“PASTORAL DE NATAL”

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 8:56 pm on sexta-feira, novembro 30, 2007

(Texto produzido originalmente para a Revista Canção Nova de dezembro)

        Chegou dezembro: é natal! Ouvi recentemente um bispo lembrar que também Jesus correu risco de não chegar à vida. Maria engravidou solteira e poderia ter sido apedrejada. No entanto, José agiu rápido. Primeiro pensou em, discretamente, abandoná-la. Depois a acolheu.

        O amor faz a diferença. Quantas mulheres hoje não deixariam de lado a idéia do aborto ou de abandonar o recém-nascido por aí se recebessem apoio? Se encontrassem alguém que se colocasse ao seu lado para o que der e vier? Se tivessem um José em suas vidas?

        Precisamos falar menos e agir mais. Precisamos julgar menos e estendermos mais nossos braços. Não acho que a mulher tenha “direitos” a ponto de negar o acesso à vida de alguém. Mas, com certeza, um peso excessivo é colocado historicamente sobre os ombros femininos. Jesus talvez esteja ainda escrevendo na areia: “onde está o parceiro dessa mulher”?

         Nossas comunidades podiam celebrar esse natal com um gesto concreto: se organizando em prol de mulheres grávidas, especialmente das adolescentes. Fazendo visitas, promovendo grupos de apoio. Deixando claro que elas não estão sozinhas. Uma espécie de “Pastoral do Natal”. Nosso santo brasileiro poderia apadrinhar essa ação: Frei Galvão que intercedia pelas grávidas em seu tempo…

        Penso que a festa do nascimento de Jesus nos seria inesquecível se conseguíssemos evitar o que neste ano vimos nos jornais: crianças jogadas em latas de lixo, em córregos poluídos; picadas por formigas no meio da mata. Quem sabe uma campanha do tipo: “não mate, doe!” fosse útil? Enfim, criando alternativas como as “rodas” de antigamente nas santas casas. Um espaço onde a vida vencesse, nem que fosse por meio a zero.

         Ao fazermos memória do Cristo histórico, renovemos nossa crença em sua presença entre nós. Escondido na partilha do pão e do vinho, na partilha da fé, mas também na partilha de vida com os mais necessitados. Como lembra a música, “seu nome é Jesus Cristo” e está abandonado… “Entre nós está e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos”. Feliz Natal!

REPROVADO EM EDUCAÇÃO

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:54 pm on sexta-feira, novembro 30, 2007

        O Brasil, que comemorou no início da semana sua entrada no grupo de 70 países com melhor índice de qualidade de vida, não tem muito que festejar quando o assunto é educação. Segundo levantamento da Unesco, o país ocupa somente a posição de número 76, num grupo intermediário. Estamos atrás de praticamente todos países vizinhos: Argentina, Chile, Uruguai, Venezuela, Peru, Equador, Bolívia e Paraguai. Motivos: alto índice de analfabetismo (temos 40% dos analfabetos da América Latina), repetição escolar e evasão maior de meninos.

        O programa Educação Para Todos avaliou os países frente a possibilidade de cumprirem metas assinadas em 2000 de melhorar a educação infantil, dar acesso a educação pública a todas as crianças até 2015, acesso igualitário a programas de aprendizagem, aumentar em 50% os níveis de alfabetização de adultos, diminuir na área as desigualdades entre sexos e melhorar a qualidade da educação.

        Já em outro estudo, o do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil ocupou a colocação número 52 numa lista de apenas 57 nações ou o sexto pior resultado. De novo estiveram à nossa frente países como Chile, Uruguai, México e Argentina. Dos vizinhos estamos apenas à frente da Colômbia.

        Neste exame se avaliou o ensino a partir da ciência, revelando estagnação no Brasil nessa área e falta de investimento na matéria que só ganha mais espaço no ensino médio.

        Essas duas pesquisas apontam uma necessidade maior de se priorizar a educação. Um país que quer crescer, ser de ponta, precisa fazer uma opção preferencial pelo ensino. No ritmo que vamos, resultados só serão vistos depois de muitos anos. É preciso repensar nossas estruturas. Recentemente o presidente Lula anunciou um grande e importante investimento na área de pesquisa científica. Esses levantamentos mostram que é preciso investir a partir da base, ainda muito frágil.

  

CORINTHIANS ESCAPARÁ COM SOFRIMENTO

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 1:53 pm on quinta-feira, novembro 29, 2007

        Será como de costume: o Corinthians se salvará do rebaixamento só com sofrimento. Nessa quarta o enredo foi mantido. Podia ter escapado da agonia, mas acabou perdendo e adiando para domingo o desespero final. A situação era toda favorável: o Paraná tinha perdido e o Goiás ia para o mesmo caminho. O Pacaembu era todo apoio: uma torcida apaixonada cantava, empurrava. No final, o silêncio. O que aconteceu? Qual foi o erro? E agora? Um instante só e um coro foi subindo, de novo de apoio, de amor pelo time. Impressiona!

        Agora: três lutam para escapar de dois rebaixamentos. O Corinthians ainda depende só de si: têm um ponto a mais que o Goiás e dois na frente do Paraná. Vencendo, o Timão escapa. Empatando, o time goiano tem de perder e o paranaense não ganhar. E, mesmo perdendo, pode ainda permanecer na frente como aconteceu nessa última rodada.

        O problema talvez esteja mais no seu último adversário do que nos concorrentes. O Grêmio ainda sonha com a Libertadores e vai jogar com sua torcida. O Goiás irá receber em casa o difícil Internacional e o Paraná vai ao Rio enfrentar o Vasco.

        A TV seguirá o calvário corintiano, apesar da importante luta pela última vaga do mais importante torneio sul-americano. O Corinthians dá mesmo mais audiência. Suas partidas se aproximam muito das novelas. Domingo à tarde tem sofrimento com horário marcado.

     

“VAQUINHA” PELA CANÇÃO NOVA (ARTIGO 300)

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:19 pm on quarta-feira, novembro 28, 2007

        Artigo número 300. Fiquei pensando, conforme se aproximava, no que escrever. Algo bem especial, quem sabe inspirado, criativo, bonito!

         Mas, comemorar esse número é celebrar a própria existência, como um aniversário. Então, sinto-me impelido a reservar esse espaço ao Projeto “Dai-me Almas”. Trabalho, com muito “orgulho”, numa empresa que vive da providência divina. Não temos propagandas e nem recebemos dinheiro do exterior. Todos os meses, uma espécie de “vaquinha” é feita entre os que acreditam nesse trabalho. Ta certo que é uma “vaquinha” bem grande! Porém, não maior do que o número dos atingidos pela boa nova do evangelho através do instrumento Canção Nova.

        A conta chegou e temos que pagar para não ir para cozinha lavar pratos. Novembro é salgado. Entre outras coisas tem a primeira parcela do 13º. . Um olha para o outro, que olha para o do lado. Um diz: “na última vez colaborei bem, hoje estou na ‘lona’”. Outro: “tenho 15 reais”. Eu: “vou dar 30 no cartão”. Veja: em pleno dia 28, só se chegou aos 64%.

        Quando é assim, a solução é fazer uma nova rodada. Não tem outro jeito. “Bom, não é que encontrei mais uma nota de cinco”… “Acho que posso dar um pré-datado para o dia 30, contando com o abono”… “Será que tem muito prato hoje? Tem uma nota de vinte, era para a ‘escova’ de sábado”… Isso só se faz entre amigos, entre quem se quer bem. Entre quem quer manter esse espaço de encontro, de fraternidade, de fé. No rádio, na TV, na internet.

         Creio que você já entendeu e não se esquivou. O 100% ainda é possível. Para terminar, uma historinha que você já deve ter ouvido umas 300 vezes:

- Incêndio na floresta. A bicharada fugindo desesperada. É quando o elefante vê o improvável. Um passarinho indo a um riacho, enchendo o bico e jogando a aguinha no fogaréu. O bichão perde a paciência:

- “Você está doido? Pensa que vai conseguir apagar as chamas”? Resposta da pequena ave:

- “Estou fazendo a minha parte”…

         Faça também a sua. O pouco com Deus é muito. Eu também me senti pequeno diante desse desafio. O que pode meu texto diante dessa necessidade? Mas não vou fugir. A Canção Nova é minha floresta!

AIDS: AINDA É PRECISO LUTAR

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:51 pm on terça-feira, novembro 27, 2007

        O grande desafio de uma campanha, com o passar do tempo, é continuar despertando a atenção das pessoas. É natural que, depois de anos, se passe a achar o assunto conhecido, entendido.

        O Dia Mundial de Luta contra a Aids é, sem dúvidas, um exemplo bem sucedido de campanha. Em 20 anos, penso não haver quem não reconheça seu símbolo: o laço vermelho, que esse ano estará numa das maravilhas do mundo: o Cristo Redentor. Eventos marcam, ano após ano, a data. Peças publicitárias reforçam a luta na TV, rádio, internet, jornais e revistas. E apesar disso, pesquisa realizada recentemente pela Mac Aids Fund em nove países, inclusive o Brasil, apontou que nada menos que 40% dos entrevistados acreditavam que a Aids não é uma doença fatal.

        Importante, então, lembrar alguns números: até a meia noite de hoje, mais 6.800 pessoas terão contraído o vírus HIV em todo mundo e 5.700 não resistirão à doença. Se é verdade que as estatísticas mostram uma estabilização nos números de infectados e de mortes, eles ainda são assustadores!

        Apesar de, cada vez mais, ser possível viver anos com a doença com a distribuição do coquetel anti-aids, o Brasil não é bem o melhor lugar para se tratar da doença. Se não falta o coquetel, falta a distribuição de medicamentos contra as “doenças oportunistas”, as que de fato levam o soropositivo ao óbito. Faltam também leitos para os doentes e até médicos especialistas (infectologistas). Isso sem falar do resistente preconceito em escolas e locais de serviço. Segundo a pesquisa Mac, a maioria das pessoas ainda não se sente à vontade para interagir com portadores…

JOVENS SÃO ALVOS DESSE ANO

        Jovens entre 14 e 24 anos. Hoje são eles que mais preocupam as autoridades.  Dados apontam que mulheres nessa idade ainda se mostram bastante vulneráveis. Já a preocupação com o sexo masculino é maior entre os com relação homossexual. Assim, as propagandas na TV serão, nesse ano, direcionadas para esses públicos.

         Como de costume, a camisinha assume papel principal na campanha. Lembra daquela idéia de máquina de preservativos nas escolas? Foi feito um concurso entre alunos e o governo está divulgando o projeto vencedor.  

SOLIDARIEDADE

        A Igreja Católica é vista por militantes contra a Aids como um obstáculo. As divergências se situam na utilização do preservativo. Cristãos divergem da maneira como as propagandas são desenvolvidas, que estimulariam a promiscuidade.

        Nesse debate não se vê, em curto prazo, “luz no fim do túnel”. A Igreja não irá mudar seus conceitos quanto à sexualidade e planejamento familiar e as autoridades no assunto continuam “colocando todas suas fichas” na camisinha. No entanto, uma queixa pode e precisa ser superada. A de que os católicos fazem pouco. Apesar da existência de belas ONGs ligadas à Igreja atuando na assistência de doentes e órfãos, pode-se fazer mais.

        Paróquias, pastorais, grupos de oração precisam assumir uma atitude de prontidão para acolher, defender, servir e prevenir. Omissão é grave. Sem abrir mão de nossos conceitos e identidade, precisamos traduzir para tantos a misericórdia. Expressar solidariedade. Os debates continuarão, mas não podem ser maiores que nossos braços abertos. Como o Cristo Redentor, abertos a todos.

  

O ENCRENQUEIRO CHÁVEZ

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:04 pm on segunda-feira, novembro 26, 2007

        Ou o mundo inteiro não presta ou Hugo Chávez que não é “flor que se cheira”. É incrível sua capacidade de criar confusões. Tira do sério o rei, insulta e ameaça a Igreja de seu país. Chama de mentiroso o presidente colombiano e põe em alerta seu exército. Ameaça intervir a favor do seu colega boliviano que anda pressionado pela oposição. Quer usar o petróleo como “faca no pescoço” de seus inimigos.

        Lula que se cuide. Fica “dando corda” para Chávez… Na hora que contrariá-lo pode se “queimar”. Foi assim com a Colômbia. O presidente venezuelano não segue regras e não gosta de ser contrariado. Quer tudo do seu jeito e pensa que pode ficar dizendo o que lhe vem a “telha”. Não! Não pode. O mundo não é sua Venezuela que assiste “calada” a construção de um ditador. Mandatos sucessivos aprovados com o “jogo em andamento”, intervenção do Estado em quase todas as áreas do país, desrespeito a contratos, fechamento de televisão, judiciário e legislativo no “cabresto”. E o Lula ainda defende que é tudo democrático…

         Analistas afirmam que a postura do presidente brasileiro é, na verdade, estratégia. Que é melhor ter Hugo Chávez dentro do Mercosul, “controlado”, do que “atirando” por fora. Por sua vez, os Estados Unidos parecem adotar a tática do “não to nem aí”, fazendo de conta que não são com eles as provocações. Parece estar dando resultado. Como o homem é uma “fábrica” de confusões, ele acaba encontrando outros inimigos para se divertir. Anda “louco” para armar um conflitozinho que aí seu “cardápio” populista fica completo. Pensando bem, acho que a tática dos Estados Unidos é melhor mesmo. Vou tentar, também, não falar mais sobre Chávez…

ESPERANÇA

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:14 pm on sexta-feira, novembro 23, 2007

        Esperança. O cristão é sempre chamado a proclamá-la. Bento 16, após a essência da caridade, também a fará. Irá anunciar o que o mundo, muitas vezes renunciando à fé, já não consegue ver.

         Não é fácil esperar algo de bom com tantos conflitos: guerras declaradas e urbanas. Como acreditar num futuro com o egoísmo humano em alta, incapaz de dividir o recebido de Deus com tantos que hoje necessitam e mesmo com os que hão de vir? Com nossa ganância sem freios, estamos matando a “galinha de ovos de ouro”, que se chama Terra, privando nossos filhos e netos de sua herança.

         Aí que entra aquele que é configurado em Cristo. Ele só pode anunciar uma boa nova. Seus olhos não ignoram o mal que cresce ao redor, mas possuem profundidade suficiente para alcançar um horizonte, onde o bem sempre vence. Usa uma lente especial para se proteger da cegueira atual; usa da fé. É a fé que produz esperança. Pois, como diz “filosoficamente” o apóstolo Paulo, “ver o objeto de esperança já não é esperança”…

         Não é fácil revelá-la. Nossos sensores captam mais forte o desânimo, o pessimismo. Na pressa em buscar soluções, deixamos escapá-las. Fundamental, então, a paciência. Alguns dirão que estamos lunáticos, fora da realidade. Poderemos até sermos vítimas de zombaria. Mas no fundo, no fundo no fundo, todos aguardam esse anúncio: “a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus”, o anúncio de Bento 16, de que somos “Salvos graças a Esperança”!

VIOLÊNCIA

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:41 pm on quinta-feira, novembro 22, 2007

        Já faz algum tempo, a violência tem predominado nos telejornais. Migrou dos noticiários do início da noite para os “jornais oficiais”. Dá audiência. Não é a toa que Hollywood explora isso há tanto tempo com tanto sucesso. Máquinas Mortíferas, Rambos, Exterminadores…

         Nosso cotidiano tem alimentado o novo enredo jornalístico. Mortes de policiais, de turistas, prisão de mulher em cela com 20 homens. Chama ou não chama a atenção? Que barbaridade! Os editores colocam como primeira, segunda, terceira notícia. Não, não é o “Aqui Agora” é a trágica segurança pública brasileira.

        O caso do Pará. Descobre-se agora que não é um caso isolado. Teve outras mulheres. A própria governadora reconhece ao se dizer escandalizada…

 - Ah, ela não tem 15 anos…

- Ela se prostituía e pode ter sido presa para “servir” mesmo aos detentos…

- Ficou só 15 dias e tinha a solicitação de transferência…

        O que muda? Nada! Que Brasil é esse que coloca numa mesma cela homens e mulheres? Isso é “terra de ninguém”, é selvageria! Um dos responsáveis do ato é umA delegadA. A responsabilidade pela falta de penitenciárias femininas no Pará é dA governadorA.

        A gente liga no jornal e não acredita, não é? Dá uma sensação ruim. Parece que, apesar de tantas denúncias e casos passados, nada é feito de impactante para se reverter a situação. Dá desânimo. Mas a gente acaba assistindo. As outras opções vêm depois e não chamam mais a atenção. Os processos de cassação do Renan. A votação da CPMF. Mais um recorde de arrecadação do governo… Ainda bem que tem o esporte para dar uma “quebrada”. Não! A seleção do Dunga! Ta difícil…

BRASIL ENTRE A SEGUNDA E A SÉTIMA COLOCAÇÃO

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 1:44 pm on quarta-feira, novembro 21, 2007

        Entre o céu e o inferno. Assim entra em campo hoje a seleção brasileira. Após o empate do último domingo com a fraca seleção do Peru e as vitórias de ontem da Colômbia e Venezuela, o Brasil está fora da zona de classificação para a Copa de 2010, ocupando somente o quinto lugar.

        Um fracasso à noite diante do Uruguai pode deixar nossa seleção numa inacreditável sétima colocação, à frente apenas de Peru, Bolívia e Equador. Um empate pode nos recuar para a sexta posição, caso o Chile vença em casa o Paraguai no final da noite.

        É verdade também que uma vitória brasileira pode mudar tudo, nos recolocando no segundo lugar, a apenas um ponto da líder Argentina. Enfim, a situação do Brasil está instável como o tempo deste outono, alternando céu de brigadeiro como nessa quarta e tempo fechado com pancadas de chuvas como anteontem.

        Não precisa ser assim. Com os craques que possui, o Brasil podia ostentar situação bem mais tranqüila. Era só jogar com mais confiança fora de casa. O futebol hoje é assim. Veja os grandes clubes mundiais em seus campeonatos. Dentro ou fora de casa não tomam conhecimento de seus adversários. Assim é o campeão brasileiro São Paulo, o espanhol Real Madri ou o inglês Manchester United. Dunga faz uma seleção meio à imagem da sua, campeã de 1994. Só que o futebol mudou bastante de lá pra cá. Ou não?     

 

CONSCIÊNCIA NEGRA

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:19 pm on terça-feira, novembro 20, 2007

        Por que um dia da consciência negra? A data, ligada à destruição do quilombo dos Palmares e à morte de Zumbi, vem crescendo e substituindo o 13 de maio, dia da abolição da escravatura, considerado pelos historiadores como uma imposição britânica. O 20 de novembro, portanto, “fala” mais alto aos negros.

         Muitos não concordam com essa data, muito menos com sua transformação em feriado em estados e muitas cidades. Minha opinião é diferente. Acho que, só pelo que o negro passou na escravidão, já se justificaria essa lembrança. Como forma de celebrar sua importância na construção desse país e repararmos as atrocidades praticadas. Mas não é só passado. Ainda hoje os (agora chamados) afrodescendentes são vítimas de discriminação. São notícias nesta terça, por exemplo, pesquisas apontando que as principais causas de morte de negros no Brasil são externas, como homicídios, enquanto as de brancos são doenças. Também se revelou a menor escolaridade que reflete numa menor ocupação em cargos de direção. Então se faz necessário analisar essa realidade e buscar meios de superá-la.

         Por tudo isso, a nomenclatura também me parece adequada. Hoje é dia de se expurgar qualquer baixa estima, ainda existente, de que negro seja uma espécie de segunda categoria, menos inteligente ou trabalhador. É dia de valorizar a maneira negra de ser: expansiva, alegre, criativa, forte! Isso é importante não só para quem é negro, mas para toda nossa sociedade. 35% de nossos trabalhadores são negros e podem e precisam oferecer mais, se expressar mais, assumir um lugar de maior destaque.

         Diante desses e outros desafios, um dia de mobilização me parece inevitável. Se ele deveria ou não ser dia de folga é outra questão. Ter três feriados em novembro parece mesmo demais. Hoje, durante a semana ou no próximo final de semana, o que vale é a discussão sobre o assunto em seminários, encenações e manifestações culturais.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE REJEITAM O ABORTO

Arquivado em: Artigo, Informação — Osvaldo Luiz at 3:42 pm on segunda-feira, novembro 19, 2007

        O governo federal continua sua empreitada para aprovar a descriminalização do aborto, mas perdeu ontem mais uma batalha. Foi na Conferência Nacional de Saúde em Brasília. 70% dos presentes - representantes da sociedade civil, profissionais da área e gestores do SUS - votaram contra a proposta.

        A rejeição ao aborto atinge “em cheio” o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defensor categórico da prática. 70% das pessoas ligadas à Saúde são contra. Pesquisa Datafolha divulgada no início do mês passado revelava que apenas 3% da população brasileira consideram essa prática moralmente aceitável. Traduzindo: um governo democrático, que ouve as bases, não tem sustentação para continuar nessa campanha pró-aborto.

        Apesar disso, e com o apoio do PT - que em setembro, em seu congresso nacional, com também 70% dos votos, aprovou resolução pedindo a descriminalização – seguem as investidas para a aprovação do aborto no país. Está prevista para o final desse mês a apresentação de parecer na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara sobre um projeto nesse sentido. Havia intenção de se esperar para só se manifestar após o Supremo Tribunal Federal decidir sobre quando começa a vida humana. Mas como essa discussão está parada na corte maior…

         Até quando darão as costas à vontade popular? Até quando a maior autoridade de Saúde desse país irá ignorar que seu poder emana do povo? O que está por trás dessa insistência pelo aborto?

“DIVÓRCIO EXPRESSO”

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:17 pm on sexta-feira, novembro 16, 2007

        A notícia de que o “divórcio expresso” na Espanha aumentou, em um ano, o número dessas separações em 74,3%, deve servir de alerta. Também aqui no Brasil, o Congresso estuda tornar o divórcio mais rápido.

        Proposta do deputado do PT, Sérgio Carneiro, quer acabar com a etapa de separação judicial de um ano antes do divórcio, ou da necessidade de espera de dois anos para quem só se separou na prática. O parlamentar baiano alega que esse tempo, que existe para dar oportunidade de reconciliação ao casal, tem pouco efeito prático e encarece o processo. Além do mais, segundo defensores da idéia, mesmo com as mudanças, uma reconciliação poderia acontecer, bastando que se realizasse um novo casamento entre os mesmos…

        Na Espanha, as mudanças aconteceram em 2004. Naquele ano, as rupturas matrimoniais por divórcio eram de 38%. Hoje constituem 87%. Num primeiro momento, era de se esperar um número bem maior, pois, com a maior facilidade, muitos já separados iam apenas oficializar o caso. Mas, dois anos depois, percebe-se que o aumento é contínuo. Em outras palavras, a rapidez aumentou as divisões.

         Uma mudança já foi feita por aqui. Desde janeiro, os divórcios já podem ser feitos em cartórios de notas. Se o projeto de Sérgio Carneiro for aprovado, estima-se que essa separação possa sair em dias, no máximo em um mês.

        Ouvi um defensor da proposta brasileira em uma entrevista. Alegou que essa lei visa liberar logo as pessoas para novas uniões. Que não estaria promovendo separações, e sim, novos casamentos. A estatística espanhola parece desmenti-lo.

        Não há relacionamentos sem desentendimentos. Alguns, mais graves, dependendo do temperamento de um dos cônjuges, podem levar mais tempo para serem superados. O perdão, na maioria das vezes, não é instantâneo. Precisa de tempo. Tempo que pode faltar nesse mundo onde quase tudo quer ser “expresso”. No calor das horas, a mente apaga todo bem vivido, o bem-querer sentido. Tudo parece perdido. Na Espanha, a maioria desses novos divórcios é de casais com mais de 20 anos de união. A pressa é mesmo inimiga da perfeição…

   

A ARARA LÊ

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 6:07 pm on quinta-feira, novembro 15, 2007

       Arara. A Lê deve estar na sua fase. Pela casa se ouve seus gritinhos. Não os de choro ou braveza que conhecemos antes… Agora são os de alegria. Vieram depois dela começar a “conversar”: é, angu, aiii, eô. Dialogar pra valer. Deve haver sentido fonoaudiológico para seus sons saírem agora mais fortes. De certo alguma preparação. Na prática, enchem de felicidade a casa.

        Araras também são curiosas? Devem ser. Com seus bicos fuçam bastante. Cutucam, pegam, levam. Letícia também começa a conhecer seu mundinho com suas “garras” fortemente associadas a boquinha. Tudo que vê quer alcançar e levar a boca. E brinca. Com a figura do carrinho, com a estampa do berço, com os dedos da gente. Assim: gritando, pegando, chupando, brincando, sorri à vontade até a próxima mamada, que se demorar, aí sim, desperta sons menos agradáveis…

CONTRIBUIÇÃO “PERMANENTE” SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 2:46 pm on quarta-feira, novembro 14, 2007

        A CPMF deu ontem mais um passo para se tornar permanente. O tributo provisório passou na Comissão do Senado. Como não pode haver mudanças no texto, para evitar um retorno da matéria para a Câmara, os senadores aprovaram sua prorrogação com base em promessas do governo de enviar medidas provisórias ao Congresso reduzindo a alíquota, dando isenção na hora de receber o salário para quem recebe até 2.894 reais e as tão esperadas redução do gasto público e reforma tributária.

        A principal alteração será a redução progressiva do índice dos atuais 0,38% para 0,30% em 2011. Um desconto quase imperceptível para a gente. No exemplo de um cheque de 100 reais, hoje pagamos de CPMF 38 centavos. Com a medida provisória a ser enviada até dezembro, no ano que vem pagaríamos 36 centavos, no ano seguinte 34 centavos, depois 32 centavos até chegar em 2011 com 30 centavos. Uma diferença, em quatro anos, que não chega ao preço de um pão francês.

         As negociações continuam. No plenário do Senado o governo precisa de 49 votos. Tem bem menos. Mas na hora “H” acabam aprovando de novo. Isso porque a oposição de hoje foi a criadora do imposto no passado e tem boas chances de voltar ao poder num futuro próximo. Já o governo de hoje, que fez oposição ferrenha ao tributo no passado, fica no poder pelo menos até 2009 e também sonha em se manter nos palácios. Enfim: quem quer poder quer mais recursos. E, lá em Brasília, todos estão de olho na cadeira do rei (ou seria carteira?).

E O CARRO A GÁS?

Arquivado em: Artigo — Osvaldo Luiz at 2:23 pm on terça-feira, novembro 13, 2007

       Carro a gás continua sendo um bom negócio? A distribuição menor do combustível na semana retrasada no Rio e em São Paulo acendeu o sinal amarelo. Logo depois o governo avisou que o preço estava irreal e defendeu um reajuste na faixa de 25%.

       Acontece que a diferença do preço do gás para o álcool e para a gasolina é tão grande que mesmo esses maus presságios parecem não inibir o setor. Afinal, adaptar o automóvel não exige um investimento tão alto e sempre tem a opção de se abastecer com o combustível original.

       A crise que atingiu o setor foi conseqüência da seca. Várias regiões do país passaram por estiagens longas o que obrigou o fornecimento de gás para as termoelétricas. O governo tentou se esquivar de responsabilidades afirmando que essa prática estava prevista nos contratos de distribuição. O problema é que esqueceram de avisar os motoristas. Ninguém que investiu na conversão de seu automóvel sabia dessa possibilidade de ficar sem gás para socorrer as termoelétricas. Os proprietários se sentiram traídos. A situação fez lembrar o processo de implantação do álcool. O governo fez a maior propaganda para se comprar um carro à álcool e, pouco depois do auge, na década de 80, por falta de organização e planejamento, a produção desses veículos praticamente parou.

        Para despistar a debilidade do setor o governo teve de usar logo a carta guardada na manga. A megadescoberta de petróleo na bacia de Santos. Algo tão extraordinário que, a médio e longo prazo, pode transformar nosso país em exportador ou, como disse Hugo Chávez, nosso presidente Lula em magnata do petróleo. O problema é que até 2013 não veremos sua cor e quem tem carro a gás terá que se apegar mesmo é com São Pedro. Rezar para que chova bastante e não se tenha que depender das termoelétricas. Caso contrário, pode se ficar na mesma situação daquele doente que ficou sabendo que cientistas descobriram um novo medicamento para sua cura. Mas que o remédio milagroso só chegará ao mercado em alguns anos. Até lá é torcer para se agüentar vivo. 

Próxima Página »