O CALA BOCA DO REI

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 5:14 pm on segunda-feira, novembro 12, 2007

        Se Chávez queria aparecer, conseguiu. Como de costume, o presidente venezuelano quis aproveitar um evento para seus discursos “revolucionários” e de ressentimentos pelo golpe fracassado de 2002. Começou propondo ao novo “magnata” do petróleo, Lula, a criação da Petroamazônia. Mas foi seu bate-boca com as autoridades espanholas que chamou mesmo a atenção. Hugo chamou o ex – primeiro ministro, José María Aznar, de “fascista”. Não esperava a reação do atual primeiro ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, que pediu respeito ao seu país. Chávez não está acostumado com a política feita por estadistas, que sabem diferenciar seu cargo de suas divergências pessoais. Esperava um “é isso mesmo” ou, no mínimo, um silêncio aproveitador. Não imaginava uma reação civilizada. Depois, não podia supor a irritação do rei Juan Carlos com sua versão, mais educada, do cala a sua boca: “por que você não se cala”? O rei assim agiu após Chávez insistir com suas críticas…

        O rei da Espanha podia ter agido desta forma? Talvez não. Como também Chávez tem de aprender a não estragar cúpulas. Esses encontros – espera-se – precisam de um “clima” de respeito e diálogo para alcançar benefícios para nossos povos. Com seus depósitos de polêmicas, o presidente venezuelano empaca negociações. Foi assim no Mercosul. Foi assim, agora, na cúpula Ibero-Americana. Então, nesse sentido, a pergunta do rei faz sentido. Chávez, por que você não deixa suas propagandas políticas para outra hora? Por que você não esquece um pouco sua ânsia por liderança regional?

        Chávez diz que ficou quieto após o “sabão” do rei porque não o escutou. Será que também não viu seu dedo em riste? Apesar de agora querer “tirar farinha”, voltando com suas provocações habituais, o presidente venezuelano entendeu o recado e se colocou, mesmo que só por “uns cinco minutos”, no seu devido lugar…

VIOLÊNCIAS CONTRA CRIANÇAS ACONTECEM DENTRO DE CASA

Filed under: Artigo,Informação — Osvaldo Luiz at 4:52 pm on sexta-feira, novembro 9, 2007

        Recebi ontem relatório de ocorrências de outubro do Conselho Tutelar daqui de Cachoeira Paulista. Mais uma vez os números assustam. Numa cidade de 32 mil habitantes, foram realizados 207 atendimentos. Quase sete casos por dia! A grande maioria, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica: 61%. Compare: foram 127 dessas ocorrências contra somente 07 casos de violência fora da família. O segundo maior problema detectado foram os conflitos nas escolas: 25.

        De cada quatro casos de violência doméstica, uma aconteceu no Jardim Trabalhista, bairro erguido a partir de casas populares do CDHU do governo de São Paulo. A região, embora bem populosa, não podia registrar tamanho índice. Desemprego, alcoolismo, falta de ações sociais e esportivas devem explicar o problema localizado.

        O pior é saber que os números cachoeirenses refletem o que acontece em todo país. Recentemente o governo federal iniciou uma campanha para tentar enfrentar essa crueldade: crianças agredidas física, sexual ou psicologicamente por quem deveria por primeiro protegê-las.

        As famílias! João Paulo II insistia na necessidade de fortalecê-las para o bem de nossa sociedade. Como esperar futuro promissor com a base ruída por dentro? O que esperar desses meninos e meninas que não podem contar com um colo amigo? Que, muitas vezes, preferem a rua ao seu quintal?

        A sociedade precisa agir rápido. Esses números não podem ser analisados friamente. Até o final desse dia, em Cachoeira Paulista, sete menores serão agredidos. Quatro, covardemente, dentro das quatro paredes de sua casa. O que você pode fazer?

    

DO IMPROVÁVEL AO MILAGRE

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:03 pm on quinta-feira, novembro 8, 2007

        Não é incomum o campeão perder após sua conquista. Tanto que até existe a expressão “carimbar a faixa”. Foi o que aconteceu nessa quarta com o São Paulo. Nem a seriedade do Muricy impediu a sina. A equipe, desfalcada de alguns titulares, não resistiu à braveza do Juventude, penúltimo colocado do campeonato. O time do sul realizou o improvável nas suas duas últimas partidas: vencer o Palmeiras e o tricolor. Mas ainda está numa situação horrível. Precisará mais do que o improvável: precisa de um milagre. Com 38 pontos, só não será rebaixado se vencer seus últimos três compromissos. Se empatar um jogo, só se livra com combinações de resultados. Se perder uma, cai para a segundona.

        O futebol é curioso. A equipe campeã com quatro rodadas de antecedência perder para o vice-lanterninha por 2 a 0. O São Paulo não tinha ainda, nesse campeonato, levado dois gols numa só partida. E é por isso que esse esporte causa tanta paixão. Imagina as emoções nessas três últimas rodadas que definirão os classificados para as libertadores e os rebaixados…

        Para a vida fica a lição: nunca menosprezar os menores, os mais fracos. Ouvi uma vez, num filme, uma frase muito verdadeira: “os seres feridos são perigosos, pois sabem que podem sobreviver”… O São Paulo que o diga…

A VEZ DA BRA

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:02 pm on quarta-feira, novembro 7, 2007

        Agora foi a BRA Transportes Aéreos que caiu de bico. Parecia que a terceira empresa do país estava “subindo”, mas na verdade já demonstrava fragilidade há algum tempo (suas viagens internacionais já estavam suspensas, por exemplo). E uma “casa” que pode ser atingida pelas dificuldades da BRA é a Embraer. Dois meses e meio atrás a fabricante brasileira recebeu dela, com festa de arromba, a encomenda de 20 jatos. A cerimônia com 1100 convidados (coincidência: número igual a dos funcionários agora demitidos) foi recheada de autoridades, entre elas o presidente Lula. O evento era importante porque queria representar o início de uma série de aquisições, pelas “grandes” empresas do país, de jatos regionais, com financiamento especial do BNDES. Em seu discurso, Lula demonstrava confiança de que o investimento regional ajudasse a superar o “apagão aéreo” e a mudar o quadro de duopólio no setor, comandado por TAM e GOL.

        A crise aérea não é nova e já atingiu empresas poderosas e tradicionais como Varig, Vasp e Transbrasil. O novo fracasso chega num momento ruim, com demanda crescente, existência de gargalos  e proximidade do final de ano, época de muitas viagens.

        Há pouco, a GOL anunciou queda de 78% em seus lucros em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O principal motivo seria a redução na taxa de ocupação. É verdade que em todo mundo companhias tem dificuldades de rentabilidade. Mas a situação se mostra mais grave no Brasil. Especialistas acreditam que o país deixou de investir em infra-estrutura e, com a melhora econômica, as deficiências ficaram evidentes. Há quem ache que o governo deveria socorrer empresas como a BRA, como deveria ter feito com a Varig. Nada indica mudança, nesse sentido, por parte das autoridades. E os consumidores que se assustam com acidentes mais freqüentes e perdem a paciência com os atrasos recorrentes, têm agora mais uma demonstração que o setor não anda saudável. Nessa quarta os aeroportos permanecem tranqüilos. Até quando é a pergunta? A gente torce para que permaneçam assim, mas o fato é que a previsão, por aqui, não é de “céu de brigadeiro”.

SUPREMO QUER ACABAR COM “FAZ DE CONTA”

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:37 pm on terça-feira, novembro 6, 2007

        É incrível como a realidade, por vezes, se afasta da gente. Veja esse caso da renúncia do deputado federal da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima. Todo mundo sabe que o político, que tentou matar um adversário em 1993, está renunciando só para escapar, mais uma vez, da punição. Apesar do movimento agora, de renúncia, ser o oposto do passado, quando o ex-governador se elegeu senador e deputado para escapar da justiça comum, o sentido é o mesmo: da impunidade. Conta com a morosidade do poder judiciário e com sua idade, 71 anos, para escapar.

        A regra atual é a seguinte: políticos têm foro privilegiado. No caso dos federais precisam ser julgados pelo Supremo. Renunciando, Cunha Lima volta ao patamar dos “normais”, devendo ser processado pela justiça da sua localidade. Só que os ministros da corte maior do país, corajosamente, resolveram enfrentar o “faz de conta” e estão decidindo se mantêm o julgamento do ex-deputado mesmo com a renúncia. Enfrentam a realidade de que foram passados para trás pelo político, assim como antes foram quando o senado demorou quatro anos para responder não a um pedido de autorização para julgá-lo. Assim como o STJ, ainda em 93, recebeu um não da Assembléia Legislativa da Paraíba.

           Seja qual for a decisão final do Supremo nesse caso, a sociedade brasileira precisa pressionar para que a legislação seja modificada. Como um crime, como o de atirar em alguém, precisa ser julgado por uma corte especial? Isso é um absurdo. A Justiça precisa ser, de fato, cega: igual para todos. Hoje é mais cega para uns do que para outros.

TERMINEI DE LER O “GRANDE SERTÃO:VEREDAS”

Filed under: Leitura — Osvaldo Luiz at 5:41 pm on segunda-feira, novembro 5, 2007

        Depois de nove meses terminei de ler o clássico “Grande sertão: veredas” de João Guimarães Rosa. É verdade que o livro é grande (mais de 600 páginas) e que estou com criança pequena em casa, mas não tem desculpas: estou lendo menos nesse ano…

         Paralelamente à história do jagunço Riobaldo, li uma versão do bate papo radiofônico diário entre o Heródoto, Cony e Xexéu: “Liberdade de Expressão” e “O amor que acende a lua” de Rubem Alves. Agora começo a ler “Jesus de Nazaré” do papa Bento 16. Apenas o sexto livro do ano… 

       E você? O que anda lendo?

MEDO DE AVIÃO

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 4:38 pm on segunda-feira, novembro 5, 2007

        Anda difícil de convencer meu filho que voar é mais seguro do que andar de carro. Explico que os acidentes são raros, que diariamente são centenas, milhares de vôos bem sucedidos. Mas o menino, nos seus oito anos, tem suas próprias lógicas. Com tantos acidentes, já nem quer ser mais jogador de futebol, pois tem que viajar muito…

        Depois dos três acidentes com helicópteros na última quinta, o problema voltou. A gente evita tocar no assunto, afinal não tem nenhuma viagem à vista. Mas foi inevitável. Saí com o argumento que já fiz, a trabalho, mais de 40 vôos sem nenhum problema. Parecia tê-lo convencido. Aí acontece esse novo acidente em São Paulo. Desisti. Afinal, são tantos que convivem com o medo de avião. Até música tem… Meu filho vai saber conviver com isso e, se repetir o caminho do pai, só vai entrar numa aeronave com 25 anos. Até lá vai poder encarar a realidade de outra forma…

         Espera-se que o país organize sua vida aérea. Planeje melhor o setor. Ficamos, no passado, um bom tempo sem acidentes graves. É verdade que o número de vôos era bem menor. Mas também é verdade que hoje temos muito mais tecnologia para se garantir segurança. Por que não estamos usufruindo desse avanço? Do maior acidente da nossa história até agora só chegam notícias ruins do setor. Acidentes, greves (operação padrão), atrasos. Atrasos que vem sendo maquiados, disfarçados. Você os absorve aos poucos. Não dizem que a viagem vai atrasar duas horas “na lata”. Começa com uma pequena alteração de horário de embarque no monitor. Você fica até aliviado: perto do que a gente vê na TV… Aí você já entre uns 15 minutos depois do anunciado. Aquela demora normal para todos se alojarem e o comandante dá uma notícia desanimadora: “estamos sem autorização para subir, sem previsão”… Depois outro anúncio: decolagem prevista para daqui 15 minutos. Finalmente no ar: não foi tão ruim… A previsão de vôo é de 1h15. Depois do lanchinho você percebe que a aeronave desacelerou. Olha no relógio e já deu o tempo. A viagem dura 30 minutos a mais. Por quê? Ninguém informou. Melhor nem saber. Melhor ter oito anos… 

“PORTA ESTREITA”

Filed under: Artigo — Osvaldo Luiz at 3:20 pm on quinta-feira, novembro 1, 2007

- “É verdade que poucos se salvam?”

        Jesus parou, pensou… Poderia responder: não! Lá tem “muitas moradas”, fique tranqüilo… Mas será que isso não produziria um efeito negativo de relaxamento? Poderia responder, também, sim é verdade e lhe previno quanto à “impureza, idolatria, superstição, inimizades, ciúmes, ódio, ambição, invejas, bebedeiras, orgias”. Quem assim age não vai pro céu! Porém, tal resposta não poderia produzir desânimo e medo? Então Jesus resolveu ir direto ao que interessa: faça um esforço porque muitos vão tentar entrar e não conseguirão. Quer dizer: o que importa é você querer, colocar como meta e se empenhar nesse sentido (perseverança). Monsenhor Jonas Abib gosta de dizer: Deus pode não nos encontrar ainda santos, mas tem que ver a gente com a “ferramenta” na mão, trabalhando pra isso.

        Optai pela “porta estreita”… “Afastai de mim, vocês que praticam a injustiça”. Porta estreita é porta justa. Jesus, em outras palavras: ponha a “mão na consciência” e faça o que é certo, aquilo que aprendemos desde pequenos. Numa palavra mais moderna: ética. Assim sendo não desprezaremos nosso encontro de salvação com os que passam fome, sede, frio e solidão.

         Nesses dias pensamos mais na vida depois da morte. Será que…? Não adianta fugir, deixar pra lá, deixar a “vida me levar”. Também não funciona ficar “neurótico”, se exasperar… Vale recuperar antigos ideais, resgatar valores, voltar às origens. E olhar com esperança a porta que um dia todos teremos que atravessar.

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