11. Mãe do Salvador

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora — padrejoaozinho at 10:52 am on Wednesday, September 26, 2007

O nome “Jesus” significa “Deus salva”. O Evangelho de Mateus diz que um anjo apareceu em sonho a José e disse: “José,Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará a luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,20). E assim aconteceu. Maria se tornou a mãe de Jesus, ou seja, a “Mãe do Salvador”.           

Continuando a leitura do mesmo Evangelho de Mateus, entendemos que tudo isso foi o cumprimento de uma profecia: “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus-conosco” (Mt 1,22). Seria este um segundo nome do Messias? Claro que não. Os nomes Jesus e Emanuel estão intimamente relacionados. Estar conosco foi o jeito escolhido por Deus para nos salvar. Como sintetiza o Evangelho de João: “O verbo se fez carne e armou entre nós a sua tenda” (Jo 1,14). Deus salva a humanidade por meio da solidariedade. Ele assume a nossa carne no ventre de Maria. Ele se faz um de nós. O Apóstolo Paulo vai dizer isso de modo brilhante aos Filipenses: “Ele, existindo em forma divina, não considerou como presa a agarrar o ser igual a Deus, mas despojou-se assumindo a forma de escravo e tornando-se igual ao ser humano. Aparecendo como qualquer homem, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte - e morte de cruz!” (Fil 2,5-8). É como se Deus mergulhasse nas profundezas da nossa história para nos salvar do naufrágio. Ele nos agarra e nos leva para a superfície. Ele nos salva. Ele se fez humano para nos divinizar, se fez pobre para nos enriquecer, se fez lágrima para nos devolver o sorriso.           

A solidariedade salvífica de Deus já havia sido revelada a Moisés quando estava diante da sarça ardente. Quando ele perguntou a Deus o Seu nome, ouviu a seguinte resposta: “Eu sou aquele que estou contigo”. Portanto, Deus é presença. Moisés ouviu também as palavras em que Javé o convocava para uma missão de libertação. Mas era gago e sentia-se pequeno demais para uma tarefa tão desafiadora. Diante disso Deus responde: “Quem fez a boca? Vai, eu estarei contigo”. Esta certeza de que Deus nos acampanha ia junto com o povo nos quarenta anos de deserto. No acampamento havia uma tenda especialmente reservada para a Arca da Aliança. Era o sinal forte de que Deus estava ali. Quando chegaram na Terra prometida transformaram a tenda no grandioso templo de Jerusalém. Deus não gostou muito da história. Preferia a simplicidade da tenda que pode ser desmontada e caminhar com o povo nômade. Interessante que o apóstolo João vai entender bem que a nova tenda onde Deus habita é o ventre de Maria: “armou entre nós a sua tenda”. No evangelho de Lucas ouvimos o anjo dizer a Maria: “Alegra-te, agraciada, o Senhor está contigo” (Lc 1,28). É um verdadeiro eco da promessa feita a Moisés: Deus está conosco. Ele não nos abandona.

           A salvação não é apenas uma esperança que temos para depois da morte. Ela começa na história. Caminhamos para a terra da promessa. Um dia chegaremos no céu. Mas enquanto este dia não chega, devemos fazer da terra um paraíso. Não é isso que rezamos no pai-nosso? … assim na terra como no céu! Esta é a missão do cristão. Maria foi a primeira a viver isso intensamente. Ela colaborou com o plano salvífico de Deus. Como diz o apóstolo Paulo, completou em sua carne o que falta a paixão de Cristo. A igreja reflete até mesmo a possibilidade de transformar esta verdade em dogma de fé. Maria poderia ser declarada “co-redentora”, ou “colaboradora do redentor”. De certa forma é esta verdade que proclamamos cada vez que rezamos a ladainha e dizemos: Mão do
Salvador, rogai por nós.

10. Mãe do Criador

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora — padrejoaozinho at 10:50 am on Wednesday, September 26, 2007

        O teólogo fica confuso quando pára para pensar neste título consagrado pela ladainha de Nossa Senhor: Mãe do Criador. Não seria finalmente um exagero? Chamar Maria de sempre virgem, mãe de Deus, imaculada e assunta aos céus, tudo bem… mas Mãe do Criador? Não seria colocar Maria acima de Deus? Como uma simples criatura poderia ser declamada mãe do Criador?           

        Na verdade este é um título que segue a mesma lógica de “Mãe de Deus”. Você lembra que a liturgia começou a invocar Maria com este título e depois os teólogos acabaram descobrindo que realmente isso é correto, pois não existe separação entre a natureza humana e divina de Jesus Cristo. Justamente a união entre o divino e o humano, sem separação nem confusão, foi o que tornou possível a nossa salvação. Deus pisou o nosso chão. Amou com coração humano para que pudéssemos fazer parte de um amor divino. Chamar Maria de Mãe de Deus não é mais do que professar a fé na solidariedade de Deus que assumiu a nossa carne no ventre de Maria, para a nossa salvação. Na verdade não é um elogio à menina de Nazaré. É uma profissão de fé em Jesus salvador. Maria não poderia ser a mãe de apenas uma parte de Jesus Cristo. Seria separar o humano e o divino. Deus é tão humano em Jesus Cristo, que Maria pode ser chamada de Mãe de Deus.            

     Da mesma maneira, não podemos separar as três pessoas da Santíssima Trindade. Não são três Deuses. É um Deus em três pessoas. Este assunto já deu apno pra manga e esquentou a cabeças dos santos e teólogos mais geniais da história. Conta-se que Santo Agostinho levou a vida inteira para escrever seu famoso livro sobre a Trindade. No dinal ele confessa: “Não consegui dizer muitas coisas, mas não posso deixar de refletir, pois se Deus me fez pensante, pensar é um jeito de louvar o Criador”. Depois de suas reflexões poucas coisas descobrimos de novo. Mas sabemos bem que Deus não é solitário. Ele é solidário. Deus é comunhão. Deus é família. É relação de amor: O Pai é o amante, o Filho é o amado, e o Espírito Santo é o amor do Pai e do Filho. Os três são uma unidade inseparável. Alguém até já falou de Tri-unidade. Quando a ladainha chama Maria de “Mãe do Criador”, reconhece de um modo poético esta unidade na Trindade. Não seria correto dizer que apenas o “Filho” foi gerado no entre de Maria. Seria imaginar a possibilidade do Filho de Deus estar separado do Pai e do Espírito. Na conversa que Maria teve com o anjo Gabriel foi revelado: “Aquele que nascer de ti será chamado Filho do Deus Altíssimo”. E o modo também: “O Espírito Santo te cobrirá com sua sombra”. A Trindade encontrou abrigo em Maria quando ela disse: “Eis aqui a serva do Senhor”. O Verbo, por meio do qual todas as coisas foram feitas é pronunciado novamente e se faz carne e habita entre nós (Jo 1,14). Este mistério se repete em cada um de nós que somos batizados.  Nos tornamos “templos do Espírito Santo”, uma casa aonde habita Deus. A teologia chama isto de “mistério da inhabitação” da Trindade em nós.             É preciso dizer também que a criação não foi um gesto acontecido a bilhões de anos e que acabou. Nada disso. Deus cria a cada instante por meio de seu Verbo e de seu Espírito. Estas são as duas mãos do Pai Criador. A criação é o primeiro gesto salvífico de Deus e a salvação em Jesus Cristo é uma nova criação. Em Cristo somos recriados. Nele o que era velho passou e nos tornamos novas criaturas. Maria participa ativamente desta nova criação.            

         Podemos cantar a invocação da ladainha que chama Maria de Mãe do Criador, sem medo de estamos proferindo uma heresia. Mas sempre é bom lembrar que estes títulos, mais do que elogios à Maria, são fórmulas inteligentes que apontam para Deus.

9. Mãe do bom conselho

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora — padrejoaozinho at 10:48 am on Wednesday, September 26, 2007

Este é um dos títulos marianos que mais me chamam a atenção. Sua origem está nos primeiros séculos do cristianismo. Entre os anos 432 e 440 o Papa Xisto III mandou contruir uma igreja dedicada à Nossa Senhora do Bom Conselho, na cidade de Gezzano, na Itália, ao lado de um convento fundado por Santo Agostinho. De fato esta devoção foi muito propagada pelos padres agostinianos e se espalhou por todo o mundo.            

Porém, mais do que um título ou uma devoção popular, os conselhos de Maria têm sua raíz mais profunda nas páginas da Bíblia. O primeiro texto que espontaneamente nos vêm na mente é o episódio das Bodas de Caná, em que Jesus fez o milagre de transformar água em vinho. O rico simbolismo escondido nas entrelinhas do Evangelho de João exigiria uma análise bem mais profunda. Mas qualquer olhar de fé pode perceber algumas mensagem que estão na superfície do texto. Era uma festa de casamento. Festa de família. Jesus era desconhecido. Nunca tinha feito um milagre e nem era famoso pregador. Estava com sua mãe. Era mais um dos convidados em uma festa qualquer. Faltou vinho. Maria percebeu o drama. Aqui está a origem do conselho: saber ouvir. Ela estava atenta. ao drama dos encarregados da festa. As cozinheiras que lêem este artigo entendem profundamente a sensibilidade de Maria. É muito desagradável quando falta comida no meio do almoço. O constrangimento é grande. Alguém que percebe a coisa pode simplesmente pensar: -“Não tenho nada com isso… que irreesponsabilidade… não calcularam direito… nossa, que vexame!” Maria tomou uma atitude. Foi falar com seu filho: -“Eles não têm mais vinho”. A resposta do mestre foi desconcertante. Filhos respondem assim mesmo. As mães que o digam. Nem sempre é falta de educação. Às vezes é excesso de intimidade. Mas Maria sabia que seu filho acabaria dando um jeito e deu o bom conselho ao pessoal da cozinha: “- Façam tudo o que meu filho vos disser!” Este foi o Bom Conselho. É a palavra que ecoa em nossos ouvidos até os dias de hoje. Os garçons seguiram a orientação de Maria e o problema foi resolvido pelo milagre. Bons conselhos abrem a porta para os milagres.           

O conselho não é uma mera opinião sobre a vida alheia. Não é um “acho que você deveria fazer isso ou aquilo”. Conselho é dom do Espírito Santo cultivado no silêncio e na escuta. Depois de muito ouvir se pode dizer a palavra certo, no momento certo para a pessoa certa, do jeito certo. A conselho acerta no alvo e abre o caminho com uma visão antecipada da solução. Muitas vezes quando damos conselho nem sabemos muito bem tudo o que isso pode significar para aquela pessoa. Uma parte do conselho pertence à ação do Espírito nos ouvidos de quem recebe aquela palavra. Não devemos reter um consleho nem apressá-lo demais. Sentimos no coração a hora de falar.

            Mães tem naturalmente o dom do conselho. Quantos filhos já não tomaram chuva porque desprezaram as palavras sábias da mãe que disse: “-Vai chover, leva guarda-chuva”. O mesmo acontece em tempestades mais sérias. O dom do conselho é muito importante para os lábios de psicólogos, médicos, sacerdotes. Há pessoas que precisam dizer uma palavra para os aflitos e desesperados. Um conselho pode salvar a vida e evitar uma tragédia. Garanto que você está pensando a mesma coisa que eu. Precisamos deste dom. Então vamos rezar:

            Mãe do Bom Conselho, que soubestes ouvir e discernir a vontade de Deus. Intercede por nós junto ao teu filho, quando na festa da vida nos falta a palavra certa. Queremos seguir o teu conselho e fazer tudo o que o teu filho nos disser. Que ele nos dê o seu Espírito de sabedoria, ciência e conselho. E que na hora oportuna possamos prestar ao irmão a solidariedade de uma palavra de consolo, estímulo, discernimento e força. Mãe do Bom Conselho, rogai por nós!

8. Mãe admirável

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora, A - DIÁRIO — padrejoaozinho at 3:05 pm on Thursday, September 20, 2007

Esta invocação tornou-se muito popular em nossos dias graças à singela devoção à Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt (Belo Lugar), iniciada por Pe. Kentenich, na Alemanha, em 1914. Quem não conhece o quadro, a capelinha, os centros de devoção que se espalham por todo mundo como refúgios de paz. Em meio aos aglomerados urbanos, onde a pressa e a violência dão o tom da vida cotidiana, é possível encontrar uma capelinha da Mãe Três vezes Admirável e esconder-se no colo daquela que fez Jesus dormir. A beleza, a serenidade e o silêncio típico destas capelinhas contrasta com o ambiente em que a devoção nasceu, às vésperas da primeira grande guerra mundial. Na segunda guerra, a perseguição nazista não poupou a devoção de Pe. Kentenich. Naquele tempo o tirano Hitler se auto intitulava “único soberano”. Em reação, a Obra de Schoenstatt, coroa Maria três vezes admirável, como “única Rainha”. A aprovação definitiva desta devoção pela Igreja viria somente após o Concílio Vaticano II. Hoje nos mais remotos cantos do Brasil é possível encontrar o “Movimento das Capelinhas”. Quem não conhece, ou até já recebeu em casa, a “Mãe Peregrina”? Conheço muitas famílias que tiveram suas vidas modificadas pela visita da imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt.

            Mas o título de Mãe Admirável não foi inventado por Pe. Kentenich. Penso que o modo como o Anjo Gabriel se dirigiu a Maria naquele dia foi a primeira vez que a história ouviu esta invocação: “Alegra-te, cheia de Graça, o Senhor está contigo”. Ela foi contemplada por Deus Pai com o dom de ser a mãe do Salvador por obra do Espírito Santo. Aqui estão os três motivos para admiramos Maria: ela é ponto de encontro das três pessoas da Santíssima Trindade. Não admiramos propriamente Maria, mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo que resplandecem em seu semblante. Isto ficou perpetuado na oração da ave-maria. A primeira parte é a promessa do Pai, a saudação de Isabel, cheia do Espírito Santo e a invocação do nome que está acima de todo nome: Jesus! Em poucas palavras a ave-maria contempla nos olhos da mãe três vezes admirável, a Trindade três vezes santa. São Luiz Maria Grignon de Montfort, autor do “Tratado sobre a verdadeira devoção à Virgem Santíssima” (1700) expressa a mesma idéia com as seguintes oração: “”Saúdo-te Maria, Filha predileta do Pai eterno! Saúdo-te Maria, Mãe admirável do Filho! Saúdo-te Maria, Esposa fidelíssima do Espírito Santo!” (Segredo de Maria, 68).

            Admiramos Deus em Maria e Maria em Deus. É uma vida de entrega total. Mas a entrega mais admirável é a feita pelo próprio Deus que confia a preciosa Graça a uma menina da periferia de um lugar qualquer. Nem sempre temos a fé que deveríamos. Mas Deus constuma ter fé em nós. Ele confia obras grandiosas e admiráveis em nossas mãos. Não é impressionante que a vida humana passe pela decisão de um casal? Um dia todos fomos totalmente dependentes de nossos pais. Devemos pedir a intercessão de Maria Admirável, para que possamos corresponder à confiança que Deus depositou em nós.            Quando admiramos Maria do jeito certo acabamos esquecendo dela e nos perdemos no amor de Deus. Ele nos indica a direção. É uma placa de trânsito. Não é o ponto de chegada. É companheira de viagem. Quem admira Maria do jeito certo chega em Jesus e, com ele, na força do Espírito Santo, avança em direção ao Pai. Somos peregrinos da Trindade. Para encontrar o caminho precisamos recorrer ao mapa, à bússola. É Maria. Ela é ícone do eterno. É imagem de Deus. Quando esquecemos nossa identidade original de filhos, contemplemos Maria Admirável. Como um espelho ela nos mostrará, sem mancha, o rosto de Jesus que resplandece na face de cada um de nós.

7. Mãe Imaculada

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora, Artigos — padrejoaozinho at 3:02 pm on Thursday, September 20, 2007

No dia 8 de dezembro de 2004 comemoramos 150 anos da definição do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Ou seja, a Igreja define como verdade de fé que Maria nasceu sem pecado original. Em 1854 o papa Pio IX, por meio da Bula Ineffabilis Deus, proclamou solenemente este dogma. Era o reconhecimento solene da verdade mais profunda escondida nas primeiras palavras que o anjo Gabriel disse à virgem naquele dia, em Nazaré: “Alegra-te, ó cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). Os teólogos levaram quase dois mil anos debatendo se Maria seria realmente imaculada. Quase todos aceitavam que ela tivesse nascido sem o pecado. Mas alguns não tinham tanta certeza que ela tivesse se mantido toda a vida sem pecar. Achavam que ela poderia terr feito pelo menos “um pecadinho” para também poder ser salva. perguntavam: “- Mas se Maria é imaculada, afinal de contas, de que ela foi salva… se não tinha pecado!!!” Hoje sabemos que a salvação é mais do que a remissão dos pecados. Deus por meio do seu Espírito nos recria. Em Cristo somos novas criaturas. Maria também foi recriada em seu filho, Jesus. O debate sobre a imaculada mudou nossos conceitos de salvação.

            Os teólogos costumam complicar demais. Os artistas vêem a verdade um pouco antes, pela via da intuição. A imagenzinha de Aparecida é na verdade uma homenagem à imaculada: Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Ela apareceu no rio Paraíba em 1717, mais de 100 anos antes da definição do dogma. Os músicos sempre cantaram em prosa e verso que Maria nasceu sem pecado. “Imaculada, Maria de Deus, coração pobre acolhendo Jesus. Imaculada, Maria do povo, mãe dos aflitos que estão junto à cruz. Não é difícil para a mãe que prepara o quarto do bebê, que faz todos os exames, que espera nove meses, entender que Deus preparou de um modo especial o ventre onde deveria nascer o seu filho. Ela foi preservada do pecado original.

            Novamente os teólogos começam seu interminável debate sobre este tema. muitas vezes acabam confundindo mais do que esclarecendo. Como podemos nascer com pecado? Ainda nem temos consciência. Om bebezinho pode ter um pecado??? A coisa é bem mais simples. Há na humanidade um grande e escondido mistério de comunhão, de solidariedade. Muitas vezes percebo que alguns defeitos de meu pai aparecem em mim. Outras vezes é minha mãe que acorda em meu jeito de falar. Afinal, a memória de nossos ancestrais é preservada em nossas células. Será tão difícil entender que participamos do pecado da humanidade? É desta participação que Maria foi preservada. Sabe porque? Para ser tão livre quanto Eva. Sim. Eva também foi concebida sem pecado original. Por isso era totalmente sim para responder ao tentador. Ela não tinha aquela natural inclinação para o mal que chamamos de concupiscência. Você já percebeu que temos uma quedinha pelo pecado? Somos tentados, e sentimos vontade de pecar. isto é um efeito do pecado original que ficou em nós. O batismo apagou o pecado original. Mas ficou a cicatriz. Não temos uma liberdade absoluta e jamais teremos. Por isso, antes de fazer novamente a proposta de salvação, Deus preservou Maria para que ela estivesse totalmente livre para dizer sim ou não. Ela foi escolhida. Poderia ter dito não? Claro… como Eva. Mas ela pisou na cabeça da serpente (cf. Gn 3, 15.
Como dizia Santo Irineu, já nos primórdios do cristianismo: “O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria”.

            Maria foi escolhida “em Cristo, antes da criação do mundo, para que fosse santa e imaculada na sua presença, no amor, predestinando-a como primícias para a adopção filial por obra de Jesus Cristo (cf. Ef 1, 4-5). Ela é a mãe de Jesus, o Cordeiro “sem mancha” (cf. Êx 12, 5; 1 Pd 1, 19), imolado para redimir a humanidade do pecado. Na verdade maria é a prefiguração daquilo que a Igreja é chamada a ser: santa e imaculada. No céu todos seremos imaculados! Olhamos para Maria e fortelecemos a nossa esperança de chegar lá. Mãe imaculada, rogai por nós!

Oração de João Paulo II à Imaculada

Virgem Imaculada,

por Deus predestinada acima de todas as criaturas como advogada de graça e modelo de santidade para o seu povo, a vós renovo no dia de hoje a confiança de toda a Igreja. Sêde vós quem orienta os seus filhos na peregrinação da fé, tornando-os cada vez mais obedientes e fiéis à Palavra de Deus.

Sêde vós quem acompanha cada cristão

ao longo do caminho da conversão e da santidade, na luta contra o pecado e na busca da verdadeira beleza, que é sempre um sinal e um reflexo da Beleza divina. Sêde vós, ainda, quem obtem a paz e a salvação para todos os povos. O Pai eterno, que vos quis como Mãe imaculada do Redentor, renove também no nosso tempo, por vosso intermédio, os prodígios do seu amor misericordioso.

Amém!

João Paulo II

8.12.2004

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/homilies/2004/documents/hf_jp-ii_hom_20041208_immaculate-conception_po.html 

6. Mãe castíssima

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora, Artigos — padrejoaozinho at 3:02 pm on Thursday, September 20, 2007

Meditando a Ladainha de Nossa Senhora, chegamos à invocação em que Maria é para nós um modelo de castidade: virgem, imaculada, pura e santa!             Castidade é uma daquelas palavras que usamos cada vez menos. Não admira que alguns jovem nem saibam bem o que significa castidade. Todos aprendemos na catequese que o “sexto mandamento”: Não pecar contra a castidade! Ele faria parte de uma lista de proibições: não matar, não roubar, não cobiçar, não mentir… Curiosamente o novo Catecismo da Igreja Católica  modificou um pouco a formulação dos Dez Mandamentos passando o “Não cometer adultério”, para o sexto mandamento e colocou o mandamento da castidade no “nono mandamento” de um modo positivo: “Guardar a castidade nos pensamentos e nos desejos”. E o que mudou? Tudo. A castidade não idica apenas algo que NÃO devo fazer, mas exatamente uma virtude que DEVO cultivar nos pensamentos e desejos. Para ser casto não basta eliminar toda a malícia, pecados sexuais, impurezas, infidelidades, etc. É preciso algo mais. A castidade é o amor vivido do jeito certo.             Ser casto é respeitar a dignidade do corpo, da mente e do coração . A castidade habilita a pessoa à comunhão. Permite ver o sexo como um dom maravilhoso que o criador nos deixou para que pudéssemos completar a sua obra gerando e cuidado da vida. Usar este dom apenas em proveito próprio, como na masturbação, entristece o coração e provoca uma profunda frustração. A castidade é a irmã da felicidade. Um casal precisa ser casto. Esta não é uma virtude apenas para os que fazem “voto de castidade”, como os religiososo e religiosas. Um casal casto sabe os limites e conhece as possibilidades de sua vida sexual. Isto não significa somente evitar isto ou aquilo. Castidade matrimonial significa sensibilidade masculina e feminina, reconhecer o outro no seu universo, exercitar-se na comunhão até nos pequenos gestos, celebrar a festa da vida no sorriso do neném.             A castidade supõe uma disciplina permanente que torne possível o auto-domínio. Para ser casto é preciso exercitar-se como o atleta que se prepara para uma corrida. Aquele que vive ao sabor de seus desejos e paixões é na verdade um escravo. A dependência sexual às vezes ultrapassa os limites do vício e chega à ser uma doença, uma tara, uma neorose. Educação sexual é mais do que conhecer algumas coisas sobre o aparelho reprodutor humano nas aulas de ciências da oitava série. É aprender a administrar com sabedoria e prudência esta potência de vida que Deus colocou em cada um de nós.            Para viver a castidade é preciso a inteligência de não manter-se próximo do abismo. Ninguém quase-peca. Ou pecamos ou não pecamos. Se eu sei que em deteminado ambiente vou cair. é melhor evitar! Se não evito, já pequei. Normalmente a castidade começa pelo olhar. É um pecado social pelo qual a humanidade pagará caro, o uso da pornografia nos anúncios públicos. Não há como não ver. A insinuação provoca o pensamento e pode criar dificuldades na castidade. Porém, uma coisa é ser involuntariamente provocado. Outra coisa é procurar imagens, revistas, conversas maliciosas.             Alguém poderia perguntar: Mas ainda é pecado? O mundo evoluiu!!! A Igreja ainda está nessa? Não se esqueça que o mundo gira. A moda de ontem já passou. A de hoje passará. Promiscuidade e droga estão na moda, mas nem por isso devemos canonizá-las. O crime também está na moda. Faz sucesso nas telas do cinema. Mas isto não é eterno. A libertinagem é um dogma inquestinável dos mundos modernos. Adultério, masturbação, fornicação, pornografia, prostiuição, estupro, luxúria, são nomes clássicos do pecado que vem da mesma raiz da “falta de castidade”. Pecou, confesse!             O bonito ideal da castidade é conquistado com muita luta, mas também com oração. Diante de um momento de tentação será muito útil voltar seu olhar interior para Maria e repetir: Mãe castíssima, rogai por nós!

5. Mãe puríssima

Filed under: Ladainha de Nossa Senhora, Artigos — padrejoaozinho at 3:01 pm on Thursday, September 20, 2007

A Ladainha de Nossa Senhora é mais do que uma prece, é uma lista de valores humanos fundamentais. Neste mês somos convidados a contemplar a pureza de Maria. Muita caricatura já se fez em torno a essa qualidade. A mãe de Deus não tem nada a ver com aquela imagem angelical de uma santinha ingênua, quase boba, que não conhece nada da vida, inexperiente, refugiada em uma experiência espiritual alienante. Com as mãos postas e os olhos fechados. É esta a imagem que muita gente tem do santo. É verdade que algumas pinturas provenientes do romantismo barroco não ajudam muito a entender o sentido da verdadeira pureza e da autêntica santidade. Milhões de anjos subindo e descendo em todas a direções… nuvens e fumaça… estrelinhas e auréolas.. tudo coloca o santo mais perto do céu que da terra. Na verdade o santo é alguém que tem os pés no chão e o coração no céu. Tem os olhos fixos em Deus e as mãos prontas para ajudar os irmãos. Esta é a imagem de Maria que a Bíliba nos deixou. Uma mulher que depois do êxtase experimentado na conversa com o anjo Gabriel, tem coragem de caminhar 120 quilômetros para ajudar a sua prima Isabel, que também estava grávida. E ficou ali seis meses. Depois voltou para casa a pé, grávida de seis meses. Isto sim é santidade.Vivemos em um mundo que quase já não pode entender a mensagem da pureza. Mas acredito também que nossa juventude perfurada por tantos piersings e tatuada com tantos demônios e dragões, já começa a ter saudade da autenticidade original. O pecado pesa, cansa, cheira mal. A malícia faz a gente ficar feio, por mais formoso que seja o rosto. O que produz em nossa juventude esse mau humor? Parece que a estrutura de pecado presente em nossa pornográfica cultura começa a cansar. A fuga na droga, no mundo virtual, na vida sexual sem critérios e limites, rouba o jovem de si mesmo e o condena à náusea e à solidão. No fundo do coração permanece sempre aceso um pequeno fogo que o faz, mais cedo ou mais tarde, sentir saudades de Deus.É neste momento que o rosto de Maria, nossa mãe puríssima, se torna um oásis de esperança. Chega um  dia em que todos precisamos de um ombro para chorar. E o primeiro lugar que procuramos é o colo da mãe. Não importa o título: imaculada, virgem, casta, santa… é mãe e pronto! Ela não acolhe por interesse. É pura. A pureza deixa a pessoa linda. A imagem que me vem é da idosa e lindamente enrrugada Madre Teresa de Calcutá. Nosso tempo viu mulher mais bela? Alguém lembra a miss mundo do ano passado? Alguém pode esquecer dos olhos negros de Teresa? Sua beleza foi fruto de uma existência transfigurada em Deus e a serviço dos que já não tinham esperança. Sobre isso o papa Bento XVI diz de maneira muito bela em sua encíclica Deus caritas est: “Eu vejo com os olhos de Cristo e posso dar ao outro muito mais do que as coisas externamente necessárias: posso dar-lhe o olhar de amor de que ele precisa” (nº 18). O dom do olhar… isso apenas as pessoas puras podem dar. Quem usa seus olhos para explorar o corpo do outro com malícia perde este dom. Os olhos são os espelhos da alma. Mas quem se exercita em contemplar os olhos de Deus, por exemplo na Eucaristia, recebe a luz e passa a ter um rosto que brilha. Nosso mundo precisa de pessoas com este olhar. O marketing dos nossos tempos quer vender de tudo maculando nossos olhos. Prostituem a imagem do corpo para vender de tudo. Vivemos em um imenso bordel. É o mercado da malícia. Não admira que também hoje as prostitutas tenham um olhar mais puro do que aqueles que as prostituem. Elas nos precederão no Reino, advertiu Jesus. A pureza é uma virtude atual. Precisamos políticos puros, sem corrupção. Precisamos padres e religiosos puros, repletos de unção, sem malícia nem indiferença. É urgente pais e mães puros, que não querem apenas usar um ao outro para mendigar uma fútil sensação de felicidade. Pais capazes de dar a seus filhos o maravilhoso dom de um olhar puro. Isto um filho jamais esquece. Jovens capazes de um namoro puro, que respeita o templo de Deus que é o corpo do outro… e sabe esperar, sim, sabe esperar. AVE: Amor Verdadeiro Espera! Ave Maria, mãe puríssima, rogai por nós!

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