CORAÇÕES DE PEDRA
Pe. Joãozinho, scj
Às vezes no meu peito
bate um coração de pedra…
Quando nos sentamos como alunos na escola do Coração de Jesus para aprender as “Lições da Reparação”, uma das lições mais dolorosas e difíceis é a realidade do pecado. Seria melhor se tudo na vida fosse paraíso. Mas não é assim. A Bíblia é muito realista e concreta quando narra no seu primeiro livro a história da queda de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Há um pecado das origens que marcou fortemente toda a humanidade. Podemos dizer que existe uma história de salvação, mas existe também uma história marcada por ódio, vingança, cobiça, violência… morte. O pecado tem uma longa história. Quem de nós já não viveu esta triste realidade? O apóstolo Paulo chegava a dizer que nem sempre fazia o bem que queria, mas acabava fazendo o mal que não desejava fazer. Mesmo que o batismo tenha apagado o pecado original do nosso ser, ficou uma marca, uma cicatriz cujo efeito é uma certa inclinação para o mal, que a doutrina da Igreja chama de “concupiscência”. Sabemos que beber e depois dirigir por provocar um terrível acidente. Mesmo assim é alarmante o número de mortes no trânsito provocados pelo álcool. Já como crianças temos uma certa atração pelo perigo. As mães não cansam de advertir seus pequenos de que o fogo queima, mas não há quem não tenho colocado um dedinho na panela quente.
Apesar desta constatação realista, o mal não faz parte da nossa natureza original. Se existiu um “pecado original”, antes dele existia uma “santidade original”. É este o paraíso perdido que buscamos cada dia da nossa vida. Esta é a nossa esperança. Pode chamar de Terra Prometida, utopia ou céu… o fato é que no projeto original de Deus para cada um de nós o pecado não estava previsto. Na verdade ele desfigura a obra original. Estes dias um sacerdote me disse que encontrou a planta arquitetônica da sua igreja. Constatou que muitas coisas foram modificadas ao longo implantação do projeto. Entre elas acrescentou-se uma escada onde não havia. O resultado é que grande parte das dependências do grande santuário ficou inacessível para os portadores de deficiência física. O pároco terá que voltar ao projeto de origem e gastar uma grande soma de dinheiro para resolver este problema. Ele terá que contratar um novo arquiteto, engenheiro, pedreiros… para reformar, para reparar!
Assim acontece com cada um de nós. Nossa história de pecado vai desfigurando a imagem e semelhança de Deus segundo a qual fomos criados. Por isso precisamos de uma verdadeira reforma. Precisamos de reparo… é isso que Jesus veio fazer. Ele veio nos revelar qual era o projeto original. Ele é a imagem perfeita de pessoa humana. Quando o contemplamos descobrimos como era a “planta arquitetônica” original do nosso coração. Não era de pedra… era de carne!
A imagem do coração de pedra é retirada da profecia de Ezequiel: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36,26). É maravilhoso, porque a promessa nao é simplemente de uma reforma, mas de uma verdadeira renovação. Deus quer nos dar um novo coração. Aquele sacerdote que está envolvido com a reforma de sua igreja me contou das dificuldades e gastos que terá para retornar ao projeto oriinal. Um outro me disse que seria mais fácil destruir tudo e construi de novo. É verdade…quem já fez reforma em sua casa sabe o que significa isso. Deus quer nos fazer de novo. Conforme está no livro do Apocalise: “Eis que faço novas todas as coisas!” (Ap 21,5). Esta é a promessa. O Pai é o arquiteto, Jesus é o engenheiro e o Espírito Santo é o pedreiro. Esta comparação muito simples e limitada significa que somos obra das duas mãos do Pai – como dizia Santo Irineu – o Filho e o Espírito. Jesus veio a este mundo para realizar este plano de salvação. Foi enviado pelo Pai. Por sua vez ele nos deixou o seu Espírito que continua a obra da sanfificação a cada dia nos renovando. A reparação é, portanto, recuperar o projeto original elaborado por nosso Pai Arquiteto, colaborar com a obra de salvação-reparação do Engenheiro Jesus Cristo e acolher o grande artífice desta restauração que é o Pedreiro-Espírito Santo.
Encanta-me o fato de que Jesus pasou a maior parte de sua vida trabalhando como “carpinteiro”. Na verdade o carpinteiro daquele tempo não era exatamente, como hoje, alguém que trabalha apenas com madeira. Os carpinteiros construíam casas. Eram arquitetos, engenheiros e pedreiros ao mesmo tempo. Certamente Jesus construiu muitas casas com São José. Passou trinta anos neste humilde e silencioso trabalho. Porém nos últimos três anos de sua vida deixou de reparar casas mesas e cadeiras, para reconstruir o mundo inteiro com suas palavras e gestou, com seu sacrifício na cruz e com sua ressurreição. Foi ele quem disse: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. É dele que recebemos o coração novo. O Espírito Santo gera em nós o coração de Jesus, um coração totamente novo e leve. O coração das pedras o pecado era pesado e cansativo. O coração de Jesus é um “fardo leve e um jugo suave” (Mt 11,30).
Somente com esse coração em nosso peito superamos o stress que o pecado provoca. Sim! O pecado torna tudo mais difícil. Ele é um tumor espiritual. É uma natureza estranha que vai se instalando em nosso interior e ocupando cada vez mais espaço. O câncer é uma doença terrível e de difícil tratamento, mas quando o diagnóstico é feito de modo precoce, uma cirurgia pode eliminar todas as raízes deste mal. Porém, todos os dias ouvimos histórias de que depois de algum tempo o câncer voltou. É que ficou alguma raiz. Pior é a situação quando já existe metástase, ou seja, o tumor já mandou suas células perversas para todo o corpo. Logo aparecerão focos da doença em outros órgãos vitais. O pecado age da mesma maneira. No início pode ser apenas um “pecadinho”. Atenção! É preciso cortar o mal pela raiz. Para isso existe a confissão. Pecado chama pecado. Ele vai aumentar silenciosamente. Se demoramos para tratar a situação podemos chegar à metástase espiritual. Ou seja, nossa consciência já não vê pecado em mais nada. A vida se torna nublada. Tudo fica triste e pesado. Achamos peso nas pessoas, nos trabalhos e até nas crianças. As coisas mais belas ficam feias aos olhos de quem é escrav do pecado.
O pecado é pesado. Vejo hoje uma juventude triste, que prefere roupas pretas, músicas violentas, frases sínicas, humor macabro, piersing, tatuagem… É um pouco igual nos mais diversos países do mundo. Nosa juventude tem pedras no coração. Pessoas assim têm dificuldade de amar e de se sentirem amadas. Pedra não ama. Já percebeu ultimamente quanta violência as crianças estão sofrendo? Esta geração de pedra não quer filhos. Eles incomodam. Pedra não gera. Vemos o aborto, a violência doméstica, o abandono de recém-nascidos. Por quê tudo isso? É o império do pecado na sociedade. Sim! Pecado contagia. É uma erva daninha que vai tomando conta de toda a horta. Torna-seum pecado social. Por isso nossa reparação não deve atingir apenas a pessoa, mas também a sociedade. Como dizia Pe. Léon Dehon, grande divulador da Doutrina Social da Igreja: O reino do Coração de Jesus deve se tornar realidade nas pessoas e nas sociedades.
Este é o desafio para todo aquele que aprendeu Lições de Reparação. Somos irmãos de um certo carpiteiro que continua seu trabalho de restaurar a humanidade. Acolhemos o Espírito que santifica e renova os corações.
O apóstolo Paulo foi um destes discípulos do Sagrado Coração. Ele passou por este processo de renovação. Cada linha de suas cartas é um testemunho forte deste milagre que Deus pode realizar em nossas vidas. Sua carta aos Galatas é um verdadeiro testamento de quem foi onquistado por Cristo e restaurado pelo seu Espírito: “Minha vida presente na carne eu a vivo na fé, no Filho de Deus que me amou e entregou-se a si mesmo por mim. Eu vivo, mas já não sou eu que vivo. Cristo vive em mim! (Gal 2,20).

Pe. Joãozinho,
Senti desejo de voltar a meditar este capítulo… Teria vontade de copiar tudo… mas deixo este trecho:
” Esta é a promessa. O Pai é o arquiteto, Jesus é o engenheiro e o Espírito Santo é o pedreiro. Esta comparação muito simples e limitada significa que somos obra das duas mãos do Pai – como dizia Santo Irineu – o Filho e o Espírito. Jesus veio a este mundo para realizar este plano de salvação. Foi enviado pelo Pai. Por sua vez ele nos deixou o seu Espírito que continua a obra da sanfificação a cada dia nos renovando. A reparação é, portanto, recuperar o projeto original elaborado por nosso Pai Arquiteto, colaborar com a obra de salvação-reparação do Engenheiro Jesus Cristo e acolher o grande artífice desta restauração que é o Pedreiro-Espírito Santo.
Como isto pesa: pecado!
…”Somente com esse coração em nosso peito superamos o stress que o pecado provoca. Sim! O pecado torna tudo mais difícil.”
Sim que estress é o pecado nosso, do irmão, da sociedade mas com esse coração… posso oferecer dizendo “Por Ti Jesus”…. bem ai com certeza Jesus já começa a restaurar a nós mesmos…o nosso redor, experimentei exatamente isto neste final de semana.
Maria Inês
Pe. JOÃOZINHO a sua benção.Ö pecado é pesado.A juventude parece não ter coração em meio à tanta violência; violência nos lares, no trânsito, nas escolas, no trabalho.Enfim, de todos os modos ,crianças sendo usadas como objeto de uso pessoal e o que sobra de tudo isso é o que vemos diante dos nossos olhos : jovens de mau humor, piercing, tatuagens, drogas e mais drogas. E com tudo isso eu me pergunto, o que será amanhã dessa juventude tão carente de DEUS, porque para viver como vivem, creio que numca ouviram falar de DEUS, ou se ouviram preferiram virar-LHE as costas.Mas vamos ter fé e acreditar que o amanhã será bem melhor, com lares seguindo os ensinamentos cristãos ,crianças brincando nas calçadas, sem o perigo que hoje se tornou rotina,pais de família trabalhando para o sustento dos seus; uma educação que seja o orgulho do PAÍS, hospitais que façam pelo menos o mínimo para amenizar a dor de tanta gente. Não é sonho é FÉ em DEUS .
RT @TopsyRT: 5. Corações de pedra http://blog.cancaonova.com/pad.....-de-pedra/