PAPA ENCERRA POLÊMICA SOBRE POVOS INDÍGENAS
O Papa Bento 16 pôs hoje uma “pedra” em cima da polêmica levantada sobre suas palavras em relação à evangelização das populações indígenas na abertura da Conferência de Aparecida. Bento 16, em sua catequese semanal, referiu-se à viagem como de luzes e sombras sociais e religiosas. O Papa considerou que “não podemos esquecer as sombras” que acompanharam a evangelização da região, na altura da colonização. Lembrando os “sofrimentos e injustiças” impostas às populações indígenas, o Santo Padre informou que as mesmas tinham sido atingidas nos seus Direitos Humanos fundamentais.
A polêmica ganhou maior destaque após o envolvimento no caso do presidente venezuelano Hugo Chávez, que na semana passada chegou a exigir uma retratação do Bispo de Roma. Os críticos alegavam que o Papa Joseph Ratzinger tinha omitido em seu discurso os massacres aos indígenas.
O pronunciamento de Bento 16 aos bispos Latino-americanos foi extenso, mas mesmo assim seria impossível tratar de todos os temas e em todos os aspectos. No entanto, em nenhum momento, o que foi dito pelo Papa contradisse as posturas adotadas por João Paulo II que chegou a pedir perdão pelos erros cometidos no passado com relação aos povos indígenas. Não era um discurso em um encontro com representantes destes povos. As palavras estavam em um outro contexto e, se relidas nesta perspectiva, mostram inclusive um respeito a estas culturas e o reconhecimento da presença nelas de sementes divinas que proporcionaram uma rica religiosidade popular.