O CALA BOCA DO REI
Se Chávez queria aparecer, conseguiu. Como de costume, o presidente venezuelano quis aproveitar um evento para seus discursos “revolucionários” e de ressentimentos pelo golpe fracassado de 2002. Começou propondo ao novo “magnata” do petróleo, Lula, a criação da Petroamazônia. Mas foi seu bate-boca com as autoridades espanholas que chamou mesmo a atenção. Hugo chamou o ex – primeiro ministro, José María Aznar, de “fascista”. Não esperava a reação do atual primeiro ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, que pediu respeito ao seu país. Chávez não está acostumado com a política feita por estadistas, que sabem diferenciar seu cargo de suas divergências pessoais. Esperava um “é isso mesmo” ou, no mínimo, um silêncio aproveitador. Não imaginava uma reação civilizada. Depois, não podia supor a irritação do rei Juan Carlos com sua versão, mais educada, do cala a sua boca: “por que você não se cala”? O rei assim agiu após Chávez insistir com suas críticas…
O rei da Espanha podia ter agido desta forma? Talvez não. Como também Chávez tem de aprender a não estragar cúpulas. Esses encontros – espera-se – precisam de um “clima” de respeito e diálogo para alcançar benefícios para nossos povos. Com seus depósitos de polêmicas, o presidente venezuelano empaca negociações. Foi assim no Mercosul. Foi assim, agora, na cúpula Ibero-Americana. Então, nesse sentido, a pergunta do rei faz sentido. Chávez, por que você não deixa suas propagandas políticas para outra hora? Por que você não esquece um pouco sua ânsia por liderança regional?
Chávez diz que ficou quieto após o “sabão” do rei porque não o escutou. Será que também não viu seu dedo em riste? Apesar de agora querer “tirar farinha”, voltando com suas provocações habituais, o presidente venezuelano entendeu o recado e se colocou, mesmo que só por “uns cinco minutos”, no seu devido lugar…