Cultive boas amizades
Não preciso falar aqui da importânica de se cultivar as boas amizades para ser feliz. Milan Kundera diz que “toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos. Os amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo contraído. São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão.”
A verdadeira amizade nos socorre quando menos esperamos! Podemos esquecer aquele com quem rimos muito, mas nunca nos esquecemos daqueles com quem choramos. Os corações que as tristezas unem permanecem unidos para sempre.
Na prosperidade os verdadeiros amigos esperam ser chamados; na adversidade, apresentam-se espontaneamente. A fortuna faz amigos. A desgraça prova se eles existem de fato. É preciso saber fazer e cultivar amizades. Isso depende de cada um de nós; antes de tudo, do nosso desprendimento e fidelidade ao outro.
Para conquistar um amigo é preciso criar um “deserto” dentro de si, aceitando que o outro venha ocupá-lo.
Acolher o amigo é, em primeiro lugar, ouvir. Alguns morrem sem nunca ter encontrado alguém que lhes tenha prestado a homenagem de calar-se totalmente para ouvi-los. São poucos os que sabem ouvir, porque poucos estão vazios de si mesmos, e o seu ”eu” faz muito barulho. Se você souber ouvir, muitos virão lhe fazer confidências.
Muitos se queixam da falta de amigos, mas poucos se preocupam em realizar em si as qualidades próprias para conquistar amigos e conservá-los.
Se você quiser ser agradável às pessoas, fale a elas daquilo que lhes interessa e não daquilo que interessa a você. A amizade é alimentada pelo diálogo; que é uma troca de ideias em busca da verdade. Muito diferente da discussão, que é uma luta entre dois, na qual cada um defende a sua opinião.
A verdadeira amizade não pode ser alimentada pela discussão, somente pelo diálogo.
Em vez de demonstrar exaustivamente que o amigo está errado, ajude-o a descobrir a verdade por si mesmo; isso é muito mais nobre e pedagógico.
Se você quiser agir sobre seu amigo, de verdade, para que ele mude, comece por amá-lo sincera e desinteressadamente.
A amizade também exige que se corrija o amigo que erra; mas devemos censurar os amigos na intimidade; e elogiá-los em público. Nada é tão nocivo a uma amizade como a crítica ao amigo na frente de outras pessoas; isso humilha e destrói a confiança. Nunca desista de ajudar o amigo a vencer uma batalha; não há nem haverá alguém que tenha caído tão baixo que esteja fora do alcance do amor infinito de Deus e do nosso socorro.
Uma amizade só é verdadeira e duradoura se é baseada na fidelidade. Cuidado, pois, para magoar alguém são necessários um inimigo e um amigo: o inimigo para caluniar e um “amigo” para transmitir a calúnia.
(Trecho extraído do livro “Para ser feliz”)

Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com
Prof. Felipe Aquino, casado, 5 filhos, doutor em Física pela UNESP. É membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II. Participa de aprofundamentos no país e no exterior, escreveu mais de 60 livros e apresenta dois programas semanais na TV Canção Nova: “Escola da Fé” e “Trocando Idéias”. Saiba mais em Blog do Professor Felipe Site do autor: www.cleofas.com.br
Catequese de Bento XVI sobre a JMJ 2011
Queridos irmãos e irmãs,
Hoje gostaria de dedicar um breve pensamento de coração sobre os extraordinários dias passados em Madri, na 26ª Jornada Mundial da Juventude. Vocês sabem, foi um evento eclesial emocionante; cerca de dois milhões de jovens de todos os continentes viveram, com alegria, uma formidável experiência de fraternidade, de encontro com o Senhor, de partilha e de crescimento na fé: uma verdadeira cascata de luz.
Agradeço a Deus por este dom precioso, que dá esperança para o futuro da Igreja: jovens com o firme e sincero desejo de enraizar suas vidas em Cristo, permanecer firmes na fé, caminhar juntos na Igreja.
Um obrigado a todos aqueles que trabalharam generosamente por esta Jornada: o Cardeal Arcebispo de Madri, seus Auxiliares, os outros bispos da Espanha e de outras partes do mundo, o Pontifício Conselho para os Leigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos… Renovo meu reconhecimento às Autoridades espanholas, às instituições e associações, aos voluntários e àqueles que oferecerem seu apoio na oração. Não posso esquecer a calorosa recepção que recebi de suas Majestades, os Reis da Espanha, como de todo o país.
Em poucas palavras naturalmente não posso descrever os momentos tão intensos que vivemos. Tenho em mente o entusiasmo irreprimível com o qual os jovens me receberam, no primeiro dia, na Praça de Cibeles, suas palavras cheias de expectativas, o forte desejo de se orientarem sobre a verdade mais profunda e de radicar-se nela, aquela verdade que Deus nos deu de conhecer em Cristo.
No imponente Monteiro de El Escorial, rico de história, espiritualidade e cultura, encontrei as jovens religiosas e os jovens docentes universitários. Primeiro, às jovens religiosas, recordei a beleza da vocação delas, vivida com fé, e a importância do serviço apostólico delas e seu testemunho profético. E permanece em mim a impressão do entusiasmo delas, de uma fé jovem, cheia de coragem em relação ao futuro, de vontade de servir assim a humanidade.
Aos professores recordei de ser verdadeiros formadores das novas gerações, guinado-se na busca da verdade não só com as palavras, mas também com a vida, cientes de que a verdade é o próprio Cristo. Encontrando Cristo, encontramos a verdade.
A noite, na celebração da Via Sacra, uma multidão variada de jovens reviveu com intensa participação as cenas da paixão e morte de Cristo: a cruz de Cristo dá muito mais do que o que é necessário, dá tudo, porque nos leva a Deus.
O dia seguinte, a Santa Missa na Catedral da Almudena, em Madri, com os seminaristas: os jovens que querem enraizar-se em Cristo para tornarem-se depois Seus ministros. Espero que cresçam as vocações ao sacerdócio!
Entre os presentes haviam alguns que tinham ouvido o chamado do Senhor justamente nas Jornadas da Juventude anteriores; estou certo que, também em Madri, o Senhor bateu às portas dos corações de muitos jovens para que o sigam com generosidade no ministério sacerdotal ou na vida religiosa.
A visita a um centro para jovens com diversas deficiências físicas me fez ver o grande respeito e amor que se nutre para cada pessoa e me deu a ocasião de agradecer aos milhares de voluntários que testemunham silenciosamente o Evangelho da caridade e da vida.
A Vigília de Oração, a noite, e a grande Celebração Eucarística conclusiva, no dia depois, foram dois momentos muito intensos: a noite uma multidão de jovens em festa, nada intimidados pela chuva e pelo vento, permaneceu em adoração silenciosa a Cristo presente na Eucaristia, para louvá-lo, agradecê-lo, pedir a ele ajuda e luz. E depois, no domingo, os jovens manifestaram a exuberância e a alegria de celebrar o Senhor na Palavra e na Eucaristia, para juntos sempre mais a Ele, reforçar sua fé e a vida cristã.
Num clima de entusiasmo encontrei os voluntários e os agradeci pela generosidade deles. E, na cerimônia de despedida, deixei o país levando no coração aqueles dias como um grande dom.
Queridos amigos, o encontro de Madri foi uma estupenda manifestação de fé para a Espanha e para o mundo antes de tudo. Para a multidão de jovens, provenientes de cada ângulo da Terra, foi uma ocasião especial para refletir, dialogar, trocar experiências positivas e, sobretudo, rezar junto e renovar o empenho de radicar a própria vida em Cristo, Amigo fiel.
Estou certo que eles retornaram a suas casas e retornam com o firme propósito de ser fermento na massa, levando a esperança que nasce da fé. Da minha parte, continuo a acompanhá-los com a oração, para que permaneçam fiéis aos empenhos assumidos. À materna intercessão de Maria, confio os frutos desta Jornada.
E agora quero anunciar os temas das próximas Jornadas Mundias da Juventude. Aquela do próximo ano, que se desenvolverá nas dioceses, terá como tema: “Alegrai-vos sempre no Senhor!”, da Carta aos Filipenses (4,4); enquanto na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, o tema será o mandamento de Jesus: “Ide e fazei discípulos todos os povo!” (cfr Mt 28,19). Desde já, confio às orações de todos para a preparação destes encontros muito importantes. Obrigado
Quais são os fatores que deixam os agentes de pastorais da juventude mais ou menos zelantes em propor a mensagem evangélica?
O primeiro desafio é a linguagem, no sentido mais amplo da comunicação. Geralmente, a preparação de sacerdotes e religiosos, homens e mulheres, é dominada por categorias filosóficas e teológicas, resultando numa peculiar forma de pensamento e numa linguagem especifica, que configura uma comunicação inadequada ou limitada. Muitas vezes, os jovens não entendem esta linguagem. Eles têm outra linguagem, outros conceitos. Se não nos comunicarmos com os jovens na linguagem deles, não é possível de transmitir a fé.
Temos que ser capazes de compreender e falar a linguagem dos jovens para poder transmitir a fé, estar em contato, acolher os jovens onde estão. Habermas diz que a linguagem cria realidade. Através da realidade, criamos o mundo. Isso não acontece se não estivermos próximos deles.
A DIMENSÃO DO “EU”, DESAFIO DA COMUNIDADE ECLESIAL
Uma caracterização da modernidade é a nova consciência do papel ativo que a pessoa tem no mundo, tanto a nível social como individual. Esta conscientização afetou profundamente o sistema de valores individuais e sociais, indicando um processo de mudança. À privatização da vida, opomos nossa crença no valor da comunidade. Isso nos dá, por vezes, a sensação de andarmos contra a corrente. O mesmo vale com relação ao imediatismo É uma crise da religiosidade. Por isso, algumas considerações:
a) A crise religiosa se inscreve no marco de uma crise mais ampla
Podemos dizer que não é um caso particular de um fenômeno, mas algo mais amplo que se difundiu entre as pessoas a partir da segunda metade do século XX. Neste contexto coloca-se a crise da comunicação e do diálogo entre as gerações. Necessitamos, urgentemente, uma renovação geracional no clero. Há um superenvelhecimento do clero e das Congregações Religiosas. Muitos sacerdotes e religiosos, mesmo jovens, não querem trabalhar com a juventude.
Amplas zonas da vida humana que, antes, se percebiam fixos, agora aparecem como motivos de escolha. Isso afeta a religião. Além disso, a ordem social já não está tão evidente nem tão intocável. A fundamentalidade da religião para o funcionamento da sociedade não é mais tão evidente. É uma crise hierárquica das instituições. Já não existem funções estabelecidas. Tanto o individuo quanto a sociedade, devem enfrentar alternativas, obrigados a realizar escolhas. O mercado oferece aos jovens muitas possibilidades. Nós oferecemos outras; o neopentecostalismo outras; a política outras. Os jovens têm que decidir. A religião católica deixou de ser a religião hegemônica nas nossas sociedades. Muitos jovens se confessam cristãos, mas “à minha maneira”. “Deixem-me tranqüilo; sou cristão como quero, quando quero. Tenho filhos, educo os filhos como eu quero”
b) Dissociação entre socialização cultural e socialização religiosa
A socialização realizou-se eliminando a conexão estreita de interdependência entre sociedade-cultura e religião-igreja, de modo que o processo de socialização sucede à margem da religião e da influência da Igreja. As gerações jovens realizam o processo de se incorporar à sociedade e de se apropriar da cultura sem contacto algum com a religião. Ela não faz parte do conteúdo em que se socializam nem intervém no processo de socialização.
c) Crise da autoridade tradicional
A memória coletiva caiu em desuso e, com ela, seu caráter normativo para o presente. Essa memória era a base para a transmissão e celebração da fé. Com isso o imaginário coletivo comum das pessoas, em nossos países, tem sempre menos conteúdo religioso. Frente à autoridade da instituição, ergueu-se a autoridade da ilustração convidando o individuo a pensar por si mesmo. A ruptura da cultura tradicional, fortemente impregnada de religiosidade, levou ao desaparecimento da evidência de continuidade e à desplausibilidade da autoridade da tradição e da memória. Contudo, a perda da autoridade da memória deverá ser substituída por outra autoridade.
d) Configuração sem regras da própria crença
O quarto fator direcional foi a modernidade psicológica ou o movimento acerca do predomínio da autonomia do individuo, da importância da própria realização e do desenvolvimento pessoal, frente às pretensões das autoridades, princípios e instituições. “Se o mercado tem outras ofertas interessantes, aceito-as”. O mercado está veiculando um sem-numero de crenças e místicas orientais, oferecendo-os como produto de mercado. Os jovens entram, provam, tentam, como quem consome um prato de comida, uma roupa, uma distração. Este princípio desregula as crenças e práticas e configura o indivíduo como principal gestor de suas crenças, de modo que sua vida religiosa passa a caracterizar-se como algo nascido da livre escolha do sujeito que toma de diferentes tradições, mas não pertence a nenhuma delas.
A SECULARIZAÇÃO, DESAFIO DA INICIAÇÃO CRISTÃ
Muito foi dito sobre a secularização e sua implicância sobre uma nova ética secularizada, que reforça a idéia de progresso, a partir de onde haverá de partir o caminho que conduzirá à realização de uma humanidade melhor.
a) A antropologia secularizada
Esta é uma das maiores mudanças para a pastoral. Não se trata de que o homem viva e trabalhe em contextos ou ambientes amplamente secularizados, mas que pense e aceite sua existência em termos intramundanos, puramente históricos ou ateus. Não necessitamos mais da experiência e da existência de Deus para existir. Desde que começou a época moderna iniciou-se uma antropologia que nada tem a ver com a antropologia medieval precedente, que se caracterizava:
a) por uma visão verticalizada do ser humano, sempre orientada para o mais alto;
b) pela idéia de uma graça que projetava a existência terrena para a vida eterna;
c) pela verdade da fé, regra suprema da vida.
b) A religião neste mundo secularizado
Mudou a situação da religião. Parece que, definitivamente, terminou a época da religião do Estado. A religião pertence, juridicamente, ao terreno do privado. Esta privacidade se refere particularmente a três aspectos:
• Queda do poder político das igrejas.
• O privado como espaço de liberdade religiosa. Pela primeira vez na história da humanidade, o privado se subtraiu à invasão do poder político. E mais: o Estado o considera como um grande valor a defender.
• A propriedade privada articula todo o direito. Não se deve estanhar, por isso, que muitos cristãos hajam transferido esta apreciação e valorização do privado, também em sua relação com a Igreja institucional e seus ensinamentos no campo dogmático, moral ou social. Hoje, o vinculo social se encontra no “consenso”.
c) Permanência da religião na cultura secularizada
Este é o terceiro aspecto da mudança relacional entre Estado e Igreja: a religião já não constitui o vínculo social. A religião e os símbolos religiosos já não são o cimento da sociedade, nem a inspiração principal. Durante algum tempo via-se a secularização associada à tese da progressiva desaparição da religião da sociedade e da vida das pessoas. É a tese do positivismo, do marxismo, e da teologia da morte de Deus.
d) A questão do sagrado
1) Ocaso do sagrado x permanência do sagrado. Atualmente parece inegável que um amplo espaço do sacro e da sacralidade haja desaparecido definitivamente. Mas isto não quer dizer que a cultura moderna tenda a ser uma sociedade sem religião, tampouco que esta estaria prestes a desaparecer totalmente.
2) O sagrado como contracultura. As atuais formas do sagrado que emergem no âmbito do privado assumem, geralmente, a forma de uma contracultura, expressão de um profundo desgosto frente à exagerada racionalização da cultura moderna. Precisamente por este motivo, o sagrado se apresenta no contexto do irracional. Hervieu-Léger distingue quatro direções nas quais se expressam os novos movimentos religiosos:
Evangelismo, fundamentalismo e neopentecostalismo no cristianismo;
Crescente atração das religiões orientais;
Uma miríade de grupos e movimento que perseguem a expansão do potencial humano (mistura de psicologia e elementos de misticismo oriental, mas interpretados de modo arbitrário);
As seitas autoritárias em torno de lideres carismáticos com um poder quase ilimitado sobre seus seguidores.
3) Diferenciação entre sagrado, religião e fé cristã. O problema não é teórico nem engloba somente o significado destes termos, mas tem direta relação com a pastoral e a catequese. Tem que se distinguir duas rupturas que podem acontecer: uma, entre religião e pertença a uma igreja ou agrupamento religioso; outra, entre religião e fé crista.
d) Relação dos cristãos com o cristianismo
Sempre existiu certo pluralismo no cristianismo. Hoje, contudo, existe um pluralismo dentro do mundo cristão que é totalmente diferente do pluralismo tradicional de acentuações entre fé e vida cristã ou de espiritualidade.
1) Um cristianismo seletivo
Muitos cristãos selecionam partes da doutrina ou da moral, aceitando somente alguns aspectos e distanciando-se de outros. É uma espécie de supermercado cristão, onde cada um escolhe o menu.
2) A distância frente à moral oficial
Em geral se aceita, e até se deseja, que a Igreja intervenha no mundo da moral social e internacional. O problema se coloca quando toca a moral individual e, mais concretamente, a moral sexual.
3) Abandono da Missa e dos sacramentos. Há poucos anos atrás se considerava a freqüente participação na missa e a prática da confissão e da comunhão, bem como a substancial observação da moral, um critério primário da pertença à igreja. Hoje não é mais assim. As pessoas, mesmo que “não pratiquem”, continuam considerando-se e se professando cristãos. Não se pode dizer que não sejam cristãos. O problema é até quando eles poderão conservar a fé. Lamentavelmente, para muitos deles é já o primeiro passo decisivo no caminho da descristianização.
Quais são os desafios que a situação juvenil territorial põe aos evangelizadores?
O mundo globalizado e neoliberal influi no modo de ser, pensar e se comportar dos jovens na sociedade. Cada sociedade constitui o jovem à sua própria imagem. Aprofundar o contexto da atual cultura Pós-Moderna em que os jovens se encontram é uma tarefa que permite verificar, identificar e entender como essa realidade interfere no momento em que os jovens estão vivendo, além de permitir visualizar as crises e opções que os inquietam e provocam.
A globalização é um fator que não pode ficar fora dessa consideração, pois a juventude, em seu tempo de construção de referenciais, está mais aberta às propostas de visualização e acesso a um mundo mais amplo, sem fronteiras. Os símbolos apresentados pela expansão global se tornam facilmente assimiláveis pela juventude. O desafio é entender como a cultura deste momento de evolução tecnológica atua nas expressões juvenis? Quais são os seus conteúdos? Como esta categoria é visualizada pela sociedade, na comunicação etc.
Uma questão que se apresenta é a de diferenciar o que é próprio deste período etário juvenil e o que é fruto da atual sociedade. Especula-se que a juventude é uma presa fácil do mundo Pós-Moderno, e que estaria mais vulnerável às conseqüências destas transformações. O desafio é entender a cultura dentro deste momento de evolução tecnológica em que tudo tem um conteúdo visual e sonoro e que trafega por veículos e meios rápidos e que se tornam globais, impondo um mesmo padrão cultural e uma mesma matriz a todos.
• A comunicação atual e seus efeitos sobre a juventude
O mundo atual é o tempo da comunicação e da informação. A realidade se apresenta como a era da informática, da civilização eletrônica, da imagem, do mundo da comunicação por vias virtuais. Essa nova era leva a juventude a construir seu imaginário dentro da cultura da imagem. Essas imagens são firmadas através de ícones e símbolos que se tornam mais expressivos a cada descoberta feita e desejada.
Esse padrão de consumo apresentado pela comunicação tem influência direta sobre a vida de todos, sobretudo da juventude. Os novos símbolos interferem na realidade em que os jovens se organizam e agem. As realidades, além de mais complexas, estão justapostas entre os fatos, as notícias, as particularidades e a fragmentação da sociedade. O mundo global coloca, através da Internet e suas redes de comunicação, uma infinidade de misturas de culturas, linguagens, códigos de comunicações e relações.
O mundo Pós-Moderno atua na cultura inculcando nos indivíduos que o importante para a comunicação é a pessoa se preocupar com sua imagem, aparecer e estar permanentemente preocupada com a sua autoconstrução. Esse modo de pensar e agir estão organizados e pensados para o individuo e, em especial, para o mundo juvenil. A mesma cultura de massa e de tecnologia não consegue garantir a todos o acesso ao saber, à cultura, ao lazer e ao desporto, pois a influência neoliberal prega um Estado mínimo, controlado pelo mercado. Sem contar que nesta mesma perspectiva a influência neoliberal prega um Estado mínimo que faz com que este se ausente de seu papel de garantir os direitos básicos da população no que se refere aos serviços de segurança, saúde, transporte, lazer, educação, apresentando-se cada vez mais precários, insuficientes e mal distribuídos.
Os jovens de hoje nascem na cultura da imagem e do desaparecimento da palavra. O mundo da Pós-Modernidade se baseia na especialização progressiva, do conhecimento da subjetividade. Criam-se novos padrões de transformação social, aparecem novas agências de publicidade, produzindo uma nova religião, pronta para impor um sentir e um desejar. Essa nova contextualização impõe aos jovens novos padrões de consumo, de maneiras de se perceber e desejar.
Seriam, então, os jovens o objeto direto do desejo do mercado em busca de consumidores? É preciso lembrar que os seres humanos têm necessidades e desejos naturais referentes a objetos que lhes são exteriores: alimento, bebida, habitação e, acima de tudo, a conservação do corpo. O desejo do homem é ser reconhecido, como um ser com certo valor e dignidade. A sociedade representa o que alguns pensadores já disseram: “Penso, logo existo” (Descarte), “Desejo, logo existo” (Freud), “Consumo, logo existo” (neoliberalismo).
Essa lógica reinante abre caminho para os meios de comunicação serem os agentes socializadores da juventude. Os meios de comunicação atuam de forma pedagógica. Utilizam-se, principalmente, da publicidade. A mídia moderna exerce uma função pedagógica de socializar indivíduos e transmitir-lhes códigos. A juventude se encanta e deseja essa comunicação veloz, desafiadora. A juventude se identifica com esse modelo de comunicação, pois foi educada por ela. Hoje, as crianças já nascem atraídas pela propaganda. Essa propaganda é subliminar e não visa convencer, mas seduzir. Apela para o inconsciente. Quer criar felicidade e hábitos de fidelidade forjando empatia, criando e comandando o desejo, o gosto. Atua com modelos de imitação. Utiliza-se do bom humor para ficar na memória. Fustiga o desejo e o olhar e causa uma insaciabilidade.
Os jovens têm, no seu horizonte, o desafio da busca do que lhe é desconhecido e ausente e a possibilidade do consumo se torna, para ele, uma janela de oportunidade. O consumo nunca descansa. Sempre surgem novos objetos desejáveis. A juventude se constituiu em um dos grupos que mais se sentem aguçados com a espera dos lançamentos do cinema, da TV, da informática. Os jovens acreditam e esperam, porque se identificam, reconhecem-se nela e no desejo que a propaganda cria.
Esse modelo de comunicação confunde os jovens, não lhes possibilitando diferenciar o que vem a ser desejo e o que são necessidades humanas. A mídia, aliada do mercado de consumo, desperta uma insatisfação que leva à exploração da vontade interna de ter o que o outro tem. Estimula a imitação de tudo que o outro possui. Causa o desejo mimético de ser o outro. Há quem diga que a comunicação educa para a mentalidade afirmativa – poder – superioridade; “eu narciso” num constante desejo de autoconstrução. Toda a sociedade e, em especial, os jovens, recebem a mensagem de que cada um dos seus membros tem a responsabilidade de se preocupar consigo mesmo (autocentramento).
A juventude inculca em seu sistema de compreensão e interação com o mundo um conjunto de satisfações pessoais. Quando não o consegue, experimenta uma insegurança generalizada. Para prevenir e impedir essa insegurança, a sociedade provoca um deslocamento da confiança nas relações de proximidade e intimidade para a relação técnica. Como resultado, há juventudes menos conceituais, analíticas e organizadas.
A cultura Pós-Moderna forja uma propaganda para que o indivíduo consuma o máximo possível. Nem todos os jovens, no entanto, conseguem ter acesso e condição de consumo como o mercado deseja. Cria-se, assim, nos jovens, uma ilusão de que tudo está à disposição de todos. Porém, pouquíssimos são aqueles que podem consumir tudo que ela propõe. A cultura midiática vende o que a sociedade está disposta a aceitar. É por essas razões que a juventude não pode ser deixada de lado na análise da comunicação, pois, por sua própria natureza, ela busca a curiosidade como elemento para se construir e se identificar socialmente.
• A cultura refletida sobre o corpo da juventude
Na temática da cultura Pós-Moderna o corpo ganha lugar de destaque, pois é por natureza um instrumento de comunicação. A etapa da juventude é um momento em que o corpo está cheio de vigor com capacidade de se expressar socioculturalmente. Sobre o corpo recai uma mensagem de interlocução constante, tornando-se um instrumento de comunicação visual. O tempo da juventude é entendido como potencialidades. Este tempo reflete diretamente no corpo dos jovens. Com isso as pessoas adultas querem ter a vitalidade da juventude, desejam energia. Essa concepção de corpo juvenil está ligada à visão mecanicista de utilidade e capacidade. Ninguém quer ser velho ou incapaz. Hoje, tudo passa pela experiência, pela vivência dos sentidos e dos órgãos do corpo.
Há diversos cenários para envolver a juventude no que se refere ao corpo. A sociedade moderna atua com a expectativa do estético. Investe no gosto da juventude, cria uma roupagem de modernidade e atua com propostas para esse corpo esteja em evidência. No campo afetivo, a paquera, o “ficar” e as relações acabam sendo temporárias e sem compromissos. São indicações de que as relações são articuladas na base do sentimento. Os modos e os meios de produção geram sujeitos carentes e sem compreensão de sexualidade e afetividade. São aspectos reforçados pela cultura e pelas relações sociais. A psicologia evolutiva produz cultura, ritmos, espaços e símbolos da indústria cultural adultocêntrica. O corpo é máquina – horizonte do desejo da construção da identidade. O corpo juvenil é o que marca o tempo para satisfação dos desejos e das possibilidades do imaginário.
Os padrões de beleza masculinos e femininos têm influência sobre os jovens submetendo-se às filosofias estéticas que não condizem, em sua maioria, com a cultura a que pertencem. Poucas têm sido as oportunidades para que os jovens e as jovens tenham seus corpos como instrumento político para manifestarem sua insatisfação com as estruturas. O corpo não pode ser reduzido ao horizonte do objeto do prazer e do disciplinamento de atitudes. Quando o prazer se torna um horizonte a ser conquistado pelos jovens e a sociedade moderna e pós-moderna impõe a forma de alcançá-los, provoca uma confusão na visão da juventude, fazendo crer que o gozo eterno não se encontra no cotidiano das relações, das descobertas, dos namoros ou dos afetos.
• O imediatismo nas socializações dos jovens e seus grupos
Quando se fala em juventude como um período cheio de mudanças e decisões, é preciso entendê-la como um fenômeno social de uma determinada geração, que representa um tipo particular de identidade que está se construindo dentro do processo social ao qual ela pertence historicamente. Entender essa questão possibilita verificar se a juventude é realmente imediatista. Pois pode ser que essa inconstância ou pouca temporalidade seja resultado do contexto pós-moderno em que vive a sociedade e, assim, não seria uma só uma questão dos jovens mas de todas as pessoas.
O pensamento de Fukuyama, afirma que esse mecanismo da provisoriedade e imediatismo, teria levado a humanidade ao “fim da história”. Com esse tipo de pensamento nasce na sociedade a idéia de que tudo é permitido. O que importa é viver aqui e agora. A sociedade, segundo ele,passaria sob duas lógicas: a lógica da ciência moderna que apresenta possibilidades e amplo horizonte de desejo, que atrai, cativa. Oferta-se a possibilidade de que todos podem buscar tudo que for sonhado. A outra lógica é a da luta por reconhecimento, que, segundo Fukuyama, é o motor atual que move a história. Na visão do autor é a lógica de reconhecimento que provoca no homem sentimentos de emoção, ira, desejo, orgulho, vergonha e auto-estima. Essas questões fazem com que as pessoas busquem agregar valor a tudo, razão e motivo de lutar para conquistar seus desejos, custe o que custar.
Esse desejo de reconhecimento é um elemento do neoliberalismo. Tornou-se o motor da história e interfere na cultura, na religião, no trabalho, no nacionalismo e nas guerras. Esse tipo de lógica produz um lixo cultural, ofertado durante 24 horas por dia, para a juventude consumir e assimilar. Essa realidade de descarte e de fragmentação leva os jovens ao desencantamento com o mundo e gera uma devastação do espírito e de valores permanentes no momento em que sua identidade está se firmando.
Vive-se um horizonte em que a aprendizagem passa pela revista ilustrada, pela propaganda, pelo slogan, pela insistência da iconografia da moda e pela cultura televisiva. Tudo passa pela experiência e pela vivência dos sentidos e dos órgãos do corpo. Os jovens, tempos atrás, diante de uma proposta, diziam “deixa-me pensar e depois decido”. Agora, diante das propostas dizem “deixa-me experimentar pra ver se vale a pena”. Experimentar indica ação, experiência, algo vivencial.
Há que ser lembrado que é próprio da juventude o tempo da experimentação; só mais tarde vem a fase projetiva. Os teóricos da psicologia dizem que a etapa da juventude seria o tempo da moratória. Acontece que a cultura pós-moderna, neoliberal e globalizada provoca uma fragmentação, a provisoriedade ou o tempo da “experimentação”. Existe uma dificuldade das pessoas em se comprometerem com experiências, nas decisões, opção de vida e na entrega total. Os jovens processam essas velocidades da Pós-Modernidade e sua fragmentação. Sabem que nem todos têm acesso a essas mudanças. Eles são forçados a diferenciar constantemente o que é real, mágico, fantasioso.
Além dos dados característicos, apresentados num contexto de Pós-Modernidade, diversos estudos do mundo urbano globalizado coincidem ao reconhecer traços comuns da cultura juvenil contemporânea. Esquematicamente, alguns aspectos dessa cultura, numa ótica mais psicológica, podem ser elencados da seguinte forma:
• Centralidade das emoções e relativização dos valores e das tradições. Funcionam escolhas de experiências sem critérios absolutos. Valoriza-se mais o flexível, o momentâneo; anseia-se gozar o momento presente, com poucas perspectivas para o futuro. Tem-se dificuldades com o silêncio interior.
• Uma geração de pouca leitura, de debilidade intelectual, uma geração de imagem, acostumada a estímulos constantes para manter sua atenção. Uma geração “zapping” com controle remoto na mão, mudando de canal em canal para encontrar novos estímulos.
• A não-crença em compromisso definitivo, nem na vida religiosa, nem na vida matrimonial. Tudo isso afasta e amedronta.
• Opção por relações interpessoais e horizontais. Preferência por relações democráticas, de tolerância horizontal e aberta. Os grupos de amigos são mais valorizados do que as relações familiares. Há uma rebeldia diante de instituições consideradas retrógradas e uma impaciência com autoridades despóticas. Percebe-se, também, o sentimento de pertença nas motivações e experiências horizontais e democráticas, menos segregação racial e situações preconceituosas e maior tolerância e sensibilidade a múltiplas formas de vida.
• Fragmentação da identidade, isto é, maior confusão quanto à imagem de si mesmo. Os jovens buscam o anonimato e se distanciam de relações estáveis.
• Maior entrosamento entre os gêneros masculino e feminino. Encontram-se homens que vivenciam harmoniosamente traços da feminilidade e mulheres que entram no mercado da força de trabalho em crescente igualdade de condições. Por isso, maior aceitação do homossexualismo e do modelo unissex de vestuário.
• Enfoque da subjetividade. O jovem da Pós-Modernidade está centrado, quase unicamente, nos seus problemas e necessidades pessoais.
• Desinteresse pela macro-política e pelas grandes estruturas. Há uma maior inclinação diante das pequenas transformações de ideais culturais do que de grandes obras ou revoluções. Individualista (e não solidária), conservadora (e não progressista), alienada (e não engajada), apática (e não participativa).
• Preferência pelo sincretismo religioso e pelas formas religiosas ecumênicas. Significa maior liberdade de expressão e dificuldade em viver vinculado a valores institucionais, a uma estrutura de paróquia e à figura de autoridade. Há uma volta ao sagrado, mas um sagrado mais privado, mais light, menos exigente.
• Tendência ao hedonismo e vulnerabilidade psicológica. Significa dificuldade de elaboração de momentos de frustração, do tempo de espera, das angústias, e opção preferencial pelo prazer e pela felicidade, entretenimento e consumo imediato. Não se questiona a sociedade de consumo. Frente aos desafios e obstáculos que a vida coloca no caminho, a tendência é desistir. Busca-se imperativamente a felicidade. “Um sujeito solto, sem rumo, arrastado pelos neurolépticos, pelo consumo metonímico, pela imagem narcisista, pelo massacre da mídia, pela velocidade do tempo urbano e pela religião espetáculo…” (Pereira, 2004).
• Papel dos adultos. Para Maria Rita Kehl, a vaga do adulto, em nossa cultura, está desocupada. (“Juventude e Sociedade do Projeto Juventude” – Instituto Cidadania. Organizado por Regina Novaes e Paulo Vannuchi). Outros teóricos dizem que a cadeira está ocupada por um adulto diferente, ainda não decifrado.
• Ausência dos pais. Os jovens externam a percepção de que os pais estão ausentes e alguns já sinalizam que as coisas poderiam melhorar na estrutura familiar, porque os papéis não estão sendo devidamente assumidos ou a liberdade anda excessiva, ou o tempo de convivência está ficando cada vez mais restrito.
Este perfil da juventude contemporânea pode aparecer muito negativo. Porém, não estamos falando de toda a juventude. Há jovens que são diferentes do retrato descrito. Estamos falando das grandes tendências. Não podemos cair na tentação de nostalgia, de que as gerações anteriores eram melhores. Cada geração tem suas luzes e sombras. Esta geração não é pior ou melhor do que outras gerações. É diferente. E o processo de evangelização, a metodologia, os enfoques, o ponto de partida e o sistema de acompanhamento têm que levar isso em conta para não ficar encalhado na estrada de uma história que não espera. Assessores que trabalham com a juventude contemporânea dão testemunho que a juventude de hoje é tão idealista e generosa como antes. Basta saber trabalhar com ela. A questão é a metodologia de trabalho e a paciência para acompanhar os processos de educação na fé. O processo leva mais tempo e exige um investimento maior.
Para que um encontro mundial da juventude?
“Caros jovens, a Igreja conta com vocês! A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce a faz deslanchar. Por isto, as Jornadas Mundiais da Juventude é uma graça não apenas para vocês, mas para todo o povo de Deus. A Igreja da Espanha esta se preparando ativamente para acolher cada um de vocês e viver em comunhão a feliz experiência da fé”.
São estas palavras de Bento XVI aos jovens do mundo inteiro, que estamos também nós nos preparando para viver mais esta Jornada Mundial da Juventude, que este ano será em Madri dos dias 16 a 21 de agosto deste ano, com o tema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (Cl 2,7). Este ano o próprio tema nos permite exaltar a presença central da figura de Jesus na vivência de fé de cada jovem cristão. De fato somente fixando o olhar sobre Jesus e seguindo seus passos, se consegue a inspiração e a força para fazer-se testemunha da própria fé na complexidade da nossa sociedade contemporânea.
Mas por que um encontro mundial de jovens? Qual o sentido para toda esta preparação? Existe realmente algum resultado nisso?
Desde 1984, quando se teve em Roma, a primeira jornada mundial da juventude, querida pelo então Papa João Paulo II, até a última em 2008, com Bento XVI, estes encontros são marcados por profundos encontros de fé viva e vivada pelos jovens do mundo inteiro, que se reúnem em torno do Sucessor de São Pedro, para um dialogo de fé entendido e falado na linguagem jovem. Jovens estes, que brilham, não com coisas superficiais que passam, mas, porque em Cristo, são luz do mundo. Esta é a intenção de cada JMJ, “recarregar as lâmpadas de cada jovem, para cada jovem iluminado por Cristo, iluminar o mundo”.
Jovem evangeliza outro jovem, porque fala a mesma língua, gosta de desafios, se sente motivado a viver perigosamente. Um jovem que vive uma experiência de ver milhares de outros jovens, profetizando a mesma fé, terá a coragem de dizer, que no mundo, não se está sozinho, pois milhares de outros jovens vivem as mesmas coisas que todo jovem vive, de maneira diferente, por ter Cristo nos seus corações e nas suas escolhas. Qual outro sentido teria um encontro mundial de jovens, se não fosse levar estes jovens a um encontro com Cristo, e um encontro com outros jovens?
Estes encontros não teriam sentido, se não desafiassem cada jovem – do mundo globalizado, do mundo cibernético, do mundo das modas – a viver a santidade de cada dia. A santidade não é algo que ficou na antiguidade da vida da Igreja, nem mesmo apenas para padres ou freiras. A santidade é uma vocação, que todos e cada um têm como apelo a viver, na realidade concreta do dia-a-dia. Seja na escola, na faculdade, no grupo de amigos, no trabalho, em casa, na família, com jovens que não conhecem a Deus, a santidade é para todos, é possível a todos, é compromisso de todos. E este compromisso só terá sentido, se antes cada um de nós formos interpelados por um Amor tão grande, que é capaz de reunir milhares e milhares de jovens em algum lugar do mundo (este ano em Madri) para dizer pessoalmente a cada um, é possível viver hoje a santidade. Hoje porque o amanha a Deus pertence, e o ontem já passou.
Este é o sentido do nos preparar e preparar bem para vivermos de perto ou de longe a Jornada Mundial da Juventude, “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”.
Deus te abençoe e te faça viver a cada dia o apelo de Deus à santidade.
Papa tem razão sobre prevenção à Aids, comprova estudo
Um comportamento sexual responsável e a fidelidade ao próprio parceiro foram os principais fatores que determinaram a fortíssima queda da incidência de Aids na nação africana do Zimbábue. E esses dados não provêm de nenhuma diocese católica ou instituição religiosa: a informação é defendida pela prestigiada Universidade de Harvard, a mais antiga instituição de estudos superiores dos Estados Unidos, com 375 anos de história.
O pesquisador do Departamento para a Saúde global e População de Harvard, Daniel Halperin, está empenhado desde 1998 em estudar as dinâmicas sociais que estão na base da difusão das doenças sexualmente transmissíveis nos países em via de desenvolvimento, que são os maiores afetados pelo flagelo da Aids.
Através de dados estatísticos e análises de campo, como entrevistas e grupos focais, Halperin conseguiu recolher testemunhos até mesmo dos bolsões mais pobres do país africano. A curva em queda em 10 anos é evidente: entre 1997 e 2007, a taxa de infecção entre a população adulta caiu de 29 para 16%. “A repentina e nítida diminuição anda de mãos dadas com a redução de comportamentos de risco, como relações extraconjugais, com prostitutas ou ocasionais”, diz, sem hesitar, o pesquisador.
O estudo foi publicado em PLoSMedicine.org e é financiado pela agência estadounidense para o Desenvolvimento internacional, da qual Halperin já foi conselheiro, e pelo Fundo das Nações Unidas para a População e o Desenvolvimento. Com isso, o pesquisador alimenta uma séria e honesta reflexão sobre as políticas até agora adotadas pelas principais agência de luta contra a Aids nos países em vias de desenvolvimento.
Segundo Halperin, é evidente que a drástica inversão dos comportamentos sexuais da população do Zimbábue “foi auxiliada por programas de prevenção nos mass media e por projetos formativos promovidos pelas igrejas e confissões religiosas”, relata. Essas intervenções são propriamente culturais, com resultados mais distantes no tempo. No entanto, são mais incisivas e duradouras que a prática da distribuição de profiláticos, como a camisinha, que se apresenta como ineficaz.
Bento XVI
Na viagem apostólica que realizou à África, em 2009, o Papa Bento XVI comentou que o preservativo não era a solução para a luta contra a Aids. As palavras do Papa foram alvo de ásperas críticas e polêmicas, preconceituosas e não científicas, como se pode compreender também com o auxílio desse estudo ora divulgado. Também no livro-entrevista Luz do Mundo, o Pontífice recorda que “os profiláticos estão à disposição em todos os lugares, mas somente isso não resolve a questão”.
Desse modo, cada vez mais a pesquisa científica – quando honesta e não baseada na busca de vantagens econômicas – reconhece que as ações mais eficazes contra a Aids são aquelas similares ao método ABC (abstinência, fidelidade e, somente em última análise, utilização dos profiláticos), adotada com sucesso na Uganda, por exemplo.
A própria revista Science lançou luzes sobre o fato de que “a parte de maior sucesso do programa foi a mudança do comportamento sexual, com uma redução de 60% das pessoas que declaravam ter tido mais relacionamentos sexuais e o aumento do percentual dos jovens entre 15 e 19 anos que se abstiveram de sexo”. A adoção do programa colocou Uganda em uma posição exemplar na luta contra a Aids no continente africano.
Definitivamente, segundo o estudo de Halperin, é preciso “ensinar a evitar a promiscuidade e promover a fidelidade”, apoiando aquelas iniciativas que buscam verdadeiramente construir na sociedade afetada pela Aids uma nova cultura.
Enfim, como afirma Bento XVI, trabalhar para uma “humanização da sexualidade”.
Discurso do Papa na Plenária do Conselho das Comunicações Sociais
Queridos Irmãos e Irmãs,
Estou contente por acolher-vos na ocasião da Plenária do Dicastério. Saúdo o Presidente, Dom Claudio Maria Celli, a quem agradeço pelas corteses palavras, os Secretários, os Oficiais, os Consultores e todo o Pessoal de trabalho.
Na Mensagem para o Dia das Comunicações deste ano, convidei a refletir sobre o fato de que as novas tecnologias não somente transformam o modo de comunicar, mas estão operando uma vasta transformação cultural. Vai-se desenvolvendo um novo modo de aprender e de pensar, com inéditas oportunidades de estabelecer relações e construir comunhão. Desejo, portanto, deter-me sobre o fato de que o pensamento e a relação acontecem sempre na modalidade da linguagem, entendida naturalmente no sentido lato, não somente verbal. A linguagem não é simples revestimento intercambiável e provisório de conceitos, mas o contexto vivente e pulsante no qual os pensamentos, as inquietudes e os projetos dos homens vêm à consciência e são plasmados em gestos, símbolos e palavras. O homem, portanto, não somente “usa”, mas, em certo sentido, “habita” a linguagem. Em particular hoje, aquelas que o Concílio Vaticano II definiu como “maravilhosas invenções técnicas” (Inter mirifica, 1) estão transformando o ambiente cultural, e isso requer uma atenção específica às linguagens que aí se desenvolvem. As novas tecnologias “têm a capacidade de pesar, não só nos modos de pensar, mas também nos conteúdos do pensamento” (Aetatis novae, 4).
As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, por um lado, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam rumo a uma diversa organização lógica do pensamento e do relacionamento com a realidade, privilegiam frequentemente as imagens e as ligações hipertextuais. A tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral, pois, parece indefinir-se em favor de uma comunicação escrita que toma a forma e a imediação da oralidade. As dinâmicas próprias das “redes participativas” requerem também que a pessoa seja envolvida naquilo que comunica. Quando as pessoas trocam informações, estão já compartilhando a si mesmas e as suas visões de mundo: tornam-se “testemunhos” daquilo que dá sentido às suas existências. Os riscos que se correm, certamente, estão frente aos olhos de todos: a perda de interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente com relação ao desejo de verdade. E, todavia, essas são consequência de uma incapacidade de viver com plenitude e de maneira autêntica o sentido das inovações. Eis porque a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias é urgente. O ponto de partida é a própria Revelação, que nos testemunha como Deus comunicou as suas maravilhas exatamente na linguagem e na experiência real dos homens, “segundo a cultura própria de cada época” (Gaudium et spes, 58), até a plena manifestação de si no Filho Encarnado. A fé sempre penetra, enriquece, exalta e vivifica a cultura, e essa, por sua vez, faz-se veículo da fé, que oferece a linguagem para se pensar e expressar. É necessário, portanto, que nos tornemos atentos ouvintes das linguagens dos homens de nosso tempo, para estarmos atentos à obra de Deus no mundo.
Nesse contexto, é importante o trabalho que desenvolve o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais ao aprofundar-se na “cultura digital”, estimulando e apoiando a reflexão para um maior conhecimento acerca dos desafios que esperam a comunidade eclesial e civil. Não se trata somente de expressar a mensagem evangélica na linguagem de hoje, mas é preciso ter a coragem de pensar de modo mais profundo, como aconteceu em outras épocas, sobre o relacionamento entre fé, vida da Igreja e as mudanças que o homem está vivendo. É o empenho de ajudar a quantos têm responsabilidade na Igreja a estarem capazes de compreender, interpretar e falar a “nova linguagem” dos media em função pastoral (cf. Aetatis novae, 2), em diálogo com o mundo contemporâneo, perguntando-se: quais desafios o assim chamado “pensamento digital” coloca à fé e à teologia? Quais demandas e exigências?
O mundo da comunicação interessa a todo o universo cultural, social e espiritual da pessoa humana. Se as novas linguagens têm um impacto sobre o modo de pensar e viver, isso diz respeito, de algum modo, também ao mundo da fé, à sua inteligência e à sua expressão. A teologia, segundo uma clássica definição, é inteligência da fé, e sabemos bem como a inteligência, entendida como consciência refletida e crítica, não é estranha às mudanças culturais em curso. A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale de transcendência. Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar os elementos da cultura e do ambiente do seu tempo: as ovelhas, os campos, o banquete, as sementes e assim por diante. Hoje, somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ajudar a falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.
É preciso, também, considerar que a comunicação nos tempos dos “novos media” comporta uma relação sempre mais estreita e cotidiana entre o homem e as máquinas, como computadores e telefones celulares, para citar somente as mais comuns. Quais serão os efeitos dessa relação constante? Já o Papa Paulo VI, referindo-se aos primeiros projetos de automação das análises linguísticas do texto bíblico, indicava uma pista de reflexão quando se perguntava: “Não é esse esforço de difundir em instrumentos mecânicos o reflexo de funções espirituais algo enobrecido e exaltado por ser um serviço que se relaciona com o sagrado? É o espírito que se fez prisioneiro da matéria, ou não é talvez a matéria, já domada e obrigada a seguir as leis do espírito, que oferece ao mesmo espírito um sublime favor?” (Discorso al Centro di Automazione dell’Aloisianum di Gallarate, 19 giugno 1964). Intui-se nessas palavras o vínculo profundo com o espírito ao qual a tecnologia é chamada por vocação (cf. Encíclica Caritas in veritate, 69).
É exatamente o apelo aos valores espirituais que permitirá promover uma comunicação verdadeiramente humana: para além de todo o fácil entusiasmo ou ceticismo, sabemos que essa é uma resposta ao chamado impresso na nossa natureza de sermos criados à imagem e semelhança do Deus da comunhão. Por isso, a comunicação bíblica segundo a vontade de Deus está sempre ligada ao diálogo e à responsabilidade, como testemunham, por exemplo, as figuras de Abraão, Moisés, Jó e os Profetas, e nunca à sedução linguística, como é, ao contrário, o caso da serpente, ou à incomunicabilidade e violência, como no caso de Caim. A contribuição dos crentes, portanto, poderá ser a de auxiliar o próprio mundo dos media, abrindo horizontes de sentido e de valores que a cultura digital não é capaz de, sozinha, perceber e representar.
Por fim, apraz-me recordar, juntamente a muitas outras figuras de comunicadores, aquele de padre Matteo Ricci, protagonista do anúncio do Evangelho na China na era moderna, do qual celebramos o IV centenário da morte. Na sua obra de difusão da mensagem de Cristo, considerou sempre a pessoa, o seu contexto cultural e filosófico, os seus valores, a sua linguagem, colhendo tudo aquilo que de positivo se encontrava na sua tradição, e oferecendo-se para animá-la e elevá-la com a sabedoria e a verdade de Cristo.
Queridos amigos, agradeço-vos pelo vosso serviço; confio-vos à proteção da Virgem Maria e, ao assegurar-vos a minha oração, concedo-vos a Bênção Apostólica.
Descubra a essência da santidade de João Paulo II
Há pouco mais de dois meses para a Beatificação do Papa João Paulo II, começam a multiplicar-se os eventos de natureza eclesial e cultural ao redor do mundo com o objetivo de preparar para a cerimônia.
Nesta sexta-feira, 25, o postulador da Causa de Beatificação de Karol Wojtyla (nome de batismo do Papa polonês), padre Slawomir Oder, participou da Conferência “O segredo e a essência da santidade de João Paulo II”, junto ao Ateneu Pontifício Regina Apostolorum, em Roma. O encontro foi promovido pelo Centro de Estudos João Paulo II, estrutura do Ateneu que recolhe publicações e escritos do e sobre o futuro Beato.
“Aquilo que caracteriza, no entanto, a [santidade da] figura de João Paulo II, como emerge das cartas do processo de Beatificação, são essencialmente duas dimensões. A sua dimensão de homem de oração, de homem de Deus, e a dimensão da sua ânsia apostólica, o seu ser missionário de Cristo. De fato, urgia nele aquela caridade de Cristo que o incentivava a levar o Senhor a todos os lugares”, explica o postulador.
A seguir, confira uma entrevista de padre Oder à Rádio Vaticano, na qual ele fala sobre os preparativos para o acontecimento e a experiência com João Paulo II:
Padre Slawomir Oder – Não há dúvidas de que, antes de tudo em nível humano, trata-se de uma grande emoção. Para mim, a Causa de Beatificação de João Paulo II foi, sem dúvida, uma aventura espiritual que assinalou a minha pessoa e constitui um marco na minha vida. Ter, portanto, a consciência de ter podido contribuir com a realização desta realidade extraordinária, de termos chegado ao ponto em que chegamos, me dá um sentido de satisfação, de alegria frente ao Senhor.
Rádio Vaticano – Seguramente, há muitos aspectos importantes deste processo para a Causa de Beatificação. Se o senhor tivesse que citar aquilo que mais lhe marcou nestes anos…
Padre Oder – Seguramente a sua espiritualidade, o seu modo de rezar, o seu modo de ser. Da figura de João Paulo II atrai, sem dúvidas, a profundidade da sua vida espiritual. Uma expressão que o define muito bem é “homem de Deus”, “homem de oração”. E isso é um aspecto que levarei comigo no coração, um tesouro para mim, para o meu sacerdócio. Além disso, o processo é feito também por encontros com pessoas que escrevem os testemunhos. Nesse caso, aquilo que me marcou foi a proximidade deste grande homem de Deus – este grande místico, podemos dizer – da vida de tantas pessoas. Ele entrou nos corações, nas nossas famílias, e ali permaneceu. O afeto que se percebe dos testemunhos que ainda chegam à sede da postulação faz compreender que Papa Wojtyla é uma pessoa viva nos nossos corações, nos nossos sentimentos.
RV – Chegamos ao tema da Conferência no Regina Apostolorum, um tema com um título já muito ambicioso: “O segredo e a essência da santidade de João Paulo II”. É obviamente muito difícil responder a essa pergunta. Mas qual foi a essência desse testemunho de santidade?
Padre Oder – Efetivamente, restituir com uma frase – ainda que com uma conferência – um quadro completo desse personagem é impossível. Aquilo que caracteriza, no entanto, a figura de João Paulo II, como emerge das cartas do processo de Beatificação, são essencialmente duas dimensões. A sua dimensão de homem de oração, de homem de Deus, e a dimensão da sua ânsia apostólica, o seu ser missionário de Cristo. De fato, urgia nele aquela caridade de Cristo que o incentivava a levar o Senhor a todos os lugares. O ponto comum desses dois aspectos é o seu amor por Cristo. Ele amou o Senhor porque se sentiu profundamente amado por Ele, por isso não podia fazer outra coisa senão responder com essa profundiade de vida espiritual e com essa abertura do seu coração ao mudo.
RV – Quais frutos se poderão colher desta Beatificação de primeiro de maio?
Padre Oder – Penso no seguinte: nos anos deste processo, tive a nítida sensação de que quem o fez foi, na realidade, o Senhor: é Ele que dita os seus tempos, o seu modo de agir, muitas vezes surpreendente. Por isso, estou convencido de que o Senhor, através da bondade da mensagem de João Paulo II, semeará nos corações de tantas pessoas muitos frutos espirituais. Mas aquilo que seguramente será um elemento comum, como eu espero e desejo, é o suscitar a esperança, a renovada esperança de que João Paulo II foi justamente chamado a ser testemunha, e ele o é. É a esperança que o mundo não dá, mas a dá somente a amizade com o Senhor, com Cristo.
Mensagem do Papa aos participantes do Congresso sobre Vocações
Queridos irmãos no Episcopado
Amados presbíteros,
religiosas, religiosos e fiéis leigos
Próximo de se completar os 17 anos do I Congresso Continental Latinoamericano sobre as Vocações, convocado pela Santa Sé, em estreita colaboração com o Conselho Episcopal Latinoamericano e a Confederação de Religiosos. Aquele evento significou uma importante ocasião para relançar, em todo o continente a Pastoral Vocacional.
O presente Congresso, que acontece em Cartago, na Costa Rica, é uma inciativa dos bispos responsáveis da Pastoral Vocacional da América Latina e Caribe, com a qual se pretende seguir o caminho já iniciado, no contexto desse grande impulso missionário promovido pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida (Documento Final, 548). A grande tarefa da evangelização requer um número crescente de pessoas que respondem com generosidade ao chamado de Deus e entreguem a vida pela causa do Evangelho. A atividade missionária mais incisiva traz frutos preciosos, juntamente ao fortalecimento da vida cristã em geral, o aumento das vocações de especial consagração. De alguma forma, a abundância de vocações é um sinal eloquente da vitalidade eclesial, bem como a forte vivência da fé por todos os membros do povo de Deus.
A Igreja, no mais íntimo do seu ser, tem uma dimensão vocacional, implícita em seu significado etimológico: “assembleia convocada” por Deus. A vida cristã participa também desta mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja. Na alma de cada cristão ressoa sempre de novo aquele “segue-me” de Jesus aos apóstolos, que mudou para sempre suas vidas (cf. Mt 4, 19).
No segundo Congresso, que tem como tema “Mestre, em atenção a tua Palavra, lançarei as redes” (Lc 5, 5), os distintos agentes da Pastoral Vocacional da Igreja na América Latina e no Caribe tem se reunido com o objetivo de fortalecer a Pastoral, de modo que os batizados asssuma seu chamado de discípulos e missionários de Cristo, nas circunstâncias atuais destas amadas terras. A este respeito, o Concílio Vaticano II afirma que “toda a comunidade cristã tem o dever de fomentar as vocações e deve, procurá-lo, antes de tudo, com uma vida plenamente cristã” (Optatam totius, 2). A Pastoral Vocacional deve ser totalmente inserida no conjunto das pastorais em geral e com uma presença capilar em todos as pastorais concretos (cf. V Conferência Geral de Aparecida, documento final, 314). A experiência mostra que, onde houver um bom planejamento e uma prática constante da Pastoral Vocacional, as vocações não faltam. Deus é generoso e igualmente generoso deve ser o empenho da Pastoral em todas as Igrejas particulares.
Entre os muitos aspectos que poderiam ser consideradas para o cultivo das vocações, gostaria de salientar a importância de cuidar da vida espiritual. A vocação não é o resultado de qualquer projeto humano ou de uma hábil estratégia organizativa. Na sua realidade mais profunda, é um dom de Deus, uma iniciativa misteriosa e inefável do Senhor, que entra na vida de uma pessoa cativando-a com a beleza do seu amor e suscitando, consequentemente, uma entrega total e definitiva a esse amor divino (cf. Jo 15, 9.16). Tenha sempre presente a primazia da vida espiritual como a base de toda a programação pastoral. É necessário oferecer às jovens gerações a oportunidade de abrir seus corações para uma realidade maior: Cristo, o único que pode dar sentido e plenitude a sua vida. Precisamos superar nossa auto-suficiência e ir com humildade ao Senhor, implorando-lhe para continuar chamando a muitos. Mas, ao mesmo tempo, o fortalecimento de nossa vida espiritual deve nos levar à identificação cada vez maior com a vontade de Deus e oferecer um testemunho mais limpo e transparente de fé, esperança e caridade.
De fato, o testemunho pessoal e comunitário para uma vida de amizade e intimidade com Cristo, em devoção plena e feliz a Deus, ocupa um lugar de primeira ordem no trabalho de promoção das vocações. O testemunho fiel e alegre da própria vocação tem sido e é um excelente meio para despertar em tantos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo. E junto a isso, a coragem de propor-lhe com delicadez e respeito a possibilidade de que Deus também os chame. Muitas vezes, a vocação divina abre espaço através de uma palavra humana ou através de um ambiente em que se experimenta uma fé viva. Hoje, como sempre, os jovens “são sensíveis ao chamado de Cristo que os convida a seguir ” (Discurso proferido na sessão de abertura da V Conferência Geral de Aparecida, 13 de maio, 2007). O mundo precisa de Deus e, por isso, sempre terá a ncessidade de pessoas que de vivam para Ele e que O anunciem aos outros (cf. Carta aos seminaristas, 18 de outubro de 2010).
A preocupação com as vocações ocupa um lugar especial no meu coração e minhas orações. Peço, então, queridos irmãos e irmãs, que se consagrem com todas as suas forças e talentos a esta apaixonate e urgente tarefa, que o Senhor saberá recompensar generosamente. Imploro sobre os organizadores e participantes do Congresso a intercessão da Virgem Maria, verdadeiro modelo de resposta generosa à iniciativa de Deus, ao mesmo tempo que concedo uma especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 21 de janeiro de 2011
Papa aos jovens: “Estudem o Catecismo com paixão e perseverança!”
Hoje, aconselho-vos a leitura de um livro extraordinário.
É extraordinário pelo seu conteúdo, mas também pelo modo pelo qual é formado, que eu desejo explicar-vos brevemente, para que se possa compreender sua particularidade. Youcat originou-se, por assim dizer, de uma outra obra, que surgiu em meados dos anos 80. Era um período difícil para a Igreja, assim como para a sociedade mundial, durante o qual se sugeriu a necessidade de novas orientações para encontrar uma estrada rumo ao futuro. Após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e no mutante clima cultural, muitas pessoas não sabiam mais corretamente em que os cristãos deveriam propriamente acreditar, o que a Igreja poderia ensinar, se ela poderia ensinar algo a todas as pessoas, e como tudo isso poderia adaptar-se ao novo clima cultural. O Cristianismo enquanto tal não está superado? Pode-se, ainda hoje, racionalmente, ser crentes? Essas são perguntas que ainda hoje muitos cristãos se colocam. O Papa João Paulo II resolveu tomar uma decisão audaciosa: decidiu que os bispos de todo o mundo escreveriam um livro, através do qual responder a essas perguntas.
Ele confiou-me a missão de coordenar o trabalho dos bispos e assegurar que, das contribuições dos bispos, nascerie um livro – digo um verdadeiro livro, não uma simples justaposição de uma multiplicidade de textos. Este livro devia levar o título tradicional de Catecismo da Igreja Católica (CIC) e, todavia, ser algo de absolutamente estimulante e novo; devia mostrar em que crê a Igreja Católica e de que modo se pode crer de maneira racional. Fiquei assustado com essa tarefa, e devo confessar que duvidei que algo de similar pudesse surgir. Como podia acontecer que autores espalhados por todo o mundo pudessem produzir um livro legível?
Como podiam homens que vivem em continentes diversos, e não somente do ponto de vista geográfico, mas também intelectual e cultural, produzir um texto dotado de uma unidade interna e compreensível em todos os continentes? A isso, acrescentava-se o fato de que os bispos deviam escrever não simplesmente a título de autores individuais, mas em representação de seus coirmãos e das suas Igrejas locais.
Devo confessar que, ainda hoje, parece-me um milagre o fato de que esse projeto tenha alcançado seu objetivo. Encontramo-nos três ou quatro vezes no ano por uma semana e discutimos apaixonadamente sobre individuais trechos de texto que, no meio tempo, haviam sido desenvolvidos.
Por primeiro, se deveria definir a estrutura do livro: devia ser simples, para que os grupos individuais de autores pudessem receber um produto claro, e não deveria forçar um sistema complicado em suas afirmações. É a mesma estrutura deste livro; é trazida simplesmente de uma experiência catequética ao longo dos séculos: em que cremos / de que modo celebramos os mistérios cristãos / de que modo temos a vida em Cristo / de que modo devemos rezar. Não desejo agora explicar como nos desencontramos na grande quantidade de perguntas, com o risco de que não resultasse em um verdadeiro livro. Em uma obra desse gênero, muitos são os pontos discutíveis: tudo aquilo que os homens fazem é insuficiente e pode ser melhorado, e, apesar disso, trata-se de um grande livro, um sinal de unidade na diversidade. A partir de muitas vozes, pôde-se formar um coro, porque tínhamos a comum partilha da fé, que a Igreja nos transmitiu através dos séculos até hoje.
Por que tudo isso?
Já então, no tempo de produção do CIC, constatamos não somente que os continentes e as culturas dos seus povos são diferentes, mas também que, no interior das sociedades em individual, existem diversos “continentes”: o operário tem uma mentalidade diferente daquela do agricultor, e um físico diferente daquela de um filólogo; um empreendedor diversa daquela de um jornalista, um jovem diferente daquela de um ancião. Por esse motivo, na linguagem e no pensamento, devemos colocar-nos acima de todas essas diferenças e, por assim dizer, buscar um espaço comum entre os diferentes universos mentais; com isso, tornamo-nos sempre mais conscientes de como o texto sempre pedia novas “traduções” nos diferentes mundos, para poder chegar às pessoas com suas diferentes mentalidades e diferentes problemáticas. Desde então, nas Jornadas Mundias da Juventude (Roma, Toronto, Colônia, Sydney), encontraram-se, provenientes de todo o mundo, jovens que desejam crer, que estão na busca de Deus, que amam a Cristo e desejam estradas comuns. Nesse contexto, perguntamo-nos se não deveríamos buscar traduzir o Catecismo da Igreja Católica na língua dos jovens e fazer penetrar as suas palavras no mundo deles. Naturalmente, também entre os jovens de hoje há muitas diferenças; assim, sob a comprovada liderança do Arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, formou-se um Youcat para os jovens. Espero que muitos jovens se deixem fascinar por este livro.
Algumas pessoas dizem-me que o catecismo não interessa à juventude hodierna; mas eu não acredito nessa afirmação e estou seguro de que tenho razão. A juventude não é tão superficial como é acusada de ser; os jovens querem saber de que consiste verdadeiramente a vida. Um romance criminal é emocionante porque nos envolve no destino de outras pessoas, mas que poderia ser também o nosso; este livro é emocionante porque nos fala do nosso próprio destino e, por isso, está intimamente relacionado a cada um de nós.
Por isso, convido-vos: estudai o catecismo! Esse é o meu desejo, de coração.
Esse subsídio ao catecismo não vos engana; não oferece soluções fáceis; exige uma nova vida da vossa parte; apresenta-vos a mensagem do Evangelho como a “pérola preciosa” (Mt 13, 45) pela qual preciso dar tudo. Por isso, peço-vos: estudai o catecismo com paixão e perseverança! Sacrificai o vosso tempo para isso! Estudai-o no silêncio do vosso quarto, leiai-o em duplas, se sois amigos, formais grupos e redes de estudo, trocai ideias pela Internet. Permanecei, de todos os modos, em diálogo sobre a vossa fé!
Deveis conhecer aquilo em que acreditais; deveis conhecer a vossa fé com a mesma paixão que um especialista de informática conhece o sistema operacional de um computador; deveis conhecê-la como um musicista conhece a sua obra; sim, deveis ser bem mais profundamente enraizados na fé da geração dos vossos genitores, para poder resistir com força e decisão aos desafios e às tentações deste tempo. Tendes necessidade do auxílio divino, se a vossa fé não quer secar como uma gota de orvalho ao sol, se não desejais sucumbir às tentações do consumismo, se não desejais que o vosso amor se afogue na pornografia, se não desejais ignorar os fracos e as vítimas de abusos e violência.
Se vos dedicais com paixão ao estudo do catecismo, desejo ainda dar-vos um último conselho: sabeis todos de que modo a comunidade dos fiéis foi, nos últimos tempos, ferida pelos ataques do mal, pela penetração do pecado em seu interior, também no coração da Igreja. Não tomai isso como pretexto para fugir do olhar de Deus; vós mesmos sois o corpo de Cristo, a Igreja! Levai o fogo intacto do vosso amor nesta Igreja, toda a vez que os homens tiverem obscurecido o rosto. “Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor” (Rm 12, 11).
Quando Israel estava no período mais negro de sua história, Deus chamou em auxílio não os grandes e as pessoas estimadas, mas um jovem de nome Jeremias; Jeremias sentiu-se investido de uma missão muito grande: ” Ah! Senhor Javé, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança!” (Jr 1, 6). Mas Deus não se deixou induzir em erro: “Não digas: Sou apenas uma criança: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar” (Jr 1, 7).
Abençoo-vos e rezo todos os dias por todos vós.
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JOVENS – RELIGIÃO – EDUCAÇÃO E VIDA
O Concílio Vaticano II propôs uma análise realista da situação religiosa do nosso tempo; antes, fez mesmo referência expressa à condição juvenil. Outro tanto devem fazer os educadores. Seja qual for o método que se use, devem ter-se presentes os resultados das investigações acerca dos jovens do próprio ambiente, sem esquecer que as novas gerações são, em certos aspectos, diversas daquelas a que se referia o Concílio.
Um grande número de escolas católicas encontram-se naquelas partes do mundo onde se estão realizando profundas mudanças de mentalidade e de vida. Trata-se de grandes áreas urbanizadas, industrializadas, que progridem na chamada economia terciária. Caracterizam-se por uma larga disponibilidade de bens de consumo, por múltiplas oportunidades de estudo, por complexos sistemas de comunicação. Os jovens entram em contacto com os mass-media desde os primeiros anos de vida. Ouvem opiniões de todo o gênero. São informados precocemente acerca de tudo.
Através de todos os canais possíveis, entre os quais a escola, são colocados em contacto com informações muito divergentes sem terem capacidade para as ordenar e para realizar a síntese. Não têm ainda ou nem sempre têm, com efeito, a capacidade crítica para distinguir o que é verdadeiro e bom daquilo que o não é, nem sempre dispõem de pontos de referência religiosa e moral, para assumir uma posição independente e justa, perante as mentalidades e os costumes dominantes. O perfil do verdadeiro, do bem e do belo é apresentado dum modo tão vago que os jovens não sabem para que direção voltar-se; e se ainda acreditam em alguns valores, são todavia incapazes de lhes dar uma sistematização e muitas vezes são inclinados a seguir a própria filosofia segundo o gosto dominante.
As mudanças não se realizam em toda a parte do mesmo modo e com o mesmo ritmo. Em todo o caso, as escolas devem estudar in loco o comportamento religioso dos jovens para saberem o que pensam, como vivem, como reagem lá onde as mudanças são profundas, onde estão iniciando, onde são rejeitadas pelas culturas locais, chegando porém igualmente através das ondas das comunicações que não têm fronteiras.
Não obstante a grande diversidade das situações ambientais, os jovens manifestam características comuns dignas de atenção por parte dos educadores.
Muitos deles vivem numa grande instabilidade. Por um lado, encontram-se num universo unidimensional, no qual não se toma a sério outra coisa que não seja o que é útil e, sobretudo, o que oferece resultados práticos e técnicos. Por outro lado, eles parecem ter já superado este estádio: constata-se uma vontade de sair dele um pouco por toda a parte.
Muitos outros jovens vivem num ambiente pobre de relações e sofrem, portanto, de solidão e de falta de afeto. É um fenômeno universal, apesar das diferenças entre as condições de vida nas situações de opressão, no desenraizamento dos bidonvilles e nas habitações frias do mundo próspero. Nota-se, mais do que noutros tempos, a depressão dos jovens e isto testemunha sem dúvida a grande pobreza de relações na família e na sociedade.
Uma faixa larga de jovens vive preocupada em relação à insegurança do seu próprio futuro. Isto é devido ao fato que facilmente escorregam para a anarquia de valores, já desenraizados de Deus e tornados exclusiva propriedade do homem.
Esta situação cria neles um certo medo ligado evidentemente aos grandes problemas do nosso tempo, como o perigo atômico, o desemprego, a alta percentagem das separações e dos divórcios, a pobreza, etc. O medo e a insegurança em relação ao futuro implicam, além disso, uma forte tendência para a privatização e favorecem ao mesmo tempo a violência não só verbal, nos lugares onde os jovens se reúnem.
Não são poucos os jovens, que não sabendo dar um sentido à vida e para fugirem à solidão, recorrem ao álcool, à droga, ao erotismo, a experiências exóticas, etc. A educação cristã tem, neste campo, uma grande tarefa a realizar em relação à juventude: ajudá-la a dar um significado à vida.
A instabilidade dos jovens acentua-se em relação ao tempo; as suas decisões têm falta de solidez: do « sim » de hoje passa-se com extrema facilidade ao « não » de amanhã. Enfim, uma generosidade vaga caracteriza muitos jovens. Vêem-se desabrochar movimentos movidos de grande entusiasmo, porém, nem sempre orientados por uma lógica definida e iluminada a partir de dentro. É importante então valorizar aquelas energias potenciais e orientá-las oportunamente à luz da fé.
Em certas regiões, uma investigação particular a fazer poderia ser o fenômeno do afastamento de muitos jovens da fé. Muitas vezes o fenômeno começa com o abandono gradual da prática religiosa. Com o passar do tempo, ele é acompanhado da hostilidade às instituições eclesiásticas e duma crise da adesão às verdades da fé e aos valores morais com elas conexos, especialmente nos países onde a educação geral é laicista ou mesmo ateia. Parece que o fenômeno se manifesta com mais freqüência nas zonas de grande progresso econômico e de rápidas mudanças culturais e sociais. As vezes não é fenômeno recente. Tendo acontecido aos pais, transmite-se às gerações novas. Não se trata mais de crise pessoal, mas de crise religiosa de uma civilização. Falou-se de « ruptura entre o evangelho e a cultura ».
O afastamento assume muitas vezes o aspecto de total indiferença religiosa. Os especialistas interrogam-se se certos comportamentos juvenis se podem interpretar como substitutivos para preencher um vácuo religioso: culto pagão do corpo, fuga para a droga, colossais « ritos de massa » que podem explodir em formas de fanatismo e de alienação.
Os educadores não se devem limitar a observar os fenômenos, mas devem procurar as suas causas. Talvez existam carências no ponto de partida, ou seja no ambiente familiar. Talvez seja insuficiente a proposta da comunidade eclesial. A formação cristã da infância e da primeira adolescência não resiste sempre aos impactos do ambiente. Às vezes é chamada em causa a própria escola católica.
Há numerosos aspectos positivos e muito prometedores. Numa escola católica podem encontrar-se jovens exemplares no comportamento religioso, moral, escolar. Estudando as razões desta exemplaridade, encontra-se muitas vezes um ótimo terreno familiar, coadjuvado pela comunidade eclesial e pela própria escola. Um conjunto de condições aberto ao trabalho interior da graça.
Há outros jovens, que procuram uma religiosidade mais consciente, que se interrogam sobre o sentido da vida e descobrem no evangelho a resposta para a sua inquietude. Outros ainda, superando a crise da indiferença e da dúvida, aproximam-se ou reaproximam-se da vida cristã. Estas realidades positivas são sinais de esperança de que a religiosidade juvenil pode crescer em extensão e profundidade.
Existem também jovens para os quais a permanência na escola católica tem escassa incidência na sua vida religiosa; manifestam comportamentos não positivos em relação às principais experiências da prática cristã – oração, participação na santa missa, freqüência dos sacramentos ou mesmo certas formas de rejeição, sobretudo em relação à religião da Igreja. Poderemos ter escolas irrepreensíveis do ponto de vista didático, mas defeituosas no testemunho e na proposta clara dos valores autênticos. Nestes casos resulta evidente, do ponto de vista pedagógico pastoral, a necessidade de uma revisão não só da metodologia e dos conteúdos educativos religiosos, mas também do projeto global como se processa a educação dos alunos.
Seria necessário conhecer melhor a qualidade das exigências religiosas juvenis. Não poucos se interrogam sobre o valor de tanta ciência e tecnologia se tudo pode acabar numa hecatombe nuclear; refletem sobre a civilização que inundou o mundo de « coisas », mesmo belas e úteis, e interrogam-se se o fim do homem consista em ter muitas « coisas », ou antes em algo que vale muito mais; permanecem perturbados pela injustiça que divide os povos livres e ricos dos povos pobres e sem liberdade.
Em muitos jovens, a posição crítica em relação ao mundo transforma-se em procura crítica em relação à religião, para saber se ela pode responder aos problemas da humanidade. Em muitos, há uma procura exigente de aprofundamento da fé e de a viver com coerência. Junte-se-lhe uma procura operante de empenhamento responsável na ação. Os observadores avaliarão o fenômeno dos grupos juvenis e dos movimentos de espiritualidade, de apostolado e de serviço. Eles são um sinal de que os jovens não se contentam com palavras, mas querem fazer qualquer coisa que valha para si e para os outros.
A Escola católica acolhe milhões de jovens de todo o mundo, filhos das suas estirpes, nacionalidades, tradições, famílias e também filhos do nosso tempo. Cada aluno leva consigo os sinais da sua origem e individualidade. Esta escola não se limita a ministrar lições, mas realiza um projeto educativo iluminado pela mensagem evangélica e atento às exigências dos jovens de hoje. O exato conhecimento da realidade sugere os comportamentos educativos melhores .
Deve-se recomeçar a partir dos alicerces, conforme os casos; integrar o que os alunos já assimilaram; dar resposta às perguntas que surgem no seu espírito inquieto e crítico; derrubar o muro da indiferença; ajudar os já bem educados a conseguir uma « via melhor » e dar-lhes uma ciência aliada à sabedoria cristã. As formas e a gradualidade no desenvolvimento do projeto educativo estão condicionadas e guiadas pelo nível de conhecimento das condições pessoais dos alunos.
A Missa te dá tédio?
Seis dicas para viver melhor a santa Missa
1. De casa para a Missa, “prepare o seu coração”, pois você se encontrará com o seu Senhor. Com uma pergunta: “De que me mostrarei agradecido a Deus? Que levo nas mãos para oferecer-lhe hoje?”
2. Seja pontual e fique num lugar próximo a altar, para não se dispersar.
3. Participe de toda a liturgia, cantos, posições do corpo, como o sentar ou ajoelhar-se.
4. Preste atenção às leituras e à pregação do padre. O Salmo é a sua resposta a Deus, por isso cante respondendo o refrão do Salmo.
5. Depois de comungar faça um momento de oração, uma ação graças a Deus por se doar a você mais uma vez.
6. Por fim, marque um pequeno compromisso com Jesus para semana que vem.
Saiba como se encontrar com o seu Senhor
Seis razões para ir à santa Missa
1. Você conhece algum cristão serio que não vá à Missa?
2. A Missa não é uma invenção da Igreja ou dos homens, mas do próprio Jesus, por isso não pode mudar o que Ele nos deixou.
3. Ir à Missa é encontrar-se com Cristo e constitui um encontro de seus seguidores entre si.
4. A Missa é um momento privilegiado para escutar a Palavra de Deus.
5. Eucaristia quer dizer “ação de graças”. Você não tem nada para agradecer a Deus
6. Por fim, a eucaristia nos alimenta e fortalece.
Não perca tempo. Vá se encontrar com o seu Senhor
Outros atentados à vida nascente
Muitos casais estéreis, ou que se submeteram a esterilização (vasectomia ou ligação de trompas) vêm recorrendo à fecundação artificial para ter filhos.
Nem sempre esses casais sabem das implicações desse procedimento. Há várias modalidades de fecundação artificial:
a) fecundação homóloga – quando as células germinativas (óvulo e espermatozóide) são do próprio casal;
b) fecundação heteróloga – quando um dos gametas (óvulo ou espermatozóide) é de uma outra pessoa que não do esposos. Isso caracteriza o adultério.
c) fecundação extra corpórea – quando a fecundação do óvulo se dá fora do corpo feminino. Também conhecida como fecundação “in vitro” (bebê de proveta)
d) fecundação intracorpórea – quando a união do espermatozóide com o óvulo se dá no corpo da mulher com auxílio técnico (Método conhecido como “Gift”)
A fecundação artificial, considerada um grande avanço científico, tem trazido grandes problemas éticos e morais, além de separar os esposos da relação sexual, da unicidade do ato sexual próprio dos casais e defendido pela Igreja.
Para a fecundação artificial o ovário é estimulado, com hormônio, para produzir muitos óvulos em um ciclo. No caso da fecundação “in vitro” os óvulos são fecundados pelos espermatozóides e, depois, os embriões são colocados no útero da mulher. Acontece que são vários óvulos fecundados (6, 8,10) de uma só vez, isto é, há vários embriões, seres humanos em desenvolvimento. Com fazer então? Duas alternativas se apresentam:
a) considera-se “excedentes” os embriões que não são implantados. Nesse caso ou são simplesmente destruídos (aborto na fase inicial de vida), são congelados (para futura implantação) ou ficam para experiências em laboratórios;
b) são implantados (4, 5 ou 6) e depois de algum tempo pode-se dar um aborto natural, ou quando os embriões já estão crescidos (2 ou 3 meses) se faz a “redução embrionária” ou o chamado “aborto seletivo” ou, ainda, a “seleção embrionária” uma vez que, com tantas crianças em seu útero, a mulher corre risco de vida. O médico, com a ajuda do ultra-som, injeta uma solução salina no corpo (no coração) dos bebês “excedentes” provocando a morte desses bebês. Aqui se apresenta um problema ético e moral: “Quem deve ser morto e quem deve sobreviver?” Bem, isso poderá ficar a critério do médico. Com a mulher ficará apenas o remorso de ter permitido o médico escolher o filho que vai viver. E como ficará o sentimento do irmão sobrevivente, sabendo, mais tarde, que para viver, seu irmão teve de ser sacrificado?
c) um outro aspecto do problema moral e ético diz respeito à possibilidade de manipulações diversas por parte de inescrupulosos especialistas em reprodução humana. Escolha do tipo de olhos, de cor da pele, de tamanho e estrutura física, escolha do sexo etc. E quem pode assegurar que com tanta manipulação o bebê nasça sadio e fisicamente normal? Pesquisas recentes levadas a efeito nos EE. UU. mostraram a decepção e até mesmo a irritação de casais que recorreram a fecundação artificial porque seus filhos morreram pouco tempo depois de nascidos, ou porque apresentaram defeitos físicos e mentais. Alguns estão recorrendo à Justiça contra os médicos que praticaram a fecundação artificial, considerada um insucesso.
A maior parte dos clientes de fecundação artificial é de homens que se submeteram a vasectomia e de mulheres que fizeram a ligação de trompas e se arrependeram. Várias são as causas de arrependimento:
a) ficaram viúvos (as) e tiveram um novo casamento e o cônjuge deseja filhos;
b) porque tiveram um único filho (ou mais ) que morreram e desejam filhos
c) porque mudaram seus planos e agora desejam mais filhos;
d) se submeteram a esterilização, contraíram um novo casamento e cônjuge deseja filhos, etc.
Por desinformação e levados pela propaganda muitos se esterilizaram, inutilizando um órgão sadio que Deus lhe deu. Se lhes propusessem para arrancar um olho são ou uma perna sadia, evidentemente que não aceitariam. A mutilação de um órgão reprodutivo é bem mais grave que inutilizar outra parte do corpo, porque os órgãos reprodutivos são a “fonte da vida”, da preservação da espécie (crescei e multiplicai!). As pessoas que por desinformação foram esterilizadas, desconhecendo as conseqüências de seus atos e não sabendo da proibição da Igreja, não devem ser condenadas. Nesse caso se esterilizaram porque não tiveram consciência da gravidade do que estavam fazendo. Que agora não venham a se submeter À fecundação artificial. Um erro pode levar a outro.
A esterilização tem suas conseqüências: problemas circulatórios, câncer, etc. tem sido associados à esterilização. Toda a fecundação artificial, sem exceções, é condenada pela Igreja, não somente porque resulta da morte de vários embriões, mas porque rompe a unicidade do ato conjugal e tem sérias implicações éticas e morais.
Sobre o “Exame pré-natal”. Esse exame, na maioria das vezes é feito para acompanhar o desenvolvimento fetal, detectar doenças ou anomalias no nascituro. Só é licito esse exame se vier a se tornar um benefício para o bebê.
Muitos dos exames pré-natal, quando se detecta uma anomalia qualquer no bebê, podem corresponder a uma sentença de morte. A criança é abortada alegando-se que é para ela não sofrer. Na realidade, essa é uma atitude egoísta dos pais que não querem ter trabalho ou pretende se desvencilhar de uma criança indesejada.
Há que considerar ainda um problema ético do médico que denuncia aos pais a possível anomalia do filho. Hoje sabemos que a criança não nascida pode ser tratada e até se submeter a cirurgia ainda no útero materno, tornando-se assim um outro cliente do médico. É licito ao médico denunciar a outros (as) um problema de seu cliente? Ainda mais sabendo que pode estar motivando uma sentença de morte? A criança não nascida é um outro cliente do profissional médico e por conseguinte merece a mesma atenção e respeito de um adulto. O problema se torna mais sério quando se sabe que esse diagnóstico pré-natal nem sempre é seguro e pode constituir uma ameaça à vida da criança por nascer. Uma criança normal pode ser condenada à morte por um diagnóstico errado ou falho.
Não devemos ir de encontro à lei natural. Há um adágio que diz: “Deus perdoa sempre, o homem às vezes, mas a natureza nunca”. Toda vez que se contraria a ordem natural se tem a sanção.
A posição da Igreja frente aos métodos contraceptivos de planejamento familiar.
A discussão sobre planejamento familiar começa no namoro, segue-se com o noivado e se concretiza no casamento.
Hoje em dia com a grande propaganda dos métodos contraceptivos, da fecundação artificial e o fantasma da explosão demográfica, muitos jovens casais são induzidos a usar esses métodos em detrimento dos métodos naturais que são mais seguros e mais eficazes. Estes, os métodos naturais, são pouco conhecidos da grande maioria da população e até dos médicos. Por falta de informação e de orientação, casais cristãos e católicos deixam de seguir a orientação da Igreja e até mesmo desconhecem os documentos que tratam do assunto.
A vida humana tem início na fecundação, isto é, no momento em que o espermatozóide penetra no óvulo. No corpo da mulher isso se dá nas trompas e depois de 7 a 10 dias o embrião se fixa na parede interna do útero (endométrio). A fixação do embrião no endométrio se dá o nome de “nidação”. A partir daí, dando continuidade a seu programa de vida, o embrião se desenvolve, nasce a criança que se tornará um adolescente, um adulto e um idoso.
Cada ser humano é único dado ao número das combinações de informações genéticas contidas nas células espermatozóide e óvulo. Assim, no plano de Deus um ser humano não substitui outro, como para os pais um filho não substitui um outro que venha a nascer.
A posição da Igreja frente aos métodos naturais de planejamento familiar.
Enquanto os métodos artificiais causam efeitos colaterais provocando, muitos deles, o aborto na fase inicial da vida humana, além de sérias implicações éticas e morais, os métodos naturais não têm inconvenientes e são mais eficazes que aqueles. Estimulam o conhecimento mútuo do casal, incentivam o respeito dos cônjuges e unem os esposos.
No caso dos usuários dos métodos artificiais a maior responsabilidade pelo controle de nascimentos recai sobre a mulher, enquanto os métodos naturais permitem que o casal compartilhe a responsabilidade pelo espaçamento dos filhos.
O homem é fértil durante todo o tempo, desde a puberdade até a morte. Já a mulher só é fértil 24 horas durante seu ciclo menstrual. Teoricamente só um dia, durante um mês, a mulher pode engravidar. Como o espermatozóide pode ficar no corpo da mulher (na vagina ou no colo do útero) por 3 ou 4 dias aguardando o momento de fertilizar o óvulo, por segurança, o período fértil se estende por 5 a 7 dias.
A Igreja defende o planejamento familiar com os métodos naturais que respeitam a integridade física do ser humano e a cumplicidade do casal na preservação da espécie humana. Esses métodos são científicos e de comprovada eficácia: método da ovulação (Billings), método da temperatura basal e o método da tabelinha (Knaus-Ogino).
A “tabelinha” muitas vezes é tomada como único método natural, pelos defensores dos métodos artificiais. Isso porque esse método é baseado no período menstrual e apenas 20% das mulheres têm o ciclo menstrual regular. Pelo fato de ser um método falho para a maioria das mulheres, os defensores dos métodos artificiais citam apenas esse método, com sendo o único método natural, dizendo que o método natural não funciona e que falha. Raramente citam os demais métodos, (da ovulação e da temperatura basal), fazendo crer aos menos avisados que os métodos naturais não são aplicáveis às mulheres que não têm ciclo menstrual regular. Outros denominam a “Tabelinha” de “Método do Colar” por usar um colar de contas para orientar os dias férteis da mulher. Esse método é válido apenas para as mulheres que têm um ciclo menstrual regular.
Já o método da ovulação, também conhecido pelo nome de seus descobridores, o casal de médicos australianos, John e Evelyn Billings tem uma eficácia comprovada, pela Organização Mundial de Saúde, de 98%, superior à pílula anticoncepcional cuja eficácia se situa entre 96% e 97%.
A natureza é sábia. Assim como um grão de milho ou de feijão, só dá origem a uma nova planta quando a terra está molhada, também a mulher só dá uma nova vida quando está presente o muco cervical (está molhada).
O método da ovulação se baseia nas transformações naturais do corpo da mulher. Consiste, basicamente, na observação, pela mulher, do muco cervical. O muco é produzido no colo uterino e constitui uma espécie de barreira natural. Quando ele se torna líquido e flexível desce pela vagina e é sentido pela mulher. Inicialmente é úmido e pegajoso depois se torna elástico (3-5cm), muito elástico (5-10cm), regride e some. O muco é semelhante a clara de ovo. O espermatozóide é então alimentado e se movimenta, graças ao muco. Quando a mulher está com sensação de secura no decorrer do ciclo, antes e depois do muco, não é fértil.
Uma outra maneira de detectar os dias férteis encontra-se em fase de pesquisa: é o “Método do Cristal”, também baseado no muco cervical. Por esse método a mulher colhe o muco cervical e coloca numa lâmina. Se o muco ao secar se cristaliza a mulher se encontra no dia fértil. Ainda não é muito segura a aplicação desse método pela possível interferência de infecções, corrimentos etc. Espera-se, no futuro, que as pesquisas e experimentos venham a consagrar esse método com o um dos mais eficazes. Alguns aparelhos que usam essa metodologia encontram-se no mercado com nomes diversos: PG-53, Donna, Baton da Fertilidade, etc.
Há um outro método natural que é baseado na observação da temperatura corporal da mulher. É o chamado “método da temperatura basal”. O método da temperatura basal indica o período fértil quando a temperatura da mulher é alterada para maior. A temperatura basal é a temperatura mais baixa e estável do corpo, obtida após um período de total repouso. Geralmente pela manhã, antes de se levantar, o corpo humano tem a temperatura mais baixa durante o dia.
Diferentemente do homem, a mulher tem uma temperatura bifásica (uma fase alta e uma fase baixa). A ovulação (período fértil) se dá quando a temperatura se eleva.
Observando os diversos métodos de planejamento familiar natural os cientistas japoneses, após 6 anos de pesquisa, desenvolveram o termômetro eletrônico L – Sophia para o planejamento familiar. É capaz de detectar com muita precisão os dias férteis a mulher. Consta de um despertador, de um termômetro acoplado a um processador e de teclas para introduzir algumas informações como: dia da menstruação, chegada do muco cervical, febre etc. Esse aparelho utiliza os dados dos 3 métodos naturais e tem uma eficácia de 99,2%. Tanto serve para espacejar os nascimentos como para obter uma gravidez.
A medida da temperatura é sub-lingual e os demais dados (muco cervical, menstruação etc.) são introduzidos no aparelho com o toque em uma tecla. O L – Sophia indica outras situações do estado de saúde da mulher. Atualmente é a melhor tecnologia existente no mundo para o planejamento familiar natural.
Os métodos naturais de planejamento familiar, admitidos pela Igreja, têm sua eficácia cientificamente comprovada. Apenas informações sobre os métodos não habilita o casal a praticá-los. É necessário um acompanhamento por algum tempo (3 a 6 meses) para que o usuário aprenda bem a usar o método. O uso do método natural de planejamento familiar une o casal uma vez que exige o diálogo e o entendimento entre os esposos.
Falhas da Camisinha
Descoberto método infalível para se proteger contra a AIDS.
Infelizmente muitos estão sendo enganados, especialmente os nossos jovens, quando pensam que a “camisinha” previne seguramente contra a contaminação do vírus HIV da AIDS; e cria-se assim a ilusão do “sexo seguro”.
O Papa João Paulo II assim se expressou sobre a camisinha:
“Além de que o uso de preservativos não é 100% seguro, liberar o seu uso convida a um comportamento sexual incompatível com a dignidade humana… O uso da chamada camisinha acaba estimulando, queiramos ou não, uma prática desenfreada do sexo… O preservativo oferece uma falsa idéia de segurança e não preserva o fundamental” (PR, nº 429/1998, pag.80).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já avisou que os preservativos não impedem totalmente a contaminação do vírus, uma vez que esses são muitíssimos menores que os poros do látex de que são feitas as camisinhas.
A revista Seleções (dezembro de 1991, pp.31-33), trouxe um artigo do Dr. Robert C. Noble, condensado de Newsweek de Nova Iorque (1/4/91), que mostra como é ilusória a crença no tal “sexo seguro” com a camisinha.
A pesquisadora Dra. Susan C. Weller, no artigo A Meta-Analysis of Condom Effectiveness in Reducing Sexually Transmitted HIV, publicado na revista Social Science and Medicine, (1993, vol.36, issue 12, pp.1635-1644), afirma:
“Presta desserviço à população quem estimula a crença de que o condom (camisinha) evitará a transmissão sexual do HIV. O condom não elimina o risco da transmissão sexual; na verdade só pode diminuir um tanto o risco”.
“As pesquisas indicam que o condom é 87% eficiente na prevenção da gravidez. Quanto aos estudos da transmissão do HIV, indicam que o condom diminui o risco de infecção pelo HIV aproximadamente em 69%, o que é bem menos do que o que normalmente se supõe” (PR, n° 409/1996, pp. 267-274).
Isto significa que, em média, três relações sexuais com camisinha têm o risco equivalente a uma relação sem camisinha. Convenhamos que é um alto risco, já que a AIDS não tem cura ainda. É uma “roleta russa”.
O Dr. Leopoldo Salmaso, médico epidemiologista no Hospital de Pádua, na Itália, afirma que:
“O preservativo pode retardar o contágio, mas não acabar com ele”(idem) .
Pesquisas realizadas pelo Dr. Richard Smith, um especialista americano na transmissão da AIDS, apresenta seis grandes falhas do preservativo, entre as quais a deterioração do látex devido às condições de transporte e embalagem. Afirma o Dr. Richard que:
“O tamanho do vírus HIV da AIDS é 450 vezes menor que o espermatozóide. Estes pequenos vírus podem passar entre os poros do látex tão facilmente em um bom preservativo como em um defeituoso” (Richard Smith, The Condom: Is it really safe saxe?, Public Education Commitee, Seattle, EUA, junho de 1991, p.1-3)
A Rubber Chemistry & Technology, Washington, D.C., junho de 1992, afirma que: “Todos os preservativos têm poros 50 a 500 vezes maiores que o virus da AIDS”.
Vemos, portanto, que é irresponsável, cientificamente, dizer que a camisinha garante o “sexo seguro”. O pior, ainda, é que esta falsidade vem acompanhada de um estímulo ao sexo livre, sem responsabilidade e sem compromisso, o que o faz promíscuo e vulgar.
A Igreja não está impedindo o combate à AIDS, pelo fato de não concordar com o uso da camisinha. Como disse o padre Lino Ciccone, professor de Teologia Moral e Bioética na Faculdade Teológica de Lugano, na Itália:
“Não se faça caridade jamais às custas da verdade, nem se imponha a verdade voltando as costas à caridade”.
Autor: Prof. Felipe de Aquino
A questão existencial da pessoa humana
Que a pessoa seja criação de Deus é, tanto lógica como cronologicamente, a primeira afirmação da antropologia bíblica. A tese darwiniana sobre a origem das espécies, e mais concretamente a humana, através de um processo evolutivo que abarca toda a biosfera, trouxe problemas cadentes da mesma. Provocou na maioria dos teólogos cristãos uma reação enfurecida e constituiu uma das páginas da nossa história menos gloriosas. E com os novos avanços que a ciência humana está constantemente fazendo, só resta ter a esperança que a lição do passado recente sirva para evitar erros análogos em futuro imediato.
Com este acontecimento histórico, a teologia nos últimos anos insistiu particularmente no nexo intrínseco entre Trindade e Criação. Porém, “o fato de que existe em Deus a ‘distância’ entre as Pessoas é que torna possível a distância entre Deus e as criaturas” ; distancia que simultaneamente o mesmo Deus pode evitar, pois, o mundo está assim: “em Deus”. Sublinha-se, por outro lado, que a criação pressupõe um Deus pessoal, assim já o viu o Antigo Testamento: Deus não é um princípio em devir, submetido à necessidade. Na revelação cristã se mostra que o Deus pessoal não é um Deus solitário, mas tem em si mesmo a plenitude de comunhão; a criação é, assim, pura e livre difusão do bem e da perfeição divina. Deus não precisa criar para ter um tu, mas é desde sempre comunidade de pessoas.
“Somente com a revelação do Deus Trino se mostra em toda a sua radicalidade a liberdade do amor criador de Deus, que não tem realmente necessidade de comunicar-se além de si mesmo, pois tem já em si a plenitude dessa autocomunicação. Deus cria salvando e salva criando” .
Diante do relato do Gênesis, independente da forma, tem-se a certeza não só da criação que somos, mas também de como, e para que fomos criados por Deus. “Ele” nos criou à sua imagem e semelhança. Dentre toda a criação o ser humano tem uma superioridade, que o leva a dominar, ou seja, usufruir de todo o resto da criação, mas como esta “superioridade” está sendo usada pelo ser humano?
O dominar no sentido bíblico é saber usufruir daquilo que é Dom. No mesmo relato do Gênesis, Deus, após cada ato criativo, viu que era boa cada coisa que tinha criado. A criação é um dom de Deus, dado à pessoa humana, não para que ela domine como ditador, mas para saber e usar bem de todo benefício dado para toda criação de Deus.
“A criação significa uma relação de dependência de Deus na diversidade ”; mas com essa noção ainda não se chega ao fundo da fé cristã no Deus criador. A liberdade de Deus na criação foi relacionada, na tradição cristã e na reflexão teológica:
“Com o fim da criação” [...] “Deus não cria para auto-aperfeiçoar-se, mas para comunicar sua bondade; por outro lado, o próprio Deus é o fim de tudo, e seria contraditória com a própria idéia de sua liberdade que Deus criasse para um outro; assim se tornaria dependente daquele para o qual criasse” .
Como já vimos a pessoa também é criatura de Deus e da mesma forma que muitas vezes quer dominar, num sentido de escravizar, também se deixa dominar ou até mesmo escravizar-se por outras coisas. Acontece isso justamente pelo fato de o homem não se completar sozinho e necessitar que algo o leve ao preenchimento total do seu ser. É justamente esta necessidade da pessoa humana que o faz relacionar-se com Deus ou não.
É certo que, fazendo uma espécie de “profecia às avessas”, a narrativa dos capítulos 2 e 3 do Gênesis quer nos ensinar que, desde as origens da humanidade, desde que o homem foi capaz de livre opção moral, ele de fato pecou. O autor do Gênesis quer, em sua reflexão sobre o problema da fraqueza humana, começar pelas origens da humanidade a fim de atestar que foi realmente o homem que livremente introduziu o mal no mundo, e não o Deus criador, único e bom, nem qualquer outra divindade má. “Com o surgimento do homem para a vida começou a historia da liberdade; com o primeiro exercício da liberdade, começou o drama da escolha” .
Bebês mortos pela contracepção
Muitos métodos anticoncepcionais são na verdade abortivos.
Inicialmente, afirmamos que muitos dos produtos do Planejamento Familiar, denominados de “contraceptivos”, realmente não são contraceptivos uma vez que interrompem a vida de um ser humano na sua primeira semana de existência. Esse é um fato não mencionado aos usuários do planejamento familiar. Se soubessem dessa verdade muitas mulheres abandonariam esses assassinos químicos.
Uma organização denominada Farmacêuticos Internacionais Pró-Vida” está procurando levar essa informação verídica aos médicos, farmacêuticos e ao público em geral. Uma de suas atividades é distribuir um panfleto intitulado “Homicídio Infantil através dos Contraceptivos.”. Este panfleto, com 31 páginas, é um excelente material educativo. Explica como esses produtos funcionam, lista-os pela especialidade farmacêutica e pelo nome comercial (nome fantasia). Dessa maneira pode-se saber, sem sombra de dúvida, como os bebês são mortos quimicamente.
Ninguém sabe, com certeza, quantas vidas são exterminadas, a cada ano, por esses produtos, mas pode-se fazer uma estimativa (máxima e mínima) a partir dos dados contidos nos folhetos. De acordo com informações contidas nesse panfleto (e apresentadas num quadro impresso na contra-capa) as melhores estimativas de como muitas vidas são extintas a cada ano, nos Estados Unidos, através desses produtos são:
NÚMERO DE MORTES
Produto Estimativa
mínima Estimativa
máxima
C.O. (Pílula) 834.000 4.170.000
DIU 3.823.000 3.825.000
Depo-provera 1.200.000 1.800.000
Norplant 2.250.000 2.925.000
Procedimento Cirúrgico 1.500.000 1.500.000
Prostagladina & Salina 50.000 100.000
Total 9.657.000 14.320.000
Tragicamente, muito poucas pessoas falam desses 10 a 14 milhões de vidas que são eliminadas a cada ano. Veja, nós não estamos falando de contracepção, mas de seres humanos que foram criados, que viveram por 5 ou sete dias e depois morreram. Todos esses seres humanos tiveram seus próprios DNA e suas aptidões e características exclusivas. Alguns seriam cientistas, médicos ou agentes sociais. Outros poderiam ser grandes inventores e, alguns, até poderiam ser ladrões ou assassinos. Mas nenhum deles teve chance. Todos tiveram o fim de suas vidas na primeira semana de existência. Muitos desses produtos foram fornecidos às mães com o dinheiro de seu imposto através do conhecido Programa de Planejamento Familiar.
Os pró-vidas citam 1,5 milhões de abortos cirúrgicos realizados, a cada ano, nos Estados Unidos. Muitos senadores e deputados americanos estão cientes do horror dessas mortes e tentarão fazer alguma coisa para evitar esse holocausto. Mas uma grande quantidade desses senadores e deputados votarão a favor do fornecimento, às mulheres, de produtos que promovem a morte, através dos programas do governo.
Devemos começar a falar desses 10 a 14 milhões de vidas que são eliminadas, a cada ano, pela pílula, pelo Norplant, pelo Depo-provera e pelo DIU. Devemos informar a nossos amigos, nossos pastores e nossas famílias sobre o invisível desastre, que está acontecendo entre nós. Devemos parar com a idéia de que justamente por causa das clínicas de planejamento familiar do governo (e outras clínicas de planejamento familiar) não se faz abortos cirúrgicos e que nenhuma vida é extinta com os produtos distribuídos por aquelas clínicas. Toda clínica de planejamento familiar distribui produtos que causam a morte de um específico ser humano durante suas primeiras semanas de existência.
Já é tempo de começarmos a luta em defesa da vida de cerca de 12 milhões de bebês mortos a cada ano pelo aborto cirúrgico e aborto químico que acontecem nos Estados Unidos. Não vamos abandonar um único bebê. Passe, ainda hoje, essas informações para sua comunidade.
5 passos para um caminho de oração
1º Passo: Falar a Deus – Aproximar e confiar dele
2º Passo: Falar com Deus – Entrar em intimidade com Deus
3º Passo: Ouvir Deus – Primeiro falo, mas depois tenho que deixar espaço para Deus falar e eu o escutar
4º Passo: Pedir o Espírito Santo – pois é Ele que nos revela a verdade de Deus
5º Passo: Rezar é amar – a minha oração deve refletir na minha vida com os outros e com a criação
5 posturas necessarias para a leitura da Biblia
1 – A FÉ: conversa intima com Deus que fala e eu escuto e respondo;
2 – A CONVERSÃO: processo continuo de recomeçar uma identificação com Deus;
3 – O INVOCAR O ESPÍRITO SANTO: abrir a porta do coração à Aquele que é o verdadeiro autor da Bíblia;
4 - COMUNHÃO COM A IGREJA: formamos o Corpo Místico de Cristo;
5 – UNIDADE E TOTALIDADE: historia da salvação do povo de Deus que eu também faço parte hoje.
5 problemas durante a oração com a Palavra de Deus
1 – O individualismo: (EU) impede a entrada da Palavra de Deus na minha vida;
2 – O ativismo: (FAZER) para se experimentar a Palavra de Deus e seus frutos é preciso de tempo;
3 – O Racionalismo: (DEFINIR) conceituação de tudo e de todos
4 – Divisão interior: (AGIR) separação entre a fé a e a vida;
5 – O superficialismo: (CONHECER) fazer projetos por etapas que une os 4 pontos acima de maneira errônea.
É possivel ser santo!
A santidade não é impossivel; nem mesmo só para os santos já no céu. Esta é uma frase ousada do ponto de vista que hoje não se fala mais em santidade, em céu. Mas o que seria, então, ser santos?
Poderimos responder a esta pergunta com uma simples resposta que seria necessario um aprofundimento do como. Ser santo é fazer a vontade de Deus em cada momento da minha vida.
Fazer a vontade de Deus me leva à vivencia da santidade, então vamos ver como poderia ser este percurso longo e, ao mesmo tempo curto. Ser santo é fazer a vontade de Deus, a primeira coisa que devemos descobrir, ou um outro verbo aqui seria melhor desvelar (tirar o véu) a vontade de Deus e como fariamos isto?
Em pleno seculo 21, longe da pregação apostolica, aos poucos fomos perdendo dos nossos discurssos o termo santidade. Digo longe da pregação apostolica, porque encontramos este termo muitissimas vezes nos escritos do Novo Testamento e nos escritos dos Padres da Igreja. Antes mesmo de responder à primeira pergunta (Qual é a vontade de Deus?), devemos fazer um exame de consciencia e perceber qual o meu desejo de santidade? Como busco viver esta santidade? E o que para mim é santidade?
Repondida estas perguntas, vamos à vontade de Deus:
Primeiro passo, reconhecer a voz de Deus que fala ao meu coração, à minha consciencia, ou seja o sentido do bem e do mal, do dever e do não dever fazer. E onde encontro isto? Se falamos de reconhecer a voz de Deus, Ele falou e outros ja escreveram o que foi dito. Ou seja para descobrir e entender a vontade de Deus para faze-la a cada momento e me tornar santo, é reconhecer os ensinamentos (mandamentos) de Deus na Biblia e pô-los e prática.
Segundo passo, para não cairmos na historia do jovem rico que perguntou a Jesus o que fazer para ganhar a vida eterna, e Jesus o reponde para seguir os mandamentos, e ele disse que ja o fazia e bem. Jesus o disse para dar tudo o que tinha àqueles que mais precisava. O segundo passo para fazermos a vontade de Deus é vivermos a gratuidade no que recebemos e dar com maior gratuidade o que temos. Aqui não falo somente de bens materiais, mas tudo o que somos, o que temos, e o que fazemos.
Terceiro passo, podemos nos encontrar diante de tantas situações da nossa vida, do nosso dia, da nossa familia, que parecem impossiveis reagir de outra maneira ue não seja o pecado (o que agride a santidade de Deus em nós). O que fazer neste momentos, que contar com a graça de Deus. Como Sáo Paulo nos diz na 2 Corintios 12, a ti basta a minha graça, trazendo a resposta de Deus a uma inquietação (espinho na carne) que ele vivia e não conseguia mudar. Mas contar com a graça não é apenas esperar Deus fazer tudo, devemos fazer a nossa parte, que são os dois primeiros passos e esperar que Ele fará o resto.
Ser santo hoje é possivel para mim e para voce, por isso nas nossas igrejas, nos nossos grupos de oração, grupos de jovens, universidades, trabalhos, este discurso deve estar nos nossos labios, mas principalmente nos nossos atos, pois o quarto passo que ajudará outros é o testemunho de vida que é possivel ser santo hoje. Te desafio a tentar ser santo, com um profundo desejo no coração, e Deus fará o resto.
Deus te abençoe.
Dinâmica para encontro de jovens
A pessoa que vai ao encontro do próximo
Alguém perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?
Jesus respondeu: Um homem descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de bandidos que, tendo-o despojado e coberto de pancadas, foram-se embora e o abandonaram quase morto. Aconteceu que um sacerdote descia por esse caminho; ele viu o homem e passou a boa distancia. Do mesmo modo um levita chegou a esse lugar; viu o homem e passou a boa distancia. Mas um samaritano que estava de viagem chegou perto do homem: ele o viu e tomou-se de compaixão. Aproximou-se, atou-lhe as feridas, derramando nelas azeite e vinho, montou-se sobre a sua própria montaria, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, tirando duas moedas de prata, deu-lhe ao hospedeiro e lhe disse: “Toma conta dele, e se gastares alguma coisa a mais, sou eu que te pagarei na minha volta”. Qual dos três, a teu ver, mostrou-se próximo do homem que caíra nas mãos dos bandidos? O homem respondeu: “Foi aquele que deu prova de bondade para com ele”. Jesus lhe disse: “ Vai e fazes o mesmo”.
A pergunta para você hoje é a mesma que o homem perguntou para Jesus: “ Quem é o seu próximos?”
A resposta é claro, mas exige um sair ao encontro do outro, ou seja, o próximo é aquele que eu me aproximo. Você é bom e pode manifestar sua bondade com aquele que você se aproxima. Agora cabe a você escolher.
Qual é a sua decisão?
A pessoa que vai ao encontro do próximo
O encontro com o próximo.
Motivação: Levar o jovem a contemplar a realidade de que ele é bom, como o samaritano do texto e, que ele não estar sozinho no mundo, mas que precisa sair de si e ir buscar daquele que é o seu próximo. Lembrando que próximo é aquele no qual se aproxima. Por isso, fazer o bem, sem esperara nada em troca, pois somos todos filhos do mesmo Pai, então somos todos irmãos
Trabalho da semana
1) Vamos ver se no nosso meio há briguinhas, rancores, magoas para buscarmos resolver e acabar com essas coisas no nosso meio.
2) Durante esta semana vamos sortear um “anjo oculto”. Cada pessoa pegará uma outra (em forma de sorteio) para cuidar durante esta semana, manifestando este cuidado de forma que não se fale quem seja. Esta demonstração deverá ser em conversas, cuidados, gentilezas, cordialidade, etc., que leve a pessoa na qual foi tirada, a se sentir bem durante esta semana e que na próxima semana você conheça melhor esta pessoa, para que ela se torne uma pessoa verdadeiramente e não somente um conhecido.
3) Na próxima semana cada um tentará descobrir quem foi que lhe tirou e porque.

