Acabo de responder à uma entrevista sobre o atual momento em que passamos no Brasil. Sairá no ZENIT. Socializo a íntegra aqui no BLOG:

1- Qual deveria ser, na sua opinião, a atitude dos sacerdotes do Brasil perante a conjuntura política atual do Brasil? Só um bispo se pronunciou ontem pelo facebook, Dom Henrique Soares. 
Em primeiro lugar é preciso estar atento aos fatos e procurando fontes seguras de informação. O perigo neste momento é deixar-se levar pela paixão. Mas objetivamente a situação é grave. A crise política criou o cenário ideal para o desenvolvimento da crise econômica que acabou se agravando em crise financeira. Mas no fundo de tudo está uma crise moral. O Brasil é forçado a olhar no espelho e ver a sua história de corrupção que toma nossas instituições de alto a baixo. Mas isso não resiste à aplicação formal da lei. Neste momento em que o Executivo e o Legislativo estão completamente perdidos e desmoralizados, o judiciário exerce seu papel gerando um pouco de esperança. Precisamos apoiar  decididamente o judiciário.
2- Como a Igreja Católica no Brasil pode ajudar nesse processo de conscientização política da população? 
 Uma manifestação clara da CNBB pode ajudar. Mas penso que a postura dos bispos e padres de modo capilarizado é mais eficaz. É missão do cristão atuar como luz do mundo e sal da terra. Hoje existe um vácuo de poder. Sabemos que o que está aí não nos agrada. Mas existe um projeto de país? Qual é? Que lideranças estamos preparando para assumir nossas prefeituras, câmaras… etc. É preciso promover a formação de lideres íntegros que possam assumir o país nos próximos anos. Quem vai à Igreja “só” para rezar não rezará. A mística sem a militância é estéril e cínica.
3- Um sacerdote, um clérigo, não é, sem dúvida um agente público de nenhum governo, mas, ainda assim, ele tem alguma função política em uma nação, ou só rezar? 
Tenho RG, CPF e Título de Eleitor. Pago Imposto de Renda. Sou um cidadão livre. Se eu falar demais pode deixar que meu superior religioso e meu bispo irá me advertir. É preciso deixar claro quando você fala em nome próprio e quando fala em nome da Igreja. Para exprimir posições políticas uso minha mídia própria: Twitter, Face, etc. Você não me ouvirá manifestar posições político partidárias em uma homilia ou em um canal de TV.
4- Como cidadãos, na sua opinião, os clérigos deveriam apoiar o povo nessa hora? Como? 
O padre é casado com o povo. Não pode deixar o povo só. Tem que ouvir e ajudar a discernir.
5- O que significa a paz? Só uma ausência de guerra? 
Paz é equilíbrio vital. É recuperar a graça original. O pecado corrompeu a humanidade. É preciso restaurar, reparar, recuperar a dignidade. A construção da paz passa pela não-violência ativa. Precisamos superar o “olho por olho” e promover a cultura do diálogo: do “olho no olho”!
6- Que mensagem você daria, como sacerdote, aos brasileiros, nesse momento político único e inédito que estamos vivendo?
Após as tragédias políticas de ontem só consigo pensar na regra de discernimento da primeira semana dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio: “O inimigo age como um sedutor, ao querer ficar oculto e não ser descoberto. pois o homem corrupto, quando solicita por palavras para um fim mau a filha de um pai honrado ou a mulher de um bom marido, quer que suas palavras e insinuações fiquem em segredo. Ao contrário muito se descontenta quando a filha revela ao pai ou a mulher ao marido suas palavras sedutoras e intenção depravada, pois facilmente conclui que não poderá levar a termo o empreendimento começado. Da mesma mesma forma, quando o inimigo da natureza humana apresenta suas astúcias e insinuações à alma justa, quer e deseja que sejam recebidas e guardadas em segredo. Mas quando a pessoa tentada as descobre a seu bom confessor ou a outra pessoa espiritual, que conheça seus enganos e malícias, isso lhe causa grande pesar, porque conclui que não poderá realizar o mal que começara, uma vez que foram descobertos seus enganos evidentes.” (Santo Inácio de Loyola 1491-1556)

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