Foi um discurso rico. Com muitos pontos importantes, o que torna difícil excluir partes. Se o faço agora, é no sentido de chamar a atenção ao todo, como incentivo a uma leitura integral e atenta das palavras de Bento 16 à juventude Latino-Americana.
O Santo padre começa nos cativando, querendo dar um “abraço bem brasileiro” e relembrando um discurso do querido João Paulo II no Mato Grosso: os “jovens são os primeiros protagonistas do terceiro milênio [...] são vocês que vão traçar os rumos desta nova etapa da humanidade”.
A partir de toda energia e entusiasmo juvenil propõe logo o máximo: “nunca podemos dizer basta, pois a caridade de Deus é infinita e o Senhor nos pede, ou melhor, nos exige dilatar nossos corações para que neles caiba sempre mais amor, mais bondade, mais compreensão pelos nossos semelhantes e pelos problemas que envolvem não só a convivência humana, mas também a efetiva preservação e conservação da natureza, da qual todos fazem parte”. E justifica tanta expectativa: “a vida em vós é exuberante e bela”.
Como bom professor, Joseph Ratzinger ensina: “diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes uma vida que desejamos seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar em vão, não a desperdiceis. Vivei com entusiasmo, com alegria, mas, sobretudo, com senso de responsabilidade”.
Depois, ressalta suas preocupações: “muitas vezes sentimos trepidar nossos corações de pastores… Ouvimos falar dos medos da juventude de hoje. Revelam-nos um enorme déficit de esperança: medo de morrer, num momento em que a vida está desabrochando e procura encontrar o próprio caminho da realização; medo de sobrar, por não descobrir o sentido da vida; e medo de ficar desconectado diante da estonteante rapidez dos acontecimentos e das comunicações. Registramos o alto índice de mortes entre os jovens, a ameaça da violência, a deplorável proliferação das drogas que sacode até a raiz mais profunda a juventude de hoje”.
Mas, diante das dificuldades, não perde a esperança neles. Pelo contrário, propõe-lhes que assumam a tarefa de ser os apóstolos dos jovens: “convidai-os para que venham convosco, façam a mesma experiência de fé, de esperança e de amor; encontrem-se com Jesus, para se sentirem realmente amados, acolhidos, com plena possibilidade de realizar-se…”
Reforça os apelos da Igreja pela vida e pela família: “sede homens e mulheres livres e responsáveis; fazei da família um foco irradiador de paz e de alegria; sede promotores da vida, do início ao seu natural declínio”… “O Papa espera que saibam ser protagonistas de uma sociedade mais justa e mais fraterna, cumprindo as obrigações… Não se deixando levar pelo ódio e pela violência; sendo exemplo de conduta cristã no ambiente profissional e social, distinguindo-se pela honestidade… Tenham em conta que a ambição desmedida de riqueza e de poder leva à corrupção pessoal e alheia…”
E, antes de terminar, falou também de sexualidade: “tende, sobretudo, um grande respeito pela instituição do Sacramento do Matrimônio… Procurai resistir com fortaleza às insídias do mal existente em muitos ambientes, que vos leva a uma vida dissoluta, paradoxalmente vazia, ao fazer perder o bem precioso da vossa liberdade e da vossa verdadeira felicidade…”
Depois o Papa Bento 16 concluiu: “não desperdiceis vossa juventude. Não tenteis fugir dela. Vivei-a intensamente. Consagrai-a aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana… A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada… Queridos jovens, Cristo vos chama a serem santos. Ele mesmo vos convoca e quer andar convosco, para animar com Seu espírito os passos do Brasil neste início do terceiro milênio da era cristã”.