Eis-me aqui! Envia-me! (Isaias 6,8)

Archive for fevereiro, 2010

Sábado da 1ª Semana da Quaresma

É assim que prefiro chamar o amor de Deus. Aquele que passa por cima do ódio que deveríamos sentir pelos nossos inimigos: «Vocês ouviram o que foi dito: “Ame os seus amigos e odeie os seus inimigos.” Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para que vocês se tornem filhos do Pai de vocês, que está no céu». Nestas palavras de Jesus está a perfeição do amor.
Jesus hoje nos exorta longamente para que respondamos ao ódio com amor. Este texto, aparecendo nessa situação, ajuda-nos a compreender, que Mateus vê no amor aos adversários, a característica específica dos discípulos de Cristo.
As palavras de Jesus indicam duas maneiras de viver:
A primeira é a dos que se comportam sem referência a Deus e sua Palavra. Esses agem em relação aos outros em função da maneira como eles os tratam, a sua reação é de fato uma reação. Dividem o mundo em dois grupos, os amigos e os que não o são, e fazem prova de bondade só em relação aos que são bons para eles.
A segunda forma de viver não põe em primeiro lugar um grupo de homens, mas sim o próprio Deus. Deus, por seu lado, não reage de acordo com a maneira como o tratam; pelo contrário, «Ele é bom até para os ingratos e os maus» (Lucas 6,35).
Jesus chama assim a atenção para a característica essencial do nosso Deus. Fonte transbordante de bondade, Deus não se deixa condicionar pela maldade de quem está à sua frente. Mesmo esquecido, mesmo injuriado, Deus continua fiel a si próprio, só pode amar. Isto é verdadeiro desde a primeira hora. Diferentemente dos homens, Deus está sempre pronto a perdoar: «Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos» (Isaías 55,7-8). O profeta Oseias, por seu lado, ouve o Senhor dizer-lhe: «Não desafogarei o furor da minha cólera… porque sou Deus e não um homem» (Oseias 11,9). Numa palavra, o nosso Deus é misericordioso (Êxodo 34,6; Salmo 86,15; 116,5 etc.), «não nos trata de acordo com os nossos pecados, nem nos castiga segundo as nossas culpas» (Salmo 103,10).
A grande novidade do Evangelho não é tanto o fato de que Deus é Fonte de bondade, mas que os homens podem e devem agir à imagem do seu Criador: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso!» (Lucas 6,36). Através da vinda do seu Filho até nós, esta Fonte de bondade está agora acessível. Tornamo-nos, por nosso lado, «filhos do Altíssimo» (Lucas 6,35), seres capazes de responder ao mal com o bem, ao ódio com amor. Vivendo uma compaixão universal, perdoando aos que nos fazem mal, damos testemunho de que o Deus de misericórdia está no coração de um mundo marcado pela recusa do outro, pelo desprezo em relação àquele que é diferente.
Impossível para os humanos entregues às suas próprias forças, o amor pelos inimigos testemunha a atividade do próprio Deus no meio de nós. Nenhuma ordem exterior o torna possível. Só a presença, nos nossos corações, do amor divino em pessoa, o Espírito Santo, permite amar assim. Este amor é uma conseqüência direta do Pentecostes. Não é em vão que Estêvão, «cheio do Espírito Santo» termine com estas palavras: «Senhor, não lhes atribuas este pecado.» (Actos 7,60)
Como Jesus, o verdadeiro discípulo faz com que a luz do amor divino brilhe no país sombrio da violência como é o nosso Brasil.
Este amor, longe de ser um simples sentimento, reconcilia as oposições e cria uma comunidade fraterna a partir dos mais diversos homens e mulheres, da vida desta comunidade sai uma força de atração que pode agitar os corações. É este o amor que eu chamo de perfeito, o amor que perdoa até aqueles que nos podem tirar a vida.


Frutos do Espírito Santo:

                                                                                                     1º Caridade: amor ao próximo

2º Alegria: que provém de Deus e independe da situação que vive.

3º Paz: presença de Deus

4º Paciência: Saber sofrer as demoras de Deus.

5º Longanimidade: perseverança no caminho

6º Bondade: servir sem olhar a quem e sem esperar recompensa.

7º Benigdade: promover o bem.

8º Mansidão: não deixar seus impulsos dirigem suas ações.

9º Fidelidade: amar a Deus acima de tudo e todos.

10º Modéstia: simplicidade na sua conduta.

11º Continência: refrear os instintos.

12º Castidade: ser puro de corpo e de alma.


Sexta-feira da 1ª Semana da Quaresma

Segundo o Evangelista Mateus, é importante que o homem tenha a consciência de que “A ira do homem não realiza a justiça de Deus” (Tg 1, 20). E que é pela prática da justiça que vem de Deus que a sua vida é restaurada sobre a terra. E isto é tão fundamental que se torna imprescindível na vida existencial do homem e extensivo a todas outras práticas no seu dia a dia para tornar possível a convivência dos homens entre si e entre o meio ambiente.
Ouvistes o que foi dito… Eu, porém vos digo… Jesus não pretende reformar o complexo doutrinal do judaísmo.
Jesus veio nos ensinar a viver em plenitude a Lei de Deus e nos adverte de que a nossa justiça deve ser maior do que a dos mestres da lei e dos fariseus. Eles viviam na rigidez da lei e esqueciam de que o maior mandamento da Lei era justamente o amor e que, mais importante que a Lei em si, é o bom relacionamento entre as pessoas. Muitas vezes nós também, como os escribas e os fariseus, nos apegamos ao que a lei nos exorta a não fazer e ficamos alerta para não cometer aquelas faltas que se constituem as mais graves, como matar, roubar, adulterar, ter maus pensamentos, etc.. “Todo aquele que se encoleriza com o seu irmão será réu de juízo”.
O desejo primeiro de Deus, ao criar os seres humanos, é que vivam na mais perfeita comunhão, deixando de lado tudo quanto possa dividi-los e separá-los pelo muro da inimizade. O ódio e a divisão constituem flagrante desrespeito à vontade divino.
O homicídio é uma forma incontestável de ruptura com o próximo, culminando com a sua eliminação. Para evitar isto, Deus condenou peremptoriamente esse crime, com o mandamento: “não matarás”.
Todavia, a eliminação física do próximo é antecedida por outros gestos de eliminação de igual gravidade. Por exemplo, a simples irritação contra os outros, as palavras ofensivas contra eles são formas sutis de atentar contra a vida alheia. O discípulo do Reino não pode agir desta maneira.
A Palavra de Deus que Jesus veio esclarecer para nós vai muito mais além do que as coisas que nós praticamos, mas atinge também ao que nós pensamos e falamos ou expressamos a partir do nosso coração. Assim sendo, nós não podemos chamar os nossos irmãos e irmãs nem mesmo de tolos ou idiotas. Quanto ensinamento para nós! A oferta que fazemos ao Senhor será desnecessária, se primeiro não oferecermos a nossa compreensão e perdão às pessoas com as quais nos relacionamos. Enquanto caminhamos aproveitemos o conselho do Mestre para que a nossa justiça seja maior do que a justiça dos “mestres da lei” e dos “fariseus” de hoje. Como é a nossa justiça? O que é justo para Deus? A justiça de Deus é o Amor, é o perdão, é a reconciliação. E a nossa? Fazemos as nossas ofertas no Altar do Senhor, mas como está o nosso coração? Reflita agora: – Como você trata as pessoas com quem você convive? – Você tem costume de falar mal os seus amigos, suas amigas? – Você o faz de coração? – E quando você faz a sua oferta na hora do ofertório, qual é a sua atitude diante de Jesus?- Você já pensou que enquanto você faz a oferta do seu coração na hora da Missa, ele pode estar sujo com a injustiça da falta de perdão, da ofensa feita, do ódio por alguém?
A reverência a Deus passa pelo respeito ao próximo.
Na liturgia de hoje, Jesus exige de mim e de ti, como seus discípulos a reconciliação com seu próximo, antes de fazerem sua oferenda a Deus. Se alguém estava para fazer sua oferta, e se recordava de algum desentendimento com o próximo, deveria deixá-la ao pé do altar, para antes ir reconciliar-se. Caso contrário, a oferta não teria valor perante Deus.
Ele vem revelar que qualquer doutrina ou lei só tem valor à medida que contribua para a libertação e a promoção da vida. Jesus não propõe uma doutrina, mas ensina a prática restauradora da vida. A grande novidade que Jesus me ensina hoje é o perdão sem limites e a reconciliação, que me levam à comunhão de vidas com Deus e com os meus irmãos.
Por isso, quero neste dia ó Senhor Jesus que me ensineis a perdoar os meus irmãos e irmãs para poder estar em comunhão com o Vosso e o meu Deus e com os meus irmãos já aqui na terra.


Quinta-feira da 1ª Semana da Quaresma

A ti me dirijo meu irmão e minha irmã para te dizer que Deus é bom para conosco. Sua bondade é sem limite. Basta nos dirigirmos a Ele e erguendo os nossos braços bradando coloquemos em Suas mãos as nossas alegrias e tristezas, as nossas derrotas e vitórias, as nossas fraquezas e fortalezas.
A banda Vida Reluz cantando traz para nós: Deus é capaz de transformar tua vida. O impossível Ele fará porque és precioso aos Seus olhos/E se tiveres a coragem e a loucura de acreditar/Então irás provar que Ele pode muito mais. Deus é capaz de trocar reinos por ti/Abre mares para que possas atravessar/E se preciso fosse daria novamente a vida por ti/Deus só não é capaz de deixar de te amar. É preciso crer e se entregar sem medo/Ele nunca vai tirar a tua liberdade se não queres/Mas se te entregas sem reservas tua vida se transformará/Então irás provar que Ele pode muito mais…
Quem nos garante é o Próprio Filho de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor. «Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos Mt 7,7-12». O Mestre da oração coloca em nós a certeza da vitória que nos vem de Deus Seu Pai no texto de hoje. Por isso, meu irmão e minha irmã. Esforça-te por agradar ao Senhor, espera-o interiormente sem te cansares, procura-o por meio dos teus pensamentos, exerce violência sobre a tua vontade e as suas decisões, domina-as para que tendam continuamente para Ele. E verás como Ele vem junto de ti e aí estabelecerá a sua morada (Jo 14,23). Aí ficará, observando o teu raciocínio, os teus pensamentos, as tuas reflexões, examinando a forma como o procuras, se é com toda a tua alma ou com moleza e negligência. E, quando vir que o procuras com ardor, imediatamente se manifestará a ti, te aparecerá, te concederá o seu auxílio, te dará a vitória e te livrará dos teus inimigos.
Com efeito, quando tiver visto como tu o procuras, como nele depositas continuamente toda a tua esperança, então te instruirá e te ensinará a verdadeira oração. Dar-te-á essa caridade verdadeira que é Ele mesmo. Tornar-se-á então tudo para ti: paraíso, árvore da vida, pérola preciosa, coroa, arquiteto, cultivador, um ser sujeito ao sofrimento mas não abatido por ele, homem, Deus, vinho, água viva, ovelha, esposo combatente, armadura, Cristo “tudo em todos” (1 Co 15,28).
Tal como uma criança não pode alimentar-se nem cuidar de si mesma, mas só pode olhar chorando para sua mãe, até que seja tocada de compaixão e se ocupe dela, assim a aminha almas esperam sempre em Cristo e lhe atribuem toda a justiça. Tal como o sarmento seca se for separado da videira (Jo 15,6), assim faço. Pois sem Vós eu não serei justo. Tal como o que é “um salteador e um ladrão que não entra pela porta, mas passa por outro sítio” (Jo 10,1), assim acontece com o que se quer tornar justo sem aquele que justifica. Ensinai-me a vossa justiça para que eu seja justo.
“Presta atenção às minhas palavras, Senhor!” (Sl 5,2). Tu vieste não só por piedade para com o teu povo Israel, mas para salvar todas as nações, não só para restaurar uma parte da terra, mas para renovar o mundo inteiro. Por isso, “presta atenção às minhas palavras, Senhor!” Não rejeites a minha súplica como indigna; não recuses a minha oração. Eu não peço ouro nem riquezas. É desejando o amor e o respeito por ti que clamo sem cessar: “Presta atenção às minhas palavras, Senhor!”
Israel gozou dos teus bens; também eu farei a experiência dos teus benefícios. Conduziste-o para fora do Egito; retira-me do erro. Resgataste-o do Faraó; liberta-me do diabo, que inferniza a minha vida e a da minha família. Conduziste-o através do Mar Vermelho. Guiaste-o com a coluna de fogo; ilumina-me com o teu Espírito Santo. Israel comeu o pão dos anjos no deserto; dá-me o teu Corpo santíssimo. Ele bebeu a água do rochedo; sacia-me com o Sangue do teu lado. Israel recebeu as tábuas da Lei; grava o teu Evangelho no meu coração. “Presta atenção às minhas palavras, Senhor! Atende o meu grito!” Graças a esse grito, Moisés tornou a criação aliada do teu povo; graças a esse clamor, Josué travou o curso do sol (Jos 10,12); graças a esse grito, Elias tornou estéreis as nuvens do céu (1R 17,1); foi graças a esse lamento que Ana deu à luz um filho, contra toda a esperança (1Sm 1,10s). “Senhor atende o meu grito”!


Dinâmicas de encontro de jovens

O Pai que ama e acolhe

Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai: Meu pai dá-me à parte da herança que me toca. O pai então repartiu entre eles os haveres.

Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou a sua fortuna, vivendo dissolutamente. Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria.

Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para os seus campos guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

Entrou então em si e refletiu: Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… E eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.

Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

O filho lhe disse, então: Meu pai pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai falou aos servos: Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lhe, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a festa.

O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia.

Ele lhe explicou: Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um novilho gordo, porque o reencontrou são e salvo.

Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai: Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com os meus amigos. E agora, que voltou este teu filho, que gastou os teus bens com as meretrizes, logo lhe mandaste matar um novilho gordo!

Explicou-lhe o pai: Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado.

1ª Semana: O Pai que ama e acolhe.

O encontro com Pai

Motivação: Enfatizar a questão da volta a casa do Pai e a acolhida misericordiosa do Pai. Fazer o jovem a tomar consciência de que o Pai sempre está disposto a acolher o filho que volta independente do que o filho fez. O importante não é levar a um arrependimento profundo, mas levar o conhecimento de que o Pai ama e acolhe sempre, sem exceção.

Trabalho da semana:

Dividir três grupos e escolher um líder para cada um. Escrever em três papeis: teatro, dinâmica e resumo; pedir que cada líder pegue um papel sem saber o que é.

O teatro deverá se reunir e ensaiar uma peça do Pai que ama e acolhe.

O grupo da dinâmica também se reunirá durante a semana e bolará uma forma de dinâmica com o mesmo tema, onde todos da assembléia deverão estar participando.

O resumo será da mesma forma, reunindo-se durante a semana para elaborar uma mini palestra sobre o tema. Um dos membros do grupo, escolhido pelos membros do grupo, estará fazendo esta palestra Isto ajudará para o jovem começar a evangelizar jovem.


Quarta-feira da 1ª Semana da Quaresma

No tempo de Jesus as pessoas procuravam sinais do Messias enviado de Deus, e as autoridades pediam que Jesus realizasse um sinal que provasse que ele era de fato o Messias Mt 12,38. Segundo Lucas, Jesus recusa até mesmo apontar o sinal da ressurreição.
Ora vejam, os ninivitas se arrependeram e se converteram com a pregação de Jonas. Jesus veio como um sinal do Pai para a humanidade. Ele é maior do que Jonas e maior que Salomão que atraiu reis pela sua sabedoria. A quem Jesus chama de geração má? Será que fazemos parte dessa geração? A geração má é aquela que é constituída de uma multidão de gente que não crê na Palavra de Deus e não segue os ensinamentos de Jesus, esperando por alguma coisa que venha a acontecer e que seja visível aos seus olhos e sensível ao toque. É a geração daqueles (as) que querem um sinal para acreditar, que só vão, vendo, mas que não enxergam o que está um pouco além da mesma vidinha insignificante e sem objetivo do ter, do prazer, do poder, do divertir-se, do amealhar.
Nós achamos que fazemos parte da geração que tem Jesus como sinal, mas mesmo assim muitas vezes necessitamos de outros sinais para acreditar na força e no poder de Deus. Jesus nos abre os olhos: Os ninivitas acreditaram nas palavras de Jonas; a rainha do sul (rainha de Sabá) seguiu os conselhos de Salomão, e todos foram salvos. Eu e tu?
A quem devemos ouvir para não fazermos parte dessa geração que caminha para o mal? Convido-te a fazer uma reflexão da tua vida e pense se há alguma mensagem do Evangelho que tu não acreditas e por isso não tentas viver como Jesus ensinou? Devemos refletir ainda: tu ainda esperas algum outro sinal a não ser o sinal da Cruz?
A palavra de Deus te basta para que tu voltes atrás e te arrependas e tenhas vida nova? Tu sabes que foste assinalado com o selo do Espírito Santo de Deus? De tipo de geração tu fazes parte, boa ou má?
Escute a advertência de Jesus: a rainha de Sabá (1 Reis 10,1) e os ninivitas (Jonas 3,4-10) irão condenar os que rejeitam a Jesus.
Tome consciência! Oxalá seja diferente das autoridades. Jesus é mais sábio que o rei Salomão e muito maior do que Jonas, mas as autoridades não lhe dão ouvidos e não se convertem. Preferem continuar servindo aos seus próprios e mesquinhos interesses, em vez de se colocarem a serviço do projeto de Jesus que, através da justiça, constrói nova sociedade e nova história. Assim fazendo, as autoridades confirmam que estão contra Jesus, isto é, do lado de Satanás, que cria o reino da injustiça. Saia desta geração, desde partido converta-te para a geração dos que buscam a fase do Deus de Jacob, venha para Jesus e terás a vida em plenitude que é fruto da Justiça de Deus!


Dons do Espírito Santo

 
1º Ciência: Conhecimento das coisas criadas;

2º Entendimento: Conhecimento das realidades reveladas, julgar segundo a Ciência Divina;

3º Sabedoria: amar as coisas segundo o amor e vontade de Deus;

4º Conselho: discernir o que é melhor para a salvação;

5º Fortaleza: força para permanecer firme na fé;

6º Piedade: aumenta em nós a virtude da religião e da justiça;

7º Temor de Deus: respeito a Deus.


Terça-feira da 1ª Semana da Quaresma

No tempo da quaresma a igreja nos convida a viver em oração, penitência e caridade. E hoje, Jesus vem nos ensinar como realizar um destes três pilares: a oração.
Este tempo é bastante propício para reiniciarmos ou darmos continuidade as nossas orações, entretanto elas não precisam ser proferidas em muitas e belas palavras. Não importa quantas e quais palavras utilizemos em nossas orações, Jesus nos garante no evangelho: “vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais.” Por isso, a forma mais simples e humilde de orar é através do Pai Nosso.
Todos conhecemos a oração do Pai Nosso, mas exatamente por conhecer muito bem, às vezes oramos sem meditar sobre o que estamos falando. Esta oração é muito bonita e forte, mas de nada nos serve se ela não sair do nosso coração. Seria como uma oração muito bonita e pomposa, mas vazia de sentimento. Penso que este é o principal ponto da oração, ela deve sair do coração não importando se a frase é apenas um “Meu Deus eu te amo, tem piedade de mim”.
Jesus nos ensina a rezar. Ele diz que não precisamos usar palavras bonitas ou difíceis, pois o Pai já sabe do que precisamos, muito antes de nós abrirmos a boca para pedir.
Então a nossa oração serve mais para nós do que para Deus? Veja que interessante: quando oramos a Deus, estamos lembrando a nós mesmos que é Ele quem está no comando das nossas vidas. E é com essa segurança que voamos cada vez mais alto, e saltamos cada vez mais longe, pois sabemos que Ele não vai nos desamparar.
Na oração do Pai Nosso, também pedimos o alimento de cada dia e o perdão das nossas ofensas. Mas isso é algo que Ele só pode participar parcialmente, pois nós precisamos fazer a nossa parte. Vejamos: pra poder comer, é preciso trabalhar, certo? Ou pelo menos alguém precisa.
Por último, o evangelho nos faz refletir sobre o perdão: “De fato, se vós perdoardes aos homens as faltas que eles cometeram vosso Pai que está nos céus também vos perdoará. Mas, se vós não perdoardes aos homens, vosso Pai também não perdoará as faltas que vós cometestes”.
O texto nos traz uma passagem de Mateus 18, 23-35, que se aplica muito bem a estes dois versículos. Na parábola Jesus compara o Reino ao rei que perdoa a enorme dívida do seu, mas este ao sair da vista do patrão agarra e sufoca um de seus devedores não perdoando sua pequena dívida. Então, este empregado que foi perdoado e não perdoou deverá prestar contas ao rei por sua maldade. E para poder ser perdoado, é preciso perdoar.
Então quando fazemos à oração do Pai Nosso, temos a oportunidade de lembrar que para poder corresponder a todos esses mimos e paparicos do nosso Pai do Céu, precisamos sair do nosso comodismo, trabalhar e perdoar a quem nos ofendeu, e assim, nos libertarmos de uma prisão que nós teimamos em construir em torno de nós mesmos.
Meu irmão, minha irmã, precisamos orar assim como precisamos respirar. Pela oração constante estabelece-se com Deus profunda intimidade e a partir dela somos levados a moções: situações da nossa vida que nos levam para perto do Senhor, aquilo que te conduz a Ele, que nos faz amar mais, perdoar mais. No entanto, quando estamos mergulhados nos ruídos interiores, há o ardil: situações que nos afastam de Deus e nos devia de Seus caminhos. Mas, persevere. Não desista de rezar. Prostra-te até Deus colocar em teu coração a certeza da vitória. Transforme os ruídos interiores em perseverança, em oração. Abras o coração, fales com o Senhor, sejas insistente na oração, estejas aberto a Sua vontade, aguardes a Providência Divina no momento certo da sua vida.
Suplique até Ele colocar em teu coração a certeza da vitória, pois oração é combate. Peça a graça de descobrir as coisas que te prostram e não permitem que perseveres. Se necessário chame e grite: Pai Nosso.


Segunda-feira da 1ª Semana da Quaresma – Catedra de São Pedro

Bento XVI explica o significado da «cátedra» de Pedro

Queridos irmãos e irmãs!
A liturgia latina celebra hoje a festa da cátedra de São Pedro. Trata-se de uma tradição muito antiga, testemunhada em Roma desde os finais do século IV, com a qual se dá graças a Deus pela missão confiada ao apóstolo Pedro e a seus sucessores. A «cátedra», literalmente, quer dizer a sede fixa do bispo, colocada na igreja mãe de uma diocese, que por este motivo é chamada «catedral», e é o símbolo da autoridade do bispo e, em particular, de seu «magistério», ou seja, do ensinamento evangélico que ele, enquanto sucessor dos apóstolos, está chamado a custodiar e transmitir à comunidade cristã. Quando o bispo toma posse da Igreja particular que lhe foi confiada, com a mitra e o báculo, senta-se em sua cátedra. Desde essa sede guiará, como mestre e pastor, o caminho dos fiéis, na fé, na esperança e na caridade!
Qual foi, então, a «cátedra» de São Pedro? Ele, escolhido por Cristo como «rocha» sobre a qual edificar a Igreja (Cf. Mateus 6, 18), começou seu ministério em Jerusalém, depois da Ascensão do Senhor e de Pentecostes. A primeira «sede» da Igreja foi o Cenáculo, e é provável que naquela sala, onde também Maria, a Mãe de Jesus, rezou junto aos discípulos, se reservasse um posto especial a Simão Pedro.
Sucessivamente, a sede de Pedro foi Antioquia, cidade situada no rio Oronte, na Síria, hoje na Turquia, naqueles tempos a terceira cidade do império romano depois de Roma e de Alexandria do Egito. Daquela cidade, evangelizada por Barnabé e Paulo, na qual «pela primeira vez os discípulos receberam o nome de “cristãos”» (Atos 11, 26), Pedro foi o primeiro bispo. De fato, o Martirológio Romano, antes da reforma do calendário, previa também uma celebração específica da Cátedra de Pedro em Antioquia. Desde ali a Providência levou Pedro a Roma. Portanto, encontramo-nos com o caminho que vai de Jerusalém, Igreja nascente, a Antioquia, primeiro centro da Igreja, que agrupava pagãos, e ainda unida também à Igreja proveniente dos judeus. Depois, Pedro dirigiu-se a Roma, centro do Império, símbolo do «Orbis», a «Urbis» que expressa o «Orbis», a terra, onde concluiu com o martírio sua carreira ao serviço do Evangelho.
Por este motivo, a sede de Roma, que havia recebido a maior honra, recebeu também a tarefa confiada por Cristo a Pedro de estar ao serviço de todas as Igrejas particulares para a edificação e a unidade de todo o Povo de Deus.
A sede de Roma, depois destas migrações de São Pedro, foi reconhecida como a do sucessor de Pedro, e a «cátedra» de seu bispo representou a do apóstolo encarregado por Cristo de apascentar todo seu rebanho. Testificam isso os mais antigos Padres da Igreja, como por exemplo Santo Irineu, bispo de Lyon, mas que era originário da Ásia Menor, que em seu tratado «Contra as heresias» descreve a Igreja de Roma como a «maior e mais antiga conhecida por todos, (…) fundada e constituída em Roma pelos dois gloriosos apóstolos Pedro e Paulo», e acrescenta: «Com esta Igreja, por sua exímia superioridade, deve estar em acordo a Igreja universal, ou seja, os fiéis que estão por toda parte» (III, 3, 2-3). Pouco depois, Tertuliano, por sua parte, afirma: «Esta Igreja de Roma é bem-aventurada! Os apóstolos derramaram nela, com seu sangue, toda a doutrina» («Prescrições contra todas as heresias», 36). A cátedra do bispo de Roma representa, portanto, não só seu serviço à comunidade romana, mas também sua missão de guia de todo o Povo de Deus.
Celebrar a «cátedra» de Pedro, como hoje fazemos, significa, portanto, atribuir a esta um forte significado espiritual e reconhecer nela um sinal privilegiado do amor de Deus, Pastor bom e eterno, que quer reunir toda sua Igreja e guiá-la pelo caminho da salvação. Entre os numerosos testemunhos dos Padres, quero oferecer o de São Jerônimo, tomado de uma carta sua escrita ao bispo de Roma, particularmente interessante porque menciona explicitamente a «cátedra» de Pedro, apresentando-a como porto seguro de verdade e de paz. Assim escreve Jerônimo: «Decidi consultar a cátedra de Pedro, onde se encontra essa fé que a boca de um apóstolo exaltou; venho agora pedir alimento para minha alma ali, onde recebi a veste de Cristo. Não sigo outro primado senão o de Cristo; por isso, ponho-me em comunhão com tua beatitude, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja» («As cartas» I, 15, 1-2).
Queridos irmãos e irmãs, na abside da basílica de São Pedro, como sabeis, encontra-se o monumento à cátedra do apóstolo, obra de Bernini em sua maturidade, realizada em forma de grande trono de bronze, sustentada pelas estátuas de quatro doutores da Igreja, dois de Ocidente, Santo Agostinho e Santo Ambrósio, e dois do oriente, São João Crisóstomo e Santo Atanásio. Convido-vos a deter-vos ante esta obra sugestiva, que hoje é possível admirar, adornada com velas, e a rezar particularmente pelo ministério que Deus me confiou. Ao elevar o olhar ante o vitral do alabastro que se encontra precisamente ante a cátedra, invocai o Espírito Santo para que sustente sempre com sua luz e sua força meu serviço cotidiano a toda Igreja. Por isso e por vossa especial atenção, dou-vos graças de coração.

Cidade do Vaticano, 22 de fevereiro de 2006.
Benedictus PP. XVI


1º Domingo da Quaresma

A celebração da Quaresma é um grande dom de Deus. Nela vivemos um sacramento extraordinário pelo qual somos preparados para viver a Páscoa de Jesus. Vivemos a Quaresma com Jesus para que, passando com Ele em sua Morte, chegarmos com Ele à Ressurreição. Não fazemos sozinhos esse caminho, mas guiados, como Ele, pelo Espírito Santo. O mesmo Espírito nos introduz neste caminho espiritual, que está, nesse ano, voltado para a Aliança. Seguiremos as alianças que Deus fez com seu povo até chegarmos à nova e eterna Aliança, como Jesus proclama na última ceia (Lc 22,20). As leituras e símbolos nos conduzem à celebração da Páscoa de Jesus. Nesse primeiro domingo da Quaresma lemos o evangelho de Marcos que narra a tentação e o início da pregação de Jesus que convida à conversão. Jesus é sempre guiado pelo Espírito. A missão de Jesus retoma o caminho do povo de Deus. Passa 40 dias no deserto (Mc 1,13), como os 40 anos do povo no mesmo deserto. Marcos não escreve as três tentações, mas a grande tentação de desviar Jesus de sua missão de passar pela morte para a ressurreição. O povo de Deus foi tentado do mesmo modo no deserto. Caiu muitas vezes, mas a fidelidade de Deus a sua aliança o sustentou. Na primeira leitura lemos a aliança de Deus com Noé. Deus se arrependeu de ter feito o homem porque tendia sempre para o mal. Destruiu a humanidade, mas preservou o Noé (Gn 6 a 10). Terminado o dilúvio, faz aliança com Noé, prometendo nunca mais destruir a terra por um dilúvio. E coloca seu arco de guerra no céu (arco-íris) como lembrança da aliança (Gn 9,13.15). É o arco da velha aliança, como dizemos.
A Quaresma é uma longa catequese que nos prepara para a celebração da Páscoa na qual são realizados os batismos e também a renovação das promessas do batismo dos que já foram batizados. Os símbolos da liturgia pascal são colhidos na história do povo de Deus. O dilúvio universal, com os 40 dias de chuva, é símbolo da purificação realizada no Batismo, sepultando os vícios e fazendo nascer uma nova humanidade (bênção da água batismal). As águas imensas são símbolo da força do mal e da morte. Noé é figura de Cristo. Pedro explica esse símbolo: “A arca corresponde ao Batismo que hoje é vossa salvação. Pois o batismo é um pedido a Deus para obter uma boa consciência, em virtude da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pd 3,21). Os diversos domingos da Quaresma nos instruem sobre os efeitos do batismo e nosso compromisso com esta inserção em Cristo. A Campanha da Fraternidade ajuda-nos a colher um aspecto prático de nossa vida de batizados. É uma participação na reconciliação que o sacrifício pascal de Cristo em sua Morte, Ressurreição e glorificação.
O cristão tem uma intenção particular ao início da Quaresma: “Corresponder a Cristo por uma vida santa” (oração da missa). Por isso é necessária uma conversão permanente. Vamos conseguí-la através de um caminho de deserto, como Jesus, guiados pelo Espírito. Temos diante de nós o deserto. O deserto traz também a imagem de um tempo de intimidade, ternura e encontro com Deus (Jr 2,2). Deserto é lugar de nos encontramos a nós mesmos. O deserto estará onde o coloco. Para acontecer a conversão é preciso esforço pessoal de busca de Deus através da Palavra e da penitência, isto é, vivendo a aliança com Deus. A mortificação não é um castigo, mas a busca de eliminar nossos males. A Palavra e os símbolos nos orientam no caminho. Renovemos nossa aliança pela vida que levamos.


Resumo – Evangelho de João

 Evangelho de João

Este Evangelho tem características muito próprias, que o distinguem dos Sinópticos. Mesmo quando refere idênticos acontecimentos, JOÃO apresenta perspectivas e pormenores diferentes dos Sinópticos. Não obstante, enquadra-se, como estes, no mesmo gênero literário de Evangelho e conserva a mesma estrutura fundamental e o mesmo caráter de proclamação da mensagem de Jesus.

 

Autor

A antiga tradição da igreja atribui o quarto evangelho a João “o discípulo a quem Jesus amava” (13.23; 19.26; 20.2; 21.7,20), que pertencia ao “círculo íntimo” dos seguidores de Jesus (Mt 17.1; Mc 13.3). De acordo com escritores cristãos do séc. I , João mudou-se para Éfeso, provavelmente durante a guerra Judaica de 66-70dC, onde continuou seu ministério.

Data

A mesma tradição que localiza João em Éfeso sugere que ele escreveu seu evangelho na última parte do séc. I. Na falta de provas substanciais do contrário, a maioria dos eruditos aceita esta tradição.

Conteúdo

Enquanto era bem provável que João conhecesse as narrativas dos outros três Evangelhos, ele escolheu não seguir a seqüência cronológica de eventos dos mesmos como uma ordem tópica. Nesse caso, eles podem ter usado as tradições literárias comuns e/ou orais. O esquema amplo é o mesmo, e alguns acontecimentos em particular do ministério de Jesus são comuns a todos os quatro livros. Algumas das diferenças distintas são: 1) Ao invés das parábolas familiares, João tem discursos extensos; 2) Em lugar dos muitos milagres e cura dos sinóticos, João usa sete milagres cuidadosamente escolhidos a dedo que servem como “sinais”; 3) O ministério de Jesus gira em torno das três festas da Páscoa, ao invés de uma, conforme citado nos Sinóticos; 4) Os ditos “Eu sou” são unicamente joaninos.

João divide o ministério de Jesus em duas partes distintas: os caps. 2-12 dão uma visão de seu ministério público, enquanto os caps. 13-21 relatam seu ministério privado aos seus discípulos. Em 1.1-18, denominado “prólogo”, João lida com as implicações teológicas da primeira vinda de Jesus. Ele mostra o estado preexistente de Jesus com Deus, sua divindade e essência, bem como sua encarnação.

Um Evangelho original

Alguns temas importantes dos Sinópticos não aparecem aqui: a infância de Jesus e as tentações, o sermão da montanha, o ensino em parábolas, as expulsões de demônios, a transfiguração, a instituição da Eucaristia… Por outro lado, só JOÃO apresenta as alegorias do bom pastor, da porta, do grão de trigo e da videira, o discurso do pão da vida, o da ceia e a oração sacerdotal, os episódios das bodas de Caná, da ressurreição de Lázaro e do lava-pés, os diálogos com Nicodemos e com a samaritana…
Ao contrário dos Sinópticos, em que toda a vida pública de Jesus se enquadra fundamentalmente na Galileia, numa única viagem a Jerusalém e na breve presença nesta cidade pela Páscoa da Paixão e Morte, no IV Evangelho Jesus atua, sobretudo na Judéia e em Jerusalém, onde se encontra pelo menos em três Páscoas diferentes (2,13; 6,4; 11,55; ver 5,1).

O vocabulário é reduzido, mas muito expressivo, de forte poder evocativo e profundo simbolismo, com muitas palavras-chave: verdade, luz, vida, amor, glória, mundo, julgamento, hora, testemunho, água, espírito, amar, conhecer, ver, ouvir, testemunhar, manifestar, dar, fazer, julgar…
Mas a grande originalidade de JOÃO são os discursos. Nos Sinópticos, estes são pequenas unidades literárias sistematizadas; aqui, longas unidades com um único tema (3,14-16; 4,26; 10,30; 14,6).

O estilo é muito característico, desenvolvendo as mesmas idéias de forma concêntrica e crescente. Assim, os temas da “Luz”: 1,4.5.9; 3,19-21; 8,12; 9; 11,9-10; 12,35-36.46; da “Vida”: 1,4; 3,15-16; 5,1-6,71 (desenvolvimento); 10,10.17-18.28; 11,25-26; 12,25.50; da “Hora”: 2,4; 5,25.28; 7,30; 8,20; 12,23.

Caráter dramático. Depois de tantos anos, Jesus continua a ser rejeitado pelo seu próprio povo (1,11) e os judeus cristãos a serem hostilizados pelos judeus incrédulos (9,22.34; 12,42; 16,2). O homem aceita a oferta divina e tem a vida eterna, ou a rejeita e sofre a condenação definitiva (3,36).
Apesar disso, todo o Evangelho respira serenidade e vai ao ponto de transformar as dúvidas em confissões de fé (4,19.25; 6,68-69), os escárnios em aclamações (19,3.14) e a infâmia da cruz num trono de glória (3,14; 8,28; 12,32). Para isso, o evangelista serve-se dos recursos literários da ironia (3,10; 4,12; 18,28), do mal-entendido (2,19.22; 3,3; 4,10.31-34; 6,41-42.51; 7,33-36; 8,21-22.31-33.51-53.56-58), das antíteses (luzes-treva, verdade-mentira, vida-morte, salvação-condenação, celeste-terreno) e das expressões com dois sentidos: do alto ou de novo (3,3), pneuma (3,8), no sentido de vento e espírito, erguer para significar crucificar e exaltar, ver no sentido físico e espiritual, água viva, etc..

Simbolismo, que pertence à própria estrutura deste Evangelho, organizado para revelar tudo o que nele se relata: milagres, diálogos e discursos. Assim, os milagres são chamados “sinais”, porque revelam a identidade de Jesus, a sua glória, o seu ser divino e o seu poder salvador, como pão (6), luz (9), vida e ressurreição (11), em ordem a crer nele; outras vezes são “obras do Pai”, mas que o Filho também faz (5,19-20.36).

Valor Histórico

Chamar “sinais” aos milagres é indicar que se trata de fatos significativos e não de meros símbolos. Com efeito, o próprio Jesus se proclama testemunha da verdade (18,37) e o texto apóia-se numa testemunha ocular. É um testemunho que não se confina a meros acontecimentos históricos, pois tem como objeto a fé na pessoa e na obra salvadora de Jesus; mas brota de acontecimentos vistos por essa testemunha (19,35; 20,8; 21,24).

Ao incluir alguns termos aramaicos e uma sintaxe semita, mostra que é um escrito ligado à primitiva tradição oral palestinense. Por outro lado, os muitos pormenores relativos às instituições judaicas, à cronologia e geografia, provam o rigor da informação, às vezes confirmada por descobertas arqueológicas. Sem as informações de JOÃO, não se poderiam entender corretamente os dados dos Sinópticos.
Se fosse apenas uma obra teológica, o autor não teria o cuidado constante de ligar o relato às condições reais da vida de Jesus. Uma contraprova do seu valor histórico: quando não possui dados certos, não inventa. Assim, no período anterior à Encarnação, fala da preexistência do Verbo, mas nada diz da sua vida no seio do Pai, como seria de esperar.

 

Cristo Revelado

O livro apresenta Jesus como ó único Filho gerado por Deus que se tornou carne. Para João, a humanidade de Jesus significava essencialmente uma missão dupla: 1) como o”Cordeiro de Deus (1.29), ele procurou a redenção da humanidade; 2) Através de sua vida e ministério, ele revelou o Pai. Cristo colocou-se coerentemente além de si mesmo perante o Pai que o havia enviado e a quem ele buscava glorificar. Na verdade, os próprios milagres que Jesus realizou como “sinais”, testemunham a missão divina do Filho de Deus.

O Espírito Santo em Ação

A designação do ES como “Confortador” ou “Consolador” (14.16) é exclusiva de João e significa literalmente. “alguém chamado ao lado”. Ele é “outro consolador”, isto é, alguém como Jesus, o que estendeu o ministério de Jesus até o final desta era. Seria um grave erro, entretanto, compreender o objetivo do Espírito apenas em termos daqueles em situações difíceis. Ao contrário, João demonstra que o papel do Espírito abrange cada faceta da vida. Em relação ao mundo exterior de Cristo, ele trabalha como o agente que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (16.8-11). A experiência de ser “nascido no Espírito” descreve o Novo Nascimento (3.6). Como, em essência, Deus é o Espírito, aqueles que o adoram devem fazê-lo espiritualmente, isto é, conforme comandado e motivado pelo ES (4.24). Além disso, em antecipação do Pentecostes, o Espírito torna-se o capacitador divino para o ministério autorizado (20.21-23).
João revela a função do ES em continuar a obra de Jesus, guiando os crentes e a um entendimento dos significados, implicações e imperativos do evangelho e capacitando-os a realizar “obras maiores” do que aquelas realizadas por Jesus (14.12). Aqueles que crêem em Cristo hoje podem, assim, enxergá-lo como um contemporâneo, não apenas como uma figura do passado distante.

Objetivo e Teologia

Este Evangelho propõe-se confirmar na fé em Jesus, como Messias e Filho de Deus (20,30-31). Destina-se aos cristãos, na sua maioria vindos do paganismo (pois explica as palavras e costumes hebraicos), mas também em parte vindos do judaísmo, com dificuldades acerca da condição divina de Jesus e com apego exagerado às instituições religiosas judaicas que se apresentam como superadas (1,26-27; 2,19-22; 7,37-39; 19,36). Sem polemizar contra os gnósticos docetas, que negavam ter Jesus vindo em carne mortal (1 Jo 4,2-3; 5,6-7), JOÃO não deixa de sublinhar o realismo da humanidade de Jesus (1,14; 6,53-54; 19,34). Por outro lado, é um premente apelo à unidade (10,16; 11,52; 17, 21-24; 19,23) e ao amor fraterno entre todos os fiéis (13,13.15.31-35; 15,12-13).

JOÃO pretende dar-nos a chave da compreensão do mistério da pessoa e da obra salvadora de Jesus, sobretudo através do recurso constante às Escrituras: “Investigai as Escrituras (…): são elas que dão testemunho a meu favor” (5,39). Embora seja o Evangelho com menos citações explícitas do Antigo Testamento, é aquele que o tem mais presente, procurando, das mais diversas maneiras (por métodos deráchicos), extrair-lhe toda a riqueza e profundidade de sentido em favor de Jesus como Messias e Filho de Deus, que cumpre tudo o que acerca dele estava anunciado por palavras e figuras (19,28.30).

Além destes temas fundamentais da fé e do amor, JOÃO contém a revelação mais completa dos mistérios da Santíssima Trindade e da Encarnação do Verbo, o Filho no seio do Pai, o Filho Unigênito, que nos torna filhos (adotivos) de Deus; a doutrina sobre a Igreja (10,1-18; 15,1-17; 21,15-17) e os Sacramentos (3,1-8; 6,51-59; 20,22-23) e sobre o papel de Maria, a “mulher”, nova Eva, Mãe da nova humanidade resgatada (2,1-5; 19,25-27).

 

Esboço de João

Prólogo 1.1-8
I. O ministério público de Jesus 1.19-12.50

Preparação 1.19-51
As bodas em Caná 2.1-12
Ministério em Jerusalém 2.13-3.36
Jesus e a mulher de Samaria 4.1-42
A cura do filho de um oficial do rei 4.43-54
A cura de um paralítico em Betesda 5.1-15
Honrando o Pai e o Filho 5.16-29
Testemunhas do Filho 5.30-47
Ministério na Galiléia 6.1-71
Conflito em Jerusalém 7.1-9.41
Jesus, o bom Pastor 10.1-42
Ministério em Betânia 11.1-12.11
Entrada triunfal em Jerusalém 12.12-19
Rejeição final: descrença 12.20-50

II. O ministério de Jesus aos discípulos 13.1-17.26

Servir— um modelo 13.1-20
Pronunciamento de traição e negação 13.21-38
Preparação para a partida de Jesus 14.1-31
Produtividade por submissão 15.1-17
Lidando com rejeição 15.18-16.4
Compreendendo a partida de Jesus 16.5-33
A oração de Jesus por seus discípulos 17.1-26

III. Paixão e ressurreição de Jesus 18.1-21.23

A prisão de Jesus 18.1-14
Julgamento perante o sumo sacerdote 18.15-27
Julgamento perante Pilatos 18.28-19.16
Crucificação e sepultamento 19.17-42
Ressurreição e aparições 20.1-21.23

Epílogo 21.24-25


Sabado depois de cinzas

« Escuta meu filho, minha filha » (Pr 1,8). Jesus está chamando por ti: Vem e segue-me. Obedeça e responda sim! A obediência é, antes de tudo, uma atitude filial. É aquele tipo particular de escuta que só mesmo o filho pode prestar ao pai, porque está iluminado pela certeza de que o pai só pode ter coisas boas a dizer e a dar ao filho; uma escuta embebida naquela confiança que permite ao filho acolher a vontade do pai, certo de que esta será para o bem. Isto é imensamente mais verdadeiro em relação a Deus. Com efeito, nós atingimos a nossa plenitude somente na medida em que nos inserimos no desígnio com que Ele nos concebeu e nos chamou como fez com Levi, em seu amor de Pai.
A obediência a Deus é caminho de crescimento e, por isso mesmo, de liberdade da pessoa, uma vez que permite acolher um projeto ou uma vontade diferente da própria que não só não mortifica ou diminui, mas que funda os alicerces da dignidade humana.
Ao mesmo tempo, a liberdade é, em si, um caminho de obediência, pois é obedecendo como filho ao plano do Pai que a pessoa que crê realiza o seu ser livre. Levi depois de chamado responde positivamente: Levi se levantou, deixou tudo e seguiu Jesus. Então Levi fez para Jesus uma grande festa na sua casa.
È claro que, tal obediência exige reconhecer-se como filho e de alegrar-se em ser filho, posto que somente um filho e uma filha se podem entregar livremente nas mãos do Pai, exatamente como o Filho Jesus, que se abandonou nas mãos do Pai. E se, durante a sua paixão se entregou também a Judas, aos sumos-sacerdotes, aos seus flageladores, à multidão hostil e aos que o crucificaram, Ele só o fez porque estava absolutamente certo de que tudo encontrava um significado na fidelidade total ao desígnio de salvação querido pelo Pai, a quem – como nos recorda são Bernardo – « não foi à morte que agradou, mas sim a vontade d’Aquele que, espontaneamente, morria ».
Em Lc 5,27-32 onde Jesus encontrou um cobrador de impostos chamado Levi e o convida para ser seu discípulo devemos e cada um em particular entrever-se. Pois o Mestre também nos chama. Assim como Levi segue imediatamente a Jesus oferecendo então, um banquete a Jesus, convidando os membros da sua classe também nós façamos o mesmo. Veja que Levi sendo um detestado cobrador de impostos, os únicos amigos que tinha eram outros cobradores de impostos, seus colegas. E os nossos são aqueles que eu e tu conhecemos. Pai, mãe, filhos, irmãos e irmãs, tios e tias, colegas sei lá! Convidemo-los a participar da mesa com o mestre. Que eles partilhem de igual modo da nossa conversão!
Como Levi, sejamos obedientes ao Mestre que nos chama para a sua missão. Saiba que a obediência ao chamado de Jesus é o único caminho de que dispõe a pessoa humana – ser inteligente e livre – para se realizar plenamente. Quando diz “não” a Deus a pessoa humana compromete o projeto divino e se diminui a si mesma, destinando-se ao fracasso. Diga sim ao projeto de Deus na tua vida e tu e os teus vivereis eternamente


Sexta-feira depois de cinzas

“Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar tristes enquanto o noivo está com eles? Claro que não! Mas chegará o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; então sim eles vão jejuar”! Com estas palavras Jesus não aboliu nem o jejum e nem a oração.
Simplesmente Ele quis dizer aos discípulos de João Batista, e todos aqueles que ainda estavam presos ao passado que, jejum é feito em casos específicos, quando queremos servir melhor a Deus, quando estamos passando por tribulações, perseguições, doenças e calamidades, nos arrependimentos de pecados por nós e pelo povo, e conversões em massa.
Alías, Jejum, oração e boas obras são mencionados frequentemente por ambos judeus e cristãos. Oração não fica a frente do jejum, e boas obras, independente deles, mas como algo que os liga de dentro. O mais completo entendimento da oração é particularmente oferecido em conexão com o jejum. Quando nós olhamos o que é dito sobre a oração, e como ela é definida, nós podemos ver que a ênfase é naturalmente mais no estado do coração e alma que no corpo, como possível expressão da oração em geral.
Segundo São João Damasceno: “Oração é a subida da mente e do coração de alguém a Deus ou o pedido das boas coisas de Deus”.
Primariamente, a conversa com Deus como atividade espiritual é enfatizada. Todavia, há também a prática e a experiência de que não apenas pensamentos, conversa e atos espirituais por si só estão inclusos na oração, mas também é o corpo. A oração torna-se mais completa por meio do corpo e do movimento, que acompanha as palavras da oração. O corpo e seu movimento tornam a oração mais completa e expressiva para que ela possa mais facilmente envolver a pessoa inteira.
A unificação do corpo e da alma na oração é particularmente manifestada em jejuar e orar. O jejum físico torna a oração mais completa. Uma pessoa que jejua reza melhor e uma pessoa que reza, jejua mais facilmente. Desta forma, a oração não permanece somente uma expressão ou palavras, mas cobre o ser humano inteiro. O jejum físico é uma admissão para Deus diante dos homens que alguém não pode fazer sozinho e necessita de ajuda. Uma pessoa experimenta sua impotência mais facilmente quando ela jejua, e por isso, por meio do jejum físico, a alma está mais aberta a Deus. Sem jejum, nossas palavras na oração permanecem sem uma fundação verdadeira. No Antigo Testamento, os crentes jejuavam e rezavam individualmente, em grupos e em várias situações da vida. Por causa disso, eles sempre experimentavam a ajuda de Deus. Jesus confere uma força especial ao jejum e a oração, especialmente na batalha contra os espíritos do mal.
O jejum é um tipo de penitência no qual abrimos mão de algo que nos agrada, e oferecemos esse “sacrifício” por alguma boa intenção. E aqui entra um detalhe: só Deus precisa saber desse jejum! Não precisa sair por aí se gabando de jejuar, ou se mostrando abatido por causa do jejum! Pelo contrário, o verdadeiro jejum é feito escondido, para que somente o nosso Deus, que vê o que está escondido, tome conhecimento.
No evangelho de hoje, Jesus justificou que os seus discípulos não estavam em jejum porque Ele próprio estava presente, e isso era motivo de festa! E festa não combina com jejum! Chegaria o dia em que Jesus não estaria mais com eles. E aí sim, eles jejuariam. Querendo, pois fazer uma caminhada de penitência, sigámo-l’O. Hoje é o dia esta é a hora da prática do jejum. Abrindo mão de certos prazeres, ou até oferecendo as nossas dores e sofrimentos a Deus, a fim de que Ele amenize o sofrimento nosso ou de outras pessoas.


Quinta-feira depois de cinzas

Os evangelistas, cada um a sua maneira, se referem à questão da identidade de Jesus. A interpretação dominante, entre os discípulos vindos do judaísmo, era que Jesus seria o messias davídico esperado conforme a tradição antiga do Primeiro Testamento. Jesus rejeita ser identificado com este messias (”cristo”) restaurador do reinado de Davi. É o momento de deixar isto claro. A partir da interrogação sobre quem Ele é, Jesus identifica-se como o “Filho do Homem”. Esta expressão, muito freqüente no livro de Ezequiel, refere-se a comum condição humana, humilde e frágil. Enquanto “humano” Jesus é vulnerável ao sofrimento e à morte. A “necessidade” deste sofrimento não significa um determinismo, mas as implicações inevitáveis decorrentes do compromisso libertador assumido por Jesus. Os poderes constituídos necessariamente vão reagir contra a prática libertadora de Jesus e de seus discípulos, e procurarão destruí-los. Porém, Jesus revela que ao “humano” foi dada, por Deus, a vida eterna. Perder a vida de sucesso oferecida por este mundo e consagrar-se ao seguimento de Jesus significa a comunhão com o Pai em sua vida divina e eterna.
Para Lucas, o que conta é a ressurreição, não a morte. Mesmo ao descrever a morte com traços vivos, destacando a inocência de Jesus, seu caráter de mártir, Lucas não lhe dá o sentido salvífico. Se, de fato, Lucas é um grego, então se pode ver nisto um motivo para não apelar para a morte expiatória e vicária, pois esta era teologia judaica. No contexto grego de Lucas é muito mais importante ressaltar a ressurreição, pois a morte para os gregos é loucura (1Cor 1,23).
- O Filho do Homem terá de sofrer muito. Ele será rejeitado pelos líderes judeus, pelos chefes dos sacerdotes e pelos mestres da Lei. Será morto e, no terceiro dia, será ressuscitado.
A morte de Jesus como vitória sobre o sofrimento e, sobretudo sobre os poderes da morte ,e a de descer aos infernos e lutar com a morte, era uma idéia bem conhecida no oriente e no ocidente. Faz parte da mitologia de muitos povos que a aplicavam aos seus heróis. Esta idéia penetrou no judaísmo tardio e dali passou para o Novo Testamento. Nesta mesma perspectiva, também Cristo tem vencido os poderes da perdição. Ele conquistou a salvação descendo ao reino dos mortos, libertando os que aí estavam presos , desde Adão até o último homem.
“A concepção é de que Cristo, na hora de sua morte, desce até ali e derrota – numa luta – o príncipe dos demônios. No Novo Testamento encontram-se vestígios desta visão mítica. Em Mt 27,51-53 se narra que no momento da morte de Jesus a terra tremeu e se abriu, muitos mortos saíram de suas sepulturas e entraram na cidade. Assim Jesus, pela sua morte liberta os mortos que lá estavam presos. Com esta visão mítica, personifica-se o poder que age sobre a morte. O diabo, a morte e as forças do mal se confundem. A morte de Jesus assim é vista como resgate e a destruição deste poder. Pela sua morte Jesus destruiu a morte (1Cor 15,24.26; 2Ts 2,8; 2Tm 1,10; Hb 2,14). “Assim, pois, já que os filhos têm em comum o sangue e a carne, também Ele participou igualmente da mesma condição, a fim de, por sua morte, reduzir à impotência daquele que detinha o poder da morte, isto é, o diabo” (Hb 2,14).
Através de sua morte, Jesus destruiu o poder da morte, deixando o ser humano livre. Mas, antes da Ressurreição existe a cruz. E Ele quer advertir os seus para que fiquem preparados para ela. Como aos apóstolos também cada um de nós está sendo convidado a segui-lo, passando por tudo o que Ele passou, a fim de que no final possamos ressuscitar com Ele para a eternidade.


Tempo de conversão: Espiritualidade da Quaresma

O tema que dá á toda quaresma a sua tonalidade característica é a conversão. Mas conversão e fé são um binômio inseparável. O anuncio decisivo de Jesus ressoa de fato: “Convertei-vos de crede no Evangelho” (Mc 1,15). O evangelho é aquela “casa nova” que, se acolhida e vivida, será sempre nova, reveste toda a vida. Isto é portanto, a conversão. Daqui o compromisso da Igreja na Quaresma: chamar à fé aqueles que ainda não estão juntos com Ela (Catecumenato para os batizando); reavivar e acrescentar a fé daqueles que já receberam o dom (Catequese intensa para todos); restituir à vida os batizados vitoriosos do pecado (ingresso no grupo dos penitentes e reconciliação da Quinta-feira Santa). Com a imposição das cinzas a todos os fieis no rito penitencial da Quarta-feira de Cinzas, entramos todos nós nesta caminhada.
A quaresma, portanto não é só um compromissa individual; é uma pratica comunitária, um sacramento que reúne toda a comunidade, uma graça que com a sua eficácia insere todos. Toda a comunidade cristã reza e jejua para o retorno ao Divino daqueles que são a esta inclusos, e procuram sinceramente o Senhor. Na Páscoa os catecúmenos serão divinizados e os penitentes renascerão à vida nova no sacramento do perdão. Se caminha juntos em peregrinação, para a Páscoa, desejosos de renovar radicalmente a própria vida e, procurando de incentivar avante aqueles que seriam tentados de pararem.
As etapas do caminho são contracenadas de temas fortes. Ponto de partida é descobrir pecador, não com a admissão teórica que não serve de nada, mas com uma experiência intima. Então si senti como uma pessoa que esta se negando, uma nave que não consegue voar. As águas si agridem de todas as partes e si lembra de ser sobre o ponto de ceder à tempestade. O poço no alto parece fechar sobre você e sua boca grita com o salmista: “As águas me penetram até na alma”. Então espontaneamente grita: “Socorro”. Sabe que existe um que pode salvar. “Oh Deus vem salvar-me”. A liturgia nos ajuda, fazendo-nos entender a nossa radical fraqueza só para nos abrir à certeza da libertação. A importância não vai sobre o pecado, mas sobre Cristo vencedor do pecado. Não se vê tanto Adão que caiu, mas o Cristo que eliminou toda a culpa no madeiro da cruz.
Então no coração vem uma intima laceração (em grego, cristão se chama contrição), e o termo evoca alguma coisa que se parte que através do Corpo de Jesus na Cruz os nossos pecados saem e entra o ar puro da primavera de Deus na nossa vida.
É um caminho a seguir, a perseguir, sabemos que não é fácil, mas nossa esperança é aquela de que não caminhamos sozinhos, pois ao nosso lado está Jesus fazendo o papel do Cirineo no caminho do Calvário, que é preciso passar para chegarmos com Ele à gloria da Ressurreição. Não existe ressurreição sem paixão e morte. Não existe paixão e morte sem quaresma, sem este caminho que nos chama à conversão.
Uma santa quaresma a você!


Quarta-feira de cinzas

Com a celebração das cinzas damos início ao grande e forte tempo de oração, penitência e Jejum, que se pode também traduzir por tempo de partilha. É o tempo de conversão do coração humano ante as necessidades dos outros.
Como o próprio nome no-lo diz, são quarenta dias de penitência que nos preparam para a celebração da vitória final da graça sobre o pecado e da vida sobre a morte. Durante estes dias, a nossa oração se torna mais intensa e a penitência mais acentuada. É um tempo de retorno a Deus, de conversão e de abertura aos outros.
A imposição das cinzas nos recorda que nossa vida na terra é passageira, que algum dia vamos morrer e que o nosso corpo vai se converter em pó e que a vida definitiva se encontra no céu. Ensina-nos ainda , que os céus e a terra hão de passar um dia. Em troca, todo o bem que tenhamos em nossa vida nós o vamos levar à eternidade. Ao final da nossa vida, só levaremos aquilo que tenhamos feito por Deus e por nossos irmãos.
As cinzas são um sacramental, que não nos tira os pecados, mas nos relembra a nossa condição de miseráveis, de frágeis e pecadores. E assim, reconhecendo a nossa situação, recorremos ao Sacramento da Reconciliação. É um sinal de arrependimento, de penitência, mas, sobretudo de conversão. Com esta celebração damos início a nossa caminhada com Cristo do Jardim das Oliveiras, até ao triunfo na manhã do primeiro dia da semana que é o Domingo da Ressurreição.
Quaresma é realmente o tempo de reflexão em nossa vida, de entender aonde vamos, de analisar como está nosso comportamento com nossa família, o marido, a esposa, os filhos, os pais e todos os que nos rodeiam.
O Evangelho de hoje nos oferece uma ajuda, e nos faz entender como praticar as três obras de penitência – oração, esmola e jejum – e como utilizar bem o tempo da Quaresma. Jesus fala das três obras de piedade dos judeus: a esmola, o jejum e a oração; e faz uma crítica pelo fato de que eles as praticam para serem vistos pelos outros.
O segredo para o efeito é a atenção para que não sejamos como os fariseus hipócritas: «Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus» (Mt 6, 1).
Para Jesus é preciso criar uma nova relação com Deus, e ao mesmo tempo Ele nos oferece um caminho de acesso ao coração de Deus. Para Ele, a justiça consiste em conseguir o lugar onde Deus nos quer. O caminho para chegar ali está expresso na Lei de Deus. «Se a vossa justiça não superar a justiça dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus».
Dizia anteriormente que este é o tempo de oração, que se caracteriza por uma relação de aliança entre Deus e o homem em Cristo. Este encontro com Cristo não se exprime apenas em pedidos de ajuda, mas também em louvor, ação de graças, escuta e contemplação. Rezar é confiar no Senhor que nos ama e corresponder ao seu amor incondicional. Por sua vez, a oração penitencial privilegia o agradecimento da misericórdia de Deus e prepara o coração para o perdão e para a reconciliação.
É tempo da prática do jejum. O jejum tem certamente uma dimensão física, como a privação voluntária de alimentos. O que jejuamos deve ser partilhado, ou seja, entregue aos nossos irmãos que passam fome. É e sobretudo a privação do pecado. O jejum é sinal do combate contra o espírito do mal. O modelo deste combate é Cristo, que foi tentado muitas vezes ao sucesso, ao domínio e à riqueza. No entanto, a sua vitória sobre todo o mal que oprime o homem inaugurou um tempo novo, um reino de justiça, de verdade, de paz, de amor e de partilha.
A experiência do jejum exterior e interior favorece a opção pelo essencial. No nosso tempo, o jejum tornou-se uma prática habitual. Alguns jejuam por razões dietéticas e estéticas. O jejum cristão não tem uma dimensão dietética ou estética como é prática nos nossos dias, mas sim uma referência Cristológica e solidária com os nossos irmãos e irmãos excluídos da sociedade por causa de diversas condições: raciais, religião, cor, tribo, língua etc. Como Cristo e com Cristo jejuamos para sermos mais solidários e abertos ao outro. Sob várias formas podemos jejuar, como por exemplo, o jejum midiático da televisão, da internet, do celular, da língua e etc; para redescobrirmos a beleza do diálogo em família, da partilha de interesses, do encontro e da comunhão com os irmãos.
Quando como cristãos vivemos bem o jejum, nos convertemos em seres solidários, seres que partilham tudo entre todos. Ninguém chamará de ’seu’ o que possui. Por outras palavras, atualizaremos o Atos dos Apóstolos 2,42 que é a essência do cristianismo. A relação dinâmica entre o amor e a adesão a Cristo, fazem do gesto de ajuda, expresso na esmola, uma partilha fraterna e não uma esmola humilhante.
Quaresma é tempo de dar esmola, e esta nos ajuda a vencer a incessante tentação, educando-nos para ir ao encontro das necessidades do próximo e partilhar com os outros aquilo que, por bondade divina, possuímos. Tal é a finalidade das coletas especiais para os pobres, que são promovidas em muitas partes do mundo durante a Quaresma. Desta forma, a purificação interior é confirmada por um gesto de comunhão eclesial, como acontecia já na Igreja primitiva.
Hoje, a oração, o jejum e a esmola não perderam a atualidade, e continuam a ser propostos como instrumentos de conversão. A estes meios clássicos podemos acrescentar outros, em ordem a melhorar a relação com Deus, conosco próprios e com os outros.
E o maior dentre eles é o amor. O amor é criativo e encontra formas sempre novas de viver a fraternidade. Permite-nos que contribuamos para a sinceridade do coração e a coerência das atitudes no caminho da paz. Faz-nos evitar a crítica maldizente, os preconceitos e os juízos acerca dos outros, favorece a autenticidade da vida cristã. E tem como obstáculos a vencer o egoísmo e orgulho, que impedem a generosidade do coração.
Estamos hoje diante de um convite veemente: CONVERTEI-VOS E ACREDITAI NO EVANGELHO. O Evangelho é o próprio Cristo, que nos convida à conversão interior, à mudança de mentalidade para acolher o Reino de Deus e para anunciar a Boa notícia.


Terça-feira da 6ª Semana do tempo comum

Se perfurássemos o véu, e se estivéssemos vigilantes e atentos, Deus revelar-Se-nos-ia sem cessar e usufruiríamos da Sua ação em tudo quanto nos acontece, dizendo perante todas as coisas: « é o Senhor!» (Jo, 21, 7). E descobriríamos em todas as circunstâncias um dom de Deus.
Consideraríamos as criaturas frágeis instrumentos nas mãos de um obreiro onipotente; e reconheceríamos sem dificuldade que nada nos falta, e que a contínua atenção de Deus O leva a proporcionar-nos em cada instante aquilo que nos convém. Se tivéssemos fé, teríamos boa vontade para com todas as criaturas; haveríamos de acariciá-las, interiormente gratos pelo fato de elas servirem e se tornarem favoráveis à nossa perfeição, aplicada pela mão de Deus.
Se vivêssemos ininterruptamente uma vida de fé, estaríamos em permanente comércio com Deus, falando com Ele a todo o momento.
A fé é intérprete de Deus; sem os esclarecimentos que ela proporciona, não compreendemos a linguagem das criaturas. Esta é uma escrita em números, onde apenas vemos confusão; uma amálgama de espinhos, de onde não nos ocorre que Deus possa falar. Mas a fé permite-nos ver, como Moisés, o fogo da caridade divina que arde no seio destes espinhos (Ex 3, 2); a fé dá-nos a chave destes números, permitindo-nos descobrir, no meio da confusão, as maravilhas da sabedoria do alto. A fé confere um rosto celeste a toda a terra; é por meio dela que o coração é transportado, arrebatado, para conversar no céu. A fé é a chave dos tesouros, a chave do abismo, a chave da ciência de Deus.
Pai, Deus todo-poderoso, é a ti que devo consagrar a principal ocupação da minha vida. Que todas as minhas palavras e pensamentos se ocupem de ti. Porque sou pobre, peço aquilo que me falta; farei um esforço desmedido para entender as palavras dos teus profetas e dos teus apóstolos, baterei a todas as portas que me dão acesso a uma compreensão que me está vedada.
Mas é a ti que cabe atender o meu pedido, conceder o que procuro abrir a porta fechada.
Na verdade, vivo numa espécie de torpor por causa do meu adormecimento natural; estou impedido de compreender os teus mistérios por uma ignorância invencível devida à fraqueza do meu espírito.
Mas o zelo pelos teus ensinamentos fortalece a minha percepção da ciência divina e a obediência da fé me ergue acima da minha capacidade natural para conhecer. Espero, assim, que tu estimules os começos da minha vida e família, que a fortaleças com um sucesso crescente, que a chames a partilhar o espírito dos profetas e dos apóstolos. Quero compreender as suas palavras no sentido com que eles as pronunciaram , proclamaram e empregar os termos exatos para transmitir fielmente as realidades que eles exprimiram. Concede-me o sentido exato das palavras, a luz da inteligência, a elevação da linguagem, a ortodoxia da fé; aquilo em que acredito, concede-me que também o afirme e proclame. Eu me abandono nas Vossas Mãos Providentes e sei que não ficarei enganado.


Segunda-feira da 6ª Semana do tempo comum

Irmãos vejam que amor o Pai nos consagrou! Enquanto os homens mergulham em suas audácias, Deus se nos apresenta com insondável bondade e em nós contempla toda a criação. Ele está em toda a parte, em tudo, e sem Ele não podemos existir. Em nenhum instante duvidei da Sua existência, mas sei que alguns vivem na dúvida. Dirigindo-me a ti gostaria que se não acreditas em Deus, ajudes o próximo com atos inspirados pelo amor. Pois os frutos dessas obras serão graças suplementares que descerão à tua alma. Começaras então a desabrochar lentamente e aspirarás à alegria de amar a Deus.
Há tantas religiões! Cada um segue Deus à sua maneira. Quanto a mim, sigo o caminho de Cristo: Jesus é o meu Deus, Jesus é o meu único Amor, Jesus é o meu Tudo em tudo! Que sinal devo pedir mais do céu se já tenho a Arvores da vida, o Sacerdote que entra no santuário não com o sangue alheio, mas com o Seu próprio Sangue? Ele tudo o que preciso? Que prova porei a Jesus se Ele é a Prova de que Deus me ama!
Eis a razão por que nunca tenho medo. Faço o meu trabalho com Jesus, faço-o por Ele, dedicando-lho; por isso, os resultados são Seus e não meus. Se precisares de um guia, só tens que voltar os olhos para Jesus. Deves entregar-te a Ele e contar inteiramente com Ele.
Quando fazes isso, a dúvida se dissipa e a segurança te invade. Não te esqueça que o mais belo ato de fé é o que sai dos teus lábios em plena obscuridade, no meio dos sacrifícios, dos sofrimentos, o esforço supremo de uma vontade firme em fazer o bem. Como um raio, este ato de fé dissipa as trevas da tua alma; no meio dos relâmpagos da tempestade, ela te eleva e te conduz a Deus.
A fé viva, a certeza inquebrantável e a adesão incondicional à vontade do Senhor, eis a luz que guiou os passos do povo de Deus no deserto. É esta mesma luz que resplandece a cada instante no espírito agradável ao Pai. Foi também esta luz que conduziu os magos e os fez adorar o Messias recém-nascido. É a estrela profetizada por Balaão (Nm 24,17), o archote que guia os passos de todo o homem que procura Deus.
Ora esta luz, esta estrela, este archote, são igualmente o que ilumina a tua alma, o que dirige os teus passos para te impedir de vacilar, o que fortifica o teu espírito no amor de Deus. Tu não a vês, tu não a compreendes, mas isso não é necessário. Tu só verás trevas, certamente não as dos filhos da perdição, mas sim as que rodeiam o Sol eterno. Tenhas por certo que Jesus é o Sol resplandece na tua alma; o profeta do Senhor cantou a seu respeito: “na tua luz é que vemos a luz” (SL 36,10).
O Espírito Santo diz-nos: Não deixeis o vosso espírito sucumbir à tentação e à tristeza porque a alegria do coração é a vida da alma. A tristeza não serve para nada e cria a morte espiritual. Acontece por vezes que as trevas da prova oprimem o céu da tua alma; mas elas se convertem em luz com Cristo e em Cristo!
Deves progredir na alegria do coração sincero e de grande abertura para Deus. E se te é impossível conservar esta alegria, pelo menos não podes perder a coragem e conserve toda a tua confiança em Deus.
No texto de hoje vemos duas coisas: de um lado, obras divinas; de outro lado, um homem. Se só Deus pode realizar obras divinas, então presta bem atenção e vê se Deus não estará escondido naquele homem. Sim, esteja bem atento ao que vês e creia no que não vês. Aquele que te chamou a acreditar, não te abandonou e jamais o fará. Mesmo quando te pede que creias no que não podes ver, não te deixou sem nada para ver. Pois vê-l’O, é ver o Pai. Ele não te deixou privado de alguma coisa que te possa levar a crer naquilo que não vês. Será que, para ti, a própria criação é um sinal pobre, uma manifestação frágil do seu Criador? Repara que ele vem e faz milagres. Não podias ver Deus, mas podias ver um homem; então Deus fez-se homem, para unificar em ti o que vês e o que crês. Não perca tempo exigindo mais um sinal do que já tens o Maior Sinal. Aquele que supera Jonas, Salomão e João Batista. Ele é Aquele que atraído da terra atrai tudo e todos para Deus Seu Pai. É Ele o verdadeiro sinal que devemos querer e trazer no nosso dia a dia e então veremos a salvação que vem de Deus.


Resumo – Evangelho de Lucas

Evangelho de Lucas

O terceiro Evangelho é atribuído a Lucas, que também é o autor dos Atos dos Apóstolos. Segue os usos dos historiógrafos do seu tempo, mas a história que ele deseja apresentar é uma história iluminada pela fé no mistério da Paixão e Ressurreição do Senhor Jesus. O seu livro é um Evangelho, uma história santa, uma obra que apresenta a Boa-Nova da salvação centrada na pessoa de Jesus Cristo.

Autor

Tanto o estilo quanto a linguagem oferecem evidências convincentes de que a mesma pessoa escreveu Lucas e Atos. “O primeiro tratado” At 1.1 é, então provavelmente, uma referência ao terceiro evangelho, como o primeiro de uma série de dois volumes. E o fato de o escrito dedicar ambos os livros a Teófilo também demonstra solidamente uma autoria comum. Visto que a tradição de igreja atribui com unanimidade essas duas obras a Lucas, o médico, um companheiro próximo de Paulo (Cl 4.14; Fm 24; 2Tm 4.11), e, como as evidências internas sustentam esse ponto de vista, não há motivos para contestar a autoria de Lucas.

Dedicatória

O livro é dedicado a Teófilo, mas destina-se a leitores cristãos de cultura grega, como se vê pela língua, pelo cuidado em explicar a geografia e usos da Palestina, pela omissão de discussões judaicas, pela consideração que tem pelos gentios.

Segundo uma tradição antiga (Santo Irineu), o autor é Lucas, médico, discípulo de Paulo. Pelas suas características, este Evangelho encontra-se mais próximo da mentalidade do homem moderno: pela sua clareza, pelo cuidado nas explicações, pela sensibilidade e pela arte do seu autor. LUCAS mostra o Filho de Deus como Salvador de todos os homens, com particular atenção aos pequeninos, pobres, pecadores e pagãos. Para ele, o Senhor é Mestre de vida, com todas as suas exigências e com o dom da graça, que o discípulo só pode acolher de coração aberto.

Por isso, Lucas é o Evangelho da Salvação universal, anunciada pelo Profeta dos últimos tempos que convida discípulos profetas, aos quais envia o Espírito Santo, para que, por sua vez, sejam os profetas de todos os tempos e lugares (Lc 24,45-49; Act 1,8).

Data

Eruditos que admitem que Lucas usou o Evangelho de Marcos como fonte para escrever seu próprio relato datam Lc por volta do ano 70 dC. Outros, entretanto, salientam que Lucas o escreveu antes de At, que ele escreveu durante o primeiro encarceramento de Paulo pelos romanos, cerca de 63 dC. Como Lucas estava em Cesaréia de Filipe durante os dois anos em que Paulo ficou preso lá (At 27.1), ele teria uma grande oportunidade durante aquele tempo para conduzir investigações que ele menciona em 1.1-4. Se for este o caso, então o Evangelho de Lc pode ser datado por volta de 59-60 dC, mas no máximo até 75 dC.

Conteúdo

Uma característica distinta do Evangelho de Lc é sua ênfase na universalidade da mensagem cristã. Do cântico de Simeão, louvando Jesus como “luz… Para as nações” (2.32) ao comissionamento do Senhor ressuscitado para que se “pregasse em todas as nações” (24.47), Lc realça o fato de que Jesus não é apenas o Libertador dos judeus, mas também o Salvador de todo o mundo.

A fim de sustentar esse tema, Lc omite muito material que é estritamente de caráter judaico. Por exemplo, ele não inclui o pronunciamento de condenação de Jesus aos escribas e fariseus (Mt 23), nem a discussão sobre a tradição judaica (Mt 15.1-20; Mc 7.1-23). Lc também exclui os ensinamentos de Jesus no Sermão da Montanha que tratam diretamente do seu relacionamento com a lei (MT 5.21-48; 6.1-8, 16-18). Lc também omite as instruções de Jesus aos Doze para se absterem de ministrar aos gentios e samaritanos (Mt 10.5).

Por outro lado, Lc inclui muitas características que demonstram universalidade. Ele enquadra o nascimento de Jesus em um contexto romano (2.1-2; 3.1), mostrando que o que ele registra tem significado para todas as pessoas. Ele enfatiza ainda, as raízes judaicas de Jesus. De todos os escritores dos Evangelhos só ele registra a circuncisão e dedicação de Jesus (2.21-24), bem como sua visita ao Templo quando menino (2.41-52). Somente ele relata o nascimento e a infância de Jesus no contexto de judeus piedosos como Simeão, Ana, Zacarias e Isabel, que estavam entre os fiéis restantes “esperando a consolação de Israel” (2.25). Por todo o Evangelho, Lc deixa claro que Jesus é o cumprimento das esperanças do AT relacionadas à salvação.

Um versículo chave do evangelho de Lc é o 19.10, que declara que Jesus “veio buscar e salvar o que se havia perdido”. Ao apresentar Jesus como Salvador de todos os tipos de pessoas, Lc inclui material não encontrado nos outros evangelhos, como o relato do fariseu e da pecadora (7.36-50); a parábola do fariseu e o publicano (18.9-14); a história de Zaqueu (19.1-10); e o perdão do ladrão na cruz (23.39-43).
Lc ressalta as advertências de Jesus sobre o perigo dos ricos e a simpatia dele pelos pobres (1.53;4.18; 6.20-21, 24-25; 12.13-21; 14.13; 16.19-31; 19.1-10).

Este evangelho tem mais referências à oração do que os outros evangelhos. Lc enfatiza especialmente a vida de oração de Jesus registrando sete ocasiões em que Jesus orou que não são encontrados em mais nenhum outro lugar (3.21; 5.16; 6.12; 9.18,29; 11.1; 23.34,46). Só Lc tem as lições do Senhor sobre a oração ensinada nas parábolas do amigo importuno (18.9-14). Além disso, o evangelho é abundante em notas de louvor e ação de graças ( 1.28,46-56,68-79; 2.14,20,29-32; 5.25-26; 7.16; 13.13; 17.15; 18.43)

O tempo de Jesus e o tempo da Igreja

Uma das ideias-chave de LUCAS é distinguir o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. Sem esquecer a singularidade única do acontecimento salvífico de Jesus Cristo, põe em relevo as etapas da obra de Deus na História. Mais do que Mateus e Marcos, ao falar de Jesus e dos discípulos, LUCAS pensa já na Igreja, cujos membros se sentem interpelados a acolher a mensagem salvífica na alegria e na conversão do coração. É isso que faz deste livro o Evangelho da misericórdia, da alegria, da solidariedade e da oração. No respeito pelo ser humano, a salvação evangélica transforma a vida das pessoas, com reflexos no seu interior, nos seus comportamentos sociais e no uso que fazem dos bens terrenos.

Jesus anuncia a sua vinda no fim dos tempos, o qual, segundo LUCAS, coincidirá com o termo do tempo da Igreja. Mas a insistência deste evangelista na salvação presente, na realeza pascal do Senhor Jesus, na ação do Espírito Santo na Igreja, contribuem para atenuar a tensão relativa à iminente Parusia. A própria destruição de Jerusalém, vista como um acontecimento histórico, despojando-o da sua projeção escatológica, presente em Mateus e Marcos, é sinal de uma consciência viva do dom da salvação presente no tempo da Igreja.

Cristo Revelado

Além de apresentar Jesus como o Salvador do mundo, Lc dá os seguintes testemunhos sobre ele:

Jesus é o profeta cujo papel equipara-se ao Servo e Messias (4.24; 7.16,39; 919; 24.19)
Jesus é o homem ideal, o perfeito salvador da humanidade. O título “Filho do Homem” é encontrado 26 vezes no evangelho.

Jesus é o Messias. Lc não apenas afirma sua identidade messiânica, mas também tem o cuidado de definir a natureza de seu messianismo. Jesus é, por excelência, o Servo que se dispõe firmemente a ir a Jerusalém cumprir seu papel (9.31.51). Jesus é o filho de Davi (20.41-44), o Filho do Homem (5.24) e o Servo Sofredor (4.17-19, que foi contado com os transgressores (22.37).

Jesus é o Senhor exaltado. Lc refere-se a Jesus como “Senhor” dezoito vezes em seu evangelho.
Jesus é o amigo dos proscritos humildes. Ele é constantemente bondoso para com os rejeitados.

O Espírito Santo em Ação

Há dezesseis referências explicitas ao ES, ressaltando sua obra tanto na vida de Jesus quanto no ministério continuo da igreja.

Em primeiro lugar: a ação do ES é vista na vida de várias pessoas fiéis, relacionadas ao nascimento de João Batista e Jesus (1.35,41,67; 2.25-27), bem como no fato de João ter cumprido seu ministério sob a unção do ES (1.15). O mesmo Espírito capacitou Jesus para cumprir seu ministério.

Em segundo lugar: O ES capacita Jesus para cumprir seu ministério—o Messias ungido pelo ES. Nos caps. 3-4, há cinco referencias ao Espírito, usadas com força progressiva. 1) O Espírito desce sobre Jesus em forma corpórea, como uma pomba (3.22); 2) Ele leva Jesus ao deserto para ser tentado (4.1); 3) Após sua vitória sobre a tentação, Jesus volta para a Galiléia no poder do mesmo (4.14) 4) Na sinagoga de Nazaré, Jesus lê a passagem messiânica: “O Espírito do Senhor está sobre mim…”(4.18; Is 61.1-2), reivindicando o cumprimento nele (4.21). Então, 5) evidência seu ministério carismático está repleta (4.31-44) e continua em todo seu ministério de poder e compaixão.

Em terceiro lugar: O ES, através de oração de petição leva a cabo o ministério messiânico. Em momentos críticos daquele ministério, Jesus ora antes, durante ou depois do acontecimento crucial (3.21; 6.12; 9.18,28; 10.21). O mesmo ES que foi eficaz através de orações de Jesus dará poder as orações dos discípulos (18.1-8) e ligará o ministério messiânico de Jesus ao ministério poderoso deles através da igreja (24.48.49).

Em quarto lugar: O ES espalha alegria tanto a Jesus como à nova comunidade. Cinco palavras gregas denotando alegria ou exultação são usadas duas vezes com mais freqüência tanto Lc como Mt ou Mc. Quando os discípulos voltam com alegria de sua missão (10.17), “Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no ES e disse…” (10.21). Enquanto os discípulos estão esperando pelo Espírito prometido (24.49), “adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a DEUS” (24.52-53)

Esboço de Lucas

I. Prólogo 1.1-4

II. A narrativa da infância 1.5-2.52

Anúncio do nascimento de João Batista 1.5-25

Anúncio do nascimento de Jesus 1.26-38

Visita das duas mães 1.39-56

O nascimento de João Batista 1.57-80

O nascimento de Jesus 2.1-40

O menino Jesus no templo 2.41-52

III. Preparação para o ministério público 3.1-4.13

O ministério de João Batista 3.1-20

O batismo de Jesus 3.21-22

A genealogia de Jesus 3.23-38

A tentação 4.1-13

IV. O ministério galileu 4.14-9.50

Em Nazaré e Carfanaum 4.14-44

Do chamamento de Pedro ao chamamento dos doze 5.1-6.16

O Sermão da Montanha 6.17-49

Narrativa e diálogo 7.1-9.50

V. A narrativa de viagem (no caminho para Jerusalém) 9.51-19.28

VI. O ministério de Jerusalém 19.29-21.38

Acontecimentos na entrada de Jesus em Jerusalém 19.29-48

História de controvérsias 20.1-21.4

Discurso escatológico 21.5-38

VII. A paixão e glorificação de Jesus 22.1-24.53

A refeição de Páscoa 22.1-38

A paixão, morte e sepultamento de Jesus 22.39-23.56

A ressurreição e a ascensão 24.1.53


6º Domingo do tempo comum

O Sermão da Planície, em Lucas, traz em forma abreviada a mesma mensagem do Sermão da Montanha de Mateus (5-7). As bem-aventuranças são a essência do Evangelho e é uma graça muito grande captar e viver a sua beleza. Aparentemente choca com a mentalidade da sociedade atual que busca a felicidade por outros caminhos. A propaganda e o consumismo incutem a mania do rico, do eterno insatisfeito; muitos pobres são contaminados e aderem a suas novelas, modas e compras inúteis. Diante dos ais! de Lucas, podemos nos perguntar: Será uma maldição ser rico? Deus não criou os bens deste mundo para serem usados? Há uma grande diferença entre possuir e administrar os bens deste mundo e ser possuído por eles! A tentação do rico é se identificar com seus bens, sejam eles dinheiro, poder ou prestígio. Cheios de si, não deixam lugar para Deus.
Bento XVI, em várias oportunidades, está querendo insistir na dimensão positiva da nossa fé. Isto porque, segundo afirma em várias entrevistas com ocasião da sua visita a Alemanha, para participar no Dia Mundial da Juventude, precisamos redescobrir Deus; não um Deus qualquer, mas um Deus com feições humanas, de tal modo que vendo Jesus Cristo vemos Deus. Ele diz também que temos que mudar a imagem do Cristianismo para muitos visto como um conjunto de proibições. Queria explicar aos jovens que é belo ser cristão, que ser apoiado por um grande Amor e por uma Revelação não é um peso, mas sim asas.
Sintonizando com o desejo do Papa, encontramos nas bem-aventuranças uma mensagem totalmente positiva: Felizes! Cabe se perguntar: Até que ponto eu sou bem-aventurado? Sou rico ou pobre em termos evangélicos?
Lucas é mais direto e concreto: vós pobres; vós ricos! Mateus fala em geral dos pobres em espírito. Lucas se dirige aos pobres, aos que tem fome, choram e são perseguidos por Jesus. Na Palestina de Jesus havia, como entre nós hoje, uma minoria rica, uma classe média e uma multidão de pobres. A elite dos ricos era formada por altos funcionários ligados aos dominadores Romanos; os sumos sacerdotes com acesso ao tesouro do templo; os grandes comerciantes, que controlavam o tráfego das mercadorias entre os grandes centros urbanos; e os latifundiários que exploravam a mão-de-obra nas férteis planícies da Galiléia, costa mediterrânea e da Transjordânia. A classe média estava constituída, sobretudo, pelos artesãos, pelos pequenos comerciantes, funcionários e sacerdotes subalternos. Nesta categoria social encontrava-se Jesus, o carpinteiro, e seus discípulos, pescadores e um deles cobrador de impostos. Na base da pirâmide estavam os pobres a quem Lucas se refere: trabalhadores, assalariados, escravos e mendigos.
Por que pode Lucas dizer a esta categoria de pobres que eles são já felizes e que o Reino de Deus lhes pertence? Para muitos parece brincadeira!
Em primeiro lugar, é para os pobres uma boa notícia saber que, para Deus, eles são seus prediletos e cuida deles como a mãe cuida dos filhos mais necessitados. Bastava ver como Jesus os acolhia e cuidava. Era algo novo, pois, até então, tanto o povo como eles mesmos eram considerados como os rejeitados por Deus, a causa de seus próprios pecados ou então pelos pecados de seus pais.
Mesmo quando mergulhados numa situação penosa, surpreende-nos escutar de muitos sofredores: Mais sofreu Jesus por nós! Entendo que eles querem dizer que se sentem unidos a Jesus, que os ajuda a carregar seu sofrimento e os consola. Eles nos ensinam a entender que a Cruz de Jesus está construída com os nossos sofrimentos e pecados.
Outra constatação de que os pobres já são bem-aventurados é ver que o homem novo e servidor do Reino têm o rosto de Jesus, que dá dignidade aos excluídos, aos doentes e aos necessitados. É nesta categoria que todos nós, discípulos/as de Jesus estamos chamados a viver. Quanto mais formos “rostos de Jesus” com os pobres, mais os pobres poderão se sentir amados por Deus em nós.
Podemos entender melhor, agora, o que significa pobre em espírito para Mateus, e como o pobre de Lucas tem meio caminho andado para ser um deles. Pobre é todo ser humano enquanto criatura limitada, que tudo o que é e tem o recebe de Deus. É justamente nas situações de sofrimento que os nossos limites são sentidos e, muitas vezes, somos tentados a reagir com revolta ou desânimo. O pobre passa a ser pobre em espírito quando, apesar de sentir a doença, a miséria ou o fracasso, confia em Deus plenamente. A confiança é a graça da entrega a Deus. Assim Jeremias afirma: bendito o homem que confia no Senhor! E o salmista proclama feliz quem a Deus se confia. Para ele, o que poderia ser ocasião de desespero torna-se, nas mãos de Deus, a graça da qual Paulo “se gloria” pois, “quando sou fraco é que sou forte”. Acontece que, quem está vazio de si, se deixa preencher pelo amor generoso de Deus e, ainda, se torna capaz de transbordar o bem para outros. Peçamos a Jesus, o grande pobre em espírito, sermos também nós imitadores dele como o foram um Francisco de Assis ou uma Teresa de Calcutá.


Convite Hosana Londres – 2010


Resumo da Carta aos Colossenses

Colossos era notável centro comercial, que ficava na Frígia, na Ásia Menor, a 200 km de Éfeso, próxima de Laodicéia e Hierápolis. Paulo esteve por duas vezes na região da Frígia. O motivo da carta são os pregadores de ¨doutrinas estranhas¨, provocando um sincretismo religioso, com elementos judaicos, cristão e pré-gnósticos. Paulo fala do primado absoluto de Jesus Cristo, numa linguagem que os gnósticos entendiam. O ponto alto da carta é o hino cristológico (1,15-20) que mostra Cristo como o primeiro e o último, o Senhor absoluto no plano da criação e da redenção.


Sabado da 5ª semana do tempo comum

Deus Pai na Sua infinita bondade quis nos restituir a humanidade dando-nos o Seu Próprio Filho Jesus Cristo nosso Senhor, o Pão Vivo descido do céu, que à cada Eucaristia nos alimenta e nos dá novo alento e perdão.
Jesus partiu o pão. Se não tivesse rompido o pão, como é que as migalhas chegariam até nós?
Mas ele partiu-o e distribuiu-o: « Distribuiu-o e deu-o aos pobres». Partiu-o por amor, para quebrar a ira do Pai e a Sua. Deus tinha-o dito: ter-nos-ia aniquilado, se o seu Único, «o seu eleito, não se tivesse posto diante dele, erguido sobre a brecha para afastar a sua cólera». Ele colocou-se diante de Deus e apaziguou-o; pela sua força indefectível, manteve-se de pé, não quebrado.
Mas Ele próprio, voluntariamente, partiu e distribuiu a Sua carne, rasgada pelo sofrimento.
Foi então que Ele «quebrou o poder do arco», «quebrou a cabeça do dragão», todos os nossos inimigos, com o Seu poder. Então, partiu de algum modo as tábuas da primeira aliança, para que já não estejamos sob a Lei. Então quebrou o jugo da nossa prisão.
Quebrou tudo o que nos quebrava, para reparar em nós tudo o que estava quebrado, e para «enviar livres os que estavam oprimidos» (Is 58,6), Com efeito, nós estávamos cativos da miséria e das correntes.
No sacramento do altar, o Senhor vem ao encontro do homem, criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 27), fazendo-Se seu companheiro de viagem. Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. Com agudo conhecimento da realidade humana, Santo Agostinho pôs em evidência como o homem se move espontaneamente, e não constrangido, quando encontra algo que o atrai e nele suscita desejo. Perguntando-se ele, uma vez, sobre o que poderia em última análise mover o homem no seu íntimo, o santo bispo exclama: « Que pode a alma desejar mais ardentemente do que a verdade?
De fato, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. Jesus é a estrela polar da liberdade humana: esta, sem Ele, perde a sua orientação, porque, sem o conhecimento da verdade, a liberdade desvirtua-se, isola-se e reduz-se a estéril arbítrio. Com Ele, a liberdade volta a encontrar-se a si mesma. No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele ( 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.
Bom Jesus, ainda hoje, se bem que tenhas aniquilado a ira, partido o pão para nós, pobres pedintes, continuamos com fome. Parte, pois cada dia esse pão para aqueles que têm fome. É que hoje e todos os dias recolhemos algumas migalhas, e cada dia precisamos de novo do nosso pão quotidiano. «Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.» (Lc 11,3) Se Tu não o dás, quem o dará? Na nossa privação, na nossa carência não há ninguém para nos partir o pão, ninguém para nos alimentar, ninguém para nos refazer, ninguém senão Tu, ó nosso Deus. Em todo o consolo que nos mandas, recolhemos as migalhas desse pão que nos partes e saboreamos «como é doce a tua misericórdia».
Celebramos hoje a memória de São Cirílo e São Metódio, dois irmãos pelo sangue pela fé, pela vocação apostólica e até pela morte! O dois por fazerem da Eucaristia o seu alimento diário se converteram em autênticos evangelizadores dos povos eslavos. Como seria bom se todos os da minha casa, família tivessem como alimento primordial o Pão dos anjos, o pão dos fortes e como conseqüência se entregassem ao serviço do evangelho? Peçamos ao Senhor esta graça!


Ser padre é ser pescador dos filhos de Deus

No Evangelho segundo Mateus, capitulo 4, versiculos 18 a 22 diz:

Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens. Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os, e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram.