Eu tenho uma vocação “diferente”.

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 5:48 pm on Wednesday, June 27, 2007

       Quando ouço alguém dizer ou mesmo quando alguém me pergunta: “porque padre não casa?” Eu poderia repetir a pergunta de outro jeito: “porquê você casou, porque você esta solteira? Porque você é professora ou advogado, ou mãe de família etc?”. Não se esqueça que alguém pode ser feliz e realizado, ou infeliz e triste pela escolha livre que fez. A vocação é assumida livremente e eu não fui obrigado a assumir o sacerdócio e o celibato. O Celibato não é uma castração, nem uma proibição de casar ou outras coisas semelhantes. Celibato é uma entrega total e amorosa ao Reino de Deus e ao serviço do seu povo. Neste estado de vida eu assumo e respondo livremente, pois a diferença não esta tanto no exterior, mas está dentro de minha alma, foge de mim e de mim transborda.
     
Acredito que sou diferente somente pela escolha que Deus fez comigo, assim como você pode ser diferente naquilo que você é. Não posso negar, sou diferente de dentro para fora, sou consagrado, separado para ser todo de Deus, para ser todo das pessoas, da missão, da Igreja. O celibato não limita o meu amor, pelo contrário, alarga ele até o infinito, não me prende a ninguém, me deixa livre para todos. É um desafio, pois continuo exatamente como todo homem, com sentimentos, dificuldades e pecados também, mas eu abracei a escolha que fiz: “estou no mundo, mas não sou do mundo, nem sou como todo mundo”. O nosso mundo precisa exatamente de mim assim diferente e talvez seja isto que incomoda e ajuda tanto as pessoas. Você aceita ser diferente assumindo a vocação que você abraçou?    
     
Eu fui conquistado por amor e por amor continuo todos os dias deixando-me conquistar: “não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que escolhe a vós”. Vocação é um mistério, que eu vou descobrindo todos os dias um pouco mais. Peço a você a permissão de ter uma vocação diferente e nela ser realizado e feliz. Como existem casais, jovens, professores, domésticas, médicos felizes e realizados em sua vocação, eu sou feliz e realizado por ser sacerdote e celibatário. Que bom que todo mundo não é igual e tem a mesma vocação, a diferença enriquece a vida e o mundo. “As diferenças não são barreiras, são riquezas”. O mais importante é ser coerente e verdadeiro na diferença que assumimos em nossa vida. Parabéns por você ser diferente e feliz.               

As 7 virtudes X os 7 pecados (parte II)

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 4:44 am on Tuesday, June 26, 2007

 “Aspirai aos dons superiores. E agora, ainda vou indicar-vos o caminho mais excelente de todos”. (I Coríntios 12, 31).                      
       Retomemos a nossa reflexão sobre as virtudes, até aqui trabalhamos as virtudes humanas, prudência, a justiça, a fortaleça e a temperança, que são as vemos as virtudes “cardeais”, agora vamos estudar as virtudes teologais. As virtudes humanas dependem muito da participação nossa para crescermos nelas e assim escolhermos sempre pelo bem, ou seja, é dom e tarefa. Tem a parte de Deus e também a parte indispensável do homem, é uma questão de escolha. As virtudes teologais são o penhor da presença e da ação do Espírito santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a , a esperança e a caridade: “por fim ficarão a fé, a esperança e a caridade – as três. Porem a maior delas é a caridade”.(Cf I Coríntios 13,13)                    A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe crer, porque ele é a própria verdade. Pela fé “o homem livremente se entrega todo a Deus”. Por isso, o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus. “O justo viverá da fé”. (Cf Romanos 1,17) A fé viva “age pela caridade”. (Cf Gálatas 5,6). O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la. A nossa fé é provada pelas obras, (Cf Tiago 2, 26) em primeiro lugar em si mesmo e depois em favor dos outros e de um mundo melhor. Ela precisa, para ser verdadeira nos transformar de dentro para fora.                A esperança é a virtude pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos céus e a Vida Eterna, colocando nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças próprias, mas no socorro da graça do Espírito santo. “Continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa”. (Cf Hebreus 10,23) A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as para ordena-las ao reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento: dilata o coração na esperança da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade. Onde nós estamos colocando a nossa esperança, talvez essa seja a resposta de tanta infelicidade?                A caridade é a virtude pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e ao nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus “até o fim” (Cf João 13,1), manifesta o amor que recebe do pai. Fruto do Espírito e plenitude da lei, a caridade guarda os mandamentos de Deus e de Deus e de seu Cristo. O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o “vinculo da perfeição” (Cf Colossenses 3,14). A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à perfeição sobrenatural do amor divino. Pois “Deus é amor e quem conhece a Deus, conhece o amor”.(Cf I João 4,7-8)               
      
A nossa vida é feita de escolhas, e delas sempre colheremos os frutos, quer para o bem ou para o mal, assim vai se formando e amadurecendo a pessoa. Existe dentro de todo ser humano a força divina, mas o pecado, que é justamente errar o alvo, age como força contraria, opostas as leis do Espírito. Há dentro de nós uma luta entre o homem velho, que quer viver o pecado e o homem novo, que quer viver pelo Espírito: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os desejos da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos desejos do Espírito” (Cf Gálatas 5,16-17), não tem outra maneira de vencer os pecados a não ser fazer crescer o homem espiritual por meio de uma vida conduzida pelas virtudes trabalhadas pelo Espírito em nossos corações, daí seremos homens e mulheres novos.
Fonte de pesquisa Catecismo da Igreja Católica: A vida em Cristo, artigo 7
                                                           

As 7 virtudes X os 7 pecados.

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 4:44 am on Monday, June 25, 2007

“Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de valor, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor”. (Cf Filipenses 4,8)     

     A virtude é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. Com todas as suas forças sensíveis e espirituais, a pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática. As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam assim, a facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem. Quatro virtudes tem o papel de “dobradiça” que em latim, se diz “cardo, cardinis”. Por essa razão são chamadas “cardeias”: todas as outras se agrupam em torno delas. São a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança.      

A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-los. A prudência é a regra certa da ação, escreve São Tomás. O homem prudente decide e ordena sua conduta seguindo este juízo, graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e superamos as dúvidas sobre o bem a praticar e o mal a evitar.               A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhe é devido. A justiça para com deus chama-se “virtude de religião”. Para com os homens, ela nos dispõe a respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas relações humanas a harmonia que promove a equidade em prol das pessoas e do bem comum.            A fortaleça é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e Constancia na procura do bem. Ela firma a resolução de resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de superar a provação e as perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua vida para defender uma causa justa. È a virtude que levou os santos a testemunhar até a morte as verdades da fé.            A temperança é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados, pessoas e coisas. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem seus apetites sensíveis, guarda uma santa discrição e “não se deixa levar a seguir as paixões do coração”.(Cf Eclo 18,30)            As virtudes humanas se fundem nas virtudes teologais (, esperança e caridade) que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina. Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Elas fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais, são infundidas por Deus na alma dos fiéis para torna-los capazes de agir como filhos e merecer a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santos nas faculdades do ser humano.            

Em outro artigo eu falarei das virtudes teologais, mas acredito que já dei formação e informação suficientes para você escolher, se quer os 7 pecados ou as sete virtudes, pois a nossa vida e salvação são muito mais sérias que a novela das sete. A decisão é sua! 

Fonte de pesquisa Catecismo da Igreja Católica: A vida do cristão, artigo 7.   

Oração para o tempo presente

Filed under: MENSAGEM DO DIA — Padre Luizinho at 4:56 pm on Friday, June 22, 2007

Dai-me Senhor a graça de viver o hoje como um grande presente,                  
A oportunidade de colher os frutos deste dia sem ansiedade.
De perceber que o hoje é uma caixa de presente que eu preciso abrir,
e descobrir as surpresas, que ele tem reservado para mim neste dia.
O hoje é um presente de Deus para mim.
E se por ventura eu encontrar surpresas desagradáveis;
ajuda-me a discernir quem que está agindo e o que eu devo fazer.
Que o teu Espírito Santo me ensine a sempre colher o melhor de tudo,
e sair melhor de todas as situações que o presente me oferece.
Ajuda-me a acolher o sofrimento se ele hoje me visitar,
que eu tenha paciência e sabedoria para viver bem cada coisa que preciso viver.
Peço também, que me livres do mal e de toda a tentação,
e se vier a cair, a graça de reconhecer, confessar e começar de novo;
encontrando em tua misericórdia o acolhimento do teu amor.
Não quero viver este dia corrido, sem experimentar toda a graça,
por isso, liberta-me da pressa, do nervosismo e de querer tudo na hora.
Ensina-me a entender que há um tempo para cada coisa,
e que eu seja sempre conduzido pelo Espírito Santo.
Como a Virgem Maria, meus sentimentos estejam mergulhados em tua graça,
procurando sempre e em tudo fazer a tua Vontade.
Amém.

Inverno,tempo de esperar e de crescer.

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 4:24 pm on Thursday, June 21, 2007

      Nem bem chegou o inverno e as amendoeiras de minha casa já forram o chão com as suas folhas secas e avermelhadas. Ela vai perder folha por folha até ficar totalmente vazia, seca e aparentemente morta, somente vão ficar os galhos, o tronco e a raiz. Todo dia, ou varias vezes por dia, temos que varrer as folhas secas da amendoeira. Não posso deixar de notar que ela insiste em dar alguns frutos, que também caem como que pecos. Justamente no inverno ela fica “nua”, vejo em meio ao feio e a sujeira de suas folhas a vontade de renovar-se, de jogar fora o velho, o que já passou, o que não me serve mais. O desejo de libertar-se, de experimentar o novo, mesmo sofrendo o frio, mas sem medo de perder. É necessário e ela não briga contra esse fenômeno natural, pois sabe que é preciso o inverno pra chegar no verão. Na natureza o inverno é tempo de renovar a seiva, de firmar as raízes, que não se vêem, porque estão escondidas na profundidade da terra. O que ela tem de mais precioso se sujeita a estar enterrado. Inverno é tempo de espera, de podar os excessos, de matar as pragas, de alimentar-se com o que esta dentro. Tempo em que as árvores e plantas revelam o belo do feio, a coragem de perder para poder florir e dar frutos depois no seu devido tempo. A natureza exercita a paciência, tempo em que o que cresce é aquilo que não se vê, as raízes.
            No inverno também as águias mais velhas procuram o cume da montanha mais alta, para poder se desfazer de suas penas, de suas garras e até de seu bico. O cume da montanha a mantém livre dos predadores, justamente no tempo onde ela não tem nenhuma defesa, e sem o seu bico ela vai viver das reservas de energia que acumulou no verão. Como podemos ver a natureza não é tão cruel como se pensa, a águia precisa passar por tudo isso para sobreviver mais uns trinta anos e poder perpetuar a espécie com águias mais resistentes. Tempo em que os animais perdem a pele, como as cobras, tempo em que os ursos hibernam e dormindo vive de suas gorduras, a natureza foi feita para sofrer mudanças, neste tempo se renovam todas as coisas, pois para que surja a primavera com os dias claros e coloridos pelas flores, foi preciso passar por dias escuros e frios do inverno.
     
Perder não é fácil, mudar não é da noite para o dia, é preciso coragem pra encarar os dias frios e secos de nossa vida, dias de dor, de sofrimentos, de incompreensão, onde se manifestam as nossas fraquezas, dias de jogar fora o que é velho, seco e vazio, aquilo que não me serve mais para nada e eu temo em segurar. É preciso aprender com a natureza, ela nos ensina a entender o nosso processo, a nossa mudança, o crescimento, para chegar à maturidade. Tempo de crescer as raízes, de alargar as fronteiras, de saber esperar, de respeitar o processo do outro, de varrer as folhas, de renovar por dento para florir por fora.
     
Em primeiro lugar é preciso aceitar o inverno, o frio, a chuva, a poda, como um processo natural de crescimento e se preparar para ele. Quem não sabe passar por isso, não conseguirá ver a beleza das cores da primavera, pois nela está a prova da capacidade de fazer novas todas as coisas. Na natureza só existe uma vez por ano a estação do inverno, em nossas vidas há muitos invernos por ano, mas também a capacidade de ter muitas primaveras e muitos verões.É tempo de crescer, de renovar-se, de abandonar o homem velho, de perder as folhas secas do egoísmo, dos pecados, dos medos, dos ressentimentos, da solidão e do fechamento em si mesmo. A natureza não tem medo do novo, pois ela sobrevive de mudanças.
     
Bela estação, tempo de se expor como a amendoeira e de elevar-se como a águia. Nós fomos feitos para crescer, para florir e para dar muitos bons frutos, mas não existe maturidade sem crescimento, e o inverno que você possa estar vivendo é tempo de crescer muitas vezes sem que ninguém perceba, que por detrás da dor e do sofrimento da mudança está surgindo uma nova pessoa. Bom inverno para você!

A música e a arte a serviço da fé e da liturgia.

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 3:30 pm on Wednesday, June 20, 2007

Como sacerdote reconheço que a música e a arte em geral têm um papel importante e hoje primordial na evangelização e na vida da Igreja. Na verdade cumularam de um rico valor o canto Sacro a Sagrada Escritura: ”Entoai juntos salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor, de todo coração; sempre e por todas as coisas, no nome de nosso senhor Jesus Cristo, rendei graças a Deus que é Pai”; o canto gregoriano, os Santos Padres e particularmente o Papa Pio X. Sempre foi uma preciosa maneira de tocar os corações com as verdades do evangelho. A música e a arte precisam em primeiro lugar, estar a serviço da fé e da liturgia, ajudando o povo a celebrar e a mergulhar no Mistério da salvação.Deus sempre usou das expressões e culturas dos povos para revelar seu amor e seu plano salvífico. Principalmente na nossa cultura bem miscigenada, o nosso povo é bem musical e a arte consegue abrir mais o coração das pessoas para acolher a fé e assim encontrar-se com Deus. Quantas pessoas e muitos jovens voltaram, ou se interessaram por Deus através de uma música, de uma peça teatral que falava da fé. E isso foi o instrumento usado por Deus para resgatar seus filhos, eu mesmo sou um deles. Eu sou baiano, então eu ai atrás do trio elétrico por causa da música, tinha no sangue o ritmo baiano e a música cristã me ajudou muito a encontrar Jesus. Lembro-me como se fosse hoje, num retiro para seminaristas, ouvi pela primeira vez a musica do Martim Valverde cantada pelo Eugênio Jorge: “Ninguém te ama como eu, ninguém te ama como eu; olhe pra cruz esta é a minha grande prova, ninguém te ama como eu. Olhe pra cruz foi por ti porque te amo, ninguém te ama como eu”. A música e a arte são uma linguagem universal, mesmo que nós não entendamos o idioma o ritmo nos envolve e nos aproxima uns dos outros. A arte fala do artista, como a criação fala do criador. O homem é dotado de inteligência e essa é um dom divino, por isso, os grandes mestres da arte sacra foram inspirados por Deus e nossos músicos e artistas de hoje também. A Igreja com o Concilio Vaticano II dinamizou a liturgia através da participação e criatividade próprias de cada povo. O documento que trata da reforma litúrgica nos fala disso: “A Igreja aprova e admite no culto divino todas as formas de verdadeira arte (…) A ação litúrgica recebe uma forma mais elevada quando os Ofícios divinos são celebrados com canto e neles intervêm os ministros sacros e o povo participa ativamente”. E diz ainda: “O tesouro da música sacra seja conservado e favorecido com suma diligencia. Sejam assiduamente incentivadas as escolas de canto, principalmente junto as Igrejas catedrais”, (Constituição Sacrosanctum Concilium capitulo V ns 112 a 114).Portanto, é preciso incentivar e formar em nossas comunidades boas equipes e ministérios de música e arte. E cabe a nós pastores orientá-los e forma-los na fé e na liturgia. Para cada tempo do ano litúrgico a música e a arte sejam bem usadas e ajudem o nosso povo a rezar, a experimentar a Deus, a entrar no Mistério da nossa salvação. Tomemos o exemplo da Virgem Maria, que foi a primeira cristã a cantar os louvores do Senhor: “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador”. (Cf Lucas 1,47-55) Como costuma dizer o nosso povo mais simples: “Quem canta seus males espanta”, por isso, com arte sustentai a louvação.  

  

O amor é um mistério.

Filed under: MENSAGEM DO DIA — Padre Luizinho at 10:03 pm on Monday, June 18, 2007

Minha alma se encontra abatida, apesar de estás perto de mim.
Sempre sinto o teu infinito amor a me rodear, a procurar por mim, mas fujo de Ti como quem foge do seu grande amor, fojo de mim mesmo. Não entendo!
Uma lagrima caiu de meus olhos, por pensar em não te amar sobre todas as coisas.
Uma dor consome meu peito por não saber como me livrar desse fato.
Oh amor ingrato, como não amar quem mais te ama?
E essa dor é maior do que os meus pecados, é um Mistério.
Como fugi da possibilidade de ser plenamente feliz?
Procuro respostas, mas dentro de mim há um grito de socorro: Vem Senhor me libertar dessa angustia, de não te amar sobre todas as coisas.
E na minha fraqueza envolveu-me a Tua misericórdia, em fim achei a solução: Daí-me um coração igual ao teu meu mestre. Um coração que amou sem medidas e se entregou totalmente, pois morrendo para mim, encontrarei o teu infinito amor.                                                                            
Não há amor sem cruz, não há amor sem dor.
Mas é próprio do amor à ressurreição da minha alma: Então sou feliz!

Maria nos encaminha para cura e libertação

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 4:56 pm on Saturday, June 16, 2007

   O que poderia afligir o Coração de Maria? Mãe de Jesus, esposa de José, esperança de seu povo Israel. Deus a preparou para ser morada digna do Seu Filho, envolvido pelo Espírito Santo gerou aquele por quem foi gerada, de Deus tu és a morada, arca da Nova Aliança. Das criaturas a mais bela, a mais perfeita, Imaculada. Tudo isso porque o pecado nela não encontrou morado. O que poderia Maria, criatura tão amada, tirar tua paz, causar-te aflição? Porque estás a correr preocupada, parecendo que perdestes o bem mais precioso.         
   Voltavam da festa no templo em Jerusalém, a família de Nazaré Jesus, Maria e José. Após oferecer a Deus a devida adoração, voltavam para casa como de costume o seu povo fazia. Mas o Coração de Maria já percebia uma ausência, pensou que estivesse com os parentes e amigos. Um dia foi o suficiente para afligir o Coração de Maria: ”Onde está Jesus?” Perguntava a todos, eis a causa da aflição de Maria. Jesus não estava com eles, não sabia onde estava, por isso procurava avidamente a causa de sua alegria, o amor de sua alma. Mais do que mãe Maria é sedenta de Deus, não consegue ficar longe dele por um só instante, eis a causa da aflição do coração de Maria!
   Volta depressa a Jerusalém, o seu coração é guiado pelo amor, enfim encontra o seu filho ensinando os doutores, pois nesta escola já era mestra do amor. Com ela Jesus aprendeu a obediência e a Lei do temor a Deus: Jesus desceu então com seus pais para Nazaré, e era –lhes obediente. (Cf Lucas 2,51) Mas Ele não imaginava como ficaria o coração de sua mãe um só dia sem sua presença, pois Maria não vive sem Deus: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha teu pai e eu estávamos, angustiados, á tua procura”. (Lucas 2,48) Na escola de Maria ele aprende a obedecer e volta com eles, para o alivio de sua mãe e crescia em estatura, graça e sabedoria.    Aprendamos na escola de Maria, o seu Imaculado Coração é fornalha ardente de amor por Jesus e ama a cada um de nós, seus filhos também. Quando a maior fome e sede de nossos corações forem de Deus e sua graça, encontraremos nossas respostas e aquilo que tanto procuramos sem saber. Ocuparemos o vazio existencial que procuramos preencher com tantas coisas, que só nos destrói e mancha a nossa dignidade de filhos de Deus. Onde está Jesus em sua vida, em seu coração? Esta precisa ser a nossa “aflição”, ficar sem Jesus, sem sua presença. Quando procurarmos a Deus com a mesma intensidade que buscamos o amor das pessoas, a posse das coisas e os valores da terra, então encontraremos a Salvação. Maria nos encaminha e auxilia no nosso caminho de cura e libertação, com ela é sim, sim, não, não! Ela nos leva a Jesus.   Vem Espírito Santo, por meio da poderosa intercessão do Imaculado Coração de Maria e cura as nossas aflições e medos. Coloca em nosso coração um amor ardente por Jesus e hoje visita a nossa casa e todos os que se encontram desesperados, aflitos, dominados por outras forças, sem respostas para seus questionamentos. Maria, onde está Jesus? 

Coração de Jesus:fornalha ardente de amor

Filed under: Formação — Padre Luizinho at 5:14 pm on Friday, June 15, 2007

Hoje os irmãos da minha casa me acordaram com essa música:

“Se você está cansado/sem lugar pra repousar
Venha ao Coração Sagrado de Jesus que aberto está
Pode então entrar / até descansar teu Deus ai espera e quer te amar
Curar tuas feridas, tirar a solidão / reconstruir com selo tudo que está no chão.
Te dá muito carinho, alegre-se irmão felicidade não é ilusão”.

O Coração de Jesus é fornalha ardente de amor. Ele é o Pastor Divino, que nos ama com o coração humano. Cuida de nós, suas ovelhas, como Deus cuidaria, nos coloca em seus ombros lugar de repouso, refugio e salvação. Onde eu posso descansar seguro, sem medo e sabendo que todas as minhas feridas serão tratadas. Seu Coração diz pra mim: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Cf Mt 11,28-29) Como os nossos corações têm saudade desse lugar, precisamos nos deixar vencer, eu tenho saudade de Deus! Sejamos como os pássaros, façamos o nosso ninho na fenda da rocha, Jesus é a rocha e a fenda é o seu Coração aberto de onde choram Sangue e água. Fonte inesgotável de vida, de Santidade, lugar de cura e libertação para nós, oh inesgotável Mistério de Amor e misericórdia escondido em forma de coração humano, mas só poderia ser Divino.

No Coração de Jesus se cumpre a profecia de Ezequiel 37,26-27: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Tirarei de vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne”. Esse coração novo é o coração de Cristo, Nele revela-se neste maravilhoso Mistério: Deus tem um coração! Coração aberto na cruz pelo soldado é o manancial da salvação, onde nasceu a Igreja, os sacramentos, sangue e água saíram para curar nossas doenças, para matar a nossa sede, sede de Deus, sede de Amor, pois Deus tem um coração ferido de amor por mim e por você.

Os filhos de Deus nascem do amor, nascem do Coração de Jesus. E pelo toque do Espírito Santo, reconhecemos que ele nos ama. NELE está o poder de conferir a vida divina a nós pobres mortais, que em Deus encontramos o elixir da vida eterna, pois o homem tem desejo de eternidade e só a encontra no coração de Deus. Esta realidade me aproxima de Deus, saber que ele tem um coração igual ao meu, sem duvida divino, mas humano, torna reais as possibilidades de ter um coração igual ao teu: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”.

Acorramos com vivo desejo a esta fonte de vida, depositemos na fenda do coração de Jesus os nossos pecados, desejos e aspirações, nossas necessidades e feridas e descansemos nesta fornalha ardente de amor. Peçamos a Deus que tenhamos o coração ferido do mesmo amor que abrasa o Coração de seu Filho Jesus, hoje eu coloco você, sua vida e suas intenções neste rio que vem trazer alegria, conforto e esperança e descansemos nestes prados verdejantes que é o Coração de Jesus.

Rezemos com a Igreja: “Concedei, ó Deus todo-poderoso, que, alegrando-nos pela solenidade do Coração do vosso Filho, meditemos as maravilhas de seu amor e possamos receber, desta fonte de vida, uma torrente de graças. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade dom Espírito Santo”.

O que fazer para alcançar minha cura e libertação

Filed under: Formação, Sem Categoria — Padre Luizinho at 1:43 am on Friday, June 15, 2007

   Vamos olhar alguns personagens que experimentaram a cura e a libertação, porque assumiram a sua verdade, os seus defeitos, doenças físicas e espirituais e problemas de desvios de conduta. Como já coloquei no texto anterior: “Assumir a própria verdade, eis um segredo para cura”. O primeiro é o cego Bartimeu, que desde de nascença não enxergava. Ao ouvir falar de Jesus num grito explodi a sua verdade: “Jesus filho de Davi, tente piedade de mim”. Ao aproximar-se de Jesus ele abandona a sua capa, o que você precisa abandonar para vir para fora a sua verdade e experimentar a graça da ver? Muitas vezes temos muitas “muletas”, que nos impedem de caminhar de verdade, entenda muletas como algo desnecessário para quem sabe e pode caminhar com as próprias pernas. Jesus quer fazer ver aquela que quer ver. Bartimeu teve muita coragem para gritar, a multidão e os discípulos queriam faze-lo calar, mas o desejo de ver, de ser livre, foi muito mais forte. Quantas pessoas presas dentro de si mesmas ou agarradas em suas falsas “muletas”. Vícios são muletas, pessoas podem ser muletas, acomodar-se com as situações podem ser muletas, doenças podem ser muletas, sentimentos, falsas desculpas e até Deus podem ser muletas. Bartimeu libertou-se de si e de todas as muletas para experimentar a sua cura, e começar a caminhar sem precisar se segurar em nenhuma falsa segurança. Nem a doença física foi capaz de impedi-lhe, pois “mesmo enfermo eu sou guerreiro”. 
   
Olhemos para Zaqueu, inofensivo, vivia do suborno, da corrupção, ou seja, ele roubava, tinha um desvio de conduta, usava do seu cargo de cobrador de impostos para roubar dos pobres. Bastou Jesus perceber o seu esforço de subir na árvore para vê-lo e disse: “Hoje quero estar em tua casa”. Dentro de Zaqueu desencadeou um processo de libertação da ganância, da desonestidade, de desapego, e ele viu o mal que fazia para si e para os outros e quis restituir a todos o mal que fez: “Pagarei quatro vezes mais se defraudei alguém”. Muitas vezes é preciso tomar distância e esforçar-se para ver a verdade, pois não percebemos que estamos presos em vícios, pecados e defeitos, que prejudicam a si e aos outros. Quando nos libertamos, libertamos também os outros, porque nas nossas “cadeias” mantemos cativas outras pessoas, que usamos, que escravizamos conscientes ou inconscientes. Algo que ajudou profundamente a Zaqueu foi à confissão dos seus pecados aquele que poderia lhe perdoar e deixar-lhe livre de tudo que lhe pesava, acusava, ele foi tocado na sua consciência e experimentou uma profunda libertação interior. Daí o devolver foi à conseqüência pratica do perdão. Quem é perdoado sabe retribuir o perdão e sabe se perdoar. A partir desse fato o seu coração se torna uma fonte de misericórdia.
 
   
E Levi, o cobrador de impostos, que realiza um serviço terceirizado para o governo Romano e além de cobrar ainda tirava o que o povo não tinha, ele também roubava dos pobres. Mas Jesus passa perto de sua banca e enxerga em Levi, lá no fundo, onde só Deus tem a capacidade de ver, um ponto positivo e diz para ele: “Segue-me!”. Bastou dar um voto de confiança, acreditar nele, para Mateus vir para fora e se tornar um dos seguidores fiéis de Jesus. Mateus foi conquistado por Jesus, que ama e sempre acredita em nós, o amor é a força mais poderosa para mudar, curar e libertar as pessoas. Ele fez a experiência fundamental do amor de Deus, fonte genuína de vida nova. Devemos sempre partir do positivo, porque mesmo que pareçamos a pior pessoa, existe algo bom dentro de nós que ninguém ainda viu. Deus te vê e sempre te acolhe por pior que seja a sua situação, pois se existe alguém que acredita em você e sempre te dará um voto de confiança, esse alguém é Deus Pai. Ele escreveu a História do mestre, ele corrigiu, ele concertou e provou por amor a sua fidelidade dando a própria vida, lavou com o sangue o mal que fez.
  
  
Quero falar do último personagem, que não acreditou que pudesse ser perdoado, que poderia refazer o que fez de errado. Ele não acreditou na misericórdia e no perdão de Deus. Estou falando de Judas Iscariotes. Ele se manteve cego, fechado, escondido em si. Só via a sua traição, por quanto se vendeu e vendeu o Mestre. Ele era soberbo e mesquinho e cheio de uma grande autopiedade, mas o pior de tudo foi não acreditar que poderia mudar e se entregou ao remorso, ao sentimento de culpa, limitou Deus na sua capacidade de perdoar, não deixou Deus agir em si.  Não se abriu para se perdoar pelo mal que fez e a possibilidade de tentar outra vez. Já pensou se Judas tivesse experimentado o perdão que Pedro recebeu, depois de chorar amargamente o seu pecado, a sua negação, talvez ele também teria dado a vida pelo amigo. Mesmo assim eu continuo acreditando, “que a misericórdia triunfará sobre o juízo”. Exatamente por não querer ser juiz, que quero acreditar assim, pois as pessoas não precisam de juizes de acusação, mas de advogados de defesa. O olhar e o acompanhar das pessoas que nos amam são uma grande fonte de cura e libertação. É necessário de nossa parte, deixar-se amar e acompanhar. Aqui fica claro a importância do perdão a si e aos outros, é o primeiro e grande passo. 
     Precisamos aprender a lidar com as nossas fraquezas e recomeçar. Um encontro com Jesus, um encontro com as coisas que eu preciso resolver pode ser fonte de cura e libertação. Bom começo é rezar com as nossas fraquezas e desvios para podermos vê-los menor que Deus e do que nós mesmos. A verdade dói, mas liberta, em muitos tratamentos precisamos sentir dor ou tomar o remédio mais amargo para curar. Mas quando experimentamos a cura e a libertação esquecemos o tamanho da dor. Como a felicidade da mãe que ao nascer do filho, esquece-se da dor do parto, e o nascimento do homem novo não poderia ser diferente, pois lutamos contra forças ocultas que não querem nossa cura e libertação. Mais acima de tudo Deus que nos ama quer nos curar. 

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