20120702-154715.jpg Para onde você está indo? Onde quer chegar? O que você já fez da sua vida? O que pretende ainda realizar? Onde está a tua descendência? Estas e tantas outras perguntas o ser humano faz constantemente ao longo da sua vida!

Poderíamos dizer que somente um adulto pergunta sobre a própria vida. Mas isso é um engano, pois ate mesmo a mais simples pergunta de uma criança, representa a sua dúvida sobre a vida. Porém cabe a cada um de nós não pararmos nas perguntas, mas buscar constantemente uma resposta. Por que digo constantemente? Pelo simples fato que a cada pergunta respondida, outras surgirão! Podemos chegar a um estado de desespero, ou de depressão, ou de profunda angustia. Isso é muito provável para aqueles que somente buscam respostas para suas perguntas, sem avaliar a fonte, o lugar de onde estão saindo estas respostas. Demos um passo adiante nesta nossa reflexão. Continue lendo…

O Domingo de Ramos abre, por excelência, a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Esse dia é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão por onde o Senhor passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo O aclamava: “Rei dos Judeus”, “Hosana ao Filho de Davi”, “Salve o Messias…” E dessa forma, Cristo entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa, então, uma trama para condená-Lo à morte, e morte de cruz.

O povo O aclama cheio de alegria e esperança, pois, para eles – Ele como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador –, certamente, iria libertá-los da escravidão política e econômica, imposta cruelmente pelos romanos naquela época, e religiosa, massacrando a todos com rigores excessivos e absurdos. Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, O acusaria de impostor, de blasfemador, de falso messias. E, incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que O condenasse à morte de cruz.

Afinal de contas, hoje temos Jesus como esse rei, que permanentemente entra em Jerusalém, ou O temos como no sistema governamental da Inglaterra: onde se tem a figura da senhora Rainha, mas quem toma as decisões é o Primeiro-Ministro?

A realeza de Cristo, que nasce da morte no Calvário e culmina no acontecimento, desta [morte] é inseparável, e a ressurreição recorda-nos a centralidade que a Ele compete por motivo do que é e do que fez. Verbo de Deus e Filho de Deus, primeiro de tudo e acima de tudo, “por Ele — como em breve repetiremos no Credo — todas as coisas foram feitas”. O Senhor tem um intrínseco, essencial e inalienável primado na ordem da criação – a respeito da qual é a suprema causa exemplar. E depois que «o Verbo se fez homem e habitou entre nós» (Jo 1, 14), também como homem e Filho do homem, consegue um segundo título na ordem da redenção, mediante a obediência ao desígnio do Pai, mediante o sofrimento da morte e conseqüente triunfo da ressurreição.

Motivados por tantos “reis”, que se apresentam aos nossos olhos hoje, corremos o risco de tê-Lo [Jesus] como mais um somente. Diante da Festa de Ramos, na qual Cristo entra triunfante em Jerusalém, não para instalar um reino cheio de prazeres passageiros, Ele instala o Reino, no qual o trono é a cruz, que apesar de ser tido como um escândalo aos olhos do mundo, passa a ser canal de salvação.

Ser cristão é estar disposto a abraçar a cruz, que não é um peso, mas uma missão, pois só quem carrega a sua cruz é que pode dizer que está decidido a morrer, pois não deve nada. Mas também está decidido a morrer para suas próprias vontades, desejos, sonhos, para realmente assumir não um rei, mas o verdadeiro Rei, Jesus Cristo.

É para esse Reino que Cristo Jesus nos chama, dando-nos uma vocação que nos leva a participar nos poderes d’Ele. Nós todos estamos a serviço, em virtude da consagração batismal. Estamos investidos de uma dignidade e de um cargo real, sacerdotal e profético, para que possamos eficazmente colaborar no seu crescimento e na sua difusão.

Nessa verdade se encerram, igualmente, as palavras do Apocalipse, com as quais o Discípulo Amado [São João] completa, de certo modo e à luz do colóquio, na Sexta-feira Santa, (na residência de Pilatos, em Jerusalém), o fato que já havia sido escrito pelo profeta Daniel. São João anota: “Eis o que vem entre as nuvens” (assim se exprimira já Daniel). “Todos o verão com os seus próprios olhos, até aqueles que O transpassaram (…) Sim. Amém!” (Apoc 1, 7). Precisamente: Amém, essa única palavra autêntica, por assim dizer, a verdade sobre Cristo Rei. Ele não é apenas “a Testemunha fiel”, mas também o Primogênito dos mortos. E se é o Soberano da terra e daqueles que a governam — o Soberano dos reis da terra — é por isso, sobretudo por isso, e definitivamente por isso: porque nos ama e, pelo Seu Sangue, nos libertou do pecado e fez de nós um Reino de sacerdotes para o Seu Deus e Seu Pai.

Tenha uma santa Semana Santa!

O significado bíblico do verbo hebraico “qâdash” e do verbo grego “haghiázô” é passado para o português principalmente através dos verbos latinos “sanctificare” e “consecrare”. O termo “santo e consagrado”, derivado do latim, tem um sentido que corresponde ao hebraico “qâdoch” e ao grego “hághios”.
A primeira vista poderia parecer abusiva à atribuição das formas: consagrado ou vida consagrada a um determinado grupo de fieis, dado que, segundo a Bíblia, todos na Igreja têm o direito-dever de viver como santos ou consagrados, conduzindo uma vida santa ou uma vida consagrada. Todavia, examinando com a devida atenção a questão da linguagem e dos conceitos bíblicos, se podem constatar as improcedências de tal raciocínio.
Na Bíblia, a santidade ou a consagração tem uma grande variedade de expressões e de aspectos. Este não é um conceito monolítico ou monocromático, para atribuir ou para negar, as coisas ou as pessoas, mas sempre em modo unívoco.
No sentido mais original e radical, ou seja, em sentido absoluto, o termo “santo” deve ser aplicado unicamente a Deus, que já no Antigo Testamento Ele se revela como o “Santo, Santo, Santo” (Is 6,3). Deus é santo por si mesmo e é também o princípio de toda santidade e de toda consagração. As pessoas humanas e as criaturas são santas ou consagradas pela ação santificadora de Deus, ou seja, pela irradiação da Sua santidade.
Na revelação do Novo Testamento, o hino “Santo, Santo, Santo” com o qual os serafins louvam a Deus, adquire um sentido trinitário e torna-se “Padre Santo, Cristo Santo e Espírito Santo”. O triságio se faz trinitário e cristológico. Deus Pai, por meio de Cristo e no Espírito Santo é a causa e a fonte de toda santidade e de toda consagração.
A santidade das criaturas é sempre derivada. Esta é o efeito da irradiação do Deus Santo (cf. Ex 3,5). A irradiação da santidade de Deus sobre as pessoas humanas e sobre as coisas é variada e multíplice. Esta depende, em última instância, da autônoma vontade de cada um.
Segundo a Bíblia, é legitimo falar de terra santa, de cidade santa, de templo ou lugar santo e de santo dos santos (Ex 26,34). Cada uma destas realidades pode ser chamada “santa”, mas ao seu modo, com as suas características e com seus limites. O uso e o escopo de tal apelativo devem ser valorizados à luz do contexto. O uso genérico e comum do termo, aplicável a todas as partes (pontos, cidades e lugares) do território da Palestina e Israel, não tira a legitimidade de um uso especifico da palavra (cidade santa ou lugar santo).
Também quando é aplicado às pessoas, o conceito oferece a variedade e a gradualidade da analogia. Na revelação do Antigo Testamento, todo o povo de Deus era “santo” e todos os israelitas tinham o direito-dever de ser santos (cf. Lv 20,26), mas não todos deviam ser “santos” ou “consagrados” no sentido, por exemplo, dos nazireus (cf. Nm 6), de Jeremias (Jr 1,5), ou de Isaias (Is 61,1). Quando Moisés foi injustamente criticado em nome de um senso monolítico da santidade (Nm 16,3: “Basta… Toda a comunidade, todos são santos”), o Senhor tomou a sua defesa, fazendo saber que Moisés, por especial vocação, era “santo” ou “escolhido” em modo particular (cf. Nm 16,5. 28; Ecle 45, 4).
Mesmo em nome da revelação do Novo Testamento se pode impor um uso monolítico do termo. Para Paulo, por exemplo, cada mulher cristã tem o direito-dever de ser “santa”, mas não no sentido especial de “santa no corpo e no espírito” (1Cor 7,34), próprio daqueles que, em uma vida de castidade consagrada, se empenham de ter como único esposo Cristo Senhor.
Para mostrar o elemento divino e o elemento humano da consagração dos seres humanos, se usa uma dupla formula teológica: “consagração passiva” e “consagração ativa”. A consagração passiva é aquela na qual a pessoa humana é sujeito passivo, enquanto Deus é o sujeito agente: a pessoa humana é consagrada a Deus, ou seja, Deus consagra a pessoa humana. A consagração ativa é aquela na qual o sujeito agente é a pessoa humana, que se consagra a Deus. A consagração é um mistério: é o resultado da iniciativa divina e da colaboração humana. A prioridade, do ponto de vista bíblico e teológico, corresponde sempre a Deus.
A consagração passiva tem sempre um caráter prioritário de Deus. Pode ser expressa com outras formas significativas: a pessoa humana é escolhida, eleita, separada, ungida, compreendida por Deus. Mais freqüente é o uso de outras formas similares para a consagração ativa: a pessoa humana se empenha totalmente, se esvazia, se doa, se entrega, se oferece, faz oblação de si mesma a Deus.
Cristo, o Verbo de Deus Encarnado, o homem perfeito, além do Filho do Pai, é o consagrado por excelência, tanto no sentido passivo, como no sentido ativo da expressão. Cristo foi consagrado no supremo dos modos por Deus Pai (cf. Jo 10,36; At 10,38), e Ele, acolhendo tal consagração, se consagrou no supremo dos modos ao mesmo Deus Pai (cf. Jo 17,19). Escolhendo, na docilidade ao Pai, a forma de vida consagrada, revelou os valores mais genuínos da consagração religiosa total.
Por iniciativa do Pai, Cristo, consagrou os apóstolos, escolhendo-os para uma forma de vida especial (Jo 15,16). Acolhendo a consagração de Cristo, estes se consagraram a Ele, deixando tudo para viver com Ele, como Ele e para Ele.
Desta prospectiva bíblica se pode ter uma visão harmônica da identidade e da missão da consagração religiosa total na Igreja. É principalmente sobre a base da existência e das características da figura bíblica de Jesus de Nazaré e da figura bíblica dos apóstolos que se apóia a doutrina dos orientamentos da Tradição, do Concilio e do Magistério pós-conciliar sobre a consagração religiosa total, e em particular, sobre a dimensão cristológica. A figura de Jesus, supremo consagrado, e a figura dos apóstolos, chamados com especial vocação e consagrados com peculiar titulo, é um ponto de referência indispensável para poder determinar o lugar da consagração religiosa total na Igreja e no mundo. Os consagrados religiosos professam uma forma de vida que manifesta uma particular semelhança, e exprime uma especial participação à forma de vida consagrada de Jesus e dos apóstolos, que, deixando tudo, o seguiram.
Os consagrados religiosos não são toda a Igreja e nem mesmo constituem uma Igreja a parte: é uma parte especial da Igreja, são os fieis que, no interno da comunhão da Igreja santa ou da Igreja dos consagrados, vivem em família o dom e o compromisso de uma peculiar consagração, que possui um caráter eminentemente cristológico. Os consagrados religiosos têm uma identidade própria na Igreja-Sacramento: são a epifania do Cristo Consagrado, enquanto, segundo cada carisma, eles mostram ao mundo o rosto de Cristo obediente, casto, pobre e totalmente dedicado ao Pai e às coisas do Pai.