“PASTORAL DE NATAL”
(Texto produzido originalmente para a Revista Canção Nova de dezembro)
Chegou dezembro: é natal! Ouvi recentemente um bispo lembrar que também Jesus correu risco de não chegar à vida. Maria engravidou solteira e poderia ter sido apedrejada. No entanto, José agiu rápido. Primeiro pensou em, discretamente, abandoná-la. Depois a acolheu.
O amor faz a diferença. Quantas mulheres hoje não deixariam de lado a idéia do aborto ou de abandonar o recém-nascido por aí se recebessem apoio? Se encontrassem alguém que se colocasse ao seu lado para o que der e vier? Se tivessem um José em suas vidas?
Precisamos falar menos e agir mais. Precisamos julgar menos e estendermos mais nossos braços. Não acho que a mulher tenha “direitos” a ponto de negar o acesso à vida de alguém. Mas, com certeza, um peso excessivo é colocado historicamente sobre os ombros femininos. Jesus talvez esteja ainda escrevendo na areia: “onde está o parceiro dessa mulher”?
Nossas comunidades podiam celebrar esse natal com um gesto concreto: se organizando em prol de mulheres grávidas, especialmente das adolescentes. Fazendo visitas, promovendo grupos de apoio. Deixando claro que elas não estão sozinhas. Uma espécie de “Pastoral do Natal”. Nosso santo brasileiro poderia apadrinhar essa ação: Frei Galvão que intercedia pelas grávidas em seu tempo…
Penso que a festa do nascimento de Jesus nos seria inesquecível se conseguíssemos evitar o que neste ano vimos nos jornais: crianças jogadas em latas de lixo, em córregos poluídos; picadas por formigas no meio da mata. Quem sabe uma campanha do tipo: “não mate, doe!” fosse útil? Enfim, criando alternativas como as “rodas” de antigamente nas santas casas. Um espaço onde a vida vencesse, nem que fosse por meio a zero.
Ao fazermos memória do Cristo histórico, renovemos nossa crença em sua presença entre nós. Escondido na partilha do pão e do vinho, na partilha da fé, mas também na partilha de vida com os mais necessitados. Como lembra a música, “seu nome é Jesus Cristo” e está abandonado… “Entre nós está e não o conhecemos, entre nós está e nós o desprezamos”. Feliz Natal!