enquanto não havia rei em Israel? Primeiro: eram homens escolhidos por Deus, sem precisar de uma eleição humana na maioria das vezes. Segundo: eram homens combatentes, ou seja, guerreiros. Terceiro e mais importante aspecto: diante dos homens não possuíam destaque: ou eram os menores e os mais insignificantes do povo ou repletos de traumas e fraquezas humanas.

Alguns exemplos: Otoniel, o primeiro juíz mencionado, era o “caçula de Caleb” (cf. Jz 3,9); Aod era “canhoto” (cf. Jz 3,15); Débora era uma mulher (cf. Jz 4-5); Gedeão era desconfiado, medroso, pertencente ao clã mais pobre e também era o caçula de sua família (cf. Jz 6,11-15); para lutar com Gedeão, Deus escolheu os 300 piores homens do povo para trazer por meio deles a vitória a Israel (cf. Jz 7,1-8); Jefté era filho de uma prostituta (cf. Jz 11,1) e Sansão era forte nos músculos e fraco de coração. Vale a pena ler sua história (cf. Jz 13-16).

Deus se utilizou dos miseráveis para manifestar a misericórdia d’Ele ao povo; as misérias dos próprios líderes foi a força escolhida pelo Senhor para libertar o povo d’Ele. A fraqueza humana desses homens deixava claro que somente Deus poderia fazer o que era realizado por meio deles.

É complicado entender os atos errados dos líderes, mas é fácil compreender que Deus não se limita às fraquezas dos homens, porque elas foram escolhidas por Ele, o único perfeito. Um último aspecto: eram ousados, agiam com coragem porque eram fiéis ao que escutavam de Deus como missão para suas vidas. Na união com o Senhor encontravam a força de que precisavam. Não foi isso que Jesus nos ensinou? “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Contemplar o caminho do Natal no deserto de Judá, Nazaré e Belém

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 6:03 pm on Wednesday, December 19, 2007

Nós, da missão Canção Nova na Terra Santa, neste Natal, trazemos para você a graça de experimentar o caminho que Maria, Jesus e José fizeram até Belém. Reviver seus sentimentos, sua esperança, a expectativa que eles mantinham diante do nascimento do Salvador.

A rica espiritualidade desse acontecimento fez com que o deserto da vida de muitos se tornasse um lindo jardim.

José, seus sentimentos, como se comportou ao saber que sua noiva estava grávida, o homem santo escolhido para ser pai do Filho de Deus.

As montanhas de Belém, o caminho percorrido, a casa e a gruta, como eram as condições em que nasceu o Salvador.

Se nascer em você o desejo de vir contemplar estes lugares, entre em contato:

Peregrinação à Terra Santa em 2008

O que Jesus quis dizer na frase: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 4:48 pm on Wednesday, November 21, 2007

Muitos me perguntaram comentando o último artigo “Conheça a pedra do escândalo dita por Jesus!” a respeito do que Jesus quis dizer quando disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.

De fato, aqui a pedra referida é o próprio Pedro, a mudança de nome no judaísmo significa mudança de identidade e de missão.

No grego a palavra Kepha, significa a rocha sobre a qual se constrói uma casa, um edifício.

Aprofundando sobre este versículo, coloquei abaixo a explicação dada pela Bíblia de Jerusalém sobre este versículo:

“Nem a palavra grega Petros, e, ao que parece, nem o seu correspondente aramaico Kepha (rocha) eram usados como nome de pessoa antes de Jesus ter chamado assim o chefe dos apóstolos para simbolizar o seu papel na fundação da Igreja. Essa mudança de nome pode ter ocorrido mais cedo (cf. Jo 1,42; Mc 3,16; Lc 6,14). O termo semítico traduzido por ekklesia significa “assembléia” e ocorre frequentemente no AT para designar a comunidade do povo eleito, sobretudo no deserto (cf. Dt 4,10; etc.; At 7,38). Certos círculos judaicos que se consideravam o Resto de Israel (Is 4,3+) dos últimos tempos como, por exemplo, os essênios de Qumrã, o aplicaram ao seu próprio grupo. Tomando esse termo, Jesus o aplica à comunidade messiânica, cuja nova aliança ele irá estabelecer pelo derramamento do seu sangue (Mt 26,28+; Ef 5,25); empregando-o paralelamente à expressão “Reino dos Céus” (Mt 4,17+), indica que essa comunidade escatológica deve começar já na terra por uma sociedade organizada, cujo chefe institui (cf. At 5,11+; 1Cor 1,2+)”.

Concluindo, nesta passagem Jesus se refere a Simão, o qual recebe um novo nome Pedro. Sobre a autoridade conferida a este homem, a Igreja se alicerça e cresce.

Presença e ação do Espírito Santo na Igreja

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 1:26 pm on Thursday, October 25, 2007

Caro amigo apaixonado pela Palavra de Deus, aqui neste artigo exponho como acontece a intimidade com o Espírito Santo na vida da Igreja e de cada um de nós. Esta é a primeira parte, estarei aprofundando este argumento nos próximos artigos.

A primeira pergunta para nossa reflexão é:

Qual a ligação entre o Espírito Santo e a Igreja, entendida no seu duplo aspecto: histórico e mistério?

A Igreja é uma organização estruturada, há 2000 anos mantém uma visibilidade histórica que influênciou não pouco a história humana. Ao mesmo tempo é presença invisível do mistério salvífico de Deus na história humana, o qual atua na vida dos crentes.

Para responder essa questão, é necessário fixar-se em alguns pontos essenciais da história da Igreja:

*Nascimento

*Estruturação hierarquica, doutrinal e sacramental

*o seu desenvolvimento nos momentos de grandeza e nos momentos de fraqueza e crise

Nestes pontos essenciais se manifestam de maneira mais intensa a presença e a ação do Espírito Santo na Igreja.

1.    Como de fato nasce a Igreja que é a comunidade daqueles que crêem em Jesus de Nazaré?

Durante sua vida pública Jesus preparou o nascimento da Igreja: escolheu doze discípulos como representantes das doze tribus de Israel e os “constituiu” (Mc 3,14), como núcleo fundamental da nova comunidade, a qual colocou o discípulo Simão, que recebeu um novo nome: Pedro, Kephas (rocha, pedra), para indicar que ele seria a “pedra” sobre a qual Jesus edificaria a sua Igreja (Mt 16,16-18).

Durante os primeiros tempos do seu ministério, Jesus se dirigiu a todas as camadas da população Judaica, mas tem um cuidado particular no instruir o grupo mais restrito, o dos seus discípulos, revelando a eles abertamente, e não mais sob o véu das parábolas, “os mistérios do reino dos céus” (Mt 13,11). De modo particular, indicou-lhes os comportamentos essenciais da nova comunidade, querendo que fosse uma comunidade de serviço recíproco, de oração ao Pai que está nos céus, de perdão “até setenta vezes sete”, de compaixão para com os mais fracos, os “pequenos”, da comunidade, para com os quais deveria ser evitado qualquer escândalo (Mt 18,1-11).

Na vigília de sua paixão ele deixou aos seus discípulos o sacrifício do seu corpo e do seu sangue, como sacrifício da Nova Aliança, pedindo a eles que repetissem em sua memória, até seu retorno no fim da história humana, o gesto por ele realizado e em tal modo tornassem presente o seu sacrifício.Assim, durante sua vida terrena, Jesus colocou as bases de sua comunidade, a Igreja, constituída como tal por obra do Espírito Santo.

Essa verdade se apresenta após a ressurreição de Jesus: ele aparece várias vezes aos seus discípulos, reforça-lhes a fé em sua ressurreição e, sobretudo, “abriu a mente deles a inteligência das Escrituras”, fazendo com que eles compreendessem que ele, o Messias, deveria sofrer e ressuscitar dos mortos, e que no seu nome seria pregado a todos os homens a conversão e o perdão dos pecados; mas não os enviou imediatamente a pregar, antes lhes ordenou a permanecer em Jerusalém, “até que fossem revestidos do poder do alto” (cfr Lc 24,45-49). Ele enviará sobre eles, enquanto dispensador do Espírito, “aquilo que o meu Pai prometeu” (Lc 24,49).

Nos dias que antecederam Pentecostes vemos de modo antecipado os elementos essenciais da Igreja: antes de tudo está o grupo “constituído” dos Doze como núcleo essencial (tão essencial que com a ausência de Judas Iscariotes foi necessário reconstituir o grupo com a eleição de Matias a tomar o lugar do traidor Judas: e isto acontece por iniciativa de Pedro, que tem portanto a condução da pequena comunidade); ali está também Maria, a mãe de Jesus; há também um pequeno grupo de discípulos e discípulas entre os quais alguns parentes de Jesus.  Esses não estão somente “no mesmo lugar” (At 2,1), mas estão assíduos e unânimes na oração (At 1,14): formam portanto uma comunidade orante, mas não ainda a Igreja de Jesus.

Esta se manifesta publicamente quando no dia de Pentecostes, 50 dias depois da Páscoa, o Espírito Santo investiu a  pequena comunidade como um “vendaval impetuoso” e apareceu “línguas como de fogo que se dividiram e que pousaram sobre cada um deles”; e quando, sob a ação do Espírito Santo, do qual estavam “repletos”, os membros da comunidade falavam em línguas diferentes da língua materna de cada um, de modo que os judeus presentes em Jerusalém, mas vindos de diversas partes do mundo que vieram para festa hebraica de Pentecostes, ouviam cada um em sua própria língua nativa.

Enquanto não foi investida pela “potência” do Espírito Santo, expressa pelos símbolos do vento e do fogo”, a pequena comunidade dos discípulos de Jesus é uma comunidade “fechada”; sobretudo é uma comunidade “fraca”, incapaz de enfrentar um mundo hostil e de testemunhar, de frente a todos, que homens iníquos mataram Jesus de Nazaré, pregando-o em uma cruz, mas que Deus o ressuscitou dos mortos, constituindo-o “Senhor” e “Messias”.

Leandro César

Os segredos de Moisés e o Pentateuco

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 10:20 am on Friday, September 7, 2007

O que motiva um homem a revelar seus segredos? Pode existir segredos pessoais no relacionamento com Deus? Moisés, o único profeta que conheceu Deus “face a face”, ensina um caminho único na principal obra do Antigo Testamento, o Pentateuco.  Conhece-la é essêncial para quem deseja reviver a experiência desse homem de Deus.

Pelos judeus, a Lei é chamada de Torá, nos cultos nas sinagogas essa entra revestida de noiva, simbolizando a união nupcial que existe entre Deus e seu povo por meio da Palavra. A Torá é a sua identidade, foi ela quem moldou sua história até nossos dias.

Depois dessa breve pausa, voltemos a Moisés. Quando alguém lê o Pentateuco (Gêneses, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) se dá conta que ele várias vezes se dirige à “Tenda do Encontro”, e ali a “Glória de Deus repousava”.

O que eles conversavam?  Como acontecia a intimidade entre Deus e seu profeta?

Nada se pode dizer do “como” era esse encontro, o que se pode afirmar é que Moisés não buscava Deus para si mesmo, e sim para conduzir o povo, que pelo poder do Alto, retirou do Egito.

Entramos agora em uma das partes mais importantes deste artigo. Veja! Ele buscava ajuda para orientar e organizar o povo escolhido e Deus lhe respondia; onde estão esses ensinamentos, do que eles tratam, como entendê-los em nossos dias?

No Monte Sinai, localizado ao Sul da Península do Sinai no Egito, conhecido também como Horeb, Deus revelou os Dez Mandamentos. Durante 40 anos no deserto, Moisés entrava e saia da tenda e transmitia, em seguida, o que recebia. Foram esses ensinamentos orais que se tornaram depois Palavra de Deus escrita.

Agora entra uma questão importante: como os estudiosos atuais, dizem que os cinco primeiros livros da Bíblia, foram escritos somente séculos depois?

Muitíssimas são as teorias feitas pelos exegetas sobre esse tema, escrevo aqui o que a opião moderna afirma quase por unanimidade:

Os escritos e os ensinamentos de Moisés se tornaram um tradição conservada pelo povo ou de forma oral ou em pequenos fragmentos não reunidos de modo ordenado entre si. Essa forma que encontramos hoje veio séculos depois de Moisés em um período chamado pós-exílio. Foi um tempo onde o povo Judeu, após ter sido expulso de sua terra, a ela retorna tendo que reconstruir-se e reorganizar-se. O Templo, as muralhas e a cidade de Jerusalém estavam destruídos e precisavam ser reerguidos. Ou seja, eles estavam começando tudo de novo.

Esse tempo de exílio fez com que o povo, após a experiência de perder tudo, quero dizer: eles se apoiavam na presença de Deus no Templo, e o tempo foi destruído;  na promessa da Terra Prometida e a perderam, perderam portanto, seus sonhos, sua esperança; enfim, tudo em que pudessem se sustentar como povo.

Estamos diante de uma chave de leitura importante para compreender os principais livros do Antigo Testamento:

O povo voltando do exílio deveria voltar às suas raízes, a própria volta a Terra Prometida foi um momento de encontro com a Misericórdia divina. Eles precisavam assumir a identidade de povo escolhido, assumir o único Deus como seu Senhor , que os salvava novamente, e assumir seus mandamentos como a fonte de sua felicidade.

E foi assim que fizeram, os chefes do povo retomaram as tradições que possuiam e diante das necessidades presentes as  ordenaram em cinco livros. Esse processo de formação tanto dos livros quanto da nação foi também aos poucos.

Toda essa breve explicação do que foi esse período chamado pós-exílio, é para demonstrar que é tendo diante dos olhos essa nova fase de sua história que se pode encontrar um autêntica interpretação desses cinco livros.

“Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força.”(Dt 6,4)

Os segredos de Moisés tornaram-se públicos para que você o encontrasse como a única riqueza de sua vida. O Pentateuco é para todo aquele que deseja descobri o mesmo Deus que falava “face a face” com Moisés, ele é para reordenar as vidas desordenadas, para conduzir  a santidade, ao encontro com Deus, com a Igreja e consigo mesmo aqueles que estão sem esperança e direção.

O Pentateuco tem na promessa da terra feita a Abraão, um grande motivo para a esperança do povo, pois eles marchavam em direção a ela, ele se conclui, mas não com a entrada nela.

Aqui há um ensinamento importante:

A Terra Prometida é vista por Moisés, ele não entra nela, sobre o Monte Nebo ele morre e quem entra com o povo é Josué. Essa entrada está escrita no livro de Josué,  foi por meio dele que o povo entrou.

Josué é o mesmo nome de Jesus em aramaico. Jesus é o novo Josué!

Nessa mesma região Jesus é batizado por João no rio Jordão, local onde começa a conquista da Terra Prometida. Jesus anuncia o Reino dos céus que é a verdadeira Terra Prometida. Com sua morte e Ressurreição ele nos insere nela.

Jesus, o novo Moisés, ensina que agora a Tenda do Encontro está dentro de cada batizado. A Glória é a presença dele mesmo dentro de nós, a vivência do Pentateuco é um caminho para vê-lo face a face. O passo agora é ler esses livros e deixar-se encontrar.

Texto:  Leandro César

Fotos: Willieny da Silva

Contato: terrasanta@cancaonova.com

Os segredos de Moisés e o Pentateuco

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 9:48 am on Friday, September 7, 2007

O que motiva um homem a revelar seus segredos? Pode existir segredos pessoais no relacionamento com Deus? Moisés, o único profeta que conheceu Deus “face a face”, ensina um caminho único na principal obra do Antigo Testamento, o Pentateuco.  Conhece-la é essêncial para quem deseja reviver a experiência desse homem de Deus.

Pelos judeus, a Lei é chamada de Torá, nos cultos nas sinagogas essa entra revestida de noiva, simbolizando a união nupcial que existe entre Deus e seu povo por meio da Palavra. A Torá é a sua identidade, foi ela quem moldou sua história até nossos dias.

Depois dessa breve pausa, voltemos a Moisés. Quando alguém lê o Pentateuco (Gêneses, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) se dá conta que ele várias vezes se dirige à “Tenda do Encontro”, e ali a “Glória de Deus repousava”.

O que eles conversavam?  Como acontecia a intimidade entre Deus e seu profeta?

Nada se pode dizer do “como” era esse encontro, o que se pode afirmar é que Moisés não buscava Deus para si mesmo, e sim para conduzir o povo, que pelo poder do Alto, retirou do Egito.

Entramos agora em uma das partes mais importantes deste artigo. Veja! Ele buscava ajuda para orientar e organizar o povo escolhido e Deus lhe respondia; onde estão esses ensinamentos, do que eles tratam, como entendê-los em nossos dias?

No Monte Sinai, localizado ao Sul da Península do Sinai no Egito, conhecido também como Horeb, Deus revelou os Dez Mandamentos. Durante 40 anos no deserto, Moisés entrava e saia da tenda e transmitia, em seguida, o que recebia. Foram esses ensinamentos orais que se tornaram depois Palavra de Deus escrita.

Agora entra uma questão importante: como os estudiosos atuais, dizem que os cinco primeiros livros da Bíblia, foram escritos somente séculos depois?

Muitíssimas são as teorias feitas pelos exegetas sobre esse tema, escrevo aqui o que a opião moderna afirma quase por unanimidade:

Os escritos e os ensinamentos de Moisés se tornaram um tradição conservada pelo povo ou de forma oral ou em pequenos fragmentos não reunidos de modo ordenado entre si. Essa forma que encontramos hoje veio séculos depois de Moisés em um período chamado pós-exílio. Foi um tempo onde o povo Judeu, após ter sido expulso de sua terra, a ela retorna tendo que reconstruir-se e reorganizar-se. O Templo, as muralhas e a cidade de Jerusalém estavam destruídos e precisavam ser reerguidos. Ou seja, eles estavam começando tudo de novo.

Esse tempo de exílio fez com que o povo, após a experiência de perder tudo, quero dizer: eles se apoiavam na presença de Deus no Templo, e o tempo foi destruído;  na promessa da Terra Prometida e a perderam, perderam portanto, seus sonhos, sua esperança; enfim, tudo em que pudessem se sustentar como povo.

Estamos diante de uma chave de leitura importante para compreender os principais livros do Antigo Testamento:

O povo voltando do exílio deveria voltar às suas raízes, a própria volta a Terra Prometida foi um momento de encontro com a Misericórdia divina. Eles precisavam assumir a identidade de povo escolhido, assumir o único Deus como seu Senhor , que os salvava novamente, e assumir seus mandamentos como a fonte de sua felicidade.

E foi assim que fizeram, os chefes do povo retomaram as tradições que possuiam e diante das necessidades presentes as  ordenaram em cinco livros. Esse processo de formação tanto dos livros quanto da nação foi também aos poucos.

Toda essa breve explicação do que foi esse período chamado pós-exílio, é para demonstrar que é tendo diante dos olhos essa nova fase de sua história que se pode encontrar um autêntica interpretação desses cinco livros.

“Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força.”(Dt 6,4)

Os segredos de Moisés tornaram-se públicos para que você o encontrasse como a única riqueza de sua vida. O Pentateuco é para todo aquele que deseja descobri o mesmo Deus que falava “face a face” com Moisés, ele é para reordenar as vidas desordenadas, para conduzir  a santidade, ao encontro com Deus, com a Igreja e consigo mesmo aqueles que estão sem esperança e direção.

O Pentateuco tem na promessa da terra feita a Abraão, um grande motivo para a esperança do povo, pois eles marchavam em direção a ela, ele se conclui, mas não com a entrada nela.

Aqui há um ensinamento importante:

A Terra Prometida é vista por Moisés, ele não entra nela, sobre o Monte Nebo ele morre e quem entra com o povo é Josué. Essa entrada está escrita no livro de Josué,  foi por meio dele que o povo entrou.

Josué é o mesmo nome de Jesus em aramaico. Jesus é o novo Josué!

Nessa mesma região Jesus é batizado por João no rio Jordão, local onde começa a conquista da Terra Prometida. Jesus anuncia o Reino dos céus que é a verdadeira Terra Prometida. Com sua morte e Ressurreição ele nos insere nela.

Jesus, o novo Moisés, ensina que agora a Tenda do Encontro está dentro de cada batizado. A Glória é a presença dele mesmo dentro de nós, a vivência do Pentateuco é um caminho para vê-lo face a face. O passo agora é ler esses livros e deixar-se encontrar.

Texto:  Leandro César

Fotos: Willieny da Silva

Contato: terrasanta@cancaonova.com

O que leva um homem a seguir Jesus?

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 9:52 pm on Thursday, August 30, 2007

Olhando os primeiros chamados, podemos nos surpreeder com a resposta que eles deram ao encontro com Jesus. Primeiro parte dele é ele quem escolhe; em seguida vem a parte do homem que o acolhe ou não. A resposta de cada um parte de dentro, de sua liberdade. Portanto, estamos tratando aqui não de um simples artigo informativo, e sim de uma reflexão de algo que acontece no mistério mais profundo do ser humano. Esse questionamento é importante, pois pode ajudá-lo a saber se de fato, está seguindo o Filho de Deus ou não.

A primeira escolhida para seguir Jesus foi sua própria mãe, ela não o viu para crer, nem o tocou nem o sentiu,  o que a levou a crer que seu filho era seu Deus?

Ela estava em sua casa, o anjo Gabriel aparece e lhe diz que ela será a mãe do “Filho do Altíssimo”, do Messias anunciado e esperado pelo povo de Israel. Ela pergunta como será isso e o anjo responde: “O Espírito Santo virá sobre ti, por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus”.

Maria, provavelmente não assimilou todo o conteúdo contido nas palavras do anjo, mas o Espírito Santo, a levou a crer, ela teve sua parte: ela não poderia negar que a experiência celeste que estava tendo era real. Como já acreditava na existência de um único Deus, vendo que Ele mesmo era o autor do que estava acontecendo, se rendeu a Palavra lhe trasmitida e disse sim. Ela começou a conhecer Jesus depois, quando ele começou a se mexer em seu ventre.

A Palavra acolhida gerou a fé em Maria.

Simeão, o “homem justo e piedoso que vivia em Jerusalém e que tomou Jesus em seus braços”, também teve uma experiência: “fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor”. Quando ele, movido pelo Espírito, vê naquele menino, visivelmente igual a qualquer outro, o Messias, ele diz que poderia ir em paz porque viu a Salvação.

Simeão acreditou por meio da oração.

E o primeiro papa, Pedro, como acreditou?

“E ele disse a Simão: ‘Faze-te ao largo; lançai vossas redes para a pesca’. Simão respondeu: ‘Mestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar; mas, porque mandas, lançarei as redes”.

As redes se encheram, “à vista disso, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: ‘afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador”, assim juntamente com Tiago e João, “reconduzindo os barcos à terra e deixando tudo, eles o seguiram”.

Aparentemente, era um simples homem cheio do Espírito Santo ou um profeta que estava frente a eles, esse milagre não revelava em si mesmo,  que Jesus era o Filho de Deus; embora fosse por meio desse sinal que eles reconheceram a presença de Deus. Algo interior, portanto, os impelia àquele homem, o sinal externo só veio a acrescentar, a confirmar.

Foi o Espírito Santo quem gerou neles esse impulso, eles disseram sim com a vida, deixaram tudo e o seguiram. A fé deles era ainda imperfeita, foi somente com o passar do tempo e principalmente com a morte e com a Ressurreição, que eles chegaram a compreender quem Jesus verdadeiramente era.

Cada encontro com o homem-Jesus, é um encontro com o Deus-homem, esse  é simples, acontece dentro de cada um, mais do que em sinais externos. Vemos isso nas curas e nos milagres de Jesus, “tua fé te salvou” por isso, “levanta e anda”, “veja”, “fale”, “escute”, “ressuscita”. Ele aparece,  vê a necessidade de amor mais profunda de cada um, a preenche, daí a pessoa sentindo-se amada reconhece que só neste homem ela se encontra, se torna feliz. Com isso a “ficha cai” e como o apóstolo Tomé,  se rende reconhecendo-o:  “meu Senhor e meu Deus”.

Comigo aconteceu a mesma coisa:

Estava infeliz, algo me impulcionou a ir a um encontro de oração, eu estava seguindo o protestantismo embora frequentasse a Igreja Católica. É uma longa história, mas o importante é isso: nesse encontro clamei a Jesus que, se ele fosse vivo na eucaristia que eu tivesse um encontro pessoal com Ele, e isso aconteceu! Senti-me profundamente amado, depois no dia-a-dia percebi que ele me amava cuidando de mim nas pequenas coisas.

A partir daí comecei a seguí-lo, mas como seguí-lo se não o vejo? Descobri que um seguimento concreto só pode acontecer na Igreja onde ele está: nos sacramentos, na Palavra, na comunidade. Somente assim, procurando a vontade dele no trabalho, na Igreja, na Palavra e no serviço,  que encontrei meu lugar: serví-lo dentro da Comunidade Canção Nova.

E você, já viveu uma experiência pessoal com Jesus? Caso ainda não, saiba que ele quer mais do que você, basta suplicar e ele responderá! Talvez você esteja na Igreja por costume e não por convicção, isso significa que você nunca o seguiu de verdade. Seguí-lo é deixar o pecado e abraçar a cruz,  pois essa é a escada subida também por ele.

Enfim, o que leva um homem a seguir Jesus?

O Espírito Santo gera o desejo de encontrá-lo, suscita acontecimentos que o faz  conhecê-lo. Daí vem a parte do homem de abrir-se ao encontro e dizer sim: eu o reconheço como meu Deus e quero seguí-lo fazendo a sua vontade.

Depois disso vem a história mais fascinante que se pode contar! A sua história de Salvação pessoal! Tudo porque o amor de Cristo o conquistou e você se deixou conquistar.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

contato: terrasanta@cancaonova.com

Uma presença escondida é descoberta através do Egito

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 11:05 pm on Tuesday, August 7, 2007

“Do Egito chamei o meu filho”. Vemos neste versículo duas afirmativas implícitas: “No Egito, deixei meu filho” e “do Egito saiu o meu filho”. Na história da Salvação, o Egito foi ora lugar de refúgio, ora de libertação, ora fonte de crescimento e ora de rejeição. Aqui apresento em síntese sua relação com o povo de Israel. O ensinamento que podemos extrair daí é muito rico, então tenha paciência, valerá a pena chegar a conclusão deste texto.

 

Durante séculos, o Egito foi uma super-potência econômica, militar e cultural; até hoje são inesquecíveis seus famosos momumentos como as tumbas dos faraós, o papiro e a cultura por eles deixada. Nos períodos de carestia, ou seja de necessidade absoluta, onde nos povos vizinhos não havia nem mesmo alimento, foi a ele que muitos buscaram refúgio para salvaguardar suas vidas. Esse foi o caso de Abraão (Gn 12,10-20), de José e seus irmãos (Gn 37ss) e inclusive da Sagrada Família.

Também, foi  o palco de grandes manifestações de Deus a seu povo; o Êxodo com suas pragas, a morte dos primogênitos e a travessia do Mar Vermelho, são fatos que continuam vivos até hoje na mente e no coração do povo judeu.

Agora vamos nos aprofundar nesses acontecimentos.

Observação importante: Lembre-se que estou vendo com você uma chave de leitura para compreender melhor, o modo como Deus fala a seu povo e o conduz, portanto reler esses textos em seguida com sua Bíblia será muito útil para seu crescimento pessoal e principalmente o ajudará a amar mais a Deus e sua Palavra. Essa é a finalidade!

 Ok, vamos voltar ao essencial.

Primeiramente é importante saber que no Oriente Antigo, o modo de narrar os acontecimentos era diferente daquele que utilizamos hoje, focalizando os acontecimentos em si mesmos, suas datas e personagens. Para eles era necessário focalizar o sentido dos acontecimentos, sua ideologia, sua interpretação. Tudo isso para ilustrar melhor a presença de um personagem ou de uma divindade.

 Com os autores Bíblicos não foi diferente, como pessoas humanas escreveram as passagens com a intenção de demonstrar a presença de Deus em cada fato.

Voltando ao passado, Israel estava situado entre duas grandes civilizações: o Egito ao sul e a Mesopotâmia ao norte. Segundo a cronologia que a Bíblia nos dá, os patriarcas foram para o Egito no século XIX a.C, alí permaneceu por 430 anos (Ex 12,40).

É essencial destacar o fato que os Patriarcas ( Abraão: Gn 12,10; depois José e os outros filhos de Jacó, inclusive Jacó mesmo: Gn 37ss) desceram ao Egito para sobreviver em tempo de carestia. 

Além deles Jeremias e a Sagrada Família buscaram refúgio. Isso comprova que o país não é somente “Terra de Escravidão”, como se pode ver em outras passagens bíblicas.

José, filho de Jacó, vendido como escravo para o Egito, foi colocado como “chefe da casa do Faraó”, e em seguida pelo próprio Faraó, foi “estabelecido sobre todo o país”(Gn 41,40-41) com o objetivo de recolher víveres diante da carestia.

Na XVIII dinastia é atestado que, de fato, um alto funcionário foi “colocado à frente da grande Casa do Senhor das Duas Terras”, com tarefas especiais em certas circunstâncias de emergência.“e o Faraó tirou o anel de sua mão e o colocou na mão de José, e o revestiu com vestes de linho fino e lhe pôs no pescoço o colar de ouro. Ele o fez subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e gritava-se diante dele ‘Abrec’.

Assim foi ele preposto a toda a terra do Egito”. (Gn 41,42-43).

O fundo histórico, no qual é apresentado o modo como eram investidos os altos funcionários, foi escrito segundo uma perspectiva sapiencial, demonstrando que o Deus de Israel guia os acontecimentos humanos, dirigindo os homens e os fatos segundo o seu plano. A história de José é um dos relatos mais claros neste sentido.

Agora vamos avançar 430 anos na história. Um fato importantíssimo aconteceu: o povo estava sendo escravizado e Deus decide libertá-lo, para isso escolhe Moisés.

O primeiro prodígio operado através dele foi o bastão transformado em serpente. Foi encontrado um relato popular neo-egiziano no qual se fala de um crodilo de cera que jogado na água se tornou um animal verdadeiro.

O pedido dos israelitas de ir ao deserto para sacrificar ao Deus deles, encontra paralelos na prática egípcia. Temos diários onde estão narradas diversas permissões concedidas a trabalhadores; entre os motivos assinalados está o de “fazer uma oferta a deus”, ou “ao próprio deus”.

As próprias pragas referem-se a fenômenos naturais característicos do Egito. O relato bíblico enfatiza que essas acontecem exatamente no tempo predito por Moisés, em nome de Javé e em um modo extraordinário. Javé se demonstra assim, senhor do equilíbrio ecológico do país do qual eram responsáveis o rei e os deuses da dinastia.

Olhando séculos depois, vemos o grande rei Salomão empreendendo construções e inclusive organizando seu governo segundo o modelo egípcio. Mais tarde institui escolas, promove a literatura sapiencial, que encontramos na Bíblia, baseando-se também na maneira em que eram treinados os funcionários do faraó.

Esses são alguns exemplos de como a cultura egípcia influenciou o povo de Israel.

Mas onde está a importância de tudo isso? Você pode até se perguntar, o que eu posso aproveitar dessas coisas?

Deus se serve da história para se revelar. Através dos acontecimentos podemos ver seu amor e sua presença no governo das nações e de nossa vida. Ele inseriu o homem no mundo, por isso o produto de sua inteligência, sua criatividade e beleza não devem serem vistos como contrários a Deus.

Pelo contrário, vemos que ele se serviu daquilo que o povos vizinhos de Israel produziram de bom, para formar e conduzir seu povo. Da mesma forma, ele quer que estejamos cada vez mais inseridos no mundo, aproveitando aquilo que existe de bom, de justo, de louvável.

O místico não é aquele que se destaca do mundo, mas que nele com seu criador. Deus se revela nas coisas ordinárias, no trabalho, nos relacionamentos, nos acontecimentos.

Ninguém vê o ar que respira, porém sabe que ele está e que não pode viver sem ele. Da mesma forma, não vemos Deus na história, mas é possível constatar que ele está no meio de nós.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

Nas origens do sacerdócio cristão

Filed under: Aprofundamento — Leandro at 11:36 pm on Wednesday, August 1, 2007

Para que pensar no sacerdócio do Antigo Testamento? Essa pode ser sua primeira pergunta ao ler o título deste texto. O sacerdócio na Igreja possui bases na cultura judaica, compreender suas origens mais profundas, é descobrir o quanto Deus ama seu povo a ponto de escolher cada batizado como “mediador de salvação em Cristo”, e os ministros ordenados como pontes de Salvação, ou seja, àqueles que ligam o céu nesta terra.

Olhando para as religiões mais antigas encontramos sacerdotes em diversas culturas, como nos povos súmerios onde esses realizavam o culto nús; no Egito, empreendendo tanta influência no povo e na economia do país, a ponto de confrontarem-se inclusive com a soberania do Faraó; em Israel, mantendo no coração do povo o amor e a fidelidade ao Deus único.

O primeiro a exercer oficialmente o ofício sacerdotal em Israel foi Aarão, a ele coube a função de Sumo Sacerdote. Sua descendência formou famílias consagradas por Deus para o serviço do culto, da Lei e da instrução no meio do povo.

Essas eram as funções que eles exerciam: o oráculo, a lei e o culto.

O oráculo era o modo de apresentar a vontade de Deus, a lei era como sistematizar essa vontade para determinado tempo, e  o culto consistia no sacrifício de animais em vista do perdão dos pecados e da adoração a Deus.

Exerciam esse ministério quem era pertencente a tribo de Levi ou aos descendentes de Aarão. Portanto, era de direito hereditário. Com o passar dos séculos, o Sumo Sacerdote passou a ser adquirido sem essa exigência por várias situações sociais, e muitas vezes por questões políticas.

O Sumo Sacerdote era a pessoa mais respeitada no interior da comunidade judaica. Ele era o único que entrava no Santo dos Santos, lugar situado no interior do Templo onde residia a presença de Deus. Ele adentrava nesse local santo uma vez por ano, em ocasião da Festa da Expiação, para oferecer sacrifício pelos seus pecados e pelos pecados de toda a nação.

Os judeus acreditam que é nesta festa que Deus dá seu perdão ao povo de modo especial.

Seja nessa Festa chamada também de Yom Kippur, ou nos sacrificios ordinários, os sacerdotes eram aqueles que levavam o povo à presença de Deus também pelo ensino, sua omissão fez com que Deus se pronunciasse várias vezes através dos profetas contra eles.

“O meu povo se perde por falta de conhecimento”.

Jesus, o Sumo Sacerdote, constituiu o povo de batizados, um povo sacerdotal. Uma vez por todas salvou a humanidade pelo seu sangue, sendo ele mesmo a vítima de expiação pelo mundo inteiro. Agora não é mais por hereditariedade que um se torna sacerdote, mas pela água do Batismo. Por ele o cristão, unido ao único sacrifício de Cristo, torna-se, nele, mediador de Salvação para o mundo inteiro.

Dentro da Igreja, Deus escolheu alguns para o ministério ordenado, constituindo-os pontes do mistério da Salvação, pois é através deles que o único Mediador se torna presente na eucaristia, seu perdão se atualiza no sacramento da reconciliação e sua força no governo da Igreja, no ensino e no serviço da caridade.

Leandro César

Canção Nova - Terra Santa

Contato: terrasanta@cancaonova.com