Diante desta invocação da Ladainha de Nossa Senhora, alguém poderia apressadamente dizer que só Deus é poderoso e que Maria é como qualquer um dos mortais. A pressa sempre é inimiga da perfeição e antes de fazer uma afirmação dessas seria bom refletir um pouco.
É certo que todo poder vem de Deus e que somente ele é todo-poderoso, ou seja, onipotente. Mas cada um de nós tem uma parcela de poder que deve ser administrado responsavelmente. Quando dirigimos temos o poder sobre o volante. Podemos ir para o sul ou para o norte. Temos poder sobre nossos passos. Podemos ser livres. Podemos amar. Podemos tomar iniciativas. Mas nosso poder é limitado. Nem sempre podemos fazer aquilo que gostaríamos. Até mesmo esta limitação do poder que recebemos de Deus é questionada pelo Apóstolo Paulo que diz: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4,13). Maria viveu essa fé incondicional cada dia de sua vida. Ele pode ser fial de Nazaré até a cruz porque sabia em quem colocara a sua confiança. Ela é a “virgem poderosa” que “tudo pode” no seu Filho que a fortalece.
Um dos principais “poderes” de Maria é a intercessão. Ela pode e reza por cada um de nós. É mãe que cuida de cada um de seus filhos. Nós também temos o poder e o dever de rezar uns pelos outros. Devemos viver este mistério de comunhão que une o céu e a terra. A Igreja do mundo inteiro está no coração de cada um de nós. Rezamos pelas intenções do Santo Padre, o papa. Sentimos as lágrimas dos povos da terra que sofrem calamidades e guerras. Podemos ser solidários e rezar é uma forma de solidariedade espiritual.
A canção do Magnificat afirma que o todo-poderoso fez maravilhas em Maria (Lucas 1,51). Ele mostrou a força do seu braço subvertendo a lógica dos poderes deste mundo. Nesta terra quem tem dinheiro, tem poder. Mas Deus derruba os poderosos do seu trono. O poder de Deus é a força dos pobres. Ele exalta os humildes. Enche de bens os que passam fome e manda embora de mãos vazias os ganaciosos. Maria era de uma classe social humilde. Ela e José eram trabalhadores. Não viviam na corte de algum rei. Mas abrigaram o Rei dos reis em sua casa. Jamais houve nem haverá lar mais poderoso nesta terra. Naquela família de periferia o poder da salvação foi cultivado discretamente. Quando Jesus resolveu sair para anunciar o Reino de Deus, leu na igreja do bairro a leitura de Isaías que dizia: “O Espírito do Senhor está sobre mim e me envio para evangelizar os pobres” (Lucas 4,18).
Maria é uma esperança para os pobres desta terra que vivem oprimidos sob o peso de poderes opressores. Ela é a Virgem poderosa que acredita que Deus pode mais do que o ouro e a prata. Deus pode mais do que os poderes corrompidos que produzem a pobreza e até a miséria. A Igreja na América Latina, desde a Conferência dos Bispos em Medellín (1968), começou a afirmar com todas as letras a “opção preferencial pelos pobres”. Na verdade é opção por Jesus que disse que estaria presente em cada desfigurado desta terra (Mateus 25). Todos devem optar pela solidariedade para com os pobres, também os ricos.
Deus conhece o coração e a lágrima dos pobres, daqueles que não têm nenhum poder. Ele sabe que o pecado da ganância e do orgulho produzem miséria entre seus filhos. Poucos tem muito e muitos tem quase nada. Ele nos dá o poder de combater este tipo de situação. É preciso anunciar com coragem de profeta todo tipo de injustiça, mesmo que isto custe o sangue. Quantos mártires deram a vida por denunciar situações de morte e exclusão. A nossa terra com febre também é vítima dos que acham que podem tudo. Estamos sendo egoístas em querer comer o bolo todo. E os que virão? Que Maria nos ensine as lições da simplicidade necessária para viver mais alguns anos neste paraíso que Deus nos deu de presentes, mas que alguns teimam em cercar, queimar, dominar. Virgem poderosa. Rogai por nós.

É bom saber pe.Joaosinho que ainda estamos marchando para o Reino de Justiça e Paz. Maria como uma boa mãe jamais vai nos deixar órfãos neste mundo egoísta, vaidoso e luxurioso não esqueçamos do último adjetivo. As igrejas hojes todas as Cristãs estão muito preocupados em pedir, pedir, pedir… e se algum mal lhe acontece tem sempre que achar que é coisa do demônio. O demônio ele existe! É sobrenatural! e ao mesmo tempo real! mas também não podemos ficar cegos na fé. Jesus nos diz para amar aos outros como a nós mesmo. Será que no momento de oração em línguas pudéssemos abrir só um olho acharíamos tesouros deslumbrante em cada coração dos mais humildes. Eles só querem atenção, abraço, sorriso, eles só querem dizer eu estou aqui. Recordo em minha lembrança: José, Maria e Jesus aguardando a nós numa estrebaria, eu disse numa estrebaria e não numa maternidade de primeira.