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Terça-feira da 5ª semana do tempo comum
fev 9th, 2010 by Padre Anderson

Marcos hoje nos apresenta o problema que alguns fariseus e mestres da Lei vindos de Jerusalém colocaram a Jesus. Sua intenção era descobrir se, na formação dada por Jesus a seus discípulos, ele os incitava à não-observância da Lei. A fama do Mestre havia chegado à capital onde se supunha que a prática da religião fosse irrepreensível. Pelo que se dizia dele, parecia que seu ensinamento não se enquadrasse nos padrões religiosos da época, e suas orientações rompiam com o sistema religioso estabelecido.
Quem se tinha aproximado do Mestre com o intuito de desmascará-lo, acabou sendo desmascarado por ele. Tudo começou com a crítica feita aos discípulos: Por que se sentam à mesa sem antes terem lavado cuidadosamente as mãos?. Era um costume fundado numa série de preconceitos. Um deles é que o contato exterior com as coisas pode tornar impuro o coração humano. Outro era o medo de ter tido contato com algum pagão e, por isso, ter contraído alguma impureza. A impureza interior explicava-se, pois, por um gesto puramente exterior.
Jesus pôs-se a demonstrar como a tradição considerada exemplar era, em última análise, caduca, e podia ser inescrupulosamente manipulada. Exemplo disso era a forma desumana como muitos mestres da Lei e fariseus “piedosos” tratavam seus pais, distorcendo a Lei, a ponto de interpretá-la a seu favor. A impiedade era, assim, acobertada por uma falsa piedade. O Mestre Jesus procurava evitar que seus discípulos fossem contaminados por esta mentalidade.
É muito grave quando Deus não apenas faz advertências a respeito da conduta do seu povo, mas o acusa da gravidade de suas escolhas. Quando Jesus diz que ‘vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens’ está apontando o núcleo inspirador de atitudes comprometedoras de um povo que se apresenta como religioso, guardião da prática religiosa correta. No entanto, desloca, friamente, e com uma convicção inquestionável, a Deus do seu lugar insubstituível de centro da vida dos que crêem. Nada é tão grave. Nada é tão grave quando o coração humano e sua inteligência passam a ser a única medida correta de arbitragem do que é certo e do que é errado. Tudo é possível quando cada pessoa, ancorada em práticas religiosas, ritualmente obedecidas com rigor, se torna a medida única e última de tudo. Os resultados são arbitrariedades e insolências, impiedades e maldades que eliminam tudo e todos os que não se localizam no enquadramento estreito desta pretensão humana. O absurdo deste procedimento alcança o ápice de pretender envolver a Deus, colocando-se ao seu redor, como os conterrâneos religiosos de Jesus fizeram com Ele, certos de sua condição moral questionável, para apresentar questionamentos de tal modo a assumirem o próprio lugar de Deus quando o julga e aos seus como incorretos, desrespeitosos e sem autoridade.
O centro da questão para a disputa estabelecida com Jesus Mestre, fruto da posição pretensiosa assumida pelos fariseus e mestres da lei, é o fato de os discípulos de Jesus comer sem lavar as mãos. A tradição incluía abluções rituais. Havia um escrúpulo de se ter tocado coisas impuras antes da refeição com o conseqüente risco de contaminação. É bom entender que a higiene focalizada não se refere àquela necessária para que não se corra o risco de comprometimentos sanitários. A preocupação e a ritualidade assumida se deve a uma concepção de puro e impuro, segundo critérios muito próprios que chegam às raias de doentios e até perversos, criando preconceitos e transformando a vivência religiosa em maldosa consideração dos outros para verificar a quem condenar ou criar condições de desmoralizações. Jesus reage à tentativa de desmoralização que buscar aplicar sobre ele. Na verdade, em Israel um Mestre não tinha autoridade se não conseguisse que os seus discípulos obedecessem à risca todos os preceitos e ritos previstos pela prática religiosa.
Certamente, com satisfação, que é o sentimento dos perversos e dos convencidos de sua oca dignidade moral, os interlocutores de Jesus pensavam ter encontrado um meio de desmoralização do Mestre e condenação dos seus discípulos. Este é o único caminho comum e sempre muito explorado dos hipócritas. Buscam conquistar autoridade e validar suas posições com a desmoralização dos outros, ainda que seja fruto de suas perversas e obscuras pretensões. Os honestos, de verdade, não necessitam atacar, destruindo os outros, para encontrar o seu próprio lugar de autoridade e reconhecimento. Jesus chama todos estes de hipócritas. Não são poucos. A hipocrisia se vence com algo mais que ultrapassa o simples cumprimento de ritos e normas que encobrem mentiras e interesses pessoais. Hipócrita é, pois, uma condição que define aquele que é capaz de fazer e falar sem deixar transparecer os enganos, critérios perversos e mentiras que estão sempre guardadas com força de cálculo no fundo do coração. A hipocrisia é uma verdadeira cultura que muitos dela vivem sem perceber, outros a adotam como artimanha para conseguir seus propósitos e não poucos se gabam das práticas que engambelam os outros para se alcançar os próprios interesses, tantas vezes imorais, prejudiciais ao bem comum, perversos e maldosos para com os outros.
Jesus contrapõe a proposta de prática religiosa dos seus conterrâneos. Não é uma simples contestação dos ritos, menos ainda um desleixo e ou uma atitude de simplesmente contestar e desconsiderar, como ato de insolência e de arbitrariedade. O coração de Deus é misericórdia, amor, sinceridade a toda prova. Deus não usa artimanhas. Quem usa artimanhas não é capaz de amar de verdade. Interessa alcançar os próprios propósitos, mesmo que estes sejam destrutivos e comprometedores do bem de instituições e de pessoas. Jesus reorienta o sentido da prática religiosa mostrando que sua essência, para dar vida aos ritos de não deixá-los cair numa complicada esterilidade, supõe um cuidado especial com o próprio coração.
O discípulo, então, é aquele que nutre no coração uma experiência inspirada nos sentimentos do coração de Deus. A interioridade é, na verdade, a força sustentadora da autêntica experiência de fé, de culto a Deus e de sinceridade no relacionamento com os outros. Jesus pede dos seus discípulos esta construção e esta conquista. O de fora se sustenta autenticamente a partir do que está no fundo do coração. Manter as aparências e enganar é hipocrisia. O discípulo de Jesus não pode descambar na direção da hipocrisia. Isto só é possível na medida em que o discípulo compreende que o impuro não é o entra nele vindo de fora, explicou Jesus chamando para perto de si a multidão. Impuro é o que sai do interior. Ele recorda em linguagem bem direta que o que sai do interior é que é impuro: as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Jesus conclui: ‘Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem’. É fácil colocar capaz, roupas e cores que indicam outras coisas, até nobres. O que vale é verificar o fundo do coração, diante de Deus e da própria consciência. Deus, não se engana. Ele, mais do que qualquer outro, mesmo a própria pessoa, conhece o mais escondido do coração. Ao discípulo só resta uma alternativa.
Passar a limpo a própria interioridade, permanentemente, e escolher sempre o caminho do amor que resgata, nos recria, nos perdoa e nos reconcilia com Deus. Outra opção de que devemos a todo custo fugir é hipócrita. Isto é, a condição de um povo que ‘louva com os lábios, mas o coração está longe de Deus’. O nosso coração como os Apóstolos deve ser verdadeiramente íntimo de Deus.

Segunda-feira da 5ª semana do tempo comum
fev 8th, 2010 by Padre Anderson

Depois dos discípulos terem anuido ao convite do Mestre, abandonaram a casa de Simão e partiram para outras regiões da redondeza. E no Evangelho de hoje vemos os discípulos fazendo a travessia do mar agitado com seu próprio barco desembarcando em Genesaré e logo o povo reconhece Jesus.
O povo vai em massa atrás de Jesus. Eles vêm de todos os lados, carregando seus doentes. O que chama a atenção é o entusiasmo do povo que reconheceu Jesus e vai atrás dele. O que o move nesta busca de Jesus não é só o desejo de encontrar-se com ele, de estar com ele, mas também o desejo de obter a cura das suas doenças.
A salvação é dirigida a esta multidão formada por gentios e judeus marginalizados. São os moradores dos povoados, cidades e campos por onde Jesus andava, com seus discípulos. Jesus realiza a sua atividade sobretudo entre as camadas mais sofredoras e abandonadas do povo, costituindo, praticamente, a única esperança dessa gente.
O enfoque é a presença física libertadora de Jesus. As curas são conseguidas com o toque, pelo menos na franja do manto dele. A doença generalizada é fruto das barreiras a exclusão.
A cura resulta da libertação da exclusão e é fruto da acolhida. Assim como, fisicamente,
o pão foi partilhado, o mesmo vale para o corpo. A comunicação não se faz apenas pela palavra. Faz-se também pela partilha do corpo. A presença física, o toque, o abraço, o sorriso acolhedor, o olhar compreensivo e atento, a compaixão complementam a força comunicadora da palavra libertadora.
Desde o começo da sua atividade apostólica, Jesus anda por todos os povoados da Galiléia para falar ao povo sobre o Reino de Deus que estava chegando (Mc 1,14-15). Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus, acolhe e cura os doentes, em qualquer lugar: nas sinagogas durante a celebração da Palavra nos sábados (Mc 1,21; 3,1; 6,2); em reuniões informais nas casas de amigos (Mc 2,1.15; 7,17; 9,28; 10,10); andando pelo caminho com os discípulos (Mc 2,23); ao longo do mar na praia, sentado num barco (Mc 4,1); no deserto para onde se refugiou e onde o povo o procurava (Mc 1,45; 6,32-34); na montanha, de onde proclamou as bem-aventuranças (Mt 5,1); nas praças das aldeias e cidades, onde povo carregava seus doentes (Mc 6,55-56); no Templo de Jerusalém, por ocasião das romarias, diariamente, sem medo (Mc 14,49)! Curar e ensinar, ensinar e curar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). O povo ficava admirado (Mc 12,37; 1,22.27; 11,18) e o procurava em massa.
Na raiz deste grande entusiasmo do povo estava, de um lado, a pessoa de Jesus que chamava e atraía, e, de outro lado, o abandono do povo que era como ovelha sem pastor (cf. Mc 6,34). Em Jesus, tudo era revelação daquilo que o animava por dentro! Ele não só falava sobre Deus, mas também o revelava. Comunicava algo do que ele mesmo vivia e experimentava. Ele não só anunciava a Boa Nova do Reino. Ele mesmo era uma amostra, um testemunho vivo do Reino. Nele aparecia aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. O que vale não são só as palavras, mas também e sobretudo o testemunho, o gesto concreto.
Pela fé, todos nós esperamos e sonhamos com o Reino de Deus, como um novo tempo, onde não haverá dor nem lágrimas. Ao curar muitas pessoas, Jesus mostra que Deus reprova tudo o que faz o ser humano sofrer. Mergulhemos na certeza de que nossa missão é seguir os passos do Mestre para construir este “novo tempo”, entre nós.

Resumo da Carta aos Filipenses
fev 7th, 2010 by Padre Anderson

Filipos era uma grande cidade fundada por Filipe II, pai do Imperador macedônio Alexandre Magno, e que o imperador romano Augusto transformou em importante posto avançado de Roma (At 16,12). Durante suas viagens Paulo esteve três vezes em Filipos, e fez fortes laços de amizade com os cristãos. Esta carta é chamada de ¨a carta da alegria cristã¨, por repetir 24 esta palavra, aos filipenses que sofriam perseguições, como ele na prisão. ¨Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos! ¨ (Fl 4,1). Nada pode tirar a alegria daquele que confia em Jesus.

5º Domingo do tempo comum
fev 7th, 2010 by Padre Anderson

A Palavra de Deus nos traz a vocação do profeta Isaías e do apóstolo Pedro. Este chamado - sentido exato da palavra ‘vocação’ - têm muito a nos dizer hoje.
Isaías, no Templo de Jerusalém, faz a experiência da presença do Senhor. Uma presença maravilhosa (‘toda a terra está cheia de sua glória’), uma presença que traz medo. As portas do templo tremem e um sentimento lhe vem: ‘ai de mim, estou perdido; sou um homem de lábios impuros e vi o Senhor’. Maravilhamento e terror. Mas o anjo do Senhor toma uma brasa do altar, toca os lábios de Isaías, purificando-os e eliminando toda a culpa. Assim, ele vai tornar profeta – não um adivinho do futuro – mas aquele que ‘profere’, que fala em nome de Javé.
Pedro, pescador da Galiléia, está em sua barca. Viveu uma noite desanimadora de trabalho sem resultado. O Senhor entra na barca, e dela ensina a multidão. A barca é um símbolo da Igreja, onde a palavra de Jesus é proclamada e ouvida, e de onde a rede é lançada. ‘Avança para águas mais profundas’, ordena Jesus. Nas Escrituras, o mar é um lugar perigoso onde habita o monstro marinho. Perto da margem, há mais segurança. Nas águas mais profundas, há muito mais perigo. ‘Avança para águas mais profundas’, pois é lá que neste momento estão os peixes.
Pedro e seus companheiros realizam uma pescaria extraordinária. E reconhecem um sinal inequívoco da presença de Deus. Muitos séculos depois, pescadores do Rio Paraíba do Sul realizam outra pesca extraordinária e encontram nas redes uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Reconhecem aí a ação de Deus pela intercessão de Maria. Aí nasce a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Pedro, diante do maravilhoso, do sinal divino, sente medo e culpa: ‘Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador’! Mas o Senhor afasta o medo e a culpa e o convoca para uma grande missão: ser ‘pescador de homens’, conquistar pessoas para Deus e para o seu Reino.
Também nós podemos ter momentos fortes em que sentimos a presença de Deus, em que sentimos estar diante do mistério que envolve a nossa vida. Diante dele, também nos maravilhamos e sentimos nossa pequenez, nossa contingência e nossa miséria. Também nós podemos nos sentir pecadores (e quem não é?). E mais que isso: podemos nos autodepreciar, achando que a amizade com Deus não é para nós, que a obra de Deus não nos diz respeito, que Deus jamais vai se servir de nós.
Pois bem, é aí que a vocação de Isaías e de Pedro nos mostra algo muito importante: Deus não nos vê como nós nos vemos. Isaías, de lábios impuros, é purificado e se torna profeta. Pedro, pecador tomado de espanto, torna-se um intrépido apóstolo. O olhar de Deus sobre nós é um olhar de amor, o olhar de quem nos criou, o olhar de quem quer o nosso bem, o olhar de quem é ‘mais íntimo em nós do que o nosso próprio íntimo’. O olhar de Deus é o olhar de quem conhece os nossos talentos, de quem sabe de todo o nosso potencial, de quem percebe a nossa capacidade de fazer o bem. É na fé de quem nos olha com este amor que também nós podemos descobrir a nossa vocação, a nossa missão neste mundo.
Esta vocação, chamado divino, não nos é revelada pela aparição de um anjo, não nos é comunicada por telefone nem por e-mail. Ela é descoberta por quem estiver atento aos sinais de Deus na natureza e na história. Nós somos batizados em nome de Jesus Cristo, sacerdote, profeta e rei. Recebemos no batismo a unção para participarmos de sua missão, para colaborarmos com Pedro e seus companheiros, ‘pescadores de homens’, para que no mundo haja vida em abundância.
Os inimigos da nossa vocação, talvez os maiores, são a culpa e o medo: ‘Afasta-te de mim, Senhor, porque sou pecador’! A culpa alimenta o medo. E a culpa se alimenta de uma visão legalista de Deus, que o torna implacável e opressor. Sobre isto, vale a pena lembrar algo que disse o papa Bento 16. No ano passado, ele deu uma entrevista à televisão alemã, e tratou de sua visita a Espanha. Um dos entrevistadores observou que naquela ocasião o papa não havia falado de temas polêmicos como casamento gay e reprodução humana. Bento 16 respondeu que é preciso começar pelo positivo, não pelo negativo e acrescentou: “o cristianismo não é um conjunto de proibições, mas é uma opção positiva. É muito importante evidenciarmos isto porque esta consciência, hoje, quase desapareceu”.
De fato, na história da Igreja se constata um passado com uma carga enorme de ênfase no pecado, gerando culpa e medo. Um historiador chega a falar da ‘pastoral do medo’, centrada na pregação sobre o pecado e na ameaça da condenação. Ainda hoje, há na Igreja quem interprete a doutrina da maneira mais restritiva e condenatória possível, com obsessão pelo pecado, sobretudo em relação ao sexo. É a pastoral do medo, que às vezes se torna pastoral do terror. Ainda hoje, em muitos ambientes, o catolicismo é visto como um conjunto de proibições: não pode isto, não pode aquilo, não pode aquilo outro, etc…
É preciso mudar. É preciso sair do legalismo asfixiante para religião do amor. Bento 16 apontou um caminho certíssimo. Mas é um longo trabalho para que a Igreja se encaminhe devidamente.
Que a vocação de Isaías e de Pedro nos inspire. O Senhor que nos olha com amor, expulse os nossos medos e temores. Que ele nos faça descobrir a nossa vocação e trilhar o caminho da vida em abundância. Amém.

Sabado da 4ª semana do tempo comum
fev 6th, 2010 by Padre Anderson

Pegando a frase do Evangelho: a multidão estava como que ovelhas sem pastor, Jesus atrai para si o título de pastor. Este atributo a Jesus, recebe a sua justificação na observação do evangelista ao interpretar os sentimentos do coração do Senhor vendo as multidões que O seguiam, Jesus se compadeceu delas, teve pena. Mestre desde o início da Sua missão convida os discípulos, a todos manifestarem aos homens o amor de Deus por eles. E, em poucas linhas, podemos ter o quadro da vida de Jesus com os Apóstolos e a multidão do povo: a intimidade do Senhor com o grupo dos Doze em ordem à formação dos mesmos, a atividade intensa da vida pública de Jesus e dos Apóstolos, o entusiasmo do povo pelo Senhor, a sua disponibilidade apesar da fadiga, por fim, os sentimentos profundos de Jesus perante esse povo, errante e faminto. É assim que Deus olha para mim e para ti bem como para toda a tua família e os homens no mundo inteiro. Deus deseja e quer que todos O procuremos: Havia ali tanta gente, chegando e saindo.
Embora com o desejo e a vontade de atender a todos, Jesus com os apóstolos ele ressalta a sua necessidade de descanso, depois as tarefas apostólicas. Para dize que também o missionário precisa de descanso. Um tempo de retiro, de recuperação das energias, de intimidade com Deus. Foi por isso que quando voltam empolgados com os resultados da missão, a primeira reação do Mestre é convidá-los para uma retirada, para que possam refazer as forças. Jesus tem critérios que não correspondem com o grande critério da sociedade nossa – o da eficácia! Para ele, os apóstolos não eram máquinas, mas em primeiro lugar pessoas humanas, que necessitavam de ser tratados como tais. O trabalho – mesmo o trabalho missionário – não é o absoluto. Jesus reconhece a necessidade dum equilíbrio entre todos os aspectos da vivência humana. Aqui há uma lição para muitos cristãos engajados hoje - embora devamos nos dedicar ao máximo pelo apostolado, não devemos descuidar das nossas vidas particulares, da nossa saúde, do cultivo de valores espirituais, da saúde e do relacionamento afetivo com os outros. Caso contrário, estaremos esgotados em pouco tempo, meras máquinas ou funcionários do sagrado, que não mostram ao mundo o rosto compassivo do Pai, mas que por dentro seremos ocos.
O texto ressalta a compaixão de Jesus para com o povo com uma característica específica: era um povo muito sofrido, rejeitado e desprezado pelos chefes político-religiosos de então, que nem tinha tempo para comer. E quando ele se retirava, o povo ia atrás dele. O que atraía tanta gente? Com certeza não foi em primeiro lugar a doutrina, nem os milagres, mas o fato de irradiar compaixão, de demonstrar duma maneira concreta o amor compassivo de Deus. Jesus não teve “pena” do povo, não teve “dó” dos sofridos. Teve “compaixão”, literalmente, sofria junto, e tinha uma empatia com os sofredores, que se transformava numa solidariedade afetiva e efetiva. Este traço da personalidade de Jesus desafia as Igrejas e os seus ministros hoje, para que não sejam burocratas do sagrado, mas irradiadores da compaixão do Pai. Infelizmente, muitas vezes as nossas igrejas mais parecem repartições públicas do que lugares do encontro com a comunidade que acredita no amor misericordioso de Deus e na compaixão de Jesus! A frieza humana freqüentemente marca as nossas atitudes, pregações e cuidado pastoral. Num mundo que exclui que marginaliza e que só valoriza quem consome e produz o texto de hoje nos desafia para que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus, irradiando compaixão diante das multidões que hoje como nunca estão como ovelhas sem pastor.

Sexta-feira da 4ª semana do tempo comum
fev 5th, 2010 by Padre Anderson

Estamos à volta de dois banquetes. Um da vida vida que é marcado pelo aniversário do rei Herodes e o da morte que é o martírio de João Batista. Existe dentre tantas diferenças duas fundamentais:
No primeiro banquete os convivas são norteados pela emoção meramente humana e terrena. Fazem contratos e juramentos sem pensar nas conseqüências, são norteadas pela ganância, pelo querer aparecer fazendo-se valer o prazer e o poder temporal.
O segundo temos João Batista e os seus discípulos que lutam por uma causa justa e verdadeira. Têm os olhos em Cristo, o Caminho, a Luz a Verdade e Vida. Seus olhos estão fitos no céu de olhe lhes vem a salvação e por isso não temem nada nem ninguém. Desafiam o poder temporal. Defendem a justiça, a honestidade enfrentam o martírio.
Martírio é uma palavra de origem grega que se traduz em testemunho, profecia e que implica a doação da própria vida.
A vida é sempre um dom de Deus e não deveria nunca ser tirada antes do tempo. Elias, que foi o maior dos Profetas, escapou de Jezabel que queria matá-lo: “Elias levantou-se e partiu para salvar a vida” (1Rs 19,3). Jesus também, quando soube que queriam matá-lo, fugiu diante deles (Lc 4,29-30; Jo 8,59). Portanto, o martírio não deve ser buscado por ninguém. Em última palavra, o martírio é uma graça de Deus. Mas, dele não se deve fugir, se é necessário dar o testemunho e para defender a vida do povo. Jesus também nos ensina que não devemos ter medo daqueles que matam o corpo (Mt 10,28; Lc 12,4). Por isso, dar a vida é a melhor forma de amor e de tê-la em plenitude , a exemplo de Jesus que nos amou até o extremo (Jo 13,1). O máximo do amor é dar a vida pelos seus. Deste modo, a vida não é tirada, mas é dada livremente (Jo 10,18).
No mundo em que constantemente somos surpreendidos por inúmeras notícias de injustiças sociais, violências, terrorismo, etc. Os sinais dos tempos indicam-nos que Jesus está próximo. Sua vinda é eminente. Precisamos nos fazer os santos do derradeiro momento. No momento em que a Igreja vai passar por seus momentos de provação, isto é de perseguição, faz-se urgente nossa entrega total a Deus e uma renúncia a tudo o que o mundo nos oferece e que poderá nos separar do banquete da vida com Deus e em Deus. Fujamos dos inúmeros banquetes da morte que a torto e a direito o mundo nos oferece. No momento em que as trevas insinuarão cobrir a Igreja de Deus, precisamos andar na Luz, buscar a Luz. “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo o pecado” (Jo 1, 7). O que isso significa senão que participamos do banquete da vida com Ele.
João apontou para Jesus, dizendo àqueles que vinham a ele para arrependerem-se sinceramente, a fim de que Deus pudesse fazer neles morada. Empenhemo-nos na busca do Senhor na oração e roguemos a Ele para que sejamos, a exemplo de João Batista, corajosos na fé, dando a nossa vida se tal for necessário. Entretanto, nossa oração precisa ser um diálogo íntimo com o Senhor capaz de testemunhar com nossa vida, se for preciso com o martírio do nosso corpo, diante das perseguições que os cristãos passarão nos tempos em que vivemos.

Resumo - Evangelho de Mateus
fev 5th, 2010 by Padre Anderson

Evangelho de Mateus


Este Evangelho, transmitido em grego pela Igreja, deve ter sido escrito originariamente em aramaico, a língua falada por Jesus. O texto atual reflete tradições hebraicas, mas ao mesmo tempo testemunha uma relação grega. O vocabulário e as tradições fazem pensar em crentes ligados ao ambiente judaico; apesar disso, não se pode afirmar, sem mais, a sua origem palestinense. Geralmente pensa-se que foi escrito na Síria, talvez em Antioquia ou na Fenícia, onde viviam muitos judeus, por deixar entrever uma polêmica declarada contra o judaísmo farisaico. Atendendo a elementos internos e externos ao livro, o atual texto pode datar-se dos anos 80-90, ou seja, algum tempo após a destruição de Jerusalém.

AUTOR

Embora este evangelho não identifique seu autor, a antiga tradição da igreja o atribui a Mateus, o apóstolo e antigo cobrador de impostos. Pouco se sabe sobre ele, além de seu nome e ocupação. A tradição diz que, nos quinze anos após ressurreição de Jesus, ele pregou na Palestina e depois conduziu campanhas missionárias em outras nações.

DATA

Evidências externas, como citações na literatura cristã do Séc I, testemunham desde cedo a existência e o uso de Mt. Líderes da igreja do Séc. II e III geralmente concordavam que Mt foi o primeiro Evangelho a ser escrito, e várias declarações em sues escritos indicam uma data entre 65 e 70 dC.

CONTEÚDO

O objetivo de Mt é evidente na estrutura deste livro, que agrupa os ensinamentos e atos de Jesus em cinco partes. Este tipo de estrutura, comum ao judaísmo, pode revelar o objetivo de Mt em mostrar Jesus como o cumprimento da lei. Cada divisão termina com uma fórmula como: “Concluindo Jesus estes dircusos…” (7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1).

No prólogo (1.1-2.23), Mt mostra que Jesus é o Messias ao relacioná-lo às promessas feitas a Abraão e Davi. O nascimento de Jesus salienta o tema do cumprimento, retrata a realeza de Jesus e sublinha a importância dele para os gentios.

A primeira parte (caps. 3-7) contém o Sermão da Montanha, no qual Jesus descreve como as pessoas devem viver no Reino de Deus.

A Segunda parte (8.1-11.1) reproduz as instruções de Jesus a seus discípulos quando ele os enviou para a viagem missionária.

A Terceira parte (11.2-13.52) registra várias controvérsias nas quais Jesus estava envolvido e sete parábolas descrevendo algum aspecto do Reino dos céus, em conexão com a resposta humana necessária.

A Quarta parte ( 13.53-18.35) o principal discurso aborda a conduta dos crentes dentro da sociedade cristã (cap 18).

A quinta Parte (19.1-25.46) narra a viagem final de Jesus a Jerusalém e revela seu conflito climático com o judaísmo. Os caps. 24-25 contêm os ensinamentos de Jesus relacionados à últimas coisas. O restante do Livro (26.1-28.20) detalha acontecimentos e ensinamentos relacionados à crucificação, à ressurreição e à comissão do Senhor à Igreja. A não ser no início e no final do Evangelho, a disposição de Mt não é cronológica e não estritamente biográfica, mas foi planejada para mostrar que o Judaísmo encontra o cumprimento de suas esperanças em Jesus.

COMPOSIÇÃO LITERÁRIA

MATEUS recorre a fontes comuns a Mc e Lc, mas apresenta uma narração muito diferente, quer pela amplitude dos elementos próprios, quer pela liberdade com que trata materiais comuns. O conhecimento dos processos e os modos próprios de escrever de MATEUS são de grande importância para a compreensão do livro actual: compilação de palavras e de factos, de “discursos” e de milagres; recurso a certos números (7, 3, 2); paralelismo sinonímico e antitético; estilo hierático e catequético; citações da Escritura, etc..

TEOLOGIA

Escrevendo entre judeus e para judeus, MATEUS procura mostrar como na pessoa e na obra de Jesus se cumpriram as Escrituras, que falavam profeticamente da vinda do Messias. A partir do exemplo do Senhor, reflecte a praxe eclesial de explicar o mistério messiânico mediante o recurso aos textos da Escritura e de interpretar a Escritura à luz de Cristo. Esta característica marcante contribui para compreender o significado do cumprimento da Lei e dos Profetas: Cristo realiza as Escrituras, não só cumprindo o que elas anunciam, mas aperfeiçoando o que elas significam (5,17-20). Assim, os textos da Escritura neste Evangelho confirmam a fidelidade aos desígnios divinos e, simultaneamente, a novidade da Aliança em Cristo.

Nele ressaltam cinco blocos de palavras ou “discursos” de Jesus: 5,1-7,28; 8,1-10,42; 11,1-13,52; 13,53-18,35; 19,1-25,46. Ocupam um importante lugar na trama do livro, tendo a encerrá-los as mesmas palavras (7,28), e apresentam sucessivamente: “a justiça do Reino” (5-7), os arautos do Reino (10), os mistérios do Reino (13), os filhos do Reino (18) e a necessária vigilância na expectativa da manifestação última do Reino (24-25).

Desde o séc. II, o Evangelho de MATEUS foi considerado como o “Evangelho da Igreja”, em virtude das tradições que lhe dizem respeito e da riqueza e ordenação do seu conteúdo, que o tornavam privilegiado na catequese e na liturgia. O Reino proclamado por Jesus como juízo iminente é, antes de mais, presença misteriosa de salvação já actuante no mundo. Na sua condição de peregrina, a Igreja é “o verdadeiro Israel” onde o discípulo é convidado à conversão e à missão, lugar de tensão ética e penitente, mas também realidade sacramental e presença de salvação. Não identificando a Igreja com o Reino do Céu, MATEUS continua hoje a recordar-lhe o seu verdadeiro rosto: uma instituição necessária e uma comunidade provisória, na perspectiva do Reino de Deus.

Como os outros Evangelhos, o de MATEUS refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias; Ele é o Salvador esperado, o Emanuel, o “Deus connosco” (1,23) até à consumação da História (28,20); é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus); é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos - a Igreja - do seu poder salvífico.

Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de David e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.

CRISTO REVELADO

Este Evangelho apresenta Jesus como o cumprimento de todas as expectativas e esperanças messiânicas. Mt estrutura cuidadosamente suas narrativas para revelar Jesus como cumpridor de profecias específicas. Portanto, ele impregna seu Evangelho tanto com citações quanto com alusões ao AT, introduzindo muitas delas com a fórmula “para que se cumprisse”.

No Evangelho. Jesus normalmente faz alusão a si mesmo como o Filho do Homem, uma referência velada ao seu caráter messiânico (Dn 7.13,14). O termo não somente permitiu a Jesus evitar mal-entendidos comuns originados de títulos messiânicos populares, como possibilitou-lhe interpretar tanto sua missão de redenção (como em 17.12,22; 20.28; 26.24) quanto seu retorno na glória (como em 13.41; 16.27; 19.28; 24.30,44; 26.64).

O uso do título “Filho de Deus” por Mt sublinha claramente a divindade de Jesus ( 1.23; 2.15; 3.17; 16.16). Como o Filho, Jesus tem um relacionamento direto e sem mediação com o Pai (11.27).
Mt apresenta Jesus como o Senhor e Mestre da igreja, a nova comunidade, que é chamada a viver nova ética do Reino dos céus. Jesus declara: “a igreja” como seu instrumento selecionado para cumprir os objetivos de Deus na Terra (16.18; 18.15-20). O Evangelho de Mt pode ter servido como manual de ensino para a igreja antiga, incluindo a surpreendente Grande Comissão (28.12-20), que é a garantia da presença viva de Jesus.

O ESPÍRITO SANTO EM AÇÃO

A atividade do ES é evidente em cada fase e ministério de Jesus. Foi por meio do poder do Espírito que Jesus foi concebido no ventre de Maria (1.18-20).

Antes de Jesus começar seu ministério público, ele foi tomado pelo Espírito de Deus (3.16) e foi conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo como preparação adicional a seu papel messiânico (4.1). O poder do Espírito habilitou Jesus a curar (12.15-21 e a expulsar demônios (12.28).

Da mesma forma que João imergia seus seguidores na água, Jesus imergirá seus seguidores no ES (3.11). Em 7.21-23, encontramos uma advertência dirigida contra os falsos carismáticos, aqueles que na igreja, profetizam, expulsam demônios e fazem milagres, mas não fazem a vontade do Pai.

Presumivelmente, o mesmo ES que inspira atividades carismáticas também deve permitir que as pessoas da igreja façam a vontade de Deus (7.21)

Jesus declarou que suas obras eram feitas sob o poder do ES, evidenciando que o Reino de Deus havia chegado e que o poder de satanás estava sendo derrotado. Portanto, atribuir o ES ao diabo era cometer um pecado imperdoável (12.28-32).

Em 12.28, o ES está ligado ao exorcismo de Jesus e à presente realidade do Reino de Deus, não apenas pelo fato do exorcismo em si, pois os filhos dos fariseus (discípulos) também praticavam exorcismo (12.27). Mas precisamente, o ES está executando um novo acontecimento com o Messias—”é chegado a vós o Reino de Deus” (v.28).

Finalmente, o ES é encontrado na Grande Comissão (28.16-20). Os discípulos são ordenados a ir e a fazer discípulos de todas as nações, “batizando-os em nome do Pai, do Filho e do ES” (v.19). Isto é, eles deveriam batizá-los “no/com referência ao “ nome— ou autoridade– do Deus Triúno. Em sua obediência a esta missão, os discípulos de Jesus têm garantida sua constante presença com eles.

ESBOÇO DE MATEUS

Prólogo: Genealogia e narrativa da infância 1.1-2.23

Genealogia de Jesus 1.1-17

O nascimento 1.18-25

A adoração dos magos 2.1-12

Fuga para o Egito e matança nos inocentes, a volta para Israel 2.13-13

Parte um: Proclamação do Reino dos Céus 3.1-7.29

Narrativa: Início do Ministério de Jesus 3.1-7.29

Discurso: O Sermão da Montanha 5.1-7.29

Parte Dois: O ministério de Jesus na Galiléia 8.1-11.1

Narrativa: Histórias dos dez milagres 8.1-11.1

Discurso: Missão e martírio 9.35-11.1

Parte Três: Histórias e parábolas em meio a controvérsias 11.2-13.52

Narrativa: Controvérsia que se intensificam 11.2-12.50

Discurso: Parábolas do Reino 13.1-52

Parte Quatro: Narrativa, controvérsia e discurso 13.53-17.27

Narrativa: Vários episódios precedentes à jornada final de Jesus em Jerusalém 13.53-17.27

Discurso: Ensino sobre a igreja 18.1-35

Parte Cinco: Jesus na Judéia e em Jerusalém 19.1-25.46

Narrativa: A jornada final de Jesus e a instauração do conflito 19.1-23.39

Discurso: Os ensinos escatológicos de Jesus 24.1-25.46

A narrativa da Paixão 26.1-27.66

A narrativa da ressurreição 28.1-20

Quinta-feira da 4ª semana do tempo comum
fev 4th, 2010 by Padre Anderson

O chamado e consequentemente o envio é uma tarefa que não se pode realizar no individualismo. O chamado é pessoal, a resposta também, mas o ministério, o serviço deve ser entendido numa dimensão comunitária. Pois a igreja é mistério de comunhão. E para que os apóstolos entendessem isso, Ele os envia em missão, dois a dois, colocando como centro vida em comunidade na ação missionária. Este foi o espírito do Concílio Vaticano II: A missão na Igreja-comunhão.
A comunhão entre os fiéis em seus vários estados e estilos de vida faz com que a Igreja se sinta por dentro da missão de Jesus.
Para Marcos no Evangelho de hoje a missão dos Doze, portanto da Igreja hoje, é a mesma missão de Jesus. Cristo nos envia a pregar o Evangelho, a penitência, expulsar os demônios e a curar todas as enfermidades.
Em São Tiago, em lugar dos Doze estão os presbíteros que são os cooperadores na missão dos Doze e em lugar do envio direto de Jesus temos a unção em nome do Senhor, isto é, de Cristo glorioso no Céu. Em nossos dias os cooperadores, os enviados em missão somos todos nós. Leigos ou clérigos. Cristo nos unge e envia em issão para que todos os homens conheçam a verdade e se salvem.
Ele nos pede ao nos enviar, a comunhão, simbolizada pelo envio de dois em dois. Que sejamos despojados de riquezas, ganância, orgulho, avareza e vaidade: nada tomar para o caminho, exceto um bastão, a coerência em uma conduta simples e humilde: não andeis de casa em casa, em uma conduta regida pela liberdade de espírito se em algum lugar não os receberem, sair e sacudir o pó dos vossos pés.
Ele ainda nos adverte: Assim como as palavras de Jesus não foram bem acolhidas até pelos próprios parentes, assim também os Doze na missão encontrarão dificuldades. Como não acolheram nem escutaram a Jesus, assim algumas vezes também não escutarão aos Doze. Quanto falo dos doze falo de mim, falo de ti. Mas é preciso não perder o fôlego. É preciso que tenhamos bem presente que com Cristo e em Cristo nós somos mais do que vencedores.
Segundo João Paulo II na Exortação Apostólica Redemptoris Missio, a missão confiada à Igreja está muito longe de ser atingida. Estas palavras podem ser pronunciadas em cada geração e em cada época histórica, porque é necessário estar sempre começando.
A única coisa que nesta hora de Deus não podemos fazer é cruzarmos os braços, estar sem fazer nada. Seria uma postura irresponsável e indigna de um bom cristão!
Livres para a missão. Para sermos “missionários” precisamos ser livres. Livres para aceitar esta dimensão própria da vocação cristã. Livres para responder a Deus com generosidade, sem laços de instintos e paixões egoístas; livres para seguir docilmente as luzes e os movimentos do Espírito Santo dentro de nós mesmos.
Precisamos ser livres de todo apego aos bens e meios materiais, para nos apresentarmos com o evangelho puro, sem alterações, livres de todo orgulho e ânsia de poder, com a consciência clara de que somos servidores do homem.

Quarta-feira da 4ª semana do tempo comum - São Bráz
fev 3rd, 2010 by Padre Anderson

Depois de Jesus ter ressuscitado a filha de jairo em Cafarnaum, hoje no texto segundo Marcos, diferentemente de Mateus e Lucas que contam que Jesus havia nascido em Belém, mas logo mudou para Nazaré, onde viveria sua infância até a idade adulta, Jesus dirigiu-se a Nazaré, sua pátria. O ponto convergente entre ambos é que todos se referem a Nazaré como sendo a pátria de Jesus. E afirmam que Jesus como de costume entrou no templo não para observar quem tinha a roupa bonita, quem, tem o sapato melhor, ver os defeitos dos olhos, falar mal dos outros como as vezes acotecem infelizmente com muitos de nós mas sim para ensinar verdades de vida ou de morte para os que crerem e para os qu não crerem. Esta atitude nos leva a perceber que ao longo da narrativa, que enquanto Jesus ensinava na sinagoga, houve muitas murmurações a seu respeito. Segundo Marcos, Havia, em primeiro lugar, o preconceito de seu povo, já que Jesus era o filho de Maria e José, o filho do carpinteiro e se fosse “o José”, famoso, dono de carpintarias e marcenarias valeria apenas. Mas tratava-se de um tal josé, sem nome no jornal, no Rádio, na Telinha da TV, e na página da Internet. Portanto tratava-se de José pobre e como é dito popularmente: filho de pobre pobre é, Jesus estava condenado a assumir toda herança paterna. Assim se justifica embora erradamente as perguntas: De onde é que este homem consegue tudo isso? De onde vem a sabedoria dele? Como é que faz esses milagres? Por acaso ele não é o carpinteiro, filho de Maria? Não é irmão de Tiago, José, Judas e Simão? As suas irmãs não moram aqui?
Tadavia, Jesus, em seu exemplo de humildade e simplicidade, nascido em meio a pobreza, tinha mais sabedoria do que os chefes da sinagoga e os desafia.
Percebemos um segundo ensinamento, quando Jesus pergunta “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?”. A verdadeira família é a família espiritual. Podemos notar que Jesus aproveita-se de todos os momentos para ensinar. Porém, o escândalo provocado pela multidão não estava relacionado ao fato de Maria ter ou não outros filhos, o problema fundamental daquele tempo e que Marcos traz à tona é o escândalo da encarnação. Ainda hoje com muita freqüência encontramos pessoas com humanidade de jesus! Quantas quantas teorias esdrúxulas sobre onde Jesus passou os primeiros trinta anos da sua vida, quando a realidade é que Ele os passou como qualquer outro rapaz da sua geração – numa família e comunidade do interior, trabalhando com as mãos e partilhando a dura sorte do seu povo. Mas relutamos para não enxergar a opção real de Deus pelos pobres, marginalizados ou seja excluídos das nossas sociedades através da realidade da encarnação!
Como vivera ali durante toda a sua vida, todos acreditavam que o conheciam bem, e não acreditaram nas suas palavras. Jesus diz, então, que um profeta só não é aceite em sua própria pátria. Pois como vimos até os seus próprios parentes também relutaram para não aceitar a pessoa e a missão de Jesus. Se fosse um fariseu, ou um “doutor” da classe opressora, ele teria sido aceite! Quanta coisa igual hoje - quando preferimos acreditar nas palavras retóricas dos “doutores” e desprezamos a sabedoria popular dos que lutam no meio do povo para um mundo mais justo!
Portanto, o terceiro ensinamento está relacionado à valorização daqueles que estão próximos de nós. Muitas vezes, não reconhecemos as virtudes dos que convivem conosco, dando maior valor àqueles mais distantes.

Resumo da Carta a Filemon
fev 3rd, 2010 by Padre Anderson

Quando Paulo estava preso em Roma pela primeira vez, entre os anos 61- 63, foi procurado pelo escravo Onésimo, que fugira de seu patrão Filemon em Colossos e procurou abrigo em Roma. Pela legislação judaica o escravo fugitivo não devia ser devolvido ao dono (Dt 23,16), diferente da lei romana que protegia o patrão. Então Paulo devolve Onésimo a a Filemon, cristão, e pede-lhe que pela caridade de Cristo, receba o escravo não mais como coisa, mas como um irmão. É a primeira declaração dos direitos humanos no cristianismo.

Terça-feira da 4ª semana do tempo comum – Apresentação do Senhor
fev 2nd, 2010 by Padre Anderson

A liturgia de apresentação evidenciou os dois grandes eixos da existência de Jesus: sua humanidade e sua divindade. Fora apresentado o homem Jesus, com todas as suas características socioculturais e familiares, em sua fragilidade de recém-nascido, na pobreza de seus pais, inferiorizado, em termos religiosos, por ser galileu. No menino Jesus, expressou-se a humanidade, de forma irrestrita. Ele não fora poupado em nada, ao aceitar encarnar-se na história humana.
A narrativa de Lucas é envolvida pelo tema da contradição. Por um lado, Lucas acentua o empenho dos pais de Jesus em inseri-lo nas observâncias legais. Por cinco vezes é dito que tudo era feito conforme Lei. Porém, na profecia de Simeão, o menino será um sinal de contradição. Quem era conduzido pelos pais na observância da Lei, crescendo em sabedoria e graça, será o profeta que denuncia a opressão da Lei e a corrupção do Templo, proclamando a libertação e a bem-aventurança dos pobres. O amadurecimento no amor liberta e cria novas relações justas e fraternas entre homens e mulheres.
Fiéis às tradições religiosas do povo, Maria e José cumpriram o rito de apresentação do filho primogênito. Este gesto simples revestiu-se de simbolismo. Quem tinha sido levado ao templo, mais que filho de Maria e José, era o Filho de Deus.
Entretanto, ao consagrá-lo a Deus e fazendo-o, daí em diante, pertencer-lhe totalmente, a liturgia evidenciava a divindade de Jesus. Aquele menino indefeso pertencia inteiramente a Deus, em quem sua existência estava enraizada. Era o Filho de Deus. Por isso, no templo, estava em sua própria casa. Suas palavras e ações seriam a manifestações do amor de Deus. Por meio dele, seria possível chegar até Deus. Uma vez que podia ser contemplada em sua pessoa, sua divindade fazia-se palpável na história humana. Assim se explica por que Simeão viu a salvação de Deus.
Embora esta festa de 2 de fevereiro caia fora do tempo de Natal, é parte integrante do relato de Natal. É uma faísca do Natal, é uma epifania do quadragésimo dia.
É uma festa antiqüíssima de origem oriental. A Igreja de Jerusalém já a celebrava no século IV. Era celebrada aos quarenta dias da festa da epifania, em 14 de fevereiro. A peregrina Eteria, que conta isto em seu famoso diário, acrescenta o interessante comentário de que se “celebrava com a maior alegria, como se fosse páscoa”‘. De Jerusalém, a festa se propagou para outras igrejas do Oriente e do Ocidente. No século VII, se não antes, havia sido introduzida em Roma. A procissão com velas se associou a esta festa. A Igreja romana celebrava a festa quarenta dias depois do natal.
A festa da Apresentação celebra uma chegada e um encontro; a chegada do Salvador esperado, núcleo da vida religiosa do povo, e as boas-vindas concedidas a ele por dois representantes dignos da raça eleita, Simeão e Ana. Por sua proveta idade, estes dois personagens simbolizam os séculos de espera e de fervoroso anseio dos homens e mulheres devotos da antiga aliança. Na realidade, representam a esperança e o anseio da raça humana.
A procissão representa a peregrinação da própria vida. O povo peregrino de Deus caminha penosamente através deste mundo do tempo, guiado pela luz de Cristo e sustentado pela esperanças de encontrar finalmente ao Senhor da glória em seu reino eterno. O sacerdote diz na benção das velas: “Que quem as levas para enaltecer tua glória caminhemos no caminho de bondade e vamos à luz que brilha para sempre”.
A vela que levamos em nossas mãos lembra a vela de nosso batismo. E o sacerdote diz: ” guardem a chama da fé viva em seus corações. Que quando o Senhor vier saiam a seu encontro com todos os santos no reino celestial”. Este será o encontro final, a apresentação , quando a luz da fé se converter na luz da glória. Então será a consumação de nosso mais profundo desejo, a graça que pedimos na pós-comunhão da missa.
Por estes sacramentos que recebemos, enche-nos com tua graça, Senhor, tu que encheste plenamente a esperança de Simeão; e assim como não o deixaste morrer sem ter segurando Cristo nos braços, concede a nós, que caminhamos ao encontro do Senhor, merecer o prêmio da vida eterna.
Ó Maria, Mãe de Cristo e nossa Mãe, agradecemos-te o cuidado com que nos acompanhas ao longo do caminho da vida, enquanto te pedimos: neste dia volta a apresentar-nos a Deus, nosso único bem, a fim de que a nossa vida, consumida pelo Amor, seja um sacrifício vivo, santo e do seu agrado.

Segunda-feira da 4ª semana do tempo comum
fev 1st, 2010 by Padre Anderson

Depois de atravessar o mar da Galiléia, Jesus chegou com seus discípulos o província de Gadara, onde encontrou um homem endemoninhado (Mc.5.1-20; Mt.8.28-34; Lc.8.26-39).
As narrativas de milagres, freqüentes nos evangelhos, são a expressão do amor libertador e vivificante de Jesus. Em Marcos, o ato inaugural do ministério de Jesus é a expulsão do demônio de um homem da sinagoga. Fica, assim, destacada a libertação da doutrina opressora desta sinagoga.
Na narrativa de hoje, Jesus liberta um homem em território dos gentios, sob o domínio do império romano. A identificação do demônio, que o possuía pelo nome de “legião”, aponta para as legiões romanas que ocupavam esta região. Os porcos que se arremetem ao mar e perecem assemelham-se ao exército do faraó no mar Vermelho, no Êxodo.
O homem libertado por Jesus sai a anunciar a sua misericórdia, tornando-se um missionário gentio entre os gentios. Aquele episódio, entre tantos registrados na Bíblia, nos mostra a existência dos demónios, que são espíritos maus, anjos caídos, que estão na terra com o propósito de prejudicar a humanidade e afrontar Deus.
Além de influenciar e oprimir os homens, os espíritos malignos chegam a possuir a mente e o corpo de muitas pessoas. Aquele homem tinha muitos demínios que se identificaram com o nome de legião. Assim era chamada uma divisão do exército romano composta por 6000 soldados. Percebe-se que a denominação de uma entidade maligna pode ser ocasional, utilizando uma palavra significativa em dado contexto cultural.
Muitos negam a existência de demônios e atribuem aos problemas mentais quaisquer manifestações desse tipo. Fato é que inúmeras pessoas têm sido libertas pelo nome de Jesus. Se esse nome tem o poder que a bíblia lhe atribui, então também é verídica a possessão demoníaca que a mesma bíblia afirma.
O gadareno vivia nos sepulcros, que eram cavernas. Ali não era lugar para pessoas vivas, mas o Diabo o levou para lá. Nisso percebemos o seu propósito de roubar, matar e destruir (João 10.10). A vida daquele homem estava encerrada, perdida. Estava separado da família, dos amigos e da sociedade. Era um morto-vivo morando no cemitério, sem esperança e sem perspectiva. Assim como Deus tem um plano para o ser humano, Satanás também tem, e aquele homem atingira um estágio avançado da execução dos desígnios diabólicos. Quem não segue a Cristo está caminhando com o inimigo rumo à perdição eterna. Ainda que não esteja possesso, está influenciado e dominado pelo mal, podendo chegar a situações muito piores.
Ninguém podia fazer coisa alguma por aquele homem. Não podiam salvá-lo ou ajudá-lo de alguma forma. Então, tentavam prendê-lo, talvez com a intenção de protegê-lo de si mesmo. Entretanto, os demônios se manifestavam com fúria, despedaçando correntes e cadeias. Ele era incontrolável. Nenhum ser humano tem força para controlar um demônio. O que dizer de milhares? Aquele homem precisava conhecer Jesus.
O possesso vivia perturbado. Era feroz e ameaçador (Mt.8.28). Não tinha descanso. Não conseguia dormir. Andava nu, gritando, dia e noite, enquanto se feria com pedras. O inferno será muito pior do que isso. Neste endemoninhado estava uma amostra do tormento eterno. Muitas pessoas, mesmo não estando possessas, estão oprimidas pelo Diabo e são descontroladas, inquietas, agitadas, vivem ferindo a si mesmas e aos outros. Precisam de um encontro com Jesus. Os que estão nas mãos de Satanás vão acumulando feridas diversas, numa vida de dor e sofrimento atroz. Cristo é o único que pode lhes trazer libertação e salvação-

Domingo da 4ª semana do tempo comum
jan 31st, 2010 by Padre Anderson

Lembrávamos outro dia que Nazaré era uma cidade que não gozava de muito boa fama. E isso se confirmou na atitude de seus habitantes para com o próprio Jesus. Há nos arredores da cidade um monte muito alto que tem o nome de Monte da Precipitação. E é porque, segundo a lenda, teria sido dali que os conterrâneos de Jesus teriam querido precipitá-Io montanha abaixo. Parece incrível! Mas foi isso mesmo que aconteceu.
São Lucas no capítulo IV do seu evangelho narra dois momentos do encontro de Jesus com a comunidade reunida na sinagoga (Teriam acontecido em dias diferentes?). Num primeiro momento, mostraram-se entusiasmados com Ele, “e admiravam-se com as palavras cheias de sabedoria que saíam de sua boca” (Lc 4, 22). Mas, num segundo momento, a situação se inverteu completamente, como conta São Lucas muito limpidamente.
Jesus - certamente descobrindo a má vontade que já havia no coração de alguns – dirigiu - se a eles com serena franqueza: “Certamente vocês estarão querendo citar-me o provérbio: ‘médico, cura-te a ti mesmo’. Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze-o também aqui em tua pátria”. E acrescentou logo em seguida: “em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (v v 23 e 24). É parecido com aquilo que diz nosso provérbio popular: “Santo de casa não faz milagre”.
E Jesus não parou por aí. Citou dois exemplos da história de Israel, que confirmavam vivamente essa regra. No tempo da grande fome de três anos e meio, quando o céu permaneceu fechado, e nenhuma gota d’água caía sobre a terra, Deus suscitou o profeta Elias. Havia muitas viúvas sofrendo fome em Israel, mas o profeta não foi enviado a nenhuma delas, a não ser a uma viúva de Serepta da região da Sidônia.
Para ela o profeta conseguiu de Deus o milagre de multiplicar-lhe o azeite e a farinha, até terminar a seca. Igualmente, nos tempos do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Mas Eliseu não curou a nenhum deles, e sim ao general Naamã, do exército do rei da Síria. O profeta mandou que ele se lavasse sete vezes nas águas do rio Jordão e ele ficou completamente curado.
Foi ai que se irritaram furiosamente. Arrastaram a Jesus para fora da sinagoga e para fora da cidade, e queriam precipitá-lo do alto da colina em que estava a cidade. Mas Jesus desapareceu do meio deles e seguiu seu caminho. Sua hora estava reservada para bem mais adiante e em circunstâncias muito diversas.
O caminho de Jesus é um caminho de luz para iluminar nossos caminhos. Até do meio das sombras em que seus inimigos tentam envolvê-lo, brotam rios de luz para nós. Como acontece com esse episódio dos nazaretanos. Temos muito que aprender. O procedimento deles é uma advertência para nós. Não podemos ser desse espírito. Mesquinho, ciumento, malévolo.
Vê-se que não gostaram de ver, nos exemplos trazidos por Jesus, os profetas dando preferência a pessoas que não eram do mundo judeu. Queriam uma espécie de monopólio de Deus e dos profetas em favor de seu povo. Estavam longe do universalismo do qual já havia indícios entre os profetas e que iria brilhar na pregação de Jesus, e como que explodir nos ensinamentos de São Paulo.
E tinham o coração cheio de despeito. Não podiam ver um conterrâneo deles, de origem simples e humilde, sobressair pela sabedoria e pelo prestigio que se ia formando em deu derredor. No fundo era inveja mal disfarçada.
Faltava-lhes aquela nobreza de espírito que leva a gente a se alegrar por ver alguém levando o archote que ilumina o caminho da caravana. Não é preciso que seja eu a levar esse archote. O importante é que alguém o leve. E que todos sejam iluminados. Sua má vontade os impedia de pelo menos vislumbrar que Jesus era a luz do mundo. E que dele se irradiaria a luz para guiar toda a humanidade. E que por Ele Nazaré seria gloriosa.
Hoje a Igreja lembra tambem de Dom Bosco. Peçamos a sua intercessão para que possamos caminhar sempre mais na formação educativa da fé

Quem é este homem?
jan 31st, 2010 by Padre Anderson

Quem é este homem? Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento. Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para o mundo como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. Tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.
Quem é este homem que teve um lar pobre e religioso e uma mãe, exemplo de virtudes? A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. Parece que a paciência e a doce firmeza de Margarida influenciaram este hoeme, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade.
Quem é este homem um entusiasta da Virgem Maria ? Sua mãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Este homem será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios.

Quem é este homem de tantos talentos naturais e discernimento dos espíritos? A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.
Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros da mesma idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era ele o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que ele desse. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.
Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: “Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”. Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.
Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus “birichini”4 nas escolas profissionais que fundará.
Quem é este homem que vivia de confiança na ajuda sobrenatural? A vida deste homem é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas igrejas — uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora — prover de máquinas específicas suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de carestia. Quando mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitada. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.
Quem é este homem e educador ímpar? E sobretudo eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Necessitando de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrada na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos. Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para trás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim na Italia.
Quem é este homem que escreveu a reis e imperadores? Mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com uma liberdade que só os santos podem ter. Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante. Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus filhos espirituais no Brasil. Ao rei do Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.
Quem é este homem que com sua vida de santidade, sua obra e seu espirito permanece até hoje? Dom Bosco, verdadeiramente homem, verdadeiramente santo, que morreu em Turim a 31 de janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934 e se tornando um dos santos mais conhecidos em todo mundo.

Fonte: San Juan Bosco, Memorias del Oratorio, Primera Fase, 1, p. 7, in “Biografía y Escritos”, B.A.C

Biblia: unica fonte de fé e de revelação?
jan 30th, 2010 by Padre Anderson

Para alguns a Bíblia é a única fonte da fé e da revelação divina, enquanto os católicos reconhecem 3 fontes : A Bíblia, a tradição apostólica e o magistério da Igreja. Quem tem razão?

RESPOSTA : A própria Bíblia não apresenta nenhum índice dos Livros Sagrados, e não afirma em nenhuma parte, ser a ela a única fonte da fé e da palavra de Deus. Pelo contrário, lemos nela que por muitos séculos Deus confiou oralmente a sua Palavra a Aliança a Noé e a Abraão, que pela tradição oral passava do pai para filhos por muitas gerações. (Gen 4,8s e 15,18s). Também Moisés recebeu a Palavra e a Aliança de Deus oralmente. E mesmo depois, quando escreveu os primeiros livros da Bíblia, guardados na Arca da Aliança, o ensinamento bíblico foi confiado ao sacerdote Araão e seus filhos. ( Lev 10,8-11).

Também Jesus não escreveu e não mandou escrever nenhum livro, mas escolheu, ensinou e autorizou oralmente os Apóstolos, ordenando-lhes: “Foi-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, ensinar todos os povos… ensinando-os a observar tudo o que vos mandei “. (Mt 28,18-20).

Cumprindo esta ordem, os primeiros cristãos espalharam o Evangelho por tradição oral, em toda a parte, durante os primeiros decênios, como se pode ler nas seguintes cartas de S. Paulo: (Tt 1,5) “Deixei-te em Creta para que regules o que falta e estabeleças presbíteros nas cidades, segundo as prescrições que te dei”. (II Tm 2,1-2) “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na fé que em está Jesus Cristo, e o que o ouviste de mim diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir a outros”.

( I Ts 2,13 ) “Não cessamos dar graças a Deus, porque ao receberdes a Palavra de Deus, que de nós ouvistes, vós a recebestes não como palavra humana, e sim - o que realmente é - como Palavra de Deus”.

( II Ts 2,15 ) “Conservai as tradições que aprendestes ou por nossas palavras ou por nossa carta”.

Sobre a autoridade de Pedro, reunido com os Apóstolos e presbíteros em Jerusalém (o Magistério), temos um claro testemunho em (At 15,6-29) : “Reuniram-se então os Apóstolos e presbíteros para examinar a questão ( da circuncisão dos pagãos convertidos). E depois de ter discutido longamente, Pedro ergueu-se e disse: “…Tendo nós sabido que alguns, saindo do meio de nós, sem nenhuma ordem de nossa parte, vos perturbaram com discursos que agitaram as vossas almas, aprouve a nós, depois de nos termos reunido, escolher alguns homens e enviá-los a vós… que vos exporão as mesmas coisas de viva voz. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, de não impor mais nenhum outro peso…”

Esta autoridade Pedro tinha recebido de Jesus, quando lhe disse, (Mt 16,18-19). “Eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja… a ti darei as chaves do Reino dos céus, e o que ligares na terra, ficará ligado nos céus ; e o que desligares na terra, ficará desligado nos céus”. Em Jo 16,12-13 Jesus acrescentou a promessa : “Quando vier o Espírito da verdade, guiar-vos-á por toda a verdade”.

Portanto : Lógica e cronologicamente, Jesus :

1o. - Escolheu, autorizou e enviou os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos, estabelecendo assim o Magistério da Igreja.

2o - Este ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos Apóstolos, - como Tradição Apostólica, - aos bispos e presbíteros por eles escolhidos e consagrados: ( Mt 1,5: II Tim 2,12, I Pd 5,1-2).

3o. - Somente depois de mais de 2 séculos o Papa reunido com os Bispos em Concílio, com sua autoridade infalível, declarou uma parte destes escritos da Tradição, como Cânon de Livros Sagrados, ou Sagrada Escritura, ou Bíblia: reservando-se o direito e a obrigação de vigiar sobre sua autêntica interpretação, de acordo com a Tradição Apostólica.

Daí, quando os Católicos obedecem ao Magistério da Igreja, eles têm absoluta certeza de cumprir a Vontade de Deus; mesmo quando estão exercendo práticas que não estão claramente ensinadas na Bíblia, como por ex.: a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a devoção de santo Rosário, etc., - ou quando deixam de lado muitas prescrições, que por motivo especiais, circunstanciais, obrigavam o povo de Israel no Antigo Testamento.

Os protestantes, porém, para os quais somente a Bíblia é a única fonte da Palavra de Deus, seriam ainda hoje obrigados a cumprir todas as prescrições do Antigo Testamento, como por ex.:

Não acender fogo (para cozinhar) em nenhuma moradia, no sábado (Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo (Lev 19,19). Não semear e não colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático (Ex 23,10-11 e Lev 25,3-5 ). Não comer os frutos das árvores durante os primeiros 3 anos (Lev 19,23-25 ). Não comer sangue, nem carne com sangue (Lev 17,10-14 e 19,26 ). Não comer coelho, lebre, porco e os demais animais “impuros”(Lev 11,1-47). Punir de morte os blasfemadores, homicidas, adúlteros, homossexuais os transgressores do sábado, os que tiverem amaldiçoado os pais, ou evocado os espíritos, etc (Ex 35,1-3 e Lev 20,9-27 ; 24,10-23).

Qual a seita que está observando todas estas e outras prescrições do Antigo Testamento ? E com que autoridade podem se desculpar desta não-observância ?

Sabado feira da 3ª semana do tempo comum
jan 30th, 2010 by Padre Anderson

Muitas vezes costumamos usar frases como “estou passando por uma tempestade” para falar que estamos passando por uma situação difícil.
E quantas vezes também dizemos que nossa comunidade esta navegando em “águas tranqüilas” ou de “vento em popa”. Com isso queremos dizer que o momento não há dificuldades, que tudo vai bem, as pessoas se entendem e de fora não há maiores ameaças que possam destruir o espírito comunitário. Mas, é assim que sentimos normalmente a comunidade? Ou tem outras figuras que explicam melhor o que se passa? Por exemplo: parece que o “barco esta afundando” ou uma “tempestade” atingiu nossa comunidade, ou ainda, tem muita “onda brava” querendo nos arrasar. Que significa isso? Que mar de nossa sociedade está tão cheio de perigos, ameaças que a gente não consegue mais se defender. Ou que os ventos do espírito de egoísmo e consumismo invadem tudo. E nós, ficamos com medo ou resistimos com confiança e coragem? Como sentimos a presença de Jesus que acalma a tempestade?
Marcos usa essa mesma linguagem para mostrar como as suas comunidades estavam trinta e sete anos após a morte e ressurreição de Jesus. Explico-me melhor.
Quando surgiu o Evangelho de Marcos, por volta dos anos 70, suas comunidades estavam sendo perseguidas pelo Império Romano. A situação de medo, pavor e intranqüilidades fez com que Marcos comparasse suas comunidades com um barquinho perdido no mar da vida, açoitado por ventos fortes o impedido de chegar ao porto.
Para os Judeus o mar era o lugar da morada dos monstros e dos poderes da morte, onde a frágil vida do homem estava em constante perigo. Para os membros das comunidades, Jesus parece estar dormindo, pois não aparece nenhum poder divino para salvá-las das perseguições. É em vista desta situação de desespero que Marcos na hora de escrever o seu Evangelho, como resposta positiva para as comunidades se animarem, recolhe vários episódios da vida que revelam qual o Jesus presente no meio das comunidades. Com esse episódio Marcos procura abrir os olhos dos membros da sua comunidade para mostrar-lhes que o contrário da fé não é a incredulidade, mas sim o medo. E que o medo impede de compreender Jesus como o Senhor da vida, que triunfa sobre a morte. Jesus é vencedor! Não há motivo para elas terem medo. Este é o motivo do relato da tempestade acalmada.
Foi um dia pesado, de muito trabalho. Terminado o discurso das parábolas, Jesus diz: “Vamos para o outro lado!”. Do outro lado do mar da Galiléia ficava uma região de gente “pagã”, que não pertencia ao povo israelita. Os discípulos sentiam medo de entrar em contato com essa gente. Do jeito que Jesus estava, eles o levam no barco, de onde tinha feito o discurso das parábolas. De tão cansado, Jesus deita e dorme. Este é o quadro inicial que Marcos pinta. Quadro bonito, bem humano.
O mar era um lugar que dava medo. O povo daquele tempo pensava que no mar moravam grandes monstros e onde o demônio andava solto. Quem mandava no mar eram os demônios. Por isso, na Bíblia, muitas vezes mar não tem só o sentido de grande extensão de água, mas também símbolo de perigo e das forças do mal.
Jesus acalma o mar e diz: “Então, vocês não têm fé?” Os discípulos não sabem o que responder e se perguntam: “Quem é este homem a quem até o mar e o vento obedecem?” Jesus parece um estranho para eles! Apesar da longa convivência, não sabem direito quem ele é. Quem é este homem? Com esta pergunta na cabeça, as comunidades continuavam a leitura E até hoje, é esta mesma pergunta que nos leva a continuar a leitura do Evangelho. É o desejo de conhecer sempre melhor o significado de Jesus para a nossa vida.

Sexta feira da 3ª semana do tempo comum
jan 29th, 2010 by Padre Anderson

Marcos mostra Jesus como Mestre do Reino ensinando às multidões desde a barca de Pedro (4,1). Seu ensino é na base de parábolas ou exemplos. A parábola é uma narração que sob o aspecto de uma comparação, está destinada a ilustrar o sentido de um ensino religioso. Quando todos os detalhes têm um sentido e significado real, a parábola se taransforma em alegoria. Como em Jo 10,1-16, no caso do bom pastor. No A T as parábolas são escassas, um exemplo é 2 Sm 12, 1-4 em que Natã dá a conhecer seu crime a Davi. Porém no NT Jesus usa frequentemente as parábolas especialmente como parte de seu ensino do Reino dos Céus, para iluminar certos aspectos do mesmo. No dia de hoje temos duas pequenas parábolas, a primeira própria de Marcos e a segunda compartida por Mateus (13, 21+) e Lucas (13, 18). Na parábola da semente, Jesus indica que o Reino tem uma força intrínseca que independe dos trabalhadores. Na segunda que o Reino, minúsculo nos tempo de Jesus, expandir-se-á de modo a se estender pelo mundo inteiro. Vejamos versículo por versículo as palavras de Jesus.
E dizia: assim é o Reino do Deus, como se um homem lançasse a semente sobre a terra (26). Que significa Reino de Deus? No AT Jahvé, o Deus de Israel, era o verdadeiro rei e seu reino abrangia todo o Universo. Os juízes eram praticamente os seus representantes. Por isso, o seu profeta Samuel, último juiz, escutou estas palavras: Não é a ti que te rejeitam, mas a mim, porque não querem mais que eu reine sobre eles (I Sam 8, 7). A partir de Davi o reino de Deus tem como representante um rei humano, mas a experiência terminou em fracasso, e o reino de Deus acabou por ser um reino futuro escatológico como final dos tempos e transcendente, como sendo Deus mesmo o que seria ou escolheria o novo rei. Esse reino está chegando e tem seu representante na pessoa de Jesus e dos apóstolos. Nada tem de material ou geográfico, e é formado pelos que aceitam Jesus como Senhor, caminho, verdade e vida. Por isso dirá Jesus que o reino está dentro de vocês. A Igreja fundada por Jesus é a parte visível desse reino, que não é como os do mundo, mas tem sua base em servir e não em ser servido (Lc 22, 27). O oposto do amor, que é serviço no reino é o amor ao dinheiro ( Mt 6, 24), de modo que podemos afirmar que o dinheiro é o verdadeiro deus deste mundo. A primeira comparação que revela como atua o Reino é esta parábola de Jesus, facilmente entendida como tipo, e que finalmente veremos como protótipo nas observações.
E durma e se levante noite e dia; e a semente germine e cresça de um modo que ele não tem conhecido. É importante unir este versículo ao anterior para obter o sentido completo da parábola. O agricultor faz sua vida independente e a semente nasce e cresce sem ter nada que ver com o agricultor fora o fato de ser semeada por ele no início. Deste modo Paulo pode afirmar: Eu plantei, Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa somente Deus, que dá o crescimento (1 Cor 3, 6-7). Assim, a continuação dirá Jesus: Pois por si mesma a terra frutifica primeiramente a erva, depois a espiga, depois o trigo pleno na espiga.
Quando, porém, tiver aparecido o fruto, rapidamente ele envia a foice porque tem aparecido a ceifa. Não há nada a comentar a não ser que o trabalho do agricultor. Vemos como se reduz a semear e ceifar. A terra e a semente fazem o resto.

Quinta feira da 3ª semana do tempo comum - Santo Tomas de Aquino
jan 28th, 2010 by Padre Anderson

A pregação de Jesus não visava a um grupinho de privilegiados, membros de uma confraria esotérica, rodeada de mistérios. Pelo contrário, o Mestre desejava que sua mensagem fosse conhecida por todos, sem excluir ninguém. Todos tinham esse direito, embora permanecendo livres de aceitá-la ou rejeitá-la.
Daqui se deduz a necessidade de o discípulo de Jesus ser corajoso na proclamação do Reino. Em cada circunstância, deverá descobrir o lugar melhor para anunciá-lo.
Espírito de ousadia, que eu não tenha medo de proclamar a Palavra do Reino, que ilumina a humanidade.
A pessoa que recebeu a Palavra de Deus de bom grado em seu coração há de frutificar grandemente, de maneira que todos possam ver os seus frutos. Daí a parábola da candeia, que revela a posição que ocupará no reino espiritual aquele que se deixou transformar completamente pela semente da Palavra.
E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não vem antes para se colocar no velador? A candeia era a lâmpada dos tempos de Jesus. Na parábola, a candeia significa a luz de Deus que brilha através de alguém que realmente teve uma experiência pessoal com Jesus. Sua vida vai manifestar um brilho especial como que dizendo ao mundo que se achou o caminho da paz, da alegria, da fé, que as pessoas tanto procuram. O papel da Palavra de Deus no coração do homem é justamente este, o de tirar o homem das trevas do ódio e da amargura, e coloca-lo na luz do amor de Deus. Uma vez que o indivíduo teve essa experiência e vai crescendo mais e mais no conhecimento de Deus, a luz de Cristo no seu interior vai brilhar cada vez mais intensamente a fim de se manifestar aos homens que ainda vivem nas trevas.
E disse-lhes: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não vem antes para se colocar no velador? O texto diz que a candeia não vem para ser deixada num lugar qualquer da casa, mas sim no velador que sempre era posicionado em lugares altos de onde podia iluminar toda a casa. Jesus está dizendo que aquele que teve uma experiência genuína com Deus e que está crescendo em maturidade através da semente plantada em seu coração, certamente será posicionado em lugares cada vez mais estratégicos no reino espiritual de maneira que possa abençoar as pessoas de forma mais eficaz. Quem nos posiciona em lugares altos é o Senhor nosso Deus. Ele conhece o nosso coração e sabe se de fato temos frutificado e sido abençoadores de outras vidas. Aquele que é fiel no pouco sobre o muito será colocado.
Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto. Jesus disse que nada está encoberto senão para vir à luz. Ele está querendo dizer que assim como uma semente plantada na terra permanece oculta por um certo tempo, vindo depois à luz, da mesma forma, toda semente divina plantada no coração do homem, tende a manifestar-se no seu devido tempo, revelando sua espécie. Aquele que tem recebido pela fé a Palavra de Deus em seu coração, mais cedo ou mais tarde, terá a alegria de ver esta Palavra manifestada aos homens, pelas novas atitudes e obras praticadas. A luz de Deus deixará de estar no oculto do coração, para ser algo notório a todos os homens
Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça. Os versículos seguintes aos mencionados acima mostram que, para que a luz venha a de fato manifestar-se, é necessário que o homem, canal da luz, seja um bom ouvinte da Palavra. Os versículos 23 e 24 dizem: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Também lhes disse: Atendei ao que ouvis”. Os ouvidos precisam atentar a toda palavra que sai da boca de Deus, porque destas viverá o homem (Dt. 8:3 b). O solo que frutificou na parábola do semeador foi aquele que, antes de tudo, ouviu a Palavra e a recebeu, e só então pôde dar o fruto esperado. Antes da frutificação vem o receber, e antes do receber vem o ouvir. A pergunta que queremos deixar aqui é sobre como temos ouvido a Palavra. Não o ouvir com os ouvidos naturais, mas com os ouvidos do coração. Porque toda frutificação depende de ouvidos sensíveis e receptivos ao que Deus está falando.
E disse-lhes: Atendei ao que ides ouvir. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ser-vos-á ainda acrescentada a vós que ouvis. Com que intensidade nós queremos ver a manifestação do brilho de Deus em nossas vidas? Qual o posicionamento no reino espiritual que esperamos da parte de Deus? Todas estas questões dependem de como nos debruçamos de coração ao que estamos ouvindo da parte de Deus. A medida de unção, revelação e autoridade espiritual dependem de uma atitude cada vez mais positiva em relação à Palavra de Deus a nós ministrada. Se a desprezarmos ela não terá proveito para nós; mas se a valorizarmos, Deus nos acrescentará mais e mais de tudo o que ela oferece.
O lugar da Palavra, na história humana, assemelha-se àquele ocupado por uma lâmpada, assim que é acesa. Seria insensatez acender uma lâmpada para, em seguida, escondê-la debaixo de um caixote ou da cama. Será necessário encontrar um lugar estratégico, de forma que seus raios atinjam todos os cantos do ambiente, mesmo os mais escondidos. Assim acontece com a Palavra de Deus: não é privilégio de um punhado de pessoas. Antes, como a lâmpada, deverá ser colocada no lugar certo, para iluminar a todos.
Dando continuidade à missão de Jesus, compete aos discípulos descobrir qual é o lugar ideal para a proclamação da Palavra, a fim de que ela possa atingir o maior número de pessoas.

Quarta feira da 3ª semana do tempo comum
jan 27th, 2010 by Padre Anderson

Jesus contou freqüentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia que ele usava para ilustrar verdades espirituais.
Esta história fala de um fazendeiro que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo. A importância desta parábola é salientada por Jesus em Marcos 4:13: “Não entendeis esta parábola e como compreendereis todas as parábolas?” Jesus está dizendo que esta parábola é fundamental para o entendimento das outras. Esta é uma das três únicas parábolas registradas em mais do que dois evangelhos, e também é uma das únicas que Jesus explicou especificamente. Precisamos meditar cuidadosamente nesta história.
A história em si é simples: “Eis que o semeador saiu a semear. E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves do céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e, tendo crescido, secou por falta de umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; e, estes, ao crescerem com ela, a sufocaram. Outra, afinal, caiu em boa terra; cresceu e produziu a cento por um” (Lucas 8:5-8). A explicação de Jesus é também fácil de entender: “A semente é a palavra de Deus. A que caiu à beira do caminho são os que a ouviram; vem, a seguir, o diabo e arrebata-lhes do coração a palavra, para não suceder que, crendo, sejam salvos. A que caiu sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; estes não têm raiz, crêem apenas por algum tempo e, na hora da provação, se desviam. A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer. A que caiu na boa terra são os que, tendo ouvido d bom e reto coração retêm a palavra; estes frutificam com perseverança” (Lucas 8:11-15). Alguém ensina as Escrituras a várias pessoas; a resposta dessas pessoas depende do estado do coração delas, isto é, de sua atitude. Consideremos o semeador, a semente e o solo.
O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Uma vez que a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá uma safra, por isso seu trabalho é importante. Mas a identidade pessoal do semeador não é. O semeador nunca é chamado pelo nome nesta história. Nada nos é dito sobre sua aparência, sua capacidade, sua personalidade ou suas realizações. Ele simplesmente põe a semente em contato com o solo. A colheita depende da combinação do solo com a semente.
Aplicando-se espiritualmente, os seguidores de Cristo devem estar ensinando a palavra. Quanto mais ela é plantada nos corações dos homens, maior será a colheita. Mas a identidade pessoal do professor não tem importância. “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento” (1 Coríntios 3:6-7). Em nossos dias, o semeador tornou-se a figura principal e a semente é bastante esquecida. A propaganda das campanhas religiosas freqüentemente contém uma grande fotografia do orador e dá grande ênfase ao seu nível escolar, sua capacidade pessoal e o desenvolvimento de sua carreira; o evangelho de Cristo que ele supõe-se estar pregando é mencionado apenas naquelas letrinhas, lá no canto. Não devemos exaltar os homens, mas fixarmo-nos completamente no Senhor.

Resumo: Carta aos Romanos
jan 27th, 2010 by Padre Anderson

A carta aos romanos é bem diferente das outras cartas de São Paulo, pelo fato de ser uma comunidade cristã que não foi fundada por ele, o que foi feito por S. Pedro. Esta carta foi escrita no final da terceira viagem missionária de Paulo, em Corinto, por volta do ano 57/58a fim de preparar a sua chegada em Roma. É uma carta onde temos o ponto mais elevado da elaboração teológica do apóstolo. Não trata de assuntos pessoais, mas da vida cristã, a justificação por Cristo que nos faz ser e viver como filhos de Deus e mostra a Lei de Moisés como algo provisório na história do povo de Deus. O ponto alto da carta é o capítulo 8, onde mostra que a vida cristão é uma vida conforme o Espírito Santo, que habita em nós, nos leva à santificação, vencendo as obras da carne, levando-a à transfiguração no dia da ressurreição universal. Tudo foi preparado por Deus Pai que nos fez filhos no Seu Filho, a fim de dar a Cristo muitos irmãos, co-herdeiros da glória do Primogênito (8,14-18).

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