A formação do clero e a música sacra
Os postulados derivados da identidade sacerdotal
Para poder compreender a importância da formação relativa à música sacra dos candidatos ao sacerdócio ministerial, deve-se antes de tudo ter presentes alguns elementos da identidade do presbítero e da sua missão específica.
Na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis, sobre a formação dos sacerdotes nas circunstâncias actuais, de 25 de Março de 1992, João Paulo II, colocando as raízes da identidade sacerdotal no mistério da Santíssima Trindade e da comunhão da Igreja, observa: «O presbítero, [...] em virtude da consagração que recebe pelo sacramento da Ordem, é enviado pelo Pai, através de Jesus Cristo, ao qual como Cabeça e Pastor do seu povo é configurado de modo especial para viver e actuar, na força do Espírito Santo, ao serviço da Igreja e para a salvação do mundo». Por conseguinte, o presbítero «encontra a verdade plena da sua identidade no facto de ser uma derivação, uma participação específica e uma continuação do próprio Cristo, sumo e único Sacerdote da nova e eterna Aliança: ele é uma imagem viva e transparente de Cristo Sacerdote».
Contudo, deve-se ter presente que Cristo realizou o seu sacerdócio plenamente no mistério da sua morte e ressurreição, e este mistério da morte e ressurreição «está de certo modo recolhido [...] e ‘concentrado’ para sempre» na Eucaristia, na qual «Cristo entregou à Igreja a actualização perene do mistério pascal. Com ele, instituiu uma misteriosa ‘contemporaneidade’ entre [o Triduum Paschale] e o transcurso de todos os séculos». Por outras palavras, a Eucaristia «é o sacrifício da Cruz que se perpetua através dos séculos». Portanto, «quando a Igreja celebra a Eucaristia, [...] este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e ‘realiza-se a obra da nossa redenção’».
Ora, a Eucaristia está estreitamente ligada ao sacramento da Ordem, aliás é «a principal e central razão de ser do sacramento do Sacerdócio, que nasceu efectivamente no momento da instituição da Eucaristia e juntamente com ela». Por conseguinte, os sacerdotes – como nos recorda o Concílio Vaticano II -, na sua qualidade de ministros das coisas sagradas, «são sobretudo os ministros do sacrifício da Missa» .
Há um vínculo estreito também entre toda a actividade e eficácia pastoral dos presbíteros e a Eucaristia. De facto, o Decreto conciliar sobre o ministério e a vida dos presbíteros, Presbyterorum ordinis, indica a caridade pastoral como «o vínculo de perfeição sacerdotal que reduzirá à unidade a sua vida e acção», acrescentando imediatamente que «a caridade pastoral brota sobretudo do Sacrifício Eucarístico».
Partindo destes elementos da identidade do sacerdote e da sua missão, não é difícil perceber a responsabilidade dos sacerdotes pela Eucaristia. Eles não são apenas ministros da Eucaristia, mas dependerá deles principalmente a forma como será também celebrada na realidade a Eucaristia, como será compreendida e vivida pelos fiéis. Dependerá deles a orientação da música e do canto sagrado nas nossas igrejas. Seria irrealista esperar a promoção da genuína música sacra na liturgia, sem uma adequada preparação de quantos devem desempenhar neste sector um papel predominante.
A Eucaristia e a Liturgia das Horas na formação sacerdotal
Das considerações feitas até agora resulta também que, quanto mais profundamente o sacerdote compreende e na realidade vive a Eucaristia – que é o centro de toda a liturgia -, tanto melhor poderá compreender e orientar a música sacra. De facto, o canto e a música sacra são «parte necessária e integral da liturgia solene», devem portanto estar intimamente harmonizados com a liturgia, participar eficazmente na sua finalidade, ou seja, devem expressar a fé, a oração, a admiração, o amor a Jesus presente na Eucaristia. Por isso, o Catecismo da Igreja Católica repete mais uma vez que o canto e a música sacra desempenham a sua função de sinais de maneira tanto mais significativa «quanto mais estreitamente estão unidos à acção litúrgica», e quanto mais exprimem a oração.
A Eucaristia
Por conseguinte, na nossa perspectiva, é também importante que os seminaristas:
a) Sejam educados para compreenderem a Eucaristia na sua plena dimensão e valor; se dêem conta de que «na Santíssima Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, nossa Páscoa»; que Ela é «o vértice da oração cristã»; que é «fonte e ápice de toda a vida cristã» e «todos os sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e as obras de apostolado, estão estreitamente unidos à sagrada Eucaristia e para ela estão ordenados» .
b) Se dêem conta do seu papel em relação à Eucaristia, ou seja, que «na sua qualidade de ministros das coisas sagradas, são sobretudo os ministros do Sacrifício da Missa» e que, por conseguinte, «o seu papel é totalmente insubstituível, porque sem sacerdote não pode haver oferta Eucarística»; que se consciencializem também da sua tarefa no que se refere à compreensão e à promoção da Eucaristia na vida dos fiéis.
c) Recebam uma adequada educação litúrgica juntamente com a devida explicação do significado das normas litúrgicas.
d) Sejam introduzidos a viver intensamente e a amar a Eucaristia. A este propósito, o Código de Direito Canónico prescreve: «A celebração eucarística seja o centro de toda a vida do seminário, de forma que todos os dias os alunos, participando da própria caridade de Cristo, possam haurir sobretudo desta fonte abundantíssima as forças para o trabalho apostólico e para a sua vida espiritual». De igual modo, a Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis diz: «A celebração quotidiana da Eucaristia [...] deve ser o centro de toda a vida do seminário, e os alunos devem participar nela com devoção».
A Exortação Apostólica Pastores dabo vobis, precisamente da relação entre a Ordem sagrada e o Sacrifício da Missa, deduz «a importância fundamental da Eucaristia na vida e no ministério sacerdotal e, por conseguinte, na formação espiritual dos candidatos ao sacerdócio». Aliás, João Paulo II, não só recomenda que a participação quotidiana dos seminaristas na Eucaristia se torne depois ‘regra da sua vida sacerdotal’, mas também que sejam educados a considerar a celebração eucarística como o momento essencial do seu dia a dia, no qual participarão activamente, nunca se contentando com uma assistência meramente rotineira», que sejam «formados nas íntimas disposições que a Eucaristia promove: o reconhecimento pelos benefícios recebidos do alto, pois a Eucaristia é acção de graças; a atitude oblativa que os estimula a unir à oferta eucarística de Cristo a própria oferta pessoal; a caridade alimentada por um sacramento que é sinal de unidade e de partilha; o desejo de contemplação e de adoração diante de Cristo realmente presente sob as espécies eucarísticas».
Estou profundamente convencido de que a compreensão e a atitude correcta e apaixonada para com a música sacra dependem do modo de compreender e de viver a liturgia, e especialmente a Eucaristia.
A celebração da Liturgia das Horas
Segundo a Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis, «à formação para o culto eucarístico deve estar intimamente unida a formação para o Ofício divino, mediante o qual os sacerdotes ‘rezam a Deus em nome da Igreja e em benefício de todo o povo que lhe está confiado, mais, em favor de todo o mundo’». Considero oportuno mencionar isto, porque na celebração da Liturgia das Horas é usado com frequência o canto e a música.
O Instrumentum laboris do VIII Sínodo dos Bispos sobre a formação dos sacerdotes, de 1990, afirmava: «A Liturgia das Horas é uma das maiores expressões da oração litúrgica. Através de uma iniciação gradual a esta oração das horas, o candidato aprenderá a dar um ritmo aos dias marcados por uma celebração na qual se exprime e se renova a sua fé. Saboreando os elementos de cada ‘hora’, ele poderá integrar progressivamente vida e oração a título pessoal e em nome da Igreja, para o povo que lhe está confiado e para todo o mundo».
Na formação seminarística, deve-se portanto evitar que na celebração da Liturgia das Horas, quer comunitária quer individual, se reduza esta oração à obrigação formal realizada mecanicamente como uma leitura rotineira e acelerada sem dedicar a atenção necessária ao significado do texto. Os seminaristas deveriam ser adequadamente introduzidos nela de maneira que se habituem a apreciar, a compreender e a amar cada vez mais as riquezas do Ofício e, ao mesmo tempo, aprendam a tirar dele um alimento para a oração pessoal e para a contemplação. O canto pode servir de ajuda (ou se for mal feito, de obstáculo) para a sua consecução.
Nos seminários devem ser habitualmente celebradas em comum, à hora correspondente, as Laudes, como oração da manhã, e as Vésperas, como oração da tarde. Também se pode celebrar a Hora média e as Completas. Na vigília das solenidades, por vezes pode-se celebrar o Ofício das leituras segundo o rito da «vigília prolongada». A celebração comum muitas vezes é louvavelmente cantada.
A formação litúrgica adequada
Em ligação com quanto expus, é preciso observar que o futuro sacerdote, através da participação na vida litúrgica no seminário durante os anos da sua formação inicial, recebe uma autêntica «educação litúrgica, no sentido pleno de uma inserção vital no mistério pascal de Jesus Cristo morto e ressuscitado, presente e actuante nos sacramentos da Igreja». Ele aprende progressivamente, por experiência, o que é a liturgia da Igreja, e deve ser ajudado para descobrir a riqueza dos ritos da Igreja, das orações dos livros litúrgicos, dos textos dos diversos leccionários. Deve ser apoiado no processo de aprender a apreciar a beleza das orações, do lugar de culto, dos paramentos, da qualidade da música e dos cantos.
Sob a direcção dos superiores e, particularmente, do responsável da liturgia, o aluno realiza alguns serviços, alguns ministérios – de leitor, de acólito, de diácono -, à medida que se aproxima da Ordenação sacerdotal. Existem também outros serviços litúrgicos, por exemplo o de cantor, de salmista, de mestre de coro, de organista.
Os seminaristas, em pequenas equipas – por exemplo. por uma semana -, são encarregados de preparar a liturgia da Missa e do Ofício divino, escolhendo alguns cantos, as melodias e algumas tonalidades para a salmodia, tendo em consideração a sua qualidade, os diversos tempos litúrgicos e o grau de solenidade da liturgia do dia.
Os programas de estudo incluem, de facto, um específico ensinamento litúrgico, em relação ao qual a Congregação para a Educação Católica deu algumas normas e indicações. Este ensino da liturgia é necessário, mas só será verdadeiramente frutuoso se for interiorizado pelo próprio seminarista. Por isso, insiste-se muito para que o futuro sacerdote adquira não só o conhecimento técnico dos sagrados ritos, mas sobretudo o seu profundo significado teológico e espiritual.
A formação musical
Além dos elementos acima expostos, que constituem um pressuposto substancial para a compreensão da música sacra como parte integrante da liturgia e não só como um elemento decorativo ou como um ornamento que se acrescentaria à acção litúrgica, o Magistério e a normativa da Igreja fornecem aos seminaristas e aos formadores dos Seminários indicações oportunas.
Formação específica nos seminários
Todos os documentos mencionados têm obviamente uma importância fundamental para uma boa formação musical dos seminaristas.
A Congregação para a Educação Católica emanou em 1979 uma Instrução sobre a formação litúrgica nos Seminários. Nela, entre outras coisas, lemos: «Considerando a importância da música sacra nas celebrações litúrgicas, os alunos devem receber de peritos aquela preparação musical, também prática, que será necessária no futuro ofício de presidentes e de moderadores das celebrações litúrgicas. Nesta preparação deve ter-se em consideração as qualidades naturais de cada um dos alunos, e servir-se dos novos meios hoje geralmente em uso nas escolas de música, para tornar mais fácil o aproveitamento dos alunos. Deve-se, sobretudo, procurar que aos alunos seja dada não só uma preparação na arte vocal e instrumental, mas também uma verdadeira e autêntica formação da mente e do coração, para que conheçam e apreciem as melhores obras musicais do passado e saibam escolher, na produção moderna, o que é sadio e recto» .
No campo prático, requer-se a aprendizagem dos diversos cantos usados na liturgia. Por conseguinte, os seminaristas deveriam participar regularmente nas lições de canto previstas pelo programa dos estudos.
Os seminaristas que são dotados de boas capacidades musicais podem ser convidados a desenvolver os seus talentos, por exemplo como organistas, ou para aprenderem a dirigir um coro ou uma assembleia. Para isso, pode-se também aproveitar de sessões de formação durante as férias.
Algumas festas do seminário podem ser assinaladas, além da celebração da liturgia, também pela execução de certas obras musicais: cantos polifónicos, concertos de órgão ou de música instrumental, haurindo do rico património musical da Igreja. Trata-se do património no qual é desejável que os seminaristas sejam introduzidos.
Participando no seminário numa liturgia de qualidade, na qual o canto e a música têm todo o seu lugar, e beneficiando de uma formação musical dada por pessoas competentes, o futuro sacerdote prepara-se progressivamente para a sua responsabilidade litúrgica como celebrante da Eucaristia e dos outros sacramentos, como pastor e guia da oração das comunidades das quais será encarregado. Ele aprende progressivamente a discernir o que é belo, o que convém ao culto divino, o que é conforme com o espírito da acção litúrgica, o que permite traduzir a verdade do mistério celebrado, o que contribui autenticamente para a glorificação de Deus e para a santificação dos fiéis, o que favorece a oração dos cristãos e a sua «participação plena, consciente e activa» na liturgia. Graças a esta formação musical, o futuro sacerdote aprende a dar todo o seu lugar à música nas celebrações, «tendo em conta tanto o carácter próprio da liturgia como a sensibilidade do nosso tempo e as tradições musicais das diversas regiões do mundo».
Cardeal Zenon Grocholewski
Prefeito da Congregação para a Educação Católica
Mensagem de Bento XVI para a Quaresma 2012
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI QUARESMA DE 2012
«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos
ao amor e às boas obras» (Heb 10, 24)
Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de reflectir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre actual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e todavia são objecto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o facto de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo actual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).
A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O facto de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correcção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje é-se muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correcção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há-de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correcção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais rectamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.
2. «Uns aos outros»: o dom da reciprocidade.
O facto de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de a considerar na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a actual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correcção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.
Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e omnipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a acção do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).
3. «Para nos estimularmos ao amor e às boas obras»: caminhar juntos na santidade.
Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.
Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua. Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre actual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).
Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 3 de Novembro de 2011
BENEDICTUS PP. XVI
Canção Nova: como Simeão no templo de Jerusalém
Caríssimos irmãos e irmãs, depois de quarenta dias do Natal, nos encontramos aqui para esta solenidade que particularmente envolve três realidades da vida dos cristãos: Apresentação do Senhor ao tempo e ao mundo, a antiga festa das luzes, ou melhor da Luz, e a festa da Vida Consagrada.
Três realidades que se relacionam muito bem entre elas. O Cristo é apresentado hoje ao mundo como luz das nações através a continuidade da sua passagem no mundo pelo testemunho fervoroso e vivo dos religiosos consagrados ao Senhor.
Estas três festas em um único dia nos é explicado na pessoa de Simeão.
Simeão, piedoso e justo, como diz o Evangelho, esperava a consolação do povo de Israel. Pelo próprio Espírito Santo, ele teve uma revelação divina de que não morreria sem ver o Cristo Senhor (Lc 2, 25.26).
Poderíamos perguntar em que se beneficiou ele por ter visto a Cristo. Fora-lhe prometido somente vê-lo, sem que esta visão lhe trouxesse algo de salutar, ou esta promessa esconderia um presente digno de Deus, que Simeão mereceu receber?
Certa mulher foi curada por ter apenas tocado a franja da veste de Jesus! Se ela se beneficiou de tal favor, que pensar de Simeão, que recebeu o menino nos braços? Feliz de tê-lo nos braços, alegrava-se ao pensar que sustentava o que viera libertar os cativos, e também a ele dos laços de seu corpo. Sabia que ninguém pode libertar um outro da prisão do corpo com a esperança da vida futura, a não ser aquele que tinha em seus braços. Por isso ele diz: Agora, Senhor, deixa teu servo ir em paz (Lc 2, 29), pois estava prisioneiro e não podia libertar-se de seus laços, enquanto não tinha Cristo em seus braços. Note-se, todavia, que isto é válido não somente para Simeão, mas para todo o gênero humano. Se alguém deixa este mundo e quer conquistar o Reino, tome Jesus nas mãos, envolva-o em seus braços, aperte-o contra o peito e então poderá dirigir-se velozmente para onde deseja!
Considera tudo o que precedeu o momento em que Simeão teve a ventura de carregar o Filho de Deus. Recebeu primeiramente a revelação do Espírito Santo, de que não veria a morte antes de ter visto o Cristo Senhor. Em seguida, não foi por acaso nem totalmente sozinho que entrou no Templo; mas veio impelido pelo Espírito Santo. E todos aqueles que o Espírito Santo anima, são filhos de Deus. É, pois, o Espírito Santo que os leva ao Templo. Se tu também queres ter Jesus, abraçá-lo em teus braços e tornar-te digno de sair da prisão, esforça-te por te deixares conduzir pelo Espírito, para alcançares o templo de Deus. Ora, já te encontras no templo do Senhor Jesus, isto é, na Igreja, seu templo construído de pedras vivas.
Se vens impelido pelo Espírito, encontrarás o Menino Jesus, tomá-lo-ás em teus braços, e dirás: Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixa teu servo ir em paz. Observa, de passagem, que a libertação e o ponto de partida acompanham-se da paz. E quem morre em paz, senão aquele que tem a paz de Deus que ultrapassa toda compreensão e guarda o coração de quem a possui? Quem é que se retira em paz deste mundo, senão aquele que compreende que Deus veio, em Cristo, reconciliar-se com o mundo?
Comunidade Canção Nova, eis aqui a nossa missão. Não foi por acaso que exatamente num dia tão simbólico para o cristianismo a 34 anos atras os nossos primeiros irmãos faziam o sonho de Deus se realizar em uma pequena cidade do interior do estado de São Paulo.
Olhando para a história da Canção Nova os sonhos são outros? Pois muita coisa mudou, cresceu, desenvolveu, apareceu. Não, o sonho de Deus, não mudou. Pelo contrario, ainda não foi totalmente realizado. Por que? Três coisas simples, mas muito empenharias.
1- Nem todos os filhos de Deus ainda não viveram a experiência de Simeão, de ter Jesus, mais do que nos braços, mas inteiramente no coração, aderindo a Ele como Senhor e Salvador.
2- Com isto, nem todos os filhos de Deus tomaram consciência de que em Jesus, são sal da terra e luz do mundo, e por isso, as vezes parece que vivemos em uma constante escuridão.
3- A nossa consagração precisa ser mais que um ato de renovação anual, como estamos fazendo hoje, mas deve se tornar um verdadeiro ato profético consciente para nós e para todos aqueles aos quais somos enviados.
Ao renovar o nosso compromisso, nos lembremos de tantos e tantos Simeão que conscientes ou não esperam ansiosamente a apresentação de Jesus, Luz do mundo pelo testemunho sincero dos consagrados a Deus na Cancao Nova.
Assim seja!
Carta Circular – abuso sexual contra menores por parte de clérigos
CARTA CIRCULAR
para ajudar as Conferências Episcopais na preparação de linhas diretrizes
no tratamento dos casos de abuso sexual contra menores por parte de clérigos
Dentre as importantes responsabilidades do Bispo diocesano para assegurar o bem comum dos fiéis e, especialmente das crianças e dos jovens, existe o dever de dar uma resposta adequada aos eventuais casos de abuso sexual contra menores, cometidos por clérigos na própria diocese. Tal resposta implica a instituição de procedimentos capazes de dar assistência às vítimas de tais abusos, bem como a formação da comunidade eclesial com vistas à proteção dos menores. Tal resposta deverá prover à aplicação do direito canônico neste campo, e, ao mesmo tempo, levar em consideração as disposições das leis civis.
I. Apectos gerais:
a) As vítimas do abuso sexual:
A Igreja, na pessoa do Bispo ou de um seu delegado, deve se mostrar pronta para ouvir as vítimas e os seus familiares e para se empenhar na sua assistência espiritual e psicológica. No decorrer das suas viagens apostólicas, o Santo Padre Bento XVI deu um exemplo particularmente importante com a sua disposição para encontrar e ouvir as vítimas de abuso sexual. Por ocasião destes encontros, o Santo Padre quis se dirigir às vítimas com palavras de compaixão e de apoio, como aquelas que se encontram na sua Carta Pastoral aos Católicos da Irlanda (n. 6): “Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade.”
b) A proteção dos menores:
Em algumas nações foram lançados, em âmbito eclesiástico, programas educativos de prevenção, a fim de assegurar “ambientes seguros” para os menores. Tais programas tentam ajudar os pais, e também os operadores pastorais ou escolásticos, a reconhecer os sinais do abuso sexual e a adotar as medidas adequadas. Os supracitados programas mereceram amiúde um reconhecimento como modelos na luta para eliminar os casos de abuso sexual contra menores nas sociedades hodiernas.
c) A formação dos futuros sacerdotes e religiosos
O Papa João Paulo II dizia no ano de 2002: “No sacerdócio e na vida religiosa não existe lugar para quem poderia fazer mal aos jovens” (n. 3, Discurso aos Cardeais americanos, 23 de abril de 2002). Estas palavras chamam à atenção para a responsabilidade específica dos Bispos, dos Superiores Maiores e daqueles que são responsáveis pelos futuros sacerdotes e religiosos. As indicações dadas na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, bem como as instruções dos Dicastérios competentes da Santa Sé, possuem uma importância sempre crescente com vistas a um correto discernimento vocacional e a uma formação humana e espiritual sadia dos candidatos. Em particular façam-se esforços de sorte que os candidatos apreciem a castidade, o celibato e a paternidade espiritual do clérigo e que possam aprofundar o conhecimento da disciplina da Igreja sobre o assunto. Indicações mais específicas podem ser integradas nos programas formativos dos seminários e das casas de formação previstas na respectiva Ratio Institutionis Sacerdotalis de cada nação e Instituto de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica.
Uma diligência especial deve ser ademais reservada à indispensável troca de informações acerca daqueles candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa que são transferidos de um seminário a outro, de uma a outra Diocese ou de Institutos religosos a Dioceses.
d) O acompanhamento dos sacerdotes
1. O Bispo tem o dever de tratar a todos os seus sacerdotes como pai e irmão. Além disso, o Bispo deve providenciar com atenção especial à formação permanente do clero, sobretudo nos primeiros anos seguintes à sagrada Ordenação, valorizando a importância da oração e do mútuo apoio na fraternidade sacerdotal. Os sacerdotes devem ser infomados sobre o dano provocado por um clérigo à vítima de abuso sexual e sobre a própria responsabilidade diante da legislação canônica e civil, como também a reconhecer os sinais de eventuais abusos perpetrados contra menores;
2. Os Bispos devem assegurar todo esforço no tratamento dos casos de eventuais abusos que porventura lhes sejam denunciados de acordo com a disciplina canônica e civil, no respeito dos direitos de todas as partes;
3. O clérigo acusado goza da presunção de inocência até prova contrária, mesmo se o Bispo, com cautela, pode limitar o exercício do ministério, enquanto espera que se esclareçam as acusações. Em caso de inocência, não se poupem esforços para reabilitar a boa fama do clérigo acusado injustamente.
e) A cooperação com as autoridades civis
O abuso sexual de menores não é só um delito canônico, mas também um crime perseguido pela autoridade civil. Se bem que as relações com as autoridades civis sejam diferentes nos diversos países, é contudo importante cooperar com elas no âmbito das respectivas competências. Em particular se seguirão sempre as prescrições das leis civis no que toca o remeter os crimes às autoridades competentes, sem prejudicar o foro interno sacramental. É evidente que esta colaboração não se refere só aos casos de abuso cometidos por clérigos, mas diz respeito também aos casos de abuso que implicam o pessoal religioso ou leigo que trabalha nas estruturas eclesiásticas.
II. Breve relatório da legislação canônica em vigor relativa ao delito de abuso sexual de menores perpretado por um clérigo
No dia 30 de abril de 2001, o Papa João Paulo II promulgou o Motu Própio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (SST), com o qual se inseriu o abuso sexual de um menor perpetrado por um clérigo no elenco de delicta graviora, reservado à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). A prescrição de um tal delito foi fixada em 10 anos a partir do 18º aniversário da vítima. A legislação do Motu Próprio vale tanto para os clérigos latinos quanto para os clérigos orientais, igualmente para o clero diocesano como para o religioso.
Em 2003, o então Prefeito da CDF, o Cardeal Ratzinger, obteve de João Paulo II a concessão de algumas faculdades especiais para oferecer maior flexibilidade nos processos penais para os casos de delicta graviora, dentre os quais o uso do processo penal administrativo e o pedido da demissão ex officio nos casos mais graves. Estas faculdades foram integradas na revisão do Motu Próprio aprovada pelo Santo Padre Bento XVI aos 21 de maio de 2010. Segundo as novas normas a prescrição é de 20 anos, os quais nos casos de abuso de menores se calculam a partir do 18º aniversário da vítima. A CDF pode eventualmente derrogar às prescrições em casos particulares. Especificou-se também o delito canônico da aquisição, detenção ou divulgação de material pedopornográfico.
A responsabilidade de tratar os casos de abuso sexual contra menores é, num primeiro momento, dos Bispos ou dos Superiores Maiores. Se a acusação parecer verossímil, o Bispo, o Superior Maior ou o seu delegado devem proceder a uma inquisição preliminar de acordo com os cân. 1717 do CIC, 1468 CCEO e o art. 16 SST.
Se a acusação for considerada crível – digna de crédito, pede-se que o caso seja remetido à CDF. Uma vez estudado o caso, a CDF indicará ao Bispo ou al Superior Maior os ulteriores passos a serem dados. Ao mesmo tempo, a CDF oferecerá uma diretriz para assegurar as medidas apropriadas, seja grantindo um procedimento justo aos clérigos acusados, no respeito do seu direito fundamental à defesa, seja tutelando o bem da Igreja, inclusive o bem das vítimas. É útil recordar que normalmente a imposição de uma pena perpétua, como a dimissio do estado clerical requer um processo penal judicial. De acordo com o Direito Canônico (cf. can. 1342 CIC) os Ordinários não podem decretar penas perpétuas por decretos extra-judiciários; para tanto devem se dirigir à CDF, à qual compete o juízo definitivo a respeito da culpabilidade e da eventual inidoneidade do clérigo para o ministério, bem como a consequente imposição da pena perpétua (SST Art. 21, § 2).
As medidas canônicas aplicadas contra um clérigo reconhecido culpado de abuso sexual de um menor são geralmente de dois tipos: 1) medidas que restringem o ministério público de modo completo ou pelo menos excluindo os contatos com menores. Tais medidas podem ser acompanhadas por um preceito penal; 2) penas eclesiásticas, dentre as quais a mais grave é a dimissio do estado clerical.
Em alguns casos, prévio pedido do próprio clérigo, pode-se conceder a dispensa, pro bono Ecclesiae das obrigações inerentes ao estado clerical, inclusive do celibato.
A inquisição preliminar e todo o processo devem se desenvolver com o devido respeito a fim de proteger a discreção em torno às pessoas envolvidas, e com a devida atenção à sua reputação.
Ao menos que existam razões graves em contrário, o clérigo acusado dever ser informado da acusação apresentada, a fim de que lhe seja dada a possibilidade de responder à mesma, antes de se transmitir um caso à CDF. A prudência do Bispo ou do Superior Maior decidirá qual informação deva ser comunicada al acusado durante a inquisição preliminar.
Compete ao Bispo ou ao Superior Maior prover ao bem comum determinando quais medidas de precaução previstas pelo cân. 1722 CIC e pelo cân. 1473 CCEO devam ser impostas. De acordo com o art. 19 SST, isto se faz depois de começada a inquisição preliminar.
Recorda-se finalmente que se alguma Conferência Episcopal, excetuado o caso de uma aprovação da Santa Sé, julgue por bem dar normas específicas, tal legislação particular dever ser considerada como um complemento à legislação universal e não como substituição desta. A legislação particular dever portanto harmonizar-se com o CIC/CCEO, bem como com o Motu Próprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (30 de abril de 2001) como foi atualizado aos 21 de maio de 2010. Se a Conferência Episcopal decidir estabelecer normas vinculantes, será necessário requerer a recognitio aos Dicastérios competentes da Cúria Romana.
III. Indicações aos Ordinários sobre o modo de proceder
As linhas diretrizes preparadas pela Conferência Episcopal deveriam fornecer orientações aos Bispos diocesanos e aos Superiores Maiores no caso em que fossem informados de possíveis (presunti) abusos sexuais contra menores perpetrados por clérigos presentes no território da sua jurisdição. Tais linhas diretrizes devem levar em conta as seguintes considerações:
a.) o conceito de “abuso sexual contra menores” deve coincidir com a definição do Motu Próprio SST art. 6 (“o delito contra o sexto mandamento do Decálogo cometido por um clérigo com um menor de dezoito anos”), bem como com a praxe interpretativa e a jurisprudência da Congregação para a Doutrina da Fé, levando em consideração as leis civis do País;
b.) a pessoa que denuncia o delito dever ser tratada com respeito. Nos casos em que o abuso sexual esteja ligado com um outro delito contra a dignidade do sacramento da Penitência (SST, art. 4), o denunciante tem direito de exigir que o seu nome não seja comunicado ao sacerdote denunciado (SST, art. 24);
c.) as autoridades eclesiásticas devem se empenhar para oferecer assitência espiritual e psicológica às vítimas;
d.) o exame das acusações seja feito com o devido respeito do princípio de privacy e da boa fama das pessoas;
e.) ao menos que haja graves razões em contrário, já durante o exame prévio, o clérigo acusado seja informado das acusações para ter a possibilidade de responder às mesmas;
f.) os órgãos consultivos de vigilância e de discernimento dos casos particulares, previstos em alguns lugares, não devem substituir o discernimento e a potestas regiminis dos Bispos em particular;
g.) as linhas diretrizes devem levar em consideração a legislação do País da Conferência, especialmente no tocante à eventual obrigação de avisar as autoridades civis;
h.) seja assegurado em todos os momentos dos processos disciplinares ou penais um sustento justo e digno ao clérigo acusado;
i.) exclua-se o retorno o clérigo ao ministério público se o mesmo for perigoso para os menores ou escandaloso para a comunidade.
Conclusão:
As linhas diretrizes preparadas pelas Conferências Episcopais intendem proteger os menores e ajudar as vítimas para encontrar assitência e reconciliação. As mesmas deverão indicar que a responsabilidade no tratamento dos delitos de abuso sexual de menores pro parte dos clérigos compete em primeiro lugar ao Bispo diocesano. Por fim, as linhas diretrizes deverão levar a uma orientação comum no seio de uma Conferência Episcopal, ajudando a harmonizar do melhor modo os esforços dos Bispos em particular a fim de salvaguardar os menores.
Roma, da sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Maio de 2011
William Cardinale Levada
Prefeito
+ Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo Tit. de Thibica
Secretário
Catequese do Papa sobre santidade cristã
Caros irmãos e irmãs,
Nas audiências gerais destes últimos dois anos, nos acompanharam as figuras de tantos santos e santas: aprendemos a conhecê-los mais de perto e a entendemos que toda a história da Igreja é marcada por estes homens e mulheres que com a fé deles, com a caridade deles, com a vida deles foram faróis para tantas gerações e também para nós.
Os santos manifestam em diversos modos, a presença potente e transformadora do Ressuscitado; eles deixaram que Cristo envolvesse plenamente a vida deles ao ponto de poderem afirmar como São Paulo: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Seguir o exemplo deles, recorrer à intercessão deles, entrar em comunhão com eles, nos une a Cristo, do qual emana toda a graça e toda a vida para o mesmo povo de Deus” (Conc. Ec. Vat. II, Cost. dogm.Lumen gentium 50). Ao final deste ciclo de catequeses gostaria então de oferecer uma meditação sobre o que seja a santidade.
O que quer dizer ser santos? Quem é chamado a ser santo? Por vezes somos levados ainda a pensar que a santidade seja uma meta reservada a poucos eleitos. São Paulo, ao contrário, fala do grande desígnio de Deus e afirma: “Nele – Cristo – Deus nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante dEle na caridade” (Ef 1,4).
Aqui, ele fala de todos nós. No centro do desígnio divino está Cristo, no qual Deus mostra a sua face: O mistério escondido nos séculos é revelado em plenitude no Verbo feito carne. E Paulo depois diz: “Agrada a Deus de fato, que habite Nele toda a plenitude” (Col 1,19). Em Cristo, Deus vivente se fez próximo, visível, audível, tocável, a fim que todos pudessem atingir a sua plenitude de graça e de verdade (cfr Jo I,14-16).
Por isto, toda a existência cristã conhece uma única lei suprema, aquela que São Paulo exprime em uma fórmula que aparece em todos os seus escritos: em Cristo Jesus. A santidade, a plenitude da vida cristã não consiste no cumprir coisas extraordinárias, mas no unir-se a Cristo, no viver os seus mistérios, no fazer nossas as suas atitudes, os seus pensamentos, os seus comportamentos. A medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, com a qual, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida na dEle.
E o ser conformes a Cristo, como afirma São Paulo: “Aqueles que Ele desde sempre conheceu, os predestinou a ser conformes à imagem do seu Filho” (Rm 8,29). E Santo Agostinho exclama: “Viva e será a minha vida toda repleta de Ti” (Confissões, 10,28).
O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja, fala com clareza sobre o chamado universal a santidade, afirmando que ninguém está excluído: “Nos vários gêneros da vida e nas várias profissões, uma única santidade é praticada por todos aqueles que foram movidos pelo Espírito de Deus e seguem Cristo pobre, humilde, que carrega a cruz, para merecerem ser participantes da sua glória” (n. 41).
Mas permanece a questão: Como podemos percorrer a estrada da santidade, responder a este chamado? Posso fazê-lo com as minhas forças?
A resposta é clara: uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas ações, porque é Deus, o três vezes Santo que nos faz santos, é a ação do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro, é a mesma vida de Cristo Ressuscitado que nos é comunicada e que nos transforma.
Para dizer isto mais uma vez com o Concílio Vaticano II: “Os seguidores de Cristo, chamados por Deus não segundo as suas obras, mas segundo o desígnio da sua graça e justificados em Jesus Senhor no batismo da fé, foram feitos verdadeiramente filhos de Deus e co participantes da natureza divina, e por isto, realmente santos.
Esses, portanto, devem com a ajuda de Deus, manter isto na vida deles e aperfeiçoar a santidade que receberam” (ibid., 40). A santidade tem, portanto, a sua raiz ultima na graça batismal, no ser nutrido no Mistério pascal de Cristo, com o qual nos vem comunicado o seu Espírito, a sua vida de Ressuscitado.
São Paulo sublinha em modo forte, a transformação que opera no homem a graça batismal e chega a cunhar uma terminologia nova, formada com a preposição “com”: co-mortos, co-sepultados, co-ressuscitados, co- vivificados com Cristo: o nosso destino está ligado indissoluvelmente ao seu. “Por meio do batismo – escreve – formos sepultados juntos com Ele na morte, a fim que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos assim também podemos caminhar em uma vida nova” (Rm 6,4).
Mas Deus respeita sempre a nossa liberdade e pede que aceitemos este dom e vivamos as exigências que isto comporta, pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade a vontade de Deus.
Como pode acontecer que o nosso modo de pensar e as nossas ações se tornem o pensar e o agir com Cristo e de Cristo? Qual a alma da santidade? De novo o Concílio Vaticano II explica: diz-nos que a santidade cristã não é outra coisa se não a caridade plenamente vivida. “Deus é amor, quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nEle” (IJo, 4,16).
Agora, Deus difundiu largamente o seu amor nos nossos corações por meio do Espírito santo, que nos foi dado (cfr Rm 5,5); por isto, o primeiro dom e o mais necessário é a caridade, com a qual amamos a Deus sobre todas as coisas e próximo por amor dEle.
Mas, para que a caridade, como uma boa semente, cresça na alma e frutifique cada fiel deve escutar com prazer a palavra de Deus e, com a ajuda da sua graça, cumprir com as obras da sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da santa liturgia; aplicar-se constantemente a oração, na abnegação de si mesmo, no serviço ativo aos irmãos e a serviço de todas as virtudes. A caridade, de fato, vínculo da perfeição e cumprimento da Lei (cfr Col 3,14; Rm 13,10), conduz todos os meios de santificação, dá forma a eles e os conduz ao fim deles.
Talvez também esta linguagem do Concílio Vaticano II para nós é ainda um pouco difícil, talvez devamos dizer as coisas em modo mais simples. O que é essencial? Essencial é nunca deixar um domingo sem um encontro com o Cristo Ressuscitado na Eucaristia; isto não é um peso acrescentado, mas é a luz para a toda a semana. Não começar e não terminar nunca um dia sem um breve contato com Deus. E, na estrada da nossa vida, seguir os “indicadores do caminho” que Deus nos comunicou no Decálogo lido com Cristo, que é simplesmente a explicitação de que coisa seja a caridade em determinadas situações.
Parece-me que esta seja a verdadeira simplicidade e grandeza da vida de santidade: o encontro com o Ressuscitado no domingo; o contato com Deus no início e no fim do dia; e seguir nas decisões os indicadores do caminho que Deus nos comunicou, que são as formas de caridade. Por isto, o verdadeiro discípulo de Cristo se caracteriza pela caridade dirigida a Deus e ao próximo. (Lumen gentium, 42). Esta é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos.
Eis porque Santo Agostinho, comentando o capitulo quarto da Primeira carta de São João, pode afirmar uma coisa corajosa: : “Dilige et fac quod vis”, “Ame e faça o que quiser”. E continua: “Se repreenderes, que repreendas por amor, se falares, então fales por amor, se corrigires, corrijas por amor, se perdoares, perdoes por amor; esteja em Ti a raiz do amor, já que desta raiz só pode proceder o bem” (7,8: PL 35).
Quem é guiado pelo amor, quem vive a caridade plenamente é guiado por Deus, porque Deus é amor. Assim vale esta palavra grande: “Dilige et fac quod vis”, “Ame e faça aquilo que queres”.
Talvez nos perguntemos: podemos nós, com os nossos limites, com a nossa fraqueza, nos projetarmos assim para o alto?
A Igreja, durante o ano litúrgico, nos convida a fazer memória de uma legião de santos, daqueles que viveram plenamente a caridade, souberam amar e seguir Cristo na vida cotidiana. Eles nos dizem que é possível para todos percorrer esta estrada. Em todas as épocas da história da Igreja, em cada latitude da geografia do mundo, os santos pertencem a todos as idades e a todos os estados de vida, são rostos concretos de todos os povos, línguas e nações. E são tipos muito diversos.
Na realidade devo dizer que também para a minha fé pessoal, muitos santos, não todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E gostaria de acrescentar que para mim, não somente alguns grandes santos que amo e que conheço bem são estes “indicadores do caminho”, mas também aqueles santos simples, as pessoas boas que vejo na minha vida, que não serão nunca canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem heroísmo visível, mas na bondade delas de todos os dias, vejo a verdade da fé.
Esta bondade, que amadureceu na fé da Igreja, é para mim a mais segura apologia do cristianismo e o sinal de onde esteja a verdade.
Na comunhão dos Santos, canonizados e não canonizados, que a Igreja vive graças a Cristo em todos os seus membros, nos regozijamos com a presença e a companhia deles e cultivamos a forte esperança de poder imitar o caminho deles e partilhar um dia a mesma vida agraciada, a vida eterna.
Caros amigos, como é grande e bela e também simples a vocação cristã vista nessa luz!
Todos somos chamados a santidade: é a medida desta mesma vida cristã. Ainda uma vez São Paulo a exprime com grande intensidade quando escreve: “A cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo. Ele deu a alguns de serem apóstolos, a outros de serem pastores e mestres, para preparar os irmãos a cumprir o ministério, com o objetivo de edificar o corpo de Cristo, a fim que cheguemos todos a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, até o homem perfeito, até atingir a medida da plenitude de Cristo” (Ef 4,7.11-13).
Gostaria de convidar todos a abrir-se a ação do Espírito Santo, que transforma a nossa vida, para ser também nós como fragmentos do grande mosaico de santidade que Deus vai criando na história, a fim que a face de Cristo esplenda na plenitude do seu fulgor.
Não tenhamos medo de nos projetarmos em direção ao alto, em direção as alturas de Deus, não tenhamos medo que Deus nos peça muito, mas nos deixemos guiar em todas as nossas ações cotidianas pela Sua palavra, também se nos sentimos pobres, inadequados pecadores, será Ele a transformar-nos segundo o seu Amor. Obrigado.
Número de sacerdotes e batizados no mundo aumenta, revela Anuário
Entre 2008 e 2009, o número de católicos no mundo aumentou 1,3% (de 1,166 para 1,181 bilhão). Já o total de sacerdotes cresceu 0,34% (de 409.197 para 410.593). Os dados fazem parte do Anuário Pontifício, divulgado na manhã deste sábado, 19.
O volume revela várias novidades sobre a vida da Igreja Católica no mundo. Confira as principais.
Fiéis batizados
O aumento absoluto de fiéis foi de 15 milhões, mas a distribuição do número de católicos é diferente da populacional – isto é, nem sempre a maior concentração de pessoas é sinônimo de quantidades maiores de cristãos.
Nas Américas, de 2008 a 2009, a população total correspondeu a 13,6% do total de habitantes no planeta. Por sua vez, o continente concentra 49,4% da população católica do mundo. Na Ásia, onde os habitantes correspondem a 60,7% da população mundial, o número de católicos está na ordem de 10,7% do total. Já na Europa, onde o número de habitantes é apenas três pontos percentuais inferior à América, a população católica corresponde a apenas 24% – praticamente metade do número de fiéis presentes nas Américas. Tanto para os países africanos quanto para os da Oceania, o peso da população sobre o total mundial não difere muito do número de católicos (15,2% e 0,8%, respectivamente, para a África e Oceania).
Clero
A população sacerdotal permanece com uma onda de crescimento moderada, iniciada no ano 2000, após um longo período de resultados bastante decepcionantes. O número dos sacerdotes, seja diocesanos, seja religiosos, aumentou 1,34% ao longo dos últimos 10 anos, passando de 405.178 em 2000 para 410.593 em 2009.
O aumento deriva do crescimento de 0,08% do clero religioso e ao aumento de 0,56% do diocesano. O decrescimento percentual afetou somente a Europa (-0,82% para os diocesanos e -0,99% para os religiosos), dado que nos outros continentes o número de sacerdotes como um todo aumentou. Com exceção da Ásia e da África, o clero religioso diminuiu em todos os lugares.
Já o número de Bispos no mundo passou – de 2008 a 2009 – passou de 5002 a 5065, com um aumento de 1,3%. O continente mais dinâmico é o africano (1,8%), seguido da Oceania (1,5%), enquanto Ásia (0,8%) e Américas (1,2%) estão abaixo da média geral. Para a Europa, o aumento é de cerca de 1,3%.
Os diáconos permanentes aumentaram 2,5%, passando de 37.203 em 2008 para 38.155 em 2009. A presença dos diáconos melhorou na Oceania e na Ásia em ritmos elevados: na Oceania, onde os diáconos não chegam ainda a 1% do total, o aumento foi de mais de 19%, chegando a 346 diáconos em 2009. Na Ásia, o incremento foi de 16%.
Mas o aumento mais considerável registra-se também nas áreas onde a presença já é quantitativamente mais relevante. Nas Américas e na Europa, onde, em 2009, residiam cerca de 98% dos diáconos permanentes do mundo, o crescimento foi de, respectivamente, 2,3% e 2,6% com relação a 2008.
O número dos candidatos ao sacerdócio no mundo cresceu 0,82%, passando de 117.024 em 2008 para 117.978 em 2009. Grande parte desse aumento atribui-se a Ásia e a África, com ritmos de crescimento de 2,39% e 2,20%, respectivamente. A Europa e as Américas registraram uma contração, respectivamente, de 1,64% e 0,17% no mesmo período.
Uma diminuição foi registrada entre os religiosos professos. Em 2008, eram 739.068; em 2009, eram 729.371. A crise, portanto, permanece, exceto na África e Ásia, onde há um aumento nos números.
Estrutura
Em 2010, foram erigidas pelo Santo Padre 10 novas Sedes Episcopais, 1 Exarcado Apostólico e 1 Vicariato Apostólico. Também foram elevadas: 1 Diocese a Sede Metropolitana; 2 Prelaturas a Dioceses; 2 Prefeituras e 1 Administração Apostólica a Vicariatos Apostólicos.
Os dados estatísticos, referentes ao ano de 2009, fornecem uma análise sintética das principais dinâmicas referentes à Igreja Católica nas 2956 circunscrições eclesiásticas do planeta.
O Anuário
O Annuarium Statisticum Ecclesiae (Anuário Estatístico da Igreja) informa sobre os aspectos salientes que caracterizam a atividade da Igreja Católica nos diversos Países e nos Continentes em particular.
O Anuário Pontifício 2011 foi apresentado ao Papa Bento XVI na manhã deste sábado, 19, pelo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, e pelo Substituto da Secretaria de Estado para Assuntos Gerais, Dom Fernando Filoni.
A redação do novo Anuário esteve aos cuidados do encarregado do Escritório Central de Estatística da Igreja, monsenhor Vittorio Formenti, do professor Enrico Nenna e de outros colaboradores.
Já o complexo trabalho de imprensa foi, por sua vez, gerenciado pelos padres Pietro Migliasso, SDB, Antonio Maggiotto,SDB, e Giuseppe Canesso, SDB, respectivamente Diretor-Geral, Diretor-Comercial e Diretor-Técnico da Tipografia Vaticana. O volume estará disponível em brave para venda nas livrarias.
O Santo Padre agradeceu pela homenagem, mostrando vivo interesse pelos dados ilustrados e desejando expressar Sua gratidão a todos aqueles que colaboraram para a nova edição do Anuário.
O Programa de vida de comunidade dos religiosos à luz da Biblia
Durante o ministério da sua vida pública, Jesus “constituiu Doze – que os chamou apóstolos – para que estivessem com Ele e mandá-los a pregar” (Mc 3,14), “escolheu doze, aos quais deu também o nome de apóstolos” (Lc 6,13). Os “doze apóstolos” (Mt 10,1), não somente foram chamados ou vocacionados, mas foram também con-vocados, ou seja, chamados para viver juntos, formando uma comunidade ou uma nova família com Jesus. A identidade e a força do apostolado deles deveriam refletir da identidade e da força deles “estarem com Jesus”. Jesus queria que os apóstolos partilhassem a sua forma de vida e con-vivessem como irmãos de um peculiar e íntimo seguimento.
Para eles, seguir Jesus significava empenhar-se em uma forma de vida caracterizada por uma obediência a Deus, precisada pela mediação de Jesus, e de um Jesus mediador não somente como podia ser para qualquer israelita, mas também enquanto senhor e pai ou irmão maior da comunidade dos discípulos (cf. Mt 10,24; Jo 13,13.33; 20,17; 21,5). Tal obediência comportava a aceitação de uma espécie de regulamento de vida itinerante, estabelecido da figura carismática do próprio Jesus. Seguí-lo significava também renunciar à possibilidade de crear-se um próprio lugar de repouso doméstico ou um próprio programa econômico.
O seguimento significava também, a adesão a uma vida comum com as pessoas que precisavam empenhar-se a tratar como companheiros de grupo, irmãos e membros da mesma familia. Em Israel a festa da Páscoa era a maior festa da família. Os israelistas deveriam procurar “um cordeiro para a família, um cordeiro para a casa” (Ex 12,3). No tempo pascal, muitos israelitas que estimavam Jesus e seguiam o seu ensinamento de profeta de Deus, mas que perteciam ao especial círculo dos seus discípulos, celebravam justamente, a Páscoa com os membros das suas famílias naturais. A renúncia à metade dos seus bens e o seu estilo de seguimento de Jesus não impediam a Zaqueu de celebrar legitimamente a Páscoa na própria casa, juntamente com a esposa e os filhos. Os filhos de Zebedeu, inves disso, não iam ao pai deles, e nem mesmo celebravam a Páscoa em um lugar de repouso doméstico, porque, em virtude do especial seguimento e consagração, tinham renunciado à própria família para fazer parte de um novo tipo de família ou de uma nova família, que poderia ser qualificada como família religiosa.
Essa era, de fato, a família dos seguidores de Jesus, ou seja, uma família nascida de um movimento sagrado e sobrenatural, uma família de homens sem ninho ou de eunúcos para o Reino dos céus, uma família que extraíu sua identidade exclusivamente de uma especial vocação (con-vocação) recebida, uma família de pessoas comprometidas a viver com Jesus e como Jesus, uma família de companheiros e irmãos que aceitavam Jesus como guia, modelo e pai, e que ficavam unidos em torno dele no dia da suprema manifestação do espírito de família, ou seja no dia da celebração da Páscoa. Aqui podemos perceber a importância da missa celebrada e participada em comunidade.
Naquela família, tinha um âmbito de intimidade, caracterizado também de um especial formação à vida consagrada e ao apostolado: “Em particular, aos seus discípulos, explicava cada coisa” (Mc 4,34). A peculiar gravidade da traição de Judas foi devida ao fato que ele era um que comia com Jesus o pão partido pelo mesmo Jesus (cf. Jo 13,18), ou seja, era um membro da família criada por Jesus. Pedro se viu em perigo de morte, quando foi reconhecido como um daqueles que eram “com Jesus” (Mt 26,69), ou seja, como um que fazia vida comum com Jesus (cf. Mc 3,14).
O método mais adequado para descobrir o sentido do programa de vida de comunidade dos religiosos é aquele, de meditar sobre a família evangélica inaugurada por Jesus com o grupo dos doze apóstolos. Com o seu exemplo, em primeiro lugar, e depois com as suas palavras, Jesus ensinou à comunidade como viver na docilidade ao Pai, no amor fraterno, na humildade, no serviço, na generosidade, no perdão, etc.
Quando um religioso ou uma religiosa contempla um quadro ou um mural da última ceia de Jesus com os seus discípulos, por exemplo aquele pintado por Leonardo da Vinci, fará bem, recordar que se encontra diante daquela que, durante a vida públuca, foi a família de Jesus, e se encontrar nela.
Os conselhos evangélicos em relação com a missão específica do consagrado
“A prática dos conselhos evangélicos constitui um modo particularmente intimo e fecundo de participar também à missão de Cristo” (Vita Consecrata 18). Estes, especificando a consagração, cumprem o seu seguimento que comporta o amor por Ele e pelos irmãos, mas se estende também a todos aqueles que não pertencem à própria comunidade de fé e exige, segundo o exemplo de Cristo, a plena disponibilidade em anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Os três votos conferem à pessoa esta liberdade total por causa do Evangelho e contribuem eficazmente ao completar do compromisso missionário.
A pobreza evangélica: torna-se expressão do dom total de si que as três Pessoas Divinas reciprocamente fazem, e implica uma libertação interior e exterior que acrescenta também a autonomia e a mobilidade apostólica, o ir e vir da missão. Essa libera, em modo particular, a dimensão social e prepara a ser para o outro, em maneira gratuita, sem formas de manipulações ou condições, de possessos ou de submissão forçada.
Isto significa preocupação e compromisso generoso ao serviço do verdadeiro bem aos homens especialmente das suas necessidades de Deus e de evangelização. É um tornar-se amor que induz à verdadeira compreensão e à compaixão, que faz sentir como próprios os males dos outros e induz a solidarizar com a indigência de tantos seres humanos, particularmente com aquela dos mais pobres, dos marginalizados e dos expostos a qualquer gênero de escravidão.
É um dos modos de identificar-se com Cristo, que veio para liberar os oprimidos de todo mal, para fazê-los participantes da sua obra salvifica e “para anunciar aos pobres o alegre anuncio, para proclamar a liberdade aos prisioneiros” (Lc 4,18).
O espírito de pobreza aproxima aos pobres e aos indigentes e prepara o apostolo à libertá-los de toda escravidão, segundo a convicção comum que somente aquele que é livre interiormente de todo egoísmo e interesse individual, ou seja, aquele que é realmente pobre, levará a salvação e a liberdade ao seu próximo.
A virgindade consagrada: através do amor derramado nos nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5), que estimula a uma resposta de amor total a Deus a aos irmãos (cf. Vita Consecrata 21), constitui também uma especial fonte de espiritual fecundidade no mundo (Lumen Gentium 42). Esta permite de dedicar-se, a tempo pleno e coração aberto, à preparação da vinda do Reino de Deus: é a dimensão missionária e apostólica da virgindade que provém da doação generosa e total a Jesus.
Por isso, a castidade não é sinônima de esterilidade, mas ao contrario, de máxima fecundidade espiritual; esta comporta uma grande potencialidade das capacidades pessoais de ser para o outro, em um amor universal e livre, purificado da toda sede de manipulação do próximo ou dos seus bens.
“A maternidade espiritual reveste-se de múltiplas formas. Na vida das mulheres consagradas que vivem, por exemplo, segundo o carisma e as regras dos diversos Institutos de caráter apostólico, ela poderá exprimir-se como solicitude pelos homens, especialmente pelos mais necessitados: os doentes, os deficientes físicos, os abandonados, os órfãos, os idosos, as crianças, a juventude, os encarcerados, e, em geral, os marginalizados. Uma mulher consagrada reencontra desse modo o Esposo, diverso e único em todos e em cada um, de acordo com as suas próprias palavras: « tudo o que fizestes a um destes … a mim o fizestes » (Mt 25, 40).O amor esponsal comporta sempre uma singular disponibilidade para ser efundido sobre quantos se encontram no raio da sua ação. No matrimônio, esta disponibilidade, embora aberta a todos, consiste particularmente no amor que os pais dedicam aos filhos. Na virgindade, tal disponibilidade está aberta a todos os homens, abraçados pelo amor de Cristo esposo”. (Mulieris dignitatem 21).
O amor virginal que une o consagrado-apóstolo a Cristo torna-se a revelação da gratuidade do amor de Deus que “amou tanto o mundo que enviou Seu Filho como vitima de expiação pelos nossos pecados” (Jo 4,10) e se transforma na continuação da doação de Jesus de Nazaré o qual passou abençoando e libertando a todos (cf. At 10,38).
Em tal modo, o amor esponsal por Cristo dilata o coração do consagrado, o reveste dos seus sentimentos de bondade, de compaixão e de misericórdia e o dispõe para oferecer todas as fadigas e forças do corpo e do espírito na extensão do Reino sem exigir nada para si mesmo.
A Obediência evangélica: é considerada também, e sempre mais, na sua dimensão de participação na missão de Cristo: uma obediência concebida dinamicamente, em função da continuidade da sua obra de salvação. Como “por desobediência de um, todos pecaram, assim pela obediência de apenas um, todos são justificados” (Rm 5,19).
Quem se une ao Salvador através deste conselho, partilha com Ele o seu compromisso de redenção e adere ativamente e responsavelmente a função recebida da comunidade. De fato, “a obediência, vivificada pela caridade, unifica os membros de um instituto no mesmo testemunho e na mesma missão” (Vita Consecrata 92) e os faz atentos às inspirações do Espírito Santo e dóceis à sua ação, para executar diligentemente as exigências da vontade divina.
Em tal modo, o apostolo é habilitado para cumprir as mesmas obras que Cristo faria hoje, nas circunstancias sociais e culturais da Igreja atual.
Mensagem do Papa aos participantes do Congresso sobre Vocações
Queridos irmãos no Episcopado
Amados presbíteros,
religiosas, religiosos e fiéis leigos
Próximo de se completar os 17 anos do I Congresso Continental Latinoamericano sobre as Vocações, convocado pela Santa Sé, em estreita colaboração com o Conselho Episcopal Latinoamericano e a Confederação de Religiosos. Aquele evento significou uma importante ocasião para relançar, em todo o continente a Pastoral Vocacional.
O presente Congresso, que acontece em Cartago, na Costa Rica, é uma inciativa dos bispos responsáveis da Pastoral Vocacional da América Latina e Caribe, com a qual se pretende seguir o caminho já iniciado, no contexto desse grande impulso missionário promovido pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Aparecida (Documento Final, 548). A grande tarefa da evangelização requer um número crescente de pessoas que respondem com generosidade ao chamado de Deus e entreguem a vida pela causa do Evangelho. A atividade missionária mais incisiva traz frutos preciosos, juntamente ao fortalecimento da vida cristã em geral, o aumento das vocações de especial consagração. De alguma forma, a abundância de vocações é um sinal eloquente da vitalidade eclesial, bem como a forte vivência da fé por todos os membros do povo de Deus.
A Igreja, no mais íntimo do seu ser, tem uma dimensão vocacional, implícita em seu significado etimológico: “assembleia convocada” por Deus. A vida cristã participa também desta mesma dimensão vocacional que caracteriza a Igreja. Na alma de cada cristão ressoa sempre de novo aquele “segue-me” de Jesus aos apóstolos, que mudou para sempre suas vidas (cf. Mt 4, 19).
No segundo Congresso, que tem como tema “Mestre, em atenção a tua Palavra, lançarei as redes” (Lc 5, 5), os distintos agentes da Pastoral Vocacional da Igreja na América Latina e no Caribe tem se reunido com o objetivo de fortalecer a Pastoral, de modo que os batizados asssuma seu chamado de discípulos e missionários de Cristo, nas circunstâncias atuais destas amadas terras. A este respeito, o Concílio Vaticano II afirma que “toda a comunidade cristã tem o dever de fomentar as vocações e deve, procurá-lo, antes de tudo, com uma vida plenamente cristã” (Optatam totius, 2). A Pastoral Vocacional deve ser totalmente inserida no conjunto das pastorais em geral e com uma presença capilar em todos as pastorais concretos (cf. V Conferência Geral de Aparecida, documento final, 314). A experiência mostra que, onde houver um bom planejamento e uma prática constante da Pastoral Vocacional, as vocações não faltam. Deus é generoso e igualmente generoso deve ser o empenho da Pastoral em todas as Igrejas particulares.
Entre os muitos aspectos que poderiam ser consideradas para o cultivo das vocações, gostaria de salientar a importância de cuidar da vida espiritual. A vocação não é o resultado de qualquer projeto humano ou de uma hábil estratégia organizativa. Na sua realidade mais profunda, é um dom de Deus, uma iniciativa misteriosa e inefável do Senhor, que entra na vida de uma pessoa cativando-a com a beleza do seu amor e suscitando, consequentemente, uma entrega total e definitiva a esse amor divino (cf. Jo 15, 9.16). Tenha sempre presente a primazia da vida espiritual como a base de toda a programação pastoral. É necessário oferecer às jovens gerações a oportunidade de abrir seus corações para uma realidade maior: Cristo, o único que pode dar sentido e plenitude a sua vida. Precisamos superar nossa auto-suficiência e ir com humildade ao Senhor, implorando-lhe para continuar chamando a muitos. Mas, ao mesmo tempo, o fortalecimento de nossa vida espiritual deve nos levar à identificação cada vez maior com a vontade de Deus e oferecer um testemunho mais limpo e transparente de fé, esperança e caridade.
De fato, o testemunho pessoal e comunitário para uma vida de amizade e intimidade com Cristo, em devoção plena e feliz a Deus, ocupa um lugar de primeira ordem no trabalho de promoção das vocações. O testemunho fiel e alegre da própria vocação tem sido e é um excelente meio para despertar em tantos jovens o desejo de seguir os passos de Cristo. E junto a isso, a coragem de propor-lhe com delicadez e respeito a possibilidade de que Deus também os chame. Muitas vezes, a vocação divina abre espaço através de uma palavra humana ou através de um ambiente em que se experimenta uma fé viva. Hoje, como sempre, os jovens “são sensíveis ao chamado de Cristo que os convida a seguir ” (Discurso proferido na sessão de abertura da V Conferência Geral de Aparecida, 13 de maio, 2007). O mundo precisa de Deus e, por isso, sempre terá a ncessidade de pessoas que de vivam para Ele e que O anunciem aos outros (cf. Carta aos seminaristas, 18 de outubro de 2010).
A preocupação com as vocações ocupa um lugar especial no meu coração e minhas orações. Peço, então, queridos irmãos e irmãs, que se consagrem com todas as suas forças e talentos a esta apaixonate e urgente tarefa, que o Senhor saberá recompensar generosamente. Imploro sobre os organizadores e participantes do Congresso a intercessão da Virgem Maria, verdadeiro modelo de resposta generosa à iniciativa de Deus, ao mesmo tempo que concedo uma especial Bênção Apostólica.
Vaticano, 21 de janeiro de 2011
Presentazione del Signore al tempio…il rinnovo del impegno della Comunità Canto Nuovo di Roma
La liturgia della presentazione mette in evidenza i due grandi aspetti della vita di Gesù: la sua umanità e la sua divinità. Nel tempio fu presentato l’uomo Gesù con tutte le sue caratteristiche socioculturali e famigliari, nella sua fragilità di appena nato, nella povertà dei suoi genitori, interiorizzando in termini religiosi, il suo essere Galileo. Nel bambino Gesù, si è espresso l’umanità, in modo limitato. Egli non si è inorgoglito, nell’accettare l’incarnazione nella storia umana, la sottomissione e l`autorità
La narrazione di Luca è segnata dalla contraddizione. Da una parte, Luca accentua l’impegno dei genitori di Gesù che compiono le osservanze legali. Ben cinque volte dice che tutto era fatto conforme la legge. Tuttavia nella profezia di Simeone, il bambino sarà segno di contraddizione. Chi era condotto dal padre nell’osservanza della legge, crescendo in grazia e sapienza, sarà il profeta che denuncia l’oppressione della legge e della corruzione del Tempio, proclamando la liberazione e la beatitudine dei poveri. La maturazione nell’amore libera e crea nuove relazioni giuste e fraterne tra uomini e donne, in sana convivenza.
Fedeli alle tradizioni religiose del popolo, Maria e Giuseppe compirono il rito della presentazione del figlio primogenito. Questo gesto semplice si è rivestito di simbolismo. Chi era stato portato al tempio, più che il figlio di Giuseppe e Maria, era i figlio di Dio.
Tuttavia, al consacrarlo a Dio e farlo da lì in poi appartenere totalmente a lui, la liturgia evidenza la divinità di Gesù. Quel bambino indifeso apparteneva completamente a Dio, nel quale tutta la sua esistenza era radicata. Era il Figlio di Dio. Perciò nel tempio, stava nella sua stessa casa. Le sue parole e azioni sarebbero la manifestazione dell’amore in condivisione e trasparenza. Attraverso di lui sarà possibile arrivare a Dio. Una volta che poteva essere contemplata nella sua persona, la sua divinità si faceva palpabile nella storia umana. Cosi si spiega perché Simeone vide la salvezza di Dio. Sebbene questa festa del 2 febbraio cade fuori del tempo natale, fa parte integrante del racconto degli avvenimenti natalizi. E’ una continuità del natale, una epifania del quadragesimo giorno.
La festa della presentazione celebra un arrivo ed un incontro nella spiritualità dei tempi forti; l’arrivo del Salvatore atteso, nucleo della vita religiosa del popolo, e il benvenuto concesso ad Egli da due rappresentanti degni della razza eletta. Simeone ed Anna. Per la loro età avanzata queste persone simbolizzano i secoli dell’attesa e di fervente desiderio degli uomini e donne devoti dell’antica alleanza. In realtà, rappresentano la speranza e il desiderio della razza umana lavorando in maniera santificata.
La processione che abbiamo fatto, rappresenta il pellegrinaggio della propria vita. Il popolo peregrino di Dio cammina con fatica in questo mondo, in questo tempo, guidato dalla luce di Cristo e sostentato dalla speranza di trovare finalmente al Signore della gloria nel suo regno eterno. Il sacerdote dice durante la benedizione delle candele: “chiunque la porti, sia per innalzare la tua gloria e noi camminiamo nella bontà e nella luce che brilla per sempre”. Le candele che portiamo nelle nostre mani ricorda quella del battessimo, quando siamo stati consacrati al Signore. Durante la quale il sacerdote dice. “guardate la fiamma della fede viva nei vostri cuori. Con essi andiamo incontro il Signore quando Egli verrà con tutti i suoi santi nel regno celestiale”. Questo sarà l’incontro finale, la presentazione, quando la luce della fede diventerà luce della gloria.
Oggi si celebra pure il giorno del consacrato, e chi è il consacrato nel mondo d`oggi? Per mostrare l`elemento umano della consacrazione degli essere umani, si usa una duplice formula teologica: “consacrazione passiva e consacrazione attiva”. La consacrazione passiva è quella in cui la persona umana è soggetto passivo, mentre Dio è il soggetto agente: la persona umana é consacrata a Dio, cioè Dio consacra la persona umana. La consacrazione attiva è quella in cui il soggetto agente è la persona umana, che si consacra a Dio per cantare nel mondo un canto nuovo, il canto dei redenti. La consacrazione è un mistero: è il risultato dell`iniziativa divina e della collaborazione umana. La priorità, dal punto di vista biblico e teologico, corrisponde sempre a Dio. Lui consacra e accetta la consacrazione in una vita fraterna e comunitaria
La consacrazione passiva può essere espressa con altre formule somiglianti: la persona è scelta, eletta, separata, unta, afferrata da Dio. Più frequente è l`uso di altre formule similari per la consacrazione attiva: la persona umana si dedica, si vota, si dona, si consegna, si offre, fa oblazione di se stessa a Dio.
Comunità Canto Nuovo, il canto che il mondo ha bisogno da sempre non è il canto che esce dalla bocca, ma il canto che esce del cuore e che presenta una persona, un bambino, che nella realtà della vita umana diventa l`Uomo Perfetto, Gesu Cristo. Rinnovare un impegno in questo carisma Canto Nuovo, vuol dire, rinnonare il profondo desiderio di presentare come consacrati, il canto che le persone senza sapere, hanno bisogno di cantare, un canto nuovo.
Ser padre é ser pescador dos filhos de Deus
No Evangelho segundo Mateus, capitulo 4, versiculos 18 a 22 diz:
|
Caminhando ao longo do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: Vinde após mim e vos farei pescadores de homens. Na mesma hora abandonaram suas redes e o seguiram. Passando adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes. Chamou-os, e eles abandonaram a barca e seu pai e o seguiram. |
||
É preciso que o trigo morra para dar fruto!
Na vida sacerdotal, aquele que é chamado a ser pastor tem se com o tempo se acostumar com as mudanças de um lugar para o outro, para que seja Jesus o verdadeiro Pastor na vida deste pastor. Este video mostra um pouco de camo é a vida do pastor que precisa ir fazer a vontade daquele que é o Pastor. Mesmo que não seja facil a partida, mas cada uma nos ensina que enquanto estamos, não podemos perder tempo em amar como o verdadeiro Pastor ama. Somente assim se cria os verdadeiros laços de amizades profundas. Estes laços, por mais esticados que estejam pela distancia fisica, nunca se romperão, porque ninguem estará longe se morar denro do coração de alguem.
Deus abençoe a cada um que no ano de 2008 me ensinou a ser padre, me ensinou a ser o pastor que o Pastor quer que eu seja, inclusive na partida para terras mais distantes.
Louvado seja Deus pelo meu sacerdocio – 2 anos
Nestes dois anos que se passaram, tantas coisas já aconteceram na minha vida e no meu ministerio. Coisas boas, mas tambem coisas não muito boas. Mas a certeza que me envade e me permite caminhar mais e não parar é a presença de Deus que com voz suave e firme me diz “A quem enviarei”? (Is 6,7). Eu só posso responder com meu lema que hoje sinto um pouco do que isso significa, mas sei tambem que é só o começo, apenas 2 anos. Só posso responder “Eis-me aqui! Envia-me“.
Agradeço de maneira muito paternal à Monique, minha afilhada e filha espiritual que caprichosamente montou este video.
Com minha benção e orações a todos que verão este artigo.
O celibatário na vida da Igreja
O virgem e a virgem consagrada primeiramente é alguém que vê os caminhos para viver uma coerência na vocação, que tem luz, os conselhos evangélicos.
Conhecendo o dom recebido e o dom que é, sabe muito bem de todas as escolhas e renuncias a serem feitas.
Sabe que como uma pessoa comprometida no celibato, não espera por mais nada e por mais ninguém que não seja o seu Senhor.
Por isso, busca a humanização para ser cada vez mais divinizado pelo Senhor.
Sendo assim um pai-mãe e mãe-pai, pois é capaz de fecundar e dar credibilidade ao mundo que é possível ser de Deus.
Mesmo com todas as dificuldades na solidão, sabe que se tornou um amor personificado, pois se consagrou ao verdadeiro Amor.
Tudo isso fazendo da sua espiritualidade, não apenas um momento de conversa, mas de constante encontro com o Senhor que o faz livre para dizer a cada dia, permaneço na vontade de Deus, buscando viver um projeto de vida de constante retorno à origem na qual foi criado: imagem e semelhança do criador.
Ser padre!
Ser Padre é uma aventura gostosa
Viver entre espinhos e rosas
Sem nunca reclamar
Sua missão é viver contente
Aos males é resistente
Pronto a nos ajudar
Padre é aquele que perdoa
Que partilha os Sacramentos
Que anuncia a Boa-Nova
Que da massa é o fermento
Que denuncia as injustiças
Homem cheio de talento
Ser Padre é estar a serviço dos outros
Sem se preocupar com o tempo
Ser Padre é partilhar O pão que é Jesus
Alimenta com a palavra
Que o amor está presente
Não morreu naquela cruz
Padre não caiu do céu
Também não nasceu de um ovo
Surge com muitas orações
Nasce do meio do povo
Vem de nossas famílias
Em Jesus um homem novo
Porta voz de Jesus Cristo
Luta por todos os seus
Mesmo sem nunca ser visto
Homem de grande valor
Ser Padre: É ser alegre e otimista
É ser sal e luz
É ajudar o irmão
É sentir o peso da cruz
É ser irmão de Jesus!
Indulgências especiais durante Ano Sacerdotal
Um decreto da Penitenciaria Apostólica divulgou hoje as condições
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 12 de maio de 2009. Os sacerdotes e fiéis que realizarem determinados exercícios de piedade durante o Ano Sacerdotal receberão a indulgência plenária.
Assim informa um decreto divulgado hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, assinado pelo cardeal James Francis Stafford e pelo bispo Gianfranco Girotti, O.F.M., penitenciário maior e regente da Penitenciaria Apostólica, respectivamente.
A Igreja celebrará o Ano Sacerdotal do dia 19 de junho de 2009 até o mesmo dia do ano seguinte, por ocasião do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Cura de Ars.
O Ano Sacerdotal começará no dia da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com a celebração, presidida pelo Papa, das Vésperas diante das relíquias de São João Maria Vianney, levadas a Roma pelo bispo de Belley-Ars.
Bento XVI concluirá o “sagrado período” um ano depois, na Praça de São Pedro, com sacerdotes do mundo inteiro, que “renovarão a fidelidade a Cristo e o vínculo de fraternidade”, segundo o texto.
O decreto explica detalhadamente as modalidades para a obtenção das indulgências.
Em primeiro lugar, poderão obter a indulgência plenária os sacerdotes que, “arrependidos de coração”, rezem qualquer dia as Laudes ou Vésperas diante do Santíssimo Sacramento exposto para a adoração pública ou no sacrário e, seguindo o exemplo de São João Maria Vianney, ofereçam-se para celebrar os sacramentos, sobretudo a Confissão, “com espírito generoso e disposto”.
O texto indica que os sacerdotes poderão beneficiar-se da indulgência plenária aplicável a outros sacerdotes defuntos como sufrágio, se, em conformidade com as disposições vigentes, se confessarem, comungarem e rezarem pelas intenções do Papa.
Também receberão indulgência parcial, sempre aplicável aos irmãos no sacerdócio defuntos, “cada vez que rezarem orações devidamente aprovadas para levar uma vida santa e cumprir os ofícios que lhes foram confiados”.
Por outro lado, todos os cristãos poderão beneficiar-se de indulgência plenária sempre que, “arrependidos de coração”, assistirem à Santa Missa e oferecerem pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo e qualquer boa obra.
Tudo isso complementado com o sacramento da confissão e a oração pelas intenções do Papa “nos dias em que se abra e se conclua o Ano Sacerdotal, no dia do 150º aniversário da morte de São João Maria Vianney, nas primeiras quintas-feiras de cada mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares para a utilidade dos fiéis”.
Os idosos, doentes e todos aqueles que, por motivos legítimos, não possam sair de casa, também poderão obter a indulgência plenária se, com ânimo afastado do pecado e o propósito de cumprir as três condições necessárias assim que lhes for possível, “nos dias indicados rezarem pela santificação dos sacerdotes e oferecerem a Deus, por meio de Maria, Rainha dos Apóstolos, suas doenças e sofrimentos”.
O decreto indica que se concederá a indulgência parcial a todos os fiéis cada vez que rezarem 5 Pai Nossos, Ave Marias e Glórias, e outra oração devidamente aprovada “em honra do Sagrado Coração de Jesus, para que os sacerdotes se conservem em pureza e santidade de vida”.
O texto indica que o Santo Cura de Ars “aqui na terra foi um maravilhoso modelo de verdadeiro pastor do rebanho de Cristo”.
Também destaca que as indulgências podem ajudar os sacerdotes, junto com a oração e as boas obras, a obter “a graça de resplandecer com a fé, a esperança, a caridade e as demais virtudes” e “mostrar com sua conduta de vida, também com seu aspecto exterior, que estão plenamente dedicados ao bem espiritual das pessoas”.
Ser padre é ser ponte
É um título que me entusiasma, porque não há tarefa mais formosa do que dedicar-se a estender pontes entre os homens e as coisas. Sobretudo num tempo em que são abundantes os construtores de barreiras. Num mundo de tantas valas, que coisa melhor do que dedicar-se a superá-las?
Mas fazer ponte – e sobretudo fazer de ponte – é uma tarefa muito dura. Não se faz sem muito sacrifico. Uma ponte é alguém fiel às duas margens, mas que não pertence a nenhuma delas. Quando se pede a um padre que seja ponte entre Deus e os homens, quase se está a obrigar a ser um pouco menos homem, a renunciar provisoriamente a sua condição humana para intentar esse duro ofício de mediador e de transportador de margem a margem.
Se a ponte não pertence por inteiro a nenhuma das margens, tem de estar firmemente assente em ambas elas. Não é margem, mas apoia-se nelas, é súbita de ambas, depende de uma e de outra. Ser ponte é renunciar a toda a liberdade pessoal. Só se serve quando se renunciou.
É lógico que sai muito caro servir de ponte. É um ofício pelo qual se paga muito mais do que se recebe. Uma ponte é fundamentalmente alguém que suporta o peso de todos os que passam por ela. A resistência, a solidez, são as suas virtudes. Numa ponte conta menos a beleza e a simpatia – embora seja muito bela uma ponte formosa -; conta sobretudo a capacidade de serviço, a utilidade.
Uma ponte vive no desagradecimento: ninguém fica a viver numa ponte. Usa-se para passar, e Pára-se na outra margem. Quem quiser carinhos escolha outra profissão. O mediador acaba a sua tarefa quando mediou. A sua tarefa posterior é o esquecimento. Uma ponte é até a primeira coisa a ser bombardeada numa guerra. Por isso está o mundo cheio de pontes destruídas
Realmente ser padre é tocar no ceu e não estar lá ainda. É viver a eternidade, mas ainda só com a esperança que ela chegará. É buscar viver a pureza, lutando contra a concupsciencia. É ser mediador daquele que é o centro. É cuidar com a consciencia que precisa ser cuidado. É viver a solidão do pastor sem nunca estar só. É amar a todos, mesmo que ninguem o ame.
É aceitar a todas as pessoas, mesmo que ninguem o aceitem.
Vocação Canção Nova
Quer ser meus braços, minhas pernas, minha cabeça…? Em toda a historia da Igreja, Deus sempre suscitou carismas específicos para cada tempo, não para suprir as necessidades de cada tempo, mas para responder e corresponder às necessidades e perguntas de cada tempo. Certo dia, colocando em ordem um antigo teatro de um colégio salesiano no interior do estado de São Paulo – Brasil, Monsenhor Jonas Abib encontra este crucifixo, que estava deixado ali muito tempo. Sente uma voz profunda dizendo aos seus ouvidos: “Você não quer ser meus braços, minhas pernas, minha cabeça, meu coração…”?
Hoje a Comunidade Canção Nova inspirada por esta pergunta do próprio Deus ao nosso fundador Monsenhor Jonas, tenta ser as pernas, os braços, a cabeça, o coração de Deus num mundo que exige sempre mais uma presença autentica e ativa da Igreja. Trabalhamos e trabalhamos muito, mas somos consagrados ao Senhor e aqui está algo muito serio e bonito: somos consagrados e como conseqüência desta consagração, temos uma missão: evangelizar pelos meios de comunicação, os “mass media”.
Podemos nos perguntar, como consagrados trabalham com meios de comunicação 24 horas por dia e ainda conseguem viver sua consagração sem cair na tentação de serem apenas profissionais de comunicação?
Posso responder que nossa missão é esta, mas temos a consagração que nos sustenta, ou seja, não estamos sozinhos. Temos irmãos e irmãs, sacerdotes, famílias, que vivem a mesma consagração, que vivem a mesma missão de ser sustento para os outros na missão, sendo os braços, as pernas, o coração… de Jesus primeiramente para os que estão mais próximos, ou seja os irmãos de comunidade.
Hoje, corresponder a esta pergunta-pedido de Jesus ao nosso fundador e a cada um dos que são chamados a ser Canção Nova, não é fácil, pois com a urgência dos tempos, precisamos trabalhar e trabalhar muito, pois a messe está cada vez maior e por isso os operários também precisam crescer não somente em quantidade, mas principalmente em qualidade. Temos que nos aprimorarmos cada vez mais no que fazemos nos meios de comunicação e em todos os lugares que o próprio Deus nos envia, mas a nossa prioridade antes de tudo como consagrados, é nos tornarmos especialistas em humanidade. Humanidade esta, que grita em silencio, pedindo socorro, pedindo aquilo que sustenta a alma: Deus.
Como levarmos Deus a tantos? Como sermos os braços, as pernas, a cabeça, o coração de Jesus? Quando se vive sozinho é muito mais difícil. Quando se trabalha sozinho não é fácil. Mas quando nos abrimos para responder não a um pedido, mas a uma vocação de Deus a cada um de nós, podemos ter a certeza de que não estamos sozinhos, pois a família de Deus é grande, mas pode ser ainda maior quando cada um de nós respondermos coerentemente este chamado, esta vocação: ser os braços, as pernas, a boca, o coração de Jesus no mundo de hoje.
Você quer ser a voz, o abraço, o acolhimento… de Jesus no mundo? Responda com a sua vida e se uma a família de Deus e quem sabe à família Canção Nova.



