CONSCIÊNCIA NEGRA
Por que um dia da consciência negra? A data, ligada à destruição do quilombo dos Palmares e à morte de Zumbi, vem crescendo e substituindo o 13 de maio, dia da abolição da escravatura, considerado pelos historiadores como uma imposição britânica. O 20 de novembro, portanto, “fala” mais alto aos negros.
Muitos não concordam com essa data, muito menos com sua transformação em feriado em estados e muitas cidades. Minha opinião é diferente. Acho que, só pelo que o negro passou na escravidão, já se justificaria essa lembrança. Como forma de celebrar sua importância na construção desse país e repararmos as atrocidades praticadas. Mas não é só passado. Ainda hoje os (agora chamados) afrodescendentes são vítimas de discriminação. São notícias nesta terça, por exemplo, pesquisas apontando que as principais causas de morte de negros no Brasil são externas, como homicídios, enquanto as de brancos são doenças. Também se revelou a menor escolaridade que reflete numa menor ocupação em cargos de direção. Então se faz necessário analisar essa realidade e buscar meios de superá-la.
Por tudo isso, a nomenclatura também me parece adequada. Hoje é dia de se expurgar qualquer baixa estima, ainda existente, de que negro seja uma espécie de segunda categoria, menos inteligente ou trabalhador. É dia de valorizar a maneira negra de ser: expansiva, alegre, criativa, forte! Isso é importante não só para quem é negro, mas para toda nossa sociedade. 35% de nossos trabalhadores são negros e podem e precisam oferecer mais, se expressar mais, assumir um lugar de maior destaque.
Diante desses e outros desafios, um dia de mobilização me parece inevitável. Se ele deveria ou não ser dia de folga é outra questão. Ter três feriados em novembro parece mesmo demais. Hoje, durante a semana ou no próximo final de semana, o que vale é a discussão sobre o assunto em seminários, encenações e manifestações culturais.