Sobre o caso da pena de excomunhão aplicada à equipe médica que praticou o aborto dos gêmeos da menina estubrada recentemente pelo próprio pai, recebi um comentário inteligente e instigante. É escrito pelo Leandro, devidamente identificado. Quem quiser comentar, agradeço. É a missão deste BLOG: Partilhar e ajudar a refletir.

Caros amigos e amigas,
Paz de Jesus!
 
“Segundo a fé cristã e a doutrina da Igreja, “somente a liberdade que se submete à Verdade conduz a pessoa humana ao seu verdadeiro bem”. O bem da pessoa é estar na Verdade e praticar a Verdade”. Veritatis Splendor, 84
 
Creio que todos estamos em busca da Verdade e, diante de alguns questionamentos pessoais e comunitários, venho à presença de vocês, buscando um diálogo fecundo, que nos edifique e nos aproxime da Verdade.
 
Que Aquele que Jesus disse que nos ensinaria toda a verdade (Jo 16,13) nos conduza: Vinde , Espírito Santo!
 
Está na mídia o caso do aborto dos gêmeos que a menina abusada pelo padrasto trazia em seu seio.
Mais do que isso, está no centro da atenção a excomunhão da equipe médica e da mãe da criança.
Estão demonizando o Bispo de Olinda e a Igreja Católica pela posição assumida em face do aborto.
Há algum tempo conversava com um amigo e compadre sobre a dificuldade que nós, como Igreja (Bispos, Padres, religiosos e leigos), temos em dizer: isto é correto, isso não.
às vezes, os pronunciamentos de alguns membros da Igreja em entrevistas, em confissões, são uma série de divagações e citações, mas não dizem isto está certo, isto está errado, por essas e essas razões.
Parece que nos sentimos contrangidos, envergonhados, de estar contra a corrente ou nos deixamos levar por uma onda de relativismo, de crise da razão, onde cada um tem uma verdade. 
 
Contudo, o que esse Bispo fez? Lembrou que quem participa e/ou realiza aborto incorre em excomunhão automática.
Fico me perguntando, se já conseguiram que bebes prenaturos de poucos meses sobrevivessem, porque não prosseguiram a gestação até onde não houvesse risco para a vida dos bebes e da criança?
 
Como já ouvi dizer: “nossa sociedade não resolve os problemas, ela “acaba” com eles.”
 
Toda esta situação, também gerou questionamentos em mim e no nosso GPP (Grupo de Partilha para Profissionais):
 
1. Por que o pecado do aborto determina a excomunhão e o estupro não?
2. O assassino também está automaticamente excomungado?
3. Que tipo de pecado grave nos leva a excomunhão?
4. Se não comungamos com a integralidade do ensinamento moral da Igreja estamos também excomungados? Por exemplo, posso ser católico mesmo não concordando com a posição da Igreja em face dos preservativos e do sexo antes do casamento?
5. Como conciliar tolerância (usar de misericórdia, abrir-se ao diálogo, etc) e profetismo (proclamar a Verdade, indicar o erro, denunciar o mal)?
 
Gostaria de, junto, com vocês, buscar algumas respostas a estas perguntas.
 
Seguem alguns links sobre o tema:
http://www.veritatis.com.br/article/5638/carta-aberta-a-dom-jose-cardoso-sobrinho
http://www.veritatis.com.br/article/5639/gravida-de-gemeos-em-alagoinha (Relato do Pe. que acompanhou o caso. confiram!)
http://www.rainhamaria.com.br/Pagina/322/O-que-e-o-Pecado-de-Excomunhao
http://www.taufrancisco.com.br/internas.php?id=67
http://www.veritatis.com.br/article/5464/o-magisterio-ordinario-pode-ser-livremente-desprezado
http://www.universocatolico.com.br/content/view/715/95/
blog de teologia moral http://afonsochrispim.blogcatolico.com.br/moral-fundamental/
 
Fiquem com Deus!
 

Leandro Alberione Batista da Costa
Rua Brusque, 131 Santa Catarina Ilha Solteira/SP 15.385-000 18-3743-2195 18-9715-9814
skype: leandro.a.batista.da.costa
www.projetoamazonia.org
“A realidade atual de nosso continente manifesta que existe “uma notável ausência, no âmbito político, comunicativo e universitário, de vozes e iniciativas de líderes católicos de forte personalidade e vocação abnegada que sejam coerentes com suas convicções éticas e religiosas” DA 502
Vinde, Espírito Santo, e renova a face da terra!

23 Responses to “Aborto e Excomunhão”

  1. Alexandre Pió disse:

    De fato este texto é muito instigante e faz considerações reais. O católico brasileiro necessita se informar mais, ler mais, acompanhar os fatos mais de perto, não saber meia história e sim buscar o conhecimento amplo para poder discenir, opinar e defender aquilo que está não na cabeça de padres, bispos e religiosos, mas sim na Doutrina e na Catequese da Igreja Católica. A verdade é que temos preguiça, má vontade e falta de interesse em nos aprofundarmos nesses temas.
    Os links citados neste texto são interessantíssimos e todos deveriam ler.
    Hoje na missa que participei aqui em minha paróquia em Pindamonhangaba (SP) o pároco citou o tema com muita categoria e profundidade. Todos deveriam colocar esses temas nas homilias, conversas e retiros.
    Abraços a todos!
    Estimado Padre Joãozinho, esperamos sua sábia explanação e lúcidos comentários, características de sua vocação.

  2. Fernando disse:

    Quero resaltar apenas uma coisa que achei que bispo vacilou em relação a essa noticia:

    Se é correto defender a vida, e é claro, se opor ao aborto que não deixa de ser um homicidio, por outro lado a violência contra a mulher e principalmente, contra as crianças e jovens não nos causa mais impactos.
    A CF (Campanha da Fraternidade) de 2009 tem o tema: Fraternidade e Segurança Publica, nesse tempo quaresmal paramos para refletir sobre a nossa vida e também sobre este tema tão importante e fiquei desapontado que Dom Sobrinho tenha enfatizado apenas a violência do aborto e ignorado que por de tráz desse pecado existiu um pecado significativo que é a violência sexual contra uma criança indefesa que irá levar para sempre em si, as marcas dessa violência.
    Somos católicos maduros para saber que dentro do nosso clero muitos praticam tais violências como esta, e sabemos também que a normativa da Igreja é de apenas mudar o problema de paróquia, ou estou errado? Esse fato seria momento propicio para que a CNBB refletise sim a gravidade do aborto, mas que também colocasse o dedo nas chagas que ela tem em seu corpo.
    Se Dom Sobrinho reafirmou a posição da Igreja contra o aborto, ficou devendo também a posição da Igreja contra a violência doméstica e contra a criança.
    A CNBB falar que lamenta que isso acontece é muito pouco! Precisamos é ir e combater as causas da cultura de morte, e não apenas condenar quem também foi vitima dela.

    Fernando, assim como o Leandro, integrante do GPP em SP.

  3. Maria Célia Mendes disse:

    Padre Joaozinho,
    Sou ginecologista e professora universitária. Vivo em um ambiente muito difícil de evangelizar. Às vezes me sinto ou ET. Não faço aborto, não coloco DIU e não prescrevo o anticoncepcional de emergência (pílula do dia seguinte), no entanto não condeno a atitude da equipe médica. Aquela garota não tinha condição de manter uma gestação, quanto mais uma gravidez gemelar.
    Concordo que no mundo de hoje existe uma “Cultura de morte” e a Igreja nunca irá concordar com a morte, mas existem casos em que os médicos têm que fazer escolha. Nestes casos, no meu entender, Deus compreederá.

  4. anónimo disse:

    Antes eu preferiria colocar uma questão, e, ter alguma resposta.

    Eu questionei-me: “Como mãe, como agiria eu? O que faria se a minha pequena filha, com corpinho e seu psicológico ainda infantil, fosse ela a ser a vitima?

    Espantei-me com a sinceridade da minha resposta. Eu faria precisamente o mesmo, que esta mãe!

    Não fará isso de mim uma excomungada?

    Deus N. Senhor tenha misericórdia, de mim e desta mãe!

  5. Ana Paula Larocerie disse:

    A verdade é que até agora as pessoas só olharam para os envolvidos no caso com os olhos humanos , cheios de julgamentos e cada um com sua verdade.
    Eu me pergunto: Qual seria o olhar de JESUS numa situação como essa? Olhando através de seus olhos, será que a sociedade estaria cultivando tanta ira uns contra os outros ou estaria realmente tentando levar o AMOR VERDADEIRO ao coração de cada um que esteve envolvido em tamanha brutalidade?(Quem cometeu e quem sofreu)
    O que é mais importante nesse momento? Discutirmos o que está certo ou errado,condenar, punir ou levar a Palavra e o amor de Jesus a esses corações com certeza tão necessitados no momento?
    Não que não sejam necessárias medidas de justiça, com certeza sim , mas uma coisa é certa, o homem precisa aprender muito sobre justiça para poder se considerar apto a decidir o que é certo ou errado…Se assim não fosse, se o homem realmente fosse capaz de decidir sozinho, o nosso planeta hoje estaria numa situação bem melhor!
    O que esquecemos, porém , e nesse caso, com certeza esqueceu-se foi de consultar o principal interessado no controle da vida e da morte, o responsável por toda a criação:DEUS!
    Que DEUS abençoe a todos nós e o Espírito Santo nos ilumine para que possamos enxergar além do que a nossa capacidade humana nos permite.

  6. Katiucy Anastacia disse:

    1. Por que o pecado do aborto determina a excomunhão e o estupro não?

    Essa pergunta, quem puder me responder, acho que deveria ser acrescentada na lista de excomunhão automática, teria que ser o oitavo caso…

    A médica ai em cima disse que a menina não tinha condições de gerar gêmeos por ser criança a etc…

    Deus compreenderá, acredito que nesse caso sim, pois sua misericórida é infinita, mas mesmo assim continua sendo pecado gravíssimo ao mandamento Não matarás… Não podemos escolher quem deveria viver, a menina de 9 anos, ou as crianças… Que Deus escolhesse… A gente não tem esse direito…

    O Frei Anselmo que celebrou a missa ontem em minha paróquia deu o seguinte exemplo, uma mãe que tem 2 filhos e quer abortar o terceiro por não ter condições financeiras de criar… Vamos dizer a essa mãe então que mate um de seus filhos que já estão grandes, qual diferença faz se ela quer matar um deles mesmo?

    Mais infelismente acham que a criança , o embrião dentro do ventre é menos importante que uma criança que já nasceu.

  7. ANA VALESKA disse:

    Bom dia!
    Sinceramente minha gente eu ñ me atrevo muito a falar algo.Também ñ sei o que faria se eu fosse mãe na hora do desespero. Mas uma coisa devo concordar com Leandro:
    “Como já ouvi dizer: “nossa sociedade não resolve os problemas, ela “acaba” com eles.”
    O mundo hoje ficou muito no conformismo. Questão de viol~encia, o medo da denuncia, ahhhh as coisas mudaram é assim mesmo, ahhhh todo dia acontece isso aqui perto…aí eu perguntoe nada se faz???? Vai deixando deixando até acontecer dentro das nossas casas, com nossos entes queridos, ou alguém próximo???
    QUando aparece alguém que dá o primeiro sinal de mudança muitas vezes ainda é criticado e as pessoas falam: Ahhh adianta não!!!
    Realmente a cultura da morte toda conta do nosso país e até do mundo inteiro.
    Estão esquecendo de Deus…estou me convencendo disso…estão esquecendo de DEUS..
    Roga por nós SENHOR JESUS…
    Abraço fraterno!
    ANA VALESKA – FORTALEZA

  8. ANA VALESKA disse:

    Ahhhhh obrigada Leandro por trazer essa reflexão .Pe João Almeida minha benção e agradecimento tbm por essa partilha.
    Temos que refletir simmmmm pois sou cristã católica e como tanto falamos usar a FÉ e RAZÃO.
    aBRAÇO FRATERNO
    ana valeska -fortaleza

  9. Patricia-SP disse:

    Olá… como sempre… este blog ensina a refletir e nos permite expressar. A alma cresce ao ser preenchida, esvaziada, concordante, discordante…

    Belo texto deste rapaz.
    Eu particularmente fiquei pasma com a tomada de descisão por parte dos adultos envolvidos. O aborto alí cometido foi (ao meu ver) ensinar uma criançar como se faz para exterminar outras crianças. São doses de friesas dedicada a esta alma infantil.
    Desde pequenos aprendemos a ter que nos preparar, a sabermos previnir e precaver os fatos do cotidiano para não nos prejudicarmos emocional, psiquico e fisicamente. Temos que estudar antes para realizarmos as provas finais…para escolhermos uma profissaõ a cursar já temos os tais textes vocacionais… fazemos entrevistas para entrar num emprego… temos que prepar a alma (batismo, comunhão, crisma…) para irmos bem no caminho do céu… temos que treinar horas a fio se quisermos nos dar bem nos esportes e assim vai…. e quem preparou a alma e o espirito desta criança para as concequências que virão com as violências que ela sofreu? A menina tem consciência, vai questionar, vai ser questionada, vai ser rejeitada, banalizada com brincadeiras, sentirá os olhares curiosos das descriminações e se ela se encolarizar pelo que vem sofrendo (e vier cometer algum ato violênto) ainda sofrerá as consequências de suas injustiças sofridas e não respeitadas… quem cuidará desta alma para o futuro humilhante? O médico tem título, a mãe é mãe, e a criança? Sobra um universo de erros somados dia após dia, sobra ser coitada, sobra ser os piores sentimentos de alma….

    Aí quem fica para curar, libertar, ajudar… só o amor do CRISTO zombado,duvidado, debochado,… ele sofreu na pele as desmedidas humanas e sabem do que o humano é capaz…. muitos destes só se lembram de JESUS em tempo de desgraça. Eis aí o verddeiro Homem de coragem que se deu à desgraça de maneira desprendida por amar a humanidade. Ele é quem vai ter o poder de reorganizar esta pequena alma arrazada… o amor de algum humano coerente (peço a Deus) que possa tocar esta alma maltratada. Eis o milagre de Vida;…. Trazer à vida aos olhos opacos de uma alma acinzentada pela injustiça social.

    É uma pena que a sociedade de hoje ensine matar, corromper, maltratar, desfazer, descartar…. e se ensconde sabiamente atrás de títulos, carreira, posição social entre outros tantos artificios.

    Hoje penso: De que vale tanto conhecimento para ser usado em favor de destruir vidas?

    Abraço fraterno

    Patricia-SP

  10. Patricia-SP disse:

    Quanto a excomunhão ouso dizer… o Pe não fez a ex-comunhão, foi os proprios adultos que escolheram se ex-comungar ao não respeitarem as leis de Cristo… quem não está com Cristo caminha contra ele… ou seja… ex-comunhão!

    É isso que acho!

    Patricia-SP

  11. Patricia-SP disse:

    Ops…Bispo de Olinda

  12. Maria Inês disse:

    Cruz é sinônimo de dificuldade, ser contra corrente, mesmo pequena..
    agora o assunto é vidas!!! “crucifixo vivo” diria Chiara Lubich!!!
    no Evangelho Jesus fala: em quem quiser ser meu discipulo tome a sua cruz… não a do visinho, do parente, do amigo mas a SUA CRUZ”
    e o que a gente se esquece é “das graças”, que Deus dá a cada um para levar essa cruz…por mais absurda que ela pode se apresentar…
    Nesse caso a medicina teria sim que ser usada nos seus maiores avanços …mas para defender a vida das três crianças… heróico sim…faz me pensar em Santa Gianna Beretta Molla, médica e santa veja sua história neste site http://www.portaldafamilia.org.....o237.shtml

    Que Santa Gianna M.Beretta nos ajude,e as nossas famílias a construirmos dentro de nossos lares essa Fé na medida que Jesus pensou!!!

    Maria Inês

  13. Anonimo disse:

    Caros irmãos,

    Venho aqui anonimamente, porque minha partilha ainda dói muito e me envergonha ainda mais.

    Tenho 30 anos e pratiquei um aborto aos 22.

    Era católica, ia a Sta Missa mas nõa tinha consciência do pecado qeu estava cometendo.

    Cheguei a comentar que estava “tirando um dente”

    Nos dias que seguiram apenas fiquei tomada de alívio, mas rapidamente um dor, qeu ainda hoje me amarga, me corroeu.

    Me afastei compeltamente da Igreja, e depois voltei, a procura de uam confissão.

    O padre ( que salvou minha vida e minha alma) me disse que pelo resto da minha vida eu deveria, sempre que houvesse oportunidade, “salvar” uma criança que necesitasse, como deixei de fazer com o meu filho.

    FAlo, com quem já sofreu na carne que todas as vezes que uma mulher gravida passa por mim eu penso no meu filho, qeu idade teria, como seria, qtos anos teria…

    Obviamente, me alivio, ( e não sou hipócrita de mentir) de não ter que conviver com o pai ( que era um desgraçado, violento e drogado) mas ainda epnso que no céu vou ter que olhar para meu bebÊ. e que provavelmente ele vai me amar, como não fui capaz de fazer.

    Ah! NA época eu era uma garota que morava em um flat, cursando direito em uma faculdade, meu namorado também. Todos os dois lindos, com roupas caras, e rostinhos perfeitos saído de um seriado americano.

    Se tivesse ouvido esse bispo ha alguns anos, talvez não tivesse matado meu filho.

  14. Yeda disse:

    Acredito que a reflexão é pertinente e nos leva a muitas outras, vendo alguns canais que falavam do caso, fiquei me perguntando: E agora meu Deus? e lembrei de Jesus de costas escrevendo na areia enquanto uma mulher seria apedrejada… A Igreja deve sim se colocar diante de tal fato, agora é hora de mostrar o que somos e a que viemos, Deus é pra sempre, seu amor é pra sempre, nosso testemunho não deve ser menor. Mostrar o errado também é o nosso papel, defender a Vida faz parte, calar nos faria igual a tudo o mais… Doe só de pensar estar no lugar da criança ou da mãe, mas o curso natural não aconteceu, mais uma vez a mão do homem destroçou a vida, mas dessa vez(como em muitas outras)o Cristo (através dos cristãos) não se calou. Agora vamos praticar a misericórdia com os envolvidos, principalmente os ignorantes. Um grande abraço atodos, e Pe. joãzinho obrigada pelo espaço!

  15. Dentro de minha fé simples, pois não tenho conhecimento teológico profundo, entendo que hoje nós estamos se afastando rapidamente de Deus. Não temos coragem de se lançar nos braços de Deus e nos agarramos às coisas do mundo. Queremos confiar em Deus, mas antes consultamos o horóscopo, observamos as opiniões da mídia, dos políticos e por fim efetuamos análise com critérios da lógica humana.
    Abraão se lançou nos braços de Deus quando estava a caminho para sacrificar o próprio filho e não fez nenhuma pergunta. Abraão é realmente o pai da fé.
    Com relação ao assunto da excomunhão, as pessoas estão efetuando uma análise com base na informação da mídia e do presidente da república e esquecem que o tema é teológico; não se analisa com parâmetros não religiosos.
    O próprio médico auxiliar, numa entrevista, afirmou que a menina PODERIA correr riscos e que a medicina trabalha com probabilidades.
    A mãe da menina, pessoa simples e humilde, não se lançou nos braços de Deus e há notícias de que seguiu a idéia da assistente social.
    A Igreja é uma comunhão de pessoas e possui regras e normas. Quem não aceita essas regras tem a opção de se retirar. Ora, nós quando pertencemos a qualquer associação temos que cumprir as normas dessa associação ou deixá-la.
    A excomunhão é automática e apenas lamento que ela não alcance o padrasto causador de tudo isso, o advogado que solicitou a ordem judicial para o aborto e o juiz que a concedeu. Com certeza todos os envolvidos serão castigados pela misericórdia Divina. Isso mesmo, serão castigados, pois com a misericórdia suas consciências serão ativadas e perceberão que cometeram um grave pecado. Não há castigo pior que ter a consciência do pecado e a conseqüente vergonha de encarar Deus.
    De tudo isso temos dois alertas, um de cunho civil e outro religioso:
    a) As mães necessitam estar mais atentas ao mundo dos filhos. A observação diária evita transtornos e corrige eventuais desvios.
    b) O episódio comprova que infelizmente as pessoas estão deixando Deus pelo deus da mídia, pois hoje em dia a mídia é que determina até o modo de pensar das pessoas.

  16. Thiago Luziano disse:

    É terrível a violência sexual contra uma mulher, ainda mais horrível contra uma criança indefesa. Mas matar essa mulher é ainda pior, matar essa criança ainda mais horrível. Matar duas crianças indefesas no ventre de sua mãe, hediondo.

    A Igreja considera, desde sempre, que qualquer mão que se levante contra um inocente deve ser impedida, mas aquela que quer matar e se levanta para o indefeso deve ser ainda mais refutada.

    Mesmo que não fosse declarado, todo aquele que de alguma maneira provoca o aborto, livre e voluntariamente, quando pode deixar de fazê-lo é automaticamente excomungado.

    Se não for católico, isso não implica em nada; antes só revela o mais verdadeiro sentido do que significa excomunhão: a pessoa é estirpada da comunhão católica, considerada fora da moral e costumes cristãos, demonstra seu claro e indistinto desrespeito à vida humana na sua origem.

  17. anónimo disse:

    QUE DEUS N. SENHOR TENHA MISERICÓRDIA DE MIM, E, DE TODOS!

    Violentar uma criança, não será o caso de matá-la na sua essencia?

    Matar, é só fisica ou também psicológicamente?

    Eu reconheço JESUS como fonte de misericórdia. Como é possivel, a titulo de facto de uma norma (direito canonico), julgar e passar na lama esta mãe e esta criança? Não terão elas, sofrido já o suficiente?

    Recordem em vossos dias, até ao ultimo de vossas vidas, cada letra aqui escrita, como julgamento, como sendo cada um justiceiro…. recordem em vossos dias, não conhecem o dia de amanhã, não sabem…. o que vos espera no minuto seguinte, na próxima esquina.

    Eu preferia vêr uma corrente de oração, pedindo Misericórdia para todos os envolvidos.

    De facto não foi isso que JESUS nos veio ensinar?

  18. marinha disse:

    Imagine-se dentro um barco,em alto mar,vc e mais duas pessoas que ama muito. De repente vc percebe que está sendo seguido por alguns bandidos e seu barco está muito lento. Vc só tem uma chance, retirar alguém do barco e correr mais rápido, ou lutar todos todos juntos, mesmo sabendo que poderam morrer pois não terão armas suficiente para lutar com aqueles bandidos.Será que você teria coragem de jogar alguém que ama muito no mar??? Ou só jogaria aquele que vc não consegue amar???

    Foi muito Fácil abortar aqueles nenéns, ninguém sentiu amor por eles, ninguém imaginou que eles fossem gente. Isso ta aexpolicado poque fizeram esse tal aborto.

    Que triteza!! Até qdo o mundo vai deixar de amr o ainda não vê?

    Pensem!!!!!

  19. Luciana disse:

    Boa noite, pe. João Carlos Almeida
    Parece que a equipe médica foi ” condenada à fogueira”,alguns já falam em um retorno aos tempos da Inquisição.
    Gostaria de salientar que este tipo de crime, abuso sexual em crianças cujos autores sejam pais, tios, padrastos,irmãos,primos é muito mais comum do que se imagina.
    Sou professora e já acompanhei diversos casos…Certa vez,uma menina de 12 anos relatou-me que “seria a próxima,o pai estava olhando-a de forma diferente”, a primeira tinha sido a irmã que sofria abusos do pai há anos ,tendo feito um aborto a mando deste. Indaguei se a mãe tinha conhecimento dos fatos e ela respondeu-me que esta fingia que não via e não sabia de nada…estava revoltada com a atitude da mãe.
    Há inúmeros ouros casos, ainda piores…Desejaria que a opinião pública também expressasse essa mesma indignação com os casos que não ganham repercussão porque ninguém foi excomungado…
    Percebo que a excomunhão ganhou mais destaque que o ato de violência…
    Quando tomei conhecimento do fato, a primeira pergunta que ocorreu-me foi o fato de um desqualificado violentar duas meninas por três anos seguidos e a mãe não perceber nada,não estou julgando, apenas expondo uma situação uma vez que na sala de aula passo 100 minutos por dia com os jovens e três meses após tê-los conhecido percebo quando algo não vai bem…Não basta ser pai ou mãe tem que participar…
    Uma outra situação muito comum e a causa de muitas desgraças é o fato de as pessoas nem bem terminam um relacionamento, envolvem-se apressadamente e acabam colocando qualquer um em casa e quem sofre são os inocentes,os filhos, ou mesmo, as próprias mulheres…Fato este comprovado nos noticiários diários, quem acompanha sabe…
    Vale ressaltar que esta equipe médica atende a qualquer mulher vítima de violência que deseja abortar o feto, alguns seriam reincidentes…E a lei divina é clara sobre o assassinato.Ou alguém duvida de que o aborto seja um assassinato?
    Quanto ao fato de a menina ter nove anos, aliás, a criança é a única vítima nesta história, o aborto não seria a melhor opção? Jesus que é misericórdia e revelou predileção pelos pequeninos não aprovaria o aborto?
    Penso ser infrutífera e descabida esta última colocação, jamais saberíamos o que Jesus faria, não temos competência para tanto, afinal Ele é o messias e as suas escolhas e posiçoes segundo a bíblia foram contraditórias ” eu vim para dividir…”(não sei se esta é a frase correta, penso ser algo parecido), os discípulos escolhidos, o perdão à pecadora em praça pública(de acordo com a lei de Moisés apedrejar a mulher adúltera era considerado correto), confraternizou-se com os pagãos, sentiu medo, chorou,pediu ajuda,etc.
    Todas as escolhas feitas acarretam consequências.Não sabemos nem se a mãe da menina é católica…
    Se for, sabe que a igreja possui as suas leis e se viu no aborto a única opção,tem conhecimento de que sofrerá retrições como as pessoas que contraíram segundo matrimônio.
    Uma verdade não pode ser negada, toda instituição possui regras,por exemplo, a tv globo,os artistas exclusivos não se apresentam em outras emissoras,os juízes devem possuir reputação impecável,até os árbitros de futebol, vejam o que aconteceu com a bandeirinha que fez nu artístico(foi afastada),etc. Por que só a igreja não pode ter?
    Alguns estão e com razão indignados com o fato de o malfeitor não ter sido excomungado, lembrei-me na hora da morte de Jesus que perdoou um bandido dizendo “Ainda hoje estarás comigo…”, vale ressaltar que, segundo os estudiosos, a morte de cruz era desiganada aos piores marginais da época…
    Este é o Jesus que a igreja anuncia, misericordioso,justo e contraditório, por isso mesmo, fascinante…
    Terminando, o que eu faria? Não sei, só sei que independentemente da atitude que tomasse, saberia arcar com as consequências, confiando sempre na misericórdia…
    PS.Este momento é único para que todos reflitam que tipo de ser humano a sociedade tem gestado.Sociedade destituída de valores morais, éticos e religiosos, mestra em preocupar-se com o articial e não busca o âmago da situação.

  20. Viriato disse:

    Bom, vou me atrever a debater. Se eu estiver errado alguém me corrija rs.

    1. Por que o pecado do aborto determina a excomunhão e o estupro não?

    Creio que não seja o pecado em si. Tanto que um arrependimento (sincero) os traz de volta à Igreja.
    Creio que a excumunhão se dê pela tentativa de institucionalização de um crime (nesse caso), pela relativização de uma lei de Deus e principalmente pela consciência explícita de passar por cima de um mandamento divino.
    Acho que isso responde a algumas outras…

    4. Se não comungamos com a integralidade do ensinamento moral da Igreja estamos também excomungados? Por exemplo, posso ser católico mesmo não concordando com a posição da Igreja em face dos preservativos e do sexo antes do casamento?

    Sendo bem radical, se não comungar com a integralidade dos ensinamentos morais da Igreja, saia dela. Deus não precisa da gente, a gente que precisa dele. Se vc não comungados ensinamentos da igreja vc é um herege. Deus não dá exceção, se quiser seguir a Igreja, siga-a em sua totalidade. Se errar por ela, vc não estará errando, pq quem obedece não erra.

    5. Como conciliar tolerância (usar de misericórdia, abrir-se ao diálogo, etc) e profetismo (proclamar a Verdade, indicar o erro, denunciar o mal)?

    Aí, meu colega, vc perguntou muito bem… Eu tenho paciência até um certo tempo. E pra tantas outras eu não tenho mais… Errado sim, que Deus tenha misericórdia de mim e me ajude a ser melhor. Enfim, mas acho que o que o bispo de Olinda está fazendo consegue nos responder né, pq com tanta sabedoria ele está sendo extremamente tolerante com o caso.

    Quanto a questão do aborto em si, é o que falei em resposta à pergunta 4. Não há que se questionar ou relativizar. Deus manda não matar e fim de conversa! Não é nem dogma, é MANDAMENTO. Agora, claro, a gente é todo lixo, como diria S. Luis M. G. Monfort, então se fazemos besteira, que nos arrependamos e tenhamos o propósito de não fazer mais…

  21. Leandro Costa disse:

    Agradeço cada comentário a esta reflexão! Cada um deles me fez crescer um pouco mais.
    Quero agradecer em especial o testemunho anonimo e eloquente de nossa irmã! Não sei seu nome, mas louvo Deus pela sua vida. Você me fez lembrar uma frase de Santo Agostinho: “Deus é tão bom que pode sempre retirar um bem maior mesmo do maior mal que nos aconteça.” Peço autorização para compartilhar seu testemunho nas listas que participo.
    Todavia, ainda aguardo alguém que me ajude a responder as perguntas que formulei. Pedro nos diz que devemos estar sempre prontos a apresentar as razões de nossa esperança e, nos dias de hoje, esta prontidão passa pelo estudo, pelo não ter medo de fazer perguntas e buscar respostas.
    Diante de toda a celeuma levantada pelo caso, ainda não vi ninguém de nossa Igreja que pontuasse com clareza as várias questões suscitadas palo posicionamento católico.
    Esta chegando o dia 25/03, dia da encarnação de Jesus, creio ser uma oportunidade impar para irmos às ruas, fazermos vigílias, reflexões sobre o tema da dignidade da pessoa humana e o valor da vida.
    Fraterno abraço a todos!
    Maria, sede de sabedoria, rogai por nós!

  22. Luciana disse:

    Bom dia, pe. João Carlos
    No comentário que fiz esqueci-me de fazer uma reflexão.
    Eu busco seguir as leis da igreja, porém não sou uma pessoa presa apenas à rigidez,sei que estou no erro quando minha consciência me acusa e não necessito de que ninguém me diga que estou momentaneamente impedida de participar de alguns sacramentos da igreja.
    Nestes momentos, o silêncio e a reflexão,acrescidas de orações, mesmo que não tenha vontade ou esteja sombria no interior são importantes para que eu consiga participar do sacramento da confissão e assim frequentar a igreja na sua totalidade.
    Temos a mania de medir pecados,não cometi uma transgressão tão violenta quanto este rapaz, mas nem por isso minhas atitudes não tenham sido tão maléficas.Ás vezes a nossa frieza, a falta de amor para com as pessoas podem ser tão destruidoras quanto um estupro.
    Antes de verificar se estou em consonância com as leis da igreja, vejo se estou em sintonia com as atitudes de Jesus expressa pelos evangelhos. Alguns poderiam dizer,devemos seguir as leis da igreja. Vale lembrar que algumas leis foram criadas pelos parte humana passível de erros.
    Minha mãe, por exemplo, operou para que não tivesse mais filhos,pois esteve entre a vida e a morte nas três gravidez, a saúde desta falou mais alto.
    E olha que não há pessoa mais religiosa do que ela, não porque participa de tudo na igreja, vive rezando,mas pelas sua atitudes de cristã autêntica no agir e pensar, na prática e não apenas na teoria.
    Um abraço.

  23. Mauro disse:

    É um fato polêmico. A menina poderia morrer na cirurgia, pois um corpo de 9 anos de idade não teria estrutura para suportar uma gravidez de gêmeos. Seria certo a mãe arriscar e acabar perdendo a filha? Que mãe não protege sua cria? E supondo que corresse tudo bem e ela tivesse os gêmeos. Quando a menina tivesse 15 anos de idade, os filhos já teriam 6 anos. Uma adolescente com 15 anos, tem que estudar e até brincar; mas ser mãe? Com que preparo? A avó poderia ajudar, alguém pode falar. Mas e a cabeça dessa menina, como ficaria? É muito radicalismo da igreja. E esse assunto está gerando muita pauta sobre a excomunhão, em vez de gerar pauta em como ficará o tratamento psicológico e físico dessa criança de 9 anos. Ah, é bom lembrar que a mãe também precisa de orientação e direção e a igreja poderia ajudar e acolher, em vez de excomungar. Jesus não falaria a ela: “Olha, agora você não pode mais participar de meus sermões.” Por que a igreja não excomunga padres pedófilos? Isso não é um ataque a igreja Católica. Mas é preciso questionar a lógica, pois se não houver uma, então é mesmo algo ditatorial que vem da igreja, no qual ela protege os seus e condena quem ela acha que deve.

Leave a Reply

You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>