MARINA SILVA
“Colocação” Breu Velho, Seringal Bagaço, Acre. O local de nascimento da ex-ministra do Meio Ambiente já diz muito sobre ela. Seu sobrenome: Silva. Marina Silva. Mulher simples, seringueira, doméstica. Mulher lutadora: de movimento revolucionário, das CEBs, do sindicato. Mulher comprometida, de carreira política meteórica: vereadora, deputada estadual, senadora mais jovem da história. Sua imagem frágil, sua voz mansa, sua fé evangélica, contrastam com uma postura firme, radical, até intransigente pela causa ambiental. Emprestou sua credibilidade, seu respeito, ao governo Lula, desde seu início. Mas as derrotas foram pesando: soja transgênica, transposição do Rio São Francisco, pressa das liberações ambientais do PAC, biocombustíveis, aumento do desmatamento da Amazônia e a gota d’água: lançamento do Plano de Desenvolvimento da Amazônia sob a tutela do Mangabeira Unger.
Aquela frase do saudoso educador Darcy Ribeiro ajuda a entender o pedido de demissão da Marina:
-“Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”.
Para Marina, tornou-se insuportável, “detestável”, estar ao lado dos que a venceram…