O aspecto espiritual do sofrimento no Haiti
Por Padre Luizinho no dia jan 21st, 2010 sobre Atualidade.
A tragédia pode conduzir a uma maior fé em Deus
Nos últimos dias, todos nós estivemos horrorizados pelas cenas de morte e destruição no Haiti. Milhões de nós buscam formas de aliviar o sofrimento do povo haitiano. Não há dúvida de que, nos próximos dias, serão pronunciadas milhares de homilias para nos ajudar a compreender porque um Deus de amor pode permitir tamanho sofrimento.
Nos EUA, uma das “explicações” mais controversas veio de um pastor protestante, que sustenta que o Haiti teria sido “amaldiçoado” no momento em que seus fundadores teriam “firmado um pacto com o demônio” para obter a independência da França. Tais comentários, como se pode imaginar suscitou uma enorme controvérsia.
No Antigo Testamento há muitos relatos de nações punidas por Deus por pecados como a idolatria e a injustiça, e alguns cristãos continuam a recorrer a estas histórias para explicar eventos mundiais.
Os católicos de hoje, porém, olham numa direção diferente quando buscam compreender como Deus lida com nossa condição de pecadores. Seu olhar não precisa ir além do crucifixo sobre o altar de suas igrejas. Deus ligou-se livre e amavelmente ao sofrimento humano com o sacrifício de Seu Filho na cruz.
Estes evangélicos que citam com tanta freqüência João 3,16 deveriam também lembrar do que diz o versículo seguinte: “Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.
A tragédia no Haiti deixará, provavelmente, efeitos de longo prazo, não apenas para aqueles que perderam seus entes queridos, mas para toda uma geração que testemunhou tamanha destruição. É importante que compreendamos o significado profundo do que ocorreu no Haiti.
Muitos informes têm comparado os eventos no Haiti à recente devastação provocada pelo furacão Katrina nos EUA, ou com o terremoto ocorrido na Cidade do México em 1985. Mas a tragédia do Haiti tem probabilidade de provocar um impacto psicológico de longo prazo, tal qual o terremoto ocorrido em Lisboa em 1775. Este último foi seguido de um tsunami e de um grande incêndio que se alastrou por toda a cidade, matando um milhão de pessoas.
A catástrofe ocorrida em Lisboa mudou a forma de pensar de muitos intelectuais influentes do século 18, incluindo Voltaire, Kant e Descartes. O terremoto ocorreu durante a Festa de Todos os Santos num país de maioria católica, o que fez com que muitos cristãos europeus colocasse em dúvida sua própria fé em Deus.
Nos próximos dias, é possível que sejamos testemunhas de um processo similar. Por isso, o Haiti representa hoje um teste para nossa fé e nosso comprometimento com nossos irmãos.
Pensando no Haiti ao longo dessa semana, não pude deixar também de pensar na obra do padre Damião de Molokai, “o apóstolo dos leprosos”, recentemente canonizado por Bento XVI. Há muitos anos, tive a oportunidade de visitar Molokai, no Havaí, e enquanto visitava a paróquia, vi a fotografia de uma anciã tirada nos anos 30. Havia perdido as orelhas, o nariz, os dedos dos pés e das mãos com a lepra. Estava também cega. Mesmo assim, todos os dias, recitava o rosário segurando-o entre os dentes.
Não muito tempo depois, eu falava com um sacerdote missionário que havia aberto um abrigo para doentes de lepra. Todos os dias, enquanto celebrava a missa, um ancião, também cego devido à doença, dizia durante a oração dos fiéis: “Deus Pai, te agradeço por todas as coisas boas que me concedeu”.
Os filósofos e teólogos continuarão a buscar explicações na tentativa de responder às nossas indagações sobre o sofrimento no mundo. Mas a melhor resposta, no entanto, vem daqueles cujo sofrimento vai além do que somos capazes de imaginar, e ainda assim, são capazes de viver a realidade de que Deus uniu-se a eles em seu sofrimento.
Na homilia pronunciada na missa de canonização de padre Damião, o Papa disse que “Jesus convida seus discípulos a doarem totalmente suas vidas, sem ponderações ou ganhos pessoais, com confiança irrestrita em Deus. Os santos atendem a esse chamado, e se colocam com doce humildade, a seguir Jesus crucificado e assunto aos céus”.
“Sua perfeição, numa lógica de fé que às vezes pode parecer incompreensível, consiste em não colocar mais a si mesmos no centro, mas em optar por andar contra a correnteza, vivendo segundo o Evangelho”.
Esta é a chave para compreender os eventos de Molokai e do Haiti. E será esta a medida de nossa resposta como cristãos.
* Carl Anderson é escritor e cavaleiro supremo da Ordem dos Cavaleiros de Colombo. NEW HAVEN, EUA, terça-feira, 19 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).




O aspecto espiritual do sofrimento no Haiti http://bit.ly/7dgOrk
RT @padreluizinho: O aspecto espiritual do sofrimento no Haiti http://bit.ly/7dgOrk
Deus não é culpado de nada e temos que ser solidários para com os parentes das pessoas que foram atingidos por essas catástrofes.A oração é o melhor remédio acompanhado de ajuda espiritual, material e de dar conforto para os nossos irmãos que perderam tudo mas não perderam a fé. Serve também para que as autoridades constituídas sigam as orientações do Evangelho porque existe para educar, corrigir, orientar como nós humanos devemos respeitar a natureza a começar da natureza humana onde temos feito métodos contrários as normas de Deus. Fiquemos de joelhos a exemplo de Ana e derramarmos os nossos corações na presença do Senhor. Não adianta encontrarmos respostas para o caso, basta apenas rezarmos por nossos irmãos que perderam a vida e que tenham a vida eterna junto a Deus e reconstruirmos Haiti assim como reconstruiram Jerusalém e amar, amar, amar, amar….. sempre.
Caro irmão Luizinho,
Uma pequena retificação ao que afirma Carl Anderson. Não morreram tantas pessoas no terramoto de Lisboa em 1775 (um milhão de pessoas). A cidade tinha cerca de 270.000 habitantes, dos quais cerca de 7 mil eram estrangeiros, e a estimativa das mortes causadas ainda não apresenta um consenso. ESTIMA-SE que possam ter falecido entre dez a 20 mil pessoas e, em alguns casos, aceita-se que possam ter falecido 30 mil pessoas. Todavia, esta fatalidade não se circunscreveu a Lisboa, afectou também outras regiões de Portugal: tal como Sul de Portugal, Algarve. Lisboa é a mais falada, porque nessa época era “o centro” do mundo. Era uma cidade cosmopolita e Portugal era o símbolo do progresso e de uma nação forte em sabedoria e no “savoir faire” (saber fazer).
PAX+++