No dia 05 de maio o Papa Francisco não precisou nem mesmo utilizar os 140 caracteres, com espaço, permitidos pelo Twitter, para definir o significado essencial do ser missionário para todo discípulo de Jesus:

Cada cristão é missionário na medida em que testemunha o amor de Deus. Sede missionários da ternura de Deus!

Houve um tempo em que o missionário era uma pessoa que vinha de longe para ensinar verdades fundamentais da fé. Não se podia imaginar que todo cristão fosse um missionário. Esta consciência veio aos poucos e se tornou definitiva quando os bispos da América Latina, reunidos na Conferência de Aparecida, em 2007, colocaram “missionário” como adjetivo de “discípulo”. No início ainda se falava de “discípulo e missionário”. Em seguida passou-se a falar de “discípulo-missionário”, como um substantivo composto. Mas logo a expressão “discípulo missionário” se popularizou e tornou-se vocabulário comum na Igreja. Se alguém não é missionário não pode se consideram nem mesmo discípulo de Jesus. É uma propriedade fundamental do “ser cristão”.

Francisco, na época Dom Bergóglio, arcebispo de Buenos Aires, era da comissão de redação da Conferência de Aparecida. Ele utilizou muito esta expressão “discípulo missionário” e garantiu que fosse uma marca distintiva do texto final. Agora, como papa, ele não se cansa de motivar os cristãos a que sejam de fato missionários. Mas o que é isso? Certamente é mais do que sair de uma terra e ir para outra mais distante. É importante. Mas o núcleo fundamental da missionariedade cristã é dar testemunho. Isto aparece claramente nesta mensagem do papa no twitter: o cristão é missionário “na medida em que testemunha o amor de Deus”. Mais do que testemunhar a fé ou as convicções religiosas, mais do que ensinar verdades, o missionário evangeliza pelo testemunho do amor misericordioso de Deus.

Verificamos isso na vida de Maria que disse: Eis aqui a serva do Senhor… e não foi para a igreja rezar. Partiu às pressas para ajudar sua prima que precisava. Ser serva do Senhor significa servir o irmão. Este testemunho surtiu um efeito maravilhoso. Quando ela saudou Isabel o menino estremeceu de alegria no ventre de sua prima, ela ficou cheia do Espírito Santo e começou a rezar. Maria foi um canal da ternura de Deus por meio do seu serviço disponível e discreto.

Vivemos em um mundo onde se propaga a missão do barulho, da fama, do espetáculo. Espetacularizamos a fé. Há quem pense que missionários são apenas os que estão na TV ou no palco. Isto pode ser um ótimo fator motivacional e um canal eficiente para divulgar bons testemunhos. Mas todo cristão que se põe a serviço de alguém está vivendo a dimensão missionária de sua fé. O pai e a mãe que dão testemunho de ternura, honestidade, oração, simplicidade para seus filhos, estão sendo missionários sem precisar sair de casa.

Existem ainda os missionários da raiva. São pessoas que falam de Deus e até defendem a igreja. Mas no tom de suas palavras notamos algo de raivoso e beligerante. Parece que sempre estão com a razão e que existem pessoas muito erradas, verdadeiros hereges, a ser combatidos. Radicalizando este tipo de missionários da raiva temos religiões que ainda matam em nome de Deus, em pleno século 21. Neste exato momento existem cristãos sendo perseguidos e mortos em algum lugar do mundo. Diante deste quadro o papa nos provoca: “Sejam missionários da ternura de Deus”.

Acabei de receber este texto e repasso, pois é uma reflexão obrigatória para o Brasil:

“Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!  A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!! O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!!    É isso ai! Falei!”

Vivemos num mundo em que o que vale é ser grande, vencedor, dominador e chegar em primeiro lugar. Mas não parece que seja essa a lógica de Jesus no Evangelho. Ele louva o Pai por esconder as coisas essenciais aos doutores e revelar aos simples, aos pequenos. Afirma que os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. É radical quando diz que se alguém quer ganhar vai perder e se alguém aceita perder vai ganhar. Quer mais? Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado.

Então o cristão deve ser uma pessoa conformada com o fracasso, com a derrota e a humilhação? Nada disso. A lógica paradoxal do mestre de Nazaré é o primeiro passo para o sucesso. Quer ser bem sucedido? Abra as mãos, os olhos, os ouvidos e o coração. Quer ser grande? Aceite ser pequeno como um grão de mostarda. A Bíblia é cheia destes exemplos. Davi era pequeno e venceu o gigante Golias.

Esta lógica aparentemente contraditória é a chave para compreender o amor. Em seu célebre poema Camões organiza em prosa e verso esta verdade maior: “O amor é um fogo que arde e não vê; é ferida que dói e não se sente; é um contentamento descontente; é cuidar que se ganha em se perder”.

Mas será que esta atitude vital pode dar certo no mundo dos negócios? Ou seria apenas uma fórmula piedosa para o rito, a celebração, a prece, a dimensão espiritual?! Vejamos dois exemplos que nos ajudam a compreender. Na África se utiliza uma estratégia curiosa para caçar macacos. Coloca-se uma cumbuca com um pequeno furo presa a uma árvore. Dentro, algumas deliciosas frutinhas atraem o símio. Ele coloca a mão aberta na cumbuca e pega as frutas. Mas a mão fechada não sai e ele acaba preso. Você deve estar pensando: “Que macaco burro… bastaria abrir a mão e estaria livre”. Realmente… e por que teimamos em achar que o sucesso se alcança com as mãos fechadas? É cuidar que se ganha em se perder.

Outro exemplo vem da China. Costumam dizer por lá que na porta da memória existe um soldado chamado ‘desejo’. De fato, quando queremos compulsivamente lembrar algo a porta da memória se fecha. Todos sabem que é preciso dizer para si mesmo: não quero mais lembrar. É só desapegar-se do desejo que a porta se abre a gente se recorda. Novamente é preciso perder para ganhar, dar marcha-à-ré para avançar, ser pequeno para triunfar.

É possível que tenha sido neste sentido ‘radical’ que Jesus tenha dito que é preciso fazer-se como uma criança para entrar no céu. Santa Teresinha do Menino Jesus entendeu perfeitamente esta mensagem e a chamou de “pequena via”, ou via do amor. A simplicidade vale mais. No burocratizado mundo pós-moderno a felicidade para por esta palavra de ordem: “simplifica”!

Pe. João Carlos Almeida é autor do livro “Primeiro passo para o Sucesso”, Editora Canção Nova.

Disponível pela Internet: http://loja.cancaonova.com/products/17782-livro-primeiro-passo-para-o-sucesso

Ou pelo telefone: (12) 3186-2600

 

Sabemos que a família é o “santuário da vida”, como gostava de dizer o nosso saudoso São João Paulo II. Significa que cada lar é um verdadeiro templo. Os pais são os sacerdotes da casa. Assumiram no dia do casamento o compromisso de “educar os filhos na fé cristã”. Por isso é em casa que se deve receber as primeiras lições de catequese.

É bonito ver famílias em que a fé é vivida em torno da mesa por meio da oração. Já se disse que a família que reza unida, permanece unida. Os pais recebem a autoridade para abençoar seus filhos. Antigamente era comum que os filhos pedissem a bênção a seus pais. Hoje precisamos recuperar estas coisas simples mas muito importantes. A família é uma Igreja.

Mas o contrário também é verdade. A Igreja é uma família. Ao menos deveria ser. Não é uma empresa. Não e uma sociedade civil. Não é um clube. É uma família de irmãos. Se os pais na família são sacerdotes do lar, o padre na paróquia é pai do povo. É casado com a comunidade. Ao entrar em uma Igreja devemos ter a mesma sensação de um filho que entra na casa dos pais. Não podemos como estranhos na comunidade. A Igreja é nossa casa. Aliás, somos parte deste corpo que é a Igreja, o “corpo místico de Cristo”.

O papa Francisco gosta de falar da “Igreja em saída”, ou seja, de portas abertas. É um lugar de acolhida para quem chega. Mas é também um pondo de partida onde encontramos forças para sair em missão. Quando vivemos estas duas dimensões: família-Igreja e Igreja-família, somos verdadeiramente católicos, ou seja, gente que tem o Cristo todo para anunciar a todos. Somos “evangélicos” pois vivemos e testemunhamos o Evangelho. Somos “crentes” porque vivemos a nossa fé na vida. Somos da “assembleia de Deus”, reunida na Eucaristia. Somos “protestantes” quando denunciamos toda forma de injustiça. Somos a Igreja do pão e da graça. Somos uma comunidade verdadeiramente mundial e universal. E além disso temos Maria por mãe. Não somos órfãos. Por isso, “sou feliz por ser católico”!

Pe. Joãozinho, scj

Este texto é uma síntese do que o Papa Francisco nos recorda na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium nº 76-109. Pode seu um roteiro para um bom exame de consciência.

1.       Sim ao desafio de uma espiritualidade missionária

1.1.   É possível notar em muitos agentes evangelizadores – não obstante rezem – uma acentuação do individualismo, uma crise de identidade e um declínio do fervor. São três males que se alimentam entre si.

1.2.   A cultura mediática e alguns ambientes in­telectuais transmitem, às vezes, uma acentuada desconfiança quanto à mensagem da Igreja e certo desencanto.

1.3.   Desenvolve-se um relativismo ainda mais perigoso que o doutrinal. Este relativismo prático é agir como se Deus não existisse, decidir como se os pobres não existis­sem, sonhar como se os outros não existissem, trabalhar como se aqueles que não receberam o anúncio não existissem.

2.      Não à apatia egoísta

2.1.   Alguns temem que alguém os convide a realizar alguma tarefa apostólica e procuram fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre.

2.2.   O problema não está sempre no excesso de atividades, mas, sobretudo, nas atividades mal vividas, sem as motivações adequadas, sem uma espiritualidade que impregne a ação e a torne desejável. Daí que as obrigações cansem mais do que é razoável, e às vezes façam adoecer.

2.3.   Desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu. Desiludidos com a realidade, com a Igreja ou consigo mesmos, vivem cons­tantemente tentados a apegar-se a uma tristeza melosa, sem esperança, que se apodera do cora­ção como «o mais precioso elixir do demônio». Chamados para iluminar e comunicar vida, aca­bam por se deixar cativar por coisas que só ge­ram escuridão e cansaço interior e corroem o di­namismo apostólico.

3.      Não ao pessimismo estéril

3.1.   Os males do nosso mundo – e os da Igreja – não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor. Vejamo-los como desafios para crescer.

3.2.   Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e de­sencantados com cara de vinagre.

3.3.   Em alguns lugares, se produ­ziu uma «desertificação» espiritual, fruto do pro­jeto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs.

4.      Sim às relações novas geradas por Jesus Cristo

4.1.   Sentimos o desafio de descobrir e transmitir a «mística» de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar–nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiên­cia de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada. Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos.

4.2.   Muitos tentam es­capar dos outros fechando-se na sua privacidade confortável ou no círculo reduzido dos mais ínti­mos, e renunciam ao realismo da dimensão social do Evangelho. Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à re­volução da ternura.

4.3.   O isolamento, que é uma concretização do imanentismo, pode exprimir-se numa falsa auto­nomia que exclui Deus, mas pode também en­contrar na religião uma forma de consumismo espiritual à medida do próprio individualismo doentio.

4.4.   Noutros setores da nossa sociedade, cresce o apreço por várias formas de «espiritualidade do bem-estar» sem comunidade, por uma «teologia da prosperi­dade» sem compromissos fraternos ou por expe­riências subjetivas sem rostos, que se reduzem a uma busca interior imanentista.

4.5.   Um desafio importante é mostrar que a so­lução nunca consistirá em escapar de uma rela­ção pessoal e comprometida com Deus, que ao mesmo tempo nos comprometa com os outros.

4.6.   Nisto está a verdadeira cura: de fato, o modo de nos relacionarmos com os outros que, em vez de nos adoecer, nos cura é uma frater­nidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe desco­brir Deus em cada ser humano, que sabe tole­rar as moléstias da convivência agarrando-se ao amor de Deus, que sabe abrir o coração ao amor divino para procurar a felicidade dos ou­tros como a procura o seu Pai bom.

5.      Não ao mundanismo espiritual

5.1.      O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até um instrumento musical.

5.2.   Este mundanismo pode alimentar-se, so­bretudo, de duas maneiras profundamente rela­cionadas. Uma delas é o fascínio do gnosticismo […] A outra é o neopelagianismo autorreferen­cial de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a certo estilo católi­co próprio do passado.

5.3.   Em alguns, há um cuidado exibicionista da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas não se preocupam que o Evangelho adqui­ra uma real inserção no povo fiel de Deus e nas necessidades concretas da história.

5.4.   Em outros, o próprio mundanismo espiritual esconde-se por detrás do fascínio de poder mostrar conquistas sociais e políticas, ou numa vanglória ligada à gestão de assuntos práticos, ou numa atração pelas dinâ­micas de autoestima e de realização autorreferencial. Também se pode traduzir em várias formas de se apresentar a si mesmo envolvido numa densa vida social cheia de viagens, reuniões, jantares, recepções.

5.5.   Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados!

5.6.   Quem caiu neste mundanismo olha de cima e de longe, rejeita a profecia dos irmãos, desqua­lifica quem o questiona, faz ressaltar constante­mente os erros alheios e vive obcecado pela apa­rência.

6.      Não à guerra entre nós

6.1.   Alguns deixam de viver uma adesão cordial à Igreja por alimentar um espíri­to de contenda. Mais do que pertencer à Igreja inteira, com a sua rica diversidade, pertencem a este ou àquele grupo que se sente diferente ou especial.

6.2.   Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente.

6.3.   Por isso me dói muito comprovar como nalgumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, se dá espaço a várias for­mas de ódio, divisão, calúnia, difamação, vingan­ça, ciúme, a desejos de impor as próprias ideias a todo o custo, e até perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. Quem queremos evangelizar com estes comportamentos?

6.4.   Rezar pela pessoa com quem estamos irritados é um belo passo rumo ao amor, e é um ato de evangelização. Façamo-lo hoje mesmo. Não dei­xemos que nos roubem o ideal do amor fraterno!

7.      Outros desafios eclesiais

7.1.   Excessivo clericalismo que os mantêm à margem das decisões. Apesar de se no­tar uma maior participação de muitos nos minis­térios laicais, este compromisso não se reflete na penetração dos valores cristãos no mundo social, político e econômico; limita-se muitas vezes às tarefas no seio da Igreja, sem um empenhamento real pela aplicação do Evangelho na transforma­ção da sociedade.

7.2.   É preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisi­va na Igreja. Porque «o gênio feminino é neces­sário em todas as expressões da vida social; por isso deve ser garantida a presença das mulheres também no âmbito do trabalho» e nos vários lugares onde se tomam as decisões importan­tes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais.

7.3.   Na Igreja, as funções «não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros».

7.4.   Valorizar mais a participação dos jovens na Igreja.

7.5.   Promover as vocações por meio do testemunho.

7.6.   Os idosos fornecem a memória e a sabedoria da experiência, que convida a não repetir tontamente os mesmos erros do passado. É preciso valorizá-los.

 

Os desafios existem para ser superados. Sejamos realistas, mas sem perder a alegria, a au­dácia e a dedicação cheia de esperança. Não dei­xemos que nos roubem a força missionária!

Papa Francisco

A Câmara dos deputados está promovendo uma enquete querendo saber se:  “Você concorda com a definição de família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher, prevista no projeto que cria o Estatuto da Família? ”  Os LGBT’s estão votando NÃO em massa e estão ganhando.  Vote SIM. E divulgue o máximo que puder
http://www2.camara.leg.br/agencia-app/votarEnquete/enquete/101CE64E-8EC3-436C-BB4A-457EBC94DF4E   Vote urgente no SIM – em menos de 1 minuto.
REPASSE para seus CONTATOS.
Podemos votar pelo celular!! Não deixe de votar para preservar o conceito de família.

Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e escritor

 

No dia 04 de abril de 2013 o Papa Francisco escreveu uma mensagem no Twitter na qual precisou apenas de 118 caracteres dos 140 permitidos para afirmar a verdade mais fundamental da nossa fé: “Deus nos ama. Não devemos ter medo de amá-lo. A fé se professa com a boca e com o coração, com a palavra e com o amor”.

Há quem viva uma religião do temor. Deus seria uma realidade terrível, pronto para nos punir se fizer qualquer coisa de errado. Certamente não é esse o Deus revelado na Bíblia e especialmente pelo mestre Jesus de Nazaré. O discípulo amado entendeu perfeitamente a lição e resumiu de modo perfeito: “Deus é amor” (1Jo 4,8). Se fomos criados à imagem e semelhança de Deus, significa que a nossa realização humana mais profunda consiste em viver uma processo de “amorização”. Isto é mais do que ter um discurso romântico. Este é um risco que leva até a desacreditar do sentido verdadeiro do amor. Falamos tanto esta palavra que ela acaba significando tudo, ou seja, nada! Amor pode significar da realidade mais sublime a tempero de comida, passando por sexo, sentimento, desejo.

O Papa Francisco nos ajuda a entender o sentido do amor ao dizer que devemos superar o medo de amar. Novamente isso nos lembra mais uma frase da carta de João: “No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor” (4,18). Isto mostra que o amor tem sempre uma dupla face: amorosidade e amabilidade. O amoroso ama. O amável deixa-se amar. Parece tão óbvio. Mas há momentos em que não temos humildade suficiente para deixar que os outros nos amem. Pior que isso é não permitir que Deus me ame. Jesus era humilde o bastante para reconhecer suas carências e pedir ajuda. Somente assim podemos entender seu gesto de pedir um copo d’água àquela mulher samaritana, junto ao poço de Jacó. O mesmo vemos na cruz quando ele, que é a Fonte da Água Viva, não teve pudor em reconhecer: “Tenho sede”. A amabilidade é exige a gentileza de permitir que o outro me ame. Ser amável é também um jeito de amar.

Mas Francisco dá um passo além nesta dinâmica do amor. Ele nos recorda que a fé passa pelo amor. Sim! Professamos nossa fé com os lábios. Dizemos: creio! Mas isso ainda é apenas fé em “que”. Se estacionar na adesão a um conjunto de verdades será apenas uma crença. Fé é um pouco mais. Supõe adesão de amor a uma pessoa. É fé em “quem”. Neste sentido Francisco recordará em sua exortação apostólica Evangelii gaudium uma frase lapidar de Bento XVI, que nos leva ao centro do Evangelho: “Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (EG 7|).

O amor é sempre um encontro de pessoas. Acreditamos no Deus Trindade onde o amor circula como dínamo de vida entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Esta dinâmica transborda na criação e o “amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). O amor sempre cria esta unidade plural. Por isso a oração que Jesus nos ensinou não afirma que o Pai é meu, nem que o pão é meu. O Pai é nosso e o pão também é nosso. Reduzir a fé cristã à esfera íntima e pessoal é uma sutil forma de paganismo. É estar muito longe do Deus solidário pregado por Jesus. Quem ama com o amor de Deus sabe que é preciso dar a vida, abrir as mãos, os ouvidos e o coração. Como disse Camões: “Amar é cuidar que se ganha em se perder”.