O DESASTRE E O GOVERNO
Editorial desta quarta do jornal “O Estado de São Paulo” compara a ação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da tragédia da semana passada em Congonhas com a de outras autoridades internacionais em situações semelhantes. Cita, por exemplo, o comportamento de Bill Clinton após acidente aéreo nos Estados Unidos em 1996 que vitimou 230 pessoas. Lá, também, nas horas que seguiram ao desastre sobressaiu a desinformação, levando os familiares ao desespero e raiva. Sentimentos, segundo o editorial, transformados em quieta resignação após serem visitados pelo próprio presidente que abraçou um a um. Aqui, nosso pior desastre com avião registrou a distância do Palácio do Planalto. Atolado em uma crise aérea que já dura dez meses, seria mesmo temerosa a presença de nosso presidente. Com certeza a reação dos que tiveram suas vidas despedaçadas seria bem maior do que as vaias do Maracanã…
A imobilização do governo, no entanto, começa a ser desfeita. Depois da “porta arrombada” vão acrescentar medidas de segurança na pista quase reformada de Congonhas e limitar ali o número de pousos. Finalmente, também, estão trocando o ministro da Defesa. Waldir Pires se transformou nos últimos tempos numa espécie de fantasma do governo, ausente nas decisões, nas reuniões, nas coletivas. Perdeu a oportunidade de se demitir e foi sendo cozido em “banho Maria”, à maneira de Lula, que notoriamente tem dificuldades em demitir seus companheiros. Chega Nelson Jobim. Relutou a aceitar o cargo. Recentemente se sentiu abandonado pelo Planalto na disputa pela presidência do PMDB. É um nome de respeito, com grande experiência. Foi ministro da Justiça e presidente do Supremo. Agora terá que descascar o “abacaxi” que o governo até o momento evitou. Tomara que tenha êxitos…