HALLOWEEN

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 5:30 pm on quarta-feira, outubro 31, 2007

        Dia das bruxas. É fácil encontrá-las. É só ligar a TV. Estão lá, especialmente hoje. Quase todas as séries ou desenhos animados têm episódios reservados ao Halloween, como têm de natal. Aí chega 31 de outubro e dá-lhe bruxarada.

        Antigamente bruxa era sinônimo do mal. Hoje bruxo é quem tem poderes sobrenaturais. Podendo usar para o bem ou para o mal… Tem muita gente, então, querendo ser mago, buscando segredos da natureza, do mundo espiritual. Buscam também no tesouro cristão, nos dons do Espírito. Como aquele episódio narrado nos Atos dos Apóstolos. O mágico ofereceu dinheiro querendo ter poderes… Pedro ficou furioso: …“Não terás direito nem parte alguma neste ministério, já que teu coração não é puro diante de Deus”.

        A ação de Deus está escondida no serviço. A doação é o antídoto para a magia. Dons surgem a partir da necessidade dos outros, não por caprichos pessoais. Não são desenvolvidos, incorporados ou possuídos. Cuidado para não buscar as coisas espirituais esotericamente, pelo poder em si. Abismados com milagres, mas descompromissadamente. Uma fé interesseira, de segundas intenções, com você no centro. Como se vê, não só em caldeirões se encontram poções que nos enganam…

URUBUS

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:34 pm on quarta-feira, outubro 31, 2007

        Urubus. Impressionante como têm. Pessoas que ao invés de quererem o bem, torcem pelo mal. Esperam o pior, de olho na carniça. Riem do choro alheio. Pimenta no olho do outro lhe é refresco. Raça danada. Urubus.

        Cristo era diferente. Pedia para chorar com os que choram. Sorrir com os que estão felizes. Em outras palavras: ser solidário, amigo, não aproveitador. Ser misericordioso, não querer pisar no outro para se beneficiar.

         Um episódio pessoal não pode anular toda uma luta pelos direitos humanos. Seja qual for a realidade, não se pode jogar fora o esforço para recolocar a criança “perdida”, o braço estendido para as pequenas vítimas da AIDS, o teto para quem só lhes restou a rua. Você sabe do que estou falando… Ore ao invés de criticar. Essa situação é dolorosa. Não é um grupo que está sendo prejudicado. Não é uma igreja que está sendo atingida. Somos ou não parte do corpo de Cristo? Então, por que tem dedo gostando de ver a ferida na perna?

QUEIJO ADULTERADO

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:05 pm on terça-feira, outubro 30, 2007

            Depois do leite, o queijo. Polícia apreende aproximadamente 16 toneladas de mussarela em Uberaba, Minas Gerais. Detalhe: a empresa comprava o produto na véspera de sua data de validade, ou mesmo já vencido, e o reembalava com maior prazo. Foram encontradas no depósito embalagens usadas de várias marcas do estado de Goiás e Minas. Os queijos, que também não apresentavam embalagem a vácuo, como é exigido para produtos com validade maior do que 90 dias, voltariam ao mercado com o nome de mussarela “Triângulo Mineiro”, com vencimento para janeiro de 2008. Alguns queijos já estavam se deteriorando, outros apresentando fungos.

        A que ponto chega a malandragem! Falta fiscalização. Tem fiscalização fajuta. Tem morosidade da justiça. Traduz-se tudo isso pela palavra impunidade. O inescrupuloso faz as contas e percebe que dificilmente será pego. Como lhe falta caráter, corre atrás do lucro fácil, mesmo à custa da saúde dos outros. Mais uma vez uma denúncia anônima quebra o ciclo da safadeza. Provavelmente algum antigo funcionário ou alguém que conhecia o esquema e teve a consciência despertada pelo caso do leite adulterado.

        A sociedade brasileira conquistou às “duras penas” um estágio de consciência de seus direitos como consumidor. Praticamente todos estão atentos às embalagens, às informações, aos prazos. Esse tipo de crime afeta o sistema no seu gênesis. Ou se é fortemente combatido ou pode “jogar por terra” avanços obtidos. Se as investigações mostrarem casos semelhantes em série, será preciso pensar em penas mais severas. Esse mal (na verdade todos) precisa ser cortado pela raiz…

(Atualização: 9h30)

        No caso do leite, o químico acusado de elaborar a fórmula de leite adulterado trabalhou em oito outras empresas: Laticínios Herculândia (de Herculândia, SP), Fazenda Bela Vista (Tapiratiba, SP), Doceria Primavera (Cravinhos, SP), Laticínio Canto de Minas (Ituiutaba, MG), Biolac (Monte Carmelo, MG), Cooperativa Agropecuária Boa Esperança (Boa Esperança, MG), Coplap – Cooperativa de Produtores da Alta Paulista (Tupã, SP) e Laticínio Zacarias (Monções, SP). Segundo as empresas – que devem ser investigadas – o químico prestou consultoria, mas elas negam ter comprado qualquer fórmula do leite. Por via das dúvidas, olho aberto!

QUANDO O CALOTEIRO É O GOVERNO

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:48 pm on segunda-feira, outubro 29, 2007

        100 bilhões de reais. Esse é o tamanho do calote praticado por governos estaduais e municípios brasileiros. Pior: vem crescendo. Três anos atrás a dívida era de 64 bilhões; subiu 56% no período. Grande parte por atualização do dinheiro, mas também por novos compromissos não honrados. Em outras palavras: os governantes, ao invés de pagarem, estão fazendo novas dívidas.

        O levantamento da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil – aponta faces cruéis dessa realidade: a maioria dos prejudicados é pobre e, com o passar do tempo, doente e idosa.

        O problema é que os governantes eleitos não querem assumir essas dívidas. Dentro da lógica eleitoral, entram numa corrida contra o relógio para o próximo pleito, quase sempre marcado para o ano seguinte. Governadores comprometidos em eleger prefeitos aliados e prefeitos empenhados em ajudar deputados (senadores, governadores, presidente) parceiros. A prioridade fica então para obras vistosas ou bolsas para os mais carentes, que se convertam rapidamente em votos.

         É preciso coragem para quebrar esse ciclo vicioso. Algumas medidas já vêm sendo tomadas. A lei de responsabilidade fiscal nasceu para isso. O Tribunal de Contas de São Paulo tem, quase que em 100%, rejeitado contas de cidades que não pagam seus precatórios. No Senado aguarda apreciação projeto que quer reservar porcentagem mínima da receita de estados (3%) e municípios (1,5%) para o pagamento de dívidas. Mas nada terá mais efeito do que a consciência de nossos políticos. O estado de São Paulo já separa 2,5% de seu dinheiro para os precatórios. Minas só 0,7%. Determinar um número no orçamento é importante, pois, pelo menos, dá uma perspectiva de quando o cidadão irá receber seu dinheiro. Pode ser daqui a cinco anos. Hoje ninguém pode prever nada.

O LEITE NOSSO DE CADA DIA

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:21 pm on sexta-feira, outubro 26, 2007

        É de assustar a revelação de existência de leite contaminado em Minas e agora também em Goiás. Em leite Longa Vida, mas também em leite tipo C. Presença de soda cáustica (aquela boa para desentupir pia), água oxigenada e coliforme. E o pior é que nada garante que outras regiões do país e outras marcas estejam isentas de problemas. Ao que parece, o setor vinha se aproveitando da falta de fiscalização.

        O caso é grave e merece atenção especial das autoridades públicas. Responsáveis devem ser punidos exemplarmente. Donde já se viu colocar em risco a saúde da população, especialmente das crianças? Usar de substâncias para mascarar sua baixa qualidade e a já conhecida falta de higiene. Um absurdo!

        Empresas pagam pouco aos produtores pelo leite. Muito pouco! E ainda tornam o líquido inadequado. Um litro de suco sai bem mais caro. Uma cerveja sai mais cara. Paga-se pouco mais que pela água. A gente perde a noção disso. Só compara com o preço anterior e acha que R$ 1,50 é muito. Para um leite “batizado” é mesmo. Mas talvez a gente precise encarar também a necessidade de se oferecer melhores condições aos produtores, para que possam investir mais, se modernizar e zelar pela higiene.

         Por hora se espera fiscalização rigorosa para que o ato de dar leite para as crianças volte a ser uma ação de saúde. Antigamente a gente fervia o leite. Será que o ato ainda é útil? Dizem que não. Que em outros países ninguém faz isso. Correr para onde, então?

“Ternura de Deus”

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:32 pm on quinta-feira, outubro 25, 2007

        Entrevistava ontem a irmã Célia Cadorin, postuladora da causa de frei Galvão no Vaticano. Falávamos da festa de hoje do primeiro santo brasileiro (oficial), quando perguntei à sempre simpática religiosa: qual a melhor maneira de viver bem esse 25 de outubro? A resposta me surpreendeu e encantou. Irmã Célia disse que gosta de definir Frei Galvão como “Ternura de Deus” e que uma boa maneira de homenageá-lo seria tratar bem os outros, com carinho, cuidado. Perdoar… 

       Tem palavra mais bonita que ternura? Tinha mesmo que ter origem francesa… Possui em seu DNA melodia, poesia. Fui atrás de seu significado: “qualidade de terno; carinho; meiguice; afeto brando e carinhoso”. Encontrei-me com um poema de Vinicius de Moraes que sem citar essa palavra a descreve em todo instante: “É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias”. Seu título só podia ser Ternura.

        Também me surpreendi com uma crônica sobre Copa do Mundo do Artur da Távola: “Um olhar de ternura”. Em certo ponto: “Já sei o que os incomodou: a palavra ternura. O mundo anda precisado de ternura e as pessoas têm medo de demonstrar sentimentos. Mas isso é uma bobagem. Ternura ninguém manifesta sem sentir. É necessário que venha de dentro. É o mais leal dos sentimentos. Ternura não se manifesta: sente-se”. E encerra magistralmente: “Salve o olhar de ternura de um homem por sua mulher, a saudade verdadeira e o cuidado com ela. É sinal de esperança, de amor e de vida”. Bonito e verdadeiro!

        Mas com todo respeito aos especialistas em nossa língua e aos poetas, teria sido de uma criança a melhor maneira de explicar ternura: a professora perguntou aos alunos qual o significado da palavra. Um garoto levantou-se e disse:- “Bem se estivesse com fome e alguém me desse um pedaço de pão, isso seria bondade. Mas se passasse geléia no pão, isso seria ternura.”

        “Ternura de Deus”. Frei Galvão, em seu tempo remoto, transmitiu esse Deus terno no cuidado com os que lhe procuravam: doentes, escravos, as irmãs do convento. Como vimos, ninguém transmite ternura sem sentir. E essa experiência de Deus tão verdadeira deixa até hoje rastros que merecem ser imitados. Pois, de fato, o mundo anda precisado e, pior, nem conhece esse diagnóstico. Sofre sem saber. E como representá-la é quase impossível, a palavra Ternura vem sendo pouco pronunciada. Ao ponto do entrevistador se surpreender e se encantar: “ternura de Deus”… 

   

APARTAMENTOS DE DEPUTADOS: REFORMA DE 350 MIL REAIS

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:02 pm on quarta-feira, outubro 24, 2007

         Depois dos carros de luxo, agora a reforma de luxo de apartamentos. A Câmara dos Deputados abriu edital para contratar reforma de 96 apartamentos funcionais a custo estimado de 36 milhões e 200 mil reais. Faça a conta: cada reforma de imóvel sairá por mais de 350 mil reais. Por esse dinheiro, meu caro, compra-se apartamentos novos de alta qualidade.

        Os apartamentos em questão estão abandonados e destruídos por seus últimos inquilinos deputados. Nessa situação, nossos parlamentares preferem receber um “auxílio” moradia mensal no valor de 3 mil reais. Com esse pequeno donativo – é claro que estou sendo irônico – nossos representantes preferem se hospedar em hotéis.

        Por que a reforma sairá tão cara? Alguns itens explicam: banheira de hidromassagem de tal marca com valor estimado de R$ 2.870. Triturador de cozinha da marca “x” com preço de R$ 1.788. Produtos que, com certeza, permitirão que os parlamentares relaxem à vontade. Podem vir até votações mensais de CPMFs! “Engolir sapos” também não será problema com um triturador desses…

        Onde está o bom senso? Em que mundo vivem nossos parlamentares? Esqueceram do Brasil real que representam? Aquele em que milhões sobrevivem graças a donativos do governo, que tem salário mínimo de 380 reais, atendimento precário na saúde e milhões esperando a construção de casas populares em suas cidades.

        Evidente que ninguém defende que se deixem os imóveis estragando. Agora é de bom tom um pouco de sobriedade enquanto se vive num país com tantos problemas e necessidades. Por hora uma boa ducha está de bom tamanho para os senhores deputados. Triturador? Tenha a paciência…

  

FÓRMULA 1 NO “TAPETÃO”

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:54 pm on segunda-feira, outubro 22, 2007

        E a Fórmula 1, hein? Que loucura! O improvável aconteceu. Lewis Hamilton deixou escapar o título certo. A McLaren, que não escondeu sua preferência pelo prodígio inglês, foi pega de surpresa. Não deu carro para Alonso e viu também o mundial de pilotos parar na Ferrari. Sobrou até para o Massa que teve de abrir mão de uma vitória certa para que seu companheiro chegasse ao título. E, convenhamos, não seria uma vitória qualquer, mas a segunda consecutiva na sua terra…

        Venceu Kimi Raikkonen! Sabe aquela novela ou filme empolgante, cheia de mistérios, que decepciona no final. Foi mais ou menos assim. O finlandês tira qualquer entusiasmo. Imagina o final do Grande Prêmio Brasil com Hamilton campeão. Imagina o Alonso com o título. Imagina o Massa vencendo mesmo sem campeonato. Agora compara com a festa de ontem. Fraca, não é? O destaque ficou para os mecânicos da Ferrari e sua emocionada interpretação do hino italiano.

         Outra coisa: não dá para fechar os olhos para os problemas da competição neste ano. O caso da espionagem merecia punições mais severas. Livraram os pilotos para não estragar o mundial. Acabou dando certo; tivemos um final como há muito não se via… Mas aí descobriram irregularidades no combustível de duas equipes. Se os pilotos da BMW e Williams perderem os pontos Hamilton será o campeão, ganhando no “tapetão”. Triste sina para a categoria que se intitula a número 1.

POLÍCIA DO RJ MATA MAIS DE TRÊS POR DIA EM CONFRONTOS

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:46 pm on sexta-feira, outubro 19, 2007

        Confesso que tentei resistir a comentar mais uma vez sobre a violência no Rio. Hoje é sexta e seria mais agradável falar, por exemplo, da decisão de domingo da Fórmula 1 em São Paulo. Mas a divulgação de que as polícias Civil e Militar mataram neste ano, até agosto, 845 suspeitos em confrontos não admite omissão. É um número alto. Mais de três mortes por dia.  Demonstra, com certeza, uma mudança de postura da polícia carioca. Outros governos preferiram fingir que o problema não era com eles. Não faziam operações e, consequentemente, a população tinha a impressão que as coisas andavam bem. Na verdade o “lixo era varrido para baixo do tapete”. Os morros controlados por traficantes. Grupos para-militares então resolveram comprar a briga e tomaram vários pontos, impondo um poder paralelo. É assim: na ausência de governo vigora a “lei do mais forte”, na verdade uma ausência de lei.

        Nesta semana imagem da perseguição policial a supostos traficantes assustou. Fazia tempo que nossa guerra urbana particular não tinha registro tão real e dramático. Dois foram mortos após terem atirado num helicóptero. É a versão da polícia e a OAB entrou no assunto. Classificou a cena como barbárie. Os supostos criminosos tentaram desesperadamente escapar sem sucesso. Havia possibilidade de rendê-los, ao invés da execução? Com o índice revelado hoje, a pergunta se estende: não havia opções a essas 845 mortes? Estava-se mesmo em tiroteio? Afinal eram suspeitos, não condenados. Quantos tinham passagens pela polícia? Do lado policial quais foram as baixas? Faltam informações importantes e é difícil tirar conclusões. As autoridades afirmam que o problema é crônico e que não há alternativas ao enfrentamento. Apenas penso que seria uma demonstração de melhor preparo policial mais prisões e menos mortes…

MONSENHOR ABIB

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 5:59 pm on quinta-feira, outubro 18, 2007

        Foi uma beleza. Uma emoção para quem conhece padre Jonas. Em plena quarta-feira o rincão lotado. Vários padres. Bispos. Nem todos puderam falar. A presença já falava por si só. Dizia: isso mesmo! Eu concordo. Padre Jonas monsenhor.

        A alegria manifesta nos rostos. Sorrisos, lágrimas. Aplausos, coros: “é monsenhor, é monsenhor, olê, olê, olá”. Padre Jonas já está vestido de monsenhor. Roupa preta com faixa púrpura. Chapéu característico. Todo mundo quis registrar. Máquinas e celulares a postos… Seu rosto pareceu ficar ainda mais branco.

        Muito já foi dito sobre a importância desse título. O reconhecimento. A responsabilidade. Lembrei-me de Jesus elogiando João Batista: “o que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?” João vestia pele de camelo. Era um cara de fibra. Segundo Jesus, o maior já nascido. Padre Jonas também não teve dúvidas em seguir seu caminho. Mesmo enfrentando obstáculos e incompreensões, não abandonou suas convicções, seu chamado; não enterrou seus dons. Para mim esse título serve de estímulo à perseverança. Num tempo em que se desiste fácil; que não se termina o que começa, Monsenhor Jonas Abib mostra que ao se continuar andando o caminho se desenha. As coisas se ajeitam. Vale a pena manter vivo o ideal. Manter acesa a chama. Eis a primeira lição do Monsenhor Abib.

     

O DRIBLE ROBINHO

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 2:48 pm on quinta-feira, outubro 18, 2007

        Futebol é fácil de entender: ganha quem faz mais gols. Mas quem assiste, contraditoriamente, espera mais. Tem saudades de Garrincha, de seus dribles desconcertantes. O “ponta” mais famoso não tocava a bola. Insinuava com o corpo. Parecia que ia para a esquerda e, de repente, estava na direita. Ele não caminhava para frente? O que faz lá trás? Então o marcador perdia a paciência e acreditava que podia tomar a bola. Ao dar o “bote” ficava para trás. Garrincha era mais rápido.

        Todo time que se preza, e quer ver seu estádio lotado, tem que ter o seu Garrincha. O Palmeiras tem o chileno Valdívia. Minha terra tinha um time na terceira divisão do Campeonato Paulista e o seu Garrincha respondia por Timóteo. Nenhum treinador o aceitaria hoje. Enquanto seus companheiros se defendiam ele ficava parado na beira do gramado, na linha divisória do campo. Às vezes até cruzava os braços! Porém, quando a bola era recuperada, sem olhar a chutavam para a ponta direita. Timóteo só a devolvia depois de uns três dribles. Era o ídolo da torcida que voltava para casa redimida, pronta para enfrentar seu cotidiano.

        Faltou pouco para o Brasil sair sob vaias ontem do Maracanã lotado. Na maior parte do tempo nossa seleção só vencia por 1 a 0, com uma apresentação light. Então, em 13 minutos, o gramado se transformou em palco. Kaká fez um golaço e os torcedores chegaram ao delírio quando Garrincha voltou a brilhar no talento de Robinho. Tudo começou com uma pedalada. A base é a mesma do botafoguense do passado, só que com mais rapidez. Digamos que é o mesmo drible adaptado ao futebol da correria. A bola desta vez está em movimento e as pernas de Robinho se movimentam com agilidade. Aí o pobre equatoriano De la Cruz tem a infeliz idéia de tentar tocar a bola. Ficou para trás. O brasileiro então fez que iria cruzar de letra, mas desistiu. E aí surge o inesperado. O craque puxa a bola do pé direito para o esquerdo e o De la Cruz – dizem – está perdido até agora no Rio. O Maracanã explodiu. Ah, o lance acabou com gol de Elano. Será mesmo o gol o mais importante?

“EMPRESTA-NOS, PADRE JONAS, SEU OLHAR DE FÉ”

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 2:54 pm on quarta-feira, outubro 17, 2007

(Texto produzido originalmente para ser exibido pelo Projeto “Dai-me almas” no dia 17/10)

        Padre Jonas Abib recebe do Papa Bento 16 o título de Monsenhor, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados a Igreja. O bispo da diocese de Lorena, dom Benedito Beni dos Santos entrega a honraria no dia 17 de outubro, uma quarta-feira. Justamente o dia em que, oficialmente, se comemora os 10 anos do projeto “Dai-me almas”. Justamente na missa do Clube do Ouvinte. Coincidências? Empresta-nos, padre Jonas, seu olhar de fé. Aquele que enxerga fácil Deus no dia-dia. O olhar que não se contentou em oferecer parte de seu tempo, de suas forças. Entregou tudo, fez tudo que podia e até o que não se imaginava. 30 anos atrás, com uns poucos jovens, dava início à comunidade Canção Nova. Um compromisso diuturno em proporcionar a tantos um encontro pessoal com Deus. Para muitos uma loucura. Dará certo rapazes e moças vivendo juntos? Padre Jonas acreditou que sim e plantou sementes de um relacionamento sadio.

        Peregrino do amor, não se intimidou com críticas e incompreensões. Manteve firme seu olhar, sem esconder seus carismas. Se havia quem não entendia, um povo respondia com conversão de vida, com frutos do Espírito.

        Veio uma rádio. Padre Jonas a viu sem propagandas e com conteúdo todo evangelizador, não só na “hora da ave Maria”. Não faltou quem alertasse: “padre, você não vai conseguir”… Hoje muitas missões utilizam sua semente de evangelização pelos meios de comunicação.

        Há 10 anos a Canção Nova lutava para manter suas imagens nas parabólicas. Os horários eram caros. Uma TV aparece à venda em Sergipe. Todos acharam impossível, acima das possibilidades. Padre Jonas lembrou de Dom Bosco e pediu: “dai-me almas”. E hoje existe uma rede de TV com 500 retransmissoras.

        Os relevantes serviços de padre Jonas Abib, mencionados pelo Papa Bento 16, nasceram de sua capacidade de ver diferente, de ultrapassar as barreiras do óbvio, e se permitir enxergar com o coração. Um órgão que não envelhece e mantém seus doces olhos, apesar dos 70 anos, tão infantis…  Deus seja louvado!

TSE PODE AMPLIAR FIDELIDADE

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:14 pm on terça-feira, outubro 16, 2007

“Hoje é como se só tivéssemos fã clube de jogadores. Torcedores do Ciro, do Serra, do Aécio, da Marta. Se ele joga pelo Palmeiras, grito verdão. Se muda para o Corinthians, já estou no ritmo do timão”.

        O TSE pode decidir hoje se cargos majoritários como de prefeitos, senadores, governadores e presidente também pertencem aos partidos. Pode parecer uma questão simples, mas há algumas diferenças em relação aos cargos proporcionais de deputados e vereadores. O cargo majoritário não apresenta uma chapa, um grupo de candidatos, e sim o candidato X. Nem sempre foi assim. Na década de 70, quando apenas dois partidos reinavam no país, podia haver mais de um candidato por sigla para prefeito, por exemplo. Resultado: às vezes o mais votado não levava e sim o candidato do partido com maioria.

        O desejo é pela fidelidade partidária. É preciso acabar com essa pouca vergonha atual, esse troca-troca sem fim. Uma lei mais rígida pode ser útil, mas não resolve, sozinha, o problema. Faz-se necessário uma educação política, de valorização dos partidos, de suas bandeiras e ideologias. Isso passa por uma diminuição de partidos. O ideal é que se chegue a ter “torcedores” de partidos, que se chamam militantes. Hoje é como se só tivéssemos fã clube de jogadores. Torcedores do Ciro, do Serra, do Aécio, da Marta. Se ele joga pelo Palmeiras, grito verdão. Se muda para o Corinthians, já estou no ritmo do timão. Não dá. Pára com isso. A começar dos líderes atuais é preciso por limite nessa insensatez.

        No entanto, se a decisão do Tribunal Eleitoral for pela linha já confirmada para os deputados, algumas dúvidas ficarão. Quem assumirá no seu lugar? Para prefeito, governador e presidente, o vice? Mesmo em caso de coligações? Para senador, o suplente? E se este também tiver mudado? Quem assume? O presidente do legislativo?

        É mais complicado, não é? Diria que em cargos majoritários o cargo é meio a meio. 50% do partido, 50% do candidato. O que fazer se vier o divórcio? Como respeitar a vontade popular que ainda enxerga mais a pessoa do que a bandeira? Com a palavra o TSE.

A FESTA DOS PERNILONGOS

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 1:52 pm on segunda-feira, outubro 15, 2007

        Foi uma noite daquelas… Os pernilongos marcaram a festa em casa e esqueceram de me avisar. A música estava alta. Se eles só picassem juro que não ligaria! Mas aquela cantoria me tira do sério. Fiquei da 1h30 às 4h30 caçando-os. Não é fácil: além de rápidos, parecem mais resistentes. Como estou com criança pequena em casa, evito colocar veneno. O único cômodo com aparelhinho ligado é o quarto do meu filho de oito anos. Minha avó diria que ele tem “sangue doce”. Coitado: parece até que está com catapora. Com marcas para todo lado. Matei seis pernilongos lá essa noite.

        Não sei por onde eles entram. Sabe aquela história de fechar a casa no final da tarde? Não adianta! Tem telinhas em várias janelas e mesmo assim… Nessas noites fico parecendo um “zumbi”. Acordo e enquanto escuto aquele barulhinho insistente de violino desafinado não consigo dormir. O pior é que não sou bom para achá-los. Minha mulher que é, só que ela perde a paciência comigo: “vem dormir Osvaldo, apague essa luz”! O problema é que não dá. Só depois de três horas o sono me venceu; aí foi a vez de meu filho acordar e reclamar desse inseto impiedoso. Lá fui eu, às 5h40,  matar os últimos dois da noite. 

        Por essas e outras que o saudoso padre Léo, com bom humor, chegou a sugerir que o pernilongo não teria sido obra de Deus, mas do “encardido”. Origem à parte, com certeza sua proliferação tem a ver com a ação do homem. As queimadas os encurralam em nossas casas e o clima alterado, muito mais seco do que o normal, ajudou nessa epidemia!

         O despertador toca. Após uma noite dessas, o primeiro dia útil do horário de verão… Que sono! Surpresa: está chovendo. Ainda há esperanças…

POR UM FERIADÃO COM MENOS ACIDENTES

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:14 pm on quinta-feira, outubro 11, 2007

        Mais um fim de semana prolongado. O último, de sete de setembro, foi recordista em acidentes. Espera-se que os motoristas que irão agora pegar as estradas sejam mais prudentes. Ainda sob consternação pelo grave acidente de Santa Catarina na última terça, que se crie consciência de que a pressa ou a falta de manutenção matam.

        O bom tempo, que predomina em grande parte do país, deve provocar uma verdadeira migração rumo ao litoral, serra e interior. Valem, então, as dicas já consagradas:

 1) Escolha um horário alternativo para sair e voltar, evitando os momentos de pico;

2) Você está saindo para se distrair, relaxar, rezar. Nada de stress. Tenha paciência e bom humor;

3) Prefira gastar com prevenção do que em reparos ou hospitais… Faça uma revisão antes de sair;

4) Respeite a sinalização das estradas, bem como os limites de velocidade;

5) Saia preparado para ficar horas no volante. Nada de viajar com sono, cansado. Bebidas alcoólicas nem pensar;

6) Cuidado com estradas deterioradas e mantenha distância do veículo à frente;

        Como nem todos dão ouvidos a recomendações, faça também uma prece pedindo a Deus proteção. E uma boa viagem!

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