Por Dom Jesús Sanz Montes, ofm, arcebispo de Oviedo
OVIEDO, sexta-feira, 12 de março de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos a meditação escrita por Dom Jesús Sanz Montes, OFM, arcebispo de Oviedo, administrador apostólico de Huesca e Jaca, sobre o Evangelho deste domingo (Lucas 15, 1-3.11-32), 4º da Quaresma.
* * *
Era uma cena complicada, que Jesus resolverá com uma parábola impressionante. Em volta dele aparecem os publicanos e pecadores, por um lado (o filho mais novo), e os fariseus e letrados por outro (o filho mais velho). Mas o protagonismo não recai nos filhos nem naqueles que os representam, mas no pai e em sua misericórdia.
A breve explicação da vida desenfreada do filho menor, a forma como ele cai em si e o resultado final da sua frívola fuga têm um término feliz. É surpreendente a atitude do pai no encontro com seu filho, descrita com intensidade nos verbos que desarmam os discursos do seu filho, indicando a tensão do coração misericordioso desse pai: “Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos”.
O erro que o conduziu à fuga rumo às miragens de uma falsa felicidade e de uma escravizante independência será transformado pelo pai em encontro de alegria inesperada e desmerecida. A última palavra dita por esse pai sobressai a todas as penúltimas ditas pelo filho, é o triunfo da misericórdia, da graça e da verdade.
Triste é a atitude do outro filho, cumpridor, sem escândalos, mas ressentido e vazio. Se ele não pecou como seu irmão, não foi por amor ao pai, mas por amor a si mesmo. Quando a fidelidade não produz felicidade, não se é fiel por amor, mas por interesse ou por medo. Ele havia permanecido com seu pai, mas sem ser filho, colocando um preço ao seu gesto. Pôde ter mais do que exigia sua mesquinha fidelidade, mas seus olhos lerdos e seu coração duro foram incapazes de ver e de se alegrar. “Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu”, disse-lhe o pai. Tendo tudo, ele se queixava da falta de um cabrito.
Quem vive calculando, não consegue entender, nem sequer consegue ver o que lhe é oferecido gratuitamente, em uma quantidade e qualidade infinitamente maiores que sua atitude tacanha pode esperar.
A trama desta parábola é a trama da nossa possibilidade de ser perdoados. Como disse Péguy, Deus, com esta parábola, foi aonde nunca antes se havia atrevido, acompanhando-nos com esta palavra muito além do que nos acompanha com outras palavras também suas. O sacramento da Penitência, que recebemos especialmente nestes dias quaresmais, é o abraço desse Pai que, vendo-nos em todas as nossas distâncias, aproxima-se de nós, nos abraça, nos beija e nos convida à festa do seu perdão, com uma misericórdia sem fim.

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Padre Joãozinho sua Benção! Linda reflexão,neste tempo de quaresma é tudo que precisamos ler para nosso crescimento espiritual,sempre leio seus textos e aprendo muito .Obrigada homem de Deus. Muito muito obrigada……….
Bom dia,padre João Carlos de Almeida
Eu vivenciei essa história em minha vida,nos dois sentidos,nas duas vertentes…
É uma das metáforas bíblicas que mais me emociona,também estive distante por dezessete anos…
Sei o que é retornar,sentir o abraço,o aconchego divino…
Foi a experiência mais importante da minha vida…
Serei eternamente agradecida à seta,à pessoa que apontou-me o caminho de volta,passava por um momento em que a escuridão envolvia-me,as algemas da vida aprisionavam a minha alma…
Respeitosamente,amo essa pessoa em Cristo,assim como amo meu pai(que já se foi),minha mãe,meus irmãos,o senhor também,suas palavras ajudam-me e muito,amor divino,sincero e gratuito…
Ele foi Jesus em minha vida naquele momento e em muitos outros.. E isso não passará,ainda que a vida tome rumos diferentes…
Afinal,quem foi alvo da misericórdia,do amor divino,aprende a ser misericordioso e a amar…
Também fiz como o filho pródigo,pedi a Deus o direito de ser livre,independente,mas hoje sei que Ele sempre velou por mim,ainda que eu não percebesse…
Nesse tempo,fiz uso do livre-árbítrio,a vida girou em torno do que eu queria,precisava…
Entretanto, vieram as insatisfações,as culpas,os sofrimentos;não levei uma vida dissoluta,de vícios… a vida girava apenas ao redor das minhas vontades,entretanto a matéria não satisfaz o espírito…
O retorno fez-me entrar no eixo da autocompreensão, voltei a mim mesma,percebo hoje que entre o momento que deixei a casa do Pai e o de retorno houve uma evolução considerável,saí do sofrimento e atingi a redenção,literalmente evoluí,aprendi a SER,
experiência que o filho mais velho não fez…
Quem encontra o verdadeiro SER,conhece o amor e não quer saber de recompensas como o filho mais velho…
Esse ano farei um outro reencontro,afinal ano passado foi um ano
terrível,o mais difícil da minha vida,embora não tenha me afastado da igreja…
Acontece que subi mais um degrau no processo de ser gente e cristã,somos muito testados quando perdemos alguém que amamos e perder o meu pai foi como se me dilacerassem ao meio…
Penso que continuamente estaremos vivenciando essa volta de filho pródigo aos braços do Pai,demonstra que estamos sempre evoluindo espiritualmente…
Comigo,isso sempre acontece na Páscoa…A Quaresma está sendo para mim realmente um tempo de preparo para receber mais uma vez o abraço…
Um santo fim de semana,fique com Deus e na paz.
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Amado pe Joaozinho! Quem me dera ter um padre como o senhor por perto. Mesmo assim bebo da sua sabedoria sempre que o senhor nos ensina através do seu Blog,dos seus livros,Cds. etc. Que Deus o abençoe sempre mais.\PAZ E BEM!\
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Misericórdia sem fim http://blog.cancaonova.com/pad.....a-sem-fim/
Bom dia padre Joãozinho! Há quanto tempo não escrevo aqui. Quando li “O Twitter é inútil???” fiquei pensando o quanto é contraditória essa pergunta. O Twitter tem justamente a função de aproximar as pessoas. Quantas amizades fiz aqui! É lógico que temos que saber selecionar. O Twitter é uma comunicação rápida e eficiente. Estamos próximos de pessoas tão distantes, pessoas em cada canto desse país e do mundo. E de pessoas tão especiais como o senhor, Pe.Fábio, Pe.Júlio, Chalita e outros. Acredito que essa pessoa não sabe é selecionar as pessoas com que comunica aqui. Eu adoro o Twitter! O Twitter agora faz parte da minha vida, só espero um dia poder conhecer essas pessoas com que faço amizades. O senhor mesmo é um que quero conhecer pessoalmente. Sua benção!