E O CARRO A GÁS?

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 2:23 pm on terça-feira, novembro 13, 2007

       Carro a gás continua sendo um bom negócio? A distribuição menor do combustível na semana retrasada no Rio e em São Paulo acendeu o sinal amarelo. Logo depois o governo avisou que o preço estava irreal e defendeu um reajuste na faixa de 25%.

       Acontece que a diferença do preço do gás para o álcool e para a gasolina é tão grande que mesmo esses maus presságios parecem não inibir o setor. Afinal, adaptar o automóvel não exige um investimento tão alto e sempre tem a opção de se abastecer com o combustível original.

       A crise que atingiu o setor foi conseqüência da seca. Várias regiões do país passaram por estiagens longas o que obrigou o fornecimento de gás para as termoelétricas. O governo tentou se esquivar de responsabilidades afirmando que essa prática estava prevista nos contratos de distribuição. O problema é que esqueceram de avisar os motoristas. Ninguém que investiu na conversão de seu automóvel sabia dessa possibilidade de ficar sem gás para socorrer as termoelétricas. Os proprietários se sentiram traídos. A situação fez lembrar o processo de implantação do álcool. O governo fez a maior propaganda para se comprar um carro à álcool e, pouco depois do auge, na década de 80, por falta de organização e planejamento, a produção desses veículos praticamente parou.

        Para despistar a debilidade do setor o governo teve de usar logo a carta guardada na manga. A megadescoberta de petróleo na bacia de Santos. Algo tão extraordinário que, a médio e longo prazo, pode transformar nosso país em exportador ou, como disse Hugo Chávez, nosso presidente Lula em magnata do petróleo. O problema é que até 2013 não veremos sua cor e quem tem carro a gás terá que se apegar mesmo é com São Pedro. Rezar para que chova bastante e não se tenha que depender das termoelétricas. Caso contrário, pode se ficar na mesma situação daquele doente que ficou sabendo que cientistas descobriram um novo medicamento para sua cura. Mas que o remédio milagroso só chegará ao mercado em alguns anos. Até lá é torcer para se agüentar vivo. 

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