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27º Domingo do tempo comum
out 4th, 2009 by Padre Anderson

“O homem não separe o que Deus uniu”. O Evangelho de hoje convida-nos a considerar a grandeza do matrimônio para os discípulos e discípulas de Jesus. Os fariseus, para provar Jesus, lhe fazem uma difícil pergunta sobre o divórcio, pois no tempo de Jesus havia duas interpretações da norma dada por Moisés. Para uma escola, a certidão de divórcio se limitava aos casos de adultério, enquanto, para outra escola, qualquer motivo era praticamente suficiente para o marido despedir a sua mulher. A certidão era para, ao menos, proteger a mulher despedida permitindo-a casar com outro. Jesus transfere a questão do plano jurídico e casuísta para o plano religioso. Qual é a vontade do Pai em relação ao matrimônio? Jesus remete à belíssima narrativa do livro do Gênesis. A harmonia do ser humano com toda a criação culmina com a criação do homem e a mulher, iguais em dignidade e se complementando para fazerem de duas uma só vida. O que Deus uniu o homem não separe.

Jesus supera a legislação de Moisés (Dt 24,1-4) e nos traz a alegre notícia que, no seu seguimento, é possível realizar o originário projeto de Deus que é Amor. Assim, o sacramento do matrimônio se torna um sinal do amor de Cristo pela Igreja que somos nós. Amor total e indivisível. Ideal tão elevado de uma vida a dois precisa ser preparado com consciência, liberdade e responsabilidade. Muitos desconhecem que amar é dar atenção ao outro e que o matrimônio se constrói cada dia com o cuidado mútuo. Sem esse que é o amor verdadeiro, o outro chamado amor é efêmero e logo se evapora ao se defrontar com os diversos limites humanos. Todos conhecemos a difícil situação atual do casamento. É urgente que os/as jovens possam encará-lo com madura responsabilidade. Como ajudá-los a superar tanta ilusão, superficialidade e egoísmo? É um grande desafio para a Igreja e para toda a sociedade.

Neste clima, não é de se estranhar o grande número de matrimônios declarados nulos pela Igreja na atualidade. Eles em realidade nunca existiram, com ou sem culpa dos cônjuges. São crescentes também as situações de casais em segunda união. Nunca devemos julgar as pessoas que, por um motivo ou outro, culpável ou não, fracassaram na sua primeira união. Só Deus misericordioso conhece o mistério das pessoas. A Igreja acolhe e anima essas pessoas a confiarem no amor do Senhor e a participarem ativamente da vida eclesial com uma consciência humilde e confiante.

É interessante concluir o Evangelho de hoje com um giro surpreendente para as crianças que são acolhidas com carinho por Jesus. É que o Reino de Deus pertence aos que, como crianças, são pobres, mas confiantes totalmente nas mãos do nosso Pai.

CASAMENTO - SACRAMENTO INDISSOLÚVEL ?
abr 20th, 2009 by Padre Anderson

Por que a Igreja católica proclama o matrimônio como sacramento indissolúvel ? Qual é o ensinamento da Bíblia ?

a) A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito da indissolubilidade do matrimônio, como consta de Mt 19,3-9. Nesta disputa com os fariseus, acostumados a repudiar facilmente as sua mulheres, Jesus lhes responde : “Não leste que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: - Por isso deixa o homem pai e mãe e une-se com sua mulher e os dois formam uma só carne ?… Não separe, pois, o homem o que Deus uniu”. - Acrescentaram eles: - “Então, por que Moisés mandou dar-lhes libero de repúdio e despedi-la ? Respondeu-lhes Jesus : - “Por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos Moisés repudiar as vossas mulheres, mas no princípio não era assim”. - E agora, com a autoridade do divino Legislador, Jesus restabelece a ordem primitiva, declarando : “Ora, Eu vos digo : - Todo o que despedir a própria mulher, salvo de concubinato, ( e não adultério, como traduzia-se erradamente), e casar-se com outra, comete adultério; e quem casar-se com uma repudiada, comete adultério”.

Em I Cor 7,10-11 S. Paulo reafirma a indissolubilidade do matrimônio, escrevendo : “Aos casados mando ( não eu, mas o Senhor ) Que a mulher não se separe do marido. E se ela estiver separada, que fique sem casar, ou se reconcilie com seu marido. Igualmente o marido não repudie sua mulher”. Portanto, segundo as expressas declarações da Bíblia, não há mais lugar para o divórcio e novo casamento, entre os cristãos casados.

b ) Sacramento. Na carta aos Efésios ( Ef 5,25-33 ), S. Paulo recomenda aos maridos amarem suas esposas, “como Cristo amou sua Igreja e se entregou a si mesmo por ela, a fim de a santificar… para que seja santa e irrepreensível”, - e acrescenta : - “Esse mistério ( = sacramento ) é grande, quero dizer, com referência a Cristo e a Igreja “.

Por esse mistério ( sacramento ) o contrato natural do matrimônio, e a convivência cotidiana do casal cristão, representando e encarnando o amor fecundado de Cristo à sua Igreja, é elevado a uma nova dignidade e realidade transcendental, ou ao plano sacramental.

É verdade que nos primeiros séculos, nos tempos da perseguição, o sacramento do matrimônio não tinha ainda fórmulas prescritas, e era contraído no ambiente familiar ; mas a Igreja Católica nunca o entregou às autoridades civis do Estado, ( como fazem muitos “crentes”), e depois prescreveu em pormenores as exigências para sua válida celebração na Igreja.

c ) Mesmo que a Igreja Católica nunca aprove o divórcio, em alguns casos o Tribunal Eclesiástico do Matrimônio pode declarar a nulidade dum “matrimônio”, quando depois de séria investigação fica provado que, na celebração de tal “casamento” na igreja, faltaram condições essenciais para sua validade, exigidas pela lei da Igreja, ( idade, liberdade, etc. ). Isso não é concessão do divórcio, mas apenas uma declaração de que - apesar da cerimônia religiosa, - o tal “matrimônio” não era validamente contraído, isto é, nunca se realizou.

d ) Para todos os casados vale a exortação bíblica da carta aos Hebreus : ” Seja por todos honrado o matrimônio, e o leito conjugal sem mácula ; porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros” ( Hb 13,4 ).

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