AIDS: AINDA É PRECISO LUTAR

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:51 pm on terça-feira, novembro 27, 2007

        O grande desafio de uma campanha, com o passar do tempo, é continuar despertando a atenção das pessoas. É natural que, depois de anos, se passe a achar o assunto conhecido, entendido.

        O Dia Mundial de Luta contra a Aids é, sem dúvidas, um exemplo bem sucedido de campanha. Em 20 anos, penso não haver quem não reconheça seu símbolo: o laço vermelho, que esse ano estará numa das maravilhas do mundo: o Cristo Redentor. Eventos marcam, ano após ano, a data. Peças publicitárias reforçam a luta na TV, rádio, internet, jornais e revistas. E apesar disso, pesquisa realizada recentemente pela Mac Aids Fund em nove países, inclusive o Brasil, apontou que nada menos que 40% dos entrevistados acreditavam que a Aids não é uma doença fatal.

        Importante, então, lembrar alguns números: até a meia noite de hoje, mais 6.800 pessoas terão contraído o vírus HIV em todo mundo e 5.700 não resistirão à doença. Se é verdade que as estatísticas mostram uma estabilização nos números de infectados e de mortes, eles ainda são assustadores!

        Apesar de, cada vez mais, ser possível viver anos com a doença com a distribuição do coquetel anti-aids, o Brasil não é bem o melhor lugar para se tratar da doença. Se não falta o coquetel, falta a distribuição de medicamentos contra as “doenças oportunistas”, as que de fato levam o soropositivo ao óbito. Faltam também leitos para os doentes e até médicos especialistas (infectologistas). Isso sem falar do resistente preconceito em escolas e locais de serviço. Segundo a pesquisa Mac, a maioria das pessoas ainda não se sente à vontade para interagir com portadores…

JOVENS SÃO ALVOS DESSE ANO

        Jovens entre 14 e 24 anos. Hoje são eles que mais preocupam as autoridades.  Dados apontam que mulheres nessa idade ainda se mostram bastante vulneráveis. Já a preocupação com o sexo masculino é maior entre os com relação homossexual. Assim, as propagandas na TV serão, nesse ano, direcionadas para esses públicos.

         Como de costume, a camisinha assume papel principal na campanha. Lembra daquela idéia de máquina de preservativos nas escolas? Foi feito um concurso entre alunos e o governo está divulgando o projeto vencedor.  

SOLIDARIEDADE

        A Igreja Católica é vista por militantes contra a Aids como um obstáculo. As divergências se situam na utilização do preservativo. Cristãos divergem da maneira como as propagandas são desenvolvidas, que estimulariam a promiscuidade.

        Nesse debate não se vê, em curto prazo, “luz no fim do túnel”. A Igreja não irá mudar seus conceitos quanto à sexualidade e planejamento familiar e as autoridades no assunto continuam “colocando todas suas fichas” na camisinha. No entanto, uma queixa pode e precisa ser superada. A de que os católicos fazem pouco. Apesar da existência de belas ONGs ligadas à Igreja atuando na assistência de doentes e órfãos, pode-se fazer mais.

        Paróquias, pastorais, grupos de oração precisam assumir uma atitude de prontidão para acolher, defender, servir e prevenir. Omissão é grave. Sem abrir mão de nossos conceitos e identidade, precisamos traduzir para tantos a misericórdia. Expressar solidariedade. Os debates continuarão, mas não podem ser maiores que nossos braços abertos. Como o Cristo Redentor, abertos a todos.

  

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