Onde terminam os que seguem os passos da Virgem Maria

Filed under: Sem Categoria — padrealir at 1:32 pm on quarta-feira, novembro 26, 2008

Nossa intenção, ao falarmos e meditarmos sobre a Virgem Maria nunca deveria ser para justificar-nos em nossa devoção a ela. Muito menos para rebater os nossos irmãos de outras denominações. Nossa primeira preocupação é aprender com a Mestra, a Mãe da Sabedoria. 

O que podemos e devemos é aprender com aquela que literalmente “carregou o Rei na barriga”. Quem poderia saber mais do que ela sobre como nos relacionarmos com seu Filho e nosso Salvador, Jesus Cristo?Por isso, aqui, transcrevo  uma pequena parte das visões de Catharina de Emmerich (mística alemã nascida em 1774) sobre como foi o final da vida de Nossa Senhora, em Éfeso: 

“Depois da ascensão do Filho querido, viveu Maria, três anos em Jerusalém e depois outros três anos em Betânia, em casa de Lázaro. São João, que sempre a acompanhava, levou-a para Éfeso, a fim de salvá-la da perseguição e ali viveu  ainda nove anos… 

A habitação de Maria achava-se numa colina, (…) antes de chegar a Éfeso; a colina tinha uma subida suave, para o lado da cidade. Era uma região deserta, com muitas colinas férteis e belas, com grutas limpas, entre pequenas planícies arenosas. 

Quando João trouxe a Santíssima Virgem para uma casa que lá mandara construir, já ali moravam várias famílias cristãs e algumas das santas mulheres, seja em grutas dos montes ou em subterrâneos, tornados habitáveis com alguma construção de madeira, seja em frágeis tendas. Apenas a casa de Maria era de pedra. 

A Santíssima Virgem morava ali com uma jovem empregada. Viviam recolhidas em paz e sossego. 

João não morava na mesma casa. Passava a maior parte do tempo em Éfeso ou arredores; fez também várias viagens à Palestina. Dava-lhe sempre a Santa Comunhão, rezava com ela a Via Sacra, dava-lhe a bênção e recebia-lhe também a bênção materna. 

No último período da estada ali, vi Maria tornar-se cada vez mais recolhida no amor de Deus; quase não tomava alimento. Era como se só exteriormente estivesse na terra e com o espírito no outro mundo. Parecia não notar o que lhe acontecia em redor. Vi-a, nas últimas semanas antes da morte, já muito idosa e fraca e a criada a guiá-la às vezes pela casa. 

Uma vez vi João entrar lá. Tirou o cinto e vestiu outro, que tirou de sob o manto e que era ornado de letras. No braço pôs uma espécie de manípulo e no peito uma estola. A Santíssima Virgem veio saindo do quarto de dormir, revestida toda de uma veste branca, apoiando-se sobre o braço da criada. Tinha o rosto branco como a neve e como que transparente. A saudade parecia trazê-la como que suspensa entre o céu e a terra. Desde a ascensão de Jesus, todo o seu ser tinha a expressão de uma saudade infinita e sempre crescente, que parecia consumi-la. Dirigiu-se, com João, ao lugar de oração. Puxou uma fita ou correia; então se virou o tabernáculo na parede e a cruz que lá estava, apareceu. Depois de terem ambos rezado, ajoelhados, por algum tempo, levantou-se João e tirou do peito um vaso de metal; abriu-o de um lado, tirou de lá um invólucro de lã fina e deste, um lenço dobrado, de estofo branco, do qual retirou o Santíssimo Sacramento, em forma de um pedacinho de pão branco. Depois disse algumas palavras solenes e sérias e deu à Santíssima Virgem a Sagrada Comunhão. 

Por trás da casa, até certa distância, na encosta da montanha, Maria Santíssima fizera para si uma Via Sacra. Enquanto morava em Jerusalém nunca deixara, desde a morte do Senhor, de percorrer-lhe o caminho da Paixão, chorando de saudade e compaixão. De todos os lugares do caminho onde Jesus sofrera, ela tinha medido a distância a passos: o amor imenso de Maria extremosa não lhe podia viver sem a contínua contemplação desse caminho doloroso. 

Pouco tempo depois de chegar àquela região, eu a via caminhar diariamente até certa distância, subindo a colina atrás da casa, nessa meditação da Paixão e morte do Filho amado. A princípio ia sozinha, medindo pelo número de passos que tantas vezes contara, as distâncias dos lugares onde Jesus sofrera certos tormentos. Em todos esses lugares erguia uma pedra ou, se havia ali uma árvore, marcava-a. O caminho conduzia a um bosque onde, numa elevação, marcou o Monte Calvário e numa gruta de outra colina,  o sepulcro de Jesus Cristo. 

Depois de ter medido desse modo as doze estações da Via Sacra, percorria-a, em silenciosa meditação, acompanhada da criada: em cada estação da Paixão se sentavam, recordando no coração o mistério do respectivo sofrimento e louvando ao Senhor por seu infinito amor, com lágrimas de compaixão. Depois arranjaram as estações ainda melhor e vi  que a Santíssima Virgem escrevia com um buril, na pedra assinalada, a significação do lugar, o número dos passos, etc. Vi também depois da morte da Santíssima Virgem, os cristãos percorrerem esse caminho prostrando-se por terra e beijando o chão” (1). 

Que ensinos maravilhosos podemos obter destas atitudes de nossa Mãe e Mestra, a Virgem Maria. Quem ousa dizer que em algum momento Maria tenha o lugar de Jesus na salvação da humanidade. 

Nossa Igreja católica a chama de  medianeira de todas as graças. Ela é o  canal da graça. Embora ela seja cheia de graça (Lc 1, 28), como o anjo a chamou, ela não é a fonte mas o canal das graças. Por isso, ela disse “faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,18). Ela segue rigorosamente o que nos ensina a Palavra de Deus em Hb 4, 16:  “Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno”.  

O trono é a cruz. A fonte inesgotável da misericórdia é o Coração aberto de Jesus. Dali saiu sangue e água. A eterna fonte de misericórdia jamais se fechou. Continua aberta para todos.  

Assim podemos, facilmente, constatar qual é o ponto final de quem “embarca no colo da Mãe, a virgem Maria”: embaixo da cruz, sob o trono da graça. Era este local onde ela mais costumava frequentar. Se foi o seu local preferido, deve ser o local preferido aonde conduz seus filhos. 

Não tenhamos receio em consagrar-nos total e eternamente a Nossa Mãe santíssima. Nossa primeira mãe (Eva) esteve embaixo de uma árvore, no paraíso. Ali estava pendurada, numa árvore, a serpente. Maria nos leva para outra arvore onde está dependurado o Salvador. Da antiga árvore brotou a condenação, da nova arvore nos veio a salvação. Não vão faltar mulheres e “mães” que nos tentarão seduzir  e  conduzir a  “arvores” onde se encontra a serpente. Escolhamos a arvore onde está Aquele que venceu definitivamente a antiga serpente. E com Ele nós somos mais que vencedores.  

Quem decidir ser inteiramente de Maria precisará ser como Jesus diz que devem ser seus seguidores: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9, 23). 

Seguir Maria é terminar embaixo da Cruz, no trono da graça. Para seguir Jesus é preciso renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Com eles (Maria e Jesus) terminaremos nossa viagem na casa do Pai, como Ele afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Tenhamos todos, este final feliz, seguindo nossa Mãe e Mestra. 

1 EMMERICH, AC. Vida, Paixão e glorificação do Cordeiro de Deus. Mireditora, São Paulo 2007. Ps. 405 – 406. 

3 Comentários »

Comentário by Leo

26/11/2008 @ 19:55

Quanto tempo, padre!

Comentário by Heloisa

24/09/2010 @ 18:06

Padre e muito lindo onde viveu nossa senhora depois da morte de jesus,eu vizitei a casa em efezo na Turquia,nunca imaginava de ter tido uma emocao tao grande em minha vida.
E sei que ela abencou meus passos, e minha vida.

Comentário by padrealir

11/06/2011 @ 00:09

ok obrigado

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