Há vinte e cinco anos acompanho o amadurecimento dos ministérios de música dentro da Igreja Católica. Hoje esta é uma importante força na tarefa da evangelização. O tema é complexo e permite diversas abordagens. Recentemente Pe. Zezinho e eu reunimos nossos “encantos e desencantos” no livro “Chamados a Cantar a Fé”, publicado por Editora Santuário:

http://loja.editorasantuario.com.br/produtos/detalhe/1135/chamados_a_cantar_a_fe

São 400 páginas de reflexões sobre a música na catequese e na liturgia. Mais de uma vez tivemos a oportunidade de reunir os Cantores da Fé, um grupo de músicos referenciais, para refletir sobre estas urgentes questões.

Veja por exemplo esta notícia:

http://www.a12.com/noticias/detalhes/padre-joaozinho-e-padre-zezinho-promovem-encontro-para-musicos-catolicos

Neste artigo gostaria de refletir sobre este binômio que ocupa diariamente os debates entre os músicos católicos: Ministério&profissão. Começo pelos termos para entendermos bem do que estamos falando. Pode-se utilizar o termo “ministério” para o serviço da música em nossas liturgias e eventos de evangelização? A questão não é muito simples. Em 1999 a CNBB publicou o Documento 62 sobre a “Missão e Ministério dos Cristãos Leigos e Leigas”.

Leia a íntegra:

http://www.cnbb.org.br/component/docman/doc_details/125-62-missao-e-ministerios-dos-cristaos-leigos-e-leigas

O texto demorou para ser aprovado exatamente por debates sobre se seria próprio ou não utilizar a terminologia “ministério” para as tarefas eclesiais desempenhadas por leigos que, por definição, vivem suma missão própria no mundo e não necessariamente ao interno da Igreja. Mas estas definições eclesiológicas estavam em crise e já não se sustentavam. O Papa João Paulo II, então, encomendou um estudo específico sobre este tema à Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger. O resultado foi um sólido estudo que ficou conhecido como  “Instrução acerca de algumas questões sobre a colaboração dos fiéis leigos no sagrado ministério dos sacerdotes” (1997).  Logo no início a instrução coloca com clareza teológica a diferença entre o ministério ordenado dos sacerdotes e os ministério confiados aos leigos mediante o sacerdócio comum recebido no batismo: “Tanto o sacerdócio comum dos fiéis como o sacerdócio ministerial ou hierárquico ‘ordenam-se um ao outro, embora se diferenciem na essência e não apenas em grau, pois ambos participam, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo’. Entre eles dá-se uma eficaz unidade, porque o Espírito Santo unifica a Igreja na comunhão e no serviço e a provê de diversos dons hierárquicos e carismáticos”.

Leia a íntegra da instrução em

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cclergy/documents/rc_con_interdic_doc_15081997_po.html

A partir destas ponderadas reflexões pode-se utilizar com segurança a expressão Ministério de Música. Naturalmente não é a pessoa que se auto-institui ministro. É um chamado de Deus que, para esta missão, dá o seu “carisma”. Quem recebe o chamado é acolhido na Igreja que o ajuda a discernir esta vocação e missão e, de alguma forma, o autoriza ao exercício do seu ministério da comunidade. Esta é a dimensão eclesial do ministério. Jamais pode ser discernido e vivido de maneira totalmente pessoal e desvinculada da comunidade. Ministros precisam deixar claro o seu elo de “agregação” à comunidade. Não existe cristão sem comunidade. Isto vale para um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão ou para alguém que receba o carisma extraordinário de rezar pela cura e torna-se um “ministro de cura e libertação”. Em algum momento seu ministério deve ser explicitamente autorizado pela comunidade. A ministerialidade espontânea e informal se presta a uma série de desvios. Um pregador que vai a outra diocese deve ter o mandato do seu bispo ou pároco. Não deveria ser diferente com os ministros de música que andam pelo Brasil. A este propósito o nº 85 do Documento 62 da CNBB é bastante claro: “Só pode ser considerado ministério o carisma que, na comunidade e em vista da missão da Igreja e no mundo, assume a forma de serviço bem determinado, envolvendo um conjunto maios ou menos amplo de funções, que responda a exigências permanentes da comunidade e da missão, seja assumido com estabilidade, comporte verdadeira responsabilidade e seja acolhido e reconhecido na comunidade eclesial”.

É essencial que o ministério seja recebido e reconhecido pela comunidade eclesial, pois representa uma atuação pública e oficial. O ministro é portador da palavra da Igreja e não fala somente em nome próprio. Existem, porém, diversas modalidade e graus de ministérios. Existem os “reconhecidos”, os “confiados”, os “instituídos” e os “ordenados”. Do meu ponto de vista o Ministério de Música é simplesmente “reconhecido”. Leitor e acólito são ministérios instituídos. Mas nem tudo pode-se chamar de ministério. Alguém que atue na vida política não poderia se chamar “ministro”. Este seria mais propriamente um “serviço”. O mesmo se aplica às demais profissões. Não falamos de ministro do direito ou da padaria. O ministério se aplica mais propriamente a um serviço intra-eclesial.

Aqui vem a segunda parte de nossa reflexão. Uma parcela importante de músicos católicos no Brasil se profissionalizaram neste últimos anos. A Igreja como um todo também se profissionalizou. Não se admite hoje, por exemplo, uma secretária paroquial voluntária. Nem se imagina um sacristão de final de semana. Uma paróquia tem seus colaboradores com salário, carteira assinada e todos os direitos previstos em lei. Este avanço organizacional, porém, na maioria dos casos, não chegou aos músicos (nem aos teólogos e teólogas que se formam todos os anos em bons cursos de teologia e normalmente não encontram espaço de trabalho dentro das paróquias… mas este é outro assunto). É raro uma paróquia que tenha um músico contratado para exercer profissionalmente o ministério de música. As que tiveram esta ousadia estão muito satisfeitas com o resultado. Estas palavras podem chocar alguns. Mas estou profundamente convencido de que a música exige uma série de saberes e competências. Isto significa ser profissional. Ter uma profissão é ser dotado de habilidades certificadas pela categoria. No caso da música existe uma Ordem dos Músicos do Brasil. Para exercer esta profissão regularmente via de regra se exigiria um teste para receber a carteira da OMB e pagar a anuidade.

Existe um grande grupo de músicos católicos que já não são apenas voluntários amadores que tocam na missa das 10h. São profissionais que esperam viver deste trabalho. São competentes. Têm uma história dedicada à música e são reconhecidos no meio. Raramente, porém, encontram a porta aberta de uma paróquia. Então acontece uma ruptura lamentável entre ministério e profissão. Estes músicos, não reconhecidos, abandonam a ministerialidade e aventuram-se em pregar a fé cantada em shows de evangelização por todo o Brasil. Organizam seus próprios escritórios de promoção. Têm um site, CDs, material promocional. Isto envolve custos e nem sempre todos conseguem se sustentar. Acompanho o drama de muitos músicos pais e mães de família que precisam ter ao menos quatro shows por mês para pagar as contas e alimentar seus filhos. Este é o drama de todo profissional. Mas exige nossa reflexão quando esta profissão é cantar a fé. Alguns caem nas graças do público e têm muitos pedidos de shows. Já não lhes interessa tanto o reconhecimento eclesial. A maioria dos shows não é pago mesmo pela paróquia. A prefeitura sempre acaba incluindo um show religioso na festa da cidade. Isto envolve uma série de complicadores que não vale a pena tratar aqui. Mas a situação dos nossos músicos profissionais de shows de evangelização não é nada fácil.

Existe neste meio os músicos católicos pobres. São aqueles que nunca conseguem shows e vivem dramas familiares que poucos párocos conhecem. São geniais em sua música, mas não caíram no gosto do povo, ou simplesmente não são bons de marketing. Alguns têm que ouvir coisas do tipo: “por que você não arruma uma profissão?”. Sinceramente não consigo imaginar estes fantásticos compositores, cantores e instrumentistas, fazendo pão durante a semana para poder cantar na quermesse de graça no sábado a noite, vendendo o seu CD promocional a R$ 5,00.

Desculpe o tom nú e cru deste artigo. Mas escrevo vendo as lágrimas de alguns Ministros de Música que receberam de Deus o chamado para avançar para águas mais profundas e para isso eles só precisam da barca de Pedro… sua paróquia!

Na certeza da prece

Pe. Joãozinho, scj

 

Recentemente dei esta entrevista para o Jornal do Comércio, de Recife.

 

1- Podemos chamá-lo de padre, cantor e artista?

Claro. Sou padre por vocação, artista-compositor por natureza e cantor por acidente. Desde minha infância descobri estes dois chamados: sacerdote e compositor. Fiz várias canções que outros gravavam, até que um dia arrisquei colocar minha própria voz. Deu certo. As pessoas quiseram a mensagem que saía do meu coração cantada com a minha própria voz. O povo escolhe seus cantores e suas canções. Fiz mais de mil canções e gravei umas quinhentas. Mas sempre digo que a felicidade de um compositor não está em gravar as canções em um pedaço de plástico e sim no coração das pessoas. Passo por lugares onde nunca passei e as pessoas cantam de cor algumas de minhas canções. Isto é um minissermão de cinco minutos que ficará para sempre gravado no coração do povo. Minhas canções sempre me ultrapassam. Algumas chegam a ter vida própria na alma do povo. Existem aquelas que nunca gravei e o povo canta. Nem sabem quem fez a canção. Encontro algumas até que aparecem como “autor desconhecido”.

 

2- Os evangélicos também são velhos conhecidos da mídia. E atraem multidões e adeptos de suas pregações. A Igreja Católica precisou se reposicionar para não “perder” fieis?

Um bispo disse certa vez que a Igreja Católica não perde “fiéis”. Estes continuam conosco. Perdemos os “infiéis”. Eram católicos não-praticantes que foram conquistados como clientes de alguma franquia da fé. Infelizmente é isso que se vê. No jogo do mercado há muitas pequenas igrejas que se tornaram grandes negócios. Ops. Agora são grandes igrejas e disputam entre si os clientes. A concorrência é entre eles. A Igreja Católica continua se reinventando como faz há 2.000 anos. Antes destas igrejas surgirem já havia um Pe. Zezinho cantando de um modo totalmente novo. E antes dele haviam outros. Admiro muitos compositores evangélicos que têm um bom conteúdo e linhas melódicas inteligentes. Mas infelizmente vejo também muita cópia da cópia, um pouco mais do mesmo. Não se trata exatamente de “música evangélica”, mas de um certo estilo gospel norte-americano que é copiado até no sotaque e por trás de uma péssima tradução para o português. O fenômeno pentecostal já atingiu seu ápice e está em franco declínio. Enquanto isso nosso povo continua em busca de uma mensagem com conteúdo de fé autêntica. Felizmente existem pregadores católicos e evangélicos que utilizam muito bem a música em suas pregações e enchem a alma do povo.

 

3- É difícil administrar a rotina midiática com as obrigações sacerdotais? O senhor tem ou já teve alguma dificuldade nesse sentido?

É difícil sim. Se algum sacerdote missionário da canção disser que é fácil ser um padre que utiliza a música ou mesmo outra arte em sua missão, está mentindo. Ser um padre elementar é bem mais fácil. Mas Deus criou pessoas com alma de artista que, como diz a canção, “têm que ir aonde o povo está”. Dez horas numa van, ensaios, estúdio, passagem de som… tudo para uma hora e meia de show. Mas funciona como um elemento que motiva o trabalho dos colegas sacerdotes de paróquia. O povo se envolve e fica com a mensagem gravada na mente e no coração. Isto faz todo esforço valer a pena. Mas atenção… nada disso fará sentido se o preço for o sacrifício das obrigações de um padre como a oração, ouvir o povo e celebrar a missa. Um padre “espetacular” não pode deixar de ser também um padre “elementar”.

 

 4- Se o senhor não fosse padre, seria cantor?

Não. Mas seria compositor, pois “cantando me desfaço e não me canso de viver… e de cantar”.

PE. JOÃOZINHO SCJ

Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e educador

 

No dia 23 de maio de 2013 o Papa Francisco escreveu no Twitter:

Tenho levado o Evangelho da reconciliação e do amor aos ambientes onde vivo e trabalho?

Era uma sexta-feira do tempo pascal. O papa vive intensamente a mística de ligar a fé com a vida, a liturgia com o dia-a-dia, a missa com a missão. Aos poucos ficaria muito claro que a celebração eucarística diária, logo pela manhã, é o momento alto do seu dia. Neste dia, por exemplo, certamente o evangelho de João 15,12-17 o inspirou: “Amai-vou uns aos outros”.

O Evangelho lido e meditado diariamente dá o tom para todos os seus afazeres, decisões e até mesmo orienta suas palavras. A breve homilia feita diariamente na Casa Santa Marta foi ganhando a atenção de todo o mundo. Até mesmo a imprensa secular começou a repercutir aquelas breves frases que têm o poder de destruir muros e construir pontes.

O papa é também chamado de Pontífice, ou seja, alguém que tem a missão de construir pontes entre as pessoas, as culturas, as religiões, os cristãos e até mesmo da humanidade com Deus. Este é o sentido da mensagem que ele publicou neste dia. Devemos ter nos lábios e nas atitudes uma boa notícia de reconciliação. Ele tem moral para fazer esta proposta. Ao final de 2014 o papa ganharia as manchetes como protagonistas da improvável reconciliação entre Estados Unidos e Cuba. Tentou também reconciliar o ocidente com o oriente, judeus e palestinos, idosos e jovens, homens e mulheres, leigos e clérigos. Seu jeito de viver o equilíbrio entre o vigor e a ternura o torna um profeta da paz.

Paz na Bíblia é mais do que ausência de conflitos. O shalom que Jesus tanto pregou significa viver a harmonia e a reconciliação com Deus, com a natureza, com os outros e consigo mesmo. É ser uma pessoa íntegra e integrada. Mas não é isso que vemos em nosso fragmentado mundo moderno. Reivindicamos as liberdades individuais e acabamos escravos de um egoísmo narcisista que tem como efeito colateral uma tremenda solidão. Outro efeito é a falta de cuidado com o jardim que Deus plantou desde as nossas origens. A natureza tem sido estuprada violentamente por queimadas irresponsáveis. Paradoxalmente amamos de modo saturado nossos gatos e cães mas esquecemos da vida em extinção. É comum levar o cãozinho no petshop e ver crianças pelas ruas, de pé no chão. Aqueles trinta reais alimentariam uma criança pobre por três dias.

Toda esta realidade está clara diante dos olhos da diplomacia do Papa Francisco. Ele transmite uma severa paz. Severa porque não cala a denúncia de tudo o que impede a reconciliação. Ele sabe que o apego aos bens produz injustiça e exclusão. Pior que isso é o apego ao cargo ou ao prestígio. Suas palavras são duras quando se dirige a líderes religiosos que fazem questão de ser cultuados. Chama isso de doença. E é mesmo. O poder pode corromper e tornar as pessoas medíocres e incapazes de exercer sua missão de humildade e serviço.

Podemos seguir o exemplo de Francisco e construir pontes de reconciliação com nossos familiares e amigos. Alguns podem estar do outro lado do muro da política, da cultura ou da religião. Por que não dar o primeiro passo?

Pe. Joãozinho, scj

João Carlos Almeida – Teólogo e educador

 

No dia 19 de maio o Papa Francisco escreveu no twitter:

O Espírito Santo transforma e renova, cria harmonia e unidade, dá coragem e entusiasmo para a missão.

Era uma segunda-feira do tempo pascal. Pouca gente se dá conta de que a liturgia cristã vive intensamente a experiência do Espírito Santo entre a Páscoa e o dia de Pentecostes. São cinquenta dias que se chamam “quinquagésima pascal”. A frase do papa é tão curta quanto intensa e completa. Encontramos nela sete elementos que nos ajudam a entender melhor a dinâmica carismática do Espírito na vida de cada cristão.

  1. Transforma: o Espírito é aquele que nos santifica, ou seja, nos cristifica. Desde o dia do nosso batismo iniciamos esta história de transfiguração pessoal. É um mergulho em águas regeneradoras e transformadoras. Cada dia é um passo. O batismo não é um fato pronto e acabado. É mais um gerúndio dinâmico: batizando. O apóstolo Paulo entendeu perfeitamente isso e caminhou para esta meta até poder dizer: “Eu vivo, mas não sou eu que vivo; Cristo vive em mim” (Gal 2,20). Esta vida segundo o Espírito inclui o amadurecimento na fé, na esperança e na caridade. Somos inseridos na vida divina de modo a vivermos o céu na terra e construirmos este paraíso para os irmãos.
  2. Renova: Neste processo de transformação estamos sempre em luta contra uma força que nos atrai para a terra. Enquanto isso o Espírito nos faz buscar as coisas do alto, sem tirar os pés do chão. É um verdadeiro combate espiritual. O “homem velho” está na medula dos nossos ossos. Herdamos algumas destas manias das gerações que nos antecederam. É preciso renovar-se a cada dia. A vida espiritual segue uma dinâmica contrária a vida da carne. É próprio da carne envelhecer e morrer. É próprio do espírito rejuvenescer e viver. Esta vida plena dá uma jovialidade incrível para quem se deixa guiar pelo Espírito de Deus. Quem não admira a jovialidade do próprio papa Francisco? Esta jovialidade espiritual costuma dar até saúde e energias físicas que ultrapassam os limites naturais.
  3. Cria harmonia: Ao contrário das forças diabólicas que nos fragmentam, dispersam e criam conflitos, é próprio do Espírito nos dar coesão interior, paz e equilíbrio vital. Vivemos no mundo do exagero e do destempero; dos fundamentalismos e disputas religiosas. Há até mesmo quem mate em nome da fé. Isto não pode vir do Espírito da alegria, do sorriso e da paciência. Pessoas espirituais são proféticas; anunciam e denunciam, mas não perdem o humor. São pessoas “cheias de graça”.
  4. Cria unidade: A modernidade criou o mundo da fragmentação. A ciência exaltou este método. Hoje somos reféns das “especialidades”. O novo paradigma propõe uma visão mais holística, ou seja, integral. É bom lembrar que “católico” (kat-holos) significa aquele que contempla a totalidade. O papa Paulo VI já percebia isso na década de 1960. Na sua encíclica social Populorum progressio (1967) ele lembrou que todo desenvolvimento só favorece o ser humano se for “integral”. Quem é do Espírito promove a integridade e a integração entre as pessoas; mesmo se pensam ou creem de modo diferente.
  5. Dá coragem: Esta é uma característica marcante de quem vive pleno do Espírito. O cenáculo assistiu este milagre no nascimento da Igreja. Os apóstolos medrosos e reféns de suas incertezas receberam um fogo santo que os tornou capazes de pregar e até mesmo de dar a própria vida.
  6. Dá entusiasmo: Esta palavra literalmente significa “cheio de Deus”. É trágico quando nos acostumamos às coisas. Santo Agostinho costumava dizer que “o costume mata o êxtase”. A dinâmica carismática nos faz ver os sinais maravilhosos de Deus até nas coisas mais corriqueiras e banais.
  7. Impulsiona à missão: O Espírito é um vento que nos empurra para fora de nós mesmos em direção dos irmãos. Isto é ser missionário. É mais do que sair de um lugar e ir evangelizar em terras distantes. É sair de si mesmo para encontrar o irmão. O Espírito Santo é aquele que torna possível superar todo narcisismo e auto-referencialidade e promover uma autêntica “cultura do encontro”.

No dia 05 de maio o Papa Francisco não precisou nem mesmo utilizar os 140 caracteres, com espaço, permitidos pelo Twitter, para definir o significado essencial do ser missionário para todo discípulo de Jesus:

Cada cristão é missionário na medida em que testemunha o amor de Deus. Sede missionários da ternura de Deus!

Houve um tempo em que o missionário era uma pessoa que vinha de longe para ensinar verdades fundamentais da fé. Não se podia imaginar que todo cristão fosse um missionário. Esta consciência veio aos poucos e se tornou definitiva quando os bispos da América Latina, reunidos na Conferência de Aparecida, em 2007, colocaram “missionário” como adjetivo de “discípulo”. No início ainda se falava de “discípulo e missionário”. Em seguida passou-se a falar de “discípulo-missionário”, como um substantivo composto. Mas logo a expressão “discípulo missionário” se popularizou e tornou-se vocabulário comum na Igreja. Se alguém não é missionário não pode se consideram nem mesmo discípulo de Jesus. É uma propriedade fundamental do “ser cristão”.

Francisco, na época Dom Bergóglio, arcebispo de Buenos Aires, era da comissão de redação da Conferência de Aparecida. Ele utilizou muito esta expressão “discípulo missionário” e garantiu que fosse uma marca distintiva do texto final. Agora, como papa, ele não se cansa de motivar os cristãos a que sejam de fato missionários. Mas o que é isso? Certamente é mais do que sair de uma terra e ir para outra mais distante. É importante. Mas o núcleo fundamental da missionariedade cristã é dar testemunho. Isto aparece claramente nesta mensagem do papa no twitter: o cristão é missionário “na medida em que testemunha o amor de Deus”. Mais do que testemunhar a fé ou as convicções religiosas, mais do que ensinar verdades, o missionário evangeliza pelo testemunho do amor misericordioso de Deus.

Verificamos isso na vida de Maria que disse: Eis aqui a serva do Senhor… e não foi para a igreja rezar. Partiu às pressas para ajudar sua prima que precisava. Ser serva do Senhor significa servir o irmão. Este testemunho surtiu um efeito maravilhoso. Quando ela saudou Isabel o menino estremeceu de alegria no ventre de sua prima, ela ficou cheia do Espírito Santo e começou a rezar. Maria foi um canal da ternura de Deus por meio do seu serviço disponível e discreto.

Vivemos em um mundo onde se propaga a missão do barulho, da fama, do espetáculo. Espetacularizamos a fé. Há quem pense que missionários são apenas os que estão na TV ou no palco. Isto pode ser um ótimo fator motivacional e um canal eficiente para divulgar bons testemunhos. Mas todo cristão que se põe a serviço de alguém está vivendo a dimensão missionária de sua fé. O pai e a mãe que dão testemunho de ternura, honestidade, oração, simplicidade para seus filhos, estão sendo missionários sem precisar sair de casa.

Existem ainda os missionários da raiva. São pessoas que falam de Deus e até defendem a igreja. Mas no tom de suas palavras notamos algo de raivoso e beligerante. Parece que sempre estão com a razão e que existem pessoas muito erradas, verdadeiros hereges, a ser combatidos. Radicalizando este tipo de missionários da raiva temos religiões que ainda matam em nome de Deus, em pleno século 21. Neste exato momento existem cristãos sendo perseguidos e mortos em algum lugar do mundo. Diante deste quadro o papa nos provoca: “Sejam missionários da ternura de Deus”.

Acabei de receber este texto e repasso, pois é uma reflexão obrigatória para o Brasil:

“Isso representa mais que um simples jogo! Representa a vitória da competência sobre a malandragem! Serve de exemplo para gerações de crianças que saberão que pra vencer na vida tem-se que ralar, treinar, estudar! Acabar com essa história de jeitinho malandro do brasileiro, que ganha jogo com seu gingado, ganha dinheiro sem ser suado, vira presidente sem ter estudado! O grande legado desta copa é o exemplo para gerações do futuro! Que um país é feito por uma população honesta, trabalhadora, e não por uma população transformada em parasita por um governo que nos ensina a receber o alimento na boca e não a lutar para obtê-lo!  A Alemanha ganha com maestria e merecimento! Que nos sirva de lição! Pátria amada Brasil tem que ser amada todos os dias, no nosso trabalho, no nosso estudo, na nossa honestidade! Amar a pátria em um jogo de futebol e no outro dia roubar o país num ato de corrupção, seja ele qual for, furando uma fila, sonegando impostos, matando, roubando! Que amor à pátria é este! Já chega!!! O Brasil cansou de ser traído por seu próprio povo! Que sirva de lição para que nos agigantemos para construirmos um país melhor! Educar nossos filhos pra uma geração de vergonha! Uma verdadeira nação que se orgulha de seu povo, e não só de seu futebol!!    É isso ai! Falei!”