Pe. Joãozinho, scj

Teólogo e Comunicador

padrejoaozinhoscj@gmail.com

O Natal é uma festa que ultrapassou os limites da cristandade. O conhecido “espírito natalino” toma conta do mundo inteiro nos últimos dias de cada ano. Chineses e africanos, canadenses e russos, europeus e asiáticos, gente de todas as línguas, povos e nações param para comprar um presente, contemplar uma árvore iluminada e cantar “noite feliz”. Muitos destes sequer saberiam dizer quem é o dono da festa. Para alguns seria um simpático velhinho de barbas brancas que viria mitologicamente do céu com seu trenó e suas renas para trazer a solução mágica para todos os problemas: o Papai Noel. Mal imaginam que este personagem foi criado nos Estados Unidos na metade do século 19 como uma versão comercial de um generoso bispo do século 4º que viveu na atual Turquia e que costumava dar presentes para os pobres: São Nicolau.

Qual seria, então o verdadeiro sentido do natal? Qualquer cristão praticante responderia a esta pergunta sem pensar duas vezes: celebramos o nascimento do nosso salvador, Jesus Cristo. Segundo os evangelhos ele nasceu há dois mil anos no seio de uma família, Maria e José, na cidade de Belém, em um lugar muito simples, uma estrebaria; foi saudado pelos anjos e recebeu presentes de sábios vindos do oriente, que chegaram até o lugar do seu nascimento guiados por uma estrela. Esta cena é retratada todos os anos na cenografia do “presépio”, que teria sido criado pela primeira vez por São Francisco de Assis no século 13 como um recurso de catequese popular. Mas sabemos que já nos primórdios do cristianismo a cena impactava o imaginário dos cristãos e chegou a ser pintada nas catacumbas de Roma. Mas e o boi e o jumento que aparecem no presépio? Eles não estão nos evangelhos de Mateus e Lucas que narram a cena! Certamente a sua origem está no Antigo Testamento em textos como o do profeta Isaías (1,3) que afirma que até o boi e o burro são capazes de perceber o seu proprietário, mas o povo de Deus nem sempre reconhece o Messias.  Seguindo na mesma linha o profeta Habacuc situa a manifestação do Messias entre os animais. Alguém poderia dizer: mas nos presépios originais não havia o pinheiro iluminado. De onde teria vido esta tradição? Ele surge apenas no século 11 nos teatros populares europeus que procuravam contar o nascimento de Jesus. Era uma alusão à árvore do paraíso, carregada de frutos. A forma como conhecemos hoje, inclusive com neve, surgiu no século 16 na região da Alsácia, entre a Alemanha e a França. Os frutos foram substituídos por outros ornamentos e a árvore foi completamente iluminada. É claro que o comércio se encarregou de sofisticar este símbolo popular. Em 1912, em Boston, nos Estados Unidos, uma grande árvore de natal foi ornamentada e iluminada em praça pública. Rapidamente o costume se espalhou por todo o planeta.

Podemos observar que o Natal é um evento de grande impacto fora das igrejas, nas famílias e nas praças. Mas dentro das celebrações cristãs oficiais, como teria surgido o Natal? No início do cristianismo o ano litúrgico era marcado apenas por uma grande festa: a Páscoa. Seguindo a tradição judaica os cristãos calculavam a sua data a partir do calendário lunar. Enquanto os judeus comemoravam a libertação do Egito com a Ceia Pascal, os cristãos celebravam a ressurreição de Jesus, com a vigília Pascal. Ao terminar esta vigília a aurora era celebrada como a chegada do “sol nascente a luz do alto que veio nos visitar” (Lc 1, 78). Aos poucos a páscoa cristã começou a ser preparada por quarenta dias de penitência, a Quaresma, e depois dela vinham cinquenta dias de espera pela vinda do Espírito Santo, o Pentecostes. Esta arquitetura do Mistério Pascal celebrado no tempo cronológico, porém, tinha uma falha. O início do ano era marcado pela Páscoa, mas o final do ano era habitado por uma série de festas pagãs. Em Roma, por exemplo, o dia mais longo do inverno, em dezembro, era celebrado em honra ao “deus sol”. A partir do século 4º o cristianismo começa a dar um sentido cristão a estas festas do sol, entendendo que Jesus Cristo é o verdadeiro “sol nascente”. A primeira notícia que temos da celebração do natal cristão no dia 25 de dezembro vem do ano 354, em Roma. Nos anos seguintes esta data começou a ser celebrada de modo fixo no dia 25 de dezembro pelos cristãos ocidentais e no oriente no dia 06 de janeiro. Este costume rapidamente foi assimilado também pelo ocidente e o Natal recebeu, assim como o ciclo pascal, um tempo de preparação, chamado advento e um tempo de repercussão, chamado “epifania”, que significa manifestação. Devemos grande parte desta arquitetura do Natal ao Papa São Leão Magno (440-461) que nos deixou belíssimas homilias natalinas. Este é o grande teólogo do Natal.

O Natal, portanto, é uma festa da prece e da praça, da Igreja e da sociedade, dos que creem e dos que preferem não crer, mas não resistem a cantar o “noite feliz”, render-se ao espírito natalino e dar um presente para alguém. É uma festa contagiante que nos coloca em torno de uma criança, que é a nossa salvação. Isto nos enche de esperança e nos faz parar para pensar. Se a páscoa é a festa da lua, o natal é a festa do sol. As duas nos resgatam do ritmo cronométrico do relógio e nos colocam no ritmo humano da natureza. Viver o natal é sair da sofisticação complicada e assumir a cultura da vida simples e sóbria. O messias no presépio entre anjos e animais é um grito contra a complicação da vida moderna que sequestrou nossa felicidade. É tão simples, tão silencioso, tão fácil… parar um dia e eternizar o natal. Todo dia podemos renascer como faz o sol. O Sol Nascente, a Luz do Alto nos visitou para dizer que a noite pode ser feliz se acreditarmos que depois dela, um novo amanhecer virá. O natal, enfim, é a festa da esperança. Nosso forte e infinito Deus assume fragilidade e a simplicidade de uma criança. Será necessário cuidar deste menino que será o nosso Salvador. Este Menino-Deus mora no coração de cada um precisa de cuidados. Até os animais já perceberam: Deus está no meio de nós. Feliz Natal.

Em 2013 comecei a publicar diariamente no Twitter um sermão com 140 caracteres sobre o Evangelho do dia. Algum tempo depois, como a popularização do WhatsApp comecei a divulgar o mesmo minisermao em uma versão ampliada para 1 Minuto em áudio. Resultado: viralizou! Hoje estima-se que cerca de dois milhões de pessoas recebam diariamente a mensagem. Se você quiser receber existem diversos caminhos.

Pode curtir minha página no Facebook onde posto diariamente em formato de vídeo:

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Os dias estão intensos no cenário político brasileiros. No umbigo do furacão está a gravação de um telefonema em que a Presidente Dilma deu ao presidente Lula às vésperas de sua posse. Veja o texto repetido à exaustão pelos meios de comunicação:

– Dilma: Alô
– Lula: Alô
– Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
– Lula: Fala, querida. Ahn
– Dilma: Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
– Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
– Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
– Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
– Dilma: Tá?!
– Lula: Tá bom.
– Dilma: Tchau.
– Lula: Tchau, querida.

Segundo alguns juristas foi uma clara tentativa da presidente de obstruir uma eventual ação da justiça na pessoa do Juiz Sérgio Moro, no sentido de pedir a prisão preventiva do Lula.

No discurso de posse do ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil, Dilma falou com o papel na mão que a interpretação de nomear o Lula como ministro para garantir o foro privilegiado e fugir da jurisdição do Sérgio Moro, é sem fundamento pois ela guarda como “prova” a folha da nomeação assinada pelo Lula, porém sem a sua assinatura.

NÃO ENTENDI

Se era apenas para documentar a posse no caso de Lula não poder comparecer a Brasília por problemas familiares, por que ela disse ao Lula para ficar com o papel e só usar em caso de necessidade? Não seria o caso de colher a assinatura e levar para Brasília para que ela, assinando, caracterizasse a posse no momento adequado, mesmo na ausência do Lula?

Mas o que ela diz em alto e bom om no telefonema é: “só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!” A conversa teria sido editada de modo criminoso e perverso e depois divulgada? Somente a perícia criminal poderá afirmar isso.

Mas caso o objetivo tenha sido mesmo evitar a prisão preventiva do Lula, Dilma acabou produzindo uma prova contra si mesma que pode ser usada no caso de impeachment (alguém pode inventar uma palavra mais fácil para o afastamento da presidente?)

 

Acabo de responder à uma entrevista sobre o atual momento em que passamos no Brasil. Sairá no ZENIT. Socializo a íntegra aqui no BLOG:

1- Qual deveria ser, na sua opinião, a atitude dos sacerdotes do Brasil perante a conjuntura política atual do Brasil? Só um bispo se pronunciou ontem pelo facebook, Dom Henrique Soares. 
Em primeiro lugar é preciso estar atento aos fatos e procurando fontes seguras de informação. O perigo neste momento é deixar-se levar pela paixão. Mas objetivamente a situação é grave. A crise política criou o cenário ideal para o desenvolvimento da crise econômica que acabou se agravando em crise financeira. Mas no fundo de tudo está uma crise moral. O Brasil é forçado a olhar no espelho e ver a sua história de corrupção que toma nossas instituições de alto a baixo. Mas isso não resiste à aplicação formal da lei. Neste momento em que o Executivo e o Legislativo estão completamente perdidos e desmoralizados, o judiciário exerce seu papel gerando um pouco de esperança. Precisamos apoiar  decididamente o judiciário.
2- Como a Igreja Católica no Brasil pode ajudar nesse processo de conscientização política da população? 
 Uma manifestação clara da CNBB pode ajudar. Mas penso que a postura dos bispos e padres de modo capilarizado é mais eficaz. É missão do cristão atuar como luz do mundo e sal da terra. Hoje existe um vácuo de poder. Sabemos que o que está aí não nos agrada. Mas existe um projeto de país? Qual é? Que lideranças estamos preparando para assumir nossas prefeituras, câmaras… etc. É preciso promover a formação de lideres íntegros que possam assumir o país nos próximos anos. Quem vai à Igreja “só” para rezar não rezará. A mística sem a militância é estéril e cínica.
3- Um sacerdote, um clérigo, não é, sem dúvida um agente público de nenhum governo, mas, ainda assim, ele tem alguma função política em uma nação, ou só rezar? 
Tenho RG, CPF e Título de Eleitor. Pago Imposto de Renda. Sou um cidadão livre. Se eu falar demais pode deixar que meu superior religioso e meu bispo irá me advertir. É preciso deixar claro quando você fala em nome próprio e quando fala em nome da Igreja. Para exprimir posições políticas uso minha mídia própria: Twitter, Face, etc. Você não me ouvirá manifestar posições político partidárias em uma homilia ou em um canal de TV.
4- Como cidadãos, na sua opinião, os clérigos deveriam apoiar o povo nessa hora? Como? 
O padre é casado com o povo. Não pode deixar o povo só. Tem que ouvir e ajudar a discernir.
5- O que significa a paz? Só uma ausência de guerra? 
Paz é equilíbrio vital. É recuperar a graça original. O pecado corrompeu a humanidade. É preciso restaurar, reparar, recuperar a dignidade. A construção da paz passa pela não-violência ativa. Precisamos superar o “olho por olho” e promover a cultura do diálogo: do “olho no olho”!
6- Que mensagem você daria, como sacerdote, aos brasileiros, nesse momento político único e inédito que estamos vivendo?
Após as tragédias políticas de ontem só consigo pensar na regra de discernimento da primeira semana dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio: “O inimigo age como um sedutor, ao querer ficar oculto e não ser descoberto. pois o homem corrupto, quando solicita por palavras para um fim mau a filha de um pai honrado ou a mulher de um bom marido, quer que suas palavras e insinuações fiquem em segredo. Ao contrário muito se descontenta quando a filha revela ao pai ou a mulher ao marido suas palavras sedutoras e intenção depravada, pois facilmente conclui que não poderá levar a termo o empreendimento começado. Da mesma mesma forma, quando o inimigo da natureza humana apresenta suas astúcias e insinuações à alma justa, quer e deseja que sejam recebidas e guardadas em segredo. Mas quando a pessoa tentada as descobre a seu bom confessor ou a outra pessoa espiritual, que conheça seus enganos e malícias, isso lhe causa grande pesar, porque conclui que não poderá realizar o mal que começara, uma vez que foram descobertos seus enganos evidentes.” (Santo Inácio de Loyola 1491-1556)

“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5,24). Eis o desejo de Deus, pela boca do Profeta Amós. E isso é possível? Sim, é possível! Deus nos criou, criou a Mãe Terra capaz de alimentar todos os seus filhos, e com saúde. Parece-me que nós, pessoas, estamos vivendo contra a lógica da vida: não cuidamos do mundo, nossa casa comum, não cultivamos o jardim de Deus.

Neste ano de 2016, celebramos uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o tema “Casa Comum: nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. O objetivo geral desta Campanha da Fraternidade é “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenhar-nos, à luz da fé, por políticas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum” (TB, 26).

O saneamento básico é um direito humano fundamental, e requer a união de esforços de todos; inclui os serviços públicos de abastecimento de água, o manejo adequado dos esgotos sanitários, das águas pluviais, dos resíduos sólidos, o controle de reservatórios e dos agentes transmissores de doença (TB, 32).

Alguns dados para você se sensibilizar, buscar mais informações e criar novos hábitos:

– O maior problema do saneamento básico, hoje, é a fome;

– Uma criança morre a cada 2,5 minutos por não ter acesso à água potável, por falta de redes de esgotos e por falta de higiene;

– 18% da população brasileira ainda não têm acesso à água tratada. Mais de 100 milhões de brasileiros não possuem coleta de esgotos;

– No mundo, um bilhão de pessoas fazem suas necessidades a céu aberto;

– Na América Latina, as pessoas têm mais acesso aos celulares do que aos banheiros.

O saneamento básico não é um detalhe na vida. É necessidade imperativa para que nós, filhos de Deus, possamos ter a vida saudável que Deus quer para todos. Por isso, nosso Papa Francisco insiste tanto no direito aos três “T”: terra, trabalho e teto.

A Campanha da Fraternidade 2016 propõe um olhar mais amoroso para o planeta e para a natureza, criando assim uma consciência fraterna e lembrando que nossos recursos são limitados e precisamos cuidar bem deles para que possamos viver bem. Cuidemos do ambiente e das pessoas!

 

Dom João Inácio Müller – Bispo da diocese de Lorena(SP) e articulista da Revista Canção Nova.

 

DE VOLTA AO PRIMEIRO AMOR

diego_fernandes_volte_ao_primeiro_amorDiego Fernandes sabe exatamente o que quer dizer ao cantar… e diz! Consegue a difícil química de unir o conteúdo denso com linhas melódicas não convencionais que grudam no ouvido e letras que ecoam nos lábios da juventude de maneira quase “viciante”. O resultado é a capacidade de um encantador da massa sem perder a capacidade de falar para cada um e provocar um avanço reflexivo para águas mais profundas. É dançante e reflexivo. É movimentado e extasiante. É metálico e romântico. É gritado e sussurrado. É uma pedra rolando em câmera lenta. É pesado e leve. É rock e toque. É sujo como ao vivo e sofisticado como de estúdio. É repleto de gírias e tem português bem corrigido na norma culta. É carismático e libertador. É pé-no-chão com o coração no céu. Convenhamos que esta alquimia não é fácil nem frequente. “Volta ao primeiro amor” não é um pouco mais do mesmo, apesar de Diego Fernandes se dar ao luxo de navegar no limite do senso comum. O que o salva de ter feito apenas mais um produto ao gosto do mercado é o carisma que o move unido ao estudo intenso que precede cada uma de suas composições. Por isso, apesar do som redondo e agradável, da mixagem esperada, nos instrumentos bem colocados e das vozes extremamente estudadas, o CD do Diego é, na verdade, um instrumento de catequese. Prova disso é que se distingue cada palavra. A voz do cantor em primeiro plano é para poucos. A ordem das músicas conduz da rua para a intimidade do coração; do encontro com os irmãos para o sacrário interior onde o “Deus é mais íntimo a nós que nós mesmos” (Santo Agostinho). Mas após este repouso musical Diego reaparece tirando todos da catarse e levando de volta para a luta, ou seja, para a missão. Porque se faltar o pão a fé me anima a lutar para que a salvação comece já na mesa dos famintos. Bem… nem tudo é perfeito. No próximo CD teremos um pouco mais de Doutrina Social da Igreja. Diego é um jovem inquieto e carismático e minha missão é também pro-vocar. #ProntoFalei.

Pe. Joãozinho, scj

Teólogo e comunicador

Dai-nos, Senhor, os dons do vosso Espírito
para aconselhar na hora da decisão,
educar com inteligência e exortar
com a mansidão de quem teme a Deus;
dai-nos a ciência da ternura para consolar os aflitos
e a sabedoria para perdoar quem nos ofendeu;
fortalecei-nos para suportar com paciência
as pessoas que nos são mais difíceis
e infundi em nós a piedade
para rezarmos por todos os nossos irmãos e irmãs,
que vivem nesta terra
e os que já estão na vida eterna. Amém!

(Prece composta por Pe. Joãozinho, scj e que une as obras de misericórdia espirituais com os sete dons do Espírito Santo)