CANDIDATO SUJO OU LISTA SUJA?
A corrupção correndo solta pelo país e o TSE definiu semana passada que só estão impedidos de se eleger políticos condenados em definitivo. A sociedade tentando criar regras mais severas e a Justiça na contramão. Aí o presidente do Tribunal Eleitoral, em reunião com entidades civis, quis fazer uma média. Saiu com a história de divulgar uma lista suja. Facilitar o acesso ao histórico penal dos candidatos. Esse acesso já é livre. O Tribunal só ampliaria sua divulgação. Horas depois a assessoria do TSE anunciava que só existe um estudo nesse sentido, nada mais concreto.
Enquanto isso, a sociedade vai percebendo, pela ponta do iceberg, o tamanho da imoralidade pública neste país. Operação em Pernambuco prende mais um prefeito acusado de colocar no bolso dinheiro destinado à Saúde. O de Juiz de Fora, Minas, renunciou para não perder os direitos políticos. Foi pego com a boca na botija mas está só preocupado em continuar se elegendo, tendo foro privilegiado e acesso ao nosso dinheiro. Aliás, nova proposta da CNBB e OAB defende a punição mesmo para os que renunciem ao cargo.
Se a Justiça continua reticente, lenta, o que acaba dando sensação de impunidade, resta-nos a arma da informação. O eleitor tem o direito de saber, tim-tim por tim-tim, do passado dos candidatos. Se já responderam a processos, quais e de que são acusados. O julgamento político fica por conta do eleitor. Dar ou não um voto de confiança em alguém acusado de determinado crime, de mau uso do dinheiro público, ou suspeitas de corrupção. O que não vale é, por excesso de zelo, se privilegiar pessoas de moral duvidosa.