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	<title>Padre Anderson Marçal &#187; Padre Anderson Marçal</title>
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	<description>Eis-me aqui! Envia-me! (Isaias 6,8)</description>
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		<title>A formação do clero e a música sacra</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 15:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte Sacra]]></category>
		<category><![CDATA[Liturgia]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Consagrada]]></category>
		<category><![CDATA[Vocacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Os postulados derivados da identidade sacerdotal Para poder compreender a importância da formação relativa à música sacra dos candidatos ao sacerdócio ministerial, deve-se antes de tudo ter presentes alguns elementos da identidade do presbítero e da sua missão específica. Na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120331-1749491.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120331-1749491.jpg" alt="20120331-174949.jpg" class="alignnone size-full" /></a>Os postulados derivados da identidade sacerdotal<br />
Para poder compreender a importância da formação relativa à música sacra dos candidatos ao sacerdócio ministerial, deve-se antes de tudo ter presentes alguns elementos da identidade do presbítero e da sua missão específica.<br />
Na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais, de 25 de Março de 1992, João Paulo II, colocando as raízes da identidade sacerdotal no mistério da Santíssima Trindade e da comunhão da Igreja, observa: «O presbítero, [...] em virtude da consagração que recebe pelo sacramento da Ordem, é enviado pelo Pai, através de Jesus Cristo, ao qual como Cabeça e Pastor do seu povo é configurado de modo especial para viver e actuar, na força do Espírito Santo, ao serviço da Igreja e para a salvação do mundo». Por conseguinte, o presbítero «encontra a verdade plena da sua identidade no facto de ser uma derivação, uma participação específica e uma continuação do próprio Cristo, sumo e único Sacerdote da nova e eterna Aliança: ele é uma imagem viva e transparente de Cristo Sacerdote».<br />
Contudo, deve-se ter presente que Cristo realizou o seu sacerdócio plenamente no mistério da sua morte e ressurreição, e este mistério da morte e ressurreição «está de certo modo recolhido [...] e ‘concentrado’ para sempre» na Eucaristia, na qual «Cristo entregou à Igreja a actualização perene do mistério pascal. Com ele, instituiu uma misteriosa ‘contemporaneidade’ entre [o Triduum Paschale] e o transcurso de todos os séculos». Por outras palavras, a Eucaristia «é o sacrifício da Cruz que se perpetua através dos séculos». Portanto, «quando a Igreja celebra a Eucaristia, [...] este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e ‘realiza-se a obra da nossa redenção’».<br />
Ora, a Eucaristia está estreitamente ligada ao sacramento da Ordem, aliás é «a principal e central razão de ser do sacramento do Sacerdócio, que nasceu efectivamente no momento da instituição da Eucaristia e juntamente com ela». Por conseguinte, os sacerdotes – como nos recorda o Concílio Vaticano II -, na sua qualidade de ministros das coisas sagradas, «são sobretudo os ministros do sacrifício da Missa» .<br />
Há um vínculo estreito também entre toda a actividade e eficácia pastoral dos presbíteros e a Eucaristia. De facto, o Decreto conciliar sobre o ministério e a vida dos presbíteros, Presbyterorum ordinis, indica a caridade pastoral como «o vínculo de perfeição sacerdotal que reduzirá à unidade a sua vida e acção», acrescentando imediatamente que «a caridade pastoral brota sobretudo do Sacrifício Eucarístico».<br />
Partindo destes elementos da identidade do sacerdote e da sua missão, não é difícil perceber a responsabilidade dos sacerdotes pela Eucaristia. Eles não são apenas ministros da Eucaristia, mas dependerá deles principalmente a forma como será também celebrada na realidade a Eucaristia, como será compreendida e vivida pelos fiéis. Dependerá deles a orientação da música e do canto sagrado nas nossas igrejas. Seria irrealista esperar a promoção da genuína música sacra na liturgia, sem uma adequada preparação de quantos devem desempenhar neste sector um papel predominante.<br />
A Eucaristia e a Liturgia das Horas na formação sacerdotal<br />
Das considerações feitas até agora resulta também que, quanto mais profundamente o sacerdote compreende e na realidade vive a Eucaristia – que é o centro de toda a liturgia -, tanto melhor poderá compreender e orientar a música sacra. De facto, o canto e a música sacra são «parte necessária e integral da liturgia solene», devem portanto estar intimamente harmonizados com a liturgia, participar eficazmente na sua finalidade, ou seja, devem expressar a fé, a oração, a admiração, o amor a Jesus presente na Eucaristia. Por isso, o Catecismo da Igreja Católica repete mais uma vez que o canto e a música sacra desempenham a sua função de sinais de maneira tanto mais significativa «quanto mais estreitamente estão unidos à acção litúrgica», e quanto mais exprimem a oração.<br />
A Eucaristia<br />
Por conseguinte, na nossa perspectiva, é também importante que os seminaristas:<br />
a) Sejam educados para compreenderem a Eucaristia na sua plena dimensão e valor; se dêem conta de que «na Santíssima Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa»; que Ela é «o vértice da oração cristã»; que é «fonte e ápice de toda a vida cristã» e «todos os sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão estreitamente unidos à sagrada Eucaristia e para ela estão ordenados» .<br />
b) Se dêem conta do seu papel em relação à Eucaristia, ou seja, que «na sua qualidade de ministros das coisas sagradas, são sobretudo os ministros do Sacrifício da Missa» e que, por conseguinte, «o seu papel é totalmente insubstituível, porque sem sacerdote não pode haver oferta Eucarística»; que se consciencializem também da sua tarefa no que se refere à compreensão e à promoção da Eucaristia na vida dos fiéis.<br />
c) Recebam uma adequada educação litúrgica juntamente com a devida explicação do significado das normas litúrgicas.<br />
d) Sejam introduzidos a viver intensamente e a amar a Eucaristia. A este propósito, o Código de Direito Canónico prescreve: «A celebração eucarística seja o centro de toda a vida do seminário, de forma que todos os dias os alunos, participando da própria caridade de Cristo, possam haurir sobretudo desta fonte abundantíssima as forças para o trabalho apostólico e para a sua vida espiritual». De igual modo, a Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis diz: «A celebração quotidiana da Eucaristia [...] deve ser o centro de toda a vida do seminário, e os alunos devem participar nela com devoção».<br />
A Exortação Apostólica Pastores dabo vobis, precisamente da relação entre a Ordem sagrada e o Sacrifício da Missa, deduz «a importância fundamental da Eucaristia na vida e no ministério sacerdotal e, por conseguinte, na formação espiritual dos candidatos ao sacerdócio». Aliás, João Paulo II, não só recomenda que a participação quotidiana dos seminaristas na Eucaristia se torne depois ‘regra da sua vida sacerdotal’, mas também que sejam educados a considerar a celebração eucarística como o momento essencial do seu dia a dia, no qual participarão activamente, nunca se contentando com uma assistência meramente rotineira», que sejam «formados nas íntimas disposições que a Eucaristia promove: o reconhecimento pelos benefícios recebidos do alto, pois a Eucaristia é acção de graças; a atitude oblativa que os estimula a unir à oferta eucarística de Cristo a própria oferta pessoal; a caridade alimentada por um sacramento que é sinal de unidade e de partilha; o desejo de contemplação e de adoração diante de Cristo realmente presente sob as espécies eucarísticas».<br />
Estou profundamente convencido de que a compreensão e a atitude correcta e apaixonada para com a música sacra dependem do modo de compreender e de viver a liturgia, e especialmente a Eucaristia.<br />
A celebração da Liturgia das Horas<br />
Segundo a Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis, «à formação para o culto eucarístico deve estar intimamente unida a formação para o Ofício divino, mediante o qual os sacerdotes ‘rezam a Deus em nome da Igreja e em benefício de todo o povo que lhe está confiado, mais, em favor de todo o mundo’». Considero oportuno mencionar isto, porque na celebração da Liturgia das Horas é usado com frequência o canto e a música.<br />
O Instrumentum laboris do VIII Sínodo dos Bispos sobre a formação dos sacerdotes, de 1990, afirmava: «A Liturgia das Horas é uma das maiores expressões da oração litúrgica. Através de uma iniciação gradual a esta oração das horas, o candidato aprenderá a dar um ritmo aos dias marcados por uma celebração na qual se exprime e se renova a sua fé. Saboreando os elementos de cada ‘hora’, ele poderá integrar progressivamente vida e oração a título pessoal e em nome da Igreja, para o povo que lhe está confiado e para todo o mundo».<br />
Na formação seminarística, deve-se portanto evitar que na celebração da Liturgia das Horas, quer comunitária quer individual, se reduza esta oração à obrigação formal realizada mecanicamente como uma leitura rotineira e acelerada sem dedicar a atenção necessária ao significado do texto. Os seminaristas deveriam ser adequadamente introduzidos nela de maneira que se habituem a apreciar, a compreender e a amar cada vez mais as riquezas do Ofício e, ao mesmo tempo, aprendam a tirar dele um alimento para a oração pessoal e para a contemplação. O canto pode servir de ajuda (ou se for mal feito, de obstáculo) para a sua consecução.<br />
Nos seminários devem ser habitualmente celebradas em comum, à hora correspondente, as Laudes, como oração da manhã, e as Vésperas, como oração da tarde. Também se pode celebrar a Hora média e as Completas. Na vigília das solenidades, por vezes pode-se celebrar o Ofício das leituras segundo o rito da «vigília prolongada». A celebração comum muitas vezes é louvavelmente cantada.<br />
A formação litúrgica adequada<br />
Em ligação com quanto expus, é preciso observar que o futuro sacerdote, através da participação na vida litúrgica no seminário durante os anos da sua formação inicial, recebe uma autêntica «educação litúrgica, no sentido pleno de uma inserção vital no mistério pascal de Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente e actuante nos sacramentos da Igreja». Ele aprende progressivamente, por experiência, o que é a liturgia da Igreja, e deve ser ajudado para descobrir a riqueza dos ritos da Igreja, das orações dos livros litúrgicos, dos textos dos diversos leccionários. Deve ser apoiado no processo de aprender a apreciar a beleza das orações, do lugar de culto, dos paramentos, da qualidade da música e dos cantos.<br />
Sob a direcção dos superiores e, particularmente, do responsável da liturgia, o aluno realiza alguns serviços, alguns ministérios – de leitor, de acólito, de diácono -, à medida que se aproxima da Ordenação sacerdotal. Existem também outros serviços litúrgicos, por exemplo o de cantor, de salmista, de mestre de coro, de organista.<br />
Os seminaristas, em pequenas equipas – por exemplo. por uma semana -, são encarregados de preparar a liturgia da Missa e do Ofício divino, escolhendo alguns cantos, as melodias e algumas tonalidades para a salmodia, tendo em consideração a sua qualidade, os diversos tempos litúrgicos e o grau de solenidade da liturgia do dia.<br />
Os programas de estudo incluem, de facto, um específico ensinamento litúrgico, em relação ao qual a Congregação para a Educação Católica deu algumas normas e indicações. Este ensino da liturgia é necessário, mas só será verdadeiramente frutuoso se for interiorizado pelo próprio seminarista. Por isso, insiste-se muito para que o futuro sacerdote adquira não só o conhecimento técnico dos sagrados ritos, mas sobretudo o seu profundo significado teológico e espiritual.<br />
A formação musical<br />
Além dos elementos acima expostos, que constituem um pressuposto substancial para a compreensão da música sacra como parte integrante da liturgia e não só como um elemento decorativo ou como um ornamento que se acrescentaria à acção litúrgica, o Magistério e a normativa da Igreja fornecem aos seminaristas e aos formadores dos Seminários indicações oportunas.<br />
Formação específica nos seminários<br />
Todos os documentos mencionados têm obviamente uma importância fundamental para uma boa formação musical dos seminaristas.<br />
A Congregação para a Educação Católica emanou em 1979 uma Instrução sobre a formação litúrgica nos Seminários. Nela, entre outras coisas, lemos: «Considerando a importância da música sacra nas celebrações litúrgicas, os alunos devem receber de peritos aquela preparação musical, também prática, que será necessária no futuro ofício de presidentes e de moderadores das celebrações litúrgicas. Nesta preparação deve ter-se em consideração as qualidades naturais de cada um dos alunos, e servir-se dos novos meios hoje geralmente em uso nas escolas de música, para tornar mais fácil o aproveitamento dos alunos. Deve-se, sobretudo, procurar que aos alunos seja dada não só uma preparação na arte vocal e instrumental, mas também uma verdadeira e autêntica formação da mente e do coração, para que conheçam e apreciem as melhores obras musicais do passado e saibam escolher, na produção moderna, o que é sadio e recto» .<br />
No campo prático, requer-se a aprendizagem dos diversos cantos usados na liturgia. Por conseguinte, os seminaristas deveriam participar regularmente nas lições de canto previstas pelo programa dos estudos.<br />
Os seminaristas que são dotados de boas capacidades musicais podem ser convidados a desenvolver os seus talentos, por exemplo como organistas, ou para aprenderem a dirigir um coro ou uma assembleia. Para isso, pode-se também aproveitar de sessões de formação durante as férias.<br />
Algumas festas do seminário podem ser assinaladas, além da celebração da liturgia, também pela execução de certas obras musicais: cantos polifónicos, concertos de órgão ou de música instrumental, haurindo do rico património musical da Igreja. Trata-se do património no qual é desejável que os seminaristas sejam introduzidos.<br />
Participando no seminário numa liturgia de qualidade, na qual o canto e a música têm todo o seu lugar, e beneficiando de uma formação musical dada por pessoas competentes, o futuro sacerdote prepara-se progressivamente para a sua responsabilidade litúrgica como celebrante da Eucaristia e dos outros sacramentos, como pastor e guia da oração das comunidades das quais será encarregado. Ele aprende progressivamente a discernir o que é belo, o que convém ao culto divino, o que é conforme com o espírito da acção litúrgica, o que permite traduzir a verdade do mistério celebrado, o que contribui autenticamente para a glorificação de Deus e para a santificação dos fiéis, o que favorece a oração dos cristãos e a sua «participação plena, consciente e activa» na liturgia. Graças a esta formação musical, o futuro sacerdote aprende a dar todo o seu lugar à música nas celebrações, «tendo em conta tanto o carácter próprio da liturgia como a sensibilidade do nosso tempo e as tradições musicais das diversas regiões do mundo».</p>
<p>Cardeal Zenon Grocholewski<br />
Prefeito da Congregação para a Educação Católica</p>
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		<title>Visão bíblica da Beleza</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Mar 2012 13:22:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte Sacra]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao grau ultimo da síntese, aquele da Bíblia, o verdadeiro e o bem se oferecem à contemplação, a vivência simbiótica assinala a integridade do ser e faz surgir à beleza, como bem diz Kierkegaard em seu livro intitulado La note de 1852 [1]. Os sacrificados, os mártires, estes amigos feridos do Esposo que se oferecem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao grau ultimo da síntese, aquele da Bíblia, o verdadeiro e o bem se oferecem à contemplação, a vivência simbiótica assinala a integridade do ser e faz surgir à beleza, como bem diz Kierkegaard em seu livro intitulado La note de 1852 [1].</p>
<p>Os sacrificados, os mártires, estes amigos feridos do Esposo que se oferecem em espetáculo aos anjos e aos homens, representam os acordes fundamentais o imenso canto da salvação. Espigas colhidas, o Senhor as repõe nas plantações do Seu Reino. A tradição vê nesses a conformação ao Cristo na Beleza. Nicola Cabasilas, o grande liturgista do século XIV, diz “aqueles que souberam amar alem de tudo a Suma Beleza” [2], semente do divino, “ágape radical no coração” [3].</p>
<p>Criando o mundo do nada, o Divino Criador compõe a sua Sinfonia dos seis dias, o Hexámeron, e a cada dos seus atos viu que era belo. O texto sagrado grego do relato bíblico diz belo e não bom; o termo hebraico significa uma e a outra coisa juntas. Da outra parte o verbo criar é conjugado em hebraico segundo o modo completo: o mundo foi criado, é criado e será criado até a sua plenitude. Saindo das mãos de Deus, o germe é já belo, mas aperto à evolução, a historia quanto mais movimentada e trágica do sinergismo do agir divino e do agir humano. Segundo Maximo o Confessor, o cumprimento da primeira beleza na Beleza perfeita se põe ao fim e recebe o nome de Reino [4]</p>
<p>Aqui a tradição causa uma prefixação importante. Um grande homem espiritual do IV século, Evagrio comentando a variante do Pater no evangelho de Lucas onde o posto do Reino se lê venha o teu Espírito, diz: “O Reino de Deus é o Espírito Santo: nós o pedimos ao Pai que faça descer sobre nós” [5], de acordo com a tradição, Evagrio identifica assim o Reino e o Espírito Santo. Portanto, se o Reino contemplado é a Beleza, a terceira pessoa da Trindade se revela Espírito da Beleza. O Espírito Santo é a perfeição da Beleza, Ele comunica o esplendor da Santidade.</p>
<p>Os atributos notados do Espírito são a Vida e a Luz. A Luz, antes de tudo, é potência de revelação, e por isso o Deus revelatus se chama Deus-Luz. A sua potência “ilumina cada homem” (Jo 1,9) e segundo São Simão “transforma em luz aqueles que são iluminados” [6]. Mais ainda, ela se põe como fonte da todo conhecimento: “À tua luz vemos a luz” (Sal 35,10) [7]. Existem pontos de vista sempre parciais, e por isso são deformantes, e existe o olhar pleno que faz do homem, segundo a expressão de São Macário [8] um olho único e imenso permeado da luz divina.</p>
<p>Sobre o plano ótico, o olho não percebe os objetos ma a luz refletida dos objetos. O objeto é visível somente porque a luz o faz luminoso. Aquilo que se vê é a luz que se une ao objeto, que em certo modo o absorve e toma a sua forma, o retrata e o revela. A inteiração misteriosa do carbono e da luz do diamante, a beleza. Segundo uma antiga crença popular, o raio de luz que penetra a noite de uma ostra gera a perola [9]. O espaço não existe se não pela luz, a qual faz a matriz de cada vida. É neste sentido que a vida e a luz se identificam. A luz faz vivo cada ser, fazendo aquele que é presente, aquele que vê o outro e que é visto por outro, aquele que vive com e para o outro, existindo um no outro.</p>
<p>Por outro lado, o inferno, o Ade grego e ao Sheol dos hebreus, indica aquele lugar denso de trevas onde a solidão reduz o ser à extrema indigência do solipsismo demoníaco, onde nenhuma visão se encontra com outra.</p>
<p>Segundo o relato bíblico da criação do mundo, no inicio “foi uma grande tarde e uma manha, e este foi o dia”. O Hexámeron não conhece noite. As trevas e a noite não são criadas por Deus; para o momento a noite não é mais que o sinal do inexistente, o nada abstrato, separado pela sua natureza do ser. A manha e a tarde assinala a sucessão dos eventos, designam a progressão criadora e forma o dia, dimensão da luz pura. O seu contrário, a noite, não é ainda a potência efetiva das trevas; a noite no sentido joanino aparece somente na queda.</p>
<p>A noite não é a simples ausência de luz. Os psiquiatras sabem que cada passividade aparente esconde uma silenciosa e ativa resistência. A treva da qual se fala é uma fuga desesperada do interno de si mesma, porque como impotente é arrastada para a Luz: para esconder-se se cobre de escuridão culposa, manifestando uma postura demoníaca e consciente da negação e rejeição.</p>
<p>Na ocasião da Ceia do Senhor, o Cenáculo é inundado de luz porque Cristo está no meio dos Apóstolos. É neste momento que Satanás entra em Judas e deste momento, ele não pode mais ficar no circulo de luz: ele sai com pressa, e João sóbrio nos detalhes observa: era noite. As trevas da noite envolvem Judas e escondem o terrível segredo da sua comunhão com Satanás (Jo 13).</p>
<p>O primeiro dia da criação observa os Padres, não é primeiro, mas o único. É o alfa que já leva chama o Omega, o oitavo dia do acordo final, o pleroma. Este primeiro dia é o canto jubiloso do Cântico dos Cânticos de próprio Deus, a fonte fulgurante do “faça-se a luz”. Esta luz não é um elemento ótico, que aparecerá no quarto dia com o sol astronômico. A luz inicial no sentido absoluto é a revelação mais envolvente do Rosto de Deus. Faça-se a luz, significa para o mundo em potência: faça-se a Revelação e, portanto venha o Revelador, venha o Espírito Santo! O Pai pronuncia a sua palavra e o Espírito a manifesta, Ele é a Luz da Palavra. A Palavra revela Deus como o Tu absoluto e suscita imediatamente aquele que a escuta e a contempla, a segunda luz nascida da Luz e colocada como outro eu e espelho na luz-revelação-comunhão.</p>
<p>O circulo da Revelação fechou-se sobre a diferenciação e ao mesmo tempo sobre a identidade perfeita de todos os elementos. A primeira palavra da Bíblia faça-se a luz é também a ultima, faça-se a beleza, Alfa e Omega, principio e fim. O homem deve se transforma todo em doxologia vivente, da estética ao religioso.</p>
<p>[1] KIERKEGAARD Soren, La note de 1852, Bohlim 1941, p.251: “O pássaro sobre o ramo, o lirio no campo, o veado na floresta, o peixe no mar, inumeráveis homens contentes proclamam a alegria: Deus é amor! Mas por baixo e como suporte de todas estas vozes, como o baixo mugir abaixo os claros sopranos, si ouve, de profundis, a voz dos sacrificados: Deus é Amor”.</p>
<p>[2] BORODINE M. Lot, N. Cabasilas, Paris, p. 156.</p>
<p>[3] CRISOSTOMO João, cit. in M. Lot Borodine, op.cit., p.155.</p>
<p>[4] MAXIMO, Mystagogia, PG 91, 701C.</p>
<p>[5] HAUSHERR I. Les leçons d`un contemplative. Le Traité d`oraison d`Evagre le Pontique,  Paris 1960, p. 83.</p>
<p>[6] SIMÃO o Novo Teólogo, Hymne à l`amour divin in La Vie Spirituale, 27 (1931), p. 201.   </p>
<p>[7] A redação dos Evangelhos situa-se depois de Pentencostes.</p>
<p>[8] MACARIO, Homilia 1,2, p. 34, 450B-451 A.</p>
<p>[9] Para Santo Efrém a perola evoca o batismo de água e de fogo porque essa é o fruto da união da água e do fogo-luz. São Macário fala de perola celeste, imagem da Luz divina, e na parábola evangélica essa é figura do Reino.<a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120331-152146.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120331-152146.jpg" alt="20120331-152146.jpg" class="alignnone size-full" /></a></p>
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		<title>Deus fonte e autor de toda a beleza</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 12:27:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte Sacra]]></category>

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		<description><![CDATA[Deus é a Beleza por excelência e a Fonte de onde emana a beleza de toda criação. Depois de criar o mundo, ele mesmo chegou a admirar a beleza da sua obra. É o que está escrito no Gênesis: “Deus viu tudo que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn1, 13). É importante notar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deus é a Beleza por excelência e a Fonte de onde emana a beleza de toda criação. Depois de criar o mundo, ele mesmo chegou a admirar a beleza da sua obra. É o que está escrito no Gênesis: “Deus viu tudo que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn1, 13). É importante notar que na Bíblia e, de modo particular no Antigo Testamento, a palavra grega “kalos” significa belo, bom e verdadeiro [1].</p>
<p>O livro da Sabedoria nos mostra e nos ajuda a perceber Deus como Fonte e Autor da beleza, sobretudo na capitulo 13. No versículo 3: “se ficam fascinados com a beleza dessas coisas, a ponto de tomá-las como deuses, reconheçam o quanto está acima delas o Senhor, pois foi o autor da beleza quem as criou”, o autor do livro afirma que o Senhor é Autor da beleza e é ele também quem criou as coisas admiradas. No versículo 5: “Sim, porque a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por comparação, contemplar o Autor delas”, o autor do livro compara a beleza das criaturas à beleza do Autor delas. Pela beleza das criaturas, o ser humano pode imaginar como é a beleza do Criador. E podemos perceber também no mesmo versículo 5 que a beleza das criaturas é rastro da beleza de Deus.</p>
<p>O autor do livro da sabedoria fica maravilhado ao contemplar a beleza das coisas do mundo e se pergunta como muitos homens não chegam a reconhecer Deus, que é o Criador e a Fonte da beleza dessas coisas. Ver a beleza das coisas do mundo e não reconhecer o Deus que as criou é ser insensato, segundo o autor.</p>
<p>[1] Sb 13, 1.3-5: “São naturalmente insensatos todos os homens que ignoram a Deus e que, através dos bens visíveis, não chegam a reconhecer aquele que existe. Consideram as obras, mas não reconhecem o seu artífice [....] Se ficam fascinados com a beleza dessas coisas, a ponto de tomá-las como deuses, reconheçam o quanto está acima delas o Senhor, pois foi o autor da beleza quem as criou. Se ficam maravilhados com o poder e atividade dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele que as formou. Sim, porque a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por comparação, contemplar o Autor delas”.</p>
<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120329-143052.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120329-143052.jpg" alt="20120329-143052.jpg" class="alignnone size-full" /></a></p>
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		<title>Deus nos conduz a Ele: Beleza transcendente</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 10:27:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte Sacra]]></category>

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		<description><![CDATA[“O belo é o esplendor do verdadeiro”, disse Platão. Aqui está a origem de toda a reflexão sobre a beleza desde a Antiguidade grega até nossos dias. Ninguém ainda superou Platão. É dele o pensamento original que uniu em nós uma só palavra, kalokagathia – belo e bom – as duas vertentes ou facetas da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120329-122637.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/03/20120329-122637.jpg" alt="20120329-122637.jpg" class="alignnone size-full" /></a>“O belo é o esplendor do verdadeiro”, disse Platão. Aqui está a origem de toda a reflexão sobre a beleza desde a Antiguidade grega até nossos dias. Ninguém ainda superou Platão. É dele o pensamento original que uniu em nós uma só palavra, kalokagathia – belo e bom – as duas vertentes ou facetas da mesma experiência humana. Se Deus é amor como proclama poeticamente o evangelista João em sua Primeira Epistola, podemos dizer que este amor se expressa sempre articulando o bem, o belo e o verdadeiro. Deve haver uma simbiose entre estes termos e na experiência que fazemos deles em nossa vida quotidiana.<br />
Alguns criticam esta posição como idealista e que não corresponderia ao real e aos conflitos concretos da vida. Viver e não ter vergonha de ser feliz, cantada pelo poeta Gonzaguinha, não parece ser tão natural e simbiótico. Criar é exprimir nosso eu pessoal como expressão do bem e do belo que nos habitam interiormente. Sabemos que precisamos ver e contemplar para que a nossa palavra diga o que emerge de nossos corações. São dois exercícios internos distintos. Um será realizado com os olhos físicos e a luz. O outro será algo muito mais profundo e vulcânico. Capaz de extasiar e mudar nossa vida completamente. Não há esquecimento para algo contemplado com os olhos do coração. Mas os humanos parecem desterrados em um vale de lagrimas onde vivem angustiados por uma profunda nostalgia que sonha com um paraíso ou Éden perdido.<br />
Queremos voltar a identificar o belo e o bom. Queremos que seja verdade e que vivamos o tempo da criação primigênia. Sabemos que o próprio do bem é o atrair-nos para o verdadeiro com nosso apetite voraz pelo infinito e felicidade. Sabemos também que o próprio do belo é o seduzir e ser seduzido, pois desejamos ser visitados pela graça e pelo êxtase. Somos simultaneamente seres de desejo e de paizão. Seres que buscam o infinito e a transcendência e seres que querem ser visitados pelo Outro. Seres perfectíveis, mas repletos de imperfeições. Seres de beleza mergulhados em tantas feiúras e matéria informe. Somos como flores de lótus em um imenso lodaçal. Temos saudades da hora em que tudo se fez pelo canto mavioso do Amado. Assim, o livro do Genesis falará daquele dia único, especial e fundamental: o dia da criação. Não é um dia como outro qualquer, como dito pelos teólogos da época patrística.<br />
Queremos novamente ouvir aquela frase bíblica: “E Deus viu que tudo era Belo e Bom” . Como relata o teólogo Evdokimov este é para nós hoje novamente o dia que se manifesta como Alfa que já carrega em si mesmo o Omega .<br />
Ficar perto da luz e iluminar-se com ela, eis a missão e meta de nossa viagem galáctica, histórica, pessoal e coletiva. Estar na luz é comungar da Luz divina e assim manifestar a beleza querida por Deus e contemplar a cada dia e na esperança a beleza de Deus. Por essa razão, o ultimo livro na edição da Bíblia, ao afirmar a esperança, diante dos sofrimentos e das injustiças, proclama com audácia que “a noite não existirá, e ninguém mais necessitará da luz de lâmpadas nem da luz do sol, porque o Senhor Deus os iluminará e eles reinarão pelos séculos dos séculos” .<br />
Falar de beleza e vivê-la em nossa vida é bem mais que cultuar ou vislumbrar algo de bonito ou lindo. Reconhecer que algo nos agrada ao contemplar é só o primeiro momento de algo muito mais profundo e misterioso. Todo ser, toda criatura, tudo o que existe de belo à medida que alcança a perfeição de sua natureza ou dela se acerca. O belo sempre foi associado ao que é proporcional ou equilibrado. O belo sempre se manifestou nas culturas como estando coligado à luz ou claridade. O belo sempre foi expresso como esplendor do verdadeiro, realizando a síntese difícil entre verdade, bem e beleza.<br />
Nosso desafio hoje é o de unir o bem que se faz ética e o belo que se faz estética como um caleidoscópio de emoções, experiências, conhecimento e utopias. Para conseguir atingir essa meta humana, é preciso refazer o caminho teológico e filosófico como fez magistralmente Hans Urs von Balthasar ao realizar magistral obra em que mostra que o abandono progressivo de desenvolver a teologia cristã à luz do terceiro transcendental, isto é, completar a visão do verum, bonun, mediante o pulchrum, empobreceu o pensamento cristão .<br />
Experimentamos a arte como um dom e dádiva especial de Deus para cada um nós sem quaisquer exclusões. Verificamos que há uma busca do belo, presente em cada ser humano, quando este tem sede de eternidade, felicidade, serenidade e imortalidade. Não é errôneo dizer que as obras de arte expressam Deus. Há pinturas que são verdadeiros portais do divino. Há musicas que abrem para o infinito, como Mozart, Beethoven. Há esculturas que quase falam como o Moisés de Michelangelo. A beleza nos faz melhores. Apesar de sermos seres incompletos. A beleza nos incomoda, pois incomodou previamente o artista . O artista é alguém incitado, conclamado, instigado pelo belo. A tarefa que recebeu é árdua. Como uma cruz pesada. Ele deve saber que todos os seus atos, sentimentos, pensamentos não são fundamentalmente a matéria imponderável de onde surgirão suas obras. Ele deve saber que não é livre, durante toda a sua vida como artista, e que só o será de fato pela arte.<br />
Chegamos a algumas perguntas: A beleza antiga cura feridas modernas? A beleza conduziria a Deus? Existe algum caminho privilegiado que possa nos conduzir a Deus? A beleza poderia ser esta via?<br />
O teólogo Clodovis Boff cita algumas destas linguagens expressivas ou vias de expressão da fé: a poesia, a musica, o canto, a pintura, o teatro, a dança, as narrativas, as máximas, a simbologia e o humorismo. A lista valoriza todo o mundo da arte como via pulchritudinis “caminhos da beleza” . Lembra que a linguagem plástica privilegiada sempre o é a da liturgia. E diz que este caminho é meio de expressão e dialeticamente fonte de fé e de reflexão teológica. Portanto, segundo o autor, são lugares teológicos. Diz ele que o teólogo sempre deve estar pronto a dizer: “Que teologia há por trás disto: deste canto ou desta pintura? Tematizará então esta teologia implícita, enriquecendo-a, em seguida, pelo confronto com a tradição da fé e os desafios da historia” .<br />
Aqui podemos lembrar-nos do texto Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, promulgado em 4 de dezembro de 1963, pelo Concilio Vaticano II, que ao referir-se às belas artes diz que estas possuem dignidade fundamental . E ainda afirma que as belas artes são o reflexo da beleza infinita de Deus . Recomenda os padres conciliares que os padres e religiosos sejam instruídos e educados na história da arte para que apreciem e conservem as obras de arte e possam manter um diálogo frutífero com os artistas (cf. SC, n. 129).<br />
Pode-se afirmar a beleza como um velho e novo caminho para encontrar Deus nos dias atuais. Mas precisa-se ficar atento, pois há uma ambigüidade na beleza. “Deus não é o único que se veste de beleza, o mal o imita e faz que a beleza seja profundamente ambígua” . Podemos unir-mo-nos a Fiodor Mikhailovick Dosteievsks quando proclama uma profunda convicção de que a beleza salvará o mundo. Mas qual beleza? Pois sabemos que a beleza é um enigma que fascina e também faz perecer. Se a beleza possui um valor salvífico, devemos saber que, se a verdade é sempre bela, a beleza nem sempre é verdadeira. É bom lembrar que o Judaísmo e o Cristianismo falam do mal associado ao pecado do orgulho de Lúcifer por conta de formosura e beleza cintilantes, pois “teu coração se exaltou e corrompeste tua sabedoria por causa do teu esplendor. Assim te atirei por terra e fiz de ti um espetáculo à vista dos reis” .<br />
A beleza é real, mas frágil. A beleza também precisa ser salva. Quem poderia fazê-lo? Para o novelista e literato Dosteievsks, só quem pode fazê-lo bem é o Homem Santo. Salvar a arte e a beleza será tarefa nevrálgica e santa para que haja sentido no mundo e na vida humana. Verdadeira tarefa salutar e terapêutica da qual ninguém pode se eximir. Sem este sal que salgará a terra não haveria nada mais a fazer sobre ela. A beleza introduz Deus na alma humana tal como a “sarça ardente que introduz ali suas raízes” . A beleza que salva o mundo está em Deus e na sua presença no coração e na vida da humanidade.</p>
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		<title>Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2012</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Feb 2012 17:02:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Catequeses de Bento XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Bento XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Vocacional]]></category>

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		<description><![CDATA[MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI QUARESMA DE 2012 «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24) Irmãos e irmãs! A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI  QUARESMA DE 2012<br />
«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos<br />
ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)</p>
<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/02/698223-1528-it2.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/02/698223-1528-it2.jpg" alt="" width="286" height="320" class="alignleft size-full wp-image-3879" /></a>Irmãos e irmãs!<br />
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.<br />
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.<br />
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.<br />
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).<br />
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.<br />
O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.<br />
2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.<br />
O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.<br />
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).<br />
3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.<br />
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.<br />
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).<br />
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.<br />
Vaticano, 3 de Novembro de 2011</p>
<p>BENEDICTUS PP. XVI</p>
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		<title>Canção Nova: como Simeão no templo de Jerusalém</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 20:36:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Vida Consagrada]]></category>
		<category><![CDATA[Vocacional]]></category>

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		<description><![CDATA[Caríssimos irmãos e irmãs, depois de quarenta dias do Natal, nos encontramos aqui para esta solenidade que particularmente envolve três realidades da vida dos cristãos: Apresentação do Senhor ao tempo e ao mundo, a antiga festa das luzes, ou melhor da Luz, e a festa da Vida Consagrada. Três realidades que se relacionam muito bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/02/cancaonova11.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2012/02/cancaonova11.jpg" alt="" width="287" height="199" class="alignleft size-full wp-image-3876" /></a>Caríssimos irmãos e irmãs, depois de quarenta dias do Natal, nos encontramos aqui para esta solenidade que particularmente envolve três realidades da vida dos cristãos: Apresentação do Senhor ao tempo e ao mundo, a antiga festa das luzes, ou melhor da Luz, e a festa da Vida Consagrada.<br />
Três realidades que se relacionam muito bem entre elas. O Cristo é apresentado hoje ao mundo como luz das nações através a continuidade da sua passagem no mundo pelo testemunho fervoroso e vivo dos religiosos consagrados ao Senhor.<br />
Estas três festas em um único dia nos é explicado na pessoa de Simeão.<br />
Simeão, piedoso e justo, como diz o Evangelho, esperava a consolação do povo de Israel. Pelo próprio Espírito Santo, ele teve uma revelação divina de que não morreria sem ver o Cristo Senhor (Lc 2, 25.26).<br />
Poderíamos perguntar em que se beneficiou ele por ter visto a Cristo. Fora-lhe prometido somente vê-lo, sem que esta visão lhe trouxesse algo de salutar, ou esta promessa esconderia um presente digno de Deus, que Simeão mereceu receber?<br />
Certa mulher foi curada por ter apenas tocado a franja da veste de Jesus! Se ela se beneficiou de tal favor, que pensar de Simeão, que recebeu o menino nos braços? Feliz de tê-lo nos braços, alegrava-se ao pensar que sustentava o que viera libertar os cativos, e também a ele dos laços de seu corpo. Sabia que ninguém pode libertar um outro da prisão do corpo com a esperança da vida futura, a não ser aquele que tinha em seus braços. Por isso ele diz: Agora, Senhor, deixa teu servo ir em paz (Lc 2, 29), pois estava prisioneiro e não podia libertar-se de seus laços, enquanto não tinha Cristo em seus braços. Note-se, todavia, que isto é válido não somente para Simeão, mas para todo o gênero humano. Se alguém deixa este mundo e quer conquistar o Reino, tome Jesus nas mãos, envolva-o em seus braços, aperte-o contra o peito e então poderá dirigir-se velozmente para onde deseja!<br />
Considera tudo o que precedeu o momento em que Simeão teve a ventura de carregar o Filho de Deus. Recebeu primeiramente a revelação do Espírito Santo, de que não veria a morte antes de ter visto o Cristo Senhor. Em seguida, não foi por acaso nem totalmente sozinho que entrou no Templo; mas veio impelido pelo Espírito Santo. E todos aqueles que o Espírito Santo anima, são filhos de Deus. É, pois, o Espírito Santo que os leva ao Templo. Se tu também queres ter Jesus, abraçá-lo em teus braços e tornar-te digno de sair da prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para alcançares o templo de Deus. Ora, já te encontras no templo do Senhor Jesus, isto é, na Igreja, seu templo construído de pedras vivas.<br />
Se vens impelido pelo Espírito, encontrarás o Menino Jesus, tomá-lo-ás em teus braços, e dirás: Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixa teu servo ir em paz. Observa, de passagem, que a libertação e o ponto de partida acompanham-se da paz. E quem morre em paz, senão aquele que tem a paz de Deus que ultrapassa toda compreensão e guarda o coração de quem a possui? Quem é que se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio, em Cristo, reconciliar-se com o mundo?<br />
Comunidade Canção Nova, eis aqui a nossa missão. Não foi por acaso que exatamente num dia tão simbólico para o cristianismo a 34 anos atras os nossos primeiros irmãos faziam o sonho de Deus se realizar em uma pequena cidade do interior do estado de São Paulo.<br />
Olhando para a história da Canção Nova os sonhos são outros? Pois muita coisa mudou, cresceu, desenvolveu, apareceu. Não, o sonho de Deus, não mudou. Pelo contrario, ainda não foi totalmente realizado. Por que? Três coisas simples, mas muito empenharias.<br />
1- Nem todos os filhos de Deus ainda não viveram a experiência de Simeão, de ter Jesus, mais do que nos braços, mas inteiramente no coração, aderindo a Ele como Senhor e Salvador.<br />
2- Com isto, nem todos os filhos de Deus tomaram consciência de que em Jesus, são sal da terra e luz do mundo, e por isso, as vezes parece que vivemos em uma constante escuridão.<br />
3- A nossa consagração precisa ser mais que um ato de renovação anual, como estamos fazendo hoje, mas deve se tornar um verdadeiro ato profético consciente para nós e para todos aqueles aos quais somos enviados.<br />
Ao renovar o nosso compromisso, nos lembremos de tantos e tantos Simeão que conscientes ou não esperam ansiosamente a apresentação de Jesus, Luz do mundo pelo testemunho sincero dos consagrados a Deus na Cancao Nova.<br />
Assim seja!</p>
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		<title>Espírito natalino ou consumismo no natal</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 09:53:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Formando consciência]]></category>
		<category><![CDATA[Formação Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Humanidade Moderna]]></category>

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		<description><![CDATA[Estamos acostumados a ver o Natal apenas como um encantavel menino que sorri (ou chora). E então a unica motivação que se pode vir é o retorno à inocencia verdadeira da infancia. Mas esta infancia muitas vezes é confundida com uma transferencia de sentimentos ou situações confundidas e marcadas ao longo da nossa historia. Ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/12/compras-de-natal1.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/12/compras-de-natal1.jpg" alt="" width="320" height="225" class="alignleft size-full wp-image-3864" /></a>Estamos acostumados a ver o Natal apenas como um encantavel menino que sorri (ou chora). E então a unica motivação que se pode vir é o retorno à inocencia verdadeira da infancia. Mas esta infancia muitas vezes é confundida com uma transferencia de sentimentos ou situações confundidas e marcadas ao longo da nossa historia. Ou seja, no Natal, queremos nós muitas vezes voltar a ser crianças, no atraente mundo das compras e gastos, onde a desculpa, ou o culpado é sempre o famoso “espírito natalino”.<br />
Eu sempre me perguntei, quem é este famoso espirito natalino que sempre enche as lojas, os shopings, os magazines? Como pode alguem se aventurar em mergulhar num mar de gente, por exemplo, os grande centros de uma cidade como São Paulo, na rua 25 de março, nas ultimas horas antes da ceia natalina? Realmente ele é muito bondoso, pois sempre dá presente para todos e principalmente para nós mesmos. É ou não é verdade que motivado pelo espírito natalino queremos ficar mais bonitos, mais bem vestidos, mais chierosos, mais fofinhos, pois queremos comer bem e melhor&#8230;.e tantas outras coisas, que fazem parte do mundo encontado das crianças.<br />
Voltemos ao presepio de Belem. Ali, muito mais que falta das coisas<br />
materiais, o verdadeiro espírito natalino se fez pobre, para que os pobres pudessem ser ricos. Não neste mundo, mas herdeiros do verdadeiro tesouro que não passa: o Reino dos ceus. Com isto eu não estou dizendo que não podemos nos presentear com um natal cheio de coisas belas, mas convidando a conhecer mais profundamente quem é este espírito natalino<br />
A primeira coisa que posso dizer, que este espírito natalino não está nas lojas, não está festas, não está na ceia, não esta na roupa nova, ou no sapato novo. Então onde está este espírito natalino, para que o possamos conhecer?<br />
Com certeza ele está no coração de cada um que reconhece que o natal só terá sentido se for cheio de, primeiramente gratidão por um Deus que, amando tanto a pessoa humana, se fez pessoa. A gratidão nos leva à um segundo sentimento, a partilha. A partilha não é apenas uma troca de presentes feita no popular “amigo secreto”. Mas é um saber presentar. Não com aquilo que o outro quer, mas com aquilo que o outro precisa. Por exemplo, tem tantas pessoas ao nosso lado, as vezes na nossa propria casa, que muito mais que um par de sapatos novos, precisaria de um abraço de reconciliação. Do sentimento que nos leva à partilha, nasce uma postura, aquela da comunhão. Muitas vezes, no natal temos mais comunhão com as pessoas que estão conosco nas filas gigantescas das grande lojas, do que com Aquele que realmente nos chama à verdadeira comunhão, que nada mais é que um pertencer a um Outro, e isto experiemtamos maravilhosamente na missa de natal. Esta comunhão com Deus, nos convida à uma comunhão com os irmãos. Que sentido tem dar um monte de presente frios para todos, se não sou capaz de dar o calor do meu coração aos irmãos?<br />
Com algumas destas pistas podemos buscar conhecer o verdadeiro espirito do natal, que vai muito além do chamado consumismo natalino. O cristão é chamado a ser luz para os povos, mostrando em tudo que faz, sua verdadeira alegria: Jesus Verbo encarnado de Deus.</p>
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		<title>Livros Profeticos da Bíblia</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Nov 2011 03:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Profetas de Israel]]></category>

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		<description><![CDATA[Livros Proféticos Lugar no cânon A segunda das três grandes seções em que se divide a Bíblia Hebraica é a chamada de os Profetas (hebr. nebiim), por sua vez, subdividida em dois grupos: Profetas anteriores e Profetas posteriores. Diferentemente das nossas Bíblias atuais, entre as quais se conta a presente edição, a Bíblia Hebraica considera [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Livros Proféticos</p>
<p>Lugar no cânon </p>
<p>A segunda das três grandes seções em que se divide a Bíblia Hebraica é a chamada de os Profetas (hebr. nebiim), por sua vez, subdividida em dois grupos: Profetas anteriores e Profetas posteriores.<br />
Diferentemente das nossas Bíblias atuais, entre as quais se conta a presente edição, a Bíblia Hebraica considera proféticos e assim cataloga no grupo dos &#8220;anteriores&#8221; seis livros de caráter histórico: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2Reis.<br />
<a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/11/profeta11.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/11/profeta11.jpg" alt="" width="300" height="182" class="alignleft size-full wp-image-3860" /></a>O conjunto dos posteriores é formado por Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze profetas menores, assim nomeados não porque o seu conteúdo seja de menor importância, mas porque são notavelmente menores que os escritos dos &#8220;três grandes profetas&#8221;. Por outro lado, enquanto que o índice da LXX (que é o adaptado pela Almeida) inclui Lamentações e Daniel entre os livros proféticos, a Bíblia Hebraica os coloca na terceira seção, entre os Escritos (ketubim).</p>
<p>Os profetas e a sua mensagem</p>
<p>Profeta é uma palavra derivada do vocábulo grego profetés, composto pela preposição pro, que tem valor locativo e equivale a &#8220;diante de&#8221;, &#8220;na presença de&#8221;, e o verbo femí, que significa &#8220;dizer&#8221; ou &#8220;anunciar&#8221;. Na LXX, encontramos profetés como tradução da palavra hebraica nabí, relacionada esta última a várias outras semíticas cujo sentido principal é anunciar ou comunicar alguma mensagem.<br />
Em âmbitos alheios ao texto da Bíblia, é freqüente dar o nome de profeta a alguém que transmite mensagens da parte de alguma divindade ou que se dedica à adivinhação do futuro. Porém, se sê restringe o uso da palavra ao seu sentido bíblico, profeta é especialmente alguém a quem Deus escolhe e envia como o seu porta-voz, seja diante do povo ou de uma ou várias pessoas em particular. Não se trata, pois, na Bíblia, de adivinhos, magos, astrólogos ou futurólogos entregues a predizer acontecimentos futuros, mas de mensageiros do Deus de Israel, enviados para proclamar a sua palavra em precisos momentos históricos. Em certas ocasiões, a mensagem profética se referia a algum evento futuro, porém sempre vinculada a uma situação concreta e imediata na qual surgia a profecia (cf., p. ex., Is 7.1-25). Para descreverem o fato histórico, estão destinadas certas passagens que, na maioria dos livros, contemplam acontecimentos bem conhecidos e datados (p. ex., Jr 1.3, a conquista de Jerusalém Ez 1.1-3, a deportação para a Babilônia Is 1.1, Os 1.1, cronologias reais). Para se compreender o profundo sentido da palavra de Deus transmitida pelos profetas, deve-se prestar máxima atenção ao contexto histórico em que foi originalmente proclamada. Somente dessa forma será possível também atualizar a mensagem profética e aplicar o seu ensinamento às necessidades e circunstâncias do momento atual. </p>
<p>Os profetas nos textos históricos </p>
<p>A figura do profeta freqüentemente ocupa um lugar importante nos livros narrativos da Bíblia. Tal é o caso de Samuel, Natã, Elias e Eliseu, os quais tiveram uma significação especial na história de Israel. Porém, juntamente com eles, aparecem também outros profetas, homens e mulheres cujos nomes, em geral, são menos familiares ao leitor, como, p. ex., Aías, de Siló (1Rs 14.2-18) Débora (Jz 4.4-5.31) Gade, &#8220;vidente de Davi&#8221; (2Sm 24.11-14,18-19) Hulda (2Rs 22.14-20) Miriã, a irmã de Moisés e Arão (Êx 15.20-21) Micaías, filho de Inlá (1Rs 22.7-28). Esses relatos, às vezes, conservam palavras ou cantos dos profetas (p. ex., 1Sm 8.11-18 2Sm 7.4-16), ainda que a atenção do texto esteja voltada em geral para realçar a importância do ministério profético em circunstâncias decisivas da história de Israel (p. ex., 1Rs 18). </p>
<p>A mensagem dos profetas </p>
<p>Os profetas habitualmente introduzem as suas mensagens mediante fórmulas expressivas como &#8220;Assim diz o SENHOR”, &#8220;Palavra do SENHOR que veio a&#8230;&#8221; ou outras semelhantes e, freqüentemente, apresentam-se a si mesmos como enviados de Deus e investidos de autoridade para proclamar a sua palavra. Essa certeza pessoal de terem sido divinamente escolhidos para comunicar determinadas mensagens é um sinal característico da consciência profética. Assim, Isaías, que responde ao chamado do SENHOR: &#8220;Eis-me aqui, envia-me a mim&#8221; (Is 6.8) ou Jeremias, que escuta a voz do SENHOR: &#8220;Eis que ponho na tua boca as minhas palavras&#8221; (Jr 1.9) ou Ezequiel, que ouve a ordem de Deus: &#8220;Vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras&#8221; (Ez 3.4) ou Amós, que se sente separado das suas tarefas pastoris e transforma-se em porta-voz de Deus: &#8220;Vai e profetiza ao meu povo de Israel&#8221; (Am 7.15). </p>
<p>A literatura profética</p>
<p>A literatura produzida pelo profetismo israelita na sua comunicação da palavra de Deus é rica em formas e estilos. Nela, estão visões (Jr 1.11-13 Am 7.1-9 8.1-3 9.1-4), hinos e salmos (Is 12.1-6 25.1-12 35.1-10), orações (Jn 2.2-10 Hc 3.2-19), reflexões de caráter sapiencial (Is 28.23-29 cf. Am 3.3-8) e temas alegóricos (Is 5.1-7) ou simbólicos (Is 20.1-6 Jr 13.1-14 Os 1-3).<br />
Significações particulares revestem os textos vocacionais, nos quais se descreve a situação em cujo meio Deus chama o profeta para exercer a sua atividade (Is 6.1-13 Jr 1.4-10 Ez 1.1-3.27 Os 1.1-3.5). Em relação à freqüência de aparições, as mensagens que mais se empregam são as que se referem à salvação ou ao juízo e à condenação.<br />
No primeiro caso, proclamam o amor, a misericórdia e a disposição perdoadora e restauradora de Deus em favor de seu povo (cf. Is 4.3-6 Jr 31.31-34 Ez 37.1,14).<br />
No segundo caso, os discursos sobre temas condenatórios &#8211; que, às vezes, começam com uma figura imprecatória como &#8220;Ai de&#8230; !&#8221; &#8211; primeiro denunciam os pecados cometidos pelas pessoas, seja por um ou vários indivíduos (cf. Is 22.15-19 Jr 20.1-6 Ez 34.1-10), pelas nações pagãs (cf. Am 1.3-2.3) ou pela nação israelita como um todo (cf. Is 5.8-30 Am 2.6-16) e, em continuação, anunciam o castigo correspondente.<br />
O Deus que os profetas pregam é um Deus exigente, que põe descoberto e faz justiça com extrema severidade ao pecado do seu povo eleito um Deus justo e santo que, por isso mesmo, não tolera a mentira, nem a idolatria, nem a injustiça, em nenhuma das suas manifestações. Porém, ao mesmo tempo, é um Deus cheio de compaixão, cuja glória consiste em revelar-se como libertador e salvador um Deus que quer beneficiar, com o seu favor e dons, a todos os seres humanos e não somente ao povo de Israel.<br />
E assim chegará o dia em que, ao ver a libertação desse povo que parecia perdido e sem remédio, todas as nações reconhecerão que o seu Deus é o único Deus e dirão: &#8220;Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas&#8221; (Is 2.3 cf. Ez 36.23,36 37.28 39.7-8).</p>
<p>A influência dos profetas </p>
<p>Os profetas exerceram uma influência decisiva tanto na religião de Israel quanto posteriormente no Cristianismo. Contudo, foram bem menos as ocasiões em que os primeiros destinatários da mensagem prestaram a devida atenção (cf. Ag 1.2-15). Pelo contrário, segundo o testemunho dos próprios textos bíblicos, a princípio faziam-se de surdos à voz dos profetas, as suas palavras caíam no vazio ou eram rechaçadas sem terem obtido a resposta requerida. Mais ainda, quando a comunicação profética molestava os ouvidos dos seus receptores, estes tratavam freqüentemente de fazer calar o mensageiro de Deus.<br />
Como diz Isaías: &#8220;Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões;&#8230; não nos faleis mais do Santo de Israel&#8221; (Is 30.9-11) e Amós acusa Israel: &#8220;Aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis&#8221; (Am 2.12 cf. 7.10-13).<br />
Quando os intentos de fazer calar a mensagem profética se chocavam contra a fidelidade do profeta à palavra de Deus (cf. Jr 20.9), os ataques se dirigiam contra os próprios mensageiros, alegando que os seus anúncios tardavam muito em cumprir-se. Por isso, Isaías reprova o ceticismo dos seus ouvintes, que reclamavam: &#8220;Apresse-se Deus, leve a cabo a sua obra, para que a vejamos aproxime-se, manifeste-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos&#8221; (Is 5.19 cf. 28.9-10) e o mesmo faz Ezequiel aos que diziam: &#8220;Prolongue-se o tempo, e não se cumpra a profecia?&#8221; (Ez 12.22 cf. 2.3,7 12.26-28 33.30-33).<br />
Jesus conhecia os valores e o profundo significado do profetismo de Israel e também as dificuldades que rodeavam a existência dos profetas enviados por Deus. Por isso, deu testemunho de que o profeta não tem honra na sua própria terra (Jo 4.44) e, em certa ocasião, declarou isso para mostrar que o profeta não tem honra na sua própria terra, nem entre os seus parentes, nem mesmo em sua casa (Mc 6.4). Porém a mensagem profética continua vigente e não deixa de apelar à consciência humana, porque é a palavra de Deus, e há de prestar-lhe atenção como uma luz que ilumina lugares escuros, até que o dia amanheça e brilhe nos corações dos seres humanos (2Pe 1.19 cf. vs. 20-21).</p>
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		<title>Profetismo em Israel</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 13:26:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Profetas de Israel]]></category>

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		<description><![CDATA[Nosso mundo e nossa cultura têm mudado profundamente nos últimos séculos. Mas isto não deve impedir-nos de compreender a mentalidade do homem antigo, ainda bastante parecida à de alguns contemporâneos nossos. Muita gente não é capaz de encarar as incertezas da vida com atitude lógica e cientifica, também ela fria e sem carne. Busca-se ajuda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nosso mundo e nossa cultura têm mudado profundamente nos últimos séculos. Mas isto não deve impedir-nos de compreender a mentalidade do homem antigo, ainda bastante parecida à de alguns contemporâneos nossos. Muita gente não é capaz de encarar as incertezas da vida com atitude lógica e cientifica, também ela fria e sem carne. Busca-se ajuda em um mundo diferente, o dos deuses, dos espíritos, dos astros, ou do destino. No mundo que cerca Israel antigo, as religiões já estavam bem organizadas e difundidas naquela época, e, embora por vezes se recorra aos espíritos antepassados, acredita-se que são os deuses que podem transmitir a informação desejada. Todavia, estarão eles dispostos a revelar os seus conhecimentos.</p>
<p style="text-align: center"><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/11/profeta1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-3857" src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/11/profeta1.jpg" alt="" width="300" height="182" /></a></p>
<p><strong>1.1 Os deuses e a adivinhação</strong></p>
<p>Na antiguidade, quem melhor formulou este ponto de vista foram os estóicos. Cícero expõe a mentalidade deles da seguinte maneira: “se existem deuses e estes não dão a conhecer o futuro aos homens, ou não amam os homens, ou eles mesmos desconhecem o futuro, ou consideram que o conhecimento do futuro não nos interessa, ou pensam não ser próprio da majestade divina anunciar-nos as coisas que irão acontecer, ou, em ultimo caso os próprios deuses não podem comunicar-nos este conhecimento&#8230;” Todavia por mais que Cícero tenha razão, muita gente, na Antiguidade estava convencida de que os deuses ou os espíritos estão dispostos a revelar-nos o futuro ou resolver os nossos problemas presentes.</p>
<p><strong>1.2 Adivinhação e magia</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Surge assim uma das atividades mais antigas e misteriosas: a adivinhação, que no seu inicio estava intimamente ligada à magia. Efetivamente, o importante não era só conhecer o futuro, mas também modificá-lo em caso de necessidade.</p>
<p><strong>1.3 As formas de adivinhação</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>1.3.1 A adivinhação indutiva</p>
<p><em>a) A partir da observação da natureza:</em></p>
<p>Baseia-se na estreita relação que imagina existir entre o céu e a terra; o que acontece na terra é pressagiado no céu.</p>
<p><em>b) A partir da observação dos animais:</em></p>
<p>O comportamento ou os movimentos dos animais também são usados com freqüência para adivinhar.</p>
<p><em>c) A partir dos sacrifícios:</em></p>
<p>A forma principal de adivinhação nesta linha é o estudo das vísceras da vitima (aruspicação). A técnica mais desenvolvida e valorizada era a observação do fígado (hepatoscopia). Os sacrifícios prestam também para observar a chama, a forma como sobe a fumaça, a sua cor (capnomancia).</p>
<p><em>d) A partir da observação de alguns líquidos:</em></p>
<p>Em quase todos os povos considera-se a água como elemento gerador e revelador. Uma técnica mais refinada consiste no uso de diversos líquidos, geralmente água e azeite (lecanomancia).</p>
<p><em>e) Mediante diversos instrumentos:</em></p>
<p>Tem-se feito uso dos mais diversos instrumentos para fins de adivinhação: taça, flechas, bastão, dados, varinhas e, em Israel, esses objetos misteriosos e intraduzíveis que são o “urim e tummim”, e o “efod”.</p>
<p>1.3.2 A adivinhação intuitiva</p>
<p><em>a) Oniromancia</em></p>
<p>Efetivamente, desde tempos antigos se considerou que os sonhos encerram um sinal dos deuses. Mas o sonho também pode exercer uma função mais ampla, a saber desvendar todo o curso da historia. Os sonhos, as vezes tão estimados como meio de revelação divina, em outros casos suscitam muitas reservas e até fortes criticas.</p>
<p><em>b) Necromancia</em></p>
<p>A consulta aos mortos para obter deles a informação desejada é um fenômeno bastante difundido no mundo antigo. Quando o homem se sente esquecido por Deus, acode a um defunto, para que o diga o que deve fazer.</p>
<p><em>c) Oráculos</em></p>
<p>Embora na Mesopotâmia se recorra habitualmente à adivinhação indutiva, que é de longe a mais estimada, em Israel e na Grécia as formas mais freqüentes e dignas de conhecer a vontade divina é consultar o oráculo, onde sinais e portentos são substituídos pela palavra enigmática, mas afinal de contas palavra, como a dos homens.</p>
<p><strong>1.4 Oráculos não solicitados</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Existe outra possibilidade: que o oráculo seja dado pelo deus sem ter sido pedido. Esse passo dos oráculos solicitados por interesses pessoais para o oráculo que transmite a vontade de Deus, ate contrariando interesses pessoais ou nacionais, é o que dará ao profetismo de Israel a importância e a dignidade que não encontramos em outras culturas.</p>
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		<title>Cultive boas amizades</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 10:20:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Formando consciência]]></category>
		<category><![CDATA[Formação Humana]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens]]></category>

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		<description><![CDATA[Não preciso falar aqui da importânica de se cultivar as boas amizades para ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não  preciso falar aqui da importânica de se cultivar as boas amizades para  ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a  adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra  seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não  valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas  pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se  serão varridos numa chuva de verão.”</p>
<p><strong><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/09/IMG_0456.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-3853" src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/09/IMG_0456-400x300.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a>A  verdadeira amizade nos socorre quando menos esperamos! Podemos esquecer  aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esquecemos daqueles com quem  choramos</strong>. Os corações que as tristezas unem  permanecem unidos para sempre.</p>
<p>Na  prosperidade os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade,  apresentam-se espontaneamente. A fortuna faz amigos. A desgraça prova  se eles existem de fato. É preciso saber fazer e cultivar amizades. Isso  depende de cada um de nós; antes de tudo, do nosso desprendimento e  fidelidade ao outro.</p>
<p>Para conquistar um amigo é preciso criar um “deserto” dentro de si, aceitando que o outro venha ocupá-lo.</p>
<p>Acolher  o amigo é, em primeiro lugar, ouvir. Alguns morrem sem nunca ter  encontrado alguém que lhes tenha prestado a homenagem de calar-se  totalmente para ouvi-los. São poucos os que sabem ouvir, porque poucos  estão vazios de si mesmos, e o seu &#8221;eu&#8221; faz muito barulho. Se você  souber ouvir, muitos virão lhe fazer confidências.</p>
<p>Muitos  se queixam da falta de amigos, mas poucos se preocupam em realizar em  si as qualidades próprias para conquistar amigos e conservá-los.</p>
<p>Se  você quiser ser agradável às pessoas, fale a elas daquilo que lhes  interessa e não daquilo que interessa a você. A amizade é alimentada  pelo diálogo; que é uma troca de ideias em busca da verdade. Muito  diferente da discussão, que é uma luta entre dois, na qual cada um  defende a sua opinião.</p>
<p>A verdadeira amizade não pode ser alimentada pela discussão, somente pelo diálogo.</p>
<p><strong>Em  vez de demonstrar exaustivamente que o amigo está errado, ajude-o a  descobrir a verdade por si mesmo; isso é muito mais nobre e pedagógico.</strong></p>
<p>Se você quiser agir sobre seu amigo, de verdade, para que ele mude, comece por amá-lo sincera e desinteressadamente.<br />
A  amizade também exige que se corrija o amigo que erra; mas devemos  censurar os amigos na intimidade; e elogiá-los em público. Nada é tão  nocivo a uma amizade como a crítica ao amigo na frente de outras  pessoas; isso humilha e destrói a confiança. Nunca desista de ajudar o  amigo a vencer uma batalha; não há  nem haverá alguém que tenha caído  tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso  socorro.</p>
<p>Uma amizade só é verdadeira e duradoura se é baseada na  fidelidade. Cuidado, pois, para magoar alguém são necessários um  inimigo e um amigo: o inimigo para caluniar e um “amigo” para transmitir  a calúnia.</p>
<p><em>(Trecho extraído do livro &#8220;Para ser feliz&#8221;)</em></p>
<p><img src="http://cancaonova.com/portal/canais/formacao/images/colunistas/9.jpg" alt="Foto " /></p>
<p><strong>Felipe Aquino</strong><br />
felipeaquino@cancaonova.com</p>
<p>Prof.  Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro  do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de  aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e  apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: &#8220;Escola da Fé&#8221; e  &#8220;Trocando Idéias&#8221;. Saiba mais em <a href="../../felipeaquino/" target="_blank"><strong>Blog do Professor Felipe</strong></a> Site do autor: <em>www.cleofas.com.br</em></p>
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		<title>Catequese de Bento XVI sobre a JMJ 2011</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 15:37:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Catequeses de Bento XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Jovens]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos irmãos e irmãs, Hoje gostaria de dedicar um breve pensamento de coração sobre os extraordinários dias passados em Madri, na 26ª Jornada Mundial da Juventude. Vocês sabem, foi um evento eclesial emocionante; cerca de dois milhões de jovens de todos os continentes viveram, com alegria, uma formidável experiência de fraternidade, de encontro com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos irmãos e irmãs,</p>
<p>Hoje gostaria de dedicar um breve pensamento de coração sobre os extraordinários dias passados em Madri, na 26ª Jornada Mundial da Juventude. Vocês sabem, foi um evento eclesial emocionante; cerca de dois milhões de jovens de todos os continentes viveram, com alegria, uma formidável experiência de fraternidade, de encontro com o Senhor, de partilha e de crescimento na fé: uma verdadeira cascata de luz.</p>
<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/283202.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/283202.jpg" alt="" width="286" height="320" class="alignleft size-full wp-image-3838" /></a>Agradeço a Deus por este dom precioso, que dá esperança para o futuro da Igreja: jovens com o firme e sincero desejo de enraizar suas vidas em Cristo, permanecer firmes na fé, caminhar juntos na Igreja.</p>
<p>Um obrigado a todos aqueles que trabalharam generosamente por esta Jornada: o Cardeal Arcebispo de Madri, seus Auxiliares, os outros bispos da Espanha e de outras partes do mundo, o Pontifício Conselho para os Leigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos&#8230; Renovo meu reconhecimento às Autoridades espanholas, às instituições e associações, aos voluntários e àqueles que oferecerem seu apoio na oração. Não posso esquecer a calorosa recepção que recebi de suas Majestades, os Reis da Espanha, como de todo o país.</p>
<p>Em poucas palavras naturalmente não posso descrever os momentos tão intensos que vivemos. Tenho em mente o entusiasmo irreprimível com o qual os jovens me receberam, no primeiro dia, na Praça de Cibeles, suas palavras cheias de expectativas, o forte desejo de se orientarem sobre a verdade mais profunda e de radicar-se nela, aquela verdade que Deus nos deu de conhecer em Cristo.</p>
<p>No imponente Monteiro de El Escorial, rico de história, espiritualidade e cultura, encontrei as jovens religiosas e os jovens docentes universitários. Primeiro, às jovens religiosas, recordei a beleza da vocação delas, vivida com fé, e a importância do serviço apostólico delas e seu testemunho profético. E permanece em mim a impressão do entusiasmo delas, de uma fé jovem, cheia de coragem em relação ao futuro, de vontade de servir assim a humanidade.</p>
<p>Aos professores recordei de ser verdadeiros formadores das novas gerações, guinado-se na busca da verdade não só com as palavras, mas também com a vida, cientes de que a verdade é o próprio Cristo. Encontrando Cristo, encontramos a verdade.</p>
<p>A noite, na celebração da Via Sacra, uma multidão variada de jovens reviveu com intensa participação as cenas da paixão e morte de Cristo: a cruz de Cristo dá muito mais do que o que é necessário, dá tudo, porque nos leva a Deus.</p>
<p>O dia seguinte, a Santa Missa na Catedral da Almudena, em Madri, com os seminaristas: os jovens que querem enraizar-se em Cristo para tornarem-se depois Seus ministros. Espero que cresçam as vocações ao sacerdócio!</p>
<p>Entre os presentes haviam alguns que tinham ouvido o chamado do Senhor justamente nas Jornadas da Juventude anteriores; estou certo que, também em Madri, o Senhor bateu às portas dos corações de muitos jovens para que o sigam com generosidade no ministério sacerdotal ou na vida religiosa.</p>
<p>A visita a um centro para jovens com diversas deficiências físicas me fez ver o grande respeito e amor que se nutre para cada pessoa e me deu a ocasião de agradecer aos milhares de voluntários que testemunham silenciosamente o Evangelho da caridade e da vida.</p>
<p>A Vigília de Oração, a noite, e a grande Celebração Eucarística conclusiva, no dia depois, foram dois momentos muito intensos: a noite uma multidão de jovens em festa, nada intimidados pela chuva e pelo vento, permaneceu em adoração silenciosa a Cristo presente na Eucaristia, para louvá-lo, agradecê-lo, pedir a ele ajuda e luz. E depois, no domingo, os jovens manifestaram a exuberância e a alegria de celebrar o Senhor na Palavra e na Eucaristia, para juntos sempre mais a Ele, reforçar sua fé e a vida cristã.</p>
<p>Num clima de entusiasmo encontrei os voluntários e os agradeci pela generosidade deles. E, na cerimônia de despedida, deixei o país levando no coração aqueles dias como um grande dom.</p>
<p>Queridos amigos, o encontro de Madri foi uma estupenda manifestação de fé para a Espanha e para o mundo antes de tudo. Para a multidão de jovens, provenientes de cada ângulo da Terra, foi uma ocasião especial para refletir, dialogar, trocar experiências positivas e, sobretudo, rezar junto e renovar o empenho de radicar a própria vida em Cristo, Amigo fiel.</p>
<p>Estou certo que eles retornaram a suas casas e retornam com o firme propósito de ser fermento na massa, levando a esperança que nasce da fé. Da minha parte, continuo a acompanhá-los com a oração, para que permaneçam fiéis aos empenhos assumidos. À materna intercessão de Maria, confio os frutos desta Jornada.</p>
<p>E agora quero anunciar os temas das próximas Jornadas Mundias da Juventude. Aquela do próximo ano, que se desenvolverá nas dioceses, terá como tema: “Alegrai-vos sempre no Senhor!”, da Carta aos Filipenses (4,4); enquanto na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, o tema será o mandamento de Jesus: &#8220;Ide e fazei discípulos todos os povo!” (cfr Mt 28,19). Desde já, confio às orações de todos para a preparação destes encontros muito importantes. Obrigado</p>
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		<title>Quais são os fatores que deixam os agentes de pastorais da juventude mais ou menos zelantes em propor a mensagem evangélica?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 14:02:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jovens]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro desafio é a linguagem, no sentido mais amplo da comunicação. Geralmente, a preparação de sacerdotes e religiosos, homens e mulheres, é dominada por categorias filosóficas e teológicas, resultando numa peculiar forma de pensamento e numa linguagem especifica, que configura uma comunicação inadequada ou limitada. Muitas vezes, os jovens não entendem esta linguagem. Eles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/IMG_7499.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/IMG_7499-400x266.jpg" alt="" width="400" height="266" class="alignleft size-medium wp-image-3833" /></a>O primeiro desafio é a linguagem, no sentido mais amplo da comunicação. Geralmente, a preparação de sacerdotes e religiosos, homens e mulheres, é dominada por categorias filosóficas e teológicas, resultando numa peculiar forma de pensamento e numa linguagem especifica, que configura uma comunicação inadequada ou limitada. Muitas vezes, os jovens não entendem esta linguagem. Eles têm outra linguagem, outros conceitos. Se não nos comunicarmos com os jovens na linguagem deles, não é possível de transmitir a fé.<br />
 Temos que ser capazes de compreender e falar a linguagem dos jovens para poder transmitir a fé, estar em contato, acolher os jovens onde estão. Habermas diz que a linguagem cria realidade. Através da realidade, criamos o mundo. Isso não acontece se não estivermos próximos deles.</p>
<p>A DIMENSÃO DO “EU”, DESAFIO DA COMUNIDADE ECLESIAL</p>
<p>Uma caracterização da modernidade é a nova consciência do papel ativo que a pessoa tem no mundo, tanto a nível social como individual. Esta conscientização afetou profundamente o sistema de valores individuais e sociais, indicando um processo de mudança. À privatização da vida, opomos nossa crença no valor da comunidade. Isso nos dá, por vezes, a sensação de andarmos contra a corrente. O mesmo vale com relação ao imediatismo É uma crise da religiosidade. Por isso, algumas considerações:</p>
<p>a)	A crise religiosa se inscreve no marco de uma crise mais ampla<br />
Podemos dizer que não é um caso particular de um fenômeno, mas algo mais amplo que se difundiu entre as pessoas a partir da segunda metade do século XX. Neste contexto coloca-se a crise da comunicação e do diálogo entre as gerações. Necessitamos, urgentemente, uma renovação geracional no clero. Há um superenvelhecimento do clero e das Congregações Religiosas. Muitos sacerdotes e religiosos, mesmo jovens, não querem trabalhar com a juventude. </p>
<p>Amplas zonas da vida humana que, antes, se percebiam fixos, agora aparecem como motivos de escolha. Isso afeta a religião. Além disso, a ordem social já não está tão evidente nem tão intocável. A fundamentalidade da religião para o funcionamento da sociedade não é mais tão evidente. É uma crise hierárquica das instituições. Já não existem funções estabelecidas. Tanto o individuo quanto a sociedade, devem enfrentar alternativas, obrigados a realizar escolhas. O mercado oferece aos jovens muitas possibilidades. Nós oferecemos outras; o neopentecostalismo outras; a política outras. Os jovens têm que decidir. A religião católica deixou de ser a religião hegemônica nas nossas sociedades. Muitos jovens se confessam cristãos, mas “à minha maneira”. “Deixem-me tranqüilo; sou cristão como quero, quando quero. Tenho filhos, educo os filhos como eu quero” </p>
<p>b)	 Dissociação entre socialização cultural e socialização religiosa<br />
A socialização realizou-se eliminando a conexão estreita de interdependência entre sociedade-cultura e religião-igreja, de modo que o processo de socialização sucede à margem da religião e da influência da Igreja. As gerações jovens realizam o processo de se incorporar à sociedade e de se apropriar da cultura sem contacto algum com a religião. Ela não faz parte do conteúdo em que se socializam nem intervém no processo de socialização. </p>
<p>c)	Crise da autoridade tradicional<br />
A memória coletiva caiu em desuso e, com ela, seu caráter normativo para o presente. Essa memória era a base para a transmissão e celebração da fé. Com isso o imaginário coletivo comum das pessoas, em nossos países, tem sempre menos conteúdo religioso. Frente à autoridade da instituição, ergueu-se a autoridade da ilustração convidando o individuo a pensar por si mesmo. A ruptura da cultura tradicional, fortemente impregnada de religiosidade, levou ao desaparecimento da evidência de continuidade e à desplausibilidade da autoridade da tradição e da memória. Contudo, a perda da autoridade da memória deverá ser substituída por outra autoridade. </p>
<p>d)	Configuração sem regras da própria crença<br />
O quarto fator direcional foi a modernidade psicológica ou o movimento acerca do predomínio da autonomia do individuo, da importância da própria realização e do desenvolvimento pessoal, frente às pretensões das autoridades, princípios e instituições. “Se o mercado tem outras ofertas interessantes, aceito-as”. O mercado está veiculando um sem-numero de crenças e místicas orientais, oferecendo-os como produto de mercado. Os jovens entram, provam, tentam, como quem consome um prato de comida, uma roupa, uma distração. Este princípio desregula as crenças e práticas e configura o indivíduo como principal gestor de suas crenças, de modo que sua vida religiosa passa a caracterizar-se como algo nascido da livre escolha do sujeito que toma de diferentes tradições, mas não pertence a nenhuma delas.</p>
<p>A SECULARIZAÇÃO, DESAFIO DA INICIAÇÃO CRISTÃ</p>
<p>Muito foi dito sobre a secularização e sua implicância sobre uma nova ética secularizada, que reforça a idéia de progresso, a partir de onde haverá de partir o caminho que conduzirá à realização de uma humanidade melhor. </p>
<p>a)	A antropologia secularizada<br />
Esta é uma das maiores mudanças para a pastoral. Não se trata de que o homem viva e  trabalhe em contextos ou ambientes amplamente secularizados, mas que pense e aceite sua existência em termos intramundanos, puramente históricos ou ateus. Não necessitamos mais da experiência e da existência de Deus para existir. Desde que começou a época moderna iniciou-se uma antropologia que nada tem a ver com a antropologia medieval precedente, que se caracterizava:</p>
<p>a)	por uma visão verticalizada do ser humano, sempre orientada para o mais alto;<br />
b)	pela idéia de uma graça que projetava a existência terrena para a vida eterna;<br />
c)	pela verdade da fé, regra suprema da vida.</p>
<p>b)	A religião neste mundo secularizado<br />
Mudou a situação da religião. Parece que, definitivamente, terminou a época da religião do Estado. A religião pertence, juridicamente, ao terreno do privado. Esta privacidade se refere particularmente a três aspectos:</p>
<p>•	Queda do poder político das igrejas.<br />
•	O privado como espaço de liberdade religiosa. Pela primeira vez na história da humanidade, o privado se subtraiu à invasão do poder político. E mais: o Estado o considera como um grande valor a defender.<br />
•	A propriedade privada articula todo o direito. Não se deve estanhar, por isso, que muitos cristãos hajam transferido esta apreciação e valorização do privado, também em sua relação com a Igreja institucional e seus ensinamentos no campo dogmático, moral ou social. Hoje, o vinculo social se encontra no “consenso”. </p>
<p>c)	Permanência da religião na cultura secularizada<br />
Este é o terceiro aspecto da mudança relacional entre Estado e Igreja: a religião já não constitui o vínculo social. A religião e os símbolos religiosos já não são o cimento da sociedade, nem a inspiração principal. Durante algum tempo via-se a secularização associada à tese da progressiva desaparição da religião da sociedade e da vida das pessoas. É a tese do positivismo, do marxismo, e da teologia da morte de Deus.</p>
<p> d) A questão do sagrado<br />
1) Ocaso do sagrado x permanência do sagrado. Atualmente parece inegável que um amplo espaço do sacro e da sacralidade haja desaparecido definitivamente. Mas isto não quer dizer que a cultura moderna tenda a ser uma sociedade sem religião, tampouco que esta estaria prestes a desaparecer totalmente.</p>
<p>2) O sagrado como contracultura. As atuais formas do sagrado que emergem no âmbito do privado assumem, geralmente, a forma de uma contracultura, expressão de um profundo desgosto frente à exagerada racionalização da cultura moderna. Precisamente por este motivo, o sagrado se apresenta no contexto do irracional. Hervieu-Léger distingue quatro direções nas quais se expressam os novos movimentos religiosos:</p>
<p>	Evangelismo, fundamentalismo e neopentecostalismo no cristianismo;<br />
	Crescente atração das religiões orientais;<br />
	Uma miríade de grupos e movimento que perseguem a expansão do potencial humano (mistura de psicologia e elementos de misticismo oriental, mas interpretados de modo arbitrário);<br />
	As seitas autoritárias em torno de lideres carismáticos com um poder quase ilimitado sobre seus seguidores. </p>
<p>3) Diferenciação entre sagrado, religião e fé cristã. O problema não é teórico nem engloba somente o significado destes termos, mas tem direta relação com a pastoral e a catequese. Tem que se distinguir duas rupturas que podem acontecer: uma, entre religião e pertença a uma igreja ou agrupamento religioso; outra, entre religião e fé crista.</p>
<p>d)	Relação dos cristãos com o cristianismo<br />
Sempre existiu certo pluralismo no cristianismo. Hoje, contudo, existe um pluralismo dentro do mundo cristão que é totalmente diferente do pluralismo tradicional de acentuações entre fé e vida cristã ou de espiritualidade. </p>
<p>1)	Um cristianismo seletivo<br />
 Muitos cristãos selecionam partes da doutrina ou da moral, aceitando somente alguns aspectos e distanciando-se de outros. É uma espécie de supermercado cristão, onde cada um escolhe o menu.</p>
<p>2)	A distância frente à moral oficial<br />
Em geral se aceita, e até se deseja, que a Igreja intervenha no mundo da moral social e internacional. O problema se coloca quando toca a moral individual e, mais concretamente, a moral sexual.</p>
<p>3) Abandono da Missa e dos sacramentos. Há poucos anos atrás se considerava a freqüente participação na missa e a prática da confissão e da comunhão, bem como a substancial observação da moral, um critério primário da pertença à igreja. Hoje não é mais assim. As pessoas, mesmo que “não pratiquem”, continuam considerando-se e se professando cristãos. Não se pode dizer que não sejam cristãos.  O problema é até quando eles poderão conservar a fé. Lamentavelmente, para muitos deles é já o primeiro passo decisivo no caminho da descristianização. </p>
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		<title>Quais são os desafios que a situação juvenil territorial põe aos evangelizadores?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Aug 2011 13:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jovens]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo globalizado e neoliberal influi no modo de ser, pensar e se comportar dos jovens na sociedade. Cada sociedade constitui o jovem à sua própria imagem. Aprofundar o contexto da atual cultura Pós-Moderna em que os jovens se encontram é uma tarefa que permite verificar, identificar e entender como essa realidade interfere no momento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/IMG_0438.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/08/IMG_0438-400x298.jpg" alt="" width="400" height="298" class="alignleft size-medium wp-image-3830" /></a>O mundo globalizado e neoliberal influi no modo de ser, pensar e se comportar dos jovens na sociedade. Cada sociedade constitui o jovem à sua própria imagem. Aprofundar o contexto da atual cultura Pós-Moderna em que os jovens se encontram é uma tarefa que permite verificar, identificar e entender como essa realidade interfere no momento em que os jovens estão vivendo, além de permitir visualizar as crises e opções que os inquietam e provocam.<br />
A globalização é um fator que não pode ficar fora dessa consideração, pois a juventude, em seu tempo de construção de referenciais, está mais aberta às propostas de visualização e acesso a um mundo mais amplo, sem fronteiras. Os símbolos apresentados pela expansão global se tornam facilmente assimiláveis pela juventude. O desafio é entender como a cultura deste momento de evolução tecnológica atua nas expressões juvenis? Quais são os seus conteúdos? Como esta categoria é visualizada pela sociedade, na comunicação etc.<br />
Uma questão que se apresenta é a de diferenciar o que é próprio deste período etário juvenil e o que é fruto da atual sociedade. Especula-se que a juventude é uma presa fácil do mundo Pós-Moderno, e que estaria mais vulnerável às conseqüências destas transformações. O desafio é entender a cultura dentro deste momento de evolução tecnológica em que tudo tem um conteúdo visual e sonoro e que trafega por veículos e meios rápidos e que se tornam globais, impondo um mesmo padrão cultural e uma mesma matriz a todos. </p>
<p>•	A comunicação atual e seus efeitos sobre a juventude<br />
O mundo atual é o tempo da comunicação e da informação. A realidade se apresenta como a era da informática, da civilização eletrônica, da imagem, do mundo da comunicação por vias virtuais. Essa nova era leva a juventude a construir seu imaginário dentro da cultura da imagem. Essas imagens são firmadas através de ícones e símbolos que se tornam mais expressivos a cada descoberta feita e desejada.<br />
Esse padrão de consumo apresentado pela comunicação tem influência direta sobre a vida de todos, sobretudo da juventude. Os novos símbolos interferem na realidade em que os jovens se organizam e agem. As realidades, além de mais complexas, estão justapostas entre os fatos, as notícias, as particularidades e a fragmentação da sociedade. O mundo global coloca, através da Internet e suas redes de comunicação, uma infinidade de misturas de culturas, linguagens, códigos de comunicações e relações.<br />
O mundo Pós-Moderno atua na cultura inculcando nos indivíduos que o importante para a comunicação é a pessoa se preocupar com sua imagem, aparecer e estar permanentemente preocupada com a sua autoconstrução. Esse modo de pensar e agir estão organizados e pensados para o individuo e, em especial, para o mundo juvenil. A mesma cultura de massa e de tecnologia não consegue garantir a todos o acesso ao saber, à cultura, ao lazer e ao desporto, pois a influência neoliberal prega um Estado mínimo, controlado pelo mercado. Sem contar que nesta mesma perspectiva a influência neoliberal prega um Estado mínimo que faz com que este se ausente de seu papel de garantir os direitos básicos da população no que se refere aos serviços de segurança, saúde, transporte, lazer, educação, apresentando-se cada vez mais precários, insuficientes e mal distribuídos.<br />
Os jovens de hoje nascem na cultura da imagem e do desaparecimento da palavra. O mundo da Pós-Modernidade se baseia na especialização progressiva, do conhecimento da subjetividade. Criam-se novos padrões de transformação social, aparecem novas agências de publicidade, produzindo uma nova religião, pronta para impor um sentir e um desejar. Essa nova contextualização impõe aos jovens novos padrões de consumo, de maneiras de se perceber e desejar.<br />
Seriam, então, os jovens o objeto direto do desejo do mercado em busca de consumidores? É preciso lembrar que os seres humanos têm necessidades e desejos naturais referentes a objetos que lhes são exteriores: alimento, bebida, habitação e, acima de tudo, a conservação do corpo. O desejo do homem é ser reconhecido, como um ser com certo valor e dignidade. A sociedade representa o que alguns pensadores já disseram: “Penso, logo existo” (Descarte), “Desejo, logo existo” (Freud), “Consumo, logo existo” (neoliberalismo).<br />
Essa lógica reinante abre caminho para os meios de comunicação serem os agentes socializadores da juventude. Os meios de comunicação atuam de forma pedagógica. Utilizam-se, principalmente, da publicidade. A mídia moderna exerce uma função pedagógica de socializar indivíduos e transmitir-lhes códigos. A juventude se encanta e deseja essa comunicação veloz, desafiadora. A juventude se identifica com esse modelo de comunicação, pois foi educada por ela. Hoje, as crianças já nascem atraídas pela propaganda. Essa propaganda é subliminar e não visa convencer, mas seduzir. Apela para o inconsciente. Quer criar felicidade e hábitos de fidelidade forjando empatia, criando e comandando o desejo, o gosto. Atua com modelos de imitação. Utiliza-se do bom humor para ficar na memória. Fustiga o desejo e o olhar e causa uma insaciabilidade.<br />
Os jovens têm, no seu horizonte, o desafio da busca do que lhe é desconhecido e ausente e a possibilidade do consumo se torna, para ele, uma janela de oportunidade. O consumo nunca descansa. Sempre surgem novos objetos desejáveis. A juventude se constituiu em um dos grupos que mais se sentem aguçados com a espera dos lançamentos do cinema, da TV, da informática. Os jovens acreditam e esperam, porque se identificam, reconhecem-se nela e no desejo que a propaganda cria.<br />
Esse modelo de comunicação confunde os jovens, não lhes possibilitando diferenciar o que vem a ser desejo e o que são necessidades humanas. A mídia, aliada do mercado de consumo, desperta uma insatisfação que leva à exploração da vontade interna de ter o que o outro tem. Estimula a imitação de tudo que o outro possui. Causa o desejo mimético de ser o outro. Há quem diga que a comunicação educa para a mentalidade afirmativa – poder – superioridade; “eu narciso” num constante desejo de autoconstrução. Toda a sociedade e, em especial, os jovens, recebem a mensagem de que cada um dos seus membros tem a responsabilidade de se preocupar consigo mesmo (autocentramento).<br />
A juventude inculca em seu sistema de compreensão e interação com o mundo um conjunto de satisfações pessoais. Quando não o consegue, experimenta uma insegurança generalizada. Para prevenir e impedir essa insegurança, a sociedade provoca um deslocamento da confiança nas relações de proximidade e intimidade para a relação técnica. Como resultado, há juventudes menos conceituais, analíticas e organizadas.<br />
A cultura Pós-Moderna forja uma propaganda para que o indivíduo consuma o máximo possível. Nem todos os jovens, no entanto, conseguem ter acesso e condição de consumo como o mercado deseja. Cria-se, assim, nos jovens, uma ilusão de que tudo está à disposição de todos. Porém, pouquíssimos são aqueles que podem consumir tudo que ela propõe.  A cultura midiática vende o que a sociedade está disposta a aceitar. É por essas razões que a juventude não pode ser deixada de lado na análise da comunicação, pois, por sua própria natureza, ela busca a curiosidade como elemento para se construir e se identificar socialmente.</p>
<p>•	A cultura refletida sobre o corpo da juventude<br />
Na temática da cultura Pós-Moderna o corpo ganha lugar de destaque, pois é por natureza um instrumento de comunicação. A etapa da juventude é um momento em que o corpo está cheio de vigor com capacidade de se expressar socioculturalmente. Sobre o corpo recai uma mensagem de interlocução constante, tornando-se um instrumento de comunicação visual. O tempo da juventude é entendido como potencialidades. Este tempo reflete diretamente no corpo dos jovens. Com isso as pessoas adultas querem ter a vitalidade da juventude, desejam energia. Essa concepção de corpo juvenil está ligada à visão mecanicista de utilidade e capacidade. Ninguém quer ser velho ou incapaz. Hoje, tudo passa pela experiência, pela vivência dos sentidos e dos órgãos do corpo.<br />
Há diversos cenários para envolver a juventude no que se refere ao corpo. A sociedade moderna atua com a expectativa do estético. Investe no gosto da juventude, cria uma roupagem de modernidade e atua com propostas para esse corpo esteja em evidência. No campo afetivo, a paquera, o “ficar” e as relações acabam sendo temporárias e sem compromissos. São indicações de que as relações são articuladas na base do sentimento. Os modos e os meios de produção geram sujeitos carentes e sem compreensão de sexualidade e afetividade. São aspectos reforçados pela cultura e pelas relações sociais. A psicologia evolutiva produz cultura, ritmos, espaços e símbolos da indústria cultural adultocêntrica. O corpo é máquina – horizonte do desejo da construção da identidade. O corpo juvenil é o que marca o tempo para satisfação dos desejos e das possibilidades do imaginário.<br />
Os padrões de beleza masculinos e femininos têm influência sobre os jovens submetendo-se às filosofias estéticas que não condizem, em sua maioria, com a cultura a que pertencem. Poucas têm sido as oportunidades para que os jovens e as jovens tenham seus corpos como instrumento político para manifestarem sua insatisfação com as estruturas. O corpo não pode ser reduzido ao horizonte do objeto do prazer e do disciplinamento de atitudes. Quando o prazer se torna um horizonte a ser conquistado pelos jovens e a sociedade moderna e pós-moderna impõe a forma de alcançá-los, provoca uma confusão na visão da juventude, fazendo crer que o gozo eterno não se encontra no cotidiano das relações, das descobertas, dos namoros ou dos afetos. </p>
<p>•	O imediatismo nas socializações dos jovens e seus grupos<br />
Quando se fala em juventude como um período cheio de mudanças e decisões, é preciso entendê-la como um fenômeno social de uma determinada geração, que representa um tipo particular de identidade que está se construindo dentro do processo social ao qual ela pertence historicamente. Entender essa questão possibilita verificar se a juventude é realmente imediatista. Pois pode ser que essa inconstância ou pouca temporalidade seja resultado do contexto pós-moderno em que vive a sociedade e, assim, não seria uma só uma questão dos jovens mas de todas as pessoas.<br />
O pensamento de Fukuyama, afirma que esse mecanismo da provisoriedade e imediatismo, teria levado a humanidade ao “fim da história”. Com esse tipo de pensamento nasce na sociedade a idéia de que tudo é permitido. O que importa é viver aqui e agora. A sociedade, segundo ele,passaria sob duas lógicas: a lógica da ciência moderna que apresenta possibilidades e amplo horizonte de desejo, que atrai, cativa. Oferta-se a possibilidade de que todos podem buscar tudo que for sonhado. A outra lógica é a da luta por reconhecimento, que, segundo Fukuyama, é o motor atual que move a história. Na visão do autor é a lógica de reconhecimento que provoca no homem sentimentos de emoção, ira, desejo, orgulho, vergonha e auto-estima. Essas questões fazem com que as pessoas busquem agregar valor a tudo, razão e motivo de lutar para conquistar seus desejos, custe o que custar.<br />
Esse desejo de reconhecimento é um elemento do neoliberalismo. Tornou-se o motor da história e interfere na cultura, na religião, no trabalho, no nacionalismo e nas guerras. Esse tipo de lógica produz um lixo cultural, ofertado durante 24 horas por dia, para a juventude consumir e assimilar. Essa realidade de descarte e de fragmentação leva os jovens ao desencantamento com o mundo e gera uma devastação do espírito e de valores permanentes no momento em que sua identidade está se firmando.<br />
Vive-se um horizonte em que a aprendizagem passa pela revista ilustrada, pela propaganda, pelo slogan, pela insistência da iconografia da moda e pela cultura televisiva. Tudo passa pela experiência e pela vivência dos sentidos e dos órgãos do corpo. Os jovens, tempos atrás, diante de uma proposta, diziam “deixa-me pensar e depois decido”. Agora, diante das propostas dizem “deixa-me experimentar pra ver se vale a pena”. Experimentar indica ação, experiência, algo vivencial.<br />
Há que ser lembrado que é próprio da juventude o tempo da experimentação; só mais tarde vem a fase projetiva. Os teóricos da psicologia dizem que a etapa da juventude seria o tempo da moratória. Acontece que a cultura pós-moderna, neoliberal e globalizada provoca uma fragmentação, a provisoriedade ou o tempo da “experimentação”. Existe uma dificuldade das pessoas em se comprometerem com experiências, nas decisões, opção de vida e na entrega total. Os jovens processam essas velocidades da Pós-Modernidade e sua fragmentação. Sabem que nem todos têm acesso a essas mudanças. Eles são forçados a diferenciar constantemente o que é real, mágico, fantasioso.<br />
Além dos dados característicos, apresentados num contexto de Pós-Modernidade, diversos estudos do mundo urbano globalizado coincidem ao reconhecer traços comuns da cultura juvenil contemporânea. Esquematicamente, alguns aspectos dessa cultura, numa ótica mais psicológica, podem ser elencados da seguinte forma:<br />
•	Centralidade das emoções e relativização dos valores e das tradições. Funcionam escolhas de experiências sem critérios absolutos. Valoriza-se mais o flexível, o momentâneo; anseia-se gozar o momento presente, com poucas perspectivas para o futuro. Tem-se dificuldades com o silêncio interior.<br />
•	Uma geração de pouca leitura, de debilidade intelectual, uma geração de imagem, acostumada a estímulos constantes para manter sua atenção. Uma geração “zapping” com controle remoto na mão, mudando de canal em canal para encontrar novos estímulos.<br />
•	A não-crença em compromisso definitivo, nem na vida religiosa, nem na vida matrimonial. Tudo isso afasta e amedronta.<br />
•	Opção por relações interpessoais e horizontais. Preferência por relações democráticas, de tolerância horizontal e aberta. Os grupos de amigos são mais valorizados do que as relações familiares. Há uma rebeldia diante de instituições consideradas retrógradas e uma impaciência com autoridades despóticas. Percebe-se, também, o sentimento de pertença nas motivações e experiências horizontais e democráticas, menos segregação racial e situações preconceituosas e maior tolerância e sensibilidade a múltiplas formas de vida.<br />
•	 Fragmentação da identidade, isto é, maior confusão quanto à imagem de si mesmo. Os jovens buscam o anonimato e se distanciam de relações estáveis.<br />
•	Maior entrosamento entre os gêneros masculino e feminino. Encontram-se homens que vivenciam harmoniosamente traços da feminilidade e mulheres que entram no mercado da força de trabalho em crescente igualdade de condições. Por isso, maior aceitação do homossexualismo e do modelo unissex de vestuário.<br />
•	Enfoque da subjetividade. O jovem da Pós-Modernidade está centrado, quase unicamente, nos seus problemas e necessidades pessoais.<br />
•	Desinteresse pela macro-política e pelas grandes estruturas. Há uma maior inclinação diante das pequenas transformações de ideais culturais do que de grandes obras ou revoluções. Individualista (e não solidária), conservadora (e não progressista), alienada (e não engajada), apática (e não participativa).<br />
•	Preferência pelo sincretismo religioso e pelas formas religiosas ecumênicas. Significa maior liberdade de expressão e dificuldade em viver vinculado a valores institucionais, a uma estrutura de paróquia e à figura de autoridade. Há uma volta ao sagrado, mas um sagrado mais privado, mais light, menos exigente.<br />
•	Tendência ao hedonismo e vulnerabilidade psicológica. Significa dificuldade de elaboração de momentos de frustração, do tempo de espera, das angústias, e opção preferencial pelo prazer e pela felicidade, entretenimento e consumo imediato. Não se questiona a sociedade de consumo. Frente aos desafios e obstáculos que a vida coloca no caminho, a tendência é desistir. Busca-se imperativamente a felicidade. “Um sujeito solto, sem rumo, arrastado pelos neurolépticos, pelo consumo metonímico, pela imagem narcisista, pelo massacre da mídia, pela velocidade do tempo urbano e pela religião espetáculo&#8230;” (Pereira, 2004).<br />
•	Papel dos adultos. Para Maria Rita Kehl, a vaga do adulto, em nossa cultura, está desocupada. (“Juventude e Sociedade do Projeto Juventude” &#8211; Instituto Cidadania. Organizado por Regina Novaes e Paulo Vannuchi). Outros teóricos dizem que a cadeira está ocupada por um adulto diferente, ainda não decifrado.<br />
•	Ausência dos pais. Os jovens externam a percepção de que os pais estão ausentes e alguns já sinalizam que as coisas poderiam melhorar na estrutura familiar, porque os papéis não estão sendo devidamente assumidos ou a liberdade anda excessiva, ou o tempo de convivência está ficando cada vez mais restrito.<br />
Este perfil da juventude contemporânea pode aparecer muito negativo. Porém, não estamos falando de toda a juventude. Há jovens que são diferentes do retrato descrito. Estamos falando das grandes tendências. Não podemos cair na tentação de nostalgia, de que as gerações anteriores eram melhores. Cada geração tem suas luzes e sombras. Esta geração não é pior ou melhor do que outras gerações. É diferente. E o processo de evangelização, a metodologia, os enfoques, o ponto de partida e o sistema de acompanhamento têm que levar isso em conta para não ficar encalhado na estrada de uma história que não espera. Assessores que trabalham com a juventude contemporânea dão testemunho que a juventude de hoje é tão idealista e generosa como antes. Basta saber trabalhar com ela. A questão é a metodologia de trabalho e a paciência para acompanhar os processos de educação na fé. O processo leva mais tempo e exige um investimento maior.</p>
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		<title>Para que um encontro mundial da juventude?</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jul 2011 13:27:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jovens]]></category>

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		<description><![CDATA[“Caros jovens, a Igreja conta com vocês! A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce a faz deslanchar. Por isto, as Jornadas Mundiais da Juventude é uma graça não apenas para vocês, mas para todo o povo de Deus. A Igreja da Espanha esta se preparando ativamente para acolher cada um de vocês e viver em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/07/jmj2011.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/07/jmj2011.jpg" alt="" width="500" height="347" class="alignleft size-full wp-image-3824" /></a>“Caros jovens, a Igreja conta com vocês! A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce a faz deslanchar. Por isto, as Jornadas Mundiais da Juventude é uma graça não apenas para vocês, mas para todo o povo de Deus. A Igreja da Espanha esta se preparando ativamente para acolher cada um de vocês e viver em comunhão a feliz experiência da fé”.<br />
São estas palavras de Bento XVI aos jovens do mundo inteiro, que estamos também nós nos preparando para viver mais esta Jornada Mundial da Juventude, que este ano será em Madri dos dias 16 a 21 de agosto deste ano, com o tema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (Cl 2,7). Este ano o próprio tema nos permite exaltar a presença central da figura de Jesus na vivência de fé de cada jovem cristão. De fato somente fixando o olhar sobre Jesus e seguindo seus passos, se consegue a inspiração e a força para fazer-se testemunha da própria fé na complexidade da nossa sociedade contemporânea.<br />
Mas por que um encontro mundial de jovens? Qual o sentido para toda esta preparação? Existe realmente algum resultado nisso?<br />
Desde 1984, quando se teve em Roma, a primeira jornada mundial da juventude, querida pelo então Papa João Paulo II, até a última em 2008, com Bento XVI, estes encontros são marcados por profundos encontros de fé viva e vivada pelos jovens do mundo inteiro, que se reúnem em torno do Sucessor de São Pedro, para um dialogo de fé entendido e falado na linguagem jovem. Jovens estes, que brilham, não com coisas superficiais que passam, mas, porque em Cristo, são luz do mundo. Esta é a intenção de cada JMJ, “recarregar as lâmpadas de cada jovem, para cada jovem iluminado por Cristo, iluminar o mundo”.<br />
Jovem evangeliza outro jovem, porque fala a mesma língua, gosta de desafios, se sente motivado a viver perigosamente. Um jovem que vive uma experiência de ver milhares de outros jovens, profetizando a mesma fé, terá a coragem de dizer, que no mundo, não se está sozinho, pois milhares de outros jovens vivem as mesmas coisas que todo jovem vive, de maneira diferente, por ter Cristo nos seus corações e nas suas escolhas. Qual outro sentido teria um encontro mundial de jovens, se não fosse levar estes jovens a um encontro com Cristo, e um encontro com outros jovens?<br />
Estes encontros não teriam sentido, se não desafiassem cada jovem – do mundo globalizado, do mundo cibernético, do mundo das modas – a viver a santidade de cada dia. A santidade não é algo que ficou na antiguidade da vida da Igreja, nem mesmo apenas para padres ou freiras. A santidade é uma vocação, que todos e cada um têm como apelo a viver, na realidade concreta do dia-a-dia. Seja na escola, na faculdade, no grupo de amigos, no trabalho, em casa, na família, com jovens que não conhecem a Deus, a santidade é para todos, é possível a todos, é compromisso de todos. E este compromisso só terá sentido, se antes cada um de nós formos interpelados por um Amor tão grande, que é capaz de reunir milhares e milhares de jovens em algum lugar do mundo (este ano em Madri) para dizer pessoalmente a cada um, é possível viver hoje a santidade. Hoje porque o amanha a Deus pertence, e o ontem já passou.<br />
Este é o sentido do nos preparar e preparar bem para vivermos de perto ou de longe a Jornada Mundial da Juventude, “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”.<br />
Deus te abençoe e te faça viver a cada dia o apelo de Deus à santidade. </p>
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		<title>Diante das Filosofias do Pluralismo Religioso e do Pragmatismo Religioso, quais as ameaças e desafios à doutrina do Espírito Santo?</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jul 2011 03:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pneumatologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Um outro desafio de imensas proporções vem de dessas filosofias características do período pós-moderno em que vivemos. A primeira delas é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um outro desafio de imensas proporções vem de dessas filosofias características do período pós-moderno em que vivemos. <a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/espirito-santo2.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/espirito-santo2-400x338.jpg" alt="" width="400" height="338" class="alignleft size-medium wp-image-3815" /></a>A primeira delas é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas definitivamente já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele defende o relacionamento de pessoas com ideologias diferentes, sem que uma tenha de sujeitar suas convicções ao domínio da outra. A idéia de converter alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreta. A chave está na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar que se está certo ou errado.<br />
O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da &#8220;arrogância&#8221; teológica do cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e exalta a experiência religiosa individual como critério último para cada um. O pluralismo religioso defende uma nova teoria missiológica, onde não mais se prega a necessidade de conversão de outras religiões ao cristianismo, e sim a cooperação entre todas as religiões, naquilo que têm em comum. O pressuposto é que o cristianismo não é o único caminho para Deus, embora seja o melhor, e que Deus está agindo salvadoramente no âmbito de outras religiões, como as religiões orientais.<br />
A outra filosofia é o pragmatismo. Seu popularizador, o psicólogo americano William James, afirmou que idéias humanas eram verdadeiras se funcionassem ou fossem úteis para resolver problemas. Já que o funcionamento e utilidade das idéias variam de contexto para contexto, segue-se que a verdade é relativa. O pragmatismo dominou rapidamente a cultura americana e estendeu-se para além das suas fronteiras. Adotar as coisas que realmente preservam a paz individual e uma situação financeira confortável, sem qualquer preocupação com princípios fixos de certo ou errado é evidentemente a idéia que controla procedimentos internacionais, domésticos e individuais. Princípios absolutos têm pouco ou nenhum lugar no pensamento ocidental moderno.<br />
Não devemos, portanto, pensar que o pragmatismo é um fenômeno ocidental. Seu princípio fundamental é inerente ao coração humano. Uma das quatro premissas básicas do substrato filosófico e religioso da Ásia, por exemplo, pode ser resumida neste parágrafo: &#8220;É direito de cada pessoa religiosa aceitar e praticar qualquer maneira de viver que achar útil ao seu modo de pensar e às suas circunstâncias sociais peculiares&#8221;.<br />
O pluralismo e o pragmatismo andam geralmente de mãos dadas. Onde o conceito de verdade absoluta deixa de existir (pluralismo), as pessoas e as organizações passam a orientar as suas decisões em termos daquilo que mais satisfaz as suas necessidades (pragmatismo). A combinação destas duas filosofias aparece claramente em vários movimentos presentes nas igrejas cristãs, e representam um novo desafio ao cristianismo em geral. A pergunta que as pessoas fazem com relação ao cristianismo não é se ele é a verdade ou não, mas simplesmente se funciona. Elas querem saber se vai mudar a vida delas para melhor, se Cristo realmente é poderoso para transformá-las, e pode dar-lhes paz, alegria, esperança e propósito às suas existências.</p>
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		<title>Qual a relação do Espírito Santo no mistério pascal de Cristo?</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Jun 2011 03:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pneumatologia]]></category>
		<category><![CDATA[Respostas Dogmáticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda a vida de Cristo se desenvolveu no Espírito Santo. São Basílio afirma que o Espírito Lhe foi “companheiro inseparável em tudo” (De Spir. S. 16) e oferece-nos esta admirável síntese da história de Cristo: “Vinda de Cristo: o Espírito Santo precede; encarnação: o Espírito Santo está presente; ações milagrosas, graças e curas; através do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/JESUS-E-O-ESPIRITO-SANTO.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/JESUS-E-O-ESPIRITO-SANTO.jpg" alt="" width="400" height="300" class="alignleft size-full wp-image-3812" /></a>Toda a vida de Cristo se desenvolveu no Espírito Santo. São Basílio afirma que o Espírito Lhe foi “companheiro inseparável em tudo” (De Spir. S. 16) e oferece-nos esta admirável síntese da história de Cristo: “Vinda de Cristo: o Espírito Santo precede; encarnação: o Espírito Santo está presente; ações milagrosas, graças e curas; através do Espírito; os demônios expulsos, o diabo aprisionado: mediante o Espírito Santo; remissão dos pecados, união com Deus: mediante o Espírito Santo; ressurreição dos mortos: por virtude do Espírito Santo” (Ibid. 19). Depois de meditarmos sobre o batismo de Jesus e a Sua missão realizada no poder do Espírito, queremos agora refletir acerca da revelação do Espírito na “hora” suprema de Jesus, a hora da Sua morte e ressurreição.<br />
A presença do Espírito Santo no momento da morte de Jesus deve-se supor já pelo simples fato que na cruz morre, na sua natureza humana, o Filho de Deus. Se “unus de Trinitate passus est” (DS, 401), isto é “se aquele que sofreu é uma Pessoa da Trindade”, na Sua paixão torna-se presente toda a Trindade, portanto também o Pai e o Espírito Santo. Devemos, porém, perguntar-nos: qual foi precisamente a participação do Espírito na hora suprema de Jesus? A esta pergunta só é possível responder se compreende o mistério da redenção como mistério de amor. O pecado, que é rebelião da criatura contra o Criador, interrompera o diálogo de amor entre Deus e os Seus filhos. Com a Encarnação do Filho Unigênito, Deus exprime à humanidade pecadora o Seu amor fiel e apaixonado, a ponto de Se tornar vulnerável em Jesus. O pecado, por sua parte, manifesta no Gólgota a sua natureza de “atentado contra Deus”, de maneira que todas as vezes que os homens voltam a pecar gravemente, como diz a carta aos Hebreus, “crucificam o Filho de Deus em si mesmos, expondo-O à ignomínia” (cf. 6,6). Ao entregar o seu Filho pelos nossos pecados, Deus revela-nos que o Seu desígnio de amor precede qualquer mérito nosso e supera abundantemente todas as nossas infidelidades. “Nisto consiste o [Seu] amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. (1 Jo 4,10).<br />
A paixão e morte de Jesus é um inefável mistério de amor, no qual estão envolvidas as três Pessoas divinas. O Pai tem a iniciativa absoluta e gratuita: Ele é o primeiro a amar e, ao entregar o Filho às nossas mãos homicidas, expõe o Seu bem mais querido. Como diz Paulo, Ele “não poupou o próprio Filho”, isto é, não O conservou para Si como um tesouro cioso, mas “entregou-O por todos nós” (Rm 8,32). O Filho compartilha plenamente o amor do Pai e o Seu projeto de salvação: “Entregou-Se a Si mesmo pelos nossos pecados&#8230; segundo a vontade de Deus, nosso Pai” (Gl 1,4). E o Espírito Santo? Assim como no íntimo da vida trinitária, também nesta circulação de amor, que se realiza entre o Pai e o Filho no mistério do Gólgota, o Espírito Santo é a Pessoa-Amor, para a qual converge o amor do Pai e do Filho. A carta aos Hebreus, desenvolvendo a imagem do sacrifício, declara de forma específica que Jesus Se ofereceu “com um Espírito eterno” (9,14). Na Encíclica Dominum et vivificantem mostrei que neste trecho “Espírito eterno” indica precisamente o Espírito Santo: assim como o fogo consumia as vítimas sacrificais dos antigos sacrifícios rituais, assim também “o Espírito Santo agiu de modo especial nesta auto-doação absoluta do Filho do homem, para transformar o sofrimento em amor redentor” (n. 40). “O Espírito Santo como Amor e Dom desce, em certo sentido, ao próprio coração do sacrifício que é oferecido na Cruz. Referindo-nos à tradição bíblica, podemos dizer: Ele consuma este sacrifício com o fogo do Amor, que une o Filho ao Pai na comunhão trinitária. E dado que o sacrifício da Cruz é um ato próprio de Cristo, também neste sacrifício Ele “recebe” o Espírito Santo” (Ibid.n. 41). Justamente na liturgia romana, o sacerdote reza antes da comunhão com estas significativas expressões: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que por vontade do Pai e por obra do Espírito Santo, morrendo deu a vida ao mundo&#8230;”.<br />
A história de Jesus não termina com a morte, mas abre´se à vida gloriosa da Páscoa. “Mediante a ressurreição dos mortos, Jesus Cristo, Nosso Senhor” foi “constituído Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santificação” (cf. Rm. 1,4). A ressurreição é o complemento da Encarnação e acontece também ela, como a geração do Filho no mundo, “por obra do Espírito Santo”, “Nós – afirma Paulo em Antioquia da Pisídia – estamos aqui para vos anunciar a Boa Nova de que a promessa feita a nossos pais, Deus a cumpriu em nosso benefício, para nós Seus filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no salmo segundo: “Tu és Meu Filho, Eu gerei-Te hoje” (At. 13,32). O Dom do Espírito que o Filho recebe em plenitude na manhã de Páscoa é por Ele efundido em superabundância na Igreja. Aos Seus discípulos reunidos no cenáculo, Jesus diz: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22) e comunica-O “como que através das feridas da Sua crucifixão: “mostrou-lhes as mãos e o lado”“. (Dom. et viv., 24). A missão salvífica de Jesus sintetiza-se e cumpre-se na comunicação do Espírito Santo aos homens, para os reconduzir ao Pai.<br />
Se a “obra-prima” do Espírito Santo é a Páscoa do Senhor Jesus, mistério de sofrimento e de glória, através do dom do Espírito é possível também aos discípulos de Cristo sofrer com amor e fazer da cruz a via para a luz: “per crucem ad lucem”. O Espírito do Filho dá-nos a graça de termos os mesmos sentimentos de Cristo e de amarmos como Ele amou, a ponto de oferecer a vida pelos irmãos: ”Ele deu a Sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos” (1 Jo 3,16). Ao comunicar-nos o seu Espírito, Cristo entra na nossa vida, para que cada um de nós possa dizer como Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Assim, toda a vida se torna uma Páscoa contínua, uma incessante passagem da morte para a vida, até à Páscoa derradeira, quando passaremos também nós, com Jesus e como Jesus, “deste mundo para o Pai” (Jo 13,1). Com efeito – afirma Santo Ireneu de Lião – “aqueles que receberam e trazem o Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho, e o Filho acolhe-os e apresenta-os ao Pai, e o Pai dá-lhes a incorruptibilidade”. (Demonstr. Ap., 7).</p>
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		<title>Catequese de Bento XVI &#8211; 22/06/2011</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Jun 2011 06:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Catequeses de Bento XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Bento XVI]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos irmãos e irmãs, nas precedentes Catequeses, detivemo-nos em algumas figuras do Antigo Testamento particularmente significativas para a nossa reflexão sobre a oração. Falei sobre Abraão, que intercede pelas cidades estrangeiras, sobre Jacó, que na luta noturna recebe a bênção, sobre Moisés, que invoca o perdão para o seu povo, e sobre Elias, que reza [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos irmãos e irmãs,</p>
<p>nas precedentes Catequeses, detivemo-nos em algumas figuras do Antigo Testamento particularmente significativas para a nossa reflexão sobre a oração. Falei sobre Abraão, que intercede pelas cidades estrangeiras, sobre Jacó, que na luta noturna recebe a bênção, sobre Moisés, que invoca o perdão para o seu povo, e sobre Elias, que reza pela conversão de Israel. Com a catequese de hoje, gostaria de iniciar um novo trecho do percurso: ao invés de comentar particulares episódios de personagens em oração, entraremos no &#8220;livro de oração&#8221; por excelência, o livro dos Salmos. Nas próximas catequeses, leremos e meditaremos alguns dos Salmos mais belos e mais queridos à tradição orante da Igreja. Hoje, gostaria de introduzi-los falando sobre o livro dos Salmos no seu conjunto.<a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/282296.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/282296.jpg" alt="" width="286" height="320" class="alignright size-full wp-image-3821" /></a></p>
<p>O Saltério apresenta-se como um &#8220;formulário&#8221; de orações, uma coleção de cento e cinquenta Salmos que a tradição bíblica dá ao povo de fiéis para que se torne a sua, a nossa oração, o nosso modo de dirigir-se a Deus e de relacionar-se com Ele. Nesse livro, encontra expressão toda a experiência humana com as suas múltiplas faces, e toda a gama dos sentimentos que acompanham a existência do homem. Nos Salmos, entrelaçam-se e expressam-se alegria e sofrimento, desejo de Deus e percepção da própria indignidade, felicidade e sentido de abandono, confiança em Deus e dolorosa solidão, plenitude de vida e medo de morrer. Toda a realidade do crente conflui naquelas orações, que o povo de Israel primeiro e a Igreja depois assumiram como mediação privilegiada da relação com o único Deus e resposta adequada ao seu revelar-se na história. Enquanto orações, os Salmos são manifestações da alma e da fé, em que todos se podem reconhecer e nas quais se comunica aquela experiência de particular proximidade com Deus à qual cada homem é chamado. E é toda a complexidade do existir humano que se concentra na complexidade das diversas formas literárias dos vários salmos: hinos, lamentações, súplicas individuais e coletivas, cantos de agradecimento, salmos penitenciais, salmos sapienciais, e outros gêneros que se podem encontrar nessas composições poéticas.</p>
<p>Não obstante essa multiplicidade expressiva, podem ser identificados dois grandes âmbitos que sintetizam a oração do Saltério: a súplica, unida ao lamento, e o louvor, duas dimensões correlatas e quase inseparáveis. Porque a súplica é animada pela certeza de que Deus responderá, e isso abre ao louvor e à ação de graças; e o louvor e o agradecimento brotam da experiência de uma salvação recebida, que supõe a necessidade de auxílio que a súplica expressa. Na súplica, o orante se lamenta e descreve a sua situação de angústia, de perigo, de desolação, ou, como nos Salmos penitenciais, confessa a culpa, o pecado, pedindo para ser perdoado. Ele expõe ao Senhor o seu estado de necessidade na confiança de ser escutado, e isso implica um reconhecimento de Deus como bom, desejoso do bem e &#8220;amante da vida&#8221; (cfr Sl 11,26), pronto a ajudar, salvar, perdoar. Assim, por exemplo, reza o Salmista no Salmo 31: &#8220;Junto de vós, Senhor, me refugio. Não seja eu confundido […] Vós me livrareis das ciladas que me armaram, porque sois minha defesa&#8221; (vv. 2.5). Já no lamento, portanto, pode emergir algo do louvor, que se prenuncia na esperança da intervenção divina e se faz, depois, explícita quando a salvação divina torna-se realidade. De modo análogo, nos Salmos de agradecimento e de louvor, fazendo memória do dom recebido ou contemplando a grandeza da misericórdia de Deus, reconhece-se também a própria pequenez e a necessidade de ser salvos, que está na base da súplica. Confessa-se assim a Deus a própria condição de criatura inevitavelmente marcada pela morte, ainda que portadora de um desejo radical de vida. Por isso o Salmista exclama, no Salmo 86: &#8220;De todo o coração eu vos louvarei, ó Senhor, meu Deus, e glorificarei o vosso nome eternamente. Porque vossa misericórdia foi grande para comigo, arrancastes minha alma das profundezas da região dos mortos&#8221; (vv. 12-13). Desse modo, na oração dos Salmos, súplica e louvor entrelaçam-se e fundem-se em um único canto que celebra a graça eterna do Senhor que se inclina sobre a nossa fragilidade.</p>
<p>Exatamente para permitir ao povo de fiéis unir-se a esse canto que o livro do Saltério foi dado a Israel e à igreja. Os Salmos, de fato, ensinam a rezar. Nesses, a Palavra de Deus torna-se palavra de oração – e são palavras do Salmista inspirado –, que se torna também palavra do orante que reza os Salmos. É essa a beleza e a particularidade desse livro bíblico: as orações nele contidas, diferentemente de outras orações que encontramos na Sagrada Escritura, não estão inseridas em uma trama narrativa que especifica o sentido e a função. Os Salmos são dados ao fiel propriamente como texto de oração, que tem como único fim aquele de se tornar a oração de quem os assume e com eles se dirige a Deus. Porque são palavras de Deus, quem reza os Salmos fala a Deus com as palavras mesmas que Deus nos deu, dirige-se a Ele com as palavras que Ele mesmo nos dá. Assim, rezando os Salmos, aprende-se a rezar. São uma escola de oração.</p>
<p>Algo de análogo acontece quando a criança começa a falar, aprende a expressar as próprias sensações, emoções, necessidades com palavras que não lhe pertencem de modo inato, mas que elas aprendem com seus pais e aqueles que vivem ao seu redor. Aquilo que a criança quer expressar é a sua própria experiência, mas o meio expressivo é dos outros; elas pouco a pouco se apropriam desse meio, as palavras recebidas de seus pais tornam-se as suas palavras e através daquelas palavras aprendem também um modo de pensar e de sentir, acessam todo um mundo de conceitos, e nisso crescem, relacionam-se com a realidade, com os homens e com Deus. A língua dos seus pais torna-se então a sua língua, eles falam com palavras recebidas de outros que são então tornadas as suas palavras. Assim acontece com a oração dos Salmos. Esses nos são dados para que aprendamos a dirigir-nos a Deus, a nos comunicar com Ele, a falar com Ele sobre nós com as suas palavras, a encontrar uma linguagem para o encontro com Deus. E, através daquelas palavras, será possível também conhecer e acolher os critérios do seu agir, aproximar-se do mistério dos seus pensamentos e dos seus caminhos (cf. Is 55,8-9), a fim de crescer sempre mais na fé e no amor. Como as nossas palavras não são somente palavras, nas nos ensinam um modo real e conceitual, assim também essas orações ensinam-nos o coração de Deus, para que não somente possamos falar com Deus, mas possamos aprender quem é Deus e, aprendendo como falar com Ele, aprendamos o ser homem, a ser nós mesmos.</p>
<p>A esse propósito, parece significativo o título que a tradição hebraica deu ao Saltério. Ele chama-se tehillîm, um termo hebraico que quer dizer &#8220;louvores&#8221;, daquela raiz verbal que encontramos na expressão &#8220;Halleluyah&#8221;, isto é, literalmente: &#8220;louvado seja o Senhor&#8221;. Esse livro de orações, portanto, também se tão multiforme e complexo, com os seus diversos gêneros literários e com a sua articulação entre louvor e súplica, é em última análise um livro de louvores, que ensina a dar graças, a celebrar a grandeza do dom de Deus, a reconhecer a beleza das suas obras e a glorificar o seu Nome santo. É essa a resposta mais adequada diante do manifestar-se do Senhor e da experiência da sua bondade. Ensinando-nos a rezar, os Salmos ensinam-nos que também na desolação, na dor, a presença de Deus permanece, é fonte de maravilha e de consolação; pode-se chorar, suplicar, interceder, lamentar-se, mas na consciência de que estamos caminho rumo à luz, onde o louvor poderá ser definitivo. Como ensina-nos o Salmo 36: &#8220;Em vós está a fonte da vida, e é na vossa luz que vemos a luz&#8221; (36,10).</p>
<p>Mas além do título geral do livro, a tradição hebraica colocou sobre muitos Salmos títulos específicos, atribuindo-os, na grande maioria, ao rei Davi. Figura de notável envergadura humana e teológica, Davi é personagem complexo, que atravessou as mais variadas experiências fundamentais do viver.  Jovem pastor do rebanho eterno, passando por alternados e às vezes dramáticos acontecimentos, torna-se rei de Israel, pastor do povo de Deus. Homem de paz, combateu muitas guerras; incansável e tenaz buscador de Deus, traiu o amor, e isso é característico: sempre permaneceu buscador de Deus, ainda se muitas vezes gravemente pecou; humilde penitente, acolheu o perdão divino, também o castigo divino, e aceitou um destino marcado pela dor. Davi assim foi um rei, com todas as suas debilidades, &#8220;segundo o coração de Deus&#8221; (cf. 1Sam 13,14), isto é, um orante apaixonado, um homem que sabia o que significa dizer suplicar e louvar. A ligação dos Salmos com esse insigne rei de Israel é tão importante porque ele é figura messiânica, Ungido do Senhor, no qual está de algum modo ofuscado o mistério de Cristo.</p>
<p>Igualmente importantes e significativos são o modo e a franqueza com que as palavras dos Salmos são retomadas no Novo Testamento, assumindo e sublinhando aquele valor profético sugerido pela ligação do Saltério com a figura messiânica de Davi. No Senhor Jesus, que na sua vida terrena rezou com os Salmos, esses encontram o seu definitivo cumprimento e revelam o seu sentido mais pleno e profundo. As orações do Saltério, com que se fala a Deus, falam-nos d&#8217;Ele, falam-nos do Filho, imagem do Deus invisível (Col 1,15), que nos revelam plenamente o Rosto do Pai. O cristão, portanto, rezando os Salmos, reza ao Pai em Cristo e com Cristo, assumindo esses cantos em uma perspectiva nova, que tem no mistério pascal a sua última chave interpretativa. O horizonte do orante abre-se, assim, a realidades inesperadas, cada Salmo adquire uma luz nova em Cristo e o Saltério pode brilhar em toda a sua infinita riqueza.</p>
<p>Irmãos e irmãs caríssimos, tomemos portanto em mãos esse livro santo, deixemo-nos ensinar por Deus a dirigirmo-nos a Ele, façamos do Saltério um guia que nos auxilie e nos acompanhe cotidianamente no caminho da oração. E peçamos também nós, como os discípulos de Jesus, &#8220;Senhor, ensina-nos a rezar&#8221; (Lc 11,1), abrindo o coração para acolher a oração do Mestre, no qual todas as nossas orações chegam ao seu cumprimento. Assim, tornados filhos no Filho, poderemos falar com Deus chamando-O &#8220;Pai Nosso&#8221;. Obrigado.</p>
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		<title>O Pentateuco</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Jun 2011 03:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pentateuco]]></category>

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		<description><![CDATA[Introdução Nos relatos do Antigo Testamento presenciamos a história do povo hebreu durante quase dois mil anos, desde a vinda de Abraão à Palestina até a instalação da dinastia dos Hasmoneus (cerca dos séc. XX-11 a.c): história essa em conexão, ora maior ora menor, ora direta ora indiretamente, com a dos povos vizinhos, sobretudo dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Introdução</p>
<p>Nos relatos do Antigo Testamento presenciamos a história do povo hebreu durante quase dois mil anos, desde a vinda de Abraão à Palestina até a instalação da dinastia dos Hasmoneus (cerca dos séc. XX-11 a.c): história essa em conexão, ora maior ora menor, ora direta ora indiretamente, com a dos povos vizinhos, sobretudo dos grandes impérios, entre os quais a Palestina jazia como ponte: ao sul, o Egito; ao norte, sucessivamente, Babilônia, a Assíria, a Pérsia e a Síria. <a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/torah.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/torah-288x400.jpg" alt="" width="288" height="400" class="alignright size-medium wp-image-3809" /></a>Constituíam eles outros tantos centros de civilização, que se irradiava entre os povos submetidos ou vizinhos, formando uma vasta unidade cultural. No meio dessa civilização comum movia-se o povo de Israel, sofrendo a sua influência. Nas artes e na, indústria, Israel jamais desenvolveu uma civilização própria; ficou devedor ao estrangeiro, como também a sua língua e literatura trazem o cunho da origem comum ou do prestígio de outros povos socialmente mais evoluídos. No entanto, a ausência de originalidade e independência de civilização material, põe em muito maior relevo o valor das instituições religiosas e morais, elementos básicos da civilização genuína e completa que foram glória exclusiva desse povo eleito.</p>
<p>Nome e divisões do Pentateuco</p>
<p>Pentateuco é o nome pelo qual, tradicionalmente, se conhece o grupo dos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. Trata-se de uma palavra de origem grega que pode ser traduzida por &#8220;cinco estojos&#8221;, fazendo referência aos estojos (caixas ou vasilhas) onde, na Antigüidade, se guardavam e protegiam da deterioração os rolos de papiro ou de pergaminho utilizados como material de escrita. Os judeus designam, por sua vez, esses livros com o título genérico de torah, termo hebraico que, apesar de ter sido traduzido de forma habitual por &#8220;lei&#8221;, na realidade, tem um significado mais amplo. Torah, de fato, inclui o conceito de &#8220;lei&#8221; e, até com maior propriedade, os de &#8220;guiar&#8221;, &#8220;dirigir&#8221;, &#8220;instruir&#8221; ou &#8220;ensinar&#8221; (cf. Dt 31.9).<br />
O Pentateuco, ainda que se apresente dividido nos referidos cinco primeiros livros da Bíblia, constitui, na realidade, uma unidade essencial. A divisão corresponde a uma época já remota: encontra-se na tradução grega do Antigo Testamento, a chamada Septuaginta ou Versão dos Setenta, que data do séc. III a.C. (Ver a Introdução ao Antigo Testamento). A causa da separação dos livros foi a dificuldade de dispor o texto completo de todos eles em um único rolo, o que seria impraticável por causa do volume excessivo.<br />
Os nomes de origem grega adotados pela Igreja cristã greco-latina como títulos desses cinco livros são os mesmos com que foram designados na Septuaginta. Correspondem respectivamente ao conteúdo de cada um dos textos e consideram cada caso ao destacar um determinado fato ou assunto assim, Gênesis significa &#8220;origem&#8221; Êxodo, &#8220;saída&#8221; Levítico, &#8220;relativo aos levitas&#8221; Números, &#8220;conta&#8221; ou &#8220;censo&#8221; Deuteronômio, &#8220;segunda Lei&#8221;. Quanto à tradição hebraica, limita-se, em geral, à norma de intitular os livros com alguma das suas palavras iniciais: ao primeiro chama de Bereshit (no princípio) ao segundo, Shemoth (nomes) ao terceiro, Wayiqrá (e ele chamou) ao quarto, Bemidbar (no deserto) e, ao quinto, Debarim (palavras). </p>
<p>O Pentateuco e a história</p>
<p>Característica essencial do Pentateuco (ou Torah) é a alternância de seções narrativas com outras dedicadas a instruir o povo de Israel e a regulamentar a sua conduta, tanto na ordem ética pessoal e social como, muito especialmente, na religiosa.<br />
Em uma primeira parte, que abarca todo o Gênesis e até o cap. 19 de Êxodo, predomina o gênero narrativo. Nessa seção, os relatos se enlaçam uns aos outros, somente interrompidos aqui e ali por algumas passagens de caráter normativo (p. ex., Gn 9.6 17.9-14 Êx 12.1-20). De Êx 20 em diante prevalecem os textos destinados a estabelecer as normas e disposições nas quais Deus revela o que quer e espera do seu povo. Dessa maneira, desde o impressionante pano de fundo de uma epopéia que vai da criação do mundo à morte de Moisés (Dt 34.12), o Pentateuco mostra-se como o depósito da vontade de Deus manifestada na forma de ensinamentos, mandamentos e leis, cujo objetivo primordial é configurar um povo santo, que seja portador fiel perante o resto da humanidade da oferta divina de salvação universal. </p>
<p>Formação do Pentateuco</p>
<p>Uma obra complexa, extensa e de grande valor religioso e cultural como o Pentateuco manifesta uma série de particularidades estilísticas, literárias e temáticas que se deve levar em consideração ao se estudar o processo da sua formação.<br />
Em primeiro lugar, há certos textos bíblicos que revelam a existência de fontes anteriores ao próprio Pentateuco, como, p. ex., o chamado Livro das Guerras do SENHOR, expressamente citado em Nm 21.14.<br />
Em segundo lugar, achamo-nos diante de uma obra literária rica em conteúdo e complexa em composição, que freqüentemente deixa perceber o eco de diversas etapas e distintos narradores. Assim ocorre com as variantes registradas nos dois textos do Decálogo (Êx 20.1-17 Dt 5.1-21) ou com as quatro apresentações do catálogo de grandes festas religiosas israelitas (Êx 23 34 Lv 23 Dt 16) ou com certas histórias, como a da despedida de Agar e Ismael (Gn 16 21.8-21) ou com o ocultamento da condição de esposa nos casos de Sara e Rebeca (Gn 12.10-20 20.1-18 26.6-14). Cada uma dessas narrações oferece detalhes próprios, que a singularizam e a fazem aparecer como relato original e não como mera repetição de um texto paralelo.<br />
Também com respeito ao vocabulário e estilo observam-se, no Pentateuco, numerosos matizes diferentes. Assim, p. ex., em Gênesis, que começa com uma dupla apresentação do relato da criação (1.1-3.24): enquanto que na primeira o Criador é chamado de Elohim (forma hebraica usual para designar Deus), na segunda é chamado de YHWH Elohim, expressão traduzida por &#8220;SENHOR Deus&#8221; na versão de João Ferreira de Almeida. A partir desses relatos e até o momento em que Deus se revela a Moisés no monte Horebe (Êx 3.1-15), a alternância dos nomes divinos mantém-se com relativa uniformidade.<br />
Algumas passagens do Pentateuco caracterizam-se pelo seu frescor e espontaneidade (p. ex., Gn 18.1-15) outras, como acontece em Levítico, recorrem a uma linguagem jurídica de grande precisão, para tratar de temas legais ou relativos à pratica do culto de Israel e ainda há outras (como Deuteronômio) que introduzem cálidos acentos, mesmo ao proclamar a Lei e ao exortar o povo a obedecer-lhe em devida resposta ao amor de Deus.<br />
A análise dos indícios mencionados revela que o Pentateuco é o resultado de um processo lento e muito complexo, em cuja origem descobre-se a figura de Moisés, o grande libertador e legislador que, com a sua personalidade, marcou o espírito e a história do povo de Israel um processo que se encerra com a coleção formada pelos cinco primeiros livros da Bíblia.<br />
Na formação do Pentateuco há um importante trabalho inspirado, que compila, ordena e redige narrações, séries genealógicas e conjuntos de leis que, durante séculos, haviam sido transmitidas oralmente de uma geração para outra. Nele está contida a herança espiritual que Moisés legou ao povo de Israel, uma herança viva, fielmente transmitida e enriquecida com o passar dos séculos.<br />
Os principais temas e as seções correspondentes do Pentateuco podem ser analisados segundo o esquema seguinte: 1. Desde a criação do mundo até a genealogia de Abraão (Gn 1-11). 2. A história dos Patriarcas (Gn 12-50). 3. A saída do Egito (Êx 1-15). 4. Desde o Egito até o Sinai (Êx 16-18). 5. A revelação do SENHOR no Sinai (Êx 19-Nm 10). 6. Desde o Sinai até Moabe (Nm 10-36). 7. O livro de Deuteronômio (Dt 1-34).<br />
Gênesis</p>
<p>O Gênesis narra as primeiras origens do mundo, do gênero humano, do povo hebreu, tudo relacionado com Deus, com sua revelação, com seu culto. Deus cria o universo, revela-se aos primeiros homens, Deus escolhe uma família (Abraão e sua descendência), para no seio dela conservar e desenvolver os germes da primitiva revelação e a verdadeira religião, no intuito de preparar a solene revelação do Sinai, narrada no Exodo. A criação do céu e da terra (1:1-2:3), é como que o prólogo do grandioso drama, que se divide em duas partes, e tem por protagonistas os cinco grandes patriarcas: Adão e Noé, patriarcas do gênero humano; Abraão, Isaac e Jacó, patriarcas do povo hebreu.<br />
O todo é enquadrado pelo autor sagrado em dez tábuas genealógicas (2:4, 5:1, 6:9, 10:1, 11:10, 11:27, 25:12, 25:19, 36:1, 37:2) dispostas de tal modo que, após ter registrado os ramos secundários da propagação humana, volta a narrar difusamente os destinos do ramo patriarcal, isto é, da descendência eleita, portadora da revelação divina e da verdadeira religião.<br />
O Gênesis abrange na sua narração uma longa série de séculos, e colocando (no tronco principal das suas genealogias) ao lado dos nomes também números de anos, forneceria os elementos de uma cronologia. Infelizmente as cifras não parecem bem conservadas, porque nos números dos capítulos 5 e 11 os três textos independentes: o hebraico, o samaritano e o grego divergem entre si. Baseando-se sobre o seu texto, os gregos do império bizantino colocavam a criação do homem 5508 anos a.C. Os hebreus ainda usam uma era que no mesmo período conta 3760 anos. As ciência antropológicas exigem um tempo assaz maior para a existência do homem sobre a terra. A Bíblia não é contrária a resultados certos de tais ciências, também porque as listas genealógicas do Gênesis poderiam ser incompletas, ou seja, com omissões de elos intermediários.<br />
Do nascimento de Abraão à descida dos israelitas ao Egito &#8211; 290 anos (Gên 21:5 + 25:26 + 47:28), a cronologia respectiva é mais ou menos certa. Para a cronologia absoluta (baseada na era vulgar) ter-se-ia um ponto fixo no sincronismo de Abraão com Hamurabi, o célebre rei da Babilônia, cujo famoso código de leis foi descoberto em 1902. A identificação, porém, de Amrafel, rei de Senaar (Gên 14:1), com Hamurabi da Babilônia, é hoje mais do que duvidosa; tampouco a data do reinado deste último está definitivamente fixada; atualmente tende-se a colocar-lhe o início por volta de 1728 a.C. Tomando como ponto de partida a data em que os israelitas saíram do Egito sob o faraó Menefta pelo ano de 1200 a.C., e remontando o curso dos séculos com os dados da própria Bíblia (Ex 12:40 e passagens acima citadas), Abraão teria nascido por volta de 1900 a.C., mas não é certo qual seja o faraó do Êxodo.<br />
Muitas páginas do Gênesis têm correspondência nos monumentos babilônicos e egípcios: nos primeiros, a história primitiva, isto é, os primeiros 11 capítulos; nos egípcios, o resto, especialmente a história de José (37-50). Com os dois primeiros capítulos (a criação) têm algo de semelhante vários poemas babilônicos entre si discordantes e que são uma, fantasiosa mitologia de crasso politeismo; quão mais sublime pela nobreza de pensamento é a prosa simples da Bíblia! Também a tradição babilônica conhece dez reis, como Gên 5, dez patriarcas, de vida longuíssima antes do dilúvio. Este cataclisma foi narrado em muitas lendas babilônicas, uma das quais foi inserida no romanesco poema &#8220;Gilgames,&#8221; assim chamado por causa do herói protagonista. Os pontos de contato com a narração bíblica (Gên 7:8) são numerosos e típicos. A narração da torre de Babel (Gên 11:1-9) é toda tecida de elementos babilônicos; mas um paralelo exato não foi ainda encontrado na literatura cuneiforme. Nada ainda se encontrou nessa literatura de verdadeiramente análogo à narração do paraíso terrestre e da queda do homem (Gên 3).<br />
Nos monumentos, egípcios temos representadas muitas cenas semelhantes às narradas no Gên cc. 12:37-50.<br />
Esboço de Gênesis</p>
<p>I. A história primitiva do ser humano 1.1– 11.32<br />
As narrativas da criação 1.1-2.5<br />
1. Criação dos céus, da terra, e da vida sobre a terra 1.1-2.3<br />
2. Criação do ser humano 2.4-25<br />
B) A queda do ser humano 3.1-24<br />
O mundo anterior ao dilúvio 4.1-5.32<br />
Noé e o dilúvio 6.1-9.29<br />
A Tabela das nações 10.1-32<br />
A confusão das línguas 11.1-9<br />
Genealogia de Abraão 11.10-32<br />
II. Os patriarcas escolhidos 12.1-50.26<br />
Abrão (Abraão) 12.1-23.20<br />
1) O chamado de Abraão 12.1-23.20<br />
2) A batalha dos reis 14.1-24<br />
3) O concerto de Deus com Abraão 15.1-21.34<br />
4) O teste de Abraão 22.1-24<br />
Isaque 24.1-26.35<br />
1) A noiva de Isaque vem da Mesopotâmia 24.1-67<br />
2) A morte de Abraão 25.1-11<br />
3) Ismael, Esaú e Jacó 25.12-34<br />
4) Deus confirma seu concerto com Isaque 26.1-35<br />
Jacó 27.1-35,29<br />
1) Jacó engana o seu pai 27.1-46<br />
2) A fuga de Jacó para Harã 28.1-10<br />
3) Deus confirma o concerto com Jacó 28.11-22<br />
4) O casamento de Jacó em Harã 29.1– 30.43<br />
5) O retorno de Jacó para Canaã 31.1-35.29<br />
Esaú 36.1-43<br />
José 37.1-50.26<br />
1) A venda de José 37.1-40.23<br />
2) A exaltação de José 41.1-57<br />
3) José e os seus irmãos 42.1-45.28<br />
4) Jacó muda para o Egito 46.1-48.22<br />
5) A benção de Jacó e o seu sepultamento 49.1-50.21<br />
6) Os últimos dias de José 50.22-26<br />
Êxodo</p>
<p>O segundo livro do Pentateuco toma o nome de Êxodo da saída dos hebreus do Egito, onde, depois dos bons tempos de José, passaram a sofrer a mais dura escravidão. Esse acontecimento, porém, nada mais foi do que o prelúdio de fatos muito mais importantes na vida dos filhos de Israel, os quais, de um conglomerado de famílias que eram, recuperando a liberdade, conquistaram verdadeira unidade de nação independente e receberam uma legislação especial, uma forma de vida moral e religiosa, pelas quais se distinguiram de todos os outros povos da terra.<br />
Com toda facilidade compreender-se-á a importância deste livro, sobretudo em se pensando que, se a história civil das nações, mormente as antigas, acha-se intimamente vinculada à religião e essa à moral, isto jamais foi tão verídico como a respeito dos hebreus. As leis contidas no Êxodo formam a essência da vida civil e religiosa do povo eleito.<br />
É bem verdade que, de todas essas leis, e especialmente as do chamado código da aliança (21:23), foram encontradas analogias notáveis no código de Hamurabì (rei babilônico, que viveu alguns séculos anteriormente a Moisés), que foi descoberto, traduzido e publicado pelo dominicano Pe. Scheil, em 1902. De tais analogias não se infere, porém, em absoluto, como pretendem alguns, a dependência do código mosaico do babilônico. Elas têm sua explicação adequada nos fatores comuns às duas sociedades, israelita e babilônica, tão próximas no tempo, no lugar e também na origem, pois os patriarcas do povo hebreu procediam do vale do Tigre.<br />
Realmente, na legislação decretada no Sinai, nem tudo foi criado desde a raiz; muitos usos e costumes já introduzidos na prática social foram confirmados pela aprovação divina. De resto, também nas famosas leis romanas das doze tábuas descobrem-se semelhanças com o código mosaico, sem que ocorra a alguém o pensamento de querer estabelecer um parentesco entre as primeiras e o segundo. Providências semelhantes surgem espontaneamente de necessidades sociais do gênero. No decálogo, porém, e na doutrina religiosa que lhe forma a base inconcussa (20:2-17), reside a verdadeira prerrogativa do povo de Israel; nada de semelhante se encontra em nenhum outro povo. Citam-se, é certo, da literatura egípcia; certas desculpas espirituais como: &#8220;Não cometi injustiça, não roubei, não matei&#8221; etc., ou da babilônia, os esconjuros, onde se pergunta se o exorcizado ultrajou alguma divindade, se desprezou pai e mãe, se mentiu ou praticou obscenidades etc. Mas não há proporção entre os protestos de um particular para evitar o castigo (finalidade daquelas fórmulas rituais) e a autoridade soberana que impõe a lei a todo um povo. Entre os próprios egípcios e babilônios, nada há de correspondente, na legislação, àquelas fórmulas cerimoniais. O decálogo de Moisés não tem rivais no mundo.<br />
Pelas razões citadas, os acontecimentos narrados no Êxodo tiveram um eco enorme na memória das tribos israelitas. Em quase todas as páginas do Antigo Testamento são recordadas a libertação da escravidão do Egito, a prodigiosa passagem do mar Vermelho, os golpes tremendos com os quais foi dominada a tenaz oposição do opressor egípcio, as grandiosas manifestações divinas no Sinai, o sustento milagroso de povo tão numeroso no deserto. Daí Israel deduzia os motivos mais fortes para ser grato e fiel a Deus,, e conservar uma confiança inabalável na sua providência soberana e nos seus próprios destinos.<br />
A cronologia do Êxodo, ou seja, o ano em que os hebreus saíram do Egito, está naturalmente ligada à história desse país. Mas, já que a Bíblia não fornece os nomes dos dois faraós, o da opressão (1:8, 2:23) e o da saída (14:5), duas opiniões diversas se equilibraram entre os doutos, com autoridade e número de defensores quase iguais. Para uns, o opressor seria Totmés 3 (1500-1450) e o outro Amênofis 2 (1447-1420), da XVIII dinastia; para outros, no entanto, Ramsés II (1292-1225), da XIX dinastia, teria oprimido ns hebreus, e seu sucessor, Menefta (1225-1215); tê-los-ia libertado. A segunda opinião, que estabelece o século XIII a.C. para o Êxodo, parece-nos mais condizente com o texto (1:11) e mais coerente com outros dados da história sagrada e profana.<br />
Esboço de Êxodo</p>
<p>I. A libertação miraculosa de Israel 1.1-13.16<br />
A opressão dos israelitas no Egito 1.1-22<br />
O nascimento e a primeira parte da vida de Moisés 2.1-4.31<br />
O processo de libertação 5.1-11.10<br />
O episódio do êxodo 12.1-13.16<br />
II. A jornada miraculosa até o Sinai 13.17-18.27<br />
A Libertação junto ao mar Vermelho 13.17-15.21<br />
A provisão para o povo 15.22-17.7<br />
A proteção contra os amalequitas 17.8-16<br />
O estabelecimento dos anciões supervisores 18.1-27<br />
III. As revelações miraculosas junto ao Sinai 19.1– 40.38<br />
A chegada ao Sinai e a manifestação de Deus 19.1-25<br />
Os dez mandamentos 20.1-21<br />
O Livro da Aliança 20.22-23.19<br />
A proteção do Anjo de Deus 23.20-33<br />
Israel confirma o concerto 24.1-18<br />
Orientação a respeito do tabernáculo 25.1-31.18<br />
O bezerro de ouro 32.1-35<br />
Arrependimento e renovação do concerto 33.1-35.3<br />
A construção do tabernáculo 35.4-40.33<br />
A glória do Senhor enche o tabernáculo 40.34-38<br />
Levítico</p>
<p>Este livro traz o nome de Levítico, por tratar quase exclusivamente dos deveres sacerdotais. Poder-se-ia compará-lo a um ritual.<br />
Com exceção de dois trechos históricos (8:10, 24:10-23), compõe-se inteiramente de leis que visam à santificação individual e nacional. Santificação, de per si ritual e exterior, que, porém, simboliza e promove certa santidade interior e moral. Toda a matéria pode ser dividida em cinco partes:<br />
1a Leis relativas aos sacrifícios (1:7). Os sacrifícios são de cinco espécies; duas séries de leis: l&#8221; série &#8211; o rito de cada sacrifício (1:5), holocausto (1), oblação de vegetais (2), sacrifício salutar (3), sacrifício expiatório (4), sacrifício de reparação (5). 2° série -ireitos e deveres dos sacerdotes em cada espécie de sacrifícios (6-7).<br />
2a Consagração dos sacerdotes (8:9). Nadab e Abiú são punidos por terem usurpado um ofício sagrado (10:1-7). Várias prescrições para os sacerdotes (10:8-20).<br />
3a Leis sobre a pureza legal (11:16) dos alimentos (11), da puérpera (12), da lepra nas pessoas (13:1-46, 14:1-32), nas vestes (13:47-59) e casas (14:33-57); sobre a gonorréia (15). Rito para o dia solene de expiação (16).<br />
4a Leis sobre a santidade (17:23): a) do povo (17:20); matança dos animais, uso do sangue, unicidade do santuário (17); prescrições que regulam os atos sexuais (18); várias prescrições religiosas e morais (19); punição para os transgressores (20); b) dos sacerdotes: núpcias e luto (21:1-15); irregularidades (21:16-24); impureza cerimonial (22:1-16; qualidades das vítimas (22:17-30); conclusão (22:31-33); c) dos dias festivos: solenidades anuais e o sábado (23).<br />
5a Determinações diversas: lâmpadas no santuário e pães da apresentação (24:1-9); pena para o blasfemador (24:10-23); prescrições para o ano sabático e jubileu (25); promessas e ameaças relativas a observância da lei (26); votos e dízimos (27).<br />
O sacrifício, o ato mais sagrado, da religião, isto é, oferecer a Deus vítimas, animais ou vegetais, não foi instituído por Moisés, mas remonta às próprias origens da humanidade (Gên. 4:3-4). Moisés encontrou o seu uso estabelecido e arraigado entre todos os povos. Nas tabuinhas recentemente descobertas em Ras Shamra (antiga Ugarit), na Fenícia setentrional, anteriores alguns séculos a Moisés, são mencionadas espécies idênticas de sacrifícios, até mesmo com nomes iguais (afinidade das duas línguas) aos do Pentateuco. Moisés, com suas leis, só regulamentou e consagrou ao culto do verdadeiro Deus um cerimonial já praticado, deixando ainda toda essa legislação dos sacrifícios separada das condições essenciais do pacto celebrado entre Deus e o seu povo (Ex 19:23). Nesse sentido deve-se entender aquele protesto do próprio Deus contra os judeus, por boca de Jeremias (7:22-23): &#8220;Em matéria de sacrifícios e holocaustos, eu nada disse e nada ordenei aos vossos pais ao tirá-los do Egito; dei-lhes somente esta ordem: Escutai a minha voz; eu serei vosso Deus e vós sereis o meu povo, cf. Èx 19:5).<br />
Nada, portanto, impede atribuir-se ao próprio Moisés a legislação cerimonial do Levítico, embora seja óbvio que não a tenha escrito toda de uma vez e se tenha servido, para a fixar, da obra de algum sacerdote ou levita de profissão. Nem se exclui que algumas destas leis tenham recebido em tempos posteriores modificações e acréscimos.<br />
Devemos observar ainda, que todas essas leis cerimoniais foram elaboradas depois de Jesus Cristo. Entretanto, os sacrifícios da antiga lei haviam prefigurado o seu sublime sacrifício na cruz, no qual, único e perfeito sacrifício, teve cumprimento toda a variedade dos sacrifícios do Antigo Testamento. Ou melhor, como nos ensina S. Paulo (Hebr 9:9, 10:10), os sacrifícios levíticos recebiam sua principal eficácia de aplacar a Deus daquele valor figurativo, pois que &#8220;é impossível que, por si só, o sangue dos touros e dos cabritos cancele os pecados&#8221; (Hebr 10:4). Considerados nó seu significado típico e simbólico, os ritos escritos no Levítico continuam e continuarão a ser instrutivos.</p>
<p>Esboço de Levítico</p>
<p>I. A descrição do sistema de sacrifícios 1.1-7.38<br />
Os holocaustos 1.1-17<br />
As ofertas de manjares 2.1-6<br />
Os sacrifícios de paz ou das graças 3.1.17<br />
A Expiação do pecado 4.1-5.13<br />
O sacrifício pelo sacrilégio 5.14-6.7<br />
Outras instruções 6.8-7.38<br />
II. O serviço dos sacerdotes no santuário 8.1-10.20<br />
A ordenação de Arão e seus filhos 8.1-36<br />
Os sacerdotes tomam posse 9.1-24<br />
O pecado de Nadabe e Abiú 10.1-11<br />
O pecado de Eleazar e Itamar 10.12-20<br />
III. As leis das impurezas 11.1-16.34<br />
Imundícias dos animais 11.1-47</p>
<p>Imundícias do parto 12.1-8<br />
Imundícias da pele 13.1-14.57<br />
Imundícias de emissão 15.1-33<br />
Imundícias morais 16.1-34<br />
IV. O código de Santidade 17.1-26.46<br />
Matando por alimento 17.1-16<br />
Sobre ser sagrado 18.1-20.27<br />
Leis para sacerdotes e sacrifícios 21.1– 22.33<br />
Dias santos e festas religiosas 23.1-44<br />
Leis para elementos sagrados de louvor 24.1-9<br />
Punição para blasfêmia 24.10-23<br />
Os Anos do Descanso e do Jubileu 25.1-55<br />
Bênçãos por obediência e punição por desobediência 26.1-46</p>
<p>Números</p>
<p>O quarto livro do Pentateuco recebeu o nome de Números (em grego Arithmoi, que aqui tem o sentido de &#8220;recenseamentos&#8221;) por causa dos &#8220;recenseamentos&#8221; (1:1-4:26), que são próprios deste livro e que lhe dão a sua feição particular. Contém, além disso, alguns fatos que se ligam imediatamente aos acontecimentos narrados no Éxodo, e leis semelhantes às do Levítico. Pode ser dividido facilmente, de acordo com os lugares e tempos, em três partes: no Sinai (1:1-10:10); viagens através do deserto (10:11-21:35); na margem oriental do Jordão (22:36).<br />
1a parte. No Sinai: disposições para a partida: 20 dias. Recenseamento das tribos e respectivas posições no acampamento (1:2). Os levitas: seu destino e recenseamento; divisão por famílias e por ofícios. Leis: banimento dos impuros, restituições, ciúmes, nazireato, bênção litúrgica. Últimos fatos: donativos dos chefes das tribos ao santuário, consagração dos levitas, segunda Páscoa (9:1-14), sinais para a partida e para a parada, as trombetas (9:15-10:10).<br />
2a parte. Viagem através do deserto: Do Sinai a Cades: partida e ordem de marcha (10:11-36), murmuração do povo, as codornizes, a lepra de Maria, irmã de Moisés. Parada em Cades: missão dos doze exploradores e queixas do povo; leis sobre as oblações e primícias, sobre o sábado e os filactérios; sedição de Coré, Datan e Abirão, e sua punição e confirmação do sacerdócio na família de Arão; relações entre sacerdotes e levitas, emolumentos de uns e de outros; a água lustral; sedição do povo por falta de água (20:1-13). De Cades ao Jordão: os edomitas negam passagem pelas suas terras; morte de Arãò (20:14-29); queixas do povo e castigo, a serpente de bronze (21:1-9); vitória sobre os amorreus e conquista de Basan (21:10-35).<br />
3a parte. Na margem oriental do Jordão: cerca de cinco meses. A matéria desta parte, mais por ordem lógica do que por ordem do texto, pode ser assim agrupada: últimos encontros com os povos da Transjordânia; Balaão e seus vaticínios (22:24); prostituição a Beelfegor (25); guerra santa contra os madianitas e leis sobre a divisão dos despojos (31); lista das etapas (33). Grupo de leis: herança (27:1-11), festas e sacrifícios (28:29), votos (30). Disposições para a ocupação da terra prometida. Segundo recenseamento (26); nomeação de Josué (27:12-23). Distribuição da Transjordânia (32); normas para a ocupação e distribuição da Cisjordânia (33:50-34:12); designação das cidades levíticas e de refúgio (35); disposições para manter inalterada a primitiva distribuição (36).<br />
A julgar pelo resumo, o presente livro compreende um período de cerca de trinta e oito anos e meio. Sobre a maior parte desse período (os trinta e oito anos no deserto) narra-nos apenas uns poucos fatos, mas muito notáveis pelo significado religioso, como a serpente de bronze, a sedição de Coré, os vaticínios de Balaão, a.água brotada da rocha; fatos dos quais os apóstolos no Novo Testamento tiraram utilíssimas lições (1Cor 10:1-11; Hebr 3:12-19; Jo 3:14-15). No centro do drama acham-se dois fatos semelhantes entre si, duas sedições do povo contra Moisés, executor das ordens divinas; a primeira (14), originada pela repugnância em empreender a conquista da Palestina; a segunda (20), por falta de água. Conseqüência ou punição da primeira foi a longa demora da nação inteira no deserto da península sinaítica; a segunda deixou a mais profunda impressão na consciência nacional e na literatura posterior (cf. SI 80:94-105), envolvendo o próprio Moisés, que por um instante duvidou da clemência divina e por isso teve de deixar a outros o remate de sua obra, a conquista de Canaã (cf. Dt 32).<br />
O livro dos Números é importante para a literatura porque, entre outras coisas, nos conservou fragmentos de antiquíssimos cânticos populares (21:23-24), com a indicação de coleções &#8211; já existentes, como &#8220;o Livro das guerras de javé&#8221; (21:14), do qual não se tem outra menção.</p>
<p>Esboço de Números</p>
<p>I. Instruções para a viagem do Sinai 1.1-10.10<br />
Relato sobre a tomada do censo 1.1-4.9<br />
1) Censo militar 1.1-2.34<br />
2) Censo não militar: levitas 3.1-4.49<br />
Instruções e relatos adicionais 5.1-10.10<br />
1) Cinco instruções 5.1-6.27<br />
2) Ofertas dos líderes 7.1-89<br />
3) Levitas dedicados 8.1-26<br />
4) Segunda Páscoa 9.1-14<br />
5) Direção pela nuvem e fogo 9.15-23<br />
6) As trombetas de prata 10.1-10<br />
II. Relato da viagem do Sinai 10.11-36.13<br />
Rebelião e punição da primeira geração 10.11-25.18<br />
1)Relato da primeira marcha do Sinai 10.11-36<br />
2) Queixas do povo 11.1-3<br />
3) Ansiando por carne 11.4-35<br />
4) Desafio para Moisés 12.1-16<br />
5) Recusa a entrar na Terra Prometida 13.1-14.45<br />
6) Instruções relacionadas às ofertas 15.1-41<br />
7) Desafios à autoridade de Arão 16.1-18.32<br />
8) Leis da purificação 19.1-22<br />
9) A morte de Miriã e Arão 20.1-29<br />
10) Do monte Hor às planícies do Moabe 21.1-35<br />
11) Balaque e Balaão 22.1-25.18<br />
Preparo da nova geração 26.1-36.13<br />
1) Um novo censo 26.1-65<br />
2) Instruções relacionadas à herança, ofertas e votos 27.1-30.16<br />
3) Vingança sobre os midianitas 31.1-54<br />
4) As tribos da Transjordânia 32.1-42<br />
5) Itinerário do Egito até Moabe 33.1-49<br />
6) Instruções para a ocupação de Canaã 33.50-36.13</p>
<p>Deuteronômio</p>
<p>O quinto e último livro do Pentateuco foi chamado Deuteronômio, isto é, &#8220;segunda lei,&#8221; talvez porque assim tenha sido traduzida, embora inexatamente pelos LXX, uma frase hebraica em 17:18. No entanto, convém-lhe perfeitamente esse nome. O livro não é uma simples repetição da legislação contida nos livros precedentes, mas além de leis novas, oferece complementos, esclarecimentos e modificações às primeiras. É, de certo modo, uma segunda lei, promulgada no fim da longa peregrinação dos israelitas, paralela á lei dada no Sinai e destinada a regular mais de perto a vida do povo escolhido, no solo da Terra Prometida à qual eles estavam para chegar e dela tomar posse definitiva. Não é, porém, simples enumeração de leis e determinações; o que caracteriza esse livro, o que lhe constitui a alma, é um ardente sabor oratório. O hagiógrafo nos faz ouvir um Moisés que exorta, encoraja, invectiva; inculca á observância das leis, a começar dos grandes princípios morais; apela para os mais poderosos motivos, evoca a glória do passado, a missão histórica de Israel, os triunfos do porvir. Na mente do autor sagrado temos o testamento definitivo, que o grande guia e legislador deixa ao povo de Deus às vésperas da sua morte. Pelo estilo, o Deuteronômio é um discurso, ou melhor, vários discursos, dirigidos por Moisés aos israelitas. Deduz-se daí a divisão do livro em quatro partes:<br />
1a parte: 1° discurso (1:4): olhar retrospectivo aos fatos acontecidos desde a partida do Horeb até às últimas conquistas da Transjordânia; exortação geral à observância da lei (4:1-40).<br />
2a parte: 2° discurso: renovação da lei (4:44-26:19). Princípios gerais: o Decálogo (5), o culto e o amor ao único Deus verdadeiro (6), guerra à idolatria (7), benefícios de Deus, censura da infidelidade anterior de Israel, promessas e ameaças (8:11).<br />
Leis especiais: Deveres religiosos. Unicidade do santuário e disposições relativas (12:1-28); contra a apostasia (12:29-13:18); alimentos e dízimos (14); ano da remissão (15); as três grandes solenidades anuais (16:1-17).<br />
Direito público. Juizes (16:18-17:13), rei (17:14-20), sacerdotes (18:1-8),.profetas (18:9-22); homicídio involuntário (19), guerra (20), homicídio por mão desconhecida (21:1-9). 3) Direito familiar e privado. Grande variedade; os pontos principais são: matrimônio (21:10-14, 22:13-23,) e filhos (21:15-20), o divórcio (20:1-4), levirato (25:5-10), deveres de humanidade (22:1-12, 23:16-20, 24:6-25, honestidade (25:11-19), votos (23:22-24), primícias e dízimos (26).<br />
3a parte: 3° e 4° discursos: ordem de promulgar a lei em Siquém, maldições para os transgressores (27), ameaças e promessas (28). Exortação à observância da lei, com a recordação dos fatos históricos, das promessas e das ameaças (29:30).<br />
4a parte. Apêndice histórico. últimas disposições de Moisés, nomeação de Josué, seu sucessor (31); cântico de Moisés (32), bênção das doze tribos (33), morte de Moisés (34).<br />
Amor de Deus, beneficência, alegria no cumprimento do dever, eis as principais características do Deuteronômio, princípios inculcados e repetidos com solicitude incansável. Por isso, perpassa-o um sopro ardente de sincera e profunda piedade para com Deus e uma ternura simpática pelo homem, que edifica e comove. Há páginas que se aproximam da sublimidade divina dos ensinamentos evangélicos, mais do que quaisquer outras.</p>
<p>Esboço de Deuteronômio</p>
<p>I. O primeiro discurso de Moisés 1.1-4.43<br />
Introdução 1.1-5<br />
O passado recordado 1.6-3.29<br />
Um chamado à obediência 4.1-40<br />
Cidades de refúgio nomeadas 4.41-43<br />
II. O segundo discurso de Moisés 4.44-26.19<br />
Exposição dos Dez Mandamentos 4.44– 11.32<br />
Exposição das leis cerimoniais 12.1-16.17<br />
Exposição da lei civil 16.18-18.22<br />
Exposição das leis criminais 19.1-21.9<br />
Exposição das leis sociais 21.10– 26.19<br />
III. O terceiro discurso de Moisés 27.1– 30.20<br />
Cerimônia de retificação 27.1-26<br />
Sanções do concerto 28.1-68<br />
O juramento do concerto 29.1-30.20<br />
IV. As palavras finais e a morte de Moisés 31.1– 34.12<br />
Perpetuação do concerto 31.1-29<br />
O cântico do testemunho 31.30-32.47<br />
A bênção de Moisés sobre Israel 32.48—33.29<br />
A Morte e a sucessão de Moisés 34.1-12</p>
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		<title>Catequese de Bento XVI &#8211; 15/06/2011</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 09:51:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Catequeses de Bento XVI]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Bento XVI]]></category>

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		<description><![CDATA[Queridos irmãos e irmãs, na história religiosa do Israel antigo, grande relevância tiveram os profetas com os seus ensinamentos e pregação. Entre esses, emerge a figura de Elias, suscitado por Deus para levar o povo à conversão. O seu nome significa &#8220;o Senhor é o meu Deus&#8221; e é de acordo com esse nome que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos irmãos e irmãs,</p>
<p>na história religiosa do Israel antigo, grande relevância tiveram os profetas com os seus ensinamentos e pregação. Entre esses, emerge a figura de Elias, suscitado por Deus para levar o povo à conversão.<a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/282168.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/282168.jpg" alt="" width="286" height="320" class="alignright size-full wp-image-3818" /></a> O seu nome significa &#8220;o Senhor é o meu Deus&#8221; e é de acordo com esse nome que vive sua vida, toda consagrada a provocar no povo o reconhecimento do Senhor como único Deus. De Elias, o Eclesiástico diz: &#8220;Suas palavras queimavam como uma tocha ardente. Elias, o profeta, levantou-se em breve como um fogo&#8221; (Eclo 48,1). Com essa chama, Israel reencontrava o seu caminho rumo a Deus. No seu ministério, Elias reza: invoca o Senhor para que dê novamente a vida ao filho de uma viúva que o havia hospedado (cf. 1Re 17,17-24), brada a Deus o seu cansaço e a sua angústia enquanto foge para o deserto, prometido de morte pela rainha Jezabel (cf. 1Re 19,1-4), mas é sobretudo sobre o Monte Carmelo que se mostra em todo o seu poder de intercessor quando, diante de todo o Israel, reza ao Senhor para que se manifeste e converta o coração do povo. É o episódio narrado no capítulo 18 do Primeiro Livro dos Reis, sobre o qual hoje nos detemos.</p>
<p>Encontramo-nos no reino do Norte, no IX século a.C., no tempo do rei Acab, em um momento em que em Israel se havia criado uma situação de aberto sincretismo. Ao lado do Senhor, o povo também adorava Baal, o ídolo tranquilizador do qual se acreditava que viesse o dom da chuva e ao qual, por isso, atribuía-se o poder de dar fertilidade aos campos e vida aos homens e ao gado. Ainda que pretendendo seguir o Senhor, Deus invisível e misterioso, o povo buscava segurança também em um deus compreensível e previsível, do qual pensava poder obter fecundidade e prosperidade em troca de sacrifícios. Israel estava cedendo à sedução da idolatria, a contínua tentação do fiel, iludindo-se em poder &#8220;servir a dois senhores&#8221; (cf. Mt 6,24; Lc 16,13), e de facilitar os caminhos impenetráveis da fé no Onipotente recolocando a própria confiança também em um deus impotente feito pelos homens.</p>
<p>É exatamente para desmascarar a insensatez enganadora de tal atitude que Elias faz o povo se reunir sobre o Monte Carmelo e o coloca diante da necessidade de fazer uma escolha: &#8220;Se o Senhor é Deus, segui-o, mas se é Baal, segui a Baal&#8221; (1Re 18, 21). E o profeta, portador do amor de Deus, não deixa somente a sua gente diante daquela escolha, mas ajuda-a, indicando o sinal que revelará a verdade: tanto ele quanto os profetas de Baal preparam um sacrifício e rezam, e o verdadeiro Deus se manifestará respondendo com o fogo que consumirá a oferenda. Começa assim o confronto entre o profeta Elias e os seguidores de Baal, que, na realidade, é entre o Senhor de Israel, Deus de salvação e vida, e o ídolo mudo e sem consistência, que nada pode fazer, nem o bem nem o mal (cf. Jer 10,5). E inicia também o confronto entre dois modos completamente distintos de dirigir-se a Deus para rezar.</p>
<p>Os profetas de Baal, de fato, gritam, agitam-se, dançam saltando, entram em um estado de exaltação, chegando a fazer incisões sobre o corpo, &#8220;com espadas e lanças, até banhar-se todos de sangue&#8221; (1Re 18,28). Esses recorrem a si mesmos para interpelar o seu deus, confiando em suas próprias capacidades para provocar a resposta. Revela-se assim a realidade enganatória do ídolo: esse é pensado pelo homem como algo de que se pode dispor, que se pode gerir com as próprias forças, ao qual se pode chegar a partir de si mesmos e da própria força vital. A adoração do ídolo, ao invés de abrir o coração humano à Alteridade, a uma relação libertadora que permita sair do espaço estreito do próprio egoísmo para chega a dimensões de amor e dom recíproco, fecha a pessoa no círculo exclusivo e desesperador da busca de si. E o engano é tal que, adorando o ídolo, o homem se encontra forçado a ações extremas, na ilusória tentativa de submetê-lo á própria vontade. Por isso os profetas de Baal chegam ao ponto de provocar mal a si mesmos, a infligir-se feridas sobre o corpo, em um gesto dramaticamente irônico: para ter uma resposta, um sinal de vida do seu deus, esses se cobrem de sangue, cobrindo-se simbolicamente de morte.</p>
<p>Muito mais atitude de oração, ao contrário, é aquela de Elias. Ele pede ao povo para que se aproxime, envolvendo-o assim na sua ação e na sua súplica. O objetivo do desafio por ele lançado aos profetas de Baal era o de reportar a Deus o povo que havia se perdido seguindo os ídolos; por isso ele deseja que Israel se una a ele, tornando-se participante e protagonista da sua oração e do quanto está acontecendo. Depois o profeta erige um altar, utilizando, como recita o texto, &#8220;doze pedras, segundo o número das doze tribos saídas dos filhos de Jacó, a quem o Senhor dissera: &#8216;Tu te chamarás Israel&#8217;&#8221; (v. 31). Aquelas pedras representam todo o Israel e são a memória tangível da história da eleição, da predileção e da salvação da qual o povo era objeto. O gesto litúrgico de Elias tem uma importância decisiva; o altar é o lugar sagrado que indica a presença do Senhor, mas aquelas pedras que o compõem representam o povo, que agora, pela mediação do profeta, está simbolicamente colocado diante de Deus, torna-se &#8220;altar&#8221;, lugar de oferta e de sacrifício.</p>
<p>Mas é necessário que o símbolo torne-se realidade, que Israel reconheça o verdadeiro Deus e reencontre a própria identidade de povo do Senhor. Por isso Elias pede a Deus que se manifeste, e aquelas doze pedras que deviam recordar a Israel a sua verdade servem também para recordar o Senhor de sua fidelidade, à qual o profeta apela na oração. As palavras da sua invocação são densas de significado e de fé: &#8220;Senhor, Deus de Abraão, de Isaac e de Israel, saibam todos hoje que sois o Deus de Israel, que eu sou vosso servo e que por vossa ordem fiz todas estas coisas. Ouvi-me, Senhor, ouvi-me: que este povo reconheça que vós, Senhor, sois Deus, e que sois vós que converteis os seus corações!&#8221; (vv. 36-37; cf. Gen 32, 36-37). Elias dirige-se ao Senhor chamando-o Deus dos Pais, fazendo assim implícita memória das promessas divinas e da história de eleição e de aliança que indissoluvelmente uniu o Senhor ao seu povo. O envolvimento de Deus na história dos homens é tal que também o seu Nome está inseparavelmente conectado àquela dos Patriarcas e o profeta pronuncia aquele Nome santo para que Deus recorde e se mostre fiel, mas também para que Israel se sinta chamado pelo nome e reencontre a sua fidelidade. O título divino pronunciado por Elias parece de fato um pouco surpreendente. Ao invés de usar a fórmula habitual, &#8220;Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó&#8221;, ele utiliza um apelativo menos comum: &#8220;Deus de Abraão, de Isaac e de Israel&#8221;. A substituição do nome &#8220;Jacó&#8221; por &#8220;Israel&#8221; evoca a luta de Jacó às margens do Yabboq com a mudança do nome ao qual o narrador faz explícita referência (cf. Gen 32,31) e da qual falei em uma das catequeses passadas. Tal substituição adquire uma importância significativa dentro da invocação de Elias. O profeta está rezando pelo povo do reino do Norte, que se chamava de fato Israel, distinto de Judá, que indicava o reino do Sul. E agora, esse povo, que parece ter esquecido a própria origem e o próprio relacionamento privilegiado com o Senhor, se ouve chamar pelo nome enquanto é pronunciado o Nome de Deus, Deus do Patriarca e Deus do povo: &#8220;Senhor, Deus […] de Israel, hoje se saiba que tu és Deus em Israel&#8221;.</p>
<p>O povo pelo qual Elias reza é colocado diante da própria verdade, e o profeta pede que também a verdade do Senhor manifeste-se e que Ele intervenha para converter Israel, tirando-o da idolatria e levando-o assim à salvação. O seu pedido é que o povo finalmente saiba, conheça em plenitude quem verdadeiramente é o seu Deus, e faça a escolha decisiva de seguir a Ele somente, o verdadeiro Deus. Porque somente assim Deus é reconhecido por aquilo que é, Absoluto e Transcendente, sem a possibilidade de colocá-lo ao lado de outros deuses, que O negariam como absoluto, relativizando-O. É essa a fé que faz de Israel o povo de Deus; é a fé proclamada no conhecido texto do Shema‘ Israel: &#8220;Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças&#8221; (Dt 6,4-5). Ao absoluto de Deus, o fiel deve responder com um amor absoluto, total, que comprometa toda a sua vida, as suas forças, o seu coração. E é exatamente pelo coração do seu povo que o profeta, com a sua oração, está implorando conversão: &#8220;este povo reconheça que vós, Senhor, sois Deus, e que sois vós que converteis os seus corações!&#8221; (1Re 18,37). Elias, com a sua intercessão, pede a Deus aquilo que Deus mesmo deseja fazer, manifestar-se em toda a sua misericórdia, fiel à própria realidade de Senhor da vida que perdoa, converte, transforma.</p>
<p>E é isso que acontece: &#8220;Então, subitamente, o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água da valeta. Vendo isso, o povo prostrou-se com o rosto por terra, e exclamou: &#8216;O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!&#8217;&#8221; (vv. 38-39). O fogo, esse elemento ao mesmo tempo necessário e terrível, ligado às manifestações divinas da sarça ardente e do Sinai, agora serve para assinalar o amor de Deus que responde à oração e se revela ao seu povo. Baal, o deus mudo e impotente, não respondeu às invocações dos seus profetas; o Senhor, pelo contrário, responde, e de modo inequívoco, não somente queimando a oferenda, mas mesmo secando toda a água que estava derramada em torno do altar. Israel não pode mais ter dúvidas; a misericórdia divina veio ao encontro da sua debilidade, das suas dúvidas, da sua falta de fé. Então, Baal, o ídolo vão, é vencido, e o povo, que parecia perdido, reencontrou a estrada da verdade e reencontrou a si mesmo.</p>
<p>Queridos irmãos e irmãs, o que diz a nós essa história do passado? Qual é o presente desta história? Antes de mais nada, está em questão a prioridade do primeiro mandamento: adorar somente a Deus. Onde desaparece Deus, o homem cai na escravidão das idolatrias, como mostraram, no nosso tempo, os regimes totalitários e como mostram também diversas formas do niilismo, que tornam o homem dependente dos ídolos, da idolatria; escravizam-no. Segundo. O objetivo primário da oração é a conversão: o fogo de Deus que transforma o nosso coração e nos torna capazes de ver a Deus e, assim, viver segundo Deus e viver pelo outro. E o terceiro ponto. Os Padres dizem-nos que também essa história de um profeta é profética, está– dizem – à sombra do futuro, do futuro Cristo; é um passo no caminho rumo a Cristo. E dizem-nos que aqui vemos o verdadeiro fogo de Deus: o amor que guia o Senhor até a cruz, até o dom total de si. A verdadeira adoração de Deus, portanto, é dar a si mesmo a Deus e aos homens, a verdadeira adoração é o amor. E a verdadeira adoração a Deus não destrói, mas renova, transforma. Certamente, o fogo de Deus, o fogo do amor queima, transforma, purifica, mas mesmo assim não destrói, mas sim cria a verdade do nosso ser, recria o nosso coração. E, assim, realmente vivos pela graça do fogo do Espírito Santo, do amor de Deus, somos adoradores em espírito e em verdade. Obrigado.</p>
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		<title>Os livros proféticos da Bíblia</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 08:54:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Padre Anderson Marçal</dc:creator>
				<category><![CDATA[Profetas Biblicos]]></category>

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		<description><![CDATA[Lugar no cânon A segunda das três grandes seções em que se divide a Bíblia Hebraica é a chamada de os Profetas (hebr. nebiim), por sua vez, subdividida em dois grupos: Profetas anteriores e Profetas posteriores. Diferentemente das nossas Bíblias atuais, entre as quais se conta a presente edição, a Bíblia Hebraica considera proféticos e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lugar no cânon </p>
<p>A segunda das três grandes seções em que se divide a Bíblia Hebraica é a chamada de os Profetas (hebr. nebiim), por sua vez, subdividida em dois grupos: Profetas anteriores e Profetas posteriores.<a href="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/prophet1.jpg"><img src="http://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2011/06/prophet1.jpg" alt="" width="400" height="300" class="alignright size-full wp-image-3805" /></a><br />
Diferentemente das nossas Bíblias atuais, entre as quais se conta a presente edição, a Bíblia Hebraica considera proféticos e assim cataloga no grupo dos &#8220;anteriores&#8221; seis livros de caráter histórico: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2Reis.<br />
O conjunto dos posteriores é formado por Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze profetas menores, assim nomeados não porque o seu conteúdo seja de menor importância, mas porque são notavelmente menores que os escritos dos &#8220;três grandes profetas&#8221;. Por outro lado, enquanto que o índice da LXX (que é o adaptado pela Almeida) inclui Lamentações e Daniel entre os livros proféticos, a Bíblia Hebraica os coloca na terceira seção, entre os Escritos (ketubim).</p>
<p>Os profetas e a sua mensagem</p>
<p>Profeta é uma palavra derivada do vocábulo grego profetés, composto pela preposição pro, que tem valor locativo e equivale a &#8220;diante de&#8221;, &#8220;na presença de&#8221;, e o verbo femí, que significa &#8220;dizer&#8221; ou &#8220;anunciar&#8221;. Na LXX, encontramos profetés como tradução da palavra hebraica nabí, relacionada esta última a várias outras semíticas cujo sentido principal é anunciar ou comunicar alguma mensagem.<br />
Em âmbitos alheios ao texto da Bíblia, é freqüente dar o nome de profeta a alguém que transmite mensagens da parte de alguma divindade ou que se dedica à adivinhação do futuro. Porém, se sê restringe o uso da palavra ao seu sentido bíblico, profeta é especialmente alguém a quem Deus escolhe e envia como o seu porta-voz, seja diante do povo ou de uma ou várias pessoas em particular. Não se trata, pois, na Bíblia, de adivinhos, magos, astrólogos ou futurólogos entregues a predizer acontecimentos futuros, mas de mensageiros do Deus de Israel, enviados para proclamar a sua palavra em precisos momentos históricos. Em certas ocasiões, a mensagem profética se referia a algum evento futuro, porém sempre vinculada a uma situação concreta e imediata na qual surgia a profecia (cf., p. ex., Is 7.1-25). Para descreverem o fato histórico, estão destinadas certas passagens que, na maioria dos livros, contemplam acontecimentos bem conhecidos e datados (p. ex., Jr 1.3, a conquista de Jerusalém Ez 1.1-3, a deportação para a Babilônia Is 1.1, Os 1.1, cronologias reais). Para se compreender o profundo sentido da palavra de Deus transmitida pelos profetas, deve-se prestar máxima atenção ao contexto histórico em que foi originalmente proclamada. Somente dessa forma será possível também atualizar a mensagem profética e aplicar o seu ensinamento às necessidades e circunstâncias do momento atual. </p>
<p>Os profetas nos textos históricos </p>
<p>A figura do profeta freqüentemente ocupa um lugar importante nos livros narrativos da Bíblia. Tal é o caso de Samuel, Natã, Elias e Eliseu, os quais tiveram uma significação especial na história de Israel. Porém, juntamente com eles, aparecem também outros profetas, homens e mulheres cujos nomes, em geral, são menos familiares ao leitor, como, p. ex., Aías, de Siló (1Rs 14.2-18) Débora (Jz 4.4-5.31) Gade, &#8220;vidente de Davi&#8221; (2Sm 24.11-14,18-19) Hulda (2Rs 22.14-20) Miriã, a irmã de Moisés e Arão (Êx 15.20-21) Micaías, filho de Inlá (1Rs 22.7-28). Esses relatos, às vezes, conservam palavras ou cantos dos profetas (p. ex., 1Sm 8.11-18 2Sm 7.4-16), ainda que a atenção do texto esteja voltada em geral para realçar a importância do ministério profético em circunstâncias decisivas da história de Israel (p. ex., 1Rs 18). </p>
<p>A mensagem dos profetas </p>
<p>Os profetas habitualmente introduzem as suas mensagens mediante fórmulas expressivas como &#8220;Assim diz o SENHOR”, &#8220;Palavra do SENHOR que veio a&#8230;&#8221; ou outras semelhantes e, freqüentemente, apresentam-se a si mesmos como enviados de Deus e investidos de autoridade para proclamar a sua palavra. Essa certeza pessoal de terem sido divinamente escolhidos para comunicar determinadas mensagens é um sinal característico da consciência profética. Assim, Isaías, que responde ao chamado do SENHOR: &#8220;Eis-me aqui, envia-me a mim&#8221; (Is 6.8) ou Jeremias, que escuta a voz do SENHOR: &#8220;Eis que ponho na tua boca as minhas palavras&#8221; (Jr 1.9) ou Ezequiel, que ouve a ordem de Deus: &#8220;Vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras&#8221; (Ez 3.4) ou Amós, que se sente separado das suas tarefas pastoris e transforma-se em porta-voz de Deus: &#8220;Vai e profetiza ao meu povo de Israel&#8221; (Am 7.15). </p>
<p>A literatura profética</p>
<p>A literatura produzida pelo profetismo israelita na sua comunicação da palavra de Deus é rica em formas e estilos. Nela, estão visões (Jr 1.11-13 Am 7.1-9 8.1-3 9.1-4), hinos e salmos (Is 12.1-6 25.1-12 35.1-10), orações (Jn 2.2-10 Hc 3.2-19), reflexões de caráter sapiencial (Is 28.23-29 cf. Am 3.3-8) e temas alegóricos (Is 5.1-7) ou simbólicos (Is 20.1-6 Jr 13.1-14 Os 1-3).<br />
Significações particulares revestem os textos vocacionais, nos quais se descreve a situação em cujo meio Deus chama o profeta para exercer a sua atividade (Is 6.1-13 Jr 1.4-10 Ez 1.1-3.27 Os 1.1-3.5). Em relação à freqüência de aparições, as mensagens que mais se empregam são as que se referem à salvação ou ao juízo e à condenação.<br />
No primeiro caso, proclamam o amor, a misericórdia e a disposição perdoadora e restauradora de Deus em favor de seu povo (cf. Is 4.3-6 Jr 31.31-34 Ez 37.1,14).<br />
No segundo caso, os discursos sobre temas condenatórios &#8211; que, às vezes, começam com uma figura imprecatória como &#8220;Ai de&#8230; !&#8221; &#8211; primeiro denunciam os pecados cometidos pelas pessoas, seja por um ou vários indivíduos (cf. Is 22.15-19 Jr 20.1-6 Ez 34.1-10), pelas nações pagãs (cf. Am 1.3-2.3) ou pela nação israelita como um todo (cf. Is 5.8-30 Am 2.6-16) e, em continuação, anunciam o castigo correspondente.<br />
O Deus que os profetas pregam é um Deus exigente, que põe descoberto e faz justiça com extrema severidade ao pecado do seu povo eleito um Deus justo e santo que, por isso mesmo, não tolera a mentira, nem a idolatria, nem a injustiça, em nenhuma das suas manifestações. Porém, ao mesmo tempo, é um Deus cheio de compaixão, cuja glória consiste em revelar-se como libertador e salvador um Deus que quer beneficiar, com o seu favor e dons, a todos os seres humanos e não somente ao povo de Israel.<br />
E assim chegará o dia em que, ao ver a libertação desse povo que parecia perdido e sem remédio, todas as nações reconhecerão que o seu Deus é o único Deus e dirão: &#8220;Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas&#8221; (Is 2.3 cf. Ez 36.23,36 37.28 39.7-8).</p>
<p>A influência dos profetas </p>
<p>Os profetas exerceram uma influência decisiva tanto na religião de Israel quanto posteriormente no Cristianismo. Contudo, foram bem menos as ocasiões em que os primeiros destinatários da mensagem prestaram a devida atenção (cf. Ag 1.2-15). Pelo contrário, segundo o testemunho dos próprios textos bíblicos, a princípio faziam-se de surdos à voz dos profetas, as suas palavras caíam no vazio ou eram rechaçadas sem terem obtido a resposta requerida. Mais ainda, quando a comunicação profética molestava os ouvidos dos seus receptores, estes tratavam freqüentemente de fazer calar o mensageiro de Deus.<br />
Como diz Isaías: &#8220;Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR. Eles dizem aos videntes: Não tenhais visões e aos profetas: Não profetizeis para nós o que é reto dizei-nos coisas aprazíveis, profetizai-nos ilusões;&#8230; não nos faleis mais do Santo de Israel&#8221; (Is 30.9-11) e Amós acusa Israel: &#8220;Aos profetas ordenastes, dizendo: Não profetizeis&#8221; (Am 2.12 cf. 7.10-13).<br />
Quando os intentos de fazer calar a mensagem profética se chocavam contra a fidelidade do profeta à palavra de Deus (cf. Jr 20.9), os ataques se dirigiam contra os próprios mensageiros, alegando que os seus anúncios tardavam muito em cumprir-se. Por isso, Isaías reprova o ceticismo dos seus ouvintes, que reclamavam: &#8220;Apresse-se Deus, leve a cabo a sua obra, para que a vejamos aproxime-se, manifeste-se o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos&#8221; (Is 5.19 cf. 28.9-10) e o mesmo faz Ezequiel aos que diziam: &#8220;Prolongue-se o tempo, e não se cumpra a profecia?&#8221; (Ez 12.22 cf. 2.3,7 12.26-28 33.30-33).<br />
Jesus conhecia os valores e o profundo significado do profetismo de Israel e também as dificuldades que rodeavam a existência dos profetas enviados por Deus. Por isso, deu testemunho de que o profeta não tem honra na sua própria terra (Jo 4.44) e, em certa ocasião, declarou isso para mostrar que o profeta não tem honra na sua própria terra, nem entre os seus parentes, nem mesmo em sua casa (Mc 6.4). Porém a mensagem profética continua vigente e não deixa de apelar à consciência humana, porque é a palavra de Deus, e há de prestar-lhe atenção como uma luz que ilumina lugares escuros, até que o dia amanheça e brilhe nos corações dos seres humanos.</p>
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