ESTUDO: NÃO FALTA ÁGUA NO SEMI-ÁRIDO; FALTA GESTÃO.
Semi-árido nordestino. Atualmente centro de uma discussão acirrada entre governo e movimentos sociais pela Transposição do Rio São Francisco. De um lado, o governo justificando investimentos altíssimos, com promessas de um sonho dourado para a região. De outro, militantes como Dom Cappio denunciando que as obras não vão favorecer as vítimas da seca e sim expoentes do agronegócio.
À distância, somos levados a ver a região como totalmente desprovida de recursos. Esquecida por Deus… Um local de segunda categoria. O que não é verdade. Estudiosos apontam que no semi-árido o que falta – espante-se – é gestão e não água. A região tem, segundo levantamentos, 11 vezes mais água que a bacia da Guanabara. A água da transposição, dois bilhões de metros cúbicos, irá se juntar a açudes que já armazenam 12 bilhões. Detalhe: 30% dessa água, inclusive das transpostas, irá se evaporar…
Isso tudo nos leva a pensar: entrará a transposição para o rol de obras da chamada “indústria da seca”? Aquela que ajudava na perpetuação de políticos através de promessas que nunca se concretizavam… Quanto dinheiro já foi transferido para se solucionar essa seca?
Artigos do jornalista Almyr Gajardoni, e de Washington Novaes, baseados no livro “A Potencialidade do Semi-árido Brasileiro” do especialista no assunto, Manoel Bonfim Ribeiro, apontam a administração como solução do problema. Para o recurso humano. Para um investimento, na verdade, simples:
em gestão. Algo barato perto da megalomaníaca e pouco eficaz transposição do Rio São Francisco.