Padre Joãozinho, scj on maio 14th, 2012

Será aberto no dia 15 de junho DE 2012, DIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS, o processo de beatificação de DOM JOSÉ ANTONIO DO COUTO, SCJ, quarto bispo de Taubaté. UMA ALEGRIA PARA NÓS DEHONIANOS E PARA A IGREJA DE TAUBATÉ….veja a seguir um pouco de sua história.
Em 5 de junho de 1974, Dom José Antônio do Couto foi nomeado pelo Papa Paulo VI Bispo Coadjutor da Diocese de Taubaté, com a função de ajudar o B…ispo Diocesano em todo o governo da diocese e com direito à sucessão.
Dom José Antônio do Couto nasceu em Formiga, MG, no dia 1° de novembro de 1927, filho de Joaquim Antônio do Couto e de Rita da Conceição.

A 28 de janeiro de 1944, ingressou no Seminário Menor de Lavras, MG, pertencente à Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, onde ficou até 1946. Completou seus estudos no Seminário Sagrado Coração de Jesus de Corupá e de Brusque, ambos em Santa Catarina. Em 1953 foi enviado a Roma para cursar teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana. A 1º de julho de 1956 foi ordenado sacerdote, celebrando sua primeira missa em 2 de julho de 1956, na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. Licenciou-se em teologia (1957) e teologia moral (1959) pela Academia Afonsiana de Roma, concluindo o doutorado em teologia moral, pela Universidade Urbaniana de Roma (1960).

Voltando para o Brasil no mesmo ano, fixou residência em Taubaté. Como sacerdote exerceu os seguintes cargos: professor de teologia moral e de Direito Canônico, no Instituto Teológico dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos); reitor do Convento (1965-1968); Conselheiro na Província (1966-1974); membro da Comissão de Revisão das constituições da mesma Congregação; delegado da Província Brasileira Meridional, no XVI Capítulo Geral (1973); Vigário Paroquial da recém-criada Paróquia Sagrado Coração de Jesus, diretor do curso de teologia para leigos e do curso de diaconato permanente.

Em 5 de junho de 1974, foi nomeado pelo Papa Paulo VI, Bispo Titular de Carini e Coadjutor de Dom Francisco Borja do Amaral.
Dom Couto foi Sagrado Bispo em 18 de agosto de 1974 na Catedral de Taubaté. Em 4 de maio de 1976, aos 78 anos de idade, Dom Francisco Borja apresentou à Santa Sé seu pedido de renúncia, que foi aceito logo em seguida. Em 5 de maio de 1976, Dom José Antônio do Couto, como Bispo Coadjutor, assumiu a Diocese de Taubaté como o quinto Bispo Diocesano.

Como Bispo teve grande preocupação com a realidade pastoral da Diocese e nesse sentido, deu prosseguimento à estruturação e organização pastoral da Igreja de Taubaté apresentando as Diretrizes e Normas Diocesanas de Pastoral e as Diretrizes e Normas para Pastoral Catequética (1978). Durante seu pastoreio realizou as Assembléias Diocesanas da Pastoral da Juventude e elaborou o I e II Plano Anual de Pastoral da Juventude (1977-1978 e 1978-1979) e as Semanas das Famílias (1976 A 1978).
Mesmo após ter sofrido um derrame cerebral, Dom Couto batalhou ativamente para a ereção da Diocese de São José dos Campos através da nomeação da Comissão Preparatória da nova Diocese (1979) cujos trabalhos redundaram na criação da nova Diocese em 30 de janeiro de 1981, pelo Papa João Paulo II através da Carta Apostólica “Qui in Beati Petri”.

Em 28 de dezembro de 1979, foi acometido de um AVC hemorrágico do qual teve graves seqüelas, que o levaram a encaminhar à Santa Sé seu pedido de renúncia à função de Bispo Diocesano. Em 7 de agosto de 1981, Dom Carmine Rocco, Núncio Apostólico, comunicou oficialmente a Dom Couto que seu pedido de renúncia havia sido aceito pelo Papa João Paulo II. Para sucedê-lo foi nomeado Dom Antônio Afonso de Miranda, até aquele momento Bispo de Campanha.

A partir de 3 de novembro de 1981, Dom Couto passou a residir no Conventinho dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, na Vila São Geraldo. Depois de 18 anos de enfermidade faleceu no dia 30 de julho de 1997 e foi sepultado no cemitério do Convento do Sagrado Coração de Jesus. Seu episcopado foi marcado por grande solicitude pastoral, pela santidade no desempenho das funções episcopais, pela humildade e simplicidade.

Fonte: Diocese de Taubaté

Padre Joãozinho, scj on abril 30th, 2012

VIVARTE: A ARTE DA VIDA

Fui ordenado sacerdote no dia 19 de dezembro de 1992. Portanto, neste ano completo 20 anos de padre. No início de 1993 já estava na Paróquia São Judas, onde fui enviado para atuar como vigário paroquial. Logo percebi que existiam ali iniciativas de grande importância histórica. Assumi a assessoria da Pastoral da Juventude que havia sido palco do início das atividades do conhecido Pe. Zezinho, scj. Semanalmente celebrava a missa das 11h30 que encerrava uma manhã em que os jovens se reuniam em uma das torres da igreja que chamavam de “céu”.  Assumi também o cuidado pastoral de comunidades de base (CEBs) e Renovação Carismática Católica. Tive a oportunidade de começar a Pastoral do Dízimo e cuidar da Liturgia. Tudo isso foi uma escola para mim, padre novo. Mas uma das atividades mais inusitadas daquela espaço pastoral era o Grupo Vivarte. Quando cheguei já existiam e estavam sob a coordenação do carismático Pe. João Luiz. Durante um curto espaço de tempo tive a oportunidade de ajudar nas atividades deste grupo quando seu assessor foi passar seis meses no Chile. Pude perceber que o trabalho era realmente sério. Em torno do teatro um grupo de jovens desenvolvia talentos que iriam levar para toda a vida… vida com arte… vivarte.
O grupo desenvolvia novos talentos e também mantinha um relacionamento com atores consagrados. Lembro de ter acolhido os ensaios de Dona Doida, com Fernanda Montenegro. Lembro também das belíssimas encenações da Paixão, onde atuei como coordenador musical. Bons tempos aqueles. Em um dos teatros que mesclaram atores consagrados com jovens talentos paroquiais a amiga Etty Fraser contracenava com uma criança aprendiz de ator. Fui encarregado de ensinar o garoto a cantar. Hoje ele simplesmente é conhecido como Caio Blat.
No meio de tantas histórias lembro de uma muito interessantes. Nos ensaios escondidos da Fernanda Montenegro apareciam jovens atores aprendizes. Um deles veio com todas as pedras nas mãos dizendo que estava ali somente por causa da Fernanda. Não gostava da Igreja e muito menos de padres. Fui sereno e ouvi. Afinal… vida com arte e arte de viver. Nossas conversas foram interessantes. Algum tempo mais tarde ele, do hospital em estado terminal, pediu para chamar um tal de Pe. João da Paróquia São Judas. Eu já estava em outra missão. Mas Pe. João luiz continuava lá e foi chamado. Ele estranhou um pouco… mas abriu seu coração… e pediu para ser batizado. Morreu sereno. Só por este fato a história do Vivarte já teria valido a pena!
Pe. Joãozinho, scj
Padre Joãozinho, scj on abril 29th, 2012

Padre Joãozinho, scj on abril 27th, 2012

Padre Joãozinho, scj on abril 13th, 2012
Referente ao julgamento do Supremo Tribunal Federal sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54

BRASILIA, sexta-feira, 13 de março de 2012 (ZENIT.org) – Publicamos a seguir o comunicado que a Assessoria de Imprensa da CNBB enviou para ZENIT e também fez público hoje na sua página oficial, no qual “lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia”.

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB lamenta profundamente a decisão do Supremo Tribunal Federal que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia ao julgar favorável a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54. Com esta decisão, a Suprema Corte parece não ter levado em conta a prerrogativa do Congresso Nacional cuja responsabilidade última é legislar.

Os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, Constituição Federal), referem-se tanto à mulher quanto aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada, todos os outros direitos são menosprezados, e rompem-se as relações mais profundas.

Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais, é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções. Os fetos anencefálicos, como todos os seres inocentes e frágeis, não podem ser descartados e nem ter seus direitos fundamentais vilipendiados!

A gestação de uma criança com anencefalia é um drama para a família, especialmente para a mãe. Considerar que o aborto é a melhor opção para a mulher, além de negar o direito inviolável do nascituro, ignora as consequências psicológicas negativas para a mãe.   Estado e a sociedade devem oferecer à gestante amparo e proteção

Ao defender o direito à vida dos anencefálicos, a Igreja se fundamenta numa visão antropológica do ser humano, baseando-se em argumentos teológicos éticos, científicos e jurídicos. Exclui-se, portanto, qualquer argumentação que afirme tratar-se de ingerência da religião no Estado laico. A participação efetiva na defesa e na promoção da dignidade e liberdade humanas deve ser legitimamente assegurada também à Igreja.

A Páscoa de Jesus que comemora a vitória da vida sobre a morte, nos inspira a reafirmar com convicção que a vida humana é sagrada e sua dignidade inviolável.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, nos ajude em nossa missão de fazer ecoar a Palavra de Deus: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida

Presidente da CNBB

Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília

Secretário Geral da CNBB

Padre Joãozinho, scj on abril 5th, 2012
Registro aqui uma entrevista que acabo de dar:
Como a sua religião enxerga o fim do mundo?
O cristianismo herdou a visão judaica de tempo. Ao contrário do ciclo repetitivo da cronologia grega (tudo o que foi será de novo do jeito que já foi um dia…) entendemos que a história é linear, ou seja, teve um começo (criação) e terá um fim (juízo final). Segundo a visão da Igreja Católica Apostólica Romana, na hora da morte acontece o juízo particular. Como estamos no tempo de Deus (eternidade), não existe espera e este juízo coincide com o juízo final que é precedido pela Parusia, ou seja, a volta triunfal de Jesus para determinar o fim da história e presidir o juízo final. Rezamos isso em cada missa após o pai-nosso: “enquanto esperamos a vinda de nosso Senhor, Jesus Cristo”.
Você acredita que a profecia maia tem alguma veracidade?
Pessoalmente vejo que é uma leitura superficial e equivocada de uma cultura bonita e distante de nós. É mais uma fórmula sensacionalista que ocupará folhetins até 31 de dezembro e depois cairá no esquecimento. Lembro quando, em 1997 alguém se deu conta de que o número 666 multiplicado por três dá 1998. Pronto! Estava decifrado o grande mistério, seria o fim do mundo. O fato é que estamos aqui ainda e ele não acabou.
Dentro de sua religião existe alguma previsão para o fim do mundo? Quando seria?
Jesus deixou uma orientação muito clara: “somente o Pai conhece o dia e a hora.” Alertou mesmo a não seguir os falsos profetas que marcam a hora do fim. Segundo ele devemos esperar este dia na vigilância e oração.
Espero que tenha ajudado
Um abraço e Feliz Páscoa
Pe. Joãozinho, scj
Padre Joãozinho, scj on abril 2nd, 2012

Nesta Semana Santa, tomo emprestada e divulgo a ótima pesquisa histórica de meu conterrâneo Paulo Vendelino Kons, de Brusque-SC.

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Na celebração da Semana Santa do ano da Graça do Senhor de 2012, um questionamento ainda desperta debates acalorados: Jesus de Nazaré realmente existiu? Para a religião cristã, Jesus é filho de Deus, plenamente Deus e plenamente homem, é o Messias. Cristo é o nome título dado pelos cristãos gregos a Jesus de Nazaré. A palavra “Cristo”, em grego Χριστός (Christós), ou seja, “Ungido” é uma tradução literal de Messias (mashiach). Esse é o Jesus Teológico. Contudo, para a historiografia, esses adjetivos não são os pontos que podem responder essa questão. O Jesus em questão é o que nasceu, viveu e morreu na Palestina, concretamente, num determinado período histórico.
Além de toda a literatura produzida por seguidores, como os 27 livros do Novo Testamento, documentação produzida por historiadores e governantes contemporâneos atestam a historicidade da existência e missão de Jesus Cristo.
Reconstruído pelos historiadores através do método histórico, o Jesus histórico é Jesus de Nazaré. Historiador e professor de História, Juberto Santos explica que “o método usa a alta crítica para analisar os textos evangélicos, principal fonte para a biografia de Jesus, juntamente com textos fontes não canônicos para reconstruir o contexto histórico do primeiro século”. Assim, o Jesus que a historiografia busca estudar é a pessoa de Jesus, homem nascido em Nazaré, filho de um carpinteiro, que viveu no século I, atraindo um pequeno grupo de galileus e, após um período de ministério, foi crucificado pelos romanos na Palestina durante o governo de Pôncio Pilatos.
No tempo presente, revistas, filmes e livros tentam desmistificar o homem Jesus e há aqueles que também buscam comprovar a sua não existência. Para termos certeza se uma pessoa é um personagem histórico é necessário saber se ele realmente existiu, se há informações seguras sobre essa pessoa e se eventualmente podemos lhe atribuir certos escritos ou palavras.
Fontes sobre Jesus e os primeiros cristãos
Um dos maiores obstáculos para estudarmos a vida de Jesus são as poucas fontes que a historiografia dispõe. A Bíblia, com certeza, é uma preciosa fonte de pesquisa, já que nela encontramos textos que retratam a vida e a caminhada de Jesus, além de registros posteriores a sua morte (Atos dos Apóstolos, Apocalipse e as Epístolas). Mas além da Bíblia, existem outras fontes?
De acordo com a historiadora Eliane Moura Silva, da Unicamp, “os fatos da vida de Cristo são relatados de passagem em alguns textos antigos, como a Vida dos Judeus, de Flávio Josefo, que viveu entre os anos 37 d.C. e 103 d.C., porém de forma pontual e não muito extensiva”. Há estudos que revelam serem verdadeiras muitas das referências históricas contidas nos Evangelhos do Novo Testamento, que tratam da vida de Cristo, mas que também foram escritos posteriormente. Trata-se de período conhecido da história do Império Romano, embora a Judéia (onde Jesus viveu) não fosse a principal preocupação nem a província romana mais importante na época.
“O testemunho transmitido por tradição oral nos primeiros séculos têm um peso decisivo, que não pode ser descartado”, pondera o professor doutor Luiz Carlos Susin, da PUC-RS. Mas o professor doutor James Veitch, in Birth of Jesus: History or Myth, afirma que Jesus foi basicamente um bom judeu que fez o melhor de si para apresentar Deus a seus contemporâneos, e teria sido Saulo de Tarso – que ficou conhecido posteriormente como Paulo – o responsável pela disseminação do cristianismo e pela divinização de Jesus. O historiador André Chevitarese, da UFRJ, explica: “Foi o grupo que catequizou Paulo que colocou a ressurreição como elemento central da cristandade de Jesus. E Paulo, um judeu helenizado, que falava grego e vivia em cidades, soube dialogar com outras culturas não judaicas, disseminando o cristianismo”.
Além da Sagrada Bíblia, como fontes podemos citar:
1. Flávio Josefo (37-100 d.C.)
O historiador Josefo que viveu ainda no primeiro século, nascido em Jerusalém (nasceu no ano 37 ou 38), conheceu a primitiva comunidade cristã e, como pertencente à nobreza sacerdotal judaica, ocupou-se criticamente dos seguidores de Jesus.  Também participou da guerra contra os romanos no ano 70. Escreveu em seu livro Antiguidades Judaicas:
- “(O sumo sacerdote) Hanan reúne o Sinedrim em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo (Tiago era o nome dele) com alguns outros” (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas, XX, p.1, apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, Rio de Janeiro 1939, p. 254).
- “Foi naquele tempo (por ocasião da sublevação contra Pilatos que queria servir-se do tesouro do Templo para aduzir a Jerusalém a água de um manancial longínquo),que apareceu Jesus, homem sábio, se é que, falando dele, podemos usar este termo – homem. Pois ele fez coisas maravilhosas, e, para os que aceitam a verdade com prazer, foi um mestre. Atraiu a si muitos judeus, e também muitos gregos. Foi ele o Messias esperado; e quando Pilatos, por denúncia dos notáveis de nossa nação, o condenou a ser crucificado, os que antes o haviam amado durante a vida persistiram nesse amor, pois Ele lhes apareceu vivo de novo no terceiro dia, tal como haviam predito os divinos profetas, que tinham predito também outras coisas maravilhosas a respeito dele; e a espécie de gente que tira dele o nome de cristãos subsiste ainda em nossos dias“. (Flávio Josefo, História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, III, 3 , ed. cit. p. 254). (1, pg. 311 e 3).
2. Tácito (56-120 d.C.)
Tácito, historiador romano, também fala de Jesus.
Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Reprimida incontinenti, essa detestável superstição repontava de novo, não mais somente na Judeia, onde nascera o mal, mas anda em Roma, para onde tudo quanto há de horroroso e de vergonhoso no mundo aflui e acha numerosa clientela” (Tácito, Anais , XV, 44 trad.) (1 pg. 311; 3)
3. Suetônio (69-122 d.C.)
Suetônio, na Vida dos Doze Césares, publicada nos anos 119-122, diz que o imperador Cláudio: “expulsou os judeus de Roma, tornados sob o impulso de Chrestos, uma causa de desordem”; e, na vida de Nero, que sucedeu a Cláudio, acrescenta: “Os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício” (Suetônio, Vida dos doze Césares, n. 25, apud Suma Católica contra os sem Deus, p. 256-257). (1 pg. 311; 3)
4. Plínio, o Moço (61-114 d.C.)
Plínio, o moço, em carta ao imperador Trajano (Epist. lib. X, 96), nos anos 111 – 113, pede instrução a respeito dos cristãos, que se reuniam de manhã para cantar louvores a Cristo. (4, pg. 106). Em sua carta explica: “É meu costume, meu senhor, referir a ti tudo aquilo acerca do qual tenho dúvidas… Nunca presenciei a julgamento contra os cristãos… Eles admitem que toda sua culpa ou erro consiste nisso: que usam se reunir num dia marcado antes da alvorada, para cantar hino a Cristo como DeusParecia-me um caso sobre o qual devo te consultar, sobretudo pelo número dos acusados… De fato, muitos de toda idade, condição e sexo, são chamados em juízo e o serão. O contágio desta superstição invadiu não somente as cidades, mas também o interior; parece-me que ainda se possa fazer alguma coisa para parar e corrigir… ” (Ep. X, 96).
5. Tertuliano (155-220 d.C.)
Escritor latino. Seus escritos constituem importantes documentos para a compreensão dos primeiros séculos do cristianismo. Ele escreveu: “Portanto, naqueles dias em que o nome cristão começou a se tornar conhecido no mundo, Tibério, tendo ele mesmo recebido informações sobre a verdade da divindade de Cristo, trouxe a questão perante o Senado, tendo já se decidido a favor de Cristo…”.
6. Os Talmudes Judeus
A tradição judaica recolhe também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré.
A terra e a gente de Jesus
Jesus viveu e atuou na Palestina, pequena faixa de terra com área de 20 mil quilômetros quadrados, dividida de alto à baixo por uma cadeia de montanhas. A cidade de Jerusalém contava com aproximadamente 50 mil habitantes. Por ocasião das grandes festas religiosas, chegava a receber 180 mil peregrinos. A economia centrava-se na agricultura, pecuária, pesca e artesanato. O poder efetivo sobre a região estava nas mãos dos romanos, que respeitavam a autonomia interna das regiões dominadas. O centro do poder político interno localizava-se no Templo de Jerusalém. Assessorado por 71 membros do Sinédrio (tribunal criminal, político e religioso), o sumo sacerdote exercia grande influência sobre os judeus, mesmo os que viviam fora da Palestina. Para o Templo e as sinagogas convergia a vida dos judeus. E foi nesta realidade que Jesus apareceu na História dessa região.
A cidade de Nazaré
Um vilarejo de trabalhadores rurais numa encosta de serra com, no máximo, 400 habitantes. Segundo os arqueólogos, essa era a cidade de Nazaré no tempo de Jesus. De tão pequena, a vila praticamente não é citada nos documentos da época. “As escavações arqueológicas na cidade não encontraram nenhuma construção importante que datasse do tempo de Jesus”, diz o historiador John Dominic Crossan. “Em compensação, foram encontradas pequenas prensas de azeitonas para a fabricação de azeite, prensas de uvas para vinho, cisternas de água, porões para armazenar grãos e outros indícios de uma vida agrária de subsistência.”
A residência em que Jesus cresceu devia ter chão de terra batida, teto de estrados de madeira cobertos com palha e muros de pedras empilhadas com barro, lama ou até uma mistura de esterco e palha para fazer o isolamento.
A Cruz e a História
“Como esse é um campo cheio de fé e paixões, a busca do Jesus histórico sempre foi um desafio”, diz André Chevitarese, um dos maiores especialistas sobre o tema no país. “Enquanto um religioso conservador ressalta a dimensão espiritual da figura de Jesus, um teólogo da libertação vai buscar nele sua atuação como um revolucionário político.” Jesus foi um revolucionário, podemos até dizer. Ele lutava contra as injustiças e viu as misérias e os sofrimentos da população da época. Também conviveu com os fortes preconceitos em relação às mulheres, samaritanos e pelos leprosos. Deparou-se com a forte repressão romana sobre os judeus e com os embates de grupos revoltosos. Questionou a corrupção e tentou rever alguns costumes judaicos. Foi nesse contexto histórico que Jesus viveu, sendo ele um fator de mudança. Ele falava com as pessoas, tinha atitudes nobres e era um exímio questionador. Não pregou o uso da violência, mas fazia com que os sacerdotes e as demais autoridades da região fossem questionados por suas atitudes e por seu mau exemplo.
A história de vida de Jesus termina com sua morte. A partir daí veremos entrar a ideia do Jesus teológico, no que diz respeito a sua ressurreição, os seus milagres e ascensão. Mas, a ressurreição é uma questão de fé e não de História. Assim, a História não tem o comprometimento de atuar nesse sentido, todavia, ela comprova a existência do Jesus de Nazaré, morto na cruz por seus ideais de mudança, os quais incomodaram por demais as autoridades judaicas. Foi crucificado, assim como qualquer outro criminoso, entretanto seu crime foi denunciar injustiças e anunciar suas idéias. E Yeshua, o judeu pobre que morreu durante a Páscoa em Jerusalém, foi cada vez mais reconhecido e divulgado por seus seguidores e até hoje sua história de vida é exemplo para muitos, mesmo para aqueles que não o seguem. Mas para nós, seguidores seus, “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14)
Fontes:
- A Bíblia de Jerusalém. (1998). São Paulo: Ed. Paulinas
- Flávio Josefo: uma testemunha no tempo dos apóstolos; (tradução I. F. Leal Ferreira). – São Paulo: Paulus,1986.
- CHEVITARESE, André L., ARGÔLO, Paula F. & RIBEIRO, Raphaela S. (orgs.) Sociedade e Religião na Antigüidade Oriental. Rio de Janeiro: Fábrica de Livros / SENAI, 112-29.
- CHEVITARESE, André L., CORNELLI, Gabriele & SELVATICI, Monica. (orgs.) Jesus de Nazaré: Uma Outra História. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2006.
- CROSSAN, Jonh D. O Jesus Histórico: a vida de um camponês judeu no Mediterrâneo. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1994.
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*Paulo Vendelino Kons, 42, historiador e assessor cultural do Instituto Aldo Krieger–IAK