Eis-me aqui! Envia-me! (Isaias 6,8)

Formação Humana

Espírito natalino ou consumismo no natal

Estamos acostumados a ver o Natal apenas como um encantavel menino que sorri (ou chora). E então a unica motivação que se pode vir é o retorno à inocencia verdadeira da infancia. Mas esta infancia muitas vezes é confundida com uma transferencia de sentimentos ou situações confundidas e marcadas ao longo da nossa historia. Ou seja, no Natal, queremos nós muitas vezes voltar a ser crianças, no atraente mundo das compras e gastos, onde a desculpa, ou o culpado é sempre o famoso “espírito natalino”.
Eu sempre me perguntei, quem é este famoso espirito natalino que sempre enche as lojas, os shopings, os magazines? Como pode alguem se aventurar em mergulhar num mar de gente, por exemplo, os grande centros de uma cidade como São Paulo, na rua 25 de março, nas ultimas horas antes da ceia natalina? Realmente ele é muito bondoso, pois sempre dá presente para todos e principalmente para nós mesmos. É ou não é verdade que motivado pelo espírito natalino queremos ficar mais bonitos, mais bem vestidos, mais chierosos, mais fofinhos, pois queremos comer bem e melhor….e tantas outras coisas, que fazem parte do mundo encontado das crianças.
Voltemos ao presepio de Belem. Ali, muito mais que falta das coisas
materiais, o verdadeiro espírito natalino se fez pobre, para que os pobres pudessem ser ricos. Não neste mundo, mas herdeiros do verdadeiro tesouro que não passa: o Reino dos ceus. Com isto eu não estou dizendo que não podemos nos presentear com um natal cheio de coisas belas, mas convidando a conhecer mais profundamente quem é este espírito natalino
A primeira coisa que posso dizer, que este espírito natalino não está nas lojas, não está festas, não está na ceia, não esta na roupa nova, ou no sapato novo. Então onde está este espírito natalino, para que o possamos conhecer?
Com certeza ele está no coração de cada um que reconhece que o natal só terá sentido se for cheio de, primeiramente gratidão por um Deus que, amando tanto a pessoa humana, se fez pessoa. A gratidão nos leva à um segundo sentimento, a partilha. A partilha não é apenas uma troca de presentes feita no popular “amigo secreto”. Mas é um saber presentar. Não com aquilo que o outro quer, mas com aquilo que o outro precisa. Por exemplo, tem tantas pessoas ao nosso lado, as vezes na nossa propria casa, que muito mais que um par de sapatos novos, precisaria de um abraço de reconciliação. Do sentimento que nos leva à partilha, nasce uma postura, aquela da comunhão. Muitas vezes, no natal temos mais comunhão com as pessoas que estão conosco nas filas gigantescas das grande lojas, do que com Aquele que realmente nos chama à verdadeira comunhão, que nada mais é que um pertencer a um Outro, e isto experiemtamos maravilhosamente na missa de natal. Esta comunhão com Deus, nos convida à uma comunhão com os irmãos. Que sentido tem dar um monte de presente frios para todos, se não sou capaz de dar o calor do meu coração aos irmãos?
Com algumas destas pistas podemos buscar conhecer o verdadeiro espirito do natal, que vai muito além do chamado consumismo natalino. O cristão é chamado a ser luz para os povos, mostrando em tudo que faz, sua verdadeira alegria: Jesus Verbo encarnado de Deus.


Cultive boas amizades

Não preciso falar aqui da importânica de se cultivar as boas amizades para ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão.”

A verdadeira amizade nos socorre quando menos esperamos! Podemos esquecer aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esquecemos daqueles com quem choramos. Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre.

Na prosperidade os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade, apresentam-se espontaneamente. A fortuna faz amigos. A desgraça prova se eles existem de fato. É preciso saber fazer e cultivar amizades. Isso depende de cada um de nós; antes de tudo, do nosso desprendimento e fidelidade ao outro.

Para conquistar um amigo é preciso criar um “deserto” dentro de si, aceitando que o outro venha ocupá-lo.

Acolher o amigo é, em primeiro lugar, ouvir. Alguns morrem sem nunca ter encontrado alguém que lhes tenha prestado a homenagem de calar-se totalmente para ouvi-los. São poucos os que sabem ouvir, porque poucos estão vazios de si mesmos, e o seu ”eu” faz muito barulho. Se você souber ouvir, muitos virão lhe fazer confidências.

Muitos se queixam da falta de amigos, mas poucos se preocupam em realizar em si as qualidades próprias para conquistar amigos e conservá-los.

Se você quiser ser agradável às pessoas, fale a elas daquilo que lhes interessa e não daquilo que interessa a você. A amizade é alimentada pelo diálogo; que é uma troca de ideias em busca da verdade. Muito diferente da discussão, que é uma luta entre dois, na qual cada um defende a sua opinião.

A verdadeira amizade não pode ser alimentada pela discussão, somente pelo diálogo.

Em vez de demonstrar exaustivamente que o amigo está errado, ajude-o a descobrir a verdade por si mesmo; isso é muito mais nobre e pedagógico.

Se você quiser agir sobre seu amigo, de verdade, para que ele mude, comece por amá-lo sincera e desinteressadamente.
A amizade também exige que se corrija o amigo que erra; mas devemos censurar os amigos na intimidade; e elogiá-los em público. Nada é tão nocivo a uma amizade como a crítica ao amigo na frente de outras pessoas; isso humilha e destrói a confiança. Nunca desista de ajudar o amigo a vencer uma batalha; não há nem haverá alguém que tenha caído tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso socorro.

Uma amizade só é verdadeira e duradoura se é baseada na fidelidade. Cuidado, pois, para magoar alguém são necessários um inimigo e um amigo: o inimigo para caluniar e um “amigo” para transmitir a calúnia.

(Trecho extraído do livro “Para ser feliz”)

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Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Trocando Idéias”. Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br


Homilia do Papa na Missa para as famílias croatas

Nesta Santa Missa que tenho a alegria de presidir, concelebrando com numerosos Irmãos no episcopado e com um grande número de sacerdotes, agradeço ao Senhor por todas as queridas famílias aqui reunidas e por muitas outras que estão unidas conosco através do rádio e da televisão.

O meu agradecimento particular ao Cardeal Josip Bozanić, Arcebispo de Zagrábia, pelas sentidas palavras que me dirigiu no início da Santa Missa. A todos dirijo a minha saudação e exprimo a minha grande estima com um abraço de paz.

Celebramos há pouco a Ascensão do Senhor e preparamo-nos para receber o grande dom do Espírito Santo. Vimos, na primeira leitura, como a comunidade apostólica se reunira em oração no Cenáculo com Maria, a Mãe de Jesus (cf. Ato 1, 12-14). Este é um retrato da Igreja cujas raízes assentam no evento pascal: de fato, o Cenáculo é o lugar onde Jesus instituiu a Eucaristia e o Sacerdócio na Última Ceia, e onde, ressuscitado dos mortos, efundiu o seu Espírito sobre os Apóstolos ao entardecer do dia de Páscoa (cf. Jo 20, 19-23).

O Senhor ordenara aos seus discípulos que “não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a Promessa do Pai” (Ato 1, 4), isto é, pedira que permanecessem juntos preparando-se para receber o dom do Espírito Santo. E eles reuniram-se em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (Ato 1, 14).

Permanecer juntos foi a condição que Jesus pôs para acolherem a vinda do Paráclito, e a prolongada oração foi o pressuposto da sua concórdia. Aqui encontramos uma lição estupenda para cada comunidade cristã. Às vezes pensa-se que a eficácia missionária dependa principalmente de uma cuidadosa programação e da sua realização inteligente através de um compromisso concreto.

O Senhor pede certamente a nossa colaboração, mas, antes de qualquer resposta da nossa parte, é necessária a sua iniciativa: o verdadeiro protagonista é o seu Espírito, que se deve invocar e acolher.

No Evangelho, ouvimos a primeira parte da chamada “oração sacerdotal” de Jesus (cf. Jo 17, 1-11a) – depois dos discursos de despedida – repleta de familiaridade, ternura e amor. Designa-se “oração sacerdotal”, porque nela Jesus aparece na atitude de sacerdote que intercede pelos seus, quando está para deixar este mundo. Predomina no texto um duplo tema: o da hora e o da glória. Trata-se da hora da morte (cf. Jo 2, 4; 7, 30; 8, 20), a hora em que o Filho deve passar deste mundo para o Pai (Jo 13, 1); mas ao mesmo tempo é também a hora da sua glorificação que se realiza através da cruz, designada pelo evangelista João como “exaltação”, isto é, levantamento, elevação à glória: a hora da morte de Jesus, a hora do amor supremo, é a hora da sua glória mais alta. Também para a Igreja, para cada cristão, a glória mais alta é aquela Cruz, é viver a caridade, dom total a Deus e aos outros.

Amados irmãos e irmãs! De bom grado acolhi o convite que me fizeram os Bispos da Croácia para visitar este País por ocasião do primeiro Encontro Nacional das Famílias Católicas Croatas. Desejo exprimir vivo apreço pela vossa solicitude e empenho a favor da família, não só porque esta realidade humana fundamental tem hoje no vosso país, como noutros lados, de enfrentar dificuldades e ameaças e, por conseguinte, precisa particularmente de ser evangelizada e sustentada, mas também porque as famílias cristãs são um recurso decisivo para a educação na fé, para a edificação da Igreja como comunhão e para a sua presença missionária nas mais diversas situações da vida.

Conheço a generosidade e dedicação com que vós, queridos Pastores, servis o Senhor e a Igreja. O vosso trabalho diário, tanto na formação da fé das novas gerações como na preparação para o matrimônio e no acompanhamento das famílias, é o caminho fundamental para regenerar incessantemente a Igreja e também para vivificar o tecido social do país. Possa este precioso serviço pastoral continuar a contar com a vossa disponibilidade!

Cada um bem sabe como a família cristã é um sinal especial da presença e do amor de Cristo e como está chamada a dar uma contribuição específica e insubstituível para a evangelização. O Beato João Paulo II, que visitou três vezes este nobre país, afirmava que “a família cristã é chamada a tomar parte viva e responsável na missão da Igreja de modo próprio e original, colocando-se ao serviço da Igreja e da sociedade no seu ser e agir, enquanto comunidade íntima de vida e de amor” (Familiaris consortio, 50).

A família cristã foi sempre a primeira via de transmissão da fé e ainda hoje conserva grandes possibilidades para a evangelização em muitos âmbitos.

Queridos pais, empenhai-vos sempre em ensinar os vossos filhos a rezar, e rezai com eles; aproximai-os dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia (este ano, celebrais seis séculos do “milagre eucarístico de Ludberg”); introduzi-os na vida da Igreja; na intimidade doméstica, não tenhais medo de ler a Sagrada Escritura, iluminando a vida familiar com a luz da fé e louvando a Deus como Pai. Sede uma espécie de Cenáculo em miniatura, como o de Maria e dos discípulos, onde se vive a unidade, a comunhão, a oração.

Hoje, graças a Deus, muitas famílias cristãs vão adquirindo cada vez maior consciência da sua vocação missionária, e comprometem-se seriamente dando testemunho de Cristo Senhor. O Beato João Paulo II fez questão de salientar: “Uma família autêntica, fundada no matrimônio, é em si mesma uma ‘boa notícia’ para o mundo”. E acrescentou: “No nosso tempo, são cada vez mais numerosas as famílias que colaboram ativamente na evangelização. Amadureceu na Igreja a hora da família, que é também a hora da família missionária” (Angelus, 21 de Outubro de 2001).

Na sociedade atual, é muito necessária e urgente a presença de famílias cristãs exemplares. Infelizmente temos de constatar, sobretudo na Europa, o aumento de uma secularização que leva a deixar Deus à margem da vida e a uma crescente desagregação da família. Absolutiza-se uma liberdade sem compromisso com a verdade, e cultiva-se como ideal o bem-estar individual através do consumo de bens materiais e de experiências efêmeras, descuidando a qualidade das relações com as pessoas e os valores humanos mais profundos; reduz-se o amor a mera emoção sentimental e à satisfação de impulsos instintivos, sem empenhar-se por construir laços duradouros de mútua pertença e sem abertura à vida. Somos chamados a contrastar esta mentalidade.

A par da palavra da Igreja, é muito importante o testemunho e o compromisso das famílias cristãs, o seu testemunho concreto, sobretudo para afirmar a intangibilidade da vida humana desde a concepção até ao seu fim natural, o valor único e insubstituível da família fundada no matrimônio e a necessidade de disposições legislativas que sustentem as famílias na sua tarefa de gerar e educar os filhos. Queridas famílias, sede corajosas!

Não cedais à mentalidade secularizada que propõe a convivência como preparação ou mesmo substituição do matrimônio.

Mostrai com o vosso testemunho de vida que é possível amar, como Cristo, sem reservas, que não é preciso ter medo de assumir um compromisso com outra pessoa. Queridas famílias, alegrai-vos com a paternidade e a maternidade! A abertura à vida é sinal de abertura ao futuro, de confiança no futuro, tal como o respeito da moral natural, antes que mortificar a pessoa, liberta-a. O bem da família é igualmente o bem da Igreja.

Quero repetir aqui o que disse um dia: “A edificação de cada uma das famílias cristãs situa-se no contexto daquela família mais ampla que é a Igreja, a qual a sustenta e leva consigo. E, vice-versa, a Igreja é edificada pelas famílias, pequenas Igrejas domésticas” (Discurso de abertura do Congresso eclesial diocesano de Roma, 6 de Junho de 2005: Insegnamenti di Benedetto XVI, vol. I, 2005, p. 205).

Peçamos ao Senhor que cada vez mais as famílias se tornem pequenas Igrejas e as comunidades eclesiais sejam cada vez mais família.

Queridas famílias croatas, vivendo na comunhão de fé e caridade, sede testemunhas de maneira sempre mais transparente da promessa que o Senhor, ao subir ao Céu, fez a cada um de nós: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20).

Amados cristãos croatas, senti-vos chamados a evangelizar com toda a vossa vida; senti intensamente a palavra do Senhor: “Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações” (Mt 28, 19). A Virgem Maria, Rainha dos Croatas, vele incessantemente sobre este vosso caminho. Amém. Sejam louvados Jesus e Maria!


Carta Circular – abuso sexual contra menores por parte de clérigos

CARTA CIRCULAR

para ajudar as Conferências Episcopais na preparação de linhas diretrizes

no tratamento dos casos de abuso sexual contra menores por parte de clérigos

Dentre as importantes responsabilidades do Bispo diocesano para assegurar o bem comum dos fiéis e, especialmente das crianças e dos jovens, existe o dever de dar uma resposta adequada aos eventuais casos de abuso sexual contra menores, cometidos por clérigos na própria diocese. Tal resposta implica a instituição de procedimentos capazes de dar assistência às vítimas de tais abusos, bem como a formação da comunidade eclesial com vistas à proteção dos menores. Tal resposta deverá prover à aplicação do direito canônico neste campo, e, ao mesmo tempo, levar em consideração as disposições das leis civis.

I. Apectos gerais:

a) As vítimas do abuso sexual:

A Igreja, na pessoa do Bispo ou de um seu delegado, deve se mostrar pronta para ouvir as vítimas e os seus familiares e para se empenhar na sua assistência espiritual e psicológica. No decorrer das suas viagens apostólicas, o Santo Padre Bento XVI deu um exemplo particularmente importante com a sua disposição para encontrar e ouvir as vítimas de abuso sexual. Por ocasião destes encontros, o Santo Padre quis se dirigir às vítimas com palavras de compaixão e de apoio, como aquelas que se encontram na sua Carta Pastoral aos Católicos da Irlanda (n. 6): “Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade.”

b) A proteção dos menores:

Em algumas nações foram lançados, em âmbito eclesiástico, programas educativos de prevenção, a fim de assegurar “ambientes seguros” para os menores. Tais programas tentam ajudar os pais, e também os operadores pastorais ou escolásticos, a reconhecer os sinais do abuso sexual e a adotar as medidas adequadas. Os supracitados programas mereceram amiúde um reconhecimento como modelos na luta para eliminar os casos de abuso sexual contra menores nas sociedades hodiernas.

c) A formação dos futuros sacerdotes e religiosos

O Papa João Paulo II dizia no ano de 2002: “No sacerdócio e na vida religiosa não existe lugar para quem poderia fazer mal aos jovens” (n. 3, Discurso aos Cardeais americanos, 23 de abril de 2002). Estas palavras chamam à atenção para a responsabilidade específica dos Bispos, dos Superiores Maiores e daqueles que são responsáveis pelos futuros sacerdotes e religiosos. As indicações dadas na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, bem como as instruções dos Dicastérios competentes da Santa Sé, possuem uma importância sempre crescente com vistas a um correto discernimento vocacional e a uma formação humana e espiritual sadia dos candidatos. Em particular façam-se esforços de sorte que os candidatos apreciem a castidade, o celibato e a paternidade espiritual do clérigo e que possam aprofundar o conhecimento da disciplina da Igreja sobre o assunto. Indicações mais específicas podem ser integradas nos programas formativos dos seminários e das casas de formação previstas na respectiva Ratio Institutionis Sacerdotalis de cada nação e Instituto de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica.
Uma diligência especial deve ser ademais reservada à indispensável troca de informações acerca daqueles candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa que são transferidos de um seminário a outro, de uma a outra Diocese ou de Institutos religosos a Dioceses.

d) O acompanhamento dos sacerdotes

1. O Bispo tem o dever de tratar a todos os seus sacerdotes como pai e irmão. Além disso, o Bispo deve providenciar com atenção especial à formação permanente do clero, sobretudo nos primeiros anos seguintes à sagrada Ordenação, valorizando a importância da oração e do mútuo apoio na fraternidade sacerdotal. Os sacerdotes devem ser infomados sobre o dano provocado por um clérigo à vítima de abuso sexual e sobre a própria responsabilidade diante da legislação canônica e civil, como também a reconhecer os sinais de eventuais abusos perpetrados contra menores;

2. Os Bispos devem assegurar todo esforço no tratamento dos casos de eventuais abusos que porventura lhes sejam denunciados de acordo com a disciplina canônica e civil, no respeito dos direitos de todas as partes;

3. O clérigo acusado goza da presunção de inocência até prova contrária, mesmo se o Bispo, com cautela, pode limitar o exercício do ministério, enquanto espera que se esclareçam as acusações. Em caso de inocência, não se poupem esforços para reabilitar a boa fama do clérigo acusado injustamente.

e) A cooperação com as autoridades civis

O abuso sexual de menores não é só um delito canônico, mas também um crime perseguido pela autoridade civil. Se bem que as relações com as autoridades civis sejam diferentes nos diversos países, é contudo importante cooperar com elas no âmbito das respectivas competências. Em particular se seguirão sempre as prescrições das leis civis no que toca o remeter os crimes às autoridades competentes, sem prejudicar o foro interno sacramental. É evidente que esta colaboração não se refere só aos casos de abuso cometidos por clérigos, mas diz respeito também aos casos de abuso que implicam o pessoal religioso ou leigo que trabalha nas estruturas eclesiásticas.

II. Breve relatório da legislação canônica em vigor relativa ao delito de abuso sexual de menores perpretado por um clérigo

No dia 30 de abril de 2001, o Papa João Paulo II promulgou o Motu Própio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (SST), com o qual se inseriu o abuso sexual de um menor perpetrado por um clérigo no elenco de delicta graviora, reservado à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). A prescrição de um tal delito foi fixada em 10 anos a partir do 18º aniversário da vítima. A legislação do Motu Próprio vale tanto para os clérigos latinos quanto para os clérigos orientais, igualmente para o clero diocesano como para o religioso.

Em 2003, o então Prefeito da CDF, o Cardeal Ratzinger, obteve de João Paulo II a concessão de algumas faculdades especiais para oferecer maior flexibilidade nos processos penais para os casos de delicta graviora, dentre os quais o uso do processo penal administrativo e o pedido da demissão ex officio nos casos mais graves. Estas faculdades foram integradas na revisão do Motu Próprio aprovada pelo Santo Padre Bento XVI aos 21 de maio de 2010. Segundo as novas normas a prescrição é de 20 anos, os quais nos casos de abuso de menores se calculam a partir do 18º aniversário da vítima. A CDF pode eventualmente derrogar às prescrições em casos particulares. Especificou-se também o delito canônico da aquisição, detenção ou divulgação de material pedopornográfico.

A responsabilidade de tratar os casos de abuso sexual contra menores é, num primeiro momento, dos Bispos ou dos Superiores Maiores. Se a acusação parecer verossímil, o Bispo, o Superior Maior ou o seu delegado devem proceder a uma inquisição preliminar de acordo com os cân. 1717 do CIC, 1468 CCEO e o art. 16 SST.

Se a acusação for considerada crível – digna de crédito, pede-se que o caso seja remetido à CDF. Uma vez estudado o caso, a CDF indicará ao Bispo ou al Superior Maior os ulteriores passos a serem dados. Ao mesmo tempo, a CDF oferecerá uma diretriz para assegurar as medidas apropriadas, seja grantindo um procedimento justo aos clérigos acusados, no respeito do seu direito fundamental à defesa, seja tutelando o bem da Igreja, inclusive o bem das vítimas. É útil recordar que normalmente a imposição de uma pena perpétua, como a dimissio do estado clerical requer um processo penal judicial. De acordo com o Direito Canônico (cf. can. 1342 CIC) os Ordinários não podem decretar penas perpétuas por decretos extra-judiciários; para tanto devem se dirigir à CDF, à qual compete o juízo definitivo a respeito da culpabilidade e da eventual inidoneidade do clérigo para o ministério, bem como a consequente imposição da pena perpétua (SST Art. 21, § 2).

As medidas canônicas aplicadas contra um clérigo reconhecido culpado de abuso sexual de um menor são geralmente de dois tipos: 1) medidas que restringem o ministério público de modo completo ou pelo menos excluindo os contatos com menores. Tais medidas podem ser acompanhadas por um preceito penal; 2) penas eclesiásticas, dentre as quais a mais grave é a dimissio do estado clerical.

Em alguns casos, prévio pedido do próprio clérigo, pode-se conceder a dispensa, pro bono Ecclesiae das obrigações inerentes ao estado clerical, inclusive do celibato.

A inquisição preliminar e todo o processo devem se desenvolver com o devido respeito a fim de proteger a discreção em torno às pessoas envolvidas, e com a devida atenção à sua reputação.

Ao menos que existam razões graves em contrário, o clérigo acusado dever ser informado da acusação apresentada, a fim de que lhe seja dada a possibilidade de responder à mesma, antes de se transmitir um caso à CDF. A prudência do Bispo ou do Superior Maior decidirá qual informação deva ser comunicada al acusado durante a inquisição preliminar.

Compete ao Bispo ou ao Superior Maior prover ao bem comum determinando quais medidas de precaução previstas pelo cân. 1722 CIC e pelo cân. 1473 CCEO devam ser impostas. De acordo com o art. 19 SST, isto se faz depois de começada a inquisição preliminar.

Recorda-se finalmente que se alguma Conferência Episcopal, excetuado o caso de uma aprovação da Santa Sé, julgue por bem dar normas específicas, tal legislação particular dever ser considerada como um complemento à legislação universal e não como substituição desta. A legislação particular dever portanto harmonizar-se com o CIC/CCEO, bem como com o Motu Próprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (30 de abril de 2001) como foi atualizado aos 21 de maio de 2010. Se a Conferência Episcopal decidir estabelecer normas vinculantes, será necessário requerer a recognitio aos Dicastérios competentes da Cúria Romana.

III. Indicações aos Ordinários sobre o modo de proceder

As linhas diretrizes preparadas pela Conferência Episcopal deveriam fornecer orientações aos Bispos diocesanos e aos Superiores Maiores no caso em que fossem informados de possíveis (presunti) abusos sexuais contra menores perpetrados por clérigos presentes no território da sua jurisdição. Tais linhas diretrizes devem levar em conta as seguintes considerações:

a.) o conceito de “abuso sexual contra menores” deve coincidir com a definição do Motu Próprio SST art. 6 (“o delito contra o sexto mandamento do Decálogo cometido por um clérigo com um menor de dezoito anos”), bem como com a praxe interpretativa e a jurisprudência da Congregação para a Doutrina da Fé, levando em consideração as leis civis do País;

b.) a pessoa que denuncia o delito dever ser tratada com respeito. Nos casos em que o abuso sexual esteja ligado com um outro delito contra a dignidade do sacramento da Penitência (SST, art. 4), o denunciante tem direito de exigir que o seu nome não seja comunicado ao sacerdote denunciado (SST, art. 24);

c.) as autoridades eclesiásticas devem se empenhar para oferecer assitência espiritual e psicológica às vítimas;

d.) o exame das acusações seja feito com o devido respeito do princípio de privacy e da boa fama das pessoas;

e.) ao menos que haja graves razões em contrário, já durante o exame prévio, o clérigo acusado seja informado das acusações para ter a possibilidade de responder às mesmas;

f.) os órgãos consultivos de vigilância e de discernimento dos casos particulares, previstos em alguns lugares, não devem substituir o discernimento e a potestas regiminis dos Bispos em particular;

g.) as linhas diretrizes devem levar em consideração a legislação do País da Conferência, especialmente no tocante à eventual obrigação de avisar as autoridades civis;

h.) seja assegurado em todos os momentos dos processos disciplinares ou penais um sustento justo e digno ao clérigo acusado;

i.) exclua-se o retorno o clérigo ao ministério público se o mesmo for perigoso para os menores ou escandaloso para a comunidade.

Conclusão:

As linhas diretrizes preparadas pelas Conferências Episcopais intendem proteger os menores e ajudar as vítimas para encontrar assitência e reconciliação. As mesmas deverão indicar que a responsabilidade no tratamento dos delitos de abuso sexual de menores pro parte dos clérigos compete em primeiro lugar ao Bispo diocesano. Por fim, as linhas diretrizes deverão levar a uma orientação comum no seio de uma Conferência Episcopal, ajudando a harmonizar do melhor modo os esforços dos Bispos em particular a fim de salvaguardar os menores.

Roma, da sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Maio de 2011

William Cardinale Levada
Prefeito

+ Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo Tit. de Thibica
Secretário


Resumo do livro Jesus de Nazaré II parte de Bento XVI

A segunda parte da obra “Jesus de Nazaré”, de Joseph Ratzinger – Bento XVI, foi lançada nesta quinta-feira, 10. A obra está dividida em nove capítulos e é dedicada aos momentos que precederam a morte de Jesus e a sua ressurreição, mostrando as palavras e acontecimentos decisivos da vida de Cristo.

A seguir, confira um resumo dos principais pontos abordados em cada um dos capítulos da obra:

Capítulo 1 – Fala sobre a entrada de Jesus em Jerusalém, recebido com festa pela multidão, sentado sobre um jumentinho, como “um rei da paz e um rei da simplicidade, um rei dos pobres”. Não é um revolucionário político, “não se fundamenta sobre a violência; não inicia uma revolta militar contra Roma. O seu poder é de caráter contrário: é na pobreza de Deus, na paz de Deus que Ele identifica o único poder salvífico”, salienta Bento XVI.

O Santo Padre destaca que a violência não instaura o Reino de Deus. Ao contrário, é um dos instrumentos preferidos do anticristo, não servindo à humanidade, e sim desumanizando-a. “Jesus não vem como destruidor; não vem com a espada do revolucionário. Vem com o dom da cura”. Cristo, salienta o Bispo de Roma, dedica-se àqueles que, por causa de suas enfermidades, são colocados a margem da sociedade, mostrando Deus como Aquele que ama.

Particularmente, Ele é recebido com alegria pelos pequenos, “por aqueles que são capazes de ver com o coração puro e com simplicidade e que são abertos a sua bondade”, enfatiza o Papa. No dia seguinte à entrada em Jerusalém, Jesus combate a relação entre religião e comércio, salientando que o tempo se tornou um covil de ladrões.

Capítulo 2 – Após a entrada em Jerusalém, é proclamado “o grande discurso escatológico de Jesus, com os temas centrais da destruição do templo, da destruição de Jerusalém, do Juízo final e do fim do mundo”. Jesus, conta o Pontífice, tantas vezes quis acolher os filhos de Jerusalém, mas eles não quiseram, e depois os romanos destróem o templo e fazem um massacre dos judeus.

Para o judaísmo, “a destruição do templo deve ter sido um grande choque”: com o fim dos sacrifícios expiatórios eles não poderiam fazer nada que compensasse o mal crescente no mundo. Mas, com Jesus, “é superada a época do tempo de pedra. Inicio-se algo novo. Jesus mesmo é colocado no lugar do tempo, é Ele o novo templo, é a presença de Deus vivente. Nele Deus e homem, Deus e o mundo se encontram”. No seu amor, desfaz-se todo o pecado do mundo.

Jesus, no discurso escatológico, fala do tempo dos pagãos, localizado entre a destruição de Jerusalém e do fim do mundo: durante esse tempo, “o Evangelho deve ser levado a todo o mundo e a todos os homens: somente depois a história poderá chegar a sua meta”.

Deus quer salvar a todos. Jesus diz “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”. A Palavra, salienta Bento XVI, é mais real e mais duradoura que todo o mundo material, “é a realidade verdadeira e confiável. Os elementos cósmicos passam; a palavra de Jesus é o verdadeiro ‘firmamento’ no qual o homem pode estar e permanecer”.

Capítulo 3 – Ao lavar os pecados, Jesus se despoja de seu esplendor divino para purificar a sujeira do mundo e para “tornar-nos capazes de participar do banquete nupcial de Deus”, realizando uma mudança radical na história da religião: diante de Deus, “não é a prática de rituais que purifica”, mas é “a fé que purifica o coração”.

O Papa explica que a novidade do Evangelho não pode consistir na elevação da prestação moral. “A nova Lei é a graça do Espírito Santo, não é uma nova norma, mas a nova interioridade doada pelo próprio Espírito de Deus”, salienta.

Segundo Bento XVI, somente se as pessoas se deixarem ser lavadas repetidamente por Deus poderão aprender a fazer junto a Ele aquilo que Ele fez. “Devemos deixar-nos imergir na misericórdia do Senhor para que, assim, nosso coração possa ser caminho de justiça”, salienta o Papa. O mandamento novo do amor “não é simplesmente uma exigência nova e superior: ele está ligado à novidade de Jesus Cristo – ao crescente ser imerso n’Ele”, afirma o Santo Padre.

A pureza é um dom, como ser cristão também é um dom que se desenvolve na dinâmica do viver e agir junto com este dom. Joseph Ratzinger explica que Pedro e Judas são dois modos diferentes de reagir diante desse dom. Ambos o acolhem, mas depois um o renega e outro o trai. Pedro, arrependido, crê no perdão. Também Judas arrepende-se, mas não “consegue mais acreditar no perdão. O seu arrependimento torna-se desespero… vê então somente as próprias trevas, é destrutivo e não é um verdadeiro arrependimento”. Em Judas, encontra-se o perigo que percorre todos os tempos, o perigo de quem, uma vez iluminado, através de uma série de formas aparentemente pequenas de infidelidade, decai espiritualmente e chega, ao final, saindo da luz, entra na noite e não é mais capaz de conversão.

Além disso, em Judas, que o trai, Jesus experimenta “a incompreensão, a infidelidade até no interior do círculo mais íntimo dos amigos. A ruptura da amizade acontece até na comunidade sacramental da Igreja, onde sempre de novo há pessoas que tomam ‘o seu pão’ e o atraiçoam”.

Capítulo 4 – A oração sacerdotal de Jesus é compreensível somente com o pano de fundo da liturgia da festa judaica da Expiação (Yom kippùr). A elevação de Jesus sobre a Cruz constitui “o dia da Expiação do mundo, em que toda a história do mundo encontra o seu sentido”: aquele de reconciliar-se com Deus. O não ser reconciliado com Deus constitui o problema essencial de toda a história do mundo.

A missão de Jesus é universal, é a de fazer com que “o homem, no tornar-se uma só coisa com Deus, volte a ser totalmente ele mesmo. Essa transformação, no entanto, tem o preço da cruz e, para as testemunhas de Cristo, aquele da disponibilidade do martírio”.

Capítulo 5 – O Papa afronta a questão das datas distintas da Última Ceia entre os Evangelhos Sinóticos e o Evangelho segundo João. Salienta que a pesquisa histórica pode chegar somente até certo grau de probabilidade, nunca a uma certeza última. “Se a certeza da fé baseasse-se exclusivamente sobre uma abordagem histórico-científica, permaneceria sempre passível de revisão”, adverte Bento XVI, complementando que a certeza última é-nos dada pela fé – o crer com a Igreja guiada pelo Espírito Santo.

Segundo o Papa, “a Última Ceia significa a sua despedida, pois não pertencia a nenhum determinado rito judaico. Ele dava algo de novo, dava a si mesmo como o verdadeiro Cordeiro, instituindo assim a Páscoa”. Bento XVI salienta que “aquilo que a Igreja celebra na Missa não é a última ceia, mas aquilo que o Senhor, durante a última ceia, instituiu e confiou à Igreja: a memória da sua morte sacrifical”.

Capítulo 6 – No Getsêmani, Jesus experimentou a última solidão e toda a tribulação do ser homem. Pedro é contrário à cruz e é apontado pelo Papa como sinal daquela atitude que tenta continuamente os cristãos e também a Igreja: sem a cruz, chegar ao sucesso.

Jesus pede que os discípulos façam vigília, mas é em vão. Uma angústia suprema assola Jesus, na consciência de tomar sobre si todo o mal do mundo: “é o encontra mesmo entre luz e trevas, entre vida e morte – o verdadeiro drama da escolha que caracteriza a história humana”. Jesus eleva a sua súplica ao Pai, Àquele que pode salvá-lo da morte.

Capítulo 7 – Bento XVI aborda o processo contra Jesus e sublinha que não foi o povo judeu como tal que desejou a morte de Cristo, pois também Jesus e seus discípulos eram judeus. Quem o acusava era a aristocracia do templo, mas com exceções (como Nicodemos), e os apoiadores da soltura de Barrabás.

Durante o processo, Pilatos pergunta: “O que é a verdade?”. O Papa indica: “A não redenção do mundo consiste no não reconhecimento da verdade, uma situação que, depois, conduz inevitavelmente ao domínio do pragmatismo e, desde modo, faz que o poder dos mais fortes torne-se deus deste mundo”.

Bento XVI recorda que, da mesma forma como Pilatos, muitos hoje entendem a questão acerca da verdade “irresolvível”. “Mas, sem a verdade, o homem não alcança o sentido da vida, deixa o campo aos mais fortes. A verdade torna-se reconhecível em Jesus Cristo. Externamente, ela é imponente no mundo – como Cristo, frente aos critérios do mundo, parece sem poder… é crucificada. Mas exatamente assim, na total falta de poder, Ele é poderoso, e somente assim a verdade torna-se sempre novamente uma potência”.

Capítulo 8 – A crucificação e a deposição de Jesus no sepulcro. O Papa recorda que ninguém esperava o fim do Messias na cruz, um fato, num primeiro momento, incompreensível e que levou a uma nova compreensão da Escritura.

Bento XVI recorda que a primeira palavra de Jesus sobre a Cruz é o pedido de perdão para os crucificadores, pois “não sabem o que fazem”. Ele também indica a figura do bom ladrão sobre a cruz como a imagem da esperança, “a certeza consoladora de que a misericórdia de Deus pode alcançar-nos também no último instante; a certeza de que a oração que implora a sua bondade não é em vão”.

O Papa também defende que “o bem é sempre infinitamente maior que todo o mal, por mais terrível que seja. Por isso, ao centro do ministério apostólico e do anúncio do Evangelho deve estar o ingresso no mistério da cruz. Ali, a obscuridade e a ilogicidade do pecado encontram-se com a santidade de Deus na sua luminosidade deslumbrante para os nossos olhos e isso vai além da nossa lógica. No entanto, na mensagem do Novo Testamento e na sua verificação na vida dos santos, o grande mistério torna-se totalmente luminoso. O mistério da expiação não deve ser sacrificado devido a qualquer racionalismo pedante”.

Capítulo 9 – A ressurreição de Jesus dentre os mortos. “Sem a fé na ressurreição a fé cristã é morta. Somente se Jesus ressuscitou aconteceu aquilo de verdadeiramente novo que transforma o mundo e a situação do homem”, diz o Papa.

O Pontífice explica que a ressurreição não foi o milagre de um cadáver reanimado. “Foi a entrada em um gênero de vida totalmente novo, rumo a uma vida não mais sujeita à lei do morrer e do tornar-se, mas que vai além disso – uma vida que inaugurou uma nova dimensão do ser homens. É uma espécie de ‘mutação decisiva’, um salto de qualidade. Está aberta uma nova possibilidade de ser homem, uma possibilidade que interessa a todos e abre um futuro, um novo gênero de futuro para os homens”.

Bento XVI questiona se a ressurreição estaria em contraste com a ciência. “Em toda a história daquilo que vive, os inícios das novidades são pequenos, quase invisíveis – podem ser ignorados. O Senhor mesmo disse que o ‘reino dos céus’, neste mundo, é como um grão de mostarda, a menor de todas as sementes. Mas traz em si a potencialidade infinita de Deus. A ressurreição de Jesus, do ponto de vista da história do mundo, é imperceptível, é a menor semente da história. Essa inversão da proporções faz parte dos mistérios de Deus. No final da contas, aquilo que é grande, poderoso, é o pequeno. E a semente pequena é a verdadeiramente grande. A ressurreição é um evento dentro da história que, todavia, quebra o âmbito da história e a supera”.

O Pontífice declara que é próprio do mistério de Deus agir de modo submisso. “Somente aos poucos Ele constrói na grande história da humanidade a sua história… Continuamente Ele bate de modo submisso na porta de nossos corações e, se lhe abrimos, lentamente torna-nos capazes de ‘ver’. Não é exatamente esse o estilo divino? Não sobrecarregar com o poder exterior, mas dar liberdade, doar e suscitar amor”.

Conclusão – E subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai e, de novo, vira em glória. O testemunho dos discípulos de Jesus “traduz-se essencialmente em uma missão: devem anunciar ao mundo que Jesus é o Vivente – a Vida mesma”.

Segundo o Papa, a narrativa do Evangelho de São Lucas sobre a ascensão diz que “os discípulos ficaram cheios de alegria depois que o Senhor ficou definitivamente distante deles. Não se sentem abandonados. Estão seguros de que o Ressuscitado exatamente agora está presente em meio a eles de uma maneira nova e poderosa, que não se pode mais perder. Está sempre presente em meio a nós e por nós”.

A confiança e a razão da alegria dos cristãos é que o Senhor sempre vem no momento oportuno, na expectativa de que Ele virá na glória. A fé no retorno de Cristo é o segundo pilar da profissão cristã. Isso implica a certeza na esperança de que Deus enxugará toda a lágrima, não permanecerá nada que seja privado de sentido, toda injustiça será superada e estabelecida a justiça. A vitória do amor será a última palavra da história do mundo. Nesse meio tempo, é pedida aos cristãos a vigilância. Vigilância significa sobretudo abertura ao bem, à verdade, a Deus, em meio a um mundo frequentemente inexplicável e em meio ao poder do mal. Os cristãos invocam a vinda definitiva de Jesus e veem, ao mesmo tempo, com alegria e gratidão Ele já agora antecipa a sua vinda, já agora entra em meio a nós. ‘Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo’”.


Vaticano reitera que cristãos e budistas devem viver em paz

O Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso publicou na manhã desta quinta-feira, 31 a mensagem enviada à comunidade budista felicitando-a pela tradicional festividade do “Vesakh/hanamatsuri”.
Este ano, o dia será celebrado segundo as diferentes tradições das comunidades: 8 de abril no Japão, 10 de maio na Coreia, China, Taiwan, Vietnã e Cingapura, que fazem parte da corrente budista “mahayana”; e 17 de maio em outros países como Tailândia, Sri Lanka, Camboja, Mianmar, Laos e pelos outros budistas da escola “theravada”. O “Vesakh/hanamatsuri” celebra o nascimento, a “iluminação” e o definitivo ingresso de Buda no Nirvana.

A mensagem assinada pelo Cardeal Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Jean-Louis Tauran, se intitula “À procura da verdade em liberdade: Cristãos e Budistas vivem em paz”.

O presidente do dicastério inicia a mensagem com os votos de que esta festa anual possa trazer serenidade e alegria a todos os budistas presentes no mundo inteiro.

No intento de reforçar o relacionamento entre as comunidades budista e católica, o cardeal francês defende que todas as pessoas têm uma obrigação natural de procurar a verdade, de a seguir e de a viver livremente em conformidade com ela.

“Esta tensão humana para a verdade oferece aos membros das diferentes religiões uma feliz oportunidade de um profundo encontro e de crescimento na estima recíproca pelos dons de cada um”, reafirma.

O cardeal propõe o diálogo inter-religioso como a alternativa para encontrar o “caminho de ouro” para vivermos em paz e trabalharmos juntos pelo bem comum. Segundo ele, este diálogo é também um incentivo para que todos respeitem os direitos humanos fundamentais da liberdade de consciência e da liberdade de culto.

“Quando a liberdade religiosa for efetivamente reconhecida, a dignidade da pessoa humana será respeitada na sua raiz; através de uma sincera procura daquilo que é verdadeiro e bom, a consciência moral e as instituições civis serão fortalecidas; e a justiça e a paz serão decididamente estabelecidas”.

Aos amigos budistas, o cardeal católico diz esperar que a celebração do Vesakh seja uma fonte de enriquecimento espiritual e uma ocasião para dar um novo salto na procura da verdade e da bondade, para mostrar compaixão para com todos aqueles que sofrem, e para que todos se esforcem em viver juntos em harmonia.

Caros amigos budistas,

1. É com muito prazer que, em nome do Conselho Pontifício para o Diálogo Interreligioso, me dirijo a todos vós para vos felicitar por ocasião do Vesakh/Hanamatsuri. Rezo para que esta festa anual possa trazer serenidade e alegria a todos os budistas presentes no mundo inteiro.

2. À luz de uma amizade recíproca, como tem acontecido no passado, gostaria de partilhar convosco algumas das nossas convicções, esperando assim poder reforçar o relacionamento entre as nossas comunidades. O meu pensamento dirige-se, antes de tudo, à relação entre paz, verdade e liberdade. A condição necessária para se conseguir uma paz autêntica é o empenho na procura da verdade. Todas as pessoas têm uma obrigação natural de procurar a verdade, de a seguir e de a viver livremente em conformidade com ela (cfr. Concílio Ecuménico Vaticano Segundo, Declaração sobre a liberdade religiosa Dignitatis Humanae, n. 1). Esta tensão humana para a verdade oferece aos membros das diferentes religiões, uma feliz oportunidade de um profundo encontro, e de crescimento na estima recíproca pelos dons de cada um.

3. No mundo actual, marcado por formas de secularismo e fundamentalismo que são frequentemente inimigos da verdadeira liberdade e dos valores espirituais, o diálogo interreligioso pode ser a alternativa para encontrar o “caminho de ouro” para vivermos em paz e trabalharmos juntos pelo bem comum. Como disse o Papa Bento XVI, «o diálogo entre os membros das várias religiões é, para a Igreja, um importante instrumento para colaborar, com todas as comunidades religiosas, para o bem comum». (Mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2011, n.11). Este diálogo é também um poderoso incentivo para que todos respeitem os direitos humanos fundamentais da liberdade de consciência e da liberdade de culto. Quando a liberdade religiosa for efectivamente reconhecida, a dignidade da pessoa humana será respeitada na sua raiz; através de uma sincera procura daquilo que é verdadeiro e bom, a consciência moral e as instituições civis serão fortalecidas; e a justiça e a paz serão decididamente estabelecidas (cfr. ibidem, n.5).

4. Caros amigos budistas, rezamos para que a vossa celebração do Vesakh seja uma fonte de enriquecimento espiritual e uma ocasião para dar um novo salto na procura da verdade e da bondade, para mostrar compaixão para com todos aqueles que sofrem, e para que todos se esforcem em viver juntos em harmonia. Mais uma vez permitam-nos expressar as nossas cordiais saudações e desejar a todos vós uma feliz festa de Vesakh/Hanamatsuri.

Jean-Louis Cardinal Tauran
Presidente

Arcebispo Pier Luigi Celata
Secretário


Papa tem razão sobre prevenção à Aids, comprova estudo

Um comportamento sexual responsável e a fidelidade ao próprio parceiro foram os principais fatores que determinaram a fortíssima queda da incidência de Aids na nação africana do Zimbábue. E esses dados não provêm de nenhuma diocese católica ou instituição religiosa: a informação é defendida pela prestigiada Universidade de Harvard, a mais antiga instituição de estudos superiores dos Estados Unidos, com 375 anos de história.

O pesquisador do Departamento para a Saúde global e População de Harvard, Daniel Halperin, está empenhado desde 1998 em estudar as dinâmicas sociais que estão na base da difusão das doenças sexualmente transmissíveis nos países em via de desenvolvimento, que são os maiores afetados pelo flagelo da Aids.

Através de dados estatísticos e análises de campo, como entrevistas e grupos focais, Halperin conseguiu recolher testemunhos até mesmo dos bolsões mais pobres do país africano. A curva em queda em 10 anos é evidente: entre 1997 e 2007, a taxa de infecção entre a população adulta caiu de 29 para 16%. “A repentina e nítida diminuição anda de mãos dadas com a redução de comportamentos de risco, como relações extraconjugais, com prostitutas ou ocasionais”, diz, sem hesitar, o pesquisador.

O estudo foi publicado em PLoSMedicine.org e é financiado pela agência estadounidense para o Desenvolvimento internacional, da qual Halperin já foi conselheiro, e pelo Fundo das Nações Unidas para a População e o Desenvolvimento. Com isso, o pesquisador alimenta uma séria e honesta reflexão sobre as políticas até agora adotadas pelas principais agência de luta contra a Aids nos países em vias de desenvolvimento.

Segundo Halperin, é evidente que a drástica inversão dos comportamentos sexuais da população do Zimbábue “foi auxiliada por programas de prevenção nos mass media e por projetos formativos promovidos pelas igrejas e confissões religiosas”, relata. Essas intervenções são propriamente culturais, com resultados mais distantes no tempo. No entanto, são mais incisivas e duradouras que a prática da distribuição de profiláticos, como a camisinha, que se apresenta como ineficaz.

Bento XVI

Na viagem apostólica que realizou à África, em 2009, o Papa Bento XVI comentou que o preservativo não era a solução para a luta contra a Aids. As palavras do Papa foram alvo de ásperas críticas e polêmicas, preconceituosas e não científicas, como se pode compreender também com o auxílio desse estudo ora divulgado. Também no livro-entrevista Luz do Mundo, o Pontífice recorda que “os profiláticos estão à disposição em todos os lugares, mas somente isso não resolve a questão”.

Desse modo, cada vez mais a pesquisa científica – quando honesta e não baseada na busca de vantagens econômicas – reconhece que as ações mais eficazes contra a Aids são aquelas similares ao método ABC (abstinência, fidelidade e, somente em última análise, utilização dos profiláticos), adotada com sucesso na Uganda, por exemplo.

A própria revista Science lançou luzes sobre o fato de que “a parte de maior sucesso do programa foi a mudança do comportamento sexual, com uma redução de 60% das pessoas que declaravam ter tido mais relacionamentos sexuais e o aumento do percentual dos jovens entre 15 e 19 anos que se abstiveram de sexo”. A adoção do programa colocou Uganda em uma posição exemplar na luta contra a Aids no continente africano.

Definitivamente, segundo o estudo de Halperin, é preciso “ensinar a evitar a promiscuidade e promover a fidelidade”, apoiando aquelas iniciativas que buscam verdadeiramente construir na sociedade afetada pela Aids uma nova cultura.

Enfim, como afirma Bento XVI, trabalhar para uma “humanização da sexualidade”.


Descubra a essência da santidade de João Paulo II

Há pouco mais de dois meses para a Beatificação do Papa João Paulo II, começam a multiplicar-se os eventos de natureza eclesial e cultural ao redor do mundo com o objetivo de preparar para a cerimônia.

Nesta sexta-feira, 25, o postulador da Causa de Beatificação de Karol Wojtyla (nome de batismo do Papa polonês), padre Slawomir Oder, participou da Conferência “O segredo e a essência da santidade de João Paulo II”, junto ao Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma. O encontro foi promovido pelo Centro de Estudos João Paulo II, estrutura do Ateneu que recolhe publicações e escritos do e sobre o futuro Beato.

“Aquilo que caracteriza, no entanto, a [santidade da] figura de João Paulo II, como emerge das cartas do processo de Beatificação, são essencialmente duas dimensões. A sua dimensão de homem de oração, de homem de Deus, e a dimensão da sua ânsia apostólica, o seu ser missionário de Cristo. De fato, urgia nele aquela caridade de Cristo que o incentivava a levar o Senhor a todos os lugares”, explica o postulador.

A seguir, confira uma entrevista de padre Oder à Rádio Vaticano, na qual ele fala sobre os preparativos para o acontecimento e a experiência com João Paulo II:

Padre Slawomir Oder – Não há dúvidas de que, antes de tudo em nível humano, trata-se de uma grande emoção. Para mim, a Causa de Beatificação de João Paulo II foi, sem dúvida, uma aventura espiritual que assinalou a minha pessoa e constitui um marco na minha vida. Ter, portanto, a consciência de ter podido contribuir com a realização desta realidade extraordinária, de termos chegado ao ponto em que chegamos, me dá um sentido de satisfação, de alegria frente ao Senhor.

Rádio Vaticano – Seguramente, há muitos aspectos importantes deste processo para a Causa de Beatificação. Se o senhor tivesse que citar aquilo que mais lhe marcou nestes anos…

Padre Oder – Seguramente a sua espiritualidade, o seu modo de rezar, o seu modo de ser. Da figura de João Paulo II atrai, sem dúvidas, a profundidade da sua vida espiritual. Uma expressão que o define muito bem é “homem de Deus”, “homem de oração”. E isso é um aspecto que levarei comigo no coração, um tesouro para mim, para o meu sacerdócio. Além disso, o processo é feito também por encontros com pessoas que escrevem os testemunhos. Nesse caso, aquilo que me marcou foi a proximidade deste grande homem de Deus – este grande místico, podemos dizer – da vida de tantas pessoas. Ele entrou nos corações, nas nossas famílias, e ali permaneceu. O afeto que se percebe dos testemunhos que ainda chegam à sede da postulação faz compreender que Papa Wojtyla é uma pessoa viva nos nossos corações, nos nossos sentimentos.

RV – Chegamos ao tema da Conferência no Regina Apostolorum, um tema com um título já muito ambicioso: “O segredo e a essência da santidade de João Paulo II”. É obviamente muito difícil responder a essa pergunta. Mas qual foi a essência desse testemunho de santidade?

Padre Oder – Efetivamente, restituir com uma frase – ainda que com uma conferência – um quadro completo desse personagem é impossível. Aquilo que caracteriza, no entanto, a figura de João Paulo II, como emerge das cartas do processo de Beatificação, são essencialmente duas dimensões. A sua dimensão de homem de oração, de homem de Deus, e a dimensão da sua ânsia apostólica, o seu ser missionário de Cristo. De fato, urgia nele aquela caridade de Cristo que o incentivava a levar o Senhor a todos os lugares. O ponto comum desses dois aspectos é o seu amor por Cristo. Ele amou o Senhor porque se sentiu profundamente amado por Ele, por isso não podia fazer outra coisa senão responder com essa profundiade de vida espiritual e com essa abertura do seu coração ao mudo.

RV – Quais frutos se poderão colher desta Beatificação de primeiro de maio?

Padre Oder – Penso no seguinte: nos anos deste processo, tive a nítida sensação de que quem o fez foi, na realidade, o Senhor: é Ele que dita os seus tempos, o seu modo de agir, muitas vezes surpreendente. Por isso, estou convencido de que o Senhor, através da bondade da mensagem de João Paulo II, semeará nos corações de tantas pessoas muitos frutos espirituais. Mas aquilo que seguramente será um elemento comum, como eu espero e desejo, é o suscitar a esperança, a renovada esperança de que João Paulo II foi justamente chamado a ser testemunha, e ele o é. É a esperança que o mundo não dá, mas a dá somente a amizade com o Senhor, com Cristo.


Número de sacerdotes e batizados no mundo aumenta, revela Anuário

Entre 2008 e 2009, o número de católicos no mundo aumentou 1,3% (de 1,166 para 1,181 bilhão). Já o total de sacerdotes cresceu 0,34% (de 409.197 para 410.593). Os dados fazem parte do Anuário Pontifício, divulgado na manhã deste sábado, 19.

O volume revela várias novidades sobre a vida da Igreja Católica no mundo. Confira as principais.

Fiéis batizados

O aumento absoluto de fiéis foi de 15 milhões, mas a distribuição do número de católicos é diferente da populacional – isto é, nem sempre a maior concentração de pessoas é sinônimo de quantidades maiores de cristãos.

Nas Américas, de 2008 a 2009, a população total correspondeu a 13,6% do total de habitantes no planeta. Por sua vez, o continente concentra 49,4% da população católica do mundo. Na Ásia, onde os habitantes correspondem a 60,7% da população mundial, o número de católicos está na ordem de 10,7% do total. Já na Europa, onde o número de habitantes é apenas três pontos percentuais inferior à América, a população católica corresponde a apenas 24% – praticamente metade do número de fiéis presentes nas Américas. Tanto para os países africanos quanto para os da Oceania, o peso da população sobre o total mundial não difere muito do número de católicos (15,2% e 0,8%, respectivamente, para a África e Oceania).

Clero

A população sacerdotal permanece com uma onda de crescimento moderada, iniciada no ano 2000, após um longo período de resultados bastante decepcionantes. O número dos sacerdotes, seja diocesanos, seja religiosos, aumentou 1,34% ao longo dos últimos 10 anos, passando de 405.178 em 2000 para 410.593 em 2009.

O aumento deriva do crescimento de 0,08% do clero religioso e ao aumento de 0,56% do diocesano. O decrescimento percentual afetou somente a Europa (-0,82% para os diocesanos e -0,99% para os religiosos), dado que nos outros continentes o número de sacerdotes como um todo aumentou. Com exceção da Ásia e da África, o clero religioso diminuiu em todos os lugares.

Já o número de Bispos no mundo passou – de 2008 a 2009 – passou de 5002 a 5065, com um aumento de 1,3%. O continente mais dinâmico é o africano (1,8%), seguido da Oceania (1,5%), enquanto Ásia (0,8%) e Américas (1,2%) estão abaixo da média geral. Para a Europa, o aumento é de cerca de 1,3%.

Os diáconos permanentes aumentaram 2,5%, passando de 37.203 em 2008 para 38.155 em 2009. A presença dos diáconos melhorou na Oceania e na Ásia em ritmos elevados: na Oceania, onde os diáconos não chegam ainda a 1% do total, o aumento foi de mais de 19%, chegando a 346 diáconos em 2009. Na Ásia, o incremento foi de 16%.

Mas o aumento mais considerável registra-se também nas áreas onde a presença já é quantitativamente mais relevante. Nas Américas e na Europa, onde, em 2009, residiam cerca de 98% dos diáconos permanentes do mundo, o crescimento foi de, respectivamente, 2,3% e 2,6% com relação a 2008.

O número dos candidatos ao sacerdócio no mundo cresceu 0,82%, passando de 117.024 em 2008 para 117.978 em 2009. Grande parte desse aumento atribui-se a Ásia e a África, com ritmos de crescimento de 2,39% e 2,20%, respectivamente. A Europa e as Américas registraram uma contração, respectivamente, de 1,64% e 0,17% no mesmo período.

Uma diminuição foi registrada entre os religiosos professos. Em 2008, eram 739.068; em 2009, eram 729.371. A crise, portanto, permanece, exceto na África e Ásia, onde há um aumento nos números.

Estrutura

Em 2010, foram erigidas pelo Santo Padre 10 novas Sedes Episcopais, 1 Exarcado Apostólico e 1 Vicariato Apostólico. Também foram elevadas: 1 Diocese a Sede Metropolitana; 2 Prelaturas a Dioceses; 2 Prefeituras e 1 Administração Apostólica a Vicariatos Apostólicos.

Os dados estatísticos, referentes ao ano de 2009, fornecem uma análise sintética das principais dinâmicas referentes à Igreja Católica nas 2956 circunscrições eclesiásticas do planeta.

O Anuário

O Annuarium Statisticum Ecclesiae (Anuário Estatístico da Igreja) informa sobre os aspectos salientes que caracterizam a atividade da Igreja Católica nos diversos Países e nos Continentes em particular.

O Anuário Pontifício 2011 foi apresentado ao Papa Bento XVI na manhã deste sábado, 19, pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, e pelo Substituto da Secretaria de Estado para Assuntos Gerais, Dom Fernando Filoni.

A redação do novo Anuário esteve aos cuidados do encarregado do Escritório Central de Estatística da Igreja, monsenhor Vittorio Formenti, do professor Enrico Nenna e de outros colaboradores.

Já o complexo trabalho de imprensa foi, por sua vez, gerenciado pelos padres Pietro Migliasso, SDB, Antonio Maggiotto,SDB, e Giuseppe Canesso, SDB, respectivamente Diretor-Geral, Diretor-Comercial e Diretor-Técnico da Tipografia Vaticana. O volume estará disponível em brave para venda nas livrarias.

O Santo Padre agradeceu pela homenagem, mostrando vivo interesse pelos dados ilustrados e desejando expressar Sua gratidão a todos aqueles que colaboraram para a nova edição do Anuário.


Feliz Natal!!!!!!!!!!

Certo dia, o anjo Gabriel foi enviado a uma jovem, chamada Maria, da cidade de Nazaré, para dar-lhe uma boa nova. Ela seria a mãe do filho de Deus. Logo após o anúncio, Maria foi à casa de Isabel, sua prima. Ao chegar, Isabel percebeu que havia algo especial em Maria. Era a presença de Jesus em seu ventre. Maria, por estar tão feliz, desejou que por estar tão feliz, desejou que muitas pessoas conhecessem seu filho Jesus, que mudou a sua vida e a da humanidade. Ela canta, então, no seu Magnificat a esperança de uma vida nova, com Jesus, para os que sofrem, os abandonados, aqueles que são esquecidos e para todos os que acreditam em Jesus. Mesmo sem ainda ter nascido, ele era sinal de vida por onde sua mãe passava (cf. Lc 1,47-55).

No tempo do nascimento de Jesus, o imperador Augusto convocou as pessoas para um recenseamento. Maria e José foram a Belém. Quando chegaram na cidade, não encontraram lugar nas hospedarias e foram parar num estábulo. Jesus nasce ali no meio do feno, entre os animais. O nascimento dele contagiou muitas pessoas, até uma estrela foi testemunha, quando Jesus nasceu. Os anjos, cheios de alegria, anunciaram aos pastores o seu nascimento e eles foram depressa até a estrebaria e encontraram o menino, tão pequeno, mas que mudou a vida deles, e ganharam um novo motivo para trabalhar, cuidar dos rebanhos, viver…

A vida de Jesus transformou também a vida de três Reis Magos. Eles deixaram seus palácios e foram descobrir onde se encontrava o menino. Ao encontrá-lo, encheram-se de alegria e ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.

Jesus, ao longo da sua vida, ajudou as pessoas a valorizar a vida. No seu caminho, encontrou muita gente que era deixada de lado pelas pessoas da cidade, porque tinham algum tipo de doença. É o caso do cego que gritava para que Jesus o curasse (cf. Lc 18, 35-43). Ele não só cura, mas ajuda as pessoas a perdoar. Perdoar e pedir perdão quando erramos é um jeito especial de ser como Jesus e fazer a vida brotar ao nosso redor como flores plantadas num jardim que traz muita alegria para todos os que as vêem e, assim, o Natal acontece todo dia, porque ele é VIDA NOVA.

A voce um santo e feliz Natal!!!!!!!!!!!!


O Primado da Consciência

O valor do homem está naquilo que ele é. E a grande maravilha do seu ser está na sua “imagem e semelhança” com Deus. Isto é, o homem é rico de “origem”. Todo o universo, incluindo a Terra e a beleza da natureza, é uma manifestação da glória do Senhor onipotente. Contudo, a mais perfeita manifestação do Todo Poderoso é a criatura humana. Cada pessoa, naquilo que ela tem de bom, é uma manifestação da glória e do poder de Deus. Alceu Amoroso Lima dizia que “o homem é a maior das virtualidades vivas”.

Na essência do seu ser ele herdou do seu Senhor a inteligência, a liberdade, a vontade, a sensibilidade, a consciência… Esses atributos o colocam na posição de “rei” do universo, já que por meio deles submete a si toda a criação. Só ele tem “mãos” e “inteligência”. De todos esses atributos a primazia está com a consciência porque ela é a luz que ilumina e dirige o exercício dos demais talentos. Sem uma consciência reta, uma grande inteligência pode gerar muito mal; sem ela, a liberdade deságua na libertinagem e as demais riquezas inatas no homem podem se corromper.

Ela é o espaço sacrossanto de cada indivíduo, inviolável, onde somente ele pode entrar e “estar a sós” consigo e com o seu Senhor. A Gaudium et Spes, do Vaticano II, ensina que:

“Na intimidade da consciência o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer. Chamando-o sempre a amar o bem e a evitar o mal, no momento oportuno a voz desta lei soa aos ouvidos do coração… É uma lei inscrita por Deus no coração do homem… A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (GS 16).

Newman, falando da consciência, dizia:

“É a mensageira daquele que, no fundo da natureza bem como no fundo da graça, nos fala através de um véu, nos instrui e nos governa. A consciência é o primeiro de todos os vigários de Cristo”.

Santo Agostinho chama-nos a sempre voltar para ela:

“Volta à tua consciência, interroga-a,… Voltai irmãos ao interior, e em tudo o que fizerdes atentai para a testemunha, Deus” (Jo 8,9).

Por isso, se o homem destruir dentro de si este santuário íntimo e fizer calar a voz nítida desse “silêncio”, pelas motivações exigentes do exterior, ele estará destruindo o que há de mais caro e mais “sagrado” no seu ser. Estará se destruindo naquilo que ele é, no seu “ser”, comprometendo todo o projeto da sua existência.

O mundo jamais poderá ser humano enquanto cada homem não deixar de pisotear a própria consciência. Será inócuo encher as páginas de leis e de códigos, como também será inócuo encher as ruas de policiais enquanto a humanidade não for chamada a cultivar a consciência individual. Quem deseja reformar o mundo, deve começar pela reforma da própria consciência.

A maior e última de todas as lições que meu pai deixou a nós seus filhos, já no final da sua vida, como que resumindo toda a experiência acumulada, foi esta: “Filho, não faça nada contra a sua consciência!” Jamais conseguirei esquecer estas palavras! Gostaria de repetí-las milhões de vezes para milhões de pessoas: “não faça nada contra a sua consciência”; não compensa. Nem o dinheiro vil compensa nem o poder, nem a fama, nem o prazer e nem a glória, podem compensar o massacre da consciência, pois significa o massacre de si mesmo.

E, lamentavelmente, é este triste espetáculo que assistimos hoje: o “massacre da consciência”. Por isso vemos a sociedade esfacelada. Dizia Colbert “a grandeza de um país não depende da extensão do seu território, mas do caráter do seu povo”. Esse caráter é o fruto de uma consciência bem formada, que Pascal dizia ser “o melhor livro de moral existente; e aquele que mais devia ser consultado”.

A maior crise da sociedade é a da consciência de cada cidadão, dos governantes e dos governados. Rouba-se, mata-se, corrompe-se, tapeia-se, prostitui-se, engana-se… como se as consciências estivessem mortas, e como se Deus não existisse.

É a grande decadência do homem, “vendendo-se a si mesmo” pelo preço vil da satisfação dos seus baixos instintos.

Urge que se recuperem as consciências, formando-as no seio dos lares, nos bancos das igrejas e das escolas, nas ruas e nas praças, nas oficinas e nas fábricas. É preciso dar a elas o referencial absoluto da verdade revelada por Deus, para que elas sejam bem formadas. Para que elas não sejam laxas e nem escrupulosas, terão que se alimentar da Palavra de Deus, como diz São Paulo, “viva, eficaz, penetrante, capaz de separar a alma do espírito, discernindo os pensamentos e sentimentos do coração” (Hb 4,12).

O Catecismo da Igreja ensina que:

“Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influências negativas e tentados pelo pecado a preferirem o próprio juízo e a recusar os ensinamentos autorizados… A educação da consciência é uma tarefa de toda a vida… garante a liberdade e gera a paz do coração.

Na formação da consciência, a Palavra de Deus é a luz de nosso caminho; é preciso que a assimilemos na fé e na oração e a coloquemos em prática… É preciso ainda, que examinemos nossa consciência confrontando-nos com a Cruz do Senhor. “Somos assistidos pelos dons do Espírito Santo, ajudados pelos testemunhos e conselhos dos outros e guiados pelo ensinamento autorizado da Igreja” (1783-1785).

São Paulo nos adverte de que a Palavra de Deus “é útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (II Tim 3,16-17).

Ela é o melhor meio para formar uma consciência reta.

““ Quanto mais prevalecer a consciência reta, tanto mais as pessoas e os grupos se afastam de um arbítrio e se esforçam por conformar” se às normas objetivas da moralidade” ( GS, 16).

Sem as âncoras presas em Deus, no Absoluto, nenhum homem terá uma consciência bem formada. Contudo, há que buscar o Deus único e verdadeiro; não aquele como muitos andam fazendo hoje, criado a seu bel prazer.

Para que não houvesse dúvida de quem Ele é, Deus se manifestou na plenitude da sua divindade em Jesus Cristo. Ele é a luz da consciência e a salvação do homem


“Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,35)

O valor do homem está naquilo que ele é, não por aquilo que faz ou tem. Na essência do seu ser ele herdou do seu Senhor a inteligência, a liberdade, à vontade, a sensibilidade, a consciência. “Na intimidade da consciência o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer”. (Gaudium et Spes 16).

O Catecismo da Igreja Católica diz: “Uma consciência bem formada é reta e verídica. Formula seus julgamentos seguindo a razão, de acordo com o bem verdadeiro querido pela sabedoria do Criador. A educação da consciência é indispensável aos seres humanos submetidos a influências negativas e tentados pelo pecado a preferirem o próprio juízo e a recusar os ensinamentos autorizados… A educação da consciência é uma tarefa de toda a vida… garante a liberdade e gera a paz do coração”. (CIC 1783)

Não há dúvida de que a liberdade é um dos mais belos dons que Deus concedeu a nós, seres humanos. Quando nos criou, Deus nos amou tanto que nos deixou livres para acolhê-lo ou recusá-lo. A liberdade caminha de mãos dadas com a responsabilidade, sem esta, o que era liberdade passa a ser escravidão. “O progresso na virtude, o conhecimento do bem e a ascese aumentam o domínio da vontade sobre seus atos” (CIC 1734). “O exercício da liberdade não implica o direito de dizer e fazer tudo. É falso pretender que o homem, sujeito da liberdade, baste a si mesmo, tendo por fim a satisfação de seu próprio interesse no gozo dos bens terrenos” (CIC 1740).

O homem recebeu de Deus o poder de decisão (cf. Elo 15,14), mas também recebeu a graça para que possa decidir-se pelo bem; buscar a sua essência, que é o amor. A liberdade não é dos escravos, mas dos filhos. “Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,35). Sedento de liberdade, precisa o homem moderno compreender que a verdadeira liberdade encontra-se somente em Cristo. Tanto mais livre é o homem quanto mais capaz de escolher e fazer o bem.

“O homem procura sempre um significado para a sua vida. Está sempre se movendo em busca de um sentido de seu viver”.(Victor Frankl). O sentido não pode ser dado. Os pais não podem prescrever ao filho o que é sentido, nem o chefe ao seu empregado, nem o médico ao paciente. O sentido, pois, como resposta à pergunta “para quê”, ultrapassa os limites estreitos em direção a uma conexão (próxima) maior, a partir da qual este sentido possa ser entendido. Para a compreensão do sentido é importante somente a compreensão de nós mesmos. (Quem sou eu?).

O sentido para todos os tempos — este é impossível de aprendermos. O sentido para a nossa vida — este nós não possuímos. O que se entende por sentido é sempre uma possibilidade a ser apreendida e realizada de modo concreto que possui o sentido concreto. Ele sempre vai ao nosso encontro sob a forma de situações de vida concretas.

A chave para o sentido é a abertura do homem, consiste em voltar-se para a vida. A primeira coisa a ser abordada é a visão ontológica do homem. (O QUE É O HOMEM?): Pessoal, Filho(a) de Deus, Esposo(a), Paternidade / Maternidade, Profissional. Esta escala de valores muitas vezes está desestruturada ou desregulada.

Para que eu me encontre com Deus é preciso me encontrar no meu pessoal. Encontre a maneira que eu me coloco como colaborador de Deus na missão de diretamente cuidar de alguém no amor. Este amor gera em cada pessoa, um terceiro. Para que e possa construir uma saciedade melhor eu busco ter uma missão-profissão.

Esta é a minha escala como pessoa? Qual o sentido que eu estou dando para cada área da minha vida? O que pesa mais hoje? E como posso colocar cada coisa no seu devido lugar? Quero ajuda? Tenho coragem de pedir?


A nossa dependência de Deus

“Chamado á felicidade, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade da salvação de Deus. O socorro divino lhe é dado, em Cristo, pela lei que o dirige e na graça que o sustenta: ‘Trabalhai para vossa salvação com temor e tremor, pois é Deus quem, segundo a sua vontade, realiza em vós o querer e o fazer’(Fl 2, 12-13)”.

A nossa dependência de Deus é experimentada de duas formas: a primeira nossa condição de criatura; a segunda a nossa condição de pecadores. O próprio Catecismo diz que somos chamados à felicidade, mas feridos pelo pecado, temos a necessidade da salvação de Deus. Neste trecho fica claro que não só somos dependentes do Deus Criador, com também temos a necessidade da salvação de Deus por causa da nossa ferida deixada pelo pecado.
Vendo essa situação com um olhar “rebelde”, até nos parece que Deus é um carrasco e que cobra a nossa pena por causa do pecado. Nada disso é coerente, pois antes de pecarmos, por sermos criaturas, já dependíamos de Deus. Com o pecado, a dependência só aumentou. A pergunta que pode passar na nossa cabeça é que culpa, nós temos pelo pecado de Adão e Eva?
Na justificação e na graça, há algo prévio à nossa decisão e ao nosso agir, a salvação que em Cristo já é realidade, como também há algo prévio a nossa opção pessoal pelo pecado, de que Jesus nos liberta. “Foi à força do pecado que entrou no mundo por meio de um homem (Adão), que deu lugar à morte, e esta passou porque todos pecaram” (Rm 5, 12). Por causa do primeiro pecado entra no mundo a força do pecado, que arrasta todos os homens, os quais por sua vez, pecam pessoalmente.
A Palavra diz que o pecado gera morte e, que Jesus é a Vida. Se a pessoa está viva, depende da Vida e não da morte. A morte que é o pecado agi na pessoa, pois querendo ou não ela peca. Por Amor e Vontade de Deus, a pessoa está viva, então esta pessoa não pode permitir que a morte a domine. Fazer então o que? Permitir que a Vida que é o próprio Deus Encarnado, Jesus, tome conta do seu ser. O mais forte na pessoa é a vida, então a morte gerada pelo pecado não é a dependência da pessoa e sim Jesus, que faz novas todas as coisas. Aqui se vê claramente o homem velho e o homem novo num batalha de consciência e concupiscência que grita em cada pessoa.
O Catecismo segue: “O socorro divino lhe é dado, em Cristo, pela lei que o dirige pela que o sustenta”. Na cruz Jesus não quis se fazer nosso dono, ou obrigar-nos a aceitá-lo como Senhor. No alto da cruz, Jesus chega ao máximo do que Deus fez por cada um de nós, nos deu a salvação para a vida eterna. Ao falar “Pai em tuas mãos eu entrego o meu Espírito” (Lc 23, 46), está dizendo a cada um de nós: Eu vos dou o meu Espírito para que vivais.
O dom do Espírito depois da Ressurreição aperfeiçoa a obra da salvação; só em virtude do Espírito Santo podemos participar da salvação de Cristo. Se ele é aquele que diviniza, deve necessariamente ser Deus; se não é, não podemos colocar-nos em comunhão com o Pai. Em virtude do Espírito Santo, unindo-nos a Jesus, tornamo-nos filhos de Deus. O Espírito vem em auxiliar-nos nas nossas fraquezas, ele habita em nós, (trataremos mais a fundo no próximo ponto).
A dependência por sermos criaturas, é claro, pois mesmo sendo a pessoa uma criatura entre as criaturas, mesmo que neste mundo também criado, ela tenha uma evidente centralidade. Alguns filósofos cristãos como Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino, diziam que existe um motor primeiro, aquilo que não precisa de nada para movê-lo. Não é este o nosso caso, dependemos de um motor primeiro. Então, mesmo que um ateu não acredite em Deus, nem em sua intervenção no mundo, uma coisa é certa. Algo existe funcionando diretamente em nossa vida, para estarmos vivos.
Alguma coisa é considerada fraca quando se acaba a bateria que a fazia funcionar, mas mesmo com a bateria, a fraqueza é reconhecida, pois precisa de algo que a faça funcionar. Conosco é a mesma coisa, somos fracos, pois, precisamos de algo que nos faça funcionar. Este algo só pode ser algo que não precise de nada para o fazer funcionar. Este algo é Deus.


O homem novo em Jesus cristo

“Os discípulos de Cristo ‘revestiram-se do homem novo, criado segundo Deus, na justiça e santidade da verdade’(Ef 4,24). ‘Livres da mentira’(Ef 4,25), devem ‘rejeitar toda a maldade, toda a mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência.’(1Pd 2,1)” (C.I.C. 2475).

O homem novo em Jesus Cristo não é aquele que por Jesus foi salvo, pois a salvação de Jesus é para todos, mas é aquele que ao encontrar com Jesus se reconhece como fraco e que depende de Jesus. O homem novo em Jesus é aquele que não deixa de sentir os impulsos da carne, mas sabe que o que é meramente carnal passa e por isso vai a busca das coisas do alto, das coisas de Deus, pois sabe que precisa de algo que o mantenha vivo e o leve para a vida eterna. Este algo só pode ser Deus.
O homem novo não elimina o homem velho, mas o enfraquece, pois o homem novo, naturalmente falando é mais forte, por isso deve ser quanto mais usado, melhor, para que o velho se enfraqueça cada vez mais. A questão é que o velho é mais experiente nas coisas do mundo em que vivemos, se tratando dos prazeres mundanos e por isso grita dentro de nós, enquanto que o novo fala baixinho.
Pode-se dizer que a pessoa humana possui o desejo, à vontade e a liberdade. Neste caso, o desejo carnal seria a nossa concupiscência, a vontade seria a consciência e a liberdade, seria a ação. A concupiscência deseja algo, a consciência sabe o que é bom e o que não é. A liberdade seria justamente a ação feita para cada um dos lados. Aqui entra justamente o uso da liberdade de uma pessoa nova em Jesus e outra que ainda não deixa o novo agir.
O ponto é justamente o encontro pessoal com Jesus que leva a pessoa a uma verdadeira contrição e um real desejo de mudança, de vida nova em Jesus. Mas o que seria esse encontro pessoal com Jesus?
O Evangelho traz inúmeros encontros pessoais com Jesus. Zaquel, Bartimeu, Maria Madalena, a própria profissão de fé de Pedro é prova disso. Todos estes encontros e muitos outros só aconteceram por causa de um reconhecimento do Senhorio de Jesus, ou seja, eles dependiam de Deus, pois eram fracos e o melhor, se reconheceram fracos. O próprio Paulo que de perseguidor, passou a defensor de Jesus e dos cristãos.
O nosso homem novo em Jesus precisa ser fortalecido com os encontros pessoais com este Jesus. Na oração pessoal, na conversa com Jesus, na confissão, na Eucaristia. Todos estes e muitos outros são e devem ser encontros pessoais com Jesus, mas todos devem acontecer não somente como um cumprimento de tabela, mas com um verdadeiro reconhecimento de que o homem depende de Deus, precisa Dele.
Nada disso é impossível, pois como vimos, o homem foi criado pouco abaixo de Deus (cf. Sl. 8, 6) e por isso já temos a Graça que é a Vontade de Deus. A verdadeira conversão só se dará quando o homem mesmo sabendo que é um ser livre, dotado de inteligência e vontade, reconhecer-se dependente de Deus, pois só Deus pode enchê-lo, pois Deus é eterno e todo o resto um dia vai passar. Como diz o catecismo “livres da mentira, devem rejeitar toda a maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja e maledicência”. Pois como está no Gênesis “Deus viu que tudo que havia criado era bom” (Gn 1, 30), inclusive o homem e a mulher.
O encontro pessoal com Jesus acontece não de forma estabelecida pelo homem e sim por Deus. O papel do homem é aceitar concretamente a sua condição de criatura, dependente, e até mesmo de fraco diante da grandiosa presença de Deus e querer se encontrar com Jesus. Deus é muito simples e quer se relacionar com cada pessoa humana. Cabe à pessoa querer relacionar-se com Ele através de sua vida, sendo um verdadeiro testemunho de conversão e santidade.


O relato do Gênesis: A criação

“Deus disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra.’ Deus criou o homem à sua imagem, a imagem de Deus Ele o criou, homem e mulher Ele os criou”.(Gen 1, 26-27)

Diante do relato poético do Gênesis, independente da forma, temos a certeza não só da criação que somos, mas também de como fomos e para que fomos criados por Deus. Ele nos criou à sua imagem e semelhança e não só, o plural do verbo confirma (façamos), criados à imagem e semelhança da Trindade Santa. Para dominar é que fomos criados. Mas até que ponto é este dominar as outras criaturas?
O dominar no sentido bíblico é saber usufruir daquilo que é Dom. No mesmo relato do Gênesis, Deus, após criar cada coisa, viu que era boa, inclusive a pessoa humana. A criação é um dom de Deus, dado à pessoa humana não para que ele domine como um ditador, mas para saber e usar bem de cada benefício dado por cada criação de Deus.
Como já vimos, a pessoa também é criatura de Deus e da mesma forma que muitas vezes quer dominar, num sentido de escravizar, também se deixa dominar ou até mesmo escravizar-se por outras coisas. Acontece isso justamente pelo fato de o homem não se completar sozinho e necessita que algo o leve ao preenchimento total do seu ser. É justamente esta necessidade da pessoa – ser criatural – que o faz se relacionar com Deus.
A fidelidade de Deus manifesta-se no amor que o leva a enviar seu Filho ao mundo. O sim de Deus ao mundo em Cristo é o que o leva à consumação de seu plano em seu Filho Jesus. Como sabemos, o homem foi infiel a Deus e não Deus infiel à sua obra. Volta-se ao Salmo 8: “E o fizeste pouco menos do que um deus.”.
A imagem e semelhança de Deus são justamente a liberdade. Deus não nos deu a liberdade, Ele nos criou livres. Pode-se até dizer que Deus, ao criar a pessoa, correu o risco de não ser aceito pela criação. O Concilio Vaticano II recorda que “todo homem é uma questão não resolvida, da qual ninguém pode escapar, principalmente nos momentos mais importantes da vida”.(Gaudium Et Spes 21).
Essa condição do homem (criatura livre) é o resultado da ação de Deus; é preciso ver o que Deus quer ao criar o homem assim. Cada homem foi criado para existir em relação com Deus, nisso consistirá sua condição de imagem e semelhança de Deus. O homem sendo imagem e semelhança de Deus torna-se dono de seu próprio poder (enquanto criatura livre), para garantir e afirmar a soberania do único Senhor do universo. Neste sentido, o homem é considerado representante de Deus no mundo. Se for representante, também é dependente, pois não é a imagem e sim foi criado segundo a imagem de Deus.
A criação já é mistério de salvação. Se o mundo foi salvo por Cristo e em Cristo, isso significa que foi criado por ele e nele. A criação não é, então, um mero pressuposto neutro para que depois se desenvolva a história de Deus com os homens, mas é já o início dessa história que culminará em Jesus. Ele é a razão e a harmonia do universo. Por isso os cristãos são aqueles que conhecem e seguem a Verdade, que a possuem em plenitude. A criação é um tema teológico de primeira ordem, que deriva imediatamente da cristologia (Estudo Teológico de Cristo) e a completa, porque mostra o significado universal de Cristo feito homem.


Outros atentados à vida nascente

Muitos casais estéreis, ou que se submeteram a esterilização (vasectomia ou ligação de trompas) vêm recorrendo à fecundação artificial para ter filhos.
Nem sempre esses casais sabem das implicações desse procedimento. Há várias modalidades de fecundação artificial:

a) fecundação homóloga – quando as células germinativas (óvulo e espermatozóide) são do próprio casal;
b) fecundação heteróloga – quando um dos gametas (óvulo ou espermatozóide) é de uma outra pessoa que não do esposos. Isso caracteriza o adultério.
c) fecundação extra corpórea – quando a fecundação do óvulo se dá fora do corpo feminino. Também conhecida como fecundação “in vitro” (bebê de proveta)
d) fecundação intracorpórea – quando a união do espermatozóide com o óvulo se dá no corpo da mulher com auxílio técnico (Método conhecido como “Gift”)

A fecundação artificial, considerada um grande avanço científico, tem trazido grandes problemas éticos e morais, além de separar os esposos da relação sexual, da unicidade do ato sexual próprio dos casais e defendido pela Igreja.
Para a fecundação artificial o ovário é estimulado, com hormônio, para produzir muitos óvulos em um ciclo. No caso da fecundação “in vitro” os óvulos são fecundados pelos espermatozóides e, depois, os embriões são colocados no útero da mulher. Acontece que são vários óvulos fecundados (6, 8,10) de uma só vez, isto é, há vários embriões, seres humanos em desenvolvimento. Com fazer então? Duas alternativas se apresentam:

a) considera-se “excedentes” os embriões que não são implantados. Nesse caso ou são simplesmente destruídos (aborto na fase inicial de vida), são congelados (para futura implantação) ou ficam para experiências em laboratórios;
b) são implantados (4, 5 ou 6) e depois de algum tempo pode-se dar um aborto natural, ou quando os embriões já estão crescidos (2 ou 3 meses) se faz a “redução embrionária” ou o chamado “aborto seletivo” ou, ainda, a “seleção embrionária” uma vez que, com tantas crianças em seu útero, a mulher corre risco de vida. O médico, com a ajuda do ultra-som, injeta uma solução salina no corpo (no coração) dos bebês “excedentes” provocando a morte desses bebês. Aqui se apresenta um problema ético e moral: “Quem deve ser morto e quem deve sobreviver?” Bem, isso poderá ficar a critério do médico. Com a mulher ficará apenas o remorso de ter permitido o médico escolher o filho que vai viver. E como ficará o sentimento do irmão sobrevivente, sabendo, mais tarde, que para viver, seu irmão teve de ser sacrificado?
c) um outro aspecto do problema moral e ético diz respeito à possibilidade de manipulações diversas por parte de inescrupulosos especialistas em reprodução humana. Escolha do tipo de olhos, de cor da pele, de tamanho e estrutura física, escolha do sexo etc. E quem pode assegurar que com tanta manipulação o bebê nasça sadio e fisicamente normal? Pesquisas recentes levadas a efeito nos EE. UU. mostraram a decepção e até mesmo a irritação de casais que recorreram a fecundação artificial porque seus filhos morreram pouco tempo depois de nascidos, ou porque apresentaram defeitos físicos e mentais. Alguns estão recorrendo à Justiça contra os médicos que praticaram a fecundação artificial, considerada um insucesso.

A maior parte dos clientes de fecundação artificial é de homens que se submeteram a vasectomia e de mulheres que fizeram a ligação de trompas e se arrependeram. Várias são as causas de arrependimento:

a) ficaram viúvos (as) e tiveram um novo casamento e o cônjuge deseja filhos;
b) porque tiveram um único filho (ou mais ) que morreram e desejam filhos
c) porque mudaram seus planos e agora desejam mais filhos;
d) se submeteram a esterilização, contraíram um novo casamento e cônjuge deseja filhos, etc.

Por desinformação e levados pela propaganda muitos se esterilizaram, inutilizando um órgão sadio que Deus lhe deu. Se lhes propusessem para arrancar um olho são ou uma perna sadia, evidentemente que não aceitariam. A mutilação de um órgão reprodutivo é bem mais grave que inutilizar outra parte do corpo, porque os órgãos reprodutivos são a “fonte da vida”, da preservação da espécie (crescei e multiplicai!). As pessoas que por desinformação foram esterilizadas, desconhecendo as conseqüências de seus atos e não sabendo da proibição da Igreja, não devem ser condenadas. Nesse caso se esterilizaram porque não tiveram consciência da gravidade do que estavam fazendo. Que agora não venham a se submeter À fecundação artificial. Um erro pode levar a outro.
A esterilização tem suas conseqüências: problemas circulatórios, câncer, etc. tem sido associados à esterilização. Toda a fecundação artificial, sem exceções, é condenada pela Igreja, não somente porque resulta da morte de vários embriões, mas porque rompe a unicidade do ato conjugal e tem sérias implicações éticas e morais.
Sobre o “Exame pré-natal”. Esse exame, na maioria das vezes é feito para acompanhar o desenvolvimento fetal, detectar doenças ou anomalias no nascituro. Só é licito esse exame se vier a se tornar um benefício para o bebê.
Muitos dos exames pré-natal, quando se detecta uma anomalia qualquer no bebê, podem corresponder a uma sentença de morte. A criança é abortada alegando-se que é para ela não sofrer. Na realidade, essa é uma atitude egoísta dos pais que não querem ter trabalho ou pretende se desvencilhar de uma criança indesejada.
Há que considerar ainda um problema ético do médico que denuncia aos pais a possível anomalia do filho. Hoje sabemos que a criança não nascida pode ser tratada e até se submeter a cirurgia ainda no útero materno, tornando-se assim um outro cliente do médico. É licito ao médico denunciar a outros (as) um problema de seu cliente? Ainda mais sabendo que pode estar motivando uma sentença de morte? A criança não nascida é um outro cliente do profissional médico e por conseguinte merece a mesma atenção e respeito de um adulto. O problema se torna mais sério quando se sabe que esse diagnóstico pré-natal nem sempre é seguro e pode constituir uma ameaça à vida da criança por nascer. Uma criança normal pode ser condenada à morte por um diagnóstico errado ou falho.
Não devemos ir de encontro à lei natural. Há um adágio que diz: “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, mas a natureza nunca”. Toda vez que se contraria a ordem natural se tem a sanção.


Falhas da Camisinha

Descoberto método infalível para se proteger contra a AIDS.
Infelizmente muitos estão sendo enganados, especialmente os nossos jovens, quando pensam que a “camisinha” previne seguramente contra a contaminação do vírus HIV da AIDS; e cria-se assim a ilusão do “sexo seguro”.
O Papa João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha:
“Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana… O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo… O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental” (PR, nº 429/1998, pag.80).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já avisou que os preservativos não impedem totalmente a contaminação do vírus, uma vez que esses são muitíssimos menores que os poros do látex de que são feitas as camisinhas.
A revista Seleções (dezembro de 1991, pp.31-33), trouxe um artigo do Dr. Robert C. Noble, condensado de Newsweek de Nova Iorque (1/4/91), que mostra como é ilusória a crença no tal “sexo seguro” com a camisinha.
A pesquisadora Dra. Susan C. Weller, no artigo A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV, publicado na revista Social Science and Medicine, (1993, vol.36, issue 12, pp.1635-1644), afirma:
“Presta desserviço à população quem estimula a crença de que o condom (camisinha) evitará a transmissão sexual do HIV. O condom não elimina o risco da transmissão sexual; na verdade só pode diminuir um tanto o risco”.
“As pesquisas indicam que o condom é 87% eficiente na prevenção da gravidez. Quanto aos estudos da transmissão do HIV, indicam que o condom diminui o risco de infecção pelo HIV aproximadamente em 69%, o que é bem menos do que o que normalmente se supõe” (PR, n° 409/1996, pp. 267-274).
Isto significa que, em média, três relações sexuais com camisinha têm o risco equivalente a uma relação sem camisinha. Convenhamos que é um alto risco, já que a AIDS não tem cura ainda. É uma “roleta russa”.
O Dr. Leopoldo Salmaso, médico epidemiologista no Hospital de Pádua, na Itália, afirma que:
“O preservativo pode retardar o contágio, mas não acabar com ele”(idem) .
Pesquisas realizadas pelo Dr. Richard Smith, um especialista americano na transmissão da AIDS, apresenta seis grandes falhas do preservativo, entre as quais a deterioração do látex devido às condições de transporte e embalagem. Afirma o Dr. Richard que:
“O tamanho do vírus HIV da AIDS é 450 vezes menor que o espermatozóide. Estes pequenos vírus podem passar entre os poros do látex tão facilmente em um bom preservativo como em um defeituoso” (Richard Smith, The Condom: Is it really safe saxe?, Public Education Commitee, Seattle, EUA, junho de 1991, p.1-3)
A Rubber Chemistry & Technology, Washington, D.C., junho de 1992, afirma que: “Todos os preservativos têm poros 50 a 500 vezes maiores que o virus da AIDS”.
Vemos, portanto, que é irresponsável, cientificamente, dizer que a camisinha garante o “sexo seguro”. O pior, ainda, é que esta falsidade vem acompanhada de um estímulo ao sexo livre, sem responsabilidade e sem compromisso, o que o faz promíscuo e vulgar.
A Igreja não está impedindo o combate à AIDS, pelo fato de não concordar com o uso da camisinha. Como disse o padre Lino Ciccone, professor de Teologia Moral e Bioética na Faculdade Teológica de Lugano, na Itália:
“Não se faça caridade jamais às custas da verdade, nem se imponha a verdade voltando as costas à caridade”.

Autor: Prof. Felipe de Aquino


A questão existencial da pessoa humana

Que a pessoa seja criação de Deus é, tanto lógica como cronologicamente, a primeira afirmação da antropologia bíblica. A tese darwiniana sobre a origem das espécies, e mais concretamente a humana, através de um processo evolutivo que abarca toda a biosfera, trouxe problemas cadentes da mesma. Provocou na maioria dos teólogos cristãos uma reação enfurecida e constituiu uma das páginas da nossa história menos gloriosas. E com os novos avanços que a ciência humana está constantemente fazendo, só resta ter a esperança que a lição do passado recente sirva para evitar erros análogos em futuro imediato.
Com este acontecimento histórico, a teologia nos últimos anos insistiu particularmente no nexo intrínseco entre Trindade e Criação. Porém, “o fato de que existe em Deus a ‘distância’ entre as Pessoas é que torna possível a distância entre Deus e as criaturas” ; distancia que simultaneamente o mesmo Deus pode evitar, pois, o mundo está assim: “em Deus”. Sublinha-se, por outro lado, que a criação pressupõe um Deus pessoal, assim já o viu o Antigo Testamento: Deus não é um princípio em devir, submetido à necessidade. Na revelação cristã se mostra que o Deus pessoal não é um Deus solitário, mas tem em si mesmo a plenitude de comunhão; a criação é, assim, pura e livre difusão do bem e da perfeição divina. Deus não precisa criar para ter um tu, mas é desde sempre comunidade de pessoas.
“Somente com a revelação do Deus Trino se mostra em toda a sua radicalidade a liberdade do amor criador de Deus, que não tem realmente necessidade de comunicar-se além de si mesmo, pois tem já em si a plenitude dessa autocomunicação. Deus cria salvando e salva criando” .
Diante do relato do Gênesis, independente da forma, tem-se a certeza não só da criação que somos, mas também de como, e para que fomos criados por Deus. “Ele” nos criou à sua imagem e semelhança. Dentre toda a criação o ser humano tem uma superioridade, que o leva a dominar, ou seja, usufruir de todo o resto da criação, mas como esta “superioridade” está sendo usada pelo ser humano?
O dominar no sentido bíblico é saber usufruir daquilo que é Dom. No mesmo relato do Gênesis, Deus, após cada ato criativo, viu que era boa cada coisa que tinha criado. A criação é um dom de Deus, dado à pessoa humana, não para que ela domine como ditador, mas para saber e usar bem de todo benefício dado para toda criação de Deus.
“A criação significa uma relação de dependência de Deus na diversidade ”; mas com essa noção ainda não se chega ao fundo da fé cristã no Deus criador. A liberdade de Deus na criação foi relacionada, na tradição cristã e na reflexão teológica:
“Com o fim da criação” [...] “Deus não cria para auto-aperfeiçoar-se, mas para comunicar sua bondade; por outro lado, o próprio Deus é o fim de tudo, e seria contraditória com a própria idéia de sua liberdade que Deus criasse para um outro; assim se tornaria dependente daquele para o qual criasse” .
Como já vimos a pessoa também é criatura de Deus e da mesma forma que muitas vezes quer dominar, num sentido de escravizar, também se deixa dominar ou até mesmo escravizar-se por outras coisas. Acontece isso justamente pelo fato de o homem não se completar sozinho e necessitar que algo o leve ao preenchimento total do seu ser. É justamente esta necessidade da pessoa humana que o faz relacionar-se com Deus ou não.
É certo que, fazendo uma espécie de “profecia às avessas”, a narrativa dos capítulos 2 e 3 do Gênesis quer nos ensinar que, desde as origens da humanidade, desde que o homem foi capaz de livre opção moral, ele de fato pecou. O autor do Gênesis quer, em sua reflexão sobre o problema da fraqueza humana, começar pelas origens da humanidade a fim de atestar que foi realmente o homem que livremente introduziu o mal no mundo, e não o Deus criador, único e bom, nem qualquer outra divindade má. “Com o surgimento do homem para a vida começou a historia da liberdade; com o primeiro exercício da liberdade, começou o drama da escolha” .


Bebês mortos pela contracepção

Muitos métodos anticoncepcionais são na verdade abortivos.
Inicialmente, afirmamos que muitos dos produtos do Planejamento Familiar, denominados de “contraceptivos”, realmente não são contraceptivos uma vez que interrompem a vida de um ser humano na sua primeira semana de existência. Esse é um fato não mencionado aos usuários do planejamento familiar. Se soubessem dessa verdade muitas mulheres abandonariam esses assassinos químicos.
Uma organização denominada Farmacêuticos Internacionais Pró-Vida” está procurando levar essa informação verídica aos médicos, farmacêuticos e ao público em geral. Uma de suas atividades é distribuir um panfleto intitulado “Homicídio Infantil através dos Contraceptivos.”. Este panfleto, com 31 páginas, é um excelente material educativo. Explica como esses produtos funcionam, lista-os pela especialidade farmacêutica e pelo nome comercial (nome fantasia). Dessa maneira pode-se saber, sem sombra de dúvida, como os bebês são mortos quimicamente.
Ninguém sabe, com certeza, quantas vidas são exterminadas, a cada ano, por esses produtos, mas pode-se fazer uma estimativa (máxima e mínima) a partir dos dados contidos nos folhetos. De acordo com informações contidas nesse panfleto (e apresentadas num quadro impresso na contra-capa) as melhores estimativas de como muitas vidas são extintas a cada ano, nos Estados Unidos, através desses produtos são:

NÚMERO DE MORTES

Produto Estimativa
mínima Estimativa
máxima
C.O. (Pílula) 834.000 4.170.000
DIU 3.823.000 3.825.000
Depo-provera 1.200.000 1.800.000
Norplant 2.250.000 2.925.000
Procedimento Cirúrgico 1.500.000 1.500.000
Prostagladina & Salina 50.000 100.000
Total 9.657.000 14.320.000

Tragicamente, muito poucas pessoas falam desses 10 a 14 milhões de vidas que são eliminadas a cada ano. Veja, nós não estamos falando de contracepção, mas de seres humanos que foram criados, que viveram por 5 ou sete dias e depois morreram. Todos esses seres humanos tiveram seus próprios DNA e suas aptidões e características exclusivas. Alguns seriam cientistas, médicos ou agentes sociais. Outros poderiam ser grandes inventores e, alguns, até poderiam ser ladrões ou assassinos. Mas nenhum deles teve chance. Todos tiveram o fim de suas vidas na primeira semana de existência. Muitos desses produtos foram fornecidos às mães com o dinheiro de seu imposto através do conhecido Programa de Planejamento Familiar.
Os pró-vidas citam 1,5 milhões de abortos cirúrgicos realizados, a cada ano, nos Estados Unidos. Muitos senadores e deputados americanos estão cientes do horror dessas mortes e tentarão fazer alguma coisa para evitar esse holocausto. Mas uma grande quantidade desses senadores e deputados votarão a favor do fornecimento, às mulheres, de produtos que promovem a morte, através dos programas do governo.
Devemos começar a falar desses 10 a 14 milhões de vidas que são eliminadas, a cada ano, pela pílula, pelo Norplant, pelo Depo-provera e pelo DIU. Devemos informar a nossos amigos, nossos pastores e nossas famílias sobre o invisível desastre, que está acontecendo entre nós. Devemos parar com a idéia de que justamente por causa das clínicas de planejamento familiar do governo (e outras clínicas de planejamento familiar) não se faz abortos cirúrgicos e que nenhuma vida é extinta com os produtos distribuídos por aquelas clínicas. Toda clínica de planejamento familiar distribui produtos que causam a morte de um específico ser humano durante suas primeiras semanas de existência.
Já é tempo de começarmos a luta em defesa da vida de cerca de 12 milhões de bebês mortos a cada ano pelo aborto cirúrgico e aborto químico que acontecem nos Estados Unidos. Não vamos abandonar um único bebê. Passe, ainda hoje, essas informações para sua comunidade.


Acordo entre Brasil e Santa Sé aprovado

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
E A SANTA SÉ RELATIVO AO ESTATUTO JURÍDICO
DA IGREJA CATÓLICA NO BRASIL


A República Federativa do Brasil e A Santa Sé (doravante denominadas Altas Partes Contratantes),

Considerando que a Santa Sé é a suprema autoridade da Igreja Católica, regida pelo Direito Canônico;

Considerando as relações históricas entre a Igreja Católica e o Brasil e suas respectivas responsabilidades a serviço da sociedade e do bem integral da pessoa humana;

Afirmando que as Altas Partes Contratantes são, cada uma na própria ordem, autônomas, independentes e soberanas e cooperam para a construção de uma sociedade mais justa, pacífica e fraterna;

Baseando-se, a Santa Sé, nos documentos do Concílio Vaticano II e no Código de Direito Canônico, e a República Federativa do Brasil, no seu ordenamento jurídico;

Reafirmando a adesão ao princípio, internacionalmente reconhecido, de liberdade religiosa;

Reconhecendo que a Constituição brasileira garante o livre exercício dos cultos religiosos;

Animados da intenção de fortalecer e incentivar as mútuas relações já existentes;

Convieram no seguinte:

Artigo 1º

As Altas Partes Contratantes continuarão a ser representadas, em suas relações diplomáticas, por um Núncio Apostólico acreditado junto à República Federativa do Brasil e por um Embaixador(a) do Brasil acreditado(a) junto à Santa Sé, com as imunidades e garantias asseguradas pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 18 de abril de 1961, e demais regras internacionais.

Artigo 2º

A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro.

Artigo 3º

A República Federativa do Brasil reafirma a personalidade jurídica da Igreja Católica e de todas as Instituições Eclesiásticas que possuem tal personalidade em conformidade com o direito canônico, desde que não contrarie o sistema constitucional e as leis brasileiras, tais como Conferência Episcopal, Províncias Eclesiásticas, Arquidioceses, Dioceses, Prelazias Territoriais ou Pessoais, Vicariatos e Prefeituras Apostólicas, Administrações Apostólicas, Administrações Apostólicas Pessoais, Missões Sui Iuris, Ordinariado Militar e Ordinariados para os Fiéis de Outros Ritos, Paróquias, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

§ 1º. A Igreja Católica pode livremente criar, modificar ou extinguir todas as Instituições Eclesiásticas mencionadas no caput deste artigo.

§ 2º. A personalidade jurídica das Instituições Eclesiásticas será reconhecida pela República Federativa do Brasil mediante a inscrição no respectivo registro do ato de criação, nos termos da legislação brasileira, vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro do ato de criação, devendo também ser averbadas todas as alterações por que passar o ato.

Artigo 4º

A Santa Sé declara que nenhuma circunscrição eclesiástica do Brasil dependerá de Bispo cuja sede esteja fixada em território estrangeiro.

Artigo 5º

As pessoas jurídicas eclesiásticas, reconhecidas nos termos do Artigo 3º, que, além de fins religiosos, persigam fins de assistência e solidariedade social, desenvolverão a própria atividade e gozarão de todos os direitos, imunidades, isenções e benefícios atribuídos às entidades com fins de natureza semelhante previstos no ordenamento jurídico brasileiro, desde que observados os requisitos e obrigações exigidos pela legislação brasileira.

Artigo 6º

As Altas Partes reconhecem que o patrimônio histórico, artístico e cultural da Igreja Católica, assim como os documentos custodiados nos seus arquivos e bibliotecas, constituem parte relevante do patrimônio cultural brasileiro, e continuarão a cooperar para salvaguardar, valorizar e promover a fruição dos bens, móveis e imóveis, de propriedade da Igreja Católica ou de outras pessoas jurídicas eclesiásticas, que sejam considerados pelo Brasil como parte de seu patrimônio cultural e artístico.

§ 1º. A República Federativa do Brasil, em atenção ao princípio da cooperação, reconhece que a finalidade própria dos bens eclesiásticos mencionados no caput deste artigo deve ser salvaguardada pelo ordenamento jurídico brasileiro, sem prejuízo de outras finalidades que possam surgir da sua natureza cultural.

§ 2º. A Igreja Católica, ciente do valor do seu patrimônio cultural, compromete-se a facilitar o acesso a ele para todos os que o queiram conhecer e estudar, salvaguardadas as suas finalidades religiosas e as exigências de sua proteção e da tutela dos arquivos.

Artigo 7º

A República Federativa do Brasil assegura, nos termos do seu ordenamento jurídico, as medidas necessárias para garantir a proteção dos lugares de culto da Igreja Católica e de suas liturgias, símbolos, imagens e objetos cultuais, contra toda forma de violação, desrespeito e uso ilegítimo.

§ 1º. Nenhum edifício, dependência ou objeto afeto ao culto católico, observada a função social da propriedade e a legislação, pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, nos termos da Constituição brasileira.

Artigo 8º

A Igreja Católica, em vista do bem comum da sociedade brasileira, especialmente dos cidadãos mais necessitados, compromete-se, observadas as exigências da lei, a dar assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, de assistência social, de educação ou similar, ou detidos em estabelecimento prisional ou similar, observadas as normas de cada estabelecimento, e que, por essa razão, estejam impedidos de exercer em condições normais a prática religiosa e a requeiram. A República Federativa do Brasil garante à Igreja Católica o direito de exercer este serviço, inerente à sua própria missão.

Artigo 9º

O reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito, respectivamente, às exigências dos ordenamentos jurídicos brasileiro e da Santa Sé.

Artigo 10

A Igreja Católica, em atenção ao princípio de cooperação com o Estado, continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis, a serviço da sociedade, em conformidade com seus fins e com as exigências do ordenamento jurídico brasileiro.

§ 1º. A República Federativa do Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos de formação e cultura.

§ 2º. O reconhecimento dos efeitos civis dos estudos, graus e títulos obtidos nos Seminários e Institutos antes mencionados é regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro, em condição de paridade com estudos de idêntica natureza.

Artigo 11

A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.

§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.

Artigo 12

O casamento celebrado em conformidade com as leis canônicas, que atender também às exigências estabelecidas pelo direito brasileiro para contrair o casamento, produz os efeitos civis, desde que registrado no registro próprio, produzindo efeitos a partir da data de sua celebração.

§ 1º. A homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial, confirmadas pelo órgão de controle superior da Santa Sé, será efetuada nos termos da legislação brasileira sobre homologação de sentenças estrangeiras.

Artigo 13

É garantido o segredo do ofício sacerdotal, especialmente o da confissão sacramental.

Artigo 14

A República Federativa do Brasil declara o seu empenho na destinação de espaços a fins religiosos, que deverão ser previstos nos instrumentos de planejamento urbano a serem estabelecidos no respectivo Plano Diretor.

Artigo 15

Às pessoas jurídicas eclesiásticas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, é reconhecida a garantia de imunidade tributária referente aos impostos, em conformidade com a Constituição brasileira.

§ 1º. Para fins tributários, as pessoas jurídicas da Igreja Católica que exerçam atividade social e educacional sem finalidade lucrativa receberão o mesmo tratamento e benefícios outorgados às entidades filantrópicas reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, em termos de requisitos e obrigações exigidos para fins de imunidade e isenção.

Artigo 16

Dado o caráter peculiar religioso e beneficente da Igreja Católica e de suas instituições:

I – O vínculo entre os ministros ordenados ou fiéis consagrados mediante votos e as Dioceses ou Institutos Religiosos e equiparados é de caráter religioso e portanto, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não gera, por si mesmo, vínculo empregatício, a não ser que seja provado o desvirtuamento da instituição eclesiástica.

II – As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira.

Artigo 17

Os Bispos, no exercício de seu ministério pastoral, poderão convidar sacerdotes, membros de institutos religiosos e leigos, que não tenham nacionalidade brasileira, para servir no território de suas dioceses, e pedir às autoridades brasileiras, em nome deles, a concessão do visto para exercer atividade pastoral no Brasil.

§ 1º. Em conseqüência do pedido formal do Bispo, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, poderá ser concedido o visto permanente ou temporário, conforme o caso, pelos motivos acima expostos.

Artigo 18

O presente acordo poderá ser complementado por ajustes concluídos entre as Altas Partes Contratantes.

§ 1º. Órgãos do Governo brasileiro, no âmbito de suas respectivas competências e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, devidamente autorizada pela Santa Sé, poderão celebrar convênio sobre matérias específicas, para implementação do presente Acordo.

Artigo 19

Quaisquer divergências na aplicação ou interpretação do presente acordo serão resolvidas por negociações diplomáticas diretas.

Artigo 20

O presente acordo entrará em vigor na data da troca dos instrumentos de ratificação, ressalvadas as situações jurídicas existentes e constituídas ao abrigo do Decreto nº 119-A, de 7 de janeiro de 1890 e do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé sobre Assistência Religiosa às Forças Armadas, de 23 de outubro de 1989.

Feito na Cidade do Vaticano, aos 13 dias do mês de novembro do ano de 2008, em dois originais, nos idiomas português e italiano, sendo ambos os textos igualmente autênticos.

PELA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores

PELA SANTA SÉ
Dominique Mamberti
Secretário para Relações com os Estados



Homem e mulher podem viver em sadia convivência?

“Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher Ele os criou”. Diante de tantas propostas de vendas de homem e de mulheres nos meios de comunicação visual e auditiva, esta frase do Livro do Genesis 1, 27, fica um pouco sem sentido. Como podemos vender alguém que é imagem de Deus? Ou como podemos utilizar alguém que é imagem de Deus, somente por um momento? Como dizer que hoje somos livres, se a cada momento também nós podessemos ser vendidos?

Estas perguntas podem causar em nós outra pergunta: onde e como isto está acontecendo? A dúvida é sinal de que ainda não sabemos o que somos em relação ao outro sexo, e muito menos sabemos quem ou o que somos. Partimos então das primeiras paginas da bíblia, onde temos de maneira alegórica, quem é a pessoa humana no seu especifico: homem e mulher.

Primeiramente Adão e Eva: criação que Deus viu que era bom. Criação esta que não é somente o homem, mas a pessoa humana, ou seja, homem e mulher, cada um no seu especifico. Isto acontece depois de um Concilio no interior de Deus, “Façamos”, ou seja, a pessoa humana não é somente um ato criado, mas uma decisão do interior de Deus, criado à imagem e semelhança deste mesmo Deus.

Criados a imagem de Deus: a pessoa se torna assim um deus no mundo, não para impor-se como senhor de tudo, mas para ser a figura ratificada do governo de Deus, ou seja, como a pessoa é imagem de Deus, onde o homem está deveria estar este sinal que ali quem governa é Deus, pois aquele é a imagem deste Deus, mas não é Deus, pois a pessoa é imagem imperfeita de Deus por ter sido feita de pó.

Masculino: é o memorial, ou seja, a recordação de Deus. Podemos lembrar aqui do Homem perfeito, Jesus Cristo que é a cabeça do corpo, onde nós somos os membros. O homem é esta cabeça na sociedade, pois traz no seu interior a capacidade de fecundar, ou seja, de criar nova vida, pois viu a criação primeira. Não digo aqui de outra criação, mas de uma nova criação através do auxilio do homem, se este tiver a capacidade de olhar a criação com os olhos daquele que é o Criador. Podemos lembrar aqui de Romanos 8,19 “toda criação espera ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus”.

Feminino: durante muito tempo a mulher foi colocada como um ser inferior, ou seja, como alguém que não deve e não pode viver somente fazer. Mas a mulher no seu interior tem a capacidade de acolher o novo. Podemos citar quando está gestante, pois no seu físico tem uma fenda capaz de receber vida e gerá-la (vagina). Receber esta vida num contexto de amor recíproco e responsável, de amor vivido. Mas infelizmente, em nome da erotização do comercio, a mulher usa esta capacidade de acolhimento não para a vida, mas para a morte, cada vez que usa de maneira comercial o seu corpo que é dádiva da criação.

A mulher é e sempre será para o homem um mistério, pois quando esta foi criada, este estava dormindo, para que não se inchasse de orgulho, por ter sido feita dele, mas para que a reconhecesse como alguém intima dele. Feita da costela, para dizer que não esta nem acima, nem abaixo, caminha com ele, do lado dele, na intimidade de ser semelhante a ele, pois foi feita do osso dele. A mulher então é a ajuda de Deus ao homem para se salvar, pois quando este se via sozinho no paraíso não se conhecia, pois vivia a solidão do mundo incomunicável. Por isso um ajuda o outro a se salvar, pois ao ver o outro deveríamos nos ver também. Aqui podemos dar tantos exemplos de homens e mulheres que viveram uma profunda santidade sem precisar ser objeto do outro: Francisco e Clara, Bento e Escolástica, João da Cruz e Tereza D Ávila e tantos outros. O Reino de Deus acontece quando homem e mulher vivem um relacionamento sincero de comunhão e libertação e de uma completar o outro no seu especifico. Precisamos um do outro.

Por isso, a vocação do ser humano só será realizada quando este viver um relacionamento de comunhão sincera com o sexo oposto “sereis uma só carne”,  e vai muito alem do que se pensa sobre este termo como relação sexual. Não estou fazendo aqui uma afronta ao celibato, mas convidando a viver verdadeiras amizades entre homem e mulher, como citei acima. Todos viveram a santidade no celibato. Pois a relação homem e mulher não é opcional, nem como se vive esta relação, pois estamos num mundo onde temos que conviver com outras pessoas, não temos como fugir delas. Somos chamados a viver a unidade na diversidade de cada um.

A imagem de Deus no mundo só acontecerá então, quando homem e mulher se relacionarem como Deus os criou, pois a imagem de Deus é comunhão entre homem e mulher.