A Semana Santa é o ponto de chegada de toda uma caminhada de Quaresma. Foram 40 dias de um verdadeiro retiro para os cristãos, tendo em vista a sua conversão. Esse grande retiro tem a finalidade de nos preparar para assumir uma vida nova no tempo de Páscoa, passagem da morte para a vida, da tristeza para a alegria, do luto para a esperança. Então, nós que seguimos Jesus, durante toda a Quaresma, nos aproximamos da cruz, na esperança da luz.

Essas duas palavras podem resumir bem o significado da Semana Santa, mas principalmente o Tríduo Pascal é uma passagem pela cruz pra chegar à luz. Esses três dias, na verdade, são quatro: quinta, sexta, sábado e domingo. Mas como os dias litúrgicos sã contados a partir do por do sol do dia anterior, podemos dizer que quinta-sexta, formam o dia da eucaristia-paixão; sexta-sábado é o dia do silêncio-sepulcro; sábado-domingo é o terceiro dia: a páscoa-ressurreição.

Assim, a quaresma termina na Celebração do Crisma, na quinta-feira santa de manhã, quando as paróquias todas reunidas com o seu bispo e padres celebram a missa do crisma na Catedral. Lá é dada a benção dos santos óleos (dos Catecúmenos, dos Enfermos e do Crisma), que serão usados no Batismo, Unção dos Enfermos e no Sacramento do Crisma, ao longo de todo ano. Depois de abençoado, esse óleo é levado para as paróquias, numa celebração que expressa a unidade da Igreja em torno de seu bispo.

Na quinta à noite, começa o tríduo pascal com a celebração da Instituição da Eucaristia e Lava-Pés. Celebramos a celebração da entrega de Jesus, que vai se completar na tarde de sexta-feira, com a celebração da Paixão e Morte de Cristo. A Eucaristia, celebrada na quinta-feira, mostra-se como um serviço de Deus a nós. Deus se entrega sob a forma de pão consagrado, presença de Jesus que cumpre a sua promessa: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim”. Ao final dessa celebração, já entrando no clima da Morte e Ressurreição, é feito o traslado da Eucaristia para um altar lateral e a comunidade fica em adoração, recordando aquele momento em que Jesus foi ao Horto das Oliveiras e disse aos apóstolos que orassem e vigiassem.

Na Sexta-feira da Paixão, dia de jejum, silêncio, oração e confissão, tem-se a Celebração da Paixão, muito austera, quase sem música, onde a Igreja reza a Oração Universal. Há um momento de reconhecimento da Cruz de Cristo, instrumento de nossa salvação. Então faz-se a adoração do Cristo na Cruz, com a Cerimônia do Beijamento, gesto de muito carinho, preservado pela tradição. Este gesto não significa uma adoração a um objeto de madeira, mas quer dizer que nós adoramos o Cristo que foi crucificado.

Durante o sábado, muita gente se sente meio perdida, não sabe bem o que fazer. Este momento seria a oportunidade de silenciar e orar até a Vigília Pascal. Este segundo dia é o dia do silêncio, da ausência e do sepulcro. Se o primeiro dia é da entrega, da morte, da paixão de Jesus, o segundo dia é do sepulcro. Isso se verifica claramente em Taubaté, nas Sacramentinas. Lá, durante 364 dias por anos têm-se o Santíssimo Sacramento exposto para adoração perpétua, menos na Sexta-feira Santa. Para as Sacramentinas, este é um dia de sentir uma saudade muito grande de ver novamente Jesus Eucarístico. Ele é trasladado a um altar lateral, como manda a Igreja. Como em todas as igrejas, o sacrário fica aberto, dando essa sensação de ausência.

Aí vem o terceiro dia, que é o dia da luz, da ressurreição, que tem início na Vigília Pascal da noite de sábado. Se na sexta-feira Cristo vem a nós crucificado, no sábado ele entra glorioso, feito luz da vida que venceu a morte.

Feita a benção do fogo na porta da igreja, o padre entra com o Círio Pascal, que representa o Cristo Ressuscitado, e diz: “Eis a luz de Cristo!”. Esta alegria deve contagiar a todos, que então acendem suas velas no Círio Pascal. É então cantada uma canção antiquíssima da Igreja, o “Exultet”, que quer dizer “Alegrai-vos”. É a proclamação alegre, festiva e solene da Ressurreição de Jesus. É uma celebração um pouco longa, mas muito bela. São proclamadas várias leituras, que narram e fazem memória da Paixão, do Gênesis ao Apocalipse. Celebra-se também o batismo, uma vez que este era o dia em que todos eram batizados no cristianismo primitivo. No Batismo e na Eucaristia, nós somos renovados em Cristo podemos desejar dignamente uma Feliz Páscoa aos nossos irmãos.

O ideal seria que essa vigília se prolongasse até a manhã de domingo, mas, por motivos diversos, não se estende essa celebração pela noite inteira. Por esse motivo, faz-se a Procissão da Ressurreição, logo nas primeiras horas da manhã de domingo. Depois, ao longo do dia se volta a celebrar a Eucaristia solene e festivamente, pois Cristo ressuscitou!

Pe. João Carlos Almeida, scj

Professor na Faculdade Dehoniana

Sacerdote da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, reside atualmente em Taubaté-SP, onde atua como professor de teologia e Diretor Geral da Faculdade Dehoniana (www.dehoniana.org.br). É doutor em Teologia Sistemática (Assunção - SP), em Educação (USP) e em Espiritualidade (Gregoriana - Roma). Evangeliza também por meio da música e de diversos livros e artigos em revistas. Atua também em pregação de retiros, cursos e programas de televisão.

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