Eis-me aqui! Envia-me! (Isaias 6,8)

Pensamentos sobre São Paulo

Segunda-feira da 3ª semana do tempo comum – Conversão de São Paulo

Celebramos hoje com toda a Igreja a conversão de São Paulo Apóstolo, o grande missionário que levou o Evangelho para todos os cantos do mundo, fundando, formando e orientando comunidades cristãs. Sabemos de sua mudança de vida: de perseguidor do Evangelho de Cristo crucificado a redentor da humanidade.
A questão central abordada no Evangelho de hoje é a do papel dos discípulos no mundo, após a partida de Jesus ao encontro do Pai. O texto consta de três cenas: Jesus ressuscitado define a missão dos discípulos; parte ao encontro do Pai; os discípulos partem ao encontro do mundo, afim de concretizar a missão que Jesus lhes confiou.
Na primeira cena (vers. 15-18), Jesus ressuscitado aparece aos discípulos, acorda-os da letargia em que se tinham instalado e define a missão que, doravante, eles serão chamados a desempenhar no mundo.
A primeira nota do envio e do mandato que Jesus dá aos discípulos é a da universalidade. A missão deles destina-se a “todo o mundo” e não deverá deter-se diante de barreiras rácicas, geográficas ou culturais. A proposta de salvação que Jesus fez e que os discípulos devem testemunhar, destina-se a toda a terra.
Depois, Jesus define o conteúdo do anúncio: o Evangelho. O que é o Evangelho? No Antigo Testamento, essa palavra está ligada à “boa notícia” da chegada da salvação para o Povo de Deus. Depois, na boca de Jesus, a palavra “Evangelho” designa o anúncio de que o “Reino de Deus” chegou à vida dos homens, trazendo-lhes a paz, a libertação, a felicidade. Para os catequistas das primeiras comunidades cristãs, o Evangelho é o anúncio de um acontecimento único, capital, fundamental: em Jesus Cristo, Deus veio ao encontro dos homens, manifestou-lhes o seu amor, inseriu-os na sua família, convidou-os a integrar a comunidade do Reino, ofereceu-lhes a vida definitiva. Tal é o único e exclusivo Evangelho que muda o curso da história e transforma o sentido e os horizontes da existência humana.
O anúncio do Evangelho obriga os homens a uma opção. Quem aderir à proposta que Jesus faz, chegará à vida plena e definitiva (quem acreditar e for batizado será salvo); mas quem recusar essa proposta, ficará à margem da salvação (quem não acreditar será condenado – vers. 16).
O anúncio do Evangelho que os discípulos são chamados a fazer vai atingir não só os homens, mas toda criatura. Muitas vezes, o homem, guiado por critérios de egoísmo, de cobiça e de lucro, explora a criação, destrói esse mundo “bom” e harmonioso que Deus criou. Mas a proposta de salvação que Deus apresenta, destina-se a transformar o coração do homem, eliminando o egoísmo e a maldade. Ao transformar o coração do homem, o Evangelho, apresentado por Jesus e anunciado pelos discípulos, vai propor uma nova relação do homem com todas as outras criaturas – uma relação não mais marcada pelo egoísmo e pela exploração, mas pelo respeito e pelo amor. Dessa forma, nascerá uma nova humanidade e uma nova natureza.
A presença da salvação de Deus no mundo tornar-se-á uma realidade através dos gestos dos discípulos de Jesus. Comprometidos com Cristo, os discípulos vencerão a injustiça e a opressão, “expulsarão os demónios em meu nome”, serão arautos da paz e do entendimento dos homens, “falarão novas línguas”, levarão a esperança e a vida nova a todos os que sofrem e que são prisioneiros da doença e do sofrimento. Quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados; e, em todos os momentos, Jesus estará com eles, ajudando-os a vencer as contrariedades e as oposições.
Na segunda cena (vers. 19), Jesus sobe ao céu e senta-se à direita de Deus. A elevação de Jesus ao céu (ascensão) é uma forma de sugerir que, após o cumprimento da sua missão no meio dos homens, Jesus foi ao encontro do Pai e reentrou-se na comunhão d’Ele.
A intronização de Jesus “à direita de Deus” mostra, por sua vez, a veracidade da proposta de Jesus. Na concepção dos povos antigos, aquele que se sentava à direita de Deus era um personagem distinto que o rei queria honrar de forma especial… Jesus, porque cumpriu com total fidelidade o projeto de Deus para os homens, é honrado pelo Pai e sentado à sua direita. A proposta que Jesus apresentou e que os discípulos acolheram e vão ser chamados a testemunhar no mundo, não é uma aventura sem sentido e sem saída, mas é o projeto de salvação que Deus quer oferecer aos homens.
Na terceira cena (vers. 20), descreve-se, resumidamente, a ação missionária dos discípulos: eles partiram a pregar, ou seja, anunciar, com palavras e gestos concretos, essa vida nova que Deus ofereceu aos homens através de Jesus por toda a parte, propondo a todos eles, sem excepção, a proposta salvadora de Deus.
O autor desta catequese assegura aos discípulos que eles não estão sozinhos ao longo desta missão. Jesus, vivo e ressuscitado, está com eles, coopera com eles e manifesta-se ao mundo nas palavras e nos gestos dos discípulos.
A festa da Ascensão de Jesus é, sobretudo, o momento em que os discípulos tomam consciência da sua missão e do seu papel no mundo. A Igreja (a comunidade dos discípulos, reunida à volta de Jesus, animada pelo Espírito) é, essencialmente, uma comunidade missionária, cuja missão é testemunhar no mundo a proposta de salvação e de libertação que Jesus veio trazer aos homens.
É um tremendo desafio testemunhar, hoje, no mundo, os valores do “Reino” (esses valores que, muitas vezes, estão em contradição com aquilo que o mundo defende e que o mundo considera serem as prioridades da vida). Com frequência, os discípulos de Jesus são objeto da irrisão e do escárnio dos homens, porque insistem em testemunhar que a felicidade está no amor e no dom da vida. Com frequência, os discípulos de Jesus são apresentados como vítimas de uma máquina de escravidão, que produz escravos, alienados, vítimas do obscurantismo, porque insistem em testemunhar que a vida plena está no perdão, no serviço, na entrega da vida.
O confronto com o mundo gera, muitas vezes, desilusão, sofrimento e frustração nos discípulos. Nos momentos de decepção e de desilusão, convém recordar-se das Palavras de Jesus: “eu estarei convosco até ao fim dos tempos”. Esta certeza deve alimentar a coragem com que testemunhamos aquilo em que acreditamos.


A “CARREIRA” DO APOSTOLO PAULO

Origem:

Tarso, na Cilicia (At 22.3).

Tribo de Benjamim (Fp 3.5).

Treinamento:

Aprendeu a arte de fazer tenda (At 18.3).

Estudou com Gamaliel (At 22.3).

Religião anterior:

Hebreu e fariseu (Fp 3.5).

Perseguidor dos cristãos ( At 8.1-3; Fp 3.6).

Salvação:

Encontrou o Cristo ressuscitado no caminho para Damasco (At 9.1-8).

Recebeu o derramamento do ES na rua chamada direita (At 9.17-18; 22.12-16).

Chamado para Missões:

A igreja de Antioquia foi instruída pelo ES a enviar Paulo ao trabalho (At 13.1-3).

Levou o evangelho paras os gentios (Gl 2.7-10).

Papéis:

Falou em nome da Igreja de Antioquia no concílio de Jerusalém (At 15.1-4,12).

Opô-se a Pedro (Gl 2.11-21).

Discutiu com Barnabé por causa de João Marcos (At 15.36-41).

Realizações:

Três viagens missionárias prolongadas (At 13-20).

Fundou inúmera igrejas na Asia Menor, na Grécia e , possivelmente, na Espanha (Rm 15.24,28).

Escreveu cartas para inúmeras igrejas e vários indivíduos que agora compõe um quarto do NT.

Fim da vida:

Depois da prisão em Jerusalém, foi enviado para Roma (At 21.27; 28.16-31).

De acordo com a tradição cristã, foi libertado da prisão, o que lhe permitiu mais obras missionárias; aprisionado novamente, permaneceu preso mais uma vez em Roma e foi decapitado fora da cidade.


Bento XVI – Homilia 29/06/05

A catolicidade

 Estrageiros se tornam amigos; aos de todos os confins, nos reconhecemos irmãos. Com isto levou a cumprimento a missão de Paulo, que sabia de “ser liturgo de Jesus Cristo entre os pagãos…, oblação santificada pelo Espírito Santo” (Rm 15,16). O escopo da missão é uma humanidade transformada em uma glorificação vivente de Deus, o culto verdadeiro que Deus espera: é este o sentido mais porfundo de catolicidade – uma catolicidade que já nos foi doada e para a qual todavia devemos sempre de novo encaminhar-nos.  

 

 


Bento XVI – Catequese 10/01/07

A pregação de Paulo

 Depois do encontro com o Cristo ressuscitado sobre a via de Damasco, retoma a leitura cristologica do Antigo Testamento…, a aprofunda e a completa, e assim torna-se o Apostolo das gentes. A lei é completada, assim ele ensina, na cruz de Cristo. E a fé em Cristo, a comunhão com o amor de Cristo é o verdadeiro cumprimento de toda a lei. Este é o conteudo da pregação de Paulo. Ele demonstra assim que o Deus de Abraão torna-se o Deus de todos. E todos os crentes em Jesus Cristo, como filhos de Abraão, tornam-se participantes das promessas.

 

 


Bento XVI – Catequese 25/10/06

O Deus de todos

 Uma fundamental lição oferecida por Paulo é o respiro universal que caracteriza o seu apostolado. Sentindo agudo o problema do acesso aos gentios, isto é dos pagãos, a Deus, que em Jesus Cristo crucificado e ressucitado oferece a salvação a todos os homens sem ecessão, dedicou a si mesmo a fazer notavel este evangelho, literalmente uma boa noticia, portanto anunciou a graça destinada a reconciliar o homem com Deus, com si mesmo e com os outros. No primeiro momento ele entendeu que esta é uma realidade que nao dizia respeito somente aos judeus ou um certo grupo de homens, mas que tinha um valor universal e dizia respeito a todos, porque Deus é o Deus de todos.


Bento XVI – Discurso 21/12/07

Evangelizar

 São Paulo foi incansavelmente em caminho trazendo consigo o Evangelho. Se sentia portanto, em baixo de um especie de constangimento a anunciar o Evangelho (cf. 1Cor 9,16) – nao tanto a motivo de preocupação pela salvação de cada batizado, nao ainda adepto do Evangelho, mas porque era consciente que a historia no seu todo nao podia chegar as seu cumprimento até que a totalidade dos povos não estivessem aderido ao Evangelho (cf. Rm 11,25).  


Bento XVI – Homilia 17/06/07

Levar Cristo

 Sobre a via de Damasco, o rosto radioso e a voz forte de Cristo o deram um safanão ao seu zelo violento de perseguidor e acenderam nele o novo zelo do Crucifixo, que reconcilia os proximos e os de longe na cruz (cf. Ef 2,11-22). Paulo entendeu que em Cristo toda a lei é cumprida e quem adere a Cristo e se une a Ele, cumpre a lei. Levar Cristo, e com Cristo o unico Deus a todas as gentes tornou-se a sua missão.


Bento XVI – Homilia 25/04/05

 Sobre a via de Damasco

A vocação sobre a via de Damasco levou Paulo a isto: fazer de Cristo o centro da sua vida, deixando tudo pela sublimidade da consciencia dele e do seu msiterio de amor, e impenhando-se depois a anuncia-lo a todos, especialmente aos pagãos “a gloria do seu nome” (Rm 1,5).

 


Bento XVI – Homilia 24/05/2005

“Rendo graças a Deus que, no inicio do meu ministério de sucessor de Pedro, me concede de parar em oração no sepulcro do apostolo Paulo. É isto para mim uma peregrinação tanto desejada, um gesto de fé, que faço em meu nome, mas também em nome da dileta diocese de Roma, da qual o Senhor me constituiu bispo e pastor, e da Igreja Universal junta as minhas premissas pastorais. Uma peregrinação, para assim dizer, as raízes da missão, daquela missão que Cristo Ressuscitado entregou a Pedro, aos apóstolos e em modo singular também a Paulo, motivando-o a anunciar o evangelho aos gentios, até a chegar nesta cidade, onde depois de ter a muito anunciado o Reino de Deus (At 28,31), atesta com o sangue o extremo testemunho ao seu Senhor, que o tinha conquistado (Fl 3,12) e enviado”.

Assim começamos este caminho com São Paulo no pensamento do Papa Bento XVI. O ano paulino terminou, mas o espírito de Paulo permanece para aprofundarmos mais e mais este apostolo imitador de Jesus Cristo.