O Espírito Santo, alma da Igreja!

Filed under: João Paulo II, Aulas — padrejoaozinho at 3:48 pm on Monday, September 17, 2007

Catequese de João Paulo II na audiência geral de quarta-feira – 08 de julho de 1998

                     Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/audiences/1998/documents/hf_jp-ii_aud_08071998_sp.html

                                             Tradução: Pe. João Carlos Almeida, scj

Síntese: 

A Igreja é vivificada e animada pelo Espírito Santo. Como vemos em Pentecostes, não basta um grupo de pessoas para se formar uma comunidade cristã; é preciso o Espírito divino. Santo Ireneu explica porquê: «Assim como não é possível, sem a água, fazer da farinha um pão, assim também nós, que somos muitos, não podíamos tornar-nos um só em Jesus Cristo, sem a água que vem do Céu», o Espírito Santo. Este habita na Igreja, não como hóspede nem um estranho, mas como a sua alma, que transforma a comunidade em templo santo de Deus, assimilando-a continuamente a Si por meio do dom que Lhe é próprio, a caridade. 

Texto completo: 

1.      “Se Cristo é a cabeça da Igreja, o Espírito Santo é a sua alma”. Assim afirmava meu venerável predecessor Leão XIII na encíclica Divinum illud munus (1897: DZ 3.328). E depois dele, Pio XII explicitava: o Espírito Santo no corpo místico de Cristo é “o princípio de toda ação vital e verdadeiramente saudável em todas as partes do corpo místico” (Encíclica Mystici Corporis, 1943: DZ 3.808). Hoje queremos refletir sobre o mistério do corpo de Cristo, que é a Igreja enquanto vivificada e animada pelo Espírito Santo. Depois do acontecimento de Pentecostes, o grupo que dá origem à Igreja muda profundamente: primeiro se tratava de um grupo fechado e parado, cujo número era de “uns cento e vinte” (At 1,15); logo se transformou em um grupo aberto e dinâmico ao qual depois do discurso de Pedro, “se uniram umas três mil pessoas” (At 2,41). A verdadeira novidade não é tanto este crescimento numérico, ainda  que seja extraordinário, mas a presença do Espírito Santo. Com efeito, para que exista a comunidade cristã não basta um grupo de pessoas. A Igreja nasce do Espírito do Senhor. Ela se apresenta - para utilizar uma feliz expressão do saudoso Cardeal Congar - “completamente elevada ao céu” (La Pentecoste, trad. ital., Brescia 1986, p. 60).2.      Este nascimento no Espírito, que teve lugar para toda a Igreja em Pentecostes, se renova para cada crente no batismo, quando somos mergulhados “em um só Espírito”, para ser enxertados “em um só corpo” (1Cor 12,13). Lemos em Santo Irineu: “Assim como a farinha não pode fazer, sem água, um só pão, tampouco nós, que somos muitos, podemos chegar a ser um em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu” (Adv. haer. III, 17, 1). A água que vem do céu e transforma a água do batismo é o Espírito Santo. Santo Agostinho afirma: “O que nosso espírito, ou seja, nossa alma, é para nossos membros, o mesmo é o Espírito Santo para os membros de Cristo, para o corpo de Cristo, que é a Igreja” (Serm. 267, 4). O concílio ecumênico Vaticano II, na costituição dogmática sobre a Igreja, recorre a esta imagem, a desenvolve e lhe dá um sentido mais preciso: Cristo “ nos deu seu Espírito, que é o único e o mesmo na cabeça e nos membros. Este de tal modo dá vida, unidade e movimento a todo o corpo que os santos Padres puderam comparar sua função à que realiza a alma, princípio de vida, no corpo humano” (Lumen gentium, 7). Esta relação do Espírito com a Igreja nos orienta para que a compreendamos sem cair nos dois erros opostos, que já a Mystici Corporis indicava: o naturalismo eclesiológico, que se detém unilateralmente no aspecto visível, chegando inclusive a considerar a Igreja como uma simples instituição humana; ou ainda, ao contrário, o misticismo eclesiológico, que se assentua a unidade da Igreja com Cristo, até o ponto de considerar Cristo e a Igreja como uma espécie de pessoa física. Trata-se de dois erros que têm uma analogia, como indica Leão XIII na encíclica Satis cognitum, com duas heresias cristológicas: o nestorianismo que separava as duas naturezas de Cristo, e o monofisismo, que as confundia. O concílio Vaticano II nos proporcionou uma síntese, que nos ajuda a captar o verdadeiro sentido da unidade mística da Igreja, apresentando-a como “uma realidade complexa na qual estão unidos o elemento divino e o humano” (Lumen gentium, 8).3.      A presença do Espírito Santo na Igreja faz que ela, ainda que esteja marcada pelo pecado de seus membros, seja preservada do defeito. Com efeito a santidade não só substitue o pecado, como o supera. Também neste sentido se pode dizer com São Paulo que onde abundou o pecado, superabundou a graça (cf. Roma 5,20). O Espírito Santo habita na Igreja, não como um hóspede que, portanto, é um estranho, mas como a alma que transforma a comunidade no “templo santo de Deus”. (1 Co 3, 17; cf. 6, 19; Ef 2, 21) e a assimila continuamente a si por meio de seu dom específico que é a caridade(cf. Rm 5, 5; Gl 5, 22. A caridade, nos ensina o concílio Vaticano II na constituição dogmática sobre a Igreja, “dirige todos os meios de santificação, lhes dá a sua forma e os leva ao seu fim” (Lumen gentium, 42). A caridade é o “coração” do corpo místico de Cristo. Como lemos na bela página autobiográfica de Santa Terezinha do Menino Jesus: “Cimpreendi que a Igreja tinha um corpo, composto por diversos membros, e não faltava o membro mais nobre e necessário. Comprrendi que a Igreja tinha um coração, um coração ardente de amor. Entendi que só o amor impuslsionava os membros da Igreja à ação e que, se fosse apagado este aor, os Apóstolos não haveriam anunciado o Evangelho, os mártires não teriam derramado seu sangue (…) compreendi que o amor abraça todas as vocações, que o amor é tudo, que se extende a todos os tempos e todos os lugares (…), em uma palavra, que o amor é eterno” (Manuscrito autobiográfico, B 3 v).4.      O Espírito que habita na Igreja mora também no coração de cada fiel: é o dulcis hospes animæ. Portanto, seguir um caminho de conversão e santificação pessoal significa deixar-se “guiar” pelo espírito (cf. Rm 8,14), permitir a Ele trabalhar, orar e amar em nós. “Fazer-nos santos” é possível, se nos deixamos santificar por aquele é é o Santo, colaborando dócilmente em sua ação transformadora. Por isso, […] para o fortalecimento da fé e do testemunho dos cristãos, “é necessário suscitar em cada fiel um verdadeiro anseio de santidade, um forte desejo de conversão e de renovação pessoal em um clima de oração cada vez mais intensa e de solidária acolhida do próximo, especialmente do mais necessitado” (Tertio millennio adveniente, 42). Podemos considerar que o Espírito Santo é como a alma de nossa alma e, portanto, o segredo de nossa santificação. Permitamos que sua presença forte e discreta, íntima e transtormadora, habite em nós.5.      São Paulo nos ensina que a inhabitação do Espírito Santo em nós relacionada intimamente com a ressurreição de Jesus, é também o fundamento de nossa ressurreição final: “E se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vós, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos dará também a vida a vossos corpos mortais por seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,11). Na bem-aventurança eterna viveremos na alegre participação, que agora está prefigurada e antecipada pela Eucaristia. Então o Espírito fará amadurecer plenamente todas as sementes de comunhão de amor e de fraternidade que tenham florecido durante nossa peregrinação terrena. Como afirma São Gregório de Nissa, “envlvidos pela unidade do Espírito Santo, assim como pelo vínculo da paz, todos serão um só corpo e um só Espírito” (Hom 15 in Cant.).

Mística e Ascese: atualíssimas

Filed under: Aulas, Artigos, A - DIÁRIO — padrejoaozinho at 12:35 pm on Friday, September 14, 2007

“Antigamente” se designava o tratado de Teologia da Espiritualidade pelo nome de “Mística e Ascese”. Despois de um tempo algumas pessoas acabaram reduzindo o estudo da mística è compreensão dos fenômenos místicos extraordinários, como visões, lucuções, curas, profecias, estigmas etc. A ascese era vista por alguns apenas como meios de mortificação corporal, como cilício, auto-flagelação, cadeias de ferro e outras formas que a criatividade humana encontrou para dominar o corpo e fortalecê-lo no combate espiritual.

Na verdade estas formas digamos, mais criativas, de mística e ascese não refletem nem de longe o significado destas duas grandes dimensões da espiritualidade humana. Para alcançar a união com Deus, a vida interior, a mística, precisamos corresponder à Graça reunindo os meios humanos para isso. Hoje a ascese está em alta e nem percebemos. Nossa civilização sedentária já chegou ao extremo. Agora precisamos nos mexer, sair da frente do computador e da TV. Fazer algum exercício. Caminhar ao menos meia hora todos os dias!!! Ahhh, como já ouvi isso de minha médica. Preciso de mais ascese. Meia hora de silêncio por dia é  uma terapia inflalível indicada nos Estados Unidos por um consultor de empresa que cobrou bem para revelar este grande segredo do sucesso para um grupo de atentos executivos. Então fazer meia hora de adoração todos os dias é bom para a saúde? Meu fundador, Léon Dehon já sabia disso no século 19. Existem mil formas de ascese ligadas à alimentação correta, tomar água, escovar os dentes (três vezes ao dia), obedecer a orientação dos médicos, cultivar a serenidade, perdoar etc e tal. Chega de palavras. Vamos orar e agir… e Deus fará o resto. Bom final de semana.

Espírito Santo e Espiritualidade

Filed under: Aulas, Artigos — padrejoaozinho at 8:34 am on Tuesday, August 28, 2007

Ouvimos o teólogo Libanio alertar para o fato de a filosofia ocidental tender à separação entre a alma e o corpo. Esta visão grega teve um grande impacto sobre nossa espiritualidade que acaba separando demais todas estas coisas. Podemos facilmente rejeitar as “coisas da terra” para buscar apenas “as coisas do céu”. A visão semita de Jesus valoriza as coisas materiais sem cair no materalismo. Para a visão bíblica o espiritual e o corporal estão em profunda unidade.

Mas qual seria a solução? Como evitar a separação entre alma e corpo. Como superar chavões do tipo “salva a tua alma”!!???

Jesus foi um homem integralmente divino e foi Deus integralmente humano. Quem realizou isso foi o Espírito Santo, que integra todas as realidades. Ele era visto por muitos como materialista. Fazia festa. Dava importância à refeição. Bebia e comia com seu povo. Deixou aquele mulher ungir eus pés com perfume, em Betânia. Há coisa mais material que isso? A sua prece, o pai-nosso diz: dai-nos hoje o pão de cada dia. Ele chama a atenção dos fariseus que reprovam este tipo de espiritualidade comprometida com a matéria. A síntese destas duas correntes está na redescoberta da espiritualidade bíblica. Mas ninguém é capaz de fazer reflexão depois de uma feijoada. Precisamos atos espirituais mais puros. Temos que fechar as janelas dos sentidos para que nosso corpo possa meditar. Santo Inácio chegava a dar conselhos bem práticos: diminuir a luz para rezar melhor.

O Espírito é aquele que nos integra, nos totaliza, nos torna mais semelhantes a Cristo.

O Espírito Santo no Documento de Aparecida - 5

Filed under: Aulas, Artigos — padrejoaozinho at 3:54 pm on Monday, August 27, 2007

Estou traduzindo alguns números do Documento Final de Aparecida, que falam do significado da Pessoa do Espírito Santo na formação do “discípulo-missionário”. Partilho com você: nº 152 

nº 153

Esta realidade se faz presente em nossa vida por obra do Espírito Santo que também, através dos sacramentos, nos ilumina e vivifica. Em virtude do Batismo e da Confirmação somos chamados a ser discípulos missionários de Jesus Cristo e entramos na comunhão trinitária da Igreja, a qual tem seu ápice na Eucaristia, que é princípio e projeto da missão do cristão. “Assim, pois, a Santíssima Eucaristia leva a iniciação cristã à sua plenitude e é como o centro e fim de toda a vida sacramental” (Sacrosanctum concilium nº 17).

O Espírito Santo no Documento de Aparecida - 4

Filed under: Aulas, Artigos — padrejoaozinho at 3:50 pm on Monday, August 27, 2007

Estou traduzindo alguns números do Documento Final de Aparecida, que falam do significado da Pessoa do Espírito Santo na formação do “discípulo-missionário”. Partilho com você: nº 152 

 Jesus nos transmitiu as palavras de seu Pai e é o Espírito quem recorda à Igreja as palavras de Cristo (cf. Jo 14,26). Já, desde o princípio, os discípulos haviam sido formados por Jesus no Espírito Santo (At 1,2); é, na Igreja, o Mestre interior que conduz ao conhecimento da verdade total, formando discípulos missionários. Esta é a razão pela qual os seguidores de Jesus devem deixar-se guiar constantemente pelo Espírito (cf. Gal 5,25) e fazer própria a paixão pelo Pai e o Reino: anunciar a Boa Nova aos pobres, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos e anunciar a todos o ano da graça do Senhor (cf. Lc 4,18-19).

O Espírito Santo no Documento de Aparecida - 3

Filed under: Aulas, Artigos — padrejoaozinho at 3:34 pm on Monday, August 27, 2007

Estou traduzindo alguns números do Documento Final de Aparecida, que falam do significado da Pessoa do Espírito Santo na formação do “discípulo-missionário”. Partilho com você: 

nº 151

A Igreja, enquanto marcada e selada “com Espírito Santo e fogo” (Mt 3,11), continua a obra do Messias, abrindo para o crente as postas da salvação (cf. 1Cor 6,11). Paulo o afirma deste modo: “Vós sois uma carta de Cristo redigida pelo nosso ministério e escrita não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo (2Cor 3,3). O mesmo e único Espírito guia e fortalece a Igreja no anúncio da Palavra, na celebração da fé e no serviço da caridade até que o Corpo de Cristo alcance a estatura de sua Cabeça (cf. Ef 4,15-16). Deste modo, pela eficaz presença de seu Espírito, Deus assegura até a parusia sua proposta de vida para homens e mulheres de todos os tempos e lugares, impulsionando a transformação da história e seus dinamismos. Portanto, o Senhor continua derramando hoje sua Vida para o trabalho da Igreja que, com “a força do Espírito Santo enviado do céu” (1Pd 1,12), continua a missão que Jesus Cristo recebeu de seu Pai (cf. Jo 20,21).

O Espírito Santo no Documento de Aparecida - 2

Filed under: Aulas, Artigos — padrejoaozinho at 3:06 pm on Monday, August 27, 2007

 Estou traduzindo alguns números do Documento Final de Aparecida, que falam do significado da Pessoa do Espírito Santo na formação do “discípulo-missionário”. Partilho com você:

nº 150

A partir de Pentecostes, a Igreja experimenta de imediato fecundas irrupções do Espírito, vitalidade divina que se expressa em diversos dons e carismas (cf. 1Cor 12,1-11) e variados ofícios que edificam a Igreja e servem à Evangelização (cf. 1Cor 12,28-29). Por estes dons do Espírito, a comunidade extende o ministério salvífico do Senhor até que Ele de novo se manifeste no fim dos tempos (cf. 1Cor 1,6-7). O Espírito na Igreja forja missionários decididos e corajosos como Pedro (cf. At 4,13) e Paulo (cf. At 13,9), indica os lugares de devem ser evangelizados e escolhe aqueles que devem fazê-lo (cf. At 13,2).

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