Como falar de sexualidade para minhas crianças?
Estes dias fui surpreendido pela Rafaela, uma criança filha de um casal da comunidade Canção Nova, ela estava brincando com uma boneca de bisqui na sala de minha casa. Derepende, ela levantou a boneca e disse o nome correto do órgão sexual das meninas e disse que por ali as meninas faziam xixi, na maior naturalidade e inocência de criança. Logo me lembrei de uma pergunta que uma mãe fez a mim: “Padre como falar sobre sexualidade com as crianças de hoje, que são tão inteligentes?”
A primeira coisa é não tornar impuro aquilo que Deus fez puro e sagrado, a nossa sexualidade é a obra mais bonita e perfeita que o Criador fez, e fez homem e mulher: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher. Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”. (Cf.Gn27-31). Nós adultos, costumamos colocar nas perguntas e curiosidade das crianças uma malicia que elas ainda não têm, e nós acabamos influenciando o aprendizado sadio sobre sexualidade e afetividade dos nossos meninos e meninas. Criança tem curiosidade de criança e se for bem educada, sem mitos e tabus, elas crescem afetivamente equilibradas.
Como os pais da Rafaela, precisamos ensinar os nomes certos de cada parte do corpo, o órgão masculino e o feminino, que nas primeiras curiosidades não é nunca certo proibir, censurar. Primeiro porque é profundamente errado ensinar certos tipos de nomes, peru, perereca, baratinha, pintinho e etc. Não diz do que esses órgãos são suas finalidades, sua beleza e verdade. Segundo porque a própria criança vai tendo contato e conhecendo o seu próprio corpo, que precisa ser respeitado e amado como grande projeto do amor de Deus que criou todas as coisas com uma finalidade e missão.
As crianças vão se identificando com os seus pais e certamente fazendo o que eles fazem. É preciso entrar no mundo e na linguagem das crianças, no nível de compreensão e entendimento delas para poder lhes passar as coisas. Elas não têm a mesma noção de um adulto e muito menos o conceito de certo e errado formado em suas consciências. A verdade é que não há nada mais puro do que a consciência de uma criança, pronta para ser bem trabalhada, educada e de fácil assimilação.
Uma menina bem educada pelos pais, disse em sua escolinha: “Pedrinho eu sou menina, tenho trompas e ovários, por isso, quando crescer, poderei ser mãe e você poderá ser papai, porque você tem órgão masculino e espermatozóide”. Deixemos as crianças serem inocentes e sejamos para elas professores da verdade e da vida, os encaminhemos para maturidade afetiva e sexual.
Jesus, porém, chamou-as e disse: “Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas”. (Cf. Lc 18,16)
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Minha benção fraterna.
Padre Luizinho,
Canção Nova.