A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 8:34 am on sábado, abril 26, 2008

A celebração da primeira missa no Brasil, deu-se no domingo de Páscoa, a 26 de abril de 1500, quando fincaram a Cruz no chão macio de um banco de areia em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia. Esta cerimônia seria a primeira de tantas, que desde então, foram celebradas, neste, que veio a tornar-se o maior país católico do mundo.

Disse Pero Vaz de Caminha, na  Carta a El-Rei, em primeiro de maio de 1500:“…E quando veio o Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós… e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção. Enquanto dois carpinteiros separavam um enorme tronco para a feitura da Cruz, os índios, uns oitenta ou mais, tagarelas, estorvantes, rodeavam os marinheiros em seus afazeres, olhando pasmos o efeito do fio do ferro na árvore. Da mata próxima vinham os barulhos da bicharada, o ruído forte dos papagaios, dos bugios, e de uma poucas pombas rolas“. 

O Frei Henrique de Coimbra oficiou-a todo paramentado, enquanto a tripulação congregava-se na praia as voltas do altar. Tomavam posse daquela Ilha de Vera Cruz, em nome do rei de Portugal e da santa fé católica. Os nativos, dóceis, se portaram de tal modo que Caminha convenceu-se da fácil conversão deles no futuro. Um par de padres, dos bons, escreveu ele ao rei, bastava”.

Assim teve início a história do nosso país: embaixo de uma cruz.

O primeiro e mais importante ato foi realizado cindo dias após a chegada dos portugueses aqui: a celebração do santo sacrifício da Missa. O sangue do cordeiro, o único e eterno sacrifício aceito pelo Pai, já era oferecido nesta Terra de Santa Cruz, há 508 anos.

Começamos Bem! Iniciamos sob o signo da cruz e oferecendo o preciosíssimo corpo e sangue de Jesus ao Pai, na Santa Missa.Após o descobrimento, bem antes desta terra ter sido banhada por qualquer outro sangue, ela foi consagrada pelo Sangue bendito do Filho de Deus oferecido sobre o altar naquele memorável 26 de abril de 1500.

É por isso que somos um povo cheio de esperança. Porque iniciamos embaixo da cruz. Iniciamos no local da vitória.

Se esta terra foi batizada com o nome  de Terra de Santa Cruz, temos como sonho e confiança em Deus, que um dia esta será a Terra da Vitória,  do triunfo definitivo do crucificado que ressuscitou: Jesus de Nazaré.

Como o inimigo foi vencido na cruz, aqui chegará o dia em que ele finalmente será banido e teremos o reino definitivo da Cruz. O que iniciou com a Cruz haverá de terminar também com a vitória definitiva dela.

Portanto, ao olhar para Jesus, não devemos jamais esquecer  o que Ele afirmou:  “…quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32).

Haverá um tempo que ninguém resistirá a esta atração da cruz.

Por isso, mantenhamos a esperança e trabalhemos para que isto aconteça o mais breve possível. “Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. (2Pd 3,13)

A palavra nos aponta e nós precisamos alimentar esta esperança que se transformará numa certeza: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia”. (Ap 21,1) 

DERRUBA O MURO, ABRE A PORTA!

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 9:50 am on terça-feira, abril 22, 2008

Jesus é a nossa paz. Ele, que, de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separava.” (Ef 2,14.”Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; tanto entrará e sairá e encontrará pastagem”. (Jo 10,9) 

O muro separa (de um ou de outro lado).A porta divide (dentro ou fora).Jesus destruiu o muro e abriu a porta. Mais que abrir, Ele se apresenta como a porta, dizendo: se entrar será salvo e encontrar pastagens.

Aquele que ficar de fora, que não passar pela porta, não terá acesso a estas benesses e regalias que se encontram do lado de dentro da porta. Se Jesus diz que será salvo quem estiver do lado de dentro da porta, é porque quem está do lado de fora está “perdido”.

Dessa forma, fica clara a diferença. Da porta para dentro, salvo, curado, restaurado, bem alimentado com as melhores pastagens. E do lado de fora? Ocorre o inverso de tudo o que há lá dentro. Se lá dentro, há “vida em abundancia”, do lado de fora da porta deve haver vida de carestia, miséria, pobreza e condenação.

O salmo 22,1-5, bem relata a vida do lado de dentro, daqueles que passam pela porta (Jesus): “O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes, restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome. Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo. Prepara para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derrama o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça”.Assim acontece a vida em abundancia e de qualidade, que Jesus quer para suas ovelhas. Quantos têm a sua fé e religião como um fardo, uma obrigação! Talvez porque ainda não ouviram a voz do pastor dizendo: vem… vem ficar comigo! Deixa-me carregar-te nos meus ombros, saciar-te, alimentar-te com os melhores manjares. Segue-me e eu te conduzirei a uma vida de qualidade e felicidade que jamais imaginavas que pudesse existir.

Convite!

O convite é feito para todos: bons e maus, santos e pecadores. Todos são convidados a entrar. Quem de nós se recebesse um convite para um almoço numa ótima churrascaria preferiria ficar do lado de fora “degustando” apenas a fumaça que sai da chaminé? Quem não conhece a Jesus e não entra por Ele, fica assistindo o banquete. É sofrido ver os outros comerem e nossa boca encher-se de saliva…Para que isto não aconteça, entremos pela porta! O muro já foi derrubado. A porta está aberta e nos convida entrar por ela.Que pastagens será que o Divino Pastor tem para nos oferecer?     

Sua carne, como comida;

 Seu sangue, como bebida;

Seu Espírito, para saciar nossa sede de ser amados;

Sua Palavra, para nos iluminar;

Seu Pai, para nos acolher… e muitas, muitas graças!

E eu, vou escolher ficar do lado de fora?

Perder essa oportunidade?

Somente vendo e não aproveitando dessas deliciosas pastagens que o pastor oferece de graça? 

“O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!” (Ap 22,17) 

IDOLATRIA

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 4:45 pm on quinta-feira, abril 17, 2008

Idolatria é escolher, adorar e servir um deus falso em lugar do Deus verdadeiro.São Paulo definiu muito bem a idolatria: “Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos!” (Rm 1,25). 

Uma das diferenças do Deus verdadeiro do deus falso é que o deus falso é “oco”. Por isso que no passado um dos símbolos dos deuses falsos eram as imagens ocas.Representavam um “deus oco”. Um deus “vazio”, fraco!Hoje, o grande erro é confundir a idolatria com as imagens. Idolatria é escolher um deus falso. Escolher adorar e servir à criatura ao invés do criador. Estas criaturas são as mais diversas. Para identificar os deuses falsos de hoje não é tão difícil.  

Os atuais ídolos, os deuses falsos os deuses “ocos” dos nossos dias são:

O Prazer, o Poder e o Ter

Estes são os ídolos, “deuses ocos” dos tempos atuais.Por serem ocos não satisfazem nunca os que os buscam.  

Esta é, por exemplo, uma das razões por que não encontramos nenhum ganancioso que diga: “Tenho dinheiro que chega, estou satisfeito”. Quando o dinheiro se torna um ídolo, um deus oco ele não preeenche o coração do ser humano. 

O mesmo vale para o prazer. Quem faz do prazer um deus, este nunca se satisfaz. Busca-o desenfreadamente e sente-se sempre vazio. Vai à praia, ao jogo de futebol, viaja, como, bebe, mas sente-se sempre vazio. Por que está indo atrás de um deus “oco”, de um ídolo. 

O mesmo podemos dizer do poder. Quem tem o poder não para servir mas para dominar. Busca sempre tê-lo mais e nunca está satisfeito. Neste caso o poder se transforma num deus falso, oco, um ídolo.  

A idolatria é o maior pecado. A árvore da qual brotam os outros nossos pecados. É uma escolha de um deus oco e não um cheio. Por isso que deixa vazios os que o escolhem adorar e servir.

DESPERTA, TU, QUE DORMES! (Ef 5,14)

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 1:04 pm on terça-feira, abril 15, 2008

No último dia 10 de abril p.p., nós, sacerdotes, tivemos uma manhã de formação com o padre Garcia Miranda, da ordem dos Jesuítas, sobre a V Conferência de Aparecida (Documento de Aparecida – DA).

O padre Garcia participou da elaboração do texto de preparação e do texto final do documento, além de ter-se dedicado o tempo todo à equipe de redação durante o evento, podendo, dessa forma,e falar com conhecimento de  causa.Ele destacou alguns aspectos do documento final:

a.    No início do Cristianismo, ninguém conhecia a Jesus. Foi necessário anunciá-lo, torná-lo conhecido. Assim, quem se tornava cristão, fazia uma opção clara de seguimento a Jesus Cristo, como seu mestre. Antes de fazer esta opção, a pessoa recebia o primeiro anúncio (querigma). Tinha um encontro pessoal com Jesus e passava a fazer parte uma comunidade como membro vivo.

b.    Depois de alguns séculos deixou-se de realizar este anúncio mais explicito de Jesus. Assim, há até pouco tempo, supunha-se que as pessoas tivessem um conhecimento sobre Jesus. Esta suposição devia-se ao fato de existir uma tradição católica secular.

c.    A conclusão agora é esta: a maioria dos batizados possui apenas um conhecimento teórico sobre Jesus. Assim mesmo, muitas vezes superficial.d.    Por isso, a Igreja quer destacar em sua ação evangelizadora os quatro eixos (DA 226), conforme segue:

  1. Todo católico precisa ter um encontro pessoal com Jesus. Pode afirmar que conhece Jesus, quem teve um encontro pessoal com Ele, assim como Paulo o teve, no caminho de Damasco. Cada um, necessita ter o seu encontro pessoal. Isto se dá de modo especial, ouvindo-se a Palavra de Deus, anunciada na força do Espírito Santo. Geralmente, quem tem este encontro, sabe bem o local, dia e até hora, pois trata-se de um momento inesquecível. Quem ainda não o teve, não terá como dizê-lo. Dessa forma, é necessário que todos os católicos recebam o anúncio do querigma e tenham uma experiência pessoal com Jesus. Esta será a tarefa prioritária da Igreja a partir de agora, segundo propõe o DA
  2. Converter-se e viver em comunidade. Quem se encontra com Jesus, deve sentir o desejo de mudar de vida e passar a viver em comunidade. Ali, continuará alimentando-se da Eucaristia e da Palavra, tornando-se então um membro do corpo de Cristo.
  3. Aprofundar sua formação no conhecimento da Bíblia e na doutrina católica.
  4. Ter uma experiência pessoal com Jesus. Inserir-se numa comunidade e aprofundar o conhecimento. Depois disso, tornar-se um missionário. Ser missionário é algo intrínseco a ser católico. A Igreja quer que digamos: sou católico, logo, sou missionário.

Outros destaques foram apontados por ele durante o encontro:

o     Passar de uma pastoral de conservação para uma pastoral de  conquista. Ir ao encontro dos desgarrados;o     Ter uma pastoral que atue de forma acolhedora e se preocupe com  todas as necessidades das pessoas, sejam elas, espirituais, psicológicas, econômicas, sociais, etc.

o     Bento XVI convocou a Igreja a estar mais presente na mídia, na política e na universidade.

o     Criar uma rede de comunidades. Os pequenos grupos ajudarão a formar comunidades e serão um grande remédio contra a solidão, na qual vivem muitas pessoas ao nosso redor, hoje em dia. 

PONTO FINAL: ALEGRIA

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 3:36 pm on sexta-feira, março 28, 2008

alegria-guri.jpg    Quando viajamos fazemos uma passagem. Saímos de um lugar e vamos para outro. Ao chegar no novo lugar comparamos com o outro onde estávamos anteriormente. Então concluímos: aqui é melhor ou pior de onde estávamos antes.

Antes de pecar Adão e Eva estavam no paraíso. Para continuar lá eles não deviam comer do fruto proibido. Mas, acharam que era melhor desobedecer, mesmo com todas as conseqüências que viriam desta sua escolha. Comeram o fruto e foram expulsos. Fizeram uma passagem do paraíso para uma vida cheia de sofrimentos. Do “paraíso para o inferno”.

Páscoa significa passagem. No paraíso Adão foi expulso, “carregando consigo Eva”. Na páscoa, Jesus, o novo Adão, carregando todos os pecados da humanidade faz o caminho de volta. Ou melhor, abre o caminho de retorno para que o homem possa novamente retornar ao paraíso.

Adão e Eva passaram da alegria para a tristeza, da felicidade para infelicidade. Foram iludidos pela serpente e se deram mal. Pensavam que seriam bem mais felizes desobedecendo. O que aconteceu foi o contrário.

\Os pecadores são tristes e infelizes. Os santos, felizes e alegres. Por isso que páscoa é a festa da alegria.

Durante quarenta dias fomos procurando abandonar os pecados (fonte de tristeza) e viver as virtudes (fonte de alegria). Quem realmente pode dizer que fez a Páscoa? Quem buscou o arrependimento, a conversão e deseja iniciar uma vida diferente: longe do pecado e próxima da santidade. A conseqüência disto será uma vida cheia de alegria, bem mais parecida com aquele que Adão e Eva levavam no paraíso. Quem fez uma boa quaresma experimenta uma ótima alegria na Páscoa.

A passagem pode ser cara e a viagem difícil, mas vale a pena. É como quem escala uma montanha. Quando chega no topo, a visão é a compensa de todo esforço realizado.

Parabéns a você que conseguiu fazer uma boa passagem.

Boa estadia na nova vida de alegria quem têm os que procuram uma vida de santidade.

Feliz Páscoa!

Que tentação!

Filed under: FORMAÇÃO — padrealir at 4:40 pm on quinta-feira, março 13, 2008

Quem tenta apresenta algo atraente. Oferece alguma coisa que parece “mais gostosa e saborosa do que já se tem ou se está vivendo”. Assim foi com o fruto que a serpente ofereceu para Eva: atraente.

No Pai-nosso Jesus nos ensinou pedir ao Pai que “não nos deixe cair em tentação”. O verdadeiro Jesus de Nazaré – que nos salvou, pagando toda nossa dívida com seu sangue derramado na cruz – propôs para os seus seguidores que “tomem sua cruz cada dia: “Se alguém quer vir após mim, renuncie  a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16, 24). É evidente que esta proposta de Jesus não é atraente para quer quiser seguir o Salvador. Muito menos é apreciada pelo demônio, vencido por Ele na cruz.O demônio foi vitorioso quando ele estava sobre uma árvore no paraíso. Numa outra árvore – a cruz – onde Jesus foi pregado, a serpente foi derrotada. Por isso ele propõe para os seus “seguidores e servos” uma vida sem cruz, sem sofrimento. Justamente o inverso daquilo que Jesus propõe: “tome a sua cruz, a arma da minha vitória”.Cair na tentação pode ser abandonar uma religião que exalta a cruz e passar  para outra que dispensa a cruz.Quem rejeita a cruz, rejeita o que nela foi crucificado: “há muitos por ai que se comportam como inimigos da cruz de Cristo” (Fl 3,18). Esta é a grande tentação para todos nós: querermos somente as bênçãos e graças de Deus, mas fugirmos da cruz.

Dia 14 de setembro é o dia da Exaltação da Cruz. Nesta sexta feira Santa ela será venerada e tão bem recordade. Façamos deste dia e de todos os demais de nossa vida uma ocasião para abraçarmos a cruz e com ela o salvador, clamando todos os dias: Pai, livra-me do mal de rejeitar a cruz. Pai, não me deixe cair nesta tentação.

Vejamos o que Deus nos diz na sua Palavra: “A pregação da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é força de Deus. Pois tanto como os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria. Nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”. (1Cor 2, 18.22-23).

Quantos de nossos irmãos já caíram na tentação: abandonaram a Igreja Católica por que não queriam a cruz. Foram para outros lugares “sem cruz”. Apenas com o “ressuscitado”. Nada de “Jesus crucificado”. Quantas vezes, nós mesmos na Igreja Católica, não queremos a cruz. Temos vontade de largá-la. Quando aparecer esta tentação, clamemos aos céus: “Pai, não me deixe cair nesta tentação”! E que tentação!

Uma boa e santa Semana Santa!

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