PAGO MAIS

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:37 pm on terça-feira, julho 24, 2007

        Fiquei surpreso nas primeiras vezes que andei de avião. Sou do interior, de família de classe média baixa, e meu primeiro vôo foi só aos 26 anos. Acostumado a andar de ônibus, espantei-me com a baixa qualidade do serviço. Esperava um atendimento vip, pois no fundo também achava que voar era “coisa de rico”; sentia-me uma exceção ao voar a serviço… Primeiro desapontamento foi com os atrasos: era comum o vôo atrasar mais de uma hora e já cheguei a esperar por mais de três horas. Hoje, com essa crise, esse atraso parece “café pequeno”. O que mais irrita numa situação assim é a falta de informação. Você se sente totalmente abandonado. Após os primeiros vôos não ia para viagens sem um bom livro. Chegava a ler um inteiro só nas esperas de uma ida e volta.

        Por muito menos já se viu ônibus incendiado. Mas no setor aéreo a polícia é chamada para conter quem perdeu a paciência depois de ter perdido uma conexão, um compromisso, ou simplesmente a oportunidade da viagem funcionar como um descanso, um lazer no período de férias.

         Querem agora aumentar as passagens aéreas para garantir uma maior segurança. O que estavam esperando para isso? Desde quando insegurança era fator de desconto? Pago mais para que as obras nas pistas dos aeroportos sejam bem planejadas, bem feitas e não tenham que terminar antes das férias… Pago mais para que se construam novos aeroportos e para que políticos não cedam à especulação imobiliária, permitindo construções que encurtam ainda mais os ângulos de pousos… Pago mais para que as manutenções das aeronaves sejam as mais rígidas possíveis, como imaginávamos que fossem… Pago mais para que vôos não tenham tantas conexões, obrigando alguém de São Paulo a esperar um avião que vem de Porto Alegre para ir para Brasília. Se for época de frio, de nevoeiro, o atraso é óbvio… Pago mais para que a iniciativa privada entre no setor e se possa superar mais rapidamente o déficit entre a necessidade de vôos e o oferecido. O país cresceu e o setor não teve o investimento necessário. Aliás, nesse caso já pagamos mais há muito tempo, com impostos abusivos, que, no entanto, não se converteram suficientemente em estruturas de desenvolvimento. Foram, muitas vezes, cortados do orçamento. Não eram prioridades? Só se eleitorais…

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