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É tempo de retornar ao Cenáculo
dez 15th, 2009 by Padre Anderson

No ano especial dedicado a Eucaristia (2005), o Papa João Paulo II quis compor uma carta apostólica intitulada Mane nobiscum Domine, estreitamente coligada à carta encíclica Ecclesia de Eucharistia, dada as imprensas no ano precedente. Ao centro o tema da Eucaristia no seu relacionamento com a Igreja.

Sobre da adoração relato aqui uma passagem significativa: “A adoração eucarística fora da missa torna-se, durante este ano, um compromisso especial, para as singulares comunidades paroquiais e religiosas. Fiquemos prostrados muito tempo diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa fé e o nosso amor as negligencias, os esquecimentos e perfino os ultrajes que o nosso Salvador deve suportar em tantas partes do mundo” (Mane nobiscum Domine, n.18).

O projeto Roveto Ardente, que da Itália vai difundir-se no mundo, nem é forma e modalidade espiritual bem precisa. Trata-se antes e tudo, de um convite a retornar no Cenáculo, para experimentar a graça da adoração para tributar Jesus Cristo.

Esta sala no andar superior (cf Lc 22,12), a bem ver. Deveria ser para cada cristão o lugar mais caro e mais visitado espiritualmente. De resto, as ultimas paginas de amor da missão terrena de Cristo venerado vencedor no Cenáculo, lugar que o mesmo Jesus fortemente quis e que os apóstolos preparam com cuidado (cf Lc 22,7-13).

O Cenáculo é lugar eucarístico e pentecostal ao mesmo tempo. Cada igreja, cada comunidade – em linha de continuidade – sempre, juntos, lugar eucarístico e pentecostal.

Protagonista o Espírito Santo: Ele torna um pão o Corpo vivente do Filho de Deus e um junto com os homens e mulheres o Corpo místico (a Igreja) do mesmo Filho de Deus.

Duas ações: invisível a primeira; visível a segunda, mas inseparável e recorrente com 2000 anos.

O louvo, desejo de perfeição
jul 30th, 2009 by Padre Anderson

“Como o incenso espalha um bom perfume, faz florir como o lírio, espalhará perfume e entoará um canto de louvor” (Ecl 39,14). O louvor é uma oração alegre, não aborrecida ou repetitiva memóricamente sem o acordo do coração e do corpo.

O louvor é uma oração desinteressada, oferta em pura gratuidade ao Senhor, muito mais que uma flor perfumada ou de um candelabro aceso que levamos à Casa do Senhor em sinal de reconhecimento da manifestação da potencia de Deus.

“O cristão que reza louva verdadeiramente Deus se busca não reduzir a sua oração à formulas repetitivas, também deve-se costumar a pensar e recitar. O louvor de Deus, simplesmente recitado, perde a sua imediateza e verdade. As coisas que fazem parte do louvor de Deus, precisamos buscar que são nova e frescas, porque não entendemos quando se proclamam coisas estragadas ultrapassadas na assembléia; e enquanto os seus lábios se enchem de palavras, a sua mente permanece sem fruto” (Origene, em Omelie sul Levítico,5,8).

Alegrar-se na presença de Deus é um dever porque “todas as obras do Senhor são boas; Ele providenciará tudo ao seu tempo. Ninguém diga: esta é pior que aquela. Cante hinos com todo o seu coração e com a boca e bendiz o nome do Senhor” (Ecl 39,33-35).

O cristão é chamado a viver, cotidianamente, em uma existência pascal, a liberar alegria (isto é, vincular a alegria de cada cadeia do condicionamento humano e de pecado) e no louvor, no canto e na dança dar expressões aos seus sentimentos de gratidão e de amor a Deus.

É verdadeiro canto, é verdadeiro louvor, se ofertados em pura gratuidade, como amantes do seu Nome, e não como clientes que fazem provas do seu amor para depois dispor-se a bendizer  Deus. O verdadeiro louvor postula o dever do cristão de reconhecer a grandeza de Deus ainda antes de gozar do direito de fazer intervir Deus nas nossas misérias.

Em tal modo, cada vivencia humana, cada necessidade, cada sofrimento vem como purificação: a fé opera esta superação quando, com o louvor, antes que diante a nos mesmos, nós nos colocamos diante ao Senhor para procurar a sua gloria. A oração feita na alegria é sinal de abandono confiante em Deus. É já, essa mesma procura de um intervento potente de Deus na nossa vida, na nossa historia.

Louvar, cantar, alegrar-se diante ao Senhor antes de deixar-se desencorajar diante dos inimigos ou diante das provas, é a atestação de uma fé madura, carismática, isto é, capaz de provocar os milagres que Deus assegura a quem o invoca sem duvidar.

“Porque fosse o louvor da sua alegria” (Ef 1,12). Este é o destino do homem. “Bendirei-te até o fim da minha vida, no teu nome levantarei as minhas mãos… eu exulto de alegria a sombra das tuas asas” (Sl 63,5.8b). Esta é a razão pela qual o homem foi criado, vive e espera.

Fazer da nossa vida um louvor – isto é, uma oração que se alegre em Deus e de Deus – é a missão para não errar. Quem é imprevidente deste fim, vê acabar a sua própria vida antes do tempo, entre esforços espirituais e tristezas ignóbeis.

“Colocados entre as lutas desta vida somos exortados a jubilar com a voz de vitoria. Precisa combater com o som das nossas orações contra o diabo e as suas armas, e precisa também demonstrar a vitoria da nossa guerra com a voz da vitoria. Saiba o diabo que este fazer ressoar publicamente as vozes vencedoras do nosso exultar é uma coisa que agrada a Deus, é um testemunho da nossa esperança. E porque não retemos sem significado a doutrina e a observância deste jubilo, a Sagrada Escritura afirma: Bendito o povo que sabe te aclamar; exulta todo o dia no teu nome (Sl 89,16-17)”. (Ilario di Poitiers, em Exposição sobre salmos, Sl 66).

A voz gloriosa que se escute nos céus – o canto do Aleluia endereçado ao Cordeiro, sentado no trono, na revelação que João tem do mundo futuro (cf Ap 19,1-9) – é a voz alegre do Espírito sobre a terra, deste que em Cristo renova e recria incessantemente a historia e os homens.

Esplendida as expressões que Santo Agostinho usa com cautela: “Aleluia: é o louvor de Deus, para nós cansados; esta marca aquela que será a nossa atividade no repouso. Quando de fato, depois o cansaço daqui de baixo, alcançaremos o repouso de lá de cima, único trabalho nosso será o louvor de Deus, a nossa única atividade será o ALELUIA. A plenitude do aleluia incessante vos será só depois deste mundo, depois deste cansaço. E com isto irmãos? Falaremo-lo quanto podemos para merecer de falar-lo sempre. La em cima o aleluia será nosso alimento; será nossa bebida. O aleluia será a atividade do nosso repouso, toda a nossa alegria será um aleluia, isto é louvor de Deus”. (em Discorsis, 252,9).

Orar… ao Divino!
jun 30th, 2009 by Padre Anderson

“Se digne, Deus bom e santo, de conceder-me uma inteligência que te compreenda, um sentimento que te sinta, um animo que te saboreei, um amor constante que te busque, uma sabedoria que te encontre, um espírito que te conheça, um coração que te ame, um pensamento que seja voltado a ti, uma ação que te dê gloria, um ouvido que te escute, olhos que te vêem, uma língua que te confesse, uma palavra que te agrade uma paciência que te siga, uma perseverança que te espere” (Papa Gregório Magno).

É este o conteúdo das nossas orações? Quando nos voltamos a Deus na oração, qual satisfação interior o nosso coração deseja? É muito denso o nosso satisfazer nós mesmos, os nossos quereres, mas pouco importa se estão de acordo com o coração de Deus.

“Deveríamos ficar vermelhos de vergonha considerando quão pouco nos apresentamos a Deus na oração. Estamos presentes a Ele ficando ausente. O nosso coração foge em cada momento, não disponibilizamos de ligame para tê-lo parado e para impedir que se transforme em presa das fantasias da nossa imaginação e dos extravios do nosso espírito e assim encontre a sua alegria e o seu repouso no seu Deus” (Santo Agostinho, em Exposições sobre os Salmos, Sl 85,7).

Portanto o que nos faz grandes diante do Senhor é o participar da sua gloria, isto é, elevar à potencia divina a nossa vida. Só assim as nossas misérias vêem transfiguradas e pode aparecer o homem novo, que o Espírito cria segundo Deus (cf Ef 4,24). Novo mesmo ainda carnal; novo porque é capaz de Deus, até desejar e conseguir do Espírito Santo tudo isto que rende o homem idôneo (cf Ef 4,12) a contar-se em modo pleno, gozoso, amigável com o Senhor.

“O Espírito Santo é o mestre da nossa conversão com o Pai. Cristo de fato, nos mandou-o porquê no seu lugar sugerisse e dirigisse as nossas orações” (Santo Ambrosio).

Não se evita, portanto a oração em cima trazida do Papa Gregório Magno: inteligência, sentimento, animo, amor constante, sabedoria, espírito, coração, pensamento, ouvido, olhos, língua, palavra, paciência, perseverança… em suma, o homem deve confiante pedir e alegremente atender tudo quanto concorre a render-lo próximo a Deus.

“O que falta à humanidade é a oração”, era costume dizer São Pio de Pietrelcina. A beata Tereza de Calcutá dizia de si: “Eu sou somente uma pobre mulher que reza. Rezando, o Senhor Jesus me encheu o coração de amor e assim, pude amar os pobres com o amor de Deus. Sem Deus somos muito pobres para poder amar os pobres”.

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